Não há quem possa ocupar seu lugar...
Por Amanda Catarina
BLEACH e seus personagens pertencem a Tite Kubo.
Capítulo 2
Soul Society, na área do décimo terceiro esquadrão.
Era noite, Rukia estava recostada numa árvore. Aquele tinha sido um dia cansativo. Primeiro, precisou justificar o atraso a seu capitão, que nem se importou, e a seu irmão, esse no entanto, lhe deu um sermão; depois, teve que resolver diversas pendências.
Cansada e com o coração agitado, não conseguia acreditar no que tinha acontecido. Por mais que tentasse se convencer de que tudo aquilo tinha sido um delírio, sabia em seu íntimo que não, que Ichigo tinha mesmo lhe beijado. E parecia evidente também que não se tratasse de apenas uma incomum demonstração de preocupação da parte dele.
Sentia-se culpada. Ichigo podia ser jovem, mas ainda sim era um rapaz. Mesmo que fosse muito mais velha, não era isso que seu aspecto físico aparentava. E não era uma questão dela ser atraente ou não, era mais básico. Assim como seria impróprio que Orihime passasse a dormir no quarto de Ichigo, o mesmo valia pra ela. O fato de ser uma shinigami não era razão suficiente para ignorar esses detalhes.
– ...idiota... - xingou-se.
– Kuchiki...? Algum problema?
– Capitão! - Rukia exclamou e se pôs de pé na mesma hora.
– Ah, me perdoe tê-la surpreendido. É que sua expressão preocupada me deixou preocupado também. Byakuya brigou com você?
– Não! Nada disso...
– Ele é sempre muito severo, não ligue pra isso. Vamos, sente-se... - disse e se acomodou, bem próximo de onde ela estava antes, ao pé da árvore.
– Não é isso, capitão... - ela disse e voltou a sentar-se - ...está tudo bem...
– Sei... mas não gostaria de conversar um pouco? - sugeriu amável, o rosto voltado para frente.
Perplexa, Rukia sentiu sua face corar. Seu capitão era mesmo muito atencioso e compreensivo, certamente ele poderia aconselhá-la, mas julgou o assunto embaraçoso demais, por isso desistiu quase na mesma hora.
– ...não tenho nada importante a dizer...
Juushiro lamentou, mas já esperava por aquilo, então, os dois ficaram quietos por alguns instantes.
– Entendi. É algo particular... - ele falou calmo.
A shinigami vidrou os olhos, surpresa com a perspicácia dele.
– Ainda é cedo, por que não procura o Abarai-kun? - comentou o capitão e se levantou, depois foi saindo vagarosamente.
O coração de Rukia deu um sobressalto.
– Renji... - ela murmurou.
"Acho que o Renji não ia gostar de saber disso... não mesmo..."
ooo ooo ooo ooo
Mundo real, na casa da família Kurosaki.
Não era muito tarde, mas no quarto de Ichigo apenas a luminária na escrivaninha estava acesa. Deitado em sua cama, bastante quieto o jovem ruivo olhava para o teto, no entanto sem conseguir focar o pensamento em nada, uma vez que tantas coisas lhe vinham a mente.
Apesar de sentir-se angustiado, não pensava nos empecilhos que o impediam de estar junto de Rukia. Tanto que chegava a desejar que algum inimigo ou alguma ordem surgisse do nada, apenas para que pudesse revê-la.
Em sua cabecinha, ele e Rukia podiam perfeitamente começar um relacionamento, simplesmente porque não eram comprometidos. Coisas como a diferença de suas idades nem lhe ocorria, e o trabalho como shinigami também era, para ele, apenas um detalhe.
– ...ah... essa casa é tão triste sem a Nee-san... - Kon lamentou-se, deitado de lado no chão, brincando com o distintivo de shinigami substituto de Ichigo.
Inconscientemente, Ichigo concordou.
– É...
Alarmado, Kon pulou de pé na mesma hora.
– O que?! O que foi esse "é"?! Ichigo, o que há? - esbravejou o leãozinho de pelúcia.
– Eu que pergunto... - retrucou olhando na direção dele.
– Ora, a Nee-san é minha! Só minha, tira os olhos dela, você tem a Inoue.
– Inoue?! - repetiu perplexo, mas logo riu levemente. – Pára de besteira, Kon.
O bichinho encarou Ichigo na penumbra e ficou quieto. O rapaz era devagar para perceber as coisas, mas ele era bem mais esperto, ainda que na maioria das vezes, entendesse tudo errado.
Ichigo puxou o cobertor e virou de lado, ainda rindo um pouco do comentário, então, fechou os olhos e deixou-se levar pelo sono.
ooo ooo ooo ooo
Uma semana se passou, desde que Rukia foi atacada. Ichigo caminhava sozinho e quando deu por si, estava diante da loja de Urahara.
– Boa tarde, Kurosaki-kun.
– Ah, Urahara-san... - cumprimentou curvando-se levemente.
– Em que posso ajudá-lo? - Urahara perguntou com um largo sorriso.
– Não... nada demais... estava de passagem... todos estão bem?
– Estão sim. Entre, vamos tomar um chá. - convidou em sua costumeira cordialidade.
Um pouco depois, Ichigo, quieto e cabisbaixo, olhava para o chá.
– Saudades da Kuchiki-san? - Urahara perguntou num tom provocativo.
– É... se houvesse alguma ordem... - o rapaz dizia, mas caiu em si e levantou o rosto. - Que espécie de pergunta foi essa?! - exclamou indignado.
– Ah, tarde demais. Sua resposta já mostrou que sim...
Kurosaki ficou vermelho e voltou a abaixar a cabeça.
Urahara riu levemente, tinha se surpreendido com as palavras dele, mas já imaginava que mais cedo ou mais tarde aquilo iria acontecer, em função da proximidade dos dois e da relação de companheirismo que já mantinham.
– Ela tem tido muito trabalho na Soul Society, comprou comigo diversos itens em sua última visita.
Ichigo o encarou, visivelmente interessado, mas sem coragem de fazer perguntas, ficou apenas na expectativa de que o ex-shinigami falasse mais.
– Está curioso?
– Ora! - praguejou o rapaz e virou a cara.
Divertindo-se, Urahara se levantou e ficou de costas para ele.
– Da Soul Society é possível abrir portais para qualquer lugar. Os hollows aparecem por todo lado. Eu soube que a atividade deles se intensificou desde que Aizen começou sua revolta.
– Por que está me dizendo isso? - indagou o jovem, tentando demonstrar descaso.
– Não é o tipo de trabalho que sub-capitães têm feito... se o Kurosaki-kun percebesse esses hollows fora de Karakura, talvez encontrasse algum conhecido liquidando eles.
Claro que Ichigo não era ingênuo a ponto de não notar que Urahara estava lhe dando indiretas, e mesmo sem compreender ao certo a razão daquilo, achou a informação bastante valiosa.
ooo ooo ooo ooo
Ao anoitecer, Ichigo se transformou em shinigami e saltou pela janela. Seu dispositivo de shinigami substituto também podia detectar hollows, mas não tinha um alcance tão bom quanto os localizadores espirituais que Urahara vendia.
"Mas vai ter que servir." ele pensou e saiu em sua ronda, escondendo sua reiatsu e movendo-se em grande velocidade.
As coisas não foram tão fáceis como Ichigo quis acreditar que seriam, encontrou de fato um ou outro shinigami de baixa patente, mas a chance de encontrar Rukia era mesmo pequena, ele compreendeu.
Nos dias que se seguiram, Ichigo tentou o mesmo, até que no final da semana, ao voltar a sua casa se deparou com o sétimo posto da equipe quatro, Yamada Hanatarou.
– Hanatarou! - exclamou o shinigami substituto.
– Ah, Ichigo-san! Que bom que voltou.
– O que faz aqui? Veio só? - perguntou numa certa afobação.
– Sim... por que? Esperava por alguém?
– Não... - balançou a cabeça – ...nada disso... o que aconteceu?
– Estou em missão, a capitã Unohana me pediu para colher informações sobre o hollow que atacou a Kuchiki Rukia há alguns dias.
– Mas... eu acabei com ele.
– Eu sei, mas outros hollows têm atacado da mesma forma. Além da Rukia-san, aconteceu o mesmo com outros seis shinigamis.
– Entendi... bem, vamos entrar.
– Claro... Mas não vou incomodar? É um pouco tarde, posso voltar amanhã. - falou naquele tom servil de sempre.
– Não. Entre e me conte essa história direito.
Um pouco depois, os dois conversavam no quarto de Ichigo, já que Hanatarou estava na forma shinigami e não numa gigai.
– Achamos que é um novo tipo de hollow, provavelmente híbridos que surgiram por influência dos Arrancar. - explicou o shinigami.
Ichigo suspirou, apesar da situação parecer preocupante, ele não conseguia pensar em nada a não ser ver Rukia.
– Hanatarou... a Rukia... ela está bem?
– A Rukia-san? É que... na verdade, é um pouco raro que eu a veja, ela anda muito ocupada e além disso é uma nobre. - disse coçando a cabeça e até um pouco vermelho.
Ichigo ficou totalmente sem jeito com o constrangimento dele.
– Ah sim... foi mal ter perguntado.
– Não, sem problema. Mas eu imagino que ela esteja bem sim, afinal já estava plenamente recuperada graças ao poder de Inoue Orihime, e além disso, a própria capitã Unohana a examinou, a pedido do capitão Kuchiki.
– Ah, claro... o Byakuya é muito atencioso com ela...
– É mesmo. - Hanatarou encarou Ichigo por alguns instantes – Agora que Aizen está desaparecido, você está um pouco distante da Soul Society, não é Ichigo-san? E de seus amigos também.
– É verdade... mas ao menos as coisas estão tranqüilas...
– É... bem, acho que já tenho todas as informações necessárias. Então, acho que vou indo. - disse e se levantou.
– Tudo bem. Precisando de ajuda, conte comigo.
– Ah sim, é bom saber. Ichigo-san... eu não posso garantir, mas havendo oportunidade e se eu a encontrar, quer que eu deixe algum recado com a Kuchiki-san?
Pego de surpresa, o rapaz chegou a vidrar os olhos. Era uma boa oportunidade, mas não soube o que poderia dizer.
– ...não... nada em especial, apenas mande um "alô" pra todos.
Hanatarou assentiu e logo se foi.
ooo ooo ooo ooo
Naquela noite, Ichigo sonhava que estava na Soul Society e novamente, Rukia estava para ser executada, mas dessa vez, ele não conseguia salvá-la, e assistia ao longe Aizen transpassando seu corpo.
Num susto ele acordou, o rosto molhado de suor, o coração aos pulos. O quarto estava bem escuro. Ele passou a mão pela testa, enxugando a umidade e depois ergueu o corpo. Olhou o relógio. Eram três da manhã. Deitou de novo e largou um braço em cima do rosto, levemente ofegante.
– ...droga de sonho idiota... - praguejou num murmúrio, mas então ouviu o berro de um hollow. – Ah... justo agora... - reclamou, mas então saltou da cama na mesma hora ao sentir uma reiatsu bem conhecida.
– ...humm... essa reaitsu... - resmungou Kon, mais dormindo que acordado – É a Nee-san!!
Ichigo saltou pela janela, já na forma de shinigami.
– Oe, Rukia! - falou alto e soltou um golpe certeiro no hollow, pulverizando-o.
– Ichigo! Droga... não queria ter te acordado...
– Hã? O que quer dizer com isso? Ia embora sem falar comigo?
Rukia não deu resposta e Ichigo se aproximou.
– Preciso falar com você. - ele disse com certa seriedade, deixando-a ainda mais abalada.
– Estou em trabalho agora. - retrucou friamente.
– Sem problema, eu te ajudo e depois conversamos.
– Não... você não deve interferir no meu trabalho, foi descuido meu que esse hollow viesse parar aqui, afinal essa é a região que você toma conta... mas não vai acontecer de novo...
Ichigo suspirou.
– ...por que está me evitando? - indagou encarando-a de perto.
– Idiota! - exclamou de pronto, brava, virando de lado pra ele – Pare de dizer coisas sem sentido.
– Rukia... o que há?
A shinigami permaneceu virada e quieta.
– ...sobre aquele dia... - começou ele, mas subitamente os dois sentiram a presença de mais hollows e o rastreador de Rukia também disparou.
– É por ali! - ela falou apontando uma direção.
Eles perseguiram três hollows e rapidamente acertaram dois, mas o terceiro escapou.
– Não temos um minuto de sossego. - Ichigo comentou no alto de uma árvore, Rukia estava perto dele.
– Quem disse que é fácil ser shinigami? - ela falou olhando adiante.
Avistando enfim o monstro, Ichigo saltou e o acertou em cheio, colocando fim a caçada. Rukia pulou da árvore, ficando ao lado dele.
– Não tem nem graça se você está por perto... - comentou mau-humorada.
– Ora, devia me agradecer.
– Ah, sim... obrigada por sempre roubar meu trabalho.
Ichigo balançou a cabeça e riu um pouco.
– Podemos conversar agora?
– Não. Agora, eu preciso voltar pra Soul Society... - disse ela ainda muito amarga.
Ichigo não se importou e voltou-se para ela.
– Tá dizendo que não tem uns minutos pra mim... qual é?
– Nós não temos nada de importante a conversar, Ichigo. - retrucou muito séria, naquela postura adulta de sempre.
– Sei... - ele deu um passo adiante – Eu gosto de você, Rukia. - declarou convicto, em sua típica simplicidade.
Rukia arregalou os olhos, atônita, ainda que o conhecesse bem, não esperava aquilo. Seu coração disparou e não conseguiu dizer nada por alguns instantes.
Diante da expressão de espanto dela, Ichigo acabou ficando meio perdido também, um certo rubor tomou-lhe a face e as orelhas, mas mesmo assim ele manteve o olhar fixo no dela.
– Seu imbecil! - xingou, mas abaixou a cabeça pois estava a beira do choro. – ...não volte a dizer isso...
– Ah é, e por quê, se é a verdade?
Aflita, Rukia virou de costas pra ele.
– Você não passa de um pivete mesmo. - rebateu zangada e a sua frente um portal se abriu. –Até, Ichigo!
Ele a alcançou depressa. – Não! - exclamou e a puxou de volta pelo pulso.
– Me larga! - mandou autoritária.
– Rukia, deixa disso. - falou e sem soltá-la, fez com que virasse o corpo pra ele.
– Deixa disso você! - berrou e segurou no braço dele na intenção de soltar-se. – O que você tem nessa cabeça oca!?
Ichigo apenas a encarou quando ela afastou-lhe o braço.
– Eu tenho idade pra ser sua bisavó! Acaso te esqueceste disto?!
– Mas eu não dou a mínima. - ele disse com muita naturalidade.
– Seu tapado, essa não é a questão! Ichigo você é um humano!
– Mas não sou um humano comum! Ah, Rukia... corta essa, estou há dias tentando falar com você, e agora você vem com essa história nada a ver. A gente se gosta, oras. Até na escola achavam que éramos namorados.
– Mas... será que você não está escutando nada do que eu estou falando?! - rebateu furiosa.
– Não tô mesmo, como sempre você complica tudo. - Ichigo inclinou um pouco o corpo e tocou na face levemente rosada dela. – Fica comigo... - falou baixo, fazendo-a estremecer dos pés a cabeça.
Por um instante, Rukia se perdeu na beleza daqueles olhos castanhos, a proximidade de seu corpo forte também não lhe passou despercebida. Ele se parecia tanto com Kaien, a mesma expressão e até o jeito de falar. Mas recobrando o juízo, ela segurou a mão dele em seu rosto, afastou-a num gesto brusco, e fez a primeira coisa sensata que lhe veio a mente.
– Primeira técnica de aprisionamento, "Sai"!
Ichigo piscou surpreso e logo seu corpo deu um solavanco. Era a segunda vez que Rukia usava aquele encantamento nele.
– Se antes de eu ser um shinigami isso não me segurou, por que acha que vai agora.
– Não é pra te segurar é só pra eu sumir daqui.
– Eu vou atrás se fizer isso, sua sem graça.
Ultrajada, Rukia deu as costas pra ele novamente e chegou a botar meio corpo para dentro do portal, mas de repente foi puxada de volta.
– Que?! - exclamou e quando deu por si Ichigo lhe ergueu pelas axilas, há uns centímetros do chão. – Me solta! - berrou alucinada.
O adolescente riu do quadro hilário.
– Ah... que escândalo. - falou ele e então a virou bruscamente para si, apertando firme a cintura dela contra seu corpo.
– Ichigo! - ela exclamou chocada, com o rosto na altura do dele.
– Não fica tão brava assim... sabe, você está bem mais forte... se tivesse essa força quando usou isso em mim daquela vez, eu não teria me soltado nunca.
Rukia teria ficado ainda mais furiosa, se o fato de estar sentindo as batidas do coração dele junto ao seu, não tivesse a deixado tão desconcertada, mas enfim reagiu.
– Você quer fazer o favor de me colocar no chão!
– Nada disso... eu vou é... - ele dizia mas de repente, não soube o que fazer, e sua expressão tornou-se tão apalermada que Rukia teve ímpetos de dar uma cabeçada nele.
– Me solta! - ela gritou.
– Você é tão pequena que até parece uma criança da idade de Yuzu... mas olhando direito... você é tão bonita, Rukia...
Aturdida, ela parou de se debater. Nunca ninguém tinha lhe falado aquilo, ainda mais daquele jeito.
– Ichigo...
Sem dizer nada, ele aproximou mais o rosto.
– Não... - balbuciou, hipnotizada pelos lábios dele.
– ...só um beijo... - ele falou até bem provocante dado sua inexperiência em relacionamentos.
– ...um beijo... - ela repetiu, sem encará-lo mas deixando que ele esbarrasse os lábios nos seus.
– ...é...
Como um lobo voraz, Ichigo avançou com tudo, e quase na mesma hora em que sua boca se junto a de Rukia, ela passou os braços pelo pescoço dele, correspondendo-o.
Eles se beijaram apaixonadamente, esquecendo-se do mundo ao redor, fortemente abraçados.
Enfim, a inquietação que afligia Ichigo há tantos dias desapareceu como num passe de mágica, bastou pra isso ter Rukia nos braços novamente. Sua alma precisava da dela. E de agora em diante, não conseguiria mais ficar longe.
"Como resistí-lo?" Rukia pensou enquanto aquele beijo carinhoso se prolongava além da conta. A alma dele parecia atrair a dela como um fortíssimo imã.
Ichigo então afastou os lábios devagar e encostou a testa na dela.
– ...não... - Rukia foi voltando a si. – ...isso não está acontecendo...
– ...eu acho que eu quero outro... - retrucou o jovem.
Rukia a afastou o rosto de súbito então.
– Chega! Isso já foi longe demais! Ichigo, me coloca no chão imediatamente.
– Por que eu deveria?
– Ichigo, eu estou falando sério! Pare já com isso!
O tom dela foi tão zangado que ele achou melhor atender.
– Rukia...
– Cala a boca!
– Rukia, não fala assim, eu gosto de você de verdade, é serio.
– Mas será que você não entende? Isso não tem cabimento. Além do mais, eu não pertenço a esse mundo e aqui tem uma pessoa que gosta muito de você...
– Hã? Que história é essa?
– Mais cedo ou mais tarde você vai descobrir.
– Besteira... E eu nem quero saber, porque é de você que eu gosto!
Foi realmente difícil para a shinigami ouvir aquilo.
– ...sei que eu fui descuidada e acabei criando essa situação... me perdoe por isso. Mas céus, tire esse absurdo da cabeça.
– De jeito nenhum! Não agora que eu sei que você também gosta de mim!
– Não gosto. - negou enfática.
– Não adianta mentir! - retrucou alto.
– Eu não gosto de você desse jeito, Ichigo. - disse com frieza e seriedade. – Você entendeu errado.
– Mentira!! - exclamou nervoso.
– Ichigo, não banque a criança mimada. Está sendo imaturo e incoerente.
– Não me importo!
– Ah é? Então, precisa refletir melhor... E enquanto isso, não iremos mais nos ver, ao menos não por um bom tempo... - encerrou ela e como o portal tinha se fechado, tornou a abri-lo num instante.
– Rukia, espera!
Ichigo tentou detê-la, mas dessa vez ela foi mais rápida.
– Não!! - ele gritou quando ela se foi, possesso, mas extremamente magoado também.
Num instante, a noite cedeu seu lugar ao dia, mas nem a primorosa luz solar foi capaz de penetrar a escuridão na qual o coração de Ichigo mergulhou.
CONTINUA...
Agradeço de coração pelos comentários!
