Capítulo II. Gratidão Eterna

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Ele começava a despertar, seu olhar foi ficando nítido e ele iniciou o reconhecimento do local. Estava em um quarto. Havia uma janela fechada e a luz do sol escapava pelas brechas da cortina. Tinha uma mesa de cabeceira ao lado da cama onde ele estava, também tinha um armário encostado na parede, uma tv pendurada na parede na sua frente, e duas portas.

Sentiu uma dor quase forte em seu ombro, percebeu que estava enfaixado, olhou para o lado e viu suas roupas, então viu que se encontrava apenas com suas calças e com sua máscara. Forçando-se um pouco ele levantou. Abriu a porta da esquerda cuidadosamente.

Era um banheiro.

Abriu delicadamente a porta da direita, e viu que dava para uma sala de estar, ele passou pela sala perguntando-se onde estava sua arma, e continuou em direção a cozinha, ele olhou com cuidado e viu que alguém habitava o local. Ele ficou observando por alguns instantes. Ela tinha cabelos cor-de-rosa, longos, era alta. Diria que um metro e setenta. A garota portava uma xícara, que vez ou outra levada aos lábios. Ele constatou que ela não era uma ameaça e resolveu anunciar sua presença.

"Bom dia" ele falou adentrando o cômodo

"Ahn, bom dia" disse virando-se para ver o homem "Está doendo? Eu não lhe levei a um hospital, resolvi pontear você eu mesma." explicou por alto

"Mais ou menos... e você sabe dar pontos em um corte? porque não me levou a um hospital?" ele perguntou um tanto intrigado, mas ainda parecia calmo "Posso me juntar a você?" perguntou por fim.

"Claro, por favor, sente-se." Instruiu mostrando-lhe uma cadeira "Eu curso medicina, e já aprendi a dar pontos." começou a explicar bebericando o conteúdo da xícara "E não o levei para um hospital porque não acho que alguém que porta uma submetralhadora queira ter algum tipo de registro em qualquer lugar" respondeu dando um sorriso esperto.

"E a senhorita costuma levar estranhos para sua casa?"

"Só os que salvam minha vida." Respondeu ela sem saber se fez a coisa certa. "Sou Haruno Sakura" complementou "Quer chá?"

"Hatake Kakashi, e sim."

Ela levantou-se e preparou o chá de Kakashi. Ao colocar na mesa, ela percebeu o incomodo dele sobre retirar a máscara. Noite passada, enquanto prestava socorro ao homem, a ultima coisa na qual pensou foi em espiar seu rosto. Mas agora confessou a si mesma, estava curiosa.

"Só pra você saber, eu não fui curiosa" e fez sinal para a máscara dele. Ela jurava que conseguiu ver um sorriso suave se formando no rosto do mascarado

"Obrigado por não espiar" Agradeceu solenemente "E você se importa se eu..." ele fez uma pausa "... virar e tomar meu chá de costas para você?"

"Ah, não, fique avontade por favor" disse ela sorrindo. Então ele sentou-se ao contrário na cadeira, de forma que suas pernas ficassem abertas e no meio o encosto da cadeira apoiasse seu peito. Ele verificou se não havia nenhum objeto que refletisse seu rosto, e só então abaixou a máscara.

Ficaram em silencio, Kakashi podia jurar que já havia ouvido o nome daquela menina em algum lugar. Haruno. Com certeza ele já havia ouvido. Ele tentou buscar nos confins de sua memória sobre esse nome, mas nada lembrava.

Sakura apenas tomava seu chá imaginando com o que Kakashi havia se metido. Não que fosse da conta dela, mas ela podia estar ajudando um assassino. No entanto, algo lhe dizia que ele não era esse tipo de pessoa, na verdade, ela até podia sentir uma aura levemente ingênua vindo dele, uns chamavam de sexto sentido, outros de intuição feminina, mas ela sentia que deveria ajudá-lo, mesmo que não soubesse de nada.

O tempo foi passando, Kakashi ainda se encontrava na casa da garota, ele utilizava das instalações da casa dela para banhar-se, comer e relaxar um pouco antes de partir, afinal, ele não podia ficar muito tempo, provavelmente seu perseguidor já estava no seu rastro, e ele não podia colocar Sakura em perigo.

Ele entrou na sala onde ela se encontrava, eram vinte horas, ele sentou junto a ela no sofá, e começou a pensar sobre a falta de perguntas da menina. Seria comum ela querer saber porque ele estava ferido na noite passada, como tinha uma submetralhadora, quem era o homem do carro negro, porque de súbito a perseguiu e porque ele a salvou.

"Sakura-san, está na hora de partir." ele começou reparando na reação dela

"Hm... Antes, deixe-me ver seu ombro, farei um novo curativo e permitirei que você vá" E de novo ela achava que ele estava sorrindo.

"Não há tempo Sakura. Antes de partir, eu gostaria de agradecer pelos cuidados, pela estadia, pela compreensão e principalmente pela falta de perguntas" ele concluiu sorrindo com os olhos. Ela ficava levemente vermelha.

"Ahn... Tudo bem, não foi nada, sou grata a você por me salvar." E desviou um pouco o olhar "Antes que parta, prometa-me que... irá tomar cuidado, seja lá com o que estiver envolvido." disse em tom baixo, soando como uma suplica.

Ele olhou para a garota intrigado. Ela mal o conhecia, nem sabia quem era direito, tinha cuidado dele e não fazia perguntas, e agora estava pedindo, daquela maneira, para ele tomar cuidado? Quem era aquela menina? Porque ela estava sendo tão gentil? Ele não tinha nada para oferecer a ela, e muito menos haviam tido tempo para se afeiçoar um ao outro. Não era porque ele tinha salvado-a de uma bala, não mesmo. Um simples "se cuida" serviria. Mas... Porque?

"Porque você está fazendo isso...?" Ele não pode evitar a pergunta. Precisava saber antes de ir.

"Isso...?"

"Me tratando dessa maneira gentil e delicada, como se..." ele interrompeu a frase. Como se nos conhecêssemos.

Ela o olhou rapidamente e logo desviou o olhar novamente. Não sabia porque. Era como se ela precisasse fazer aquilo por ele, como se, de alguma maneira, estivesse destinada a fazer aquilo. Não... ainda não era isso. Era mais que isso. Mas ela não sabia o que era.

"...Apenas precisava fazê-lo." Mesmo sem saber as palavras certas, ela conseguiu respondê-lo.

Seus olhos se encontraram, ele levantou-se e ajoelhou-se na frente dela, pegou delicadamente a mão da garota e beijou-lhe as costas.

"Eu serei eternamente grato a você" Ele disse solenemente. Sem esperar por alguma resposta ou reação, Kakashi rapidamente se pôs de pé e atravessava a porta.

Após alguns segundos sem entender direito o que havia acontecido, ela levantou abruptamente e foi até a porta, olhou para todos os lados, e não o encontrou. Ele havia ido embora.

Sakura ainda não tinha assimilado tudo o que havia acontecido nas ultimas 24 horas. Um homem estranho de repente querendo lhe matar, um homem mascarado salvando-lhe e em seguida caindo, e depois de um dia agradável com ele, ele havia ido. Talvez agora a vida voltaria a ser como era. Mas sinceramente, ela desejava vê-lo outra vez.

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Duas semanas haviam se passado, e logo seria véspera de Natal. Sakura ainda se pegava pensando em Kakashi, desejando baixinho que ele estivesse bem e em segurança.

Os preparativos para o Natal estavam quase prontos, faltava-lhe apenas um acompanhante adequado. Haveria uma festa intima na casa de Ino, uma grande amiga de Sakura, todos os seus amigos estariam lá, inclusive Sasuke, que no dia anterior expressou que estaria levemente interessado nela, e agora, mediante a tal informação, era dever de Sakura estar completamente deslumbrante naquela festa.

A noite caiu, e a menina do cabelo rosa fora se encontrar com um amigo que não via a muito tempo, ele trabalhava em algo que lhe tomava todo o tempo, então era compreensível que eles não se vissem com frequencia.

"Itachi!" Ela foi alegre, sentando-se na mesma mesa em que ele estava

"Feliz natal Sakura." Cumprimentou ele calmamente. "Você está diferente, está mais bonita" elogiou vendo a menina corar.

"Obrigada Itachi-kun." Ela agradeceu ainda ruborizada.

A noite fora agradável para ambos. Conversaram e beberam, riram e se divertiram. Sakura contou-lhe tudo que havia acontecido com ela, com exceção do episódio com Kakashi.

"E o meu irmãozinho?" Itachi perguntou incisivo

"O que tem Sasuke?"

"Nada" respondeu Itachi com um sorriso divertido no rosto, deixando a menina levemente enfurecida.

"É questão de tempo." Ela comentou emburrada

"Certo... " Itachi escondeu um sorriso pretensioso, e em seguida levantou-se da mesa deixando algum dinheiro nela.

"Você já tem que ir?"

"Sim... Você ainda tem meu número não é?" disse parado de costas para ela

"Aquele..." Ela pensou por alguns segundos "Sim, tenho sim."

"Não hesite em me ligar caso seja realmente necessário" Itachi começou a se distanciar. Sakura apenas o observou sumir, ela deu um suspiro pesado. Era sempre isso, ele vinha, conversavam umas duas horas, e ele partia, dizendo-lhe que ligasse para ele quando houvesse necessidade. Aquele número, ela nunca havia usado.

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Depois de uma árdua prova de Álgebra, está aqui o novo capítulo!

nii: Oii, ahsiush bem, eu adoro KakaSaku, é o meu casal favorito, e o Kakashi é um dos personagens que eu mais gosto e admiro de todos os animes que já vi. Eu sinceramente gosto de trabalhar com o Kakashi pelo fato que tenho várias possibilidades, é um personagem completo no sentido de que ele já passou por muita coisa, e tem uma vasta experiência, no entanto, ele deixa a desejar, porque é meio complicado identificar os sentimentos dele. Nhá, mas estou feliz que tenha gostado, espero que a fic atenda a suas expectativas. 3

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Até a próxima!