Capítulo 1: O menino-que-sobreviveu

BetaReader: Mih


Orfanato Raven, cinco de junho de 1991.

Draco estava sentado no balanço, olhando para aquele chão cheio de areia, do lado de fora da instituição Londrina que o abrigava desde que se entendia por gente. Abrigava por falta de um adjetivo pejorativo, aquilo era o inferno. Ele odiava cada pessoa daquele lugar, odiava cada parede, cada criança, cada mobília, cada tutor, cada assistente social que ia e vinha para lhe oferecer uma adoção que sempre acabava dando errado. Sorriu enviesado para si mesmo. Lembrou-se que aquele dia ele completava onze anos. Imaginava que ganharia um presente caro, bonito, mas aquele orfanato era uma miséria e até os lençóis daquele lugar eram ásperos pela baixa qualidade do local. Pensava que talvez ocorresse um milagre, que ele saísse de lá igual acontecia nas estórias que ele lia a surdina. Obviamente ele não leria aquilo na frente de ninguém, o chamariam de menina ou de algo bem similar.

E parece que naquele dia tudo iria mudar.

Avistou um homem alto, de cabelos totalmente negros, nariz adunco, cara trancada e vestes negras que ele nunca vira antes se aproximar de si. O tal senhor aparecera do nada e tinha uma carranca que devia ser natural, mas por incrível que parecesse o loiro simpatizou com o tal homem que segurava um envelope branco com um brasão amarelado que o garoto não conseguiu ver muito bem a princípio.

"–Olá Draco." – Falou com uma voz imparcial erguendo uma de suas sobrancelhas.

"–Como sabe meu nome?" – Inquiriu autoritário.

O homem estreitou os olhos, mas o menino pode ver um leve sorriso torto na cara do homem. "–Você é a cara do seu pai." – Deu um riso presunçoso. "–Dará um ótimo Slytherin."

O menino levantou-se imperioso.

"–Você conhece meu pai? Meu verdadeiro pai?" – Seus íris azuis brilhavam em um misto de curiosidade e excitação.

"–Tão conheço, como sou o seu padrinho, Draco Malfoy."

E o menino arregalou os olhos. Então era aquele o seu verdadeiro nome? A sonoridade era ótima. "–Como vou saber se é verdade?" – Tinha de testar, sempre foi muito prevenido.

"–Você acredita se quiser, Draco. Além disso, eu vim te tirar daqui."

"–Para onde?"

"–Para a escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Eu sou professor de lá e me chamo Severus Snape."

O loiro sorriu desdenhoso.

"–Escola de magia e bruxaria? Conta outra." – Riu pelo nariz se encaminhado para dentro do lugar. Ninguém nem se dava ao trabalho de olhá-lo e saber se ele conversava ou não com algum estranho, afinal lá se as crianças fossem raptadas ou fugissem era lucro.

"–Pode ir senhor Malfoy, mas não se esqueça de levar isto." – Levitou a carta no ar com um menear de varinha e um feitiço não verbal se deleitando com o medo e a perturbação que aparecia naqueles olhos mercúrio. Definitivamente aquele era o-menino-que-sobreviveu.

-x-

Nos dois meses que se seguiram foi a descoberta de um mundo novo, literalmente. O universo bruxo, a seu ver, era fascinante e logo ele esqueceu aquela velha vida de maus tratos e começou a odiar os muggles que logo viraram sangues-ruins. Descobriu que era herdeiro de uma grande fortuna bruxa do Reino Unido. A herança Malfoy era muito gorda e a mansão maior ainda, visitou o lugar que era extremamente bem cuidado, viu sua árvore genealógica na tapeçaria da família, realmente ele era um puro sangue, descendente das famílias mais nobres da comunidade bruxa, os Malfoy, os Black e os Rosier, aquela casa enorme é que foi o cenário da morte de seus pais e de outras pessoas também. Mas como todo conto de fadas, sempre tinha algo ruim e no caso era sua fama. O loiro ficou sabendo que era cotado para ser o garoto-que-sobreviveu junto com outro chamado Harry Potter, porém ninguém saberia dizer qual dos dois era o verdadeiro Eleito. Dizia uma profecia que o garoto-que-sobreviveu derrotaria o maior bruxo das trevas de todos os tempos, alguém chamado de Lord Voldemort que ninguém ousava falar o nome. Aquela parte lhe dava calafrios. Ter nome era bom, algo que ele continuamente quis, mas sempre se deve ter cuidado com o que se deseja e isso Draco já sabia muito bem e mesmo antes das aulas começarem, ele já sentia sufocado e pressionado ao extremo. Escolheu sua varinha quando foi comprar seus materiais escolares no Beco Diagonal, Pilriteiro e pêlo de unicórnio com exatos vinte e cinco centímetros e comprou dois animais, mesmo que fosse permitido apenas um, para levar para Hogwarts o primeiro foi sua coruja, a mais bela que encontrou, e um rato, ele tinha até um dedinho faltando, mas era para assustar as meninas de sua futura casa e lhe colocou o nome de Scabbers, o que era muito apropriado. Conheceu dois meninos, Vincent Crabbe e Gregory Goyle, na loja onde foi fazer a prova para suas vestes da escola na qual achou interessante fazer amizade, afinal eles eram dois armários e de famílias que eram há muito tempo amiga da sua, talvez pudessem ser seus seguranças para os fãs ou odiadores que poderiam surgir. E no meio de toda sua excitação viu uma família ruiva que olhava enviesado para ele.

"–O que foi?" – Draco perguntou ao menino ruivo que tinha aparentemente a mesma idade que a sua. "–Perdeu alguma coisa aqui?" – Riu sarcástico.

"–Eu não acredito que você seja o menino-que-sobreviveu. Um Malfoy não merece esse título." – Falou o menino ficando com as orelha avermelhadas.

"–Se eu mereço ou não o problema é meu." – Retrucou olhando os outros de cima. Então se lembrou daquela penca de meninos, seu tutor falou sobre. Eles eram os Weasley, uma família genuinamente bruxa, pobre e traidora do sangue puro e como era falado que os Malfoy sempre honraram a sua linhagem nobre, Draco faria jus a isso. "–Pobretão." – Cuspiu se virando e trombando com o famoso Harry Potter, mas nem se deu conta disso indo embora com seus mais novos colegas.

O loiro pensou e repensou, será que ele deveria desistir daquela vida por causa de algumas palavras que poderiam ser até mentira? Claro que não! Nunca pensou em toda sua minúscula vida que teria fama e dinheiro. Ele não perderia aquilo para voltar para aquela espelunca que chamavam de orfanato, era um bruxo, puro-sangue e aquela predição era a mais pura mentira...

1º ano – 1991/1992

Draco embarcou no Hogwarts Express rumo ao castelos que ele só vira em fotos muito engraças que captavam as pessoas se mexendo. Assim que ele entrou no trem os olhares se dirigiram a ele como um imã. Ele não iria mentir. Adorou aquilo tudo. E seus olhos felinos avistaram logo um garoto de cabelos negros e bagunçados e olhos verdes. Pelas características ele era tão famoso quanto ele e órfão também, seu padrinho contou que ele fora criado pelos tios trouxas. Draco achou que o menino se vestia no mínimo mal, com aquelas blusas uns dois tamanhos maiores do que o seu corpo e as calças desbotadas. Ele tinha dinheiro, então pra quê aquilo? Talvez para fazer pose de bom samaritano, mas ele precisava fazer amizade com ele, afinal era glória em dobro! Aproximou-se, Potter estava com o ruivo Weasel e uma garota de cabelos castanhos e volumosos saindo de uma cabine.

"–Olá, você é Harry Potter, não é?" – Falou cordialmente, ser cordial com quem lhe interessava pareciam algo genético.

"–Sou." – Respondeu o outro secamente. "–E você deve ser Draco Malfoy."

"–Sim." – Ajeitou as vestes da escola que já usava, todo cheio de si. "–Prazer em conhecê-lo, parece que temos a mesma fama." – Estendeu a mão em direção ao moreno.

"–Para você ser apontado como um herói você é muito arrogante, não acha?"

"–Do que está falando?" – Piscou meio atordoado. Ele estava mesmo recusando sua amizade?

"–Você, Malfoy, humilha aos menores, não acho que você mereça essa fama e muito menos o meu aperto de mão."

"–Por quê? Tá querendo a glória sozinho?" – Torceu o nariz recolhendo a mão.

"–Pode ficar com ela toda, não me interessa." – E saiu lhe dando as costas.

Desde aquele dia em diante, Draco odiou aqueles cabelos negros milimetricamente bagunçados, aqueles olhos verdes brilhantes, aqueles óculos redondos e aquela testa rachada. Mas agradeceu infinitamente a Merlin por não ter ficado com aquela cicatriz horrenda em forma de raio em sua testa.

Os alunos do primeiro ano como tradição chegaram de botes e foram selecionados para suas respectivas casas. Draco, pelo histórico de sua família, já sabia que ficaria na casa Slytherin e o outro idiota moreno foi para a Gryffindor, bem típico para os salvadores. Ele leu sobre cada casa, aquele universo o fascinava e já tinha se esquecido completamente que um dia pertenceu ao mundo trouxa.

Não que ele prestasse muita atenção no castelo, afinal todas é que tinham que oferecer atenção nele e em seu ego precocemente inflado, mas o local era grande a bonito. Cada casa tinha o seu fantasma respectivo além de outros que se espalhavam por lá.

No mesmo ano pegou uma detenção, por sua própria culpa, e foi forçado a ir para a floresta proibida com o Potter, o imbecil do Longbotton e a sangue-ruim da Granger para descobrir quem estava matando os unicórnios. Teve trasgo no castelo e para piorar, ainda tinha um tal de xadrez bruxo gigante que ele teve que participar com o trio maravilha, mas pelo menos aquilo serviu para Draco ver que Harry não era tão incapaz de ser O Eleito como ele pensara. Tinha que admitir que o garoto era corajoso, valente e audaz. Qualidades que o-menino-que-sobreviveu teria que possuir. E ele, Draco Malfoy, o pobre menino rico e órfão não tinha, mas ele provaria que era tão apto quanto aquele idiota do Harry em quidditch e tão inteligente quanto a Granger.

Ele ainda constatou, com os próprios olhos que os rumores de que você-sabe-quem tinha voltado era real, ele o viu e quase morre de medo com isso. Mas foi um ano bom, melhor do que ter que ficar naquela espelunca que era o Raven's House, mas ainda tinha que voltar para lá nas férias, por não ter idade o suficiente para cuidar da Malfoy's Manor. Aquilo tinha de mudar.

2º ano – 1992/1993

Draco conheceu sua tia, Bellatrix Lestrange, que o iniciou no mundo da Arte das Trevas que realmente começou a fasciná-lo. Ela, uma Comensal da Morte, contou a estória deturpada dos acontecimentos do dia em que ele conseguiu sobreviver à maldição da morte lançada por Lord Voldemort.

"–Isso mesmo, Draco." – Falou a bela mulher de cabelos longos e negros sentando ao seu lado em uma cadeira da Borgin & Burkes, ela tinha um ar medonho que fazia o loiro ter arrepios. "–Seu pai e a minha irmã Cissy eram seguidores fiéis ao Dark Lord, mas veio essa profecia imunda acabar com os planos do Milorde. Lucius não sabia o que fazer, pois na predição era você o garoto escolhido."

"–Então sou eu mesmo e não o Potter?" – Perguntou curioso.

"–Não me interrompa." – Disse ela bruscamente. "–Mas sim. É você o Eleito. Porém o seu pai em vez de ficar do lado do mestre preferiu ouvir a própria esposa e deixou a corja chamada Ordem da Fênix entrar na mansão enfeitiçada pelo feitiço fidelius. O Lord poderia ter sido misericordioso se seu pai não tivesse o traído. É por isso que eu estou aqui Draco." – Ela falava, mas parecia estar lá apenas de corpo presente, como se estivesse vendo algo que o Slytherin não conseguia ver. Ela se referia a você-sabe-quem como se ele fosse um amante e isso chegava a ser doentio. "–Você deve seguir o que o Milorde disser, ser um Comensal igual a seu pai se não tivesse ouvido minha irmã."

"–Como pode falar assim da própria irmã? Ela tem o seu sangue. E foi ela quem deu a vida pra me salvar." – Draco tinha adquirido, talvez pelo desprezo que recebia no Raven's House, uma certa devoção por sua prole e orgulho por seu sangue bruxo. Tudo bem que a sua tia era uma seguidora fiel, mas e a família? E ele, como o garoto-que-sobreviveu, não tinha que derrotar aquele-que-não-deve-ser-nomeado? Certo, ele tinha consciência de que não era coragem em pessoa, ele era prudência e calculismo. Sabia que as suas chances, para vencer um bruxo de tal poder, eram mínimas.

"–Você não vê, Draco?" – Exasperou-se a mulher fazendo o loiro ter calafrios. "–Ele trará novos horizontes para nós bruxos que somos obrigados a viver na clandestinidade. E você, como futuro salvador do mundo bruxo, deve apoiá-lo."

Draco estreitou os olhos. Tinha acabado de completar doze anos, bem jovem para estar no meio daquele fogo cruzado, mas sabia que era difícil ganhar de Voldemort, sabia que ela estava mentindo em algumas partes com relação à versão, mais confiável por sinal, contada pelo seu padrinho. Tinha consciência que aquilo poderia ser um meio de atraí-lo para depois matá-lo. Contudo não tinha muitas escolhas.

"–E como eu faria isso?" – Ergueu sua sobrancelha direita.

Um riso sádico se desenhou no rosto cadavérico de sua tia. Ela retirou de sua bolsinha pequena um caderno de capa negra

. "–Coloque isto no caldeirão da pequena Weasley que começa a estudar esse ano, claro que tudo deve ser acidentalmente." – A sua face a cada segundo ficava mais demoníaca assim como a cada segundo ele se perguntava como sua mãe, tão requintada, pelo que ele viu em algumas fotos que sempre carregava consigo, poderia ter uma irmã como aquela. Pegou o caderno relutante, mas talvez não tivesse outro jeito.

"–Não o use, apenas coloque onde mandei."

Malfoy fez uma cara de desgosto. "Onde mandei"? Quem ela pensava que era para mandar nele? Mas acatou. Um dia, quem sabe, ele pudesse se vingar de tudo que fizeram a seus pais.

Deixou o caderno cair sem querer no caldeirão da pequena bruxa na loja Floreiros e Borrões, mas não sem antes arranjar uma pequena discussãozinha com Potter.

-x-

Enquanto ia para o colégio no trem, sendo rodeado por Crabbe, Goyle, Zabine e Parkinson ele pensava nas palavras de sua tia. Ele é que era o verdadeiro herói. Daria tudo para não estar naquele lugar. Era legal todos olharem para ele como se ele fosse morder, ter meninas interessadas nele e perguntando se ele se lembrava de algo quando derrotou você-sabe-quem, e era ainda mais atraente saber que ele era muito mais importante do que aquele Harry Potter. Aquele maldito Gryffindor que embaralhava seu juízo, mas naquele ano tudo seria diferente. Ele entraria no time Slytherin de quidditch e mostraria ao testa rachada que ele era hábil. Nem sabia o motivo de querer tanto mostrar isso a ele, afinal por que aquele idiota merecia tanto a sua atenção? Ele não sabia, mas só teria sossego quando provasse que Potter estava enganado, que ele devia ter segurado sua mão no ano anterior e sido seu amigo.

Dias depois de ter entrado no seu segundo ano em Hogwarts o loiro conseguiu a vaga de apanhador, por méritos, mesmo que os Gryffindors tenham dito que ele só entrou no time pelas vassouras que ele presenteou o time. Ele deu aquelas vassouras porque simplesmente as antigas pareciam um lixo! E um Malfoy, um sangue-puro, o verdadeiro menino-que-sobreviveu não poderia jogar com aquelas coisas, mas parece que ele nunca conseguia ganhar daquele cicatriz miserável. Gryffindor ganhou vários pontos à frente no jogo inter-casas porque Potter capturou o pomo de ouro. O que seu pai diria se o visse perder? Ele não queria nem saber.

A cada ano, a cada mês, a cada dia sua fixação aumentava pelo cicatriz. Ele era O Escolhido então por que simplesmente os outros começavam a lhe odiar tanto? Os Ravenclaws, Gryffindors e Hufflepuffs simplesmente idolatravam o testa rachada e diziam que ele era O real Eleito, mas o pior eram os Slytherins que desconfiavam que ele, Draco Malfoy, fosse realmente o salvador-do-mundo-bruxo que por conseqüência seria um traidor do sangue. Somente Pansy, Blase, Crabbe e Goyle ficavam ao seu lado embora Vincent fosse meio arisco, mas ele era burro demais para prestar muita atenção em alguma coisa.

Aquele ano mais do que o anterior estava lhe dando calafrios e alguma coisa lhe dizia que iria piorar. O loiro ficou realmente assustado com algumas vozes que ele escutava, elas vinham das paredes do castelo, mas obviamente não contou a ninguém e evitava vagar pelos corredores escuros, entretanto uma noite ele realmente não pode se conter. Ele estava muito curioso. E as vozes aumentavam a cada segundo...

"Deixe-me matar você."

"Matar. Matar. Matar!"

Ele se esgueirou pelas paredes, pelos caminhos ensopados nos corredores cheios de sombras e avistou Potter e mais seus dois amigos inseparáveis. Será que o testa rachada também tinha escutado? E viu Mrs. Norris petrificada. O que era aquilo? Será que era mais uma do Dark Lord? Os ataques ficavam cada vez mais constantes. Colin Creevey foi uma vítima antes daquela. Quando foi visto pelo trio maravilha, preservou a sua pose aristocrática e leu as letras escritas com sangue na parede.

"–Inimigos do Herdeiro, Cuidado." – Falou olhando diretamente para o cicatriz.

"–Vocês serão os próximos, sangues ruins." – Com certeza ele plantara em Potter a semente da dúvida, parecia que ele precisava que Harry nunca deixasse de observá-lo. Ele necessitava de um ponto de apoio mesmo que fosse de seu maior rival.

Draco queria muito que o olhassem como na primeira vez em que ele entrou no Hogwarts Express, como um herói, e não alguém que não sabe em que lado ficar. Mas ele realmente não sabia e aquilo era como uma bola de neve que aumentava a cada momento. Como será que o Potter estaria reagindo? Novamente Draco se encontrava pensando naquele inútil. Ele devia estar muito bem com o apoio de todos, sem ter a responsabilidade de ser o real alvo do Dark Lord, devia estar rindo da sua cara. Aquele infeliz. Será que Draco nunca o superaria?

E parecia que a oportunidade tinha chegado. Lockhart, seu professor de DCAT, criou o clube dos duelos. Aquela era a chance.

"–Com medo, Potter?" – Perguntou com seu riso presunçoso antes deles duelarem.

"–Vai sonhando..." – Disse com desdém.

"–Usem apenas feitiços para desarmar, eu disse desarmar!" – Enfatizou Lockhart.

Ambos ficaram em suas posições. E o professor começou a contagem progressiva até três, mas Draco não sabia se controlar de tanta excitação e lançou o feitiço antes do momento exato.

"–Everte Statum." – O corpo de Harry sofreu um grande impacto, dando piruetas no ar e caindo pesadamente no chão.

"–Rictusempra." – Conjurou assim que se viu de pé novamente.

Draco não se agüentava de tanto rir, aquele feitiço era agonizante e aquilo não podia ficar daquele jeito. Levantou-se com a ajuda de seu padrinho e diretor Slytherin que estava lá a convite do outro homem.

"–Serpensortia." – Surgiu da ponta de sua varinha uma cobra que começou a rastejar em direção a Potter.

O professor de DCAT tentou se intrometer, porém só conseguiu deixar o animal ainda mais irritado. Severus Snape, que observava a briga se colocou a frente de todos, mas obrigou-se a parar pelo susto de observar o próprio pupilo falar na língua das cobras.

Malfoy realmente não ligava para aquele Huflepuff imbecil que estava como novo alvo da serpente que rastejava perigosamente, mas não queria deixar que o animal o atacasse, até porque poderiam acusá-lo de algo, como sempre faziam. Então em um pedido inútil exclamou um "não" enquantoolhava fixamente para o réptil.

A cobra se retesou por alguns segundos, mas novamente tentou atacar o garoto que deu um passo para trás instintivamente, de olhos arregalados que iam de Draco para a cobra.

O loiro vendo que ela o obedecia tentou novamente. "Não faça isso". Sibilou em parselmouth sem se sentir.

Pode ver que Potter o observava abismado e com certo brilho nos olhos enquanto que os demais lhe observavam horrorizados.

Snape se precipitou para frente do afilhado e conjurou.

"–Vipera Evanesca." – E a cobra se incendiou até virar cinzas. Assim que ela desapareceu todos o olhavam como se ele tivesse cometido um crime muito grave e afinal ele não tinha domínio sobre todos os assuntos bruxos, mas por que eles não agradeciam por ele ter salvado a vida de Justin Finch-fletchley?

Segurou-se até o final da aula para não sair correndo, nem ele, que gostava de ser o centro de gravidade, estava gostando daquilo e ainda por cima teve que ficar sentindo o olhar do testa rachada pesando sobre si. Depois da aula o loiro fugiu para as masmorras, perderia aula, mas pelo menos não teria aqueles inúteis lhe julgando. Ele desceu do patamar de o-menino-que-sobreviveu para o menino-odiado, contudo antes de chegar à entrada secreta sentiu uma mão firme segurando o seu braço. Virou-se instantaneamente para ver quem era e deu de cara com ninguém menos que Harry Potter.

"–O que você quer, Potter? Perdeu alguma coisa aqui?" – Inquiriu arisco.

"–Falar com você." – Disse sério, mas pela primeira vez Draco pode ver que ele não estava sendo hostil, mas o loiro era e muito.

"–Não tenho nada para falar com você." – Desdenhou.

"–Eu não vou sair daqui até você falar."

"–Está bem, o que você quer? Tricotar que não deve ser?"

"–Eu escutei."

"–Sério? O santo Potter sofria de problemas auditivos?" – Deu um sorriso enviesado.

"–Me poupe desse seu humor deturpado." – Revirou os olhos. "–Mas eu só..." – Hesitou e Malfoy levantou a sobrancelha em espanto e curiosidade. "–Eu não entendi o motivo de terem te censurado-"

"–Acredite e nem eu." – Falou sinceramente cortando o raciocínio do Gryffindor com uma cara de amargura.

"–Mas a Mione me contou." – Agora foi a vez de Draco revirar os olhos. "–Você falou em Parsel."

O loiro franziu o cenho. "–Como assim?"

"–Você fala a língua das cobras e acho que eu também, por isso eu entendi que você mandou a cobra parar e não atacar como todos pensaram, mas também... o seu histórico não faz de você a pessoa mais confiável do mundo."

"–Eu falo a língua das cobras? Genial." – Sorriu e esquecendo que tinha o seu inimigo mais odiado diante de si.

"–Malfoy." – O loiro pode o ver engolindo em seco. "–Você é o Herdeiro de Salazar Slytherin?"

Olhou o Gryffindor curiosamente. "–E se for? Nada mais do que plausível, já que eu sou da casa e puro-sangue."

"–Hunf. Você acabou de responder."

"–E qual foi a conclusão?"

"–Que você não é!"

"–E como você chegou a essa resposta?" – Perguntou meio raivoso.

"–Se fosse o caso, então por que você não deixou a cobra matar o Justin?"

"–Por que eu não iria querer que me descobrissem, não é mesmo?" – Mas a conversa não pode ser completada, pois eles ouviram sussurros vindos dos corredores.

Os dois se retesaram, as vias do castelo já estavam escuros devido a hora avançada e aqueles murmúrios não eram humanos.

"Matar."

"É hora de matar."

"Matar. Matar!"

Ambos se entreolharam. Harry como era a curiosidade em pessoa não pensou duas vezes em seguir a voz. Draco ficou parado alguns segundos, raciocinando entre o medo e a vontade de saber, mas aquela voz não parava, muito pelo contrário, aumentava cada vez mais e acabou correndo na direção onde Potter havia desaparecido.

O loiro avistou o moreno parado e chegando mais perto viu Nearly Headless Nick e Justin Finch-fletchley petrificados. Um arrepio subiu por suas costas albinas, porém aproximou-se.

"–Vocês dois de novo? Sempre que acontece algo errado vocês dois estão no meio, não é?" – Argus Filch apareceu do nada. "–Agora vocês vão ser expulsos por terem quase matado a minha gata." – E sumiu.

"–O que é aquilo?" – Draco olhou para um caminho de alguns insetos que subiam na parede e se perdiam no negrume da janela ignorando o que aquele aborto dizia.

"–Aranhas." – Respondeu o cicatriz meio pensativo.

"–Urgh!" – Exclamou em medo e nojo. "–É melhor a gente sair daqui antes que o velhote apareça outra vez." – Mas só foi o Slytherin fechar a boca que McGonagall apareceu escoltada pelo velho metido.

"–Professora, eu... Não fomos nós." – Harry falou.

Draco se assustou, estava mesmo sendo defendido também? Mas acenou positivamente confirmando o que o outro dissera.

"–Isso não está em minhas mãos." – Disse ela pesarosa. "–Acho melhor me acompanharem até o escritório do professor Dumbledore."

O testa rachada afirmou baixinho no meio do caminho.

"–Nossa conversa ainda não terminou." – Seu tom era de aviso e Draco apenas torceu o nariz.

Slytherin e Gryffindor seguiram a mulher que os levou até a gárgula e sussurrou a senha "Gota de limão" e os meninos subiram as escadas.

Ambos entraram no escritório, o lugar era muito interessante. Avistaram uma ave, meio velha e vermelha que estava empoleirada na mesa cheia de bugigangas do homem. "–Diretor?" – O loiro perguntou a não ver ninguém.

"–Professor Dumbledore?" – Disse o moreno adentrando o local e parando diante do Selective Hat.

Então o objeto mágico perguntou. "–Caraminholas na cabeça, Potter?"

"–Fico me perguntando se me colocou na casa certa." – Respondeu olhando para o alto.

"–Sim. Foi particularmente difícil indicar você, mas mantenho o que disse ano passado. Você teria se dado bem se tivesse entrado na mesma casa que o senhor Malfoy."

Draco ergueu a sobrancelha. Então o testa rachada era para ter ido para a casa Slytherin? Por que não foi? Ele ainda se lembrava muito bem de sua própria seleção, o chapéu nem pensou duas vezes para lhe colocar na casa da serpente, foram frações de segundos para ele bradar alto o nome de sua casa, coisa que ele ficou muito feliz.

O cicatriz olhou de soslaio para o loiro e disse.

"–Você está enganado." – O Selective Hat pareceu meio confuso, mas preferiu ficar calado igualmente a Draco que o olhava com uma cara de poucos amigos.

Mas Malfoy nem teve tempo de raciocinar o quanto o outro era preconceituoso, pois tomou um susto ao se deparar com o pássaro pegando fogo do nada e Albus Dumbledore resolvendo aparecer naquela maldita hora.

"–Draco? Harry?" – Chamou o velho.

Draco engoliu em seco. "–Não fui eu." – Disse apontando para o amontoado de cinzas.

"–Seu pássaro, ele pegou fogo sozinho." – Completou Potter sem saber o que fazer.

"–É ele simplesmente pegou fogo." – Falou o Slytherin com os olhos meio arregalados para o lugar onde antes havia um pássaro vermelho.

"–E já não era sem tempo." – Disse Dumbledore descendo as escadas.

Os dois garotos se entreolharam sem entender e o diretor completou.

"–Ela estava com as penas horríveis. Fawkes é uma fênix, ela queima para renascer das cinzas." – Disse sorrindo olhando uma cabecinha de uma ave recém-nascida sair por debaixo dos resíduos. "–São criaturas maravilhosas, capazes de suportar muitas coisas e suas lágrimas têm poder curativo."

Draco estava prestes a vomitar com aquela falação tosca e, se Harry fosse um cachorro, o seu rabo já estaria balançando.

A conversa foi longa, ao ver de Draco, com o diretor propondo a coisa mais impossível do mundo: Que eles cooperassem, pois Voldemort; isso mesmo, os idiotas tinham a petulância de chamar você-sabe-quem pelo nome; estava voltando e ambos eram alvos significativos para o Dark Lord. Era mais fácil a paz mundial do que o Slytherin confraternizar com um testa rachada, um pobretão e uma sangue-ruim, contudo foi nesse momento que Draco teve sua confirmação, ele era o verdadeiro escolhido, mas o Santo Potter tinha que ficar por perto devido a tudo ter ocorrido quando os dois eram bebês e tudo poderia ter complicações. Será que há doze anos não poderia ter sido outra criança, qualquer outra, a estar no seu lado? Mas antes de saírem o homem perguntou.

"–Tem alguma coisa que vocês dois queiram me dizer?"

Malfoy estacou. Ele sabia falar a língua das cobras, só o herdeiro poderia acordar o tal monstro na Câmara secreta e ele era Slytherin, será que ele era e não sabia? Mas de que adiantaria falar isso para o velhote? Olhou para o cicatriz, se ele dissesse era quase certeza Dumbledore desconfiar dele, mas para sua inteira satisfação o outro estava tão relutante a responder quanto ele.

E foi Potter que quebrou o silêncio. "–Não senhor." – O testa rachada sabia mentir muito bem.

E Albus Dumbledore virou-se para o loiro.

"–Eu também não, senhor." – Disse em toda a sua sutileza.

Os dois saíram do lugar rapidamente e rumaram para seus respectivos salões comunais, mas não sem antes terem uma pequena desavença.

"–Eu nunca vou aturar você e aqueles seus amiguinhos idiotas." – Cuspiu desdenhosamente o puro-sangue.

"–Por quê? Tá com medo, Malfoy?" – O moreno o olhou desafiadoramente.

"–Nem em sonhos, Potter."

Os dois se encaravam, se mediam, os olhares falavam por si só e somente uma palavra resumia aquilo tudo: Ódio.

"–Você tá é com medo disso tudo. Vai se esconder no seu quartinho, ficar em cima do muro como fez até agora." – Sussurrou o Gryffindor perigosamente. "–Não sabe o que é coragem."

"–Eu não faço empenho dessa sua coragem Gryffindor. Vocês se acham muito fortes e talvez sejam, mas falta uma coisa que eu tenho de sobra. Astúcia." – Riu torto e prosseguiu. "–Vocês são burros demais para pelo menos saberem o que é isso e por isso sempre são pegos fazendo o que não deve." – Ergueu os supercílios ameaçadoramente abaixando-os logo em seguida e saiu.

Os dias se passaram e mais nenhum ataque do Herdeiro Slytherin, Draco estava começando a ficar preocupado. Será mesmo que ele era o tal sucessor? Desde o dia do clube dos duelos ele recebia mais intensamente olhares acusatórios em sua direção. Por que ele não podia ter uma vida normal? Por que a profecia tinha que tratar logo dele que nem muggle e muito menos mestiço era? Deixou de conversar mais com os amigos de casa que não sabiam como agir, não jogava mais xadrez com Blase, não fazia mais piadinha com Nott e nem estava mais com humor para os abraços de Pansy. À surdina ia pensar na Torre de Astronomia escondido daqueles casais sextanistas que se agarravam nos escuros, ou iria se esconder no banheiro onde ninguém entrava pelo medo que eles tinham da Moaning Myrtle. Ela até que era uma boa companhia a seu ver. E foi em uma de suas visitas que ele viu alguém, que parecia ser uma garota pelo vulto, jogar um caderno no fantasma e sair correndo em seguida.

Viu a Myrtle começar a chorar, coisa que para o loiro pareciam mais berros horrendos, mas atentou para o caderno jogado no chão, de capa preta que lhe lembrava outro, um que sua tia lhe dera no começo do ano letivo, abriu e as páginas estavam todas em branco. Como alguém podia jogar um caderno fora sem sequer escrever? Principalmente com aquela raiva toda. Na hora em que pegou o objeto do chão, Potter e o Weasley entraram olhando o aguaceiro que Draco só se deu conta quando olhou ao redor. A maluca tinha quebrado alguns canos com raiva, Draco ainda se perguntou como ela fazia aquilo já que era um fantasma, mas deixou aqueles pensamentos inúteis de lado para não perder a chance de insultar com os dois idiotas.

"–O que está fazendo aqui, Malfoy?" – Perguntou o ruivo sardento.

"–Não é da sua conta Weasel." – E saiu derrubando o caderno novamente no chão.

No dia seguinte ele foi procurado pelo cicatriz que perguntava se ele sabia alguma coisa daquele maldito caderno, obviamente o loiro negaria até a morte. O pior foi ser quase obrigado a olhar o caderno e acabaram entrando nas lembranças de Tom Riddle. Aquilo foi assustador, mas assustador mesmo foi saber que o Hagrid é que era o antigo Herdeiro Slytherin. Os eventos, depois disso, passaram-se surpreendentemente rápidos. A Granger foi petrificada, o peludo gigante foi para Azkaban, o diretor foi suspenso, o idiota do Potter arrastou o Slytherin para uma toca de aranhas gigantes com a companhia do pobretão (onde passaram o caminho todo discutindo), foram seguidos pelos mesmos aracnídeos sangrentos (Draco teve de concordar com o Weasley, elas eram mesmo sangrentas), a Weasley fêmea era a Herdeira que estava sendo controlada pelo diário e para piorar o monstro era nada mais nada menos que um basilísco!

Os dois, três (Draco, Potter e o Weasel) entraram na câmara secreta escoltados pelo professor impostor Lockhart, mas ambos, professor e o Weasley, ficaram para trás. Quando Draco e Potter entraram propriamente dito na câmara avistaram a ruiva caída, praticamente morta no chão. Foi nesse momento que ambos descobriram que Tom Riddle não era nada mais do que o próprio Dark Lord, mas o que o loiro atentou foram as palavras de você-sabe-quem em seu 'eu' de dezesseis anos.

"–Não te disse?" – Riddle expôs para o cicatriz. "–Não me interessa mais matar trouxas de nascença." – Disse presunçoso, Malfoy se viu naquele jeito em que ele falava e agia, mas tentou afastar aqueles pensamentos macabros. "–Há vários meses, meu novo alvo..." – Virou-se para o loiro que ficava de pé apenas para teimar com seu medo. "–É você." – Riu enviesado.

O testa rachada estufou as vistas. Draco pensou seriamente que depois do Gryffindor ouvir isso ele iria lhe deixar lá. Afinal para que ele salvaria seu inimigo, alguém que ele não dava a mínima?

"–Como um bebê," – Tom Riddle recomeçou seu monólogo ainda de vistas fixadas em Draco. "–sem talento mágico excepcional foi capaz de derrotar o maior bruxo de todos os tempos? Como escapou ileso deixando até outra criança" – Apontou para o moreno. "–com a cicatriz? Deixando os poderes do Dark Lord destruídos?"

"–Não te interessa." – Respondeu o loiro soberbo.

"–Albus Dumbledore é o maior bruxo do mundo!" – Exclamou o Gryffindor.

"–Ele foi afastado por uma mera lembrança minha!"

"–Não se tiverem pessoas leais a ele aqui." – Esbravejou Potter.

Draco olhava de um para o outro sem saber o que fazer, mas a ave que ele viu pegando fogo há alguns tempos atrás veio voando imperiosa na direção deles segurando o Selective Hat. Tudo foi muito rápido, o moreno foi pegar o chapéu, Riddle chamou o basilísco em parsel e Malfoy correu por impulso em direção ao cicatriz caindo sobre ele tampando seus olhos.

"–Não ouviu, seu imbecil? Ele está chamando algo pela língua das cobras."

"–Obrigado." – Agradeceu a um espantado Slytherin enquanto se levantava para procurar onde o monstro havia ido.

E os dois viram à fênix dilacerar os olhos da cobra gigante pelas sombras, o monstro perseguiu ambos então o loiro avistou alguma coisa saindo do Selective Hat e foi pegar, mas o metal queimou em sua mão e curiosamente leu as inscrições no longo da lâmina.

"Godric Gryffindor"

Somente o testa rachada poderia pegar o artefato. "–Potter!" – Gritou vendo o outro olhar em sua direção. "–Pegue isto aqui!" – Apontou para a espada. "–Eu não posso pegar."

O outro garoto correu em sua direção meio sem saber o que fazer então ouviu ao seu lado.

"–Pegue o basilísco eu cuido da Weasley." – Falou meio desgostoso, mas estava nervoso demais para encarar de fato o que acabara de dizer e apenas observou o outro acatar e sair correndo para longe dele. Correu até a garota tirando-a do meio daquilo tudo e a encostando em uma parede, sentiu a pele dela, estava fria como um gelo. O que quer que Potter estivesse fazendo era melhor se apressar.

No fim, graças a Merlin, deu tudo certo. Draco conseguiu destruir o caderno com um dente de basilísco e eles saíram praticamente ilesos, não sem antes ele quase ter um ataque ao ver o Gryffindor ferido pelo veneno do monstro. Nem ele entendeu aquela preocupação com aquele idiota, mas disse que era porque não sabia voltar só. Tudo acabou bem por causa da tal lágrima, que o loiro achou piegas no escritório de Dumbledore, da ave e eles voaram sãos e salvos para a superfície.

"–Malfoy." – O moreno o chamou assim que ele fez menção de ser retirar para as masmorras.

"–O que é, Potter?" – Disse contrariado.

"–Você não vai falar com Dumbledore?"

"–Sobre o quê?" – Inquiriu curioso em sua voz arrastada.

"–Sobre falarmos parselmouth. É um ponto em comum com Tom."

"–Não obrigado." – Colocou as mãos nos bolsos retomando seu passo. "–Não quero ouvir até daquele velhote que eu sou uma aberração mesmo que eu tenha certeza que não sou, mas..." – Parou virando-se parcialmente para olhar aquelas íris esverdeadas.

"–Você não precisa se preocupar com nada não é mesmo? Eu é que sou o garoto-que-sobreviveu embora todos esperem que seja você." – Deu um riso torto, um olhar sugestivo e saiu. Perguntava-se internamente se as coisas piorariam para ele e como o cicatriz reagiria dali para frente.

Draco não queria admitir, mas tinha que agradecer ao testa rachada por estar vivo e odiar eternamente sua tia por colocá-lo em confusão. Talvez o Selective Hat estivesse certo, seria melhor se Potter estivesse ido para a casa Slytherin.

Quem sabe assim eles fossem amigos...

Continua.


N/A:

Gente, como vocês perceberam, os nomes estão todos em inglês e vai ficar assim até o fim, mas eu tenho meus motivos. Eu sinceramente prefiro a versão brasileira até porque facilita no desenvolvimento da fic, afinal ficar parando para lembrar nomes em inglês é foda ¬¬' e eu demoro muito mais do que deveria em um único capítulo. Esse por exemplo foi uma tarde inteira... Que desperdício!

Eu vou abordar a fic de dois em dois anos, dando uma atenção especial para o sétimo ano, talvez. Eu também quero dizer que tudo que eu me baseei é Canon, ou seja, 5 de junho é mesmo o níver da coisa-fofa-Malfoy, que ele é descendente dos Rosier etc.. etc... E infelizmente eu tive que fazer a infância dele muggle para dar mais veracidade ao fato dele ser o escolhido e eu deixei o Draco ser o dono do Scabbers para termos plot no terceiro ano dele em Hogwarts *-*, e por conseqüência, vamos dar um pouco de ênfase na guerra, mas eu vou tentar ao máximo passar por cima porque eu não tenho mais coragem de abordar a guerra abertamente como eu fiz na minha primeira fic Drarry. Eu também deixei o Harry com a cicatriz por puro capricho de gostar que o Draco o chame de testa rachada... /euri, mas na realidade vocês devem ter percebido que o Pottah tem certa participação. Eu achei que assim ficaria mais Canon, afinal o Pottah teria seu espírito herói mesmo sem ser quem é. E ao contrário do que muitas leitoras falam... ele não é brochante ¬¬'

Não teve nada de pinhão, mas temos que preparar o terreno, não é meus caros? Sabemos como é difícil se interessar por alguém que tecnicamente você detesta, não é mesmo? Mas no próximo capítulo já teremos cenas quentes –q

E não esqueçam! Amanhã é meu níver, então... Mandem reviews de presente sim? Se mandarem fanfics eu ficarei ainda mais feliz :3

REVIEWs (Gostaria muito de saber se o que estou fazendo está plausível) & Kissus.