– Por favor... Já está bom. Vamos agora? – perguntou mais outra vez, impacientando-se com a demora de seu companheiro.
– Kan, é minha vó caramba, espera um pouco. – repetiu apressadamente, levando o remédio para dor da senhora, que repousava na cama.
Repetiu mudamente o que o outro dissera em ar de descaso, mas deu de ombros. Era a única família dele afinal e sabia como seu gatinho era apegado à velha. – Só tente não demorar muito Mi... Meu cunhado é praticamente um cronômetro e se marcamos as oito e meia, creia em mim, ele estará lá às oito e meia em ponto.
– Credo, falando assim parece que fala de um extraterrestre. – riu brevemente enquanto tornava do quarto da senhora de quem se despedira com um beijo e desejos de bom passeio. – Pronto, vamos...
– Ótimo! – exclamou em tom baixo, a fim de não incomodar a velha e enlaçou o rapaz pela cintura, sentindo seu perfume próximo ao pescoço. – Sempre impossivelmente cheiroso gatinho...
Sorriu de lado ao ouvir o outro e acariciou sua nuca enquanto tinha o pescoço beijado. – Vamos logo Kan, senão seu cunhado alienígena vai nos desintegrar por dois minutos de atraso...
– Não é bem assim... – riu com gosto do comentário do rapaz e apertou-o ainda mais contra si enquanto andavam. – Você vai ver, o francês lá é bem gostosinho. Meu irmão sempre teve bom-gosto pros casos dele, mas o Camus é um achado à parte.
– Hum... Falando assim parece que quer trocar, né? – sussurrou marotamente, antes de um beijo forte e profundo.
– Nunca... Ele é como um bom vinho, o francês... Mas sempre preferi ouzo...
– Ah... Péssima piadinha, loirão... – retrucou divertido. Estava animado para conhecer o gêmeo de seu amante e o namorado certinho-francês -queijo-e-vinho dele. Já ouvira falar boas coisas dele e tinha a impressão de que não acharia metade do que Kanon falara do ruivo, mas preferiu guardar aquilo para si. Na verdade, guardava muita coisa para si... Era realmente reservado, mas dificilmente percebiam isso, devido a seu humor expansivo e charmoso.
– Vamos logo loirinho... – murmurou à sua orelha, quando chegaram à porta. – Ou desisto do jantar e te pego aqui mesmo.
– Minha avó Kan, ela-...
– Então vamos logo.
– Ok, ok...
-x-
Conheceram-se por acaso. Por intermédio de Afrodite, ex de Milo e antes mesmo ex de Saga. Dificilmente tocavam nesse assunto e sempre que esse ocorria, o grego mais novo o evitava com desenvoltura.
Milo era o único que chamava o rapaz sueco pelo nome, sendo primos de terceiro grau por parte dos pais ingleses dos mesmos, que eram primos.
Kanon se encantou pela figura charmosa e reticente do rapaz e logo procurou conhecê-lo melhor. E era até bem fácil saber como Milo aceitou fácil as investidas do mais velho, sendo ele irmão gêmeo de Saga e possuindo os mesmos traços viris e belos. Era um monumento de homem e Milo fazia questão de se gabar disso consigo mesmo. Tinham muitos pontos divergentes e discutiam com freqüência, mas estavam ainda na fase entusiasmada do relacionamento, quando todos os problemas terminavam em cama e isso parecia ser a resolução de todos os problemas do mundo.
– Mi, pára o CD...
– Meu, você também gosta de Scorpions... – murmurou consigo, observando o motorista lhe lançar um olhar ladino.
– Muda de faixa pelo menos. Se eu ouvir a Holiday mais uma vez, juro que pego asco de feriados pelos meus próximos vinte anos de vida.
– É o Live In Lisboa... Você pelo menos se deu ao trabalho de ouvir o ritmo da música? A energia? – inquiriu impacientemente. Passou os dedos cuidadosamente pelos fios cacheados e suspirou.
– Das quase duzentas vezes que você já ouviu? Com toda a certeza... – ironizou, buzinando para uma moto que lhe cortara e quase pegara no espelho retrovisor. – Malaka!
– Exagerado... – respondeu com desdém, desligando o rádio então.
Detestava andar de carro com o amante, pois este sempre ficava insuportavelmente mal-humorado no trânsito. Mas ele próprio não tinha mais carro, pois teve que vender o seu para conseguir pagar parte da faculdade de fisioterapia. Coincidentemente, área de atuação do irmão gêmeo de seu loiro.
Suspirou discretamente. Torcia para que valesse a pena aquele jantar. Era um passo importante na relação deles... Kanon já conhecera sua avó - sua única família real, já que seus pais eram falecidos -, logo no terceiro encontro e agora, após quase um mês, era sua vez de conhecer o irmão do seu quase namorado. Talvez as coisas estivessem indo um pouco depressa demais, mas não estava incomodado com isso ainda.
Olhou o homem ao seu lado e sorriu ladinamente. Era um homem e tanto, afinal... Não tinha mesmo do que reclamar. E mesmo os sete anos de diferença não pareciam realmente importantes...
– Chegamos! – ouviu o mais velho suspirar aliviado ao olhar no relógio e constatar que não estavam atrasados.
–Ainda bem... – sussurrou consigo e sorriu minimamente.
– Hein? Disse algo loirinho? – inquiriu ao amante enquanto saia do carro. Tivera a impressão de ouvir a voz gostosa dele, mas não tinha certeza.
– Não... Não disse nada... – deu de ombros, se fazendo de desentendido e aceitou a mão que lhe era oferecida, enlaçando os dedos dele aos seus. – Acho sensato não entrarmos assim lá Kan...
– É... Também acho... – concordou pensativamente antes de tomar o menor num beijo, assim de supetão mesmo.
Beijaram-se longamente, ainda no estacionamento do restaurante e logo se separaram como se nada jamais tivesse acontecido. Subiram conversando como bons amigos e logo o mais velho identificou os convidados numa mesa mais afastada, trocando olhares cúmplices, sem se aperceberem da presença deles.
– Gatinho... – chamou baixinho, vendo o mais novo se voltar a si. – Numa das mesas do canto, tem um cara igual a mim e um ruivo, tá vendo?
– Peraí... – pediu, tentando identificar alguém similar à sua companhia. – Ah, vi seu irmão ali... Mas ele tá sozinho, loirão...
– Ah, o cunhadinho teve ter ido ao toilet... – sussurrou num meio sorriso. Sabia que Camus não conseguia se manter quieto se não lavasse suas mãos pelo menos três vezes em locais públicos. Mas não iria explicar aquilo para seu gatinho, sob o risco de fazê-lo pensar que o francês fosse um excêntrico empolado. – Vamos fazer companhia pro mano então gatinho, enquanto o dele não volta.
– Tá...
-x-
Agora partimos para o conhecimento do outro casal!
Sim, Milo tem avó nessa história.
E sim, Afrodite será Alexander novamente e será primo deste Milo. Agora, por quê Alexander de novo?
Simples: Esse é o meu nome oficial dele agora! xD
Por isso, se alguém gostou e quiser usar, please dêm os meus créditos nominais, porque foi barra arrumar um nominho pra ele .-.
Well, espero que tenham gostado e que gostem do primeiro encontro deles! Quais serão as primeiras impressões...?
Brincadeira, sem mistérios!
