CAPÍTULO 2

(Ainda em Janeiro)

James

(Sábado, 6h, Aeroporto Heathrow)

Hahaha! É realmente revigorante uma nova conquista (sutiã vermelho, de renda, sem bojo... meio feio, mas o resto foi bom)... Espero que ninguém tenha notado o que fizemos, ou teria sido meio constrangedor (foi meio difícil, tive que tapar a boca dela algumas vezes para abafar gemidos).

Dirigi-me até a esteira e esperei minha mala chegar.

Ah é, o caso da mala. Ela nem estava tão gigante assim... A principal razão dela não ter entrado no ônibus foi o meu atraso, quando chegou minha vez o bagageiro já se encontrava repleto de coisas...

Ela estava grande porque minha coleção de troféus é um pouco extensa (e tinha quase todos os meus pertences lá).

Tive que tomar um taxi até o JFK para não perder o vôo. Acredite, perdi um bom dinheiro nessa corrida de merda, enquanto poderia estar indo de graça ao lado de uma ruiva sensacional.

Falando em ruiva, gostaria de saber o seu paradeiro, não consegui achá-la no avião (n/a: porque será? _ _').

Avistei de longe minha mala e encaminhei-me até seu encontro, no mesmo instante vi alguém com um capuz na cabeça que se frustrava ao tentar apanhar sua bagagem.

Estava por perto mesmo e resolvi ajudar.

- Pode soltar, eu já peguei – falei puxando a mala verde.

- Aahhh, você de novo! – era ela! Porque estava de capuz? E porque ela estava gritando?

- Ow! Calma aí, só estou tentando ajudar! – ela tomou a mala das minhas mãos e cairia se eu não tivesse sido mais rápido ao segurar sua cintura.

- Solte-me!!!! Eu consigo fazer isso sozinha!

- Duvido muito, você estava morrendo para tirá-la da esteira e quase caiu no chão agora.

- Isso não é da sua conta! – Por que ela estava tão irritadiça? O que diabos aconteceu com esta mulher?!

Lily colocou a sua mala verde (e última) no seu carrinho e seguiu marchando para longe de mim. Puxei a minha giganta e parti ao seu encalço.

- Você está mudada, o que foi que aconteceu?

Ela ficou calada, que beleza (n/a: note o sarcasmo)

- Vamos! Diga-me!

Ela continuou calada enquanto passávamos perto da Bagel Street, uma cafeteria muito boa que ficava no Aeroporto Heathrow. Segurei seu braço e ela olhou pra mim com cara de tédio.

- Não vou soltá-la até me contar.

- Que petulância da sua parte! Você nem me conhece!

Estava ficando cansado daquele discurso, puxei-a até uma mesa redonda preta com detalhes dourados na borda (sou muito detalhista, é uma coisa comum quando se é publicitário), arrastei uma poltrona vermelha.

- Sente-se aí, quer alguma coisa? – falei enquanto segurava um cardápio.

- Não.

- Tá certo, então – chamei o garçom com um leve assovio – quero dois filter coffees, por favor.

- Eu disse que não queria.

- Quem disse que é pra você? – ela abriu a boca para falar, mas logo fechou – estou brincando... Está frio lá fora, você vai querer.

Silêncio.

- Bom, não vai me dizer mesmo, não é? – falei inclinando-me um pouco em sua direção.

- Não, se me permite, vou ficar no anonimato.

- Você que sabe – o café chegou e comecei a colocar açúcar – não vou mais perturbá-la, e me desculpe.

- Desculpá-lo pelo o quê?

- Ter puxado seu braço a força e qualquer outra coisa que a deixou obsessa – sorri.

- Ah, tudo bem... Não é como se fosse da minha conta mesmo...

- O quê? – essa eu não saquei.

- Nada. Bem, obrigada pelo café, mas já vou indo – ela levantou e deixou uma nota de cinco libras na mesa.

- Não posso aceitar – devolvi-lhe a nota – vamos, essa foi por minha conta.

- Não, deixe-a aí mesmo, você já teve que pagar uma fortuna de taxi que eu sei.

- É um bom argumento, eu aceito, mas a próxima eu pago.

- A próxima, claro.

Sorri outra vez e esperei ela andar uns bons metros até ir para ao mesmo local, para que ela não pensasse que eu a estava seguindo.

Cheguei ao portão de baixo e chamei um taxi (.).

- West End, 42, próximo da Oxford Street.

Marlene

(Sábado, 8h55min, Greengarden House, Apt. 11)

O barulho que vinha do corredor encerrou a conversa que eu estava tendo com o Sirius.

Que bom! Imaginem só o que poderia ter acontecido?!

Não é como se eu não tivesse vontade de beijá-lo, simplesmente eu não devia. Somos amigos, e amigos não se beijam. Definitivamente Não.

Levantei para chegar até a porta, mas Sirius chegou correndo na minha frente com um copo de vidro na mão. Mas que bisbilhoteiro! Entretanto foi uma excelente idéia, peguei um também e nos encontramos na parede, com os copos colados sobre sua superfície de linóleo que imitava madeira tipo Abdul Espelhado, bem clarinha (.).

Sim, eu sou viciada em decoração, afinal, é disso que eu sobrevivo.

Os ruídos eram muitos e não dava pra entender nada.

- Hahahaha! – Sirius gargalhava baixinho ao meu lado.

- O que foi????

- Você não ouviu o que estão dizendo lá fora?

- Não, por acaso você acha que eu tenho audição biônica?

- Hahaha, ok, vou traduzir com palavras minhas: São duas pessoas, um homem e uma mulher. Ele acabou de perguntar se ela não quer passar no apartamento dele depois daqui. Ela disse que ele era muito atrevido e mandou-o colocar-se em seu lugar. Ele disse que ela estava imaginando coisas, só queria uma ajuda com a mala. Essa parte ela deve ter ficado vermelha, eu acho... Muito engraçado. Agora ela está pedindo desculpas.

- Malas? – interrompi sua narração – devem ser Lily e James!!! Vamos abrir a porta Sirius!

- É mesmo! Eu achei aquela voz conhecida mesmo...

- Meu Deus, onde você conseguiu esses ouvidos? Parece que passa o dia atrás da porta... – comentei já abrindo a porta.

Deparei-me com uma Lily hiper vermelha (normal) e um homem alto, bem apessoado, com mínimos fios de barba e olhos castanhos cobertos por óculos de grau (de tartaruga, aro grosso, Raiban), além de cabelos verdadeiramente rebeldes. Não sei se era forte, pois tinha muitos casacos, mas notei que tinha um maxilar quadrado bem definido, tal qual Sirius. Talvez seja uma herança de família.

O que posso dizer? Bem pegável.

- PRONGS!!!! Até que enfim você chegou!!! – Prongs? Bom, vai saber. Prongs estava usando um sobretudo preto da Armani (sim, eu sei reconhecer marcas caras de longe) levemente aberto, onde eu podia ver um suéter azul marinho de casimira por cima de uma camisa social branca. Trajava uma calça jeans escura com sapatos elegantes pretos.

- Padfoot!!!! Hahaha!!! A quanto tempo!

Lily não sabia o que fazer, nem eu. Acabei optando por ir até onde ela estava e encaminhei-a ao meu apartamento.

- Lily? – ela estava em choque, acho – Lily?! Oi? Terra chamando!

- Hã? – saiu do transe – Lene!!! Ai meu Deeeeus!!!! Desculpe-me! – ela me abraçou apertado, como costumava fazer.

- Está tudo bem! – falei, tentando respirar – Onde estão suas malas?

- Lá fora.

- Ok, vamos pegá-las.

- Certo.

Chegamos onde estavam os dois conversando algo away da vida. Puxei a imensa mala vermelha que Lily trazia, enquanto ela carregava uma amarela que possuía um encarte frágil na frente.

- O que tem nessa mala? – perguntei.

- Sapatos, você sabe como eles quebram... – Lily tirava o lindo casaco xadrez de tweed que batia em seus joelhos. Por baixo estava de calça preta colada e um casaquinho de malha com gola rulê na cor magenta. Tudo combinava com seu corpo alto e curvilíneo, e o tom da roupa valorizava sua pele muito branca.

- Entendo perfeitamente. Falando em sapatos, você viu?! A Havaianas está criando uma linha de tênis e sapatilhas!

- Nãããõoo! Que babado!

- É sim, só com os solados de borracha! É a invenção do século!

- Com certeza, quando lança?

- Em fevereiro! – falei me encaminhando para resgatar a última mala (n/a: isso é verídico, sério, estou super ansiosa! *.*), ela ainda estava na mão do Prongs.

- Er... – eles nem tinham me notado (também, eu só tinha 1,61 enquanto eles deviam ter seus 1,85 da vida...) – Com licença? – Tirei delicadamente a alça da mala de sua mão (era grande, só pra constar).

Parece que ele me notou desta vez.

- Ora, mas vejam só! Você deve ser a Marlene – Fiz que sim com a cabeça.

- Prazer, sou James Potter, primo do Sirius.

- Olá James – retribui seu aperto de mão – Marlene McKinnon, prazer em conhecê-lo.

- Chaham... – Sirius deu um pigarro. Há, ele queria ser apresentado.

- Esta é Lily Evans – puxei-a até onde estávamos, provavelmente ela ainda estava com vergonha de James, ou apoplética com o Sirius.

- Oi Lily, sou Sirius Black.

- Oi... – Lily Evans tímida?! – Ouvi muito sobre você! Marlene, sabe? – idiota! Agora falou merda, porque diabos ela tinha que dizer que eu comentava sobre ele?! – Você é exatamente como eu imaginei! – alguém tapa a boca desta mulher!

- Foi é? – Sirius já tinha um big sorriso no rosto – Lene, o que anda dizendo de mim por aí? – ele colocou um braço na minha cintura.

- Nada demais, seu ridículo, eu só a mostrei uma foto do meu último aniversário e por um acaso você estava lá.

- Mas... – Lily abriu a boca pra falar, mas eu a detive.

- E é isso, fim de história.

- Devo dizer que já tinha ouvido falar sobre você também? – James tentou falar, mas saiu mais como uma pergunta.

- Deve, por que não? – Sirius respondeu – Minha amiga de apartamento já foi citada em várias conversas nossas – ele virou-se para James - até por que você vai ter de aturá-la enquanto morar aqui – e colocou um sorriso besta na cara.

Dei um soquinho em seu braço. Tentativa de machucá-lo: fail.

Lily

(Sábado, 8h42min, Greengarden House, Hall)

Paguei o taxista que me ajudou a colocar todas as minhas malas no Hall e fiquei imaginando como diabos eu iria levá-las até o 11º andar. Tenso.

- Está precisando de ajuda?

- Meu Deus do Céu! Será possível que você me segue até aqui?! – É o cara do aeroporto! O tarado do banheiro!

Ele só riu.

- Vamos lá, eu levo uma mala sua, a mais pesada, se assim preferir.

- Posso me fazer isso sozinha – peguei duas malas e sai arrastando – completamente! – olhei para outra mala que estava na minha frente.

Acho que chutar vai ser a única saída. Pobrezinha...

Cheguei perto dela e inclinei meu sapato de bico fino preto Christian Louboutin, usei todo um salário para custeá-los...

É, não deu. A mala não deslocou nem um centímetro para frente.

- Mas que merda...

- Ainda estou aqui – virei para o homem que pacientemente esperava pelo meu consentimento, com um sorriso maroto na cara.

Típico.

- Ok, você ganhou. Aceito seu auxílio.

Ele gentilmente pegou a maior mala que viu. A que continha minhas roupas. Achei melhor não comentar que a mais pesada estava comigo, mesmo não sendo tão grande, pesava bem mais. Esta amarela continha meu bem mais precioso: minha coleção de sapatos.

Subimos no elevador e eu apertei no nº 11. Eu estava com medo. Essa era a grande verdade. Afinal, de onde esse cara saiu? Ele simplesmente se materializou aqui dentro e ofereceu ajuda... Espero, sinceramente, que ele não seja um maníaco sexual.

Ele tinha algo que me fazia confiar na sua presença. Mas eu tinha visto ele sair do banheiro no avião, e ele estava ocupado, não é uma coisa que eu vá me esquecer com facilidade.

Cheguei à conclusão que era melhor dar uma de desconfiada. Prevenir é melhor que remediar.

A porta do elevador abriu, dando passagem. Eu saí de uma vez com James vindo logo atrás de mim.

- Bom, é aqui. Obrigada pela ajuda, outra vez – dei um sorriso para não transparecer meu medo.

- Disponha – ele continuava sorrindo (será que tinha colado?!) – você mora aqui?

- Huum... – como assim: "Você mora aqui?" , pra que ele quer saber? Medooo – estou me mudando agora, mas antes eu morava em NY. Só que eu resolvi sair de lá porque não agüentava mais meu namorado e...

Idiotaaa! Porque eu não consigo simplesmente calar a boca ao invés de dar informações para um provável maníaco?! Isso sempre acontece quando estou nervosa...

Ele estava de olhos arregalados.

- Ai meu Deus, perdoe-me, você não precisava saber disso...

- Ah, tudo bem. Escuta, você não quer descer agora comigo para...

GE-LEI. Era isso!!!! Ele queria me estuprar ou algo parecido!!!!

- MAS NÃO MESMO, HEIM?! – eu estava gritando, só pra variar. – SEU TARADO DE AVIÕES, EU SEI O QUE VOCÊ É!!!!

- Lily, acalme-se, eu moro, ou melhor, vou morar no andar de baixo. Queria que você me ajudasse com a minha mala... Sabe? – ele passava as mãos nos cabelos, assanhando-os ainda mais – Eu não vou te... Violentar, ou seja lá o que você imaginou.

Ai merda. Agora lascou de vez.

- Ahm... Desculpeeee, foi sem querer, eu nem percebi que ainda estava com a sua mochila... – no hall ele me passou a mochila que vinha carregando e levou a minha, que tinha o triplo do tamanho e era super pesada – mil perdões... – eu estava muito vermelha.

- Tudo bem, foi até engraçado... Você é bem esquentada – ele conseguiu, com esse comentário, piorar a situação "vermelhal" do meu rosto.

- Eu só estou meio away nos últimos dias... Desde que eu terminei com o Carlos e... – estava acontecendo outra vez – e você não quer saber de nada disso.

- Eu já estou me acostumando – ele gargalhava agora – mas me diga, de onde tirou essa de tarado de aviões? – Ele levantou uma sobrancelha e colocou os dedos no queixo de forma inquisitória.

- Você sabe do que eu estou falando.

- Não, eu não sei – era óbvio que ele sabia, ou não estaria tão calmo – ou não estaria perguntando.

- Pois descubra com outra pessoa. Pois não vou ser eu a te contar o porquê.

Nesta hora a porta do lado se abriu de forma abrupta.

- PRONGS!!!! Até que enfim você chegou!!! – um homem gritou.

Meu. Deus. Do. Céu. Que homem!

Ele era alto, beirando seus 1.82, sei lá (n/a: certo, só pra constar, a Lily tem cerca de 1,70), mas não chegava a ser maior que James, que devia ter 1.90. Era infinitamente lindo: Estava de suéter preto com gola em "v" e uma camiseta branca por baixo, sua calça era xadrez (n/a: desculpem, mas o Sirius aqui vai se vestir feito gente Cult.) numa cor voltada para o branco, ou um cáqui bem claro. Calçava um Vans cinza, beeem surrado. Mas isso era a roupa.

Ele tinha um rosto impecável: maxilar enorme, nariz bem desenhado e do tamanho ideal (n/a: desculpe quem não gosta, mas acho nariz meio grande bem legal. Caso contrário seria extremamente feminino), os olhos acinzentados (nooossa, eu nem sabia que existiam olhos dessa cor!) e os cabelos muito lisos num corte meio grande, a la Erik na segunda temporada de True Blood, só que escuro.

Resumindo: pega eu!!!

- Lily? – ouvi uma voz conhecida – Lily?! Oi? Terra chamando!

Nem percebi que estava dentro do apartamento... Marlene estava na minha frente, com uma cara preocupada.

Marlene estava muito bonita. Pra quem não sabe, vou descrevê-la: Ela é do tipo magra, aquele corpo ideal em que a gente pode usar qualquer trapo que fica bom. Mas não, ela não comete esses abusos. Hoje ela estava com um moletom da Gap cinza e um short jeans claro, com as barras dobradas e desfiadas além de uma meia-calça preta bem grossa para proteger do frio, nos pés tinha uma sapatilha de oncinha. Seus cabelos pretos e lisos estavam presos num rabo-de-cavalo feito as pressas, dessa forma dava para notar mais atentamente seus olhos expressivos de tom caramelo emoldurados em longos cílios curvados.

- Hã? – sai do transe – Lene!!! Ai meu Deeeeus!!!! Desculpe-me! – e a abracei.

Sirius

(Sábado, 10h29min, Greengarden House, Apt. 10)

- Sejam bem vindos ao meu humilde lar – disse para os três, enquanto depositava a mochila de Prongs em qualquer lugar da sala – James, a casa é sua, isto é, se prometer pagar parte das contas – Brinquei.

A sala continuava arrumada, o sofá de três lugares, duas poltronas ao seu lado e uma estante com uma TV de plasma de 52 polegadas. Também tinha meus livros de direito e minha coleção de gibis do Wolverine (guardo eles desde criança).

Marlene sentou no meio do sofá, e a sua amiga ruiva ficou em uma das pontas. James e eu ocupamos as poltronas.

- E então. Vamos melhorar esse clima!!! – Lene tentou – o que acham de um quiz divertido para nos conhecermos melhor?

- Marlene, não acredito que você ainda faz isso... – Lily revirou os olhos.

- Lógico que sim, lembra da última vez?! Foi assim que descobrimos como a Alice tinha conhecido mais profundamente o Frank. – Huum, já gostei da história.

- Ah, é meeeesmo, super concordo agora!

- Eu preferia strip poker, mas elas me ganharam com esse último argumento. – Prongs cochichou ao meu lado.

- Tirou as palavras da minha boca – sussurrei de volta – Ótimo! Vamos começar com isso! Alguém quer alguma bebida?!

- O que você tem aí? – A ruiva perguntou.

- Er... tudo! Só não me peça coisas muito elaboradas.

- Sirius, você não mudou nada. Traz uma cerveja preta pra mim – James sempre querendo essa coisa com cheiro de barata.

- Uma coca-cola – Os dois olharam incrédulos para Marlene – o que é? Eu só não quero beber!

- Ela quis dizer: "Eu vou contar todos os meus segredos se tomar dois goles de álcool" – brinquei imitando sua voz. Risos.

Ela jogou uma almofada na minha cara. Violenta...

- Eu quero uma cerveja comum mesmo – Lily disse entre risadas.

Levei os pedidos e voltei com um copo de whisky pra mim.

- Quem começa a perguntar? – James iniciou o debate.

- Vamos com coisas leves, tal qual idade, profissão, o que gosta de fazer na vida? – Marlene se pronunciou – Bem, eu sou decoradora, tenho 23 anos, adoro fazer compras, ir a desfiles e sair pra dançar. Ah, e o maior sonho da minha vida é abrir minha própria linha de estampas – ela estava com os olhos brilhando.

- Sou advogado, o que é muita hipocrisia da minha parte, se for analisar minha adolescência travessa – soquei o braço de James, que ria frouxamente – tenho 26 anos, hã... Adoro pegar mulher... O que mais posso dizer? Sim, adoraria beijar a Marlene, mas ela se recusa solenemente a fazê-lo – ela levantou uma sobrancelha e fez cara de ódio – calma Lene, é brincadeira! Mas estamos às ordens se você precisar.

Recebi outra almofada na cara, dessa vez quase doeu.

- Odeio atrapalhar o joguinho de vocês... Mas já interrompendo: Oi! Tenho 23 anos, sou médica interna, a categoria mais lixo da medicina e espero iniciar residência próximo ano aqui no St. Mary. Humm, adoro comer e fazer compras, lógico. Meu sonho é ter mais de 100 pares de sapatos e... Não, só isso mesmo! - a ruiva estava sem fôlego.

- Achei que o seu sonho fosse casar com o zagueiro. – comentei sem nem pensar.

- Sirius! Cale essa boca!!!! – Marlene jogou mais uma almofada em mim (ainda bem que era a última) – Talvez ela não acredite em casamento, assim como eu.

- Eu... Eu... Não estou mais namorando o Carlos. – ela estava sem graça, eu e minha grande boca.

- Sério Lils? Depois me conte esta história direito. – Lene tentava consolá-la.

- Prongs, vamos lá, fale alguma coisa! – tentei cortar o clima tenso.

- Eu? Desculpe, esqueci completamente... Sou publicitário, tenho 25 anos, fui promovido e estou aqui graças ao comercial do Smelly Cat – interrompi para cantar.

- Smelly Cat, Smelly Cat. What are they feeding you?

- Smelly Cat, Smelly Cat. It's not your fault! – todo mundo acompanhou, que barato!

- Vaaalha, que legal! Ela fica na cabeça como se fosse chiclete! – Marlene sorria – mas conclua, por favor!

- Hahaha, obrigado. Sim, eu gosto de assistir futebol e ler – ler?! – e meu sonho? Isso é muito bizarro, nunca parei pra pensar, mas assim de cara, posso dizer que queria um Porshe Carreira GT – isso sim é esperado.

- Nada relacionado a aviões? – A ruiva interrompeu.

- Não Lily, nada relacionado a aviões – aí tem coisa, ou melhor, aí tem mulher...

- E que time você torce? – Marlene perguntou.

- CHELSEA!!!! – acompanhei Prongs nos gritos e iniciamos o hino do time – Blue is the color, football is the game! We're all together and winning is our aim! So cheer us on through the sun and rain! Cos Chelsea, Chelsea is our name! Hahahaha!

- Oh Deus, mas um… - ela colocava as mãos na cabeça.

- Boiando, não liguem pra mim – Lily sorria.

- Certo, já nos apresentamos, minha vez agora! – fiz cara de sério – qual a cor da roupa de baixo de vocês?

- Sirius, sorte sua não haver mais nenhuma almofada aqui.

- Preta – a ruiva interrompeu olhando de soslaio por dentro do moletom.

- Lily! Você deveria estar possessa comigo!

James gargalhava loucamente e disse baixinho "eu sabia", mas ninguém ouviu além de mim. Com o auxílio da minha audição "biônica".

- A minha é branca – continuei feliz.

- Estou de preto também – James puxou a barra da cueca. Mas que miserável! Nem pra compartilhar essas idéias comigo!

Foi inevitável o olhar das duas para James, e elas não estavam olhando seu "belo" rosto geek.

- Leneee... Vamos, e você? – Falei com a voz arrastada, numa tentativa de chamar atenção.

- Eu me recuso a responder – ela disse ríspida.

- Lene, fale logo, é só abrir esse casaco! – Lily acompanhou. Eu adoro essa ruiva.

- Não, é uma coisa íntima, não quero falar.

- James, nós, como bom entendedores de sutiãs vamos ter quer analisá-la – Marlene cruzou os braços ao redor dos seios – psicologicamente.

Recebi uma sapatilha na cara, de oncinha. Ai, essa doeu.

- Personalidade forte, gosta de decoração... Deve ser liso, sem rendas e coisas afins – James iniciou a análise. Marlene permanecia impassível.

- Não é preto, vermelho, branco ou bege. Se fosse uma cor comum ela não ia ficar tão acanhada... – Continuei. Lily estava pasma conosco, de boca aberta. Literalmente.

- Eu chutaria verde, ou rosa, mas não tenho certeza. O que você acha Sirius?

- Não... Não é nenhum desses... – Marlene me encarou – é de oncinha, com certeza.

- MAS COMO DIABOS VOCÊ SABE DISSO??? – ela ficou histérica e vermelha.

- Essa eu quero saber também – James comentou.

- Somos três, então! – Lily tinha olhos de lêmure de tanta curiosidade.

- Elementar meu caro Watson... Eu o vi em seu varal há dois dias, e hoje ele não se encontrava mais lá.

- Mas isso não quer dizer nada, eu podia simplesmente tê-lo guardado! – Ela estava furiosa.

- Elementar, minha cara. Mas você não me deixou concluir – fiz uma pausa de suspense – A réu em questão está vestindo uma regata branca por baixo do casaco – comecei a me empolgar, como no tribunal – e o que ela não sabe é que em um momento de nossa assídua conversa sobre futebol ela se inclinou tanto em minha direção que eu fui capaz de ter visão privilegiada de seu sutiã.

- SEU RIDÍCULO!!!! Espere só o que vou fazer!!!! – Ela veio correndo em minha direção – Prepare-se para não espalhar seus genes na humanidade!!!!

O que ninguém sabia é que eu não tinha visto o seu sutiã, foi um chute muito bem dado com base em sua sapatilha. Eu só queria vê-la irritada.

- Você é um homem morto, Black! – eu a segurei de encontro com o meu corpo, apertando-a forte para que ela não pudesse se mexer e acertar partes sensíveis.

Com alguns segundos ela relaxou e eu pude abraçá-la de forma prolongada. Dessa vez sendo correspondido.

- Não baixe a guarda, Black – e foi aí que eu senti.

Aquela baixinha deu um chute com tudo... Porra... Ela é forte!!!


Oieeee!!!! Minha cara de felicidade com 4 reviews foi linda!!! Que bom que vocês gostaram!!!!

Vocês são tão lindas me escrevendo! *.* Prometo postar rápido!!!

Beijomeliga