CAPITULO I

Edward olhava o inimigo, pressionando a espada contra seu pescoço, a fina lâmina produzindo um fio de sangue. Cada fibra de seu corpo estava excitada pela emoção. Sua mente explodia em uma mistura de alegria e amargura. Chegara, afinal, o momento pelo qual havia esperado quase uma eternidade. Havia sonhado com ele tanto tempo que naquele instante experimentou uma sensação magnífica e quase dolorosa invadindo seu coração. Sua respiração era entrecortada, seu pulso batia descontrolado, mas a mão permanecia firme.

— Pagarei qualquer resgate que pedir — implorou seu cativo.

Cullen riu, o sentimento de vitória fazendo-o tremer.

— Tenho riqueza suficiente — replicou.

Podia ver, pela expressão dissimulada de James Brown, que sua mente buscava com fervor outras possibilidades. Paciente, Edward esperava, observando cada nuance no rosto do outro, saboreando a idéia de que aquele homem por tanto tempo desprezado estava à sua mercê.

Aparentemente, Brown decidiu sua tática.

— Vamos negociar como homens razoáveis — ele propôs. — Nada tenho contra você. Nem sei quem é. Atacou-me sem razão, e lutou por dois dias. Foi muito inteligente em me atacar um dia após meu casamento, quando eu e meus homens estávamos nas piores condições devido aos festejos. Por isso foi tão fácil abrir brechas nas muralhas.

— Você é preguiçoso, Brown, e demasiado seguro de sua tirania. Foi por isso que o derrotei — Edward replicou.

James estendeu as mãos.

— Não compreendo seu desafio para acertar as contas entre nós. Você já havia vencido. Por que me enfrentar sozinho?

— Sozinho? — escarneceu Edward, virando a cabeça para as árvores à esquerda. Além da clareira, os homens de James estavam escondidos.

— Não acreditou que eu viria sem escolta. E se fosse uma armadilha? — Brown tentou rir.

— Você é perfeito em ardis, Brown, mas seus homens nada representam enquanto não interferirem. E tenho certeza de que não o farão. Veja, atrás deles, um pouco adiante na floresta... Meus homens estão lá. Não lhe ocorreu por que não vieram em sua ajuda?

Os olhos arregalados e a expressão apalermada do adversário foram suficientes para que ele entendesse a resposta. Até aquele momento, era evidente que o bastardo não havia acreditado estar em perigo.

— Você não lutou com honra! — exclamou Brown. Era evidente que estava perdendo o controle.

— Só igualei o jogo. Somos só nós dois, como deveria ser, pois nosso ajuste de contas é pessoal.

— Quem é você afinal? — gritou Brown agitado. Edward ficou calado por um momento interminável.

— Já ouviu falar do nome Cullen? — perguntou.

O rosto de Brown mostrou surpresa, compreensão e, finalmente, medo.

— É o menino, filho de Carlisle. Pensei que tivesse morrido.

— Deveria ter arranjado melhores assassinos — Edward zombou. — Ganharam mais vendendo-me como escravo. Mandaram-me ao inferno, Brown, e, como o demônio, voltei.

Brown tentou livrar-se, mas a pressão da lâmina de Edward aumentou. Ele ficou paralisado, até engolir a própria saliva chegava a ser uma dificuldade.

— Quer Thalsbury de volta? Posso dá-lo a você. — Era mais uma tentativa de ele salvar o pescoço.

— Eu o possuirei de qualquer modo.

— Cullen, ouça-me — Brown, desesperado, falou —, vou devolver suas terras. Pense, é uma boa oferta. Terminaram os dias de anarquia. O rei Henrique não aprecia que seus nobres se envolvam em guerras de vingança. É melhor negociar comigo.

— Prefiro negociar com o demônio — respondeu Cullen.

— Seja razoável, homem! Posso dar-lhe mais estando vivo do que morto. Você nunca será bem-sucedido, agora existem leis na Inglaterra.

A voz de Edward era calma e suave. Ele saboreava o momento.

— Vou me vingar pela morte de meu pai. E por minhas perdas, vou tomar de volta tudo o que era dele.

Brown suava profusamente. Em movimentos surpreendentemente rápidos, empurrou a arma de Edward e uma adaga surgiu brilhante em sua mão. Culen adivinhou a intenção de James antes que ele movesse um único músculo e esquivou-se do golpe, que se perdeu no ar.

— O que você quer? — Brown perguntou, aos gritos, ainda brandindo sua lâmina.

— Sua morte — respondeu Edward, e ligeiro afundou a espada no peito de James.

O sangue começou a jorrar. O moribundo fitou Edward. Não havia raiva nem medo. Mostrava apenas surpresa. Aos poucos, a dor fez mudar sua expressão e sua cabeça tombou.

Friamente, Cullen retirou a espada. Ficou parado por um momento, olhando o corpo inerte de James. Demorou para se afastar.

— Providenciem para que ele seja enterrado — Edward ordenou, montando em seu cavalo.

Nem ao menos encarou os homens de James quando estes se aproximaram.

— Se encontrarem um padre, façam com que seu túmulo seja abençoado, mas não levem o corpo para Gastonbury. Agora o baronato me pertence, e não quero seu corpo apodrecendo em minhas terras.

Isabella Swan estava no centro da multidão reunida no pátio do Castelo Gastonbury. Havia sido um longo e difícil dia. Como no anterior, ela havia passado atendendo os feridos na enfermaria improvisada da capela. Depois de dois dias de guerra, ocorrida logo após seu casamento desastroso, estava entorpecida, não sabia se de fadiga ou alívio. Havia poucas horas, a notícia de que o lorde de Gastonbury havia sido derrotado pelo exército atacante deixara-a, por graça de Deus, contente.

James estava morto, sim, e era uma bênção. Mas bastava-lhe olhar o rosto dos demais para compreender sua tragédia. Eram as famílias dos feridos e mortos, enfrentando um futuro incerto nas mãos de seu conquistador.

Alice a tocou desajeitadamente com a mão. A serviçal idosa estava preocupada.

— Querida... — ela sussurrou. Isabella a acalmou.

— Descanse sossegada. Estou bem. Perturbada, Alice observava a moça. Era fácil entender o que a preocupava.

— Ele não me machucou, Alice. James bebeu tanto que não chegou sequer a tirar a roupa. Quando chegou no quarto mal conseguia ficar em pé. — Ainda era uma donzela, afinal.

Casada havia apenas alguns dias, ficara viúva e fora poupada do sofrimento revoltante de entregar seu corpo a um marido desprezível. Na noite de seu casamento ele estava demasiado embriagado, e o chamado às armas, na manhã seguinte, a havia salvado.

— Essa guerra trouxe minha liberdade — ela afirmou.

— Temo que não seja tão simples, menina. — A serviçal estava intranqüila. — Raramente a guerra beneficia os derrotados.

Isabella negou com um gesto de cabeça.

— Não fazemos parte dos derrotados. Fui forçada ao casamento e Deus me libertou. Não pertenço a Gastonbury, mas a mim mesma. Tão logo eu enviar uma mensagem para minha querida mãe, ela mandará seus homens virem me buscar.

— Cuidado, criança — a outra alertou. — Você era a noiva de James, e seu inimigo não perdoará isso.

— Mas eu não era! — insistiu Isabella. — Ainda sou virgem, e não uma viúva, pois nunca fui sua esposa.

Ao ouvir o distante ruído de cascos de cavalos, Isabella estreitou os olhos para enxergar ao longe. O exército vitorioso estava chegando.

— Agora poderei ir para casa — ela continuou a declarar, esperançosa.

Os portões estavam abertos para as forças invasoras. Apesar de suas palavras corajosas, Isabella apertou o braço de Alice. Seu coração batia descontrolado e ela mal respirava ao avistar os soldados contra a luz. Moviam-se em ordem, produzindo um rumor uniforme.

O líder estava à frente dos demais, flanqueado por cavaleiros montados, seguidos por soldados a pé. Entraram no pátio, afastando a multidão. Quando todos se posicionaram, o líder adiantou-se. Em meio ao silêncio, o povo de Gastonbury e seu conquistador se olhavam mutuamente.

— Ele se parece com o demônio! — Isabella ouviu alguém gritar.

Em verdade, sua aparência sombria e expressão carrancuda justificavam o comentário. Seus longos cabelos eram negros e combinavam com os olhos escuros que brilhavam como pedaços de carvão em brasa. Sua barba por fazer havia dias cobria o queixo e se unia a um fino bigode. O nariz proeminente e os traços angulosos eram marcantes. Na face esquerda, próximo à têmpora, uma enorme cicatriz se destacava da pele bronzeada. Ao invés de comprometer sua aparência, reforçava sua atração sinistra. Era corpulento, de ombros largos e musculoso como um homem acostumado à arte da guerra.

Isabella sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo inteiro, uma reação ao poder que dele emanava, de sua beleza natural, de sua presença autoritária e ar arrogante. Ainda que ele não se tivesse adiantado à frente dos demais ela o teria reconhecido como líder.

— Sou Edward Cullen — ele anunciou com firmeza.

O nome suscitou reação. Murmúrios começaram a se ouvir entre a multidão. Isabella observava com curiosidade.

— Lord James está morto — ele afirmou. — Sua derrota me dá a posse deste castelo e de todos os seus bens. Como vitorioso, declaro-me seu novo lorde até que a justiça desses acontecimentos possa ser resolvida por um representante do rei Henrique, segundo determina a lei.

Ele observou a multidão, depois fitou a moça. Havia algo em seu olhar sombrio que a prendia, independente de sua vontade. Ele a assustava sim, mas de uma forma diferente de James. Durante o breve relacionamento com o marido receara sua força bruta e crueldade desabrida. Porém, naquele homem havia algo ainda mais perigoso. Ela se sentia incapaz de qualquer reação.

— Exigirei um juramento de vocês para comigo, um por um. Aqueles que não procederem assim serão presos até o representante do rei chegar. Se a justiça me considerar o lorde de direito deste burgo, receberão outra oportunidade para fazer sua escolha, mas serão multados. Se ainda não desejarem me servir, suas propriedades serão dadas aos que o fizerem. — Edward fez uma pausa e, com um movimento de cabeça, varreu a multidão com o olhar. — Entretanto, se o representante do rei declarar que não tenho direito a estas terras, recompensarei pessoalmente todos os homens injustamente aprisionados.

Um coro de murmúrios incrédulos atravessou a multidão.

— Faço isso para lhes assegurar que não tolerarei deslealdade e serei justo com vocês — ele completou. — Mas as desavenças não serão permitidas. Assim, aconselho-os a pensar com cuidado antes de fazerem sua escolha.

Tendo terminado, ele apeou de sua montaria e atravessou a multidão a passos largos. Um clarão se formava à medida que ele passava. Subiu a escada, abriu a porta e desapareceu no salão.

Um dos outros homens, um belo cavaleiro de reluzentes cabelos louros, esplendidamente trajado em uma cota de malha e armadura de prata virou-se para os presentes.

— Seu novo barão espera cada um de vocês no hall — declarou do alto de sua montaria. Sorriu amplamente. Sua boa aparência destoava das armas manchadas e do sangue derramado sobre a roupa.

Atrás do soberbo cavaleiro, surgiu um homem corpulento. Seus longos cabelos, tão claros que pareciam grisalhos, caíam sobre os ombros largos. Tratava-se de um viking, o que ficava evidente por sua altura e cor da pele.

— Jacob! — o outro homem gritou seu nome, rindo. — Lorde Edward vai ficar aborrecido se você assustar seus novos servos feudais.

O viking atirou a cabeça para trás sem responder e desapareceu dentro do castelo.

— Meu Deus — Alice sussurrou ao ouvido de Isabella. — Parecem demônios. Aquele de cabelos claros tem o rosto de anjo, mas lembra Lúcifer! Está caçoando de nós.

— Quem, entre vocês, é lady de Gastonbury? — o mesmo cavaleiro indagou.

Os rostos se voltaram para Isabella.

— Sou eu — respondeu, surpresa, em voz baixa.

O homem desmontou. Ao se encaminhar em sua direção, sorriu.

— Sou sir Jasper, um mercenário de lorde Edward. Fui encarregado de levá-la à sua presença.

— Por que eu? — interrogou Isabella, olhando ao redor como se alguém fosse dar um passo à frente para protegê-la.

— É a lady do castelo, não é? — Sir Jasper deu de ombros, desdenhoso. — Será a primeira a prestar seu juramento a ele.

Isabella queria recusar, sentindo, uma estranha premonição. Costumava ralhar com Alice por sua crença em pressentimentos. No entanto, sentia o medo crescer em seu interior. Não desejava confrontar-se com aquele guerreiro sombrio sozinha. Olhou para Alice que apenas meneou a cabeça.

Premonição ou não, Isabella não tinha escolha exceto consentir.


Os sobrenomes dos personagens foram utilizados da fic Inexplicavelmente Amor da Carol Venancio, com autorização da mesma.

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Aguardo reviews!

Beijos

Taty Beward, xD.