LEGENDA (Formatação de texto):

- normal: falas dos personagens, humanos e youkais

- "normal": pensamento dos personagens, humanos e youkais

- itálico: falas de Inu-Yasha, em primeira pessoa, descrevendo suas lembranças, pensamentos e pontos de vista durante a história.

~x~x~x~x~x~: passagem de tempo ou de um lugar para o outro


Capítulo 1 - Vida de cão.

- Vamos voltar um pouquinho no tempo, quando três jovens encontraram a minha mãe canina. Era o inicio da primavera de 2000 e o começo de uma noite de sexta-feira. O frio, ainda presente naquela época, começava a chegar juntamente com a escuridão...

Pelas ruas da cidade de Tóquio, uma cadela vagava em busca de um local onde pudesse passar a noite e, talvez, conseguir algo para saciar sua fome. Precisava logo encontrar comida, pois alem dela, tinha que manter também os filhotes que carregava em seu ventre. Foi então que sentiu o aroma de comida, e logo se pôs a procurar a fonte daquele agradável cheiro.

Alguns minutos depois, ela chegou aos fundos de um restaurante da cidade. Logo começou a revirar as latas de lixo e com um pouco de sorte, ela pode encontrar alguns restos. Apesar de não ser muito, ela pode saciar parte de sua fome e, além disso, também encontrou um lugar confortável onde pudesse passar aquela noite.

Juntos em um canto, estavam uma pilha de jornais velhos e pedaços de papelão, que haviam sido separados para a reciclagem. A cadela revirou aquele monte de papeis e sacos, até que conseguiu fazer um "ninho" com eles. Ela, então, se aconchegou em meio aqueles papeis, certa de que aquela tinha sido um dia de sorte.

Naquela mesma noite, em busca de um novo ser que pudesse abrigá-la, uma alma errante encontrou o que procurava. Enquanto a cadela descansava, a bola de luz se aproximou de seu corpo, entrando no interior do mesmo e abrigando-se no corpo de um dos filhotes.

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Algumas horas depois, alguns funcionários do restaurante começavam a deixar seu turno de trabalho. O abrir e fechar da porta, juntamente com a movimentação das pessoas naquele local, acabou acordando a cadela. Entre todas as pessoas que passavam por ali, três jovens garotas lhe chamaram atenção.

A primeira, chamada Ayume, era muito alegre, extrovertida e otimista, e tinha olhos castanhos e cabelos castanho-escuros compridos e ondulados. A segunda, chamada Eri, era uma jovem quieta, sensata e de temperamento forte, e tinha olhos castanho-escuros e cabelos pretos, na altura dos ombros. E a terceira, chamada Yuka, era mais reservada, de forte temperamento forte, e tinha olhos castanho-escuros, cabelos pretos e curtos. Todas elas usavam roupas casuais: blusa de manga, saia e sapatilhas.

As três garotas tinha por volta de 20 anos, estudavam na universidade de Tóquio e moravam juntas uma pequena casa alugada, no subúrbio, pois vieram de outras cidades. Elas trabalhavam meio período em um grande restaurante da cidade para pagar parte das despesas, sendo a outra parte era paga pelos pais.

Naquele dia, elas já tinham terminado as tarefas e trocado de roupa, e estavam saindo do restaurante pela porta de acesso dos funcionários, que ficava no rua dos fundos do restaurante.

- Nossa! Mas que dia cansativo. Nós não tivemos descanso um só segundo. - desabafou uma das jovens enquanto as três passavam pela porta.

- Também não precisa exagerar Yuka, pois quando os clientes começaram a ir embora deu para descansar um pouco.

- Você diz isso porque você e a Eri trabalham como garçonete, Ayume. E eu, como trabalho na cozinha, ainda tenho que ajudar a arrumar toda a cozinha depois que o restaurante fecha. - indagou a jovem

- Nós trabalhamos com garçonetes, mas somos nós arrumamos o restaurante e as mesas antes dos clientes chegarem e depois deles saírem. - disse Eri irritada

- Calma meninas! Não precisam brigar por isso. - disse Ayume tentando acalmar as duas amigas

Eri e Yuka iam iniciar mais uma das costumeiras discussões quando as três ouviram algo vindo de algum lugar por ali. A principio ficaram assustadas, mas quando procuraram à fonte do som, tiveram uma surpresa.

- Olhem ali! - disse Yuka - Parece ser uma cadelinha.

Em um canto dos fundos do restaurante, perto das latas de lixo e sobre um monte de papeis, estava uma cadelinha que parecia ser mestiça de Akita. As jovens voltaram à atenção para o animal, que parecia estar muito sujo e magro.

- Vou dar uma olhada - disse jovem de cabelos ondulados indo até onde estava o animal.

- Espera Ayume! Ela pode morder você! - disse Eri tentando avisar a amiga.

Ayume ignorou os avisos das amigas e se aproximou do animal, enquanto que Eri e Yuka foram atrás dela.

- Oi, menina! Está perdida? - disse a jovem enquanto ia chegando perto da cadelinha, que não só aceitou a presença da jovem, como também permitiu que ela acariciasse sua cabeça.

- Viram! Ela é mansinha! - disse Ayume afagando o animal, enquanto este movia a cauda em sinal de alegria e aceitação.

Encantadas com o olhar e a atitude doce da canina, Eri e Yuka também chegam perto dela e afagaram-lhe a cabeça.

- Ela esta com alguns ferimentos! - disse Eri observando o animal.

- Parece estar pedida e faminta. Será que fugiu de algum lugar? - disse Yuka

- Pode ser, apesar de que ela não tem coleira e nenhuma identificação. – observou Eri

- Já sei! Vamos leva-la conosco e cuidar dela.

- Está maluca, Ayume? Nós não temos nem ideia de onde ela veio. - disse Yuka

- Além disso, nós não sabemos nada sobre ela. E se por acaso ela tiver alguma doença. - disse Eri, apoiando Yuka

- Por favor, meninas! Só por hoje! Ela não pode ficar aqui, nesse estado, e amanha nós vamos leva-la para o abrigo de animais abandonados. - disse a jovem com um olhar suplicante.

- Tudo bem! Ela fica com a gente esta noite, mas amanhã nós iremos levá-la para o abrigo, pois não podemos ficar com ela. - disse Yuka

- Ayume, vá pegar alguns jornais velhos e um corda lá no restaurante. Eu e Yuka vamos por a cadela no carro.

Enquanto Ayume forrava o assoalho, na parte de trás do carro, Eri e Yuka amarram uma corda no pescoço do animal, para que este não pulasse para fora do carro, e acomodaram a cadelinha dentro do veículo. Yuka deu a partida no veículo, e logo elas deixaram o estacionamento do restaurante e trinta minutos depois elas chegaram em casa.

Yuka estacionou o carro na garagem e as três estudantes levaram a cadela para o quintal dos fundos. Deram-lhe água e comida e no dia seguinte a levaram para o abrigo de animais da cidade, que ficava a cerca de três quilômetros ao sul da casa delas, num local mais isolado da cidade. O animal iria passar por uma avaliação e receber os devidos cuidados, e ficaria ali por alguns dias. Caso o dono não aparecesse, ela seria colocada para adoção.

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Uma semana depois.

Era manhã de sábado e as três garotas foram até abrigo saber qual teria sido o destino da cadela. Depois que Yuka estacionou o carro em frente à recepção do abrigo. As três jovens saltaram do veículo e se dirigiram a uma jovem, que estava sentada atrás de uma balcão, na recepção do abrigo.

Ayame, era uma youkai lobo, recepcionista e diretora do abrigo. Aparentava cerca de 25 anos, tinha olhos verdes e longos cabelos ruivos, presos em um rabo-de-cavalo. Ela trajava um uniforme cinza, modelo feminino, usado pelos funcionários do abrigo.

- Bom dia! Em que posso ajudá-las? – perguntou cordiamente

- Bom dia! - as três jovens retribuíram o cumprimento

- Viemos saber sobre a cadelinha que deixamos aqui semana passada! – disse Ayume

- Ah, sim! Deixe-me ver aqui. – disse checando os registros no computador – Aqui está! Ela ainda não foi adotada.

- Podemos ver ela. Claro que podem. Vou chamar alguém para acompanhá-las. – disse pegando o telefone PABX.

- Obrigada! – disse a jovem de cabelos castanhos.

Alguns minutos depois, um youkai lobo chegou ao recinto. Era um jovem de cerca de 26 anos, tinha olhos verdes e cabelos pretos e brancos, e trajava o uniforme padrão do abrigo.

- Em que posso ajuda-la, senhorita Ayame? – disse o rapaz ao entrar no recinto.

- Ayume, Eri e Yuka, este é Hakkaku. Ele irá acompanhá-las.

- Bom dia, senhoritas! – cumprimentou-as, sempre com uma expressão alegre.

- Bom dia, Hakkaku! – retribuíram o cumprimento

- Hakkaku, poderia levá-las para ver aquela cachorrinha, a nº 135/00, que está no canil B-05.

- Claro que sim. Acompanhem-me senhoritas.

As jovens acompanharam o rapaz até o canil o animal, resgatado por ela há uma semana.

- Canil B-05. É este aqui mesmo. – disse o lobo, olhado o nº do canil e conferindo os dados na prancheta, que estava presa a porta. – Animal nº 135/00, fêmea, mestiça de Akita com cerca de dois anos de idade.

As meninas tiveram uma surpresa quando a viram, pois estava bem diferente de quando a resgataram. Apesar dela ainda estar um pouco magra, agora podia se ver a cor branca de seu pelo e seus olhos dourados estavam mais brilhantes. Ela tinha aquele mesmo olhar doce de quando foi encontrada.

- Não acredito que seja o mesmo animal. – surpreendeu-se Eri

- Nossa, ela esta bem melhor mesmo. – disse Yuka

- Ninguém veio procurá-la ou se interessou por ela? – perguntou Ayume

- Até agora o dono não apareceu, e ninguém quer adotá-la, pois está prenhe. Se ninguém se interessar por ela, provavelmente será sacrificada.

- Acho que podemos dar um jeito nisso. O que é que vocês acham meninas? – perguntou Yuka, com um sorriso, querendo a aprovação das amigas.

A verdade é que elas tinham se encantado com o animal, por isso não pensaram duas vezes antes de concordar em adotá-la, mesmo sabendo que ela estava esperando filhotes. Elas registraram a cadelinha e, Hikari(1), como assim a chamaram devido ao seu pelo era branco como a luz, passou ser legalmente delas.

Hikari ficavam em um abrigo que as jovens mandaram construir no pequeno quintal. Logo a cadelinha passou a ser companhia constante das meninas, sendo nos passeios matutinos de domingo pelo parque da cidade, nas horas de folga ou a noite, quando as três jovens estavam em casa.

Hikari também se tornou uma excelente guardiã de suas donas e de seu lar.

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- Agora vamos avançar um pouco no tempo, cerca de um mês e alguns dias, depois que nossas donas adotaram minha mãe canina.

Era madrugada de uma noite de lua cheia e Hikari estava preste a dar à luz. Um a um, os filhotes foram nascendo durante a madrugada, sendo que o ultimo nasceu já no inicio da manhã, quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte.

- Quando nasci, obviamente, não tinha nenhuma ideia de quem era ou de onde eu estava. Logo, eu senti algo molhado e quente, esfregando o meu frágil corpinho de recém-nascido. Era a nossa mãe, me dando o primeiro "banho de língua".

Ao todo, foram seis filhotes lindo e saudáveis, sendo 3 fêmeas e 3 machos. Quatro dos filhotes tinham a pelagem mesclada de cor cinza e branca, um era toda cinza e o ultimo tinha era branco-prateada. Enquanto ela lambia o corpo de seus filhotes, estes buscavam calor e alimento em seu ventre.

- Eu ainda não era capaz de enxergar e nem ouvir direito, mas mamãe era muito cuidadosa e carinhosa com a gente. Só depois umas duas semanas que eu pude enxergar e ouvir e, depois de três semanas, brincar com meus irmãos e irmãs.

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Os filhotes, agora com um mês e meio de idade, já estavam bastante espertos. Entre todos eles, o que chamava mais a atenção era o mais novo, pois ele era o mais esperto e travesso de todos, e parecia ter uma personalidade bem forte.

As meninas adoravam ver os filhotes correr e brincar, pelo jardim e se divertiam muito com eles. Só havia uma coisa que as estavam deixando intrigadas. Por que o filhote prateado sumiu durante uma noite? O que era o estranho vulto, do tamanho de uma criança pequena, que viram no telhado da casa naquela noite? E, se era algo ou alguém estranho, por que Hikari não latiu?

- Não havia um lugar melhor do que aquele. Aquilo era o paraíso e as nossas donas tinham bastante paciência conosco. Não fazíamos outra coisa a não ser brincar, correr e dormir. As vezes, nós passávamos dos limites e irritávamos nossas donas. Elas brigavam conosco, mas nada que um doce olhar canino não resolvesse. Infelizmente, eu que não ficaríamos juntos por muito tempo. Com o tempo, nossas atuais donas teriam arrumar novos lares para eu e os outros cinco filhotes, pois elas não teriam condições de cuidar e manter sete cães.

CONTINUA...


Notas da Autora:

Hikari = significa "Luz" em japonês