RUNNING UP THAT HILL
N/A: A obra de Cavaleiros do Zodiaco não me pertence, mas sim a Masami Kurumada.
Prezados, mais um capítulo desse fic que, cá entre nós, vem me dando trabalho. tem sido tão difícil escrever que solicitei a duas figurinhas carimbadas por aqui para revisarem, Margarida e Dama 9. Usei a versão da Dama 9 - meninas, muito obrigada pelo apoio e pelas dicas - espero que gostem... reviews please. E aproveitando a oportunidade, faço propaganda do meu novo fic de Yu Yu Hakusho, Fraqueza...por favor...leiam também... estou com bloqueio... preciso de reviews de incentivo. B-jos.
CAPÍTULO II
And if I only could,
Make a deal with God,
And get him to swap our places,
Be running up that road,
Be running up that hill,
Be running up that building.
If I only could, oh...
E se eu apenas pudesse,
Eu teria feito um trato com Deus,
Eu pegaria ele para trocar os nossos lugares,
Continue correndo estrada a fora
Continue correndo colina acima
Continue correndo pelo prédio
Se eu pudesse, oh...
Uma a uma elas entravam no alojamento, mais um final de dia estava chegando, não que isso fosse símbolo de muitas alegrias, se fosse levado em consideração a nova carga de exercícios que viriam com a manhã seguinte, mas algumas conseguiam ainda tornar aquelas poucas horas de tranqüilidade necessária, apenas com sua voz:
Olha só quem voltou!? É o que dizem por ai, quem é vivo sempre aparece! - a ironia impregnava cada palavra da aspirante à amazona que cruzou com Alex na entrada do alojamento.
Vai se fuder Eva. - a resposta veio curta e grossa, sem rodeios.
Ofendida, a argentina levantou o tom da voz:
Escuta aqui vadia! Quem você pensa que é pra me responder desse jeito, sua filha da puta! O que foi? O mestre te expulsou da cama dele foi?!
Eu juro que vou fazer você engolir isso piranha! - Alex perdera as estribeiras, estava pronta para arrancar a cabeça da outra quando foi detida por outras duas aprendizes.
Se controla Alex! Ela só quer te provocar! - Semira segurava a amiga com todas as forças que tinha, enquanto isso, a loira continuava a provocar:
É Alexandra, controle-se, não se preocupe, uma hora seu mestre te chama de volta pra cama dele. Sim, porque essa é a única explicação para alguém como você continuar por aqui. Sumindo por dias, abandonando o treino, fugindo do alojamento à noite?! Eu só vejo uma razão para você continuar no programa. Me diz uma coisa Alexandra, você também foi pra cama com mais algum cavaleiro ou enviou uma de suas amigas vadias fazer o serviço? Ai!
Um grito desesperado encerrou o discurso de Eva. Todas as mulheres ali presentes dirigiram seus olhares surpresos à aprendiz de Aldebaran.
Katerina!? - a jovem Inês pronunciou o nome da amiga em meio ao choque, enquanto Eva se contorcia no chão, com toda a dor causada pelo soco aplicado na boca do estômago.
Katerina passou por cima da amazona estirada, falando em tom forte e autoritário:
O show acabou! Todo mundo pra cama e levem essa coisa com vocês.
Enquanto algumas garotas ajudavam Eva, Katerina foi ter com Alex:
E quanto à você! Quando vai aprender a se controlar? Quando reage só faz piorar os boatos!
Do que está falando? Foi você quem nocauteou ela! - Alex rebatia enquanto dirigia-se para sua cama. - Além disso, ela nos chamou de vadias, o que incluiu você.
Mas eu já estou acostumada com isso, meu passado me condena. - A russa acompanhou a amiga, sentando-se na cama ao lado.
Então por que bateu nela? - Inês não resistiu à sua curiosidade, deixando escapar a pergunta inocente.
Dando de ombros, com ar divertido, a ex-striper respondeu:
Não encontrei outro jeito de calar a boca dela.
As jovens caíram na gargalhada, até que Semira apareceu resmungando:
Minha nossa! Que mulher grossa! - e com um grito para o outro lado do alojamento, continuou. - Eu só queria ajudar! Mal criada. - voltando-se para Katerina terminou – Você deveria ter-lhe quebrado uns dentes, quem sabe assim ela calava aquela boca.
Novamente as jovens caíram na gargalhada. Depois da crise de risos às custas da argentina, Alex mudou de assunto:
Inês, você ainda tem aquele remédio para dor muscular que o Afrodite lhe deu?
Tenho sim. - Indo até sua cama, a jovem israelense pegou o remédio preparado pelo mestre, alcançando-o à Alex.
Vendo a dificuldade nos movimentos da grega, Semira questionou:
Ele pegou pesado dessa vez?
Com um sorriso debochado, Alex não perdeu o ar da graça:
Digamos que a única coisa que eu consigo fazer no momento é sentar. glúteos não estão incluídos no treinamento do Shaka.
Enquanto as outras riam, Katerina manteve-se séria:
Não deveria brincar com uma coisa dessas, você está se acabando desse jeito.
Tenho minhas razões. - Alex rebateu seriamente, encarando a russa com um olhar desafiador.
Antes que uma nova briga se iniciasse, Semira interveio:
Nós sabemos e ninguém aqui pode julgar ninguém. Todas temos telhados de vidro.
Um silêncio instalou-se depois do comentário. Semira tinha razão, das quatro, talvez a única que poderia falar alguma coisa era ela mesma.
Semira era uma refugiada da guerra civil no Sudão (1). Sua aldeia fora destruída pela milícia islâmica Janjaweed no processo de limpeza étnica do país, a jovem sobreviveu apenas graças à sua coragem e destreza. Seus reflexos foram mais rápidos que o de seu algoz e esta conseguiu atingi-lo antes que ele a executasse. Depois disso, passou cinco anos vivendo num campo de refugiados, na região de Darfur, onde aprendeu a proteger-se dos ladrões e estupradores que atacavam o lugar, tendo como mestre um soldado nepales pertencente às forças de paz da ONU.
Em poucos instantes, todo o alojamento mergulhou num silêncio sepulcral, apenas o som da respiração das ocupantes podia ser ouvido, quando subitamente, em uma das camas, um celular vibrou.
Bastou um toque para que Alex atendesse. Nada foi dito, a jovem de cabelos escuros apenas ouviu, desligou o aparelho e levantou-se da cama, já arrumando uma mochila.
Por mais cuidadosa que tenha sido, a grega não conseguiu evitar que a moça da cama ao lado acordasse. Katerina levantou-se na mesma hora, lançando um ar inquisidor à Alex:
Vai sair agora?
Eles ligaram, tenho que ir. - a outra respondeu num sussurro.
Suspirando, a russa tentou argumentar:
Dizer que, se for pega, te expulsam, não vai detê-la, então, pelo menos, pense em si mesma. Está cansada, precisa recuperar-se!
Alex sentou-se na cama, encarando a aluna de Aldebaran nos olhos, seria, disse:
Tem razão.
Por um momento Katerina acreditou tê-la persuadido, mas logo Alex abriu um sorriso maroto:
Está certa. Não vai me deter. - e dizendo isso levantou-se, dirigindo-se em direção à porta, mas não sem antes pedir um favor – Me cobre.
Era a única coisa que Katerina poderia fazer por ela, já que a grega não ouvia ninguém.
Meia hora depois, Alex finalmente chegava ao seu destino. Uma rua escura, sem saída, cercada por sacos de lixo, gatos vira-lata e bêbados jogados na sarjeta.
De repente, uma pequena porta de metal abriu-se abruptamente e dela saíram barulhos, música e um homem arremessado em direção aos sacos de lixo.
Logo que o bêbado aterrissou no beco, um verdadeiro gorila surgiu porta a fora, berrando à plenos pulmões:
E não quero mais ver essa sua bunda amarela por aqui nunca mais! Ou te encho de chumbo! Entendeu bem?!
Os mesmos bêbados de sempre Igor?
Alexandra!? - o ex-boxeador não escondeu a felicidade ao ver a moça chegar. - Como vai a minha pequena hoje? Pronta para faturar essa noite? - o homenzarrão abraçou Alex que correspondeu ao carinho, como sempre, logo em seguida entrando naquilo que parecia um bar.
Seguindo entre as mesas lotadas, a garota de olhos castanhos cumprimentou alguns garçons e o barman, logo alcançando uma outra porta, também guardada por um homem igual ou maior que Igor.
Sem nada dizer, o homem deixou Alex passar e esta seguiu subindo uma escadaria, deparando-se com homens vestidos com roupas caras, acompanhados de mulheres igualmente caras.
Ao final da escadaria, uma arena abriu-se à vista, rodeada de pessoas que não deveriam estar ali. Políticos, ricos empresários, celebridades, traficantes, cafetões, todo tipo de gente se acomodava pela arquibancada, todos preparando-se para o espetáculo que estava prestes a começar.
Alex caminhava em direção uma área mais reservada, até deparar-se com um armário de dois metros de altura e cara de poucos amigos:
Está atrasada. - o homem falou de forma rude, encarando a amazona.
Fingindo não notar o homem à sua frente, Alex ia passando, quando falou com ar de deboche:
Você não deveria estar por ai lambendo o chão de alguém Murat?
O libanês explodiu! Segurando o braço da guerreira com força, estava prestes a arrancar-lhe o sorriso do rosto, quando um homem igualmente forte e alto apareceu e, com uma voz forme e ao mesmo tempo fria, ordenou:
Solte-a Murat.
Sem muita escolha, Murat soltou Alex que imediatamente encarou o recém-chegado vendo-o agora carregar um sorriso nos lábios:
Alexandra! Não consigo imaginar visão mais sublime que esta.
Deixa de ser falso! Por que me chamou aqui? Tínhamos um acordo! Eu vim aqui por três noites seguidas, avisei que precisava descansar e você concordou! - Alex explodiu ali mesmo, chamando para si a atenção de todos os presentes.
Ainda sorrindo, o homem a segurou pelo braço, arrastando-a para uma outra porta e sussurrando em seu ouvido:
Aqui não é o lugar nem a hora para discutirmos isso.
Dentro de uma sala que assemelhava-se a um escritório, o homem sentou-se em uma confortável poltrona, enquanto Murat trancava a porta atrás de Alex:
E então? - A jovem estava impaciente, queria respostas.
Sem pressa, o homem começou a brincar com uma caneta a sua frente, para só então responder:
Temos um apostador grande essa noite, um viciado disposto a colocar muito dinheiro nos nossos cofres e não serei a desapontá-lo. Portanto, decidi oferecer ao nosso amigo prefeito, nossa melhor atração. - e levantando o olhar para encarar a moça, completou – Você.
Alex sentiu o chão desaparecer sobre os seus pés. Nunca sentia medo, era destemida, corajosa, por vezes atrevida, mas ali, diante daquele homem que tinha a vida dela em suas mãos, não passava de uma menininha assustada.
Péricles era uma espécie de rei do jogo na cidade de Atenas. Por toda a capital, cassinos clandestinos, bares com caça-níqueis, estavam espalhados, conferindo-lhe sua "pequena" fortuna. Mas isso era o de menos. A menina dos seus olhos eram as lutas.
Numa arena organizada em um lugar longe dos olhos das autoridades e ao alcance dos apostadores, dezenas de lutadores amadores reuniam-se visando testar suas habilidades e em busca de dinheiro fácil.
Eu lutei por três noites seguidas! Preciso de um descanso!
Teve o dia inteiro para descansar. Se não o fez, é problema seu, além disso Alexandra, essa luta não será problema para você. Depois do que vi na última, tenho certeza que você derruba o adversário antes do terceiro round. - Péricles manteve o tom calmo, enquanto levanta-se e caminhava em círculos, em torno de Alex.
Não é de hoje que venho notando Alexandra. Você vem ficando mais forte, o que me leva a uma pergunta. O que tem feito durante o dia? - o homem continuava a caminhar em torno da jovem, aproximando-se cada vez mais, deixando-a zonza.
Tentando manter a concentração, Alex buscou forças para responder rispidamente:
Não é da sua conta. Não está funcionando como você mesmo disse? Então não é nada pra se preocupar.
Com um sorriso quase diabólico, Péricles falou:
Tem razão. Depois do que vi na luta passada, acho que não preciso realmente me preocupar com nada. Você vem cumprindo direitinho sua parte no trato Alexandra, merece um descanso. Façamos o seguinte, vencendo a luta de hoje, você poderá passar o resto da semana fora. Mas é bom estar de volta na Segunda-feira, caso contrário...
Eu sei! Não precisa dizer! - Alex interrompeu o discurso atormentador de Péricles. Não precisava ouvir aqui mais uma vez, conviver com aquela realidade já era suficientemente torturante.
Divertindo-se com a exasperação da jovem, o homem aproximou-se ao máximo, sussurrando em seu ouvido:
Vá pegá-los, tigresa.
Continua...
(1) Sudão (Darfur): O Sudão é hoje o maior país da África, e está em guerra civil há 46 anos. O conflito entre o governo muçulmano e guerrilheiros não-muçulmanos, baseados no sul do território, revela as realidades culturais opostas da Nação. A guerra e prolongados períodos de seca já deixaram mais de 2 milhões de mortos. A introdução da Sharia, a lei islâmica, causou a fuga de mais de 350 mil sudaneses para países vizinhos. Entre outras medidas, a lei determina a proibição de bebidas alcoólicas e punições por enforcamento ou mutilação. Atualmente um massacre de imensas proporções está acontecendo no país, segue uma matéria de Johann Hari do "Independent"-"Folha de São Paulo"-08/10/2005 "Finalmente, o genocídio no oeste do Sudão está quase terminado. Há um problema, porém: o genocídio está chegando ao fim apenas porque não restam negros para matar ou submeter à limpeza étnica. No esforço para "limpar" o oeste do país de "zurgas" -termo que pode ser traduzido como "crioulos"-, o governo da Frente Islâmica Nacional já exterminou mais de 400 mil deles e expulsou outros 2 milhões de suas casas . As milícias racistas governamentais, conhecidas como Janjaweed, adorariam continuar a matar e devastar, no entanto, os povoados negros já foram todos queimados, e todas as mulheres negras já foram estupradas .O primeiro genocídio do século 21 transcorreu sem transtornos, e os genocidas venceram. (Wikipedia)
