N/A: Antes de tudo, "Manchester United" é um time de futebol inglês, e tem como principais rivais o Liverpool e o Chelsea. E, sim, eu mudei a diferença de idade entre o pessoal.
Get Up & Move
- Oliver Wood, certo? – perguntou uma senhora, lá pelos seus cinqüenta anos, carregando consigo uma imensa lista. Parecia até marcar quais foram as boas crianças daquele ano.
- Sim, senhora. Disseram-me que ficaria no quarto...
- Quatrocentos e um, eu sei. Para que acha que carrego esta lista?
"Quanto mal-humor...", Oliver pensou consigo, enquanto alisava os cabelos castanhos.
Era seu primeiro dia naquela escola interna, e ele não queria nem pensar em como seria ter de aturar três anos de pura loucura – sim, loucura. Seriam três anos longe de qualquer contato feminino que não com senhoras como a da lista. Ainda assim, o fato de ter o futebol a seu favor o alegrava. Imaginara que ali, num ambiente completamente masculino, poderia se dedicar muito melhor à sua única grande paixão: o esporte. Quem sabe algum time de renome não o convidava para jogar?
- Bom, fica na ala oeste. Seguindo este corredor, vire na terceira entrada. Por enquanto, o senhor dividirá seu dormitório com outro garoto e só.
"Só um colega de quarto? Será que é fã do Manchester também?", o garoto começou a imaginar, indo para seu quarto.
Não se surpreendeu muito quando abriu a porta e se deparou com uma escrivaninha e um beliche – o banheiro ali era coletivo, diziam muitos que para evitar inconvenientes. De qualquer forma, cada ala possuía o seu, que era equipado com dez cabinas com vasos sanitários e vinte duchas – não que isso interessasse a Oliver naquele momento, claro.
Entrou, então, em seu novo lar, jogando displicente a mala em um dos colchões do beliche. Teria tempo para arrumar suas coisas depois. Indo para a janela, reparou em um papel preso na escrivaninha, o qual continha os horários e nomes das matérias que teria durante o ano. Sua felicidade foi enorme ao descobrir que teria Educação Física naquele mesmo dia, e logo tratou de buscar suas chuteiras, perdidas em algum lugar da mala.
"Ar puro, finalmente!", comemorou mentalmente, ao passo que se dirigia para o outro prédio da escola, o qual possuía as salas de aula. Seria logo após uma – chata – aula de Ciências Sociais que ele partiria para seu sonho, sua vida: as quadras. Quando o sinal tocou, ele já era pura adrenalina.
Chegando no estádio daquela escola, Oliver ficara boquiaberto: não imaginava que as instalações seriam tão grandiosas e elaboradas. O colégio dispunha de todo um maquinário para musculação, piscinas olímpicas, uma quadra de vôlei e handebol, outra de basquete e um campo de futebol. Era tudo o que precisava ver naquele dia, pensou consigo, já se imaginando ali, na disputa final de algum campeonato importante e ele, observador nato que era, arquitetando a jogada que faria o gol da vitória.
-... OLIVER WOOD! – gritou o instrutor, em frente à sua figura. Era um homem musculoso, o semblante severo. Alguns diriam assustador, mas Oliver ficava com "imponente".
- Aqui, senhor – endireitou-se ele, acordando de seus sonhos.
Tendo percebido que sua técnica de intimidar alunos não funcionou em Wood, o instrutor pareceu conter o mau humor para se dirigir a ele, se limitando a apontar secamente para um dos cantos do campo, onde alguns garotos o aguardavam.
- Ei! Em que posição você joga? – perguntou um deles.
- Ah... – ele deu uma pausa dramática – eu francamente não gosto de me destacar num jogo em equipe. Prefiro dizer que meu maior rendimento é no meio campo, mas isso só em caso do time precisar. Posso ser de serventia em qualquer lugar, desde que baste para meus colegas...
Pouco a pouco, enquanto Oliver discursava, todos os garotos que ali estavam pararam para ouvi-lo. Sua dialética não apresentava nenhuma característica marcante, muito menos um linguajar abrangente, mas, ainda assim, espantou aos demais. Como alguém, em seu primeiro dia de aula, poderia se mostrar tão disposto a cooperar com estranhos?
- É, bom... Você pode ficar no meio campo então. E os atacantes, quem serão?
- Nós! – dois garotos ruivos responderam, simultaneamente.
- Esperem... – ponderou Oliver – Antes de qualquer coisa, me chamo Oliver. E vocês, quem são?
Os dez rapazes demoraram um pouco para falar, talvez esperando ver quem daria a cara a bater antes. Não tardou muito, os dois garotos que se prontificaram anteriormente ergueram a voz:
- Weasley, ao seu dispor! Eu sou Fred, e ele...
- George! Prazer!
Pareciam bem entusiasmados com a figura de Oliver Wood, e não tardaram a olhar os outros de forma persuasiva, para que estes também se apresentassem. Assim, tendo descoberto os nomes de todos, Oliver pôde coordená-los e logo a partida começou.
- Vamos, Lino! Trabalhe com o Fred essa bola! – ele bradava de seu posto – Isso, Harry, continue seguindo dessa forma!
Com comandos simples, mas efetivos, o calouro de cabelos castanhos acreditou ter sido o mentor da grande vitória que tiveram sobre o outro time – mesmo não admitindo para os demais. Ele gostava, no fim das contas, de estar sempre por trás dos grandes atos, das grandes histórias, e...
- HAHAHA! – o riso parecia vir de longe, mas era de uma voz grave, que se fazia ouvir sem grandes dificuldades - Que palhaçada! Vocês chamam isso de estratégia? Aposto como são todos torcedores do United.
Oliver Wood virou-se, a fim de encarar o herege que ousara desfazer de sua conquista e de seu time. A ira em seus olhos era perceptível, mesmo que domada.
