Capítulo 2

CONHECENDO O PASSADO

Hermione, Harry e Rony, saíram do salão comunal, escondidos. Eles estavam indo por um caminho que tinham a impressão de conhecerem.

-Péra aí, Mione, onde você está nos levando? - perguntou Harry

-Não está óbvio? - disse Rony - À biblioteca!

-O que a gente vai fazer lá? - foi a pergunta de Harry.

-Francamente! A gente vai pesquisar um meio de voltar para o nosso tempo!

-A essa hora? - disse Rony.

-Se fosse qualquer outro motivo você não reclamaria das horas! - Hermione tinha um tom definitivo.

Eles pesquisaram durante muito tempo sem sucesso, e quando Rony caiu em cima do livro, eles decidiram continuar no dia seguinte.

A cabeça da Harry estava num dilema. Contar ou não a verdade a seus pais? Falar ou não com Dumbledore? Qualquer coisa que ele decidisse, seria depois, porque ele estava com sono. Foi quando lhe ocorreu uma coisa.

- Gente, onde a gente vai dormir?

-Boa pergunta...- comentou Rony franzindo a testa. - Podemos pedir pro seu pai alojar a gente e a sua mãe a Mione...

Hermione abriu a boca para retrucar, mas um aluno de Sonserina que se dirigia para fora da biblioteca trombou com Harry. O garoto se virou, e os três puderam ver os cabelos sebosos, o nariz pontudo e o rosto pálido muito familiar de Severo Snape.

-Não fique parado na porta da biblioteca, Potter!- ele resmungou sem notar as diferenças entre Harry e seu pai.- Pintou o cabelo de ruivo Black?

Snape comentou se retirando. Hermione e Harry riram com vontade, enquanto que as orelhas de Rony ficaram vermelhas.

-Ok...Não teve graça! Humpt!

-Olhem, acho que tive uma idéia...- disse Granger parando de rir - Podíamos pedir ajuda para Dumbledore. Ele já deve ser o diretor da escola... E nem pense em falar alguma coisa pra ele, Harry! - acrescentou Hermione se lembrando das coisas que eles poderiam alterar no futuro contando o que sabiam sobre o passado naquele presente. Ou algo assim.

-Não podemos dormir na sala comunal? - perguntou Rony - No chão mesmo, em um canto, sob a capa de invisibilidade.

-Poderíamos, se soubéssemos a senha... - concluiu Hermione - A mulher gorda jamais vai deixar a gente entrar sem a senha.

-Putz! É mesmo, a senha! - gritou Harry - Estamos ferrados agora...

-Não calma, vamos voltar para a biblioteca, nos escondemos lá, sob a capa como o Rony disse, depois de fechado a gente dorme um pouco e amanhã começamos a pesquisar de novo sobre o funcionamento do vira tempo... Assim nós também ficamos longe dos marotos e vocês dois não ficam tentados a abrir a boca...

Os meninos concordaram, como sempre Hermione estava certa. Fizeram como ela sugeriu.

Foi difícil pegar no sono, especialmente para Harry, ele nem se lembra de ter dormido muito, os três acabaram antecipando a pesquisa e começaram a ler os livros de madrugada.


-Vejo que ainda não descobriram o que fazer.

Hermione sentiu uma mão sobre o seu ombro e deu um pulo, olhou para o alto e se deparou com o sorriso amável de Remo Lupin, já tinha amanhecido e o jovem os encontrou cochilando sobre os livros na biblioteca.

Ela pode notar a fisionomia abatida de Lupin, a noite deve ter sido bastante cansativa para ele também.

-Ah... Não, não achamos nada sobre o vira tempo ainda...

-Hum, talvez eu possa ajuda-los, entendo um pouco disso. Posso ver o aparelho?

Ela fez que sim enquanto esticava-lhe o vira tempo quebrado. Com o barulho da conversa Harry acordou, deu uma leve balançada em Rony que babava sobre um dos livros, com dificuldade ele também abriu os olhos.

-Ah não. - disse o ruivo vendo Lupin sentado na mesa também - Não foi um pesadelo?

-Não. - disse Hermione brava - E é tudo culpa sua... Como sempre...

-Onde estão os outros? - perguntou Harry a Lupin, antes que Hermione e Rony começassem uma longa discussão.

-Na enfermaria... - Lupin parecia encabulado com o assunto - O Tiago se machucou ontem...

Harry deu um pulo da cadeira.

-O que?!

-É, mas calma. Não foi nada sério. Ele machucou a pata quando estava saindo do túnel... O problema é que não vai poder jogar a partida de quadribol que teremos hoje contra a Sonserina.

-Será que a gente pode ir vê-lo?

Acho que não. - disse Sirius se aproximando da mesa - A enfermeira chefe acabou de expulsar eu e o Pedro lá de dentro... Então Aluado estava certo, vocês ainda estão aqui...

Nenhum dos três respondeu. Parecia meio óbvio pra retrucar.

-Já contou para o pessoal da equipe sobre o Pontas? - perguntou Lupin.

Sirius fez que sim.

-A capitã está em pânico. - disse ele - Também pudera, a partida começa daqui a pouco e eles estão sem um apanhador.

-O Harry é apanhador. - disse Rony - E dos bons.

Harry deu lhe um olhar reprovador.

-O que foi? Você é mesmo. Que coisa, não falo mais nada também.

-Taí uma boa chance de você provar que é filho do Tiago, garoto. - disse Sirius com um brilho estranho no olhar - Se topar eu falo com a capitã agora. Vou lá e te apresento.

-Não. - gritou Mione - Eu ah... Não acho seguro que todo mundo saiba da gente. - explicou-se.

-E quem disse que vão saber? O que você acha que eu vou dizer "olha o filho do Potter vai jogar" - Sirius riu - Claro que não, ele vai como sendo o Tiago mesmo. Acha que consegue garoto?

Era meio estranho ver um cara da sua idade o chamando de garoto, mesmo esse cara sendo o seu padrinho. Mas Harry não disse nada.

-Preciso de uma vassoura. - respondeu.

-Sem problemas... Vamos então.

Hermione não achava que seria uma boa idéia mas, não adiantaria retrucar mesmo.

-Qual a vassoura que vocês usam? - perguntou Harry

-Flysweeper 3. Muito boa, de última geração.

-Boa, você chama uma Flysweeper 3 de boa? Cara, essa vassoura tá muito ultrapassada. A do Harry, uma Firebolt, chega ao dobro de velocidade dessa. - disse Rony.

-Ah é, senhor sabichão. Quer dizer que tudo seu é melhor? - perguntou Pedro.

-Não. Só que no nosso tempo, essa vassoura nem existe mais. É peça de museu.

-Mas é só essa que temos. - disse Sirius.

A conversa transcorreu com muitas discussões entre Sirius e Rony sobre a tal vassoura.

Harry pensava em sua mãe, tinha estado tão perto dela e não teve chance de conversar. E a Senhora Figg em Hogwarts era muito diferente daquela que Harry conhecia.

-Sirius, você conhece Arabella Figg?

-Sim porque? - perguntou Sirius meio encabulado.

-Ela mora na rua dos Alfeneiros onde eu moro. Cuidava de mim quando pequeno.

Sirius a essa altura, fingia que não ouvia.

-Ele tá assim porque ele gosta da Arabella e ela não dá bola para ele... É a única garota de Hogwarts que ele não conseguiu namorar. - disse Lupin.

-UAU! - Rony ficou maravilhado com essa última revelação.

-Peraí Harry. - disse Hermione parando o grupo no corredor - Você não pode ir assim... - ela puxou sua varinha.

-Assim como Mione?

-Assim, com esses olhos... - ela fez um movimento com a varinha enquanto murmurava o feitiço, os olhos de Harry transmutaram para um marrom claro, cor de mel, como os de Tiago e, com outro movimento fez a cicatriz em forma de raio desaparecer - Pronto, agora sim.

Quando chegaram no salão a capitã do time deu um grito.

-Potter!!!!! Graças a Deus que você já está bem. Vai poder jogar?

Sirius e Lupin se entreolharam com um sorriso, não foi preciso nem fazer as apresentações, todos caíram direitinho.

-Ah, claro.

-Então vem, pega a sua vassoura, troca de roupa e desce logo, estamos atrasados.

Sirius seguiu com ele sozinho para mostrar-lhe a onde estava a vassoura e o uniforme do time. Ele fez uma rápida explanação sobre os seus novos colegas de time assim como o time adversário, enquanto isso Harry trocava de roupa.

-Os caras são traiçoeiros... - advertiu ele.

-Sonserinos sempre são. - disse Harry.

Sirius sorriu.

-Olha, desculpa pelas grosserias, tá? Essa história toda é bastante confusa, você deve imaginar... O filho do Tiago aparece de repente com dois amigos que sabem tudo sobre os nossos segredos e...

-É, eu sei. - disse Harry - Também não estou à vontade nessa situação padrinho... Quer dizer, Sirius.

-Sou se padrinho mesmo?

Harry fez que sim.

-O Tiago sempre diz que vou ser padrinho do filho dele. Só não achei que ele fosse louco o suficiente para cumprir o prometido... - disse rindo.

-Pois eu acho que ele não podia ter feito melhor. - disse Harry - É muito bom ter um padrinho como você, pelo menos no meu tempo.

-Sirius sorriu, Harry tentou fazer o mesmo, mas seu estômago doeu, pensou em dizer para o padrinho sobre os acontecimentos futuros, bastaria falar com ele: "olha, não confie o segredo dos meus pais ao Rabicho, tá... e fique longe da sua priminha Bellatrix..." Mas se conteve mais uma vez quando ouviu as batidas na porta.

-Com licença. - disse uma voz feminina - Posso entrar.

-Pode, Evans. - disse Sirius e a mãe de Harry obedeceu.

-Ouvi dizer que você tinha se machucado, Potter. - disse ela meio sem jeito.

-Ah... - Harry estava embasbacado, ele sempre sonhara como seria a voz de sua mãe - é, eu me machuquei, mas não foi nada demais, já to legal.

-Que bom.

Harry ficou quieto, sem saber o que falar e, ao que parecia Evans estava esperando que ele dissesse algo. Mas como ele não o fez ela se despediu com um boa sorte e saiu.

-Muito bem. Ficar calado é uma boa tática... - disse Sirius - Se fosse o Tiago já teria dito ou feito alguma besteira... Ele sempre faz isso quando a Evans está por perto.

-Ela é... legal?

Sirius arregalou os olhos.

-Hei! Alto lá, garoto. O Tiago é apaixonado por essa menina, nem pense em dar em cima dela.

Harry riu do comentário.

-Eu não vou pensar nisso, pode ficar tranqüilo.

-Então por que quer saber se ela é legal?

-Acho que pra você eu posso contar... - disse Harry e em tom de segredo continuou - Ela é a minha mãe.

Sirius arregalou os olhos mais uma vez antes de abriu um enorme sorriso.

-Não acredito. Quer dizer que o Tiago vai conseguir fisga-la?

Harry fez que sim.

-Mas não conte pra ele, a Mione tem uma teoria que isso pode atrapalhar tudo e bem... Por mais cretina que seja a minha vida eu quero nascer sabe.

-Ah tudo bem. Aquela sua amiga Hermione, sempre estragando todas as surpresas. - disse Sirius. - O que você acha que aconteceria se nós contássemos?

-Tudo no futuro podia mudar. Bem você poderia ficar livre de Az... Bom estamos atrasados, vamos.

Rony e Hermione acompanharam Sirius e Lupin para a arquibancada. Encontraram com Tiago na saída da enfermaria.

Ele trazia a mão direita enfaixada.

-Droga! O jogo já vai começar e eu assim. - disse ele.

-Não se preocupe amigo. - falou Lupin - Nós já resolvemos o problema.

Tiago olhou ao redor e deu falta de Harry.

-Ah, não. Não me diga que??? Vocês não fizeram isso!

-Claro que fizemos. - disse Sirius - Agora vamos correndo que eu quero ver se o garoto é tão bom quanto você.

-Pode ter certeza que não vão se decepcionar. - disse Rony estufando o peito de orgulho do amigo.

-Olha, eu vou pra biblioteca. - disse Mione - E você devia vir comigo, Rony. Acho que estamos com um problema muito mais importante que um jogo de quadribol...

-Nada é mais importante que quadribol Mione.

-Nisso ele tem razão. - completou Potter.

-Ai esquece! Você homens, viu!!!

-Eu vou com você. - disse Lupin e se virando para os demais completou - Estaremos lá na biblioteca, ok. Depois vocês me contam como foi o jogo.


Caminharam até a entrada do castelo em total silêncio. Não era nada fácil conversar com alguém que não era de sua época.

- Mas me conte, Hermione. O que eu farei daqui há alguns anos?

- Desculpe, Remo. Se eu contasse isso a você seria desastroso.

- Mas é tão ruim assim?

- Não. A sua vida será muito boa. Quase igual à de hoje. Não me peça para contar detalhes.

-Ah, tudo bem.

A biblioteca não estava muito cheia. Seria a hora ideal para procurar sobre o vira tempo.

Procuraram em algumas prateleiras e Lupin estava muito entusiasmado com o que acabara de encontrar.

- O que e isso? - perguntou Hermione.

- Um livro sobre lobisomens. Será que há cura para isso?

- Não se iluda, Lupin. Nem em nosso tempo existe a cura ainda.

- Então, quer dizer que...

- Eu e minha enorme boca. Sim, você será para sempre um lobisomem.


Tiago estava sob a capa de invisibilidade. Ele, Sirius, Pedro e Rony estavam indo para o campo, enquanto Harry estava no vestiário com o time.

–Potter, quero ver você apanhando esse pomo, viu? - disse a capitã.

-Vou fazer o possível. - Harry estava muito nervoso. Por que ele estava como seu pai. Qualquer erro iria refletir em seu pai. Hoje, mais do que nunca, ele precisava pegar esse pomo.

O time entrou no campo sob muitos aplausos (dos grifinórios, corvinais e lufa-lufas) e vaias (dos sonserinos). Harry, no começo, estranhou muito a vassoura. Mas depois, vendo que ela causava o mesmo efeito que a Firebolt em sua época, se acostumou.

O jogo começou. A goles foi lançada e um Sonserino apanhou-a. Arremessou, mas o goleiro defendeu. Mas Harry estava mais preocupado com o pomo. Depois de uma hora, nada dele aparecer. Na arquibancada, os meninos estavam desesperados. Sirius perguntou a Tiago se ele havia visto o pomo, mas este negou. O jogo estava difícil. Grifinória estava perdendo de 100 a 20. Foi quando Harry viu o pomo. Estava bem perto do apanhador Sonserino, Lúcio Malfoy, que ainda não o tinha visto. Harry precisava distrair Malfoy. Olhou para um outro lugar, fingiu concentração e voou. Malfoy, pensando que ele havia visto o pomo, foi atrás. Quando eles estavam lado a lado, Harry fez um esplêndido desvio e foi atrás do pomo, que para seu alívio, ainda estava lá. Malfoy, quando percebeu o blefe, viu que Harry estava pegando o pomo. "Só mais um pouco", pensava. Então ele o pegou. Grifinória vencia por 170 a 100.

Na arquibancada, Sirius disse não ter mais dúvidas de que Harry era filho de Tiago, e este estava muito orgulhoso de seu filho.

Quando Harry pousou ele foi abordado por vários colegas grifinórios dos marotos parabenizando pela vitória e no meio da multidão Harry deu de cara com Arabella e Lílian que disse

-Parabéns, Potter, foi uma vitória impressionante! - nesse instante Harry ruborizou ele já estava sendo vencido pela vontade enorme de abraçar sua mãe quando Sirius apareceu e interveio.

-Oi garotas! - e virando-se para Harry disse- vem têm gente querendo te parabenizar... Tchau

Sirius se despediu um tanto envergonhado e Harry quase caiu na gargalhada.


Enquanto isso...

Hermione e Remo estavam em frente a uma montanha de livros, concentradíssimos.

-Droga! Eu não estou encontrando nada! Como você esta indo, Remo? - ela estava olhando para ele, todo concentrado.

-Ainda nada...- ele virou de repente, encarando Hermione, olhando em seus olhos castanhos, eles não conseguiam desviar. "Ele até que é um gatinho", pensou Hermione quase se derretendo.

-Qual é o seu nome mesmo? - tornou a perguntar Remo sem tirar os olhos dela.

-Hermione... Mas meus amigos chama de Mione. - respondeu corando um pouco.

-Ah... Certo...- mas ele não pode terminar

-Harry ganhou, Mione!!!- era Rony chegando junto com os outros,. quebrando o clima e deixando ambos incrivelmente corados.

-Ele realmente é filho de Tiago! - falou Sirius puxando Harry ainda com o uniforme de quadribol.

Já no salão comunal da Grifinória, duas lindas garotas conversavam animadamente.

-O Potter estava estranho hoje... - comentou a ruivinha de olhos verdes.

-Sentiu falta das cantadas, Lily? - zombou a outra.

-Claro que não, que idéia, Bella! E aquele garoto estranho que estava com eles?

-O ruivinho? Se é estranho eu não sei, mas que é um gatinho, ah, isso é!!!

-E o Black? Ele tem te dado a maior bola...

-Oras, Lílian, você realmente acha que eu vou querer me envolver com o Black? Pelo menos não antes de ele tomar jeito!!! Mas caso isso demore ou nem venha a acontecer, tenho que me garantir...

Elas riram e subiram para dar um retoque no visual, afinal, já que a Grifinória vencera, provavelmente iria ter festa até à noite naquele salão!

E assim foi. Depois de se arrumarem, desceram para o Salão Comunal. Estavam todos lá.

-O ruivinho está lá - disse Arabella para Lílian

-Olha lá, a gente nem conhece ele. Veja o que você vai fazer...

-Não importa. Hoje à noite vou conhecê-lo.