Chegamos ao que reconheci ser a mansão dos Malfoy, e óbvio que estava passando mal, não é? Acabei, sem querer, vomitando aos pés de Dolohov, mas quando ele ia me dar uma sacudidela, me alertando que não o fizesse mais, ele se lembrou que a culpa era dele próprio.
Logo, Lúcio chegara também e veio perguntar-me se estava bem, atitude que certamente achei contrário ao que conhecia de seu modo habitual de ser, mas lhe respondi que acreditava que sim.
- Ótimo, melhor assim. Cissa cuidará de você. Está sem a varinha, não está? – perguntou-me.
- Sim, estou.
- Bom também. Ei, Draco! – gritou Lúcio e, quando o filho chegou, ordenou-o: Leve-a até sua mãe.
Não sei ao certo o porquê, mas fiquei feliz em ver Draco, provavelmente por ele ser meu primo, e que geralmente gostamos de rever os primos. É, mas um pouco depois, descobri que não foi muito legal revê-lo, porém logo mais conto a vocês o porquê.
- Claro, pai – respondeu-lhe Draco.
Lúcio ordenou-me que seguisse Draco, e assim o fiz. Saindo da sala em que estávamos, ainda o ouvi conversando com Dolohov.
- Não devia ter feito isso, Antônio – começou Lúcio.
- E por que não, Lúcio? Ela é apenas uma sujeitinha qualquer, filha de uma traidora do sangue puro, casada com um lobisomem que, segundo Greyback, não passa de um metido a esperto, convivendo entre bruxos e pagando de bonzinho que...
Felizmente para minha calma, a partir disso não ouvia mais a conversa, pois já estava a fim de dar meia-volta, retornando à sala para dizer a eles que não falassem mal de minha mãe e nem colocassem o nome de Remo na história.
Draco levou-me até o quarto onde estava Narcisa, que mesmo que não gostasse, era minha tia.
- Olá, Narcisa – comecei.
- Olá. Está tudo bem? – ela perguntou parecendo preocupada, mas tentando disfarçar.
- Eu creio que sim, e a senhora? – minha voz denunciava que eu certamente estava enjoada. Pus as mãos sobre barriga e pedi, apontando para uma confortável poltrona: - Posso me sentar?
- Ah, claro, por favor! – sua voz beirava o nervosismo. – Como eles lhe trouxeram? Não foi por aparatação, foi?
- Infelizmente sim.
- Oh, meu Merlin! Eu disse a Lúcio que não aparatassem com você na situação em que você se encontra!
- Mas Lúcio realmente não queria aparatar comigo. Ele pediu à Dolohov um tempo para pensar em como me traria, mas pouco depois Dolohov quis trazer-me assim mesmo.
- Verdade? E o que Lúcio havia argumentado para tentar que Antônio não lhe trouxesse aparatando?
- Disse que não gostaria que alguém fizesse isso se fosse com você.
- Ah... – Narcisa sorriu e corou levemente. – E o que Antônio respondeu?
- Que Lúcio está ficando um velho muito sentimental.
- Bem... Mas como você se sente? – Narcisa me perguntou isso com uma voz já não tão preocupada; parecia que havia controlado a preocupação dela quanto a mim, que era considerada naquela família como a "filha da traidora".
- Um pouco enjoada, por causa da aparatação, mas estou bem – respondi, acariciando o que seria um filho em desenvolvimento.
- Quer um copo d'água? – ofereceu-me, e eu aceitei. Quando peguei o copo de suas mãos, engoli uma boa quantia e, logo que ela novamente se sentou, chamei-a:
- Narcisa?
- Sim?
- Pode me dizer o que exatamente eu estou fazendo aqui?
- Sinto muito mesmo, mas não posso lhe contar.
- Hum...
- Ordem do Lorde das Trevas, me entende? – ela tentou defender-se quanto a isso, mas quanto mais falava nisso mais nervosa ficava.
- Entendo sim – desconfiei eu. –E onde ele está atualmente?
- Eu... Eu não sei, Tonks. Mas eu acredito que ele não terá contato pessoal com você. Não posso lhe garantir, entende? Mas eu acredito no que disse.
- Sim, sim... – desconfiando de muita coisa nessa historia, bebi o restante da água que estava em meu copo e comentei: - Estou cansada. Onde irei dormir?
- Você irá dormir esta noite no quarto de hóspedes, mas não poderá dormir enquanto o Lorde não voltar.
- E posso perguntar por que não?
- Não, Tonks, não pode. Se quiser manter-se viva e manter seu filho bem, é melhor que não pergunte muito sobre esse assunto.
- E o que eu poderei fazer aqui, nesta casa que nunca entrei, não conheço parte alguma dela, e nem ao menos posso dormir, enquanto esperamos por ele?
- Eu poderia emprestar-lhe alguns livros se desejar. Gosta de livros?
Sinceramente? Achei a atitude de Narcisa muito diferente da que eu conhecia, ainda mais comigo, a "filha da traidora do sangue Black". Porém, talvez isso seja truque de Sonserino, sabe? Adular bastante, agradar no que puder e depois dar o bote, tentando conseguir algo que queira, mesmo sendo que de Narcisa não entendi o que ela poderia querer comigo.
- Sim, eu gosto bastante. Estava lendo um antes de ser tirada a força de minha casa – disse eu, fazendo a voz mais normal possível.
- Ah, Tonks, não seja dramática, por favor; querendo ou não, você ainda tem o sangue Black correndo em suas veias.
- Grande coisa! E, de verdade, não estou sendo dramática; estou falando sério!
- Pense como quiser, está bem? - finalizou ela, certamente não querendo discutir comigo. - Que livro estava lendo?
- Ah, é um livro dos trouxas que Hermione me emprestou. Por que da pergunta?
- Nada! Só que talvez Lúcio tivesse o mesmo para que continuasse a ler. Mas livro dos trouxas ele não tem nenhum, e nunca pensou em colocar um livro trouxa dentro de sua casa.
- É, fiquei sabendo.
Narcisa me guiou até uma sala fechada que pertencia a família Malfoy, desde muitos anos. E, quando disse fechada, quis dizer bem fechada, com feitiços saindo pela fechadura. OK, exagerei um pouco agora. Mas a sala era realmente enorme, com prateleiras altas e milhares de livros. Não duvidava que houvesse mais livros que a biblioteca de Hogwarts.
- Pode escolher algum que lhe agrade – disse-me Narcisa, que parecia feliz em me agradar, embora eu não acreditasse muito que isso realmente fosse o que se passava em sua mente.
Analisei alguns livros, retirando-os da prateleira e olhando capa, contracapa e folhando-os, até que encontrei um que me chamou a atenção, e acompanhada de Narcisa, voltamos ao quarto em que estávamos e deveríamos ficar até que ele regresse de não sei aonde.
