Nota da Autora: Oi! Obrigada por terem comentado o capítulo anterior. Aqui está mais um. Espero que gostem. Bjs :D
S.L.
Capítulo 2
Reencontrando Draco Malfoy
Em um desses fins de tarde calorosos, que agora preenchiam grande parte de sua vida, Hermione se despediu mais cedo de Ginny e de outros dois colegas do Ministério da Magia, de seu departamento, que as acompanharam para tomar um café. Abandonou a esplanada que, nesse momento, estava animada, com pessoas dançando ao som da música alegre e mexida que escutavam na rádio, das conversas entusiasmadas sobre os mais variados assuntos e das risadas contagiantes.
Caminhou um pouco sozinha, vendo casais de mãos dadas e sorrisos em seus rostos. De vez em quando, trocavam beijos longos e apaixonados, sorrindo entre eles, como se não existisse mais ninguém em seu redor.
Suspirou, sentindo uma pontada de tristeza em seu peito. Gostaria de arranjar um namorado que a fizesse feliz, que a amasse e a respeitasse. Por vezes, quando via Harry e Ginny juntos, sentia um misto de felicidade e de ciúmes de sua amiga. Harry era um príncipe encantado, o sonho de qualquer mulher. Alto, bonito, educado. Tratava sua amiga com delicadeza e respeito. Ginny sempre se gabara de ter encontrado o homem ideal. Harry era compreensivo, mimava sua amiga quando ela não estava em seus melhores dias, lhe fazia surpresas.
Era esse tipo de homem que ela queria. Mas não tinha coragem para ir a boates, conhecer pessoas, se divertir. Não conseguia esquecer a traição de Ron, ainda tinha pesadelos com ele e a secretária. Tinha medo de sofrer novamente.
Se preparava para descer as escadas largas, em pedra, em direção ao parque de estacionamento. Planeava ficar mais uma noite sozinha, sentada no sofá, comendo as pipocas que tinha comprado no supermercado perto de sua casa, enquanto via um filme romântico, talvez o Titanic. Aquele filme, embora já o tivesse visto imensas vezes, sempre a fazia chorar. Estava tão absorta em seus pensamentos, que esbarrou contra um homem que também vinha distraído.
– Desculpe. – Disseram ambos em simultâneo, Hermione sentindo seu coração batendo descompassadamente com o susto.
– Ora essa, a culpa foi minha. Estava tão distraído… – o homem parou, quase paralisado com a surpresa e perguntou:
– Granger, é mesmo você?
Hermione olhou espantada para o homem à sua frente. Era Draco Malfoy, o garoto que a importunava na escola por ela ser Gryffindor e filha de muggles. Mas agora estava um homem, e muito bonito, em sua opinião. Abanou a cabeça, afastando seus pensamentos e exclamou, sua voz saindo um pouco mais alta do que o habitual:
– Nossa Malfoy, você me assustou!
– Não esperava encontrar você aqui. – Comentou Draco, um pouco surpreso por a ver ali. Granger, percebeu, estava mais bonita. Pigarreou, se xingando mentalmente, e perguntou:
– Há quanto tempo…Como é que você está?
– Estou bem… – Respondeu ela, ainda espantada por vê-lo ali, no mundo Muggle – Acho que estou…E você?
– Eu…sim, também estou bem. – Disse ele, tentando soar confiante, mas a presença chamativa de sua ex-colega não ajudava – Mas porque não tomamos um copo? Eu sei que no passado eu tratei mal você, mas agora eu queria conversar e…
Draco parou, ao perceber que estava tagarelando, e a olhou nos olhos. O sexto sentido de Hermione a alertou, percebendo que ele precisava de conversar com alguém, desabafar, e convidou:
– Você quer dar um passeio de automôvel comigo?
Draco hesitou um pouco, mas acenou afirmativamente com a cabeça. Hermione retirou a chave da mala e procurou seu automôvel. Quando viu seu Mercedes cinzento, se dirigiu para ele, abriu a porta e entrou. Malfoy a seguiu em silêncio, entrando de seguida.
Draco fechou a porta e Hermione se virou para ele, o observando com atenção. Não parecia o mesmo Malfoy que tinha conhecido em Hogwarts, com a mania da pureza de sangue. Seu semblante estava triste, não tinha aquele brilho de superioridade que carregava no passado. Usava roupas pretas e os olhos azuis-acinzentados estavam mais escuros. Seu cabelo loiro, quase branco, estava ligeiramente desalinhado. Não parecia o mesmo cabelo sedoso do passado. Hermione ligou o motor, saíram do parque de estacionamento e começaram a andar em silêncio pela cidade. Draco observava as ruas, distraido. Hermione, não querendo quebrar o silêncio, ligou o rádio e a canção, Strange Love, dos Despeche Love, começou tocando:
There'll be times
Haverá momentos
When my crimes
Quando meus crimes
Will seem almost unforgivable
Vão parecer quase imperdoáveis
I give in to sin
Eu ceder ao pecado
….
Vendo seu café preferido aberto, Draco falou, apontando para a esplanada.
– A gente podia parar nesse café. – Hermione leu o nome do café, "Flor do Mar" e observou a esplanada, que tinha algumas pessoas. Procurou um lugar vago, estacionou e Malfoy comentou, enquanto saiam do automôvel e se dirigiam a pé para o local:
– Costumo vir aqui quando quero estar sozinho, observar o mar.
Ela não pode evitar sorrir. Conhecia bem aquela sensação de querer estar sozinho, em silêncio, observando o mar azul ocupando toda a linha do horizonte, enquanto sentia seus cabelos esvoaçando ao sabor do vento.
Passava muitas tardes de fim de semana assim, sempre que o tempo o permitia, e achava graça que Draco partilhasse também esse hábito. Chegaram à esplanada e escolheram uma mesa mesmo em frente ao mar. Hermione tirou a bolsa, a colocando na cadeira, ajeitou sua longa saia cor de rosa e se sentou. O garçom apareceu, vestido com uma camisa branca e umas calças pretas, muito formais.
– Boa tarde, senhores. – Cumprimentou, com o sotaque musical do Yorkshire – Que desejam?
– Boa tarde. – Cumprimentou ela, polidamente – Queria um suco de morango, por favor.
O garçom anotou o pedido de Hermione e se virou para Draco:
– E o senhor?
– Um suco de laranja. – Respondeu ele. O garçom se afastou e eles observaram o mar, em silêncio, tentando arranjar coragem para conversar, mas não conseguiam. Ela arranjou seu cabelo, que estava solto, caindo em cascatas por sua blusa vermelha e olhou para suas sandálias brancas.
O garçom apareceu pouco depois com as bebidas e as entregou. Hermione pegou na bolsa, para pagar, mas ele foi mais rápido, pagando a bebida dos dois. Ela o observou fixamente, abrindo a boca para falar e Draco a interrompeu, dizendo:
– É por você ter aceitado sair comigo. – Ela deu um sorrisinho, o olhando com curiosidade e questionou:
– Que aconteceu com você depois de sair de Hogwarts? Já passaram cinco anos. Tanta coisa deve ter acontecido em sua vida…
Draco suspirou, como se aquele tema não fosse dos melhores para conversarem, bebeu um pouco de seu suco e começou a falar:
– Eu e meus pais partimos para França. Lá conheci uma garota, Astoria Greengrass. Meus pais gostaram dela e, quando tínhamos dezenove anos, nos casamos. Era uma garota maravilhosa. Era tudo o que um homem deseja em uma mulher, alta, inteligente, bonita. E puro-sangue. - Hermione revirou os olhos, mas Draco nem notou, olhando para o copo - Um ano depois, meus pais morreram. Os medibruxos disseram que foi morte natural. Sofri bastante. No ano seguinte, descobrimos que Astoria tinha uma doença rara e muito grave. Passamos temporadas em Espanha, Itália, Alemanha, Japão…em tantos lugares que agora nem me recordo. Tentamos ainda fazer exames no mundo muggle, mas ninguém sabia como a curar…
A voz de Draco era notoriamente emocionada e Hermione ficou sem saber o que dizer. Acabou por lhe dirigir um sorriso tenro e compreensivo e isso bastou para que Draco recuperasse a calma e voltasse a falar, sem peso, daquela recordação ruim. Acabou de falar e observou a mulher à sua frente, que tinha os olhos brilhantes, e perguntou:
– Que aconteceu com você? – Hermione suspirou, não querendo falar de seu passado, mas ela é que tinha começado com as perguntas e contou:
– Eu e Ron nos separamos há três anos. Descobri que ela andava com outra mulher e cheguei a apanhá-los juntos. Ele ainda tentou inventar uma desculpa, para evitar a separação oficial, mas acabou por me dar o divórcio. Foi a melhor coisa que fizemos. – Comentou ela – Sabe, não podia continuar vivendo em uma mentira e não estava disposta a partilhar meu marido com ninguém, nem ser enganada daquela forma.
– Você tem filhos, Granger? – Perguntou Draco e Hermione abanou a cabeça, respondendo:
– Não. Mas ainda bem. Não iria aguentar ter de ver Ron todos os fins de semana, quando fosse entregar as crianças.
Draco a observou compreensivamente e comentou:
– Você ter passado um mau bocado…
– Você deve ter sofrido mais, Mal… – Ela hesitou, tímida, e perguntou – Posso tratar você por Draco?
Draco sorriu, percebendo que Hermione estava se sentindo confortável a seu lado, para querer chamá-lo pelo seu primeiro nome, falou:
– Só se eu puder tratar você por Hermione. – Ela sorriu, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha e respondeu:
– Claro que pode. – Se observaram por alguns momentos. Hermione percebeu que, há muito tempo que não conversava com uma pessoa, sem ser seus amigos ou seus colegas e estava gostando. Se lembrou do que Draco disse e sentiu seus olhos marejados de lágrimas. Piscou várias vezes, para afastar as lágrimas, e falou – Mas não vamos falar mais de coisas tristes. Por que não aproveitar para conversar sobre assuntos mais positivos?
– Proposta aceite! – Exclamou Draco, com um sorriso. Hermione sorriu com seu entusiasmo. Olhou o relógio e disse, espantada:
– Olhe, já são dez da noite. A gente ficou conversando que nem deu pelo tempo passar.
– Foi uma conversa muito boa. – Falou Draco, enquanto retirava um pergaminho e uma caneta da camisa e escrevia. Hermione observou as ondas revolvendo na noite, a lua espelhada no mar escuro. Guardou a caneta no bolso e chamou a atenção da mulher. Se olharam e ele entregou o papel a Hermione, dizendo:
– Tome minha morada. Caso precise de ir a minha casa. – Ela acenou em resposta e pegou no pergaminho guardando na bolsa. Decidiu fazer o mesmo. Pegou em um pergaminho e uma caneta, anotando seu número de celular e a morada, lhe entregando.
-Quer sair comigo amanhã? – Perguntou ele, repentinamente, enquanto a observava com timidez. Hermione não soube o que falar, mas vendo a expressão de Draco, respondeu:
– Por mim, tudo bem. - Sorriram e Hermione voltou para casa mais feliz desde que se tinha divorciado de Ron.
Continua…
Nota da Autora: Oi! Espero que estejam gostando da fic. Que acharam do reencontro de Hermione e Draco? Por favor, mandem reviews, dizendo o que estão achando. Eu agradeço. Bjs :D
