Era dourada
Aiko Hosokawa
O que estiver em itálico é conversa mental.
CAP.2 - A União Dourada
A sensação era estranha: a floresta passava um sentimento de angústia, parecia querer expulsá-los dali, e os cavalos estavam agitados, parecendo temer algo. Já estavam há uma hora caminhando mata adentro, mas nada mudava: árvores, mais árvores e corações oprimidos.
"Droga! O quê está acontecendo aqui? Onde estão os elfos?". Perguntou Ikki furioso.
"É verdade, quero acabar logo com isso". Shiryu também já estava nervoso.
"Cuidado com o que você deseja". Kamus falou olhando para algo atrás do cavaleiro.
"Eles estão aqui?". Shiryu bem que tentou, mas não viu nada.
"Eu também não os vejo". Ikki procurava aflito e sem sucesso.
"Tolos! Eles nos seguem desde que entramos aqui. Pensaram mesmo que invadiríamos território élfico e não encontraríamos sentinelas?". Nesse momento uma flecha branca, com penugem dourada na ponta, foi cravada no chão entre as patas dianteiras no cavalo de Ikki, fazendo com que o animal empinasse quase derrubando o cavaleiro. Os dois mais jovens apressaram-se em desembainhar as espadas, preparando-se para a batalha.
"Guardem isso agora!". O general ordenou com firmeza.
"Mas...". Ikki tentou protestar.
"Eu dei uma ordem!". Novamente mostrou firmeza enquanto controlava o seu animal que, agitado, andava querendo sair dali.
Obedeceram ao comando e, nesse momento, um elfo de longos fios lisos de cor amarelo-ouro apareceu, trajado com uma calça larga e uma 'bata1' também larga do mais puro branco, justa apenas na cintura devido ao cinto que ali estava; nas costas trazia as flechas brancas e douradas guardadas; na mão direita, o grande arco, também branco, e com pequenos detalhes dourados que se assemelhavam a folhas ao vento. As orelhas eram pontudas, via-se, pois parte dos fios dourados estavam caprichosamente presos, impedindo que caíssem sobre os olhos de azul límpido e profundo, sobre a testa com uma exótica pintinha vermelha dando um ar incomum ao jovem.
Caminhou até ficar frente a frente com os três cavaleiros, e olhou com ternura para o cavalo no qual Ikki estava: o animal pardo era o único ainda agitado, parecendo refletir as emoções do homem que o montava. Estendeu a mão, sob os olhares curiosos dos três, e começou a acariciar a cara do animal; primeiro a testa. Surpreendentemente, o animal acalmou-se e deixou-se ser afagado. Ikki não entendia como, mas também estava mais calmo com aquela presença que lhe parecia divina. Saiu do transe pegando a espada sem desembainhá-la.
"Péssima posição, guerreiro! Poderia arrancar-lhe a cabeça em um piscar de olhos". Kamus olhou assustado, temendo o pior.
"Antes de desembainhar sua espada, você já estaria morto". Falou, fitando os olhos de Ikki, que estremeu por dentro, olhou em volta e viu que em todos os lados havia elfos armados e vários arcos o miravam. Olhou para Kamus, que balançou negativamente a cabeça, e soltou novamente a espada.
Agora o elfo olhou para quem pensou ser o líder, encarando-o de cima a baixo, vendo que o ruivo possuía os cabelos logos e muitos lisos em um tom de vermelho tão forte que chegava a ser incomum, o corpo magro, porém bem delineado, com uma postura de superioridade pouco habitual até mesmo aos reis humanos. A calça marrom grudava nas coxas bem torneadas e a parte de cima da veste consistia em uma camisa branca de mangas longas e por cima dela outra de marrom mais claro que a calça, toda fechada por botões dourados e nas costas uma capa longa marrom em mesmo tom que a calça: "Por que invade o nosso território, humano?".
"Meu nome é Kamus, da Casa de Ocean, nobre família de Athlantis. Vim em nome do meu rei em missão de paz. Desejo falar com os seus líderes". Encarava o loiro, enquanto falava sem vacilar.
"Kamus de Ocean? Ouvi falar de seus ancestrais, porém isso nada significa não mereces a honra de estar na presença de seres superiores. Retornem por onde vieram e nada lhes acontecerá". O ser parecia sem sentimentos, tamanha a frieza que demonstrava.
"O que tenho a falar é de suma importância". Kamus não desistiria tão facilmente.
O clima ficou tenso. Nesse momento, uma estranha e poderosa presença invadiu o local; todos a sentiam, mas somente os elfos sabiam o que ela significava: era o mestre de Rhovanion, Shion.
"Tragam-nos até mim". A aura falou diretamente na mente do loiro.
"Meu senhor deseja vê-los. Desçam dos cavalos e sigam-me".
Assim fizeram, seguiram sendo guiados pelo elfo loiro e escoltados por vários outros.
Ikki admirou a beleza da figura a sua frente e pensou: "Tenho que admitir que eles são realmente lindos, nunca havia visto nada sequer parecido: parece um anjo de candura". Nesse momento o loiro olhou para trás, fitando os olhos do cavaleiro com uma expressão interrogativa. "Ele pode ler pensamentos!". Temeu essa possibilidade, mas acalmou-se ao ver o elfo dirigir a palavra a seu general.
"Kamus, esse é seu nome; e os que te acompanham, quem são?".
"Esse é Shiryu da casa de Draco e esse é Ikki da casa de Phoenéx".
"Hunn...". O elfo nada disse apenas virou para a frente, seguindo seu caminho.
"E você, quem é?". Ikki perguntou em tom autoritário.
O elfo olhou com desprezo. "Cuidado com a língua, rapaz. Se não tem nada de útil a dizer, mantenha-a atrás de seus dentes se quer continuar com ela".
"De onde viemos há o costume de apresentar-se quando dizemos o nosso nome: é considerado um gesto de educação". Kamus olhou para o rapaz, repreendendo-o.
Pela primeira vez o elfo sorriu. "Você é corajoso, um tanto quanto impulsivo demais, mas corajoso. Admiro essa qualidade. Chamo-me Shaka, elfo da casa de Virgus".
Quando sorria ele era ainda mais belo, Ikki nem deu importância ao olhar de seu general e sorriu também, se perdendo naqueles olhos.
"Agora está melhor. É um grande prazer". Shaka parou e encarou surpreso o jovem moreno, deixou escapar um pequeno sorriso no canto do lábio.
"Igualmente... Essa é nossa casa, sejam bem-vindos".
Os três cavaleiros não entenderam nada, olhavam, mas nada além de árvores viam, mas no segundo seguinte uma distorção de imagem apareceu no ar. Assemelhava-se às distorções que um espelho d'água causa com seu movimento. O espelho desapareceu e revelou o que desejavam ver. Na realidade estavam no alto de uma colina, a cidade estava à frente, com casas construídas na grande clareira; no alto do monte que aparecia do lado oposto, havia um palácio todo em mármore branco, com imponentes colunas em estilo de construção peculiar aos olhos humanos. À esquerda e também à direita do grande do templo, existiam doze templos menores, seis de cada lado, em construções do mesmo estilo, mas cada qual com características singulares. A cidade era cortada por um rio, que devido à claridade da lua, tinha um brilho prateado, e a ponte que unia ambos os lados parecia dourada. A visão era esplendorosa, a natureza interagia com perfeita harmonia com as obras élficas mostrando que realmente aquele era um povo ligado à grande Deusa.
Caminharam lentamente até adentrar nos limites da cidade, vislumbrando o magnífico lugar, as casas em tons claros e de formas bucólicas predominando sob o verde da natureza.
"Deixem os cavalos aqui". Três elfos que faziam parte da comitiva seguraram os arreios dos animais, levando-os.
"Não precisa fazer essa cara, os animais serão bem tratados". Shaka falou olhando para Shiryu que não parava de fitar a direção que os elfos e os cavalos seguiram.
"Tudo bem". Ficar à mercê do inimigo não era nem um pouco agradável, mas essa era a situação dos humanos.
Shaka os guiou, agora sozinho, por entre a cidade, ora ou outra, olhares recaíam sobre os cavaleiros. Impossível dizer que sentimentos eles possuíam, ora parecia curiosidade, ora raiva, desprezo e, às vezes, simplesmente nada.
A cidade era bela e pacífica, emanava uma aura de paz e harmonia. O caminho que percorriam era 'calçado' de pedras bege, mesmo tom presente na maioria das construções. Pela arquitetura, se deduzia que os elfos amam o convívio social, pois o lugar era repleto de recintos semelhantes a coretos, assim com também se notava a profunda ligação com a natureza, essa demonstrada na rica flora que adornava todos os locais que se podia ver.
"Uma cidade que mistura o conforto de qualquer cidade humana com a beleza ímpar da natureza: lindo!". Pensou Kamus em seus devaneios, enquanto passava pela ponte dourada. Contemplou, calado, a entrada do palácio ao qual Shaka acabava de introduzí-los. O lugar era singelo e calmo. Alguns jarros de flores adornavam o salão onde se encontravam, havia um grande carpete vermelho e comprido que ligava a porta de entrada a uma outra grande porta, cortinas brancas e ligeiramente transparentes eram suavemente beijadas pela brisa da noite. Uma estranha sensação nostálgica tomou conta do coração de Kamus: a sacada da janela que via à direita do lugar parecia-lhe familiar. Inconscientemente, caminhou até ela, perdido nos mais profundos vales de sua mente, hipnotizado.
"Aonde pensa que vai?". Shaka perguntou ríspido.
Saindo do torpor, Kamus sentiu o fino tecido acariciar-lhe a face, tão próximo estava da janela.
"Lugar algum". Disse mostrando naturalidade, escondendo as dúvidas que pairavam em sua mente.
"Vamos. Quando estivermos na presença do Grande Mestre, só falem se ele se dirigir a vocês". Novamente deu as costas, guiando o grupo. Ikki achou aquilo um absurdo, mas resolveu ficar quieto. Era mais sensato diante da situação.
Adentraram um grande salão com um trono ao fundo; no centro, diante do trono, uma mesa redonda entalhada em madeira maciça, contendo símbolos que pareciam constelações, possuindo treze lugares.
Pararam em frente ao lugar de destaque, apreciando-o vazio.
"Onde ele está?", Perguntou Ikki impaciente.
"Acho que perguntas ao meu respeito jovem...". Da sacada que havia atrás e à direita do trono, saiu um elfo de aproximadamente 1,85m, longos cabelos e olhos verdes em tom vessié, trajado com uma túnica que cobria todo o corpo e os braços, de tonalidade azul cobalto, e duas curiosas pintas na testa. Ao lado deste surgiu um elfo uns quinze centímetros mais baixo, cabelos castanhos e curtos, os olhos brilhantes eram do mesmo tom, o corpo era coberto por uma túnica também longa, mas dessa vez em amarelo nápole, os braços e parte do peito estavam à mostra, já que o veste possuía apenas um ombro.
Shaka curvou-se ligeiramente para frente, em respeitoso cumprimento à seu mestre. Quantos aos outros, ficaram atônitos com a beleza e a majestade transmitidas pela figura enigmática.
O imponente ser caminhou placidamente, encarando-os. Sua aura envolveu os cavaleiros, aliciando-os, baixando sua guarda para, enfim, ver as almas de cada em deles...
Shiryu...
"Bravo guerreiro, homem que não se importa de se sacrificar pelos que ama. 'O dragão que se sacrifica' esse é o significado de teu nome, e também sua sina. És nobre, mas cairá por não saber o real motivo de sua luta".
Ikki...
"Você é bravo, porém ainda não descobriu o sentido de suas batalhas. Não possuiu capacidade de se apegar e não tem fé, mas antes do fim verá o mundo de maneira que nunca imaginou, e sofrerá com o arrependimento".
Kamus...
"Sua alma é diferente... Acabo de perceber o motivo. Por que escondes uma grandeza para a qual estás destinado? Por que um simples general, se podia ser muito mais? Sua alma é grande, pois és...".
"Eu sou Kamus, general do exército de Athlantis. É uma honra estar aqui". O general interrompeu a fala mental do outro, pois não queria ouvir o que se seguiria.
Shion consentiu ligeiramente e deu um pequeno sorriso. "Sei quem você é, até mais que você mesmo, mas vamos ao que os trouxe aqui".
"No último mês, dez de meus companheiros foram mortos, todos da mesma forma". Fez uma pequena pausa.
"E que modo seria esse?". Perguntou o moreno que estava ao lado de Shion.
"Uma flecha élfica".
"Isso deve ser um equívoco...". Shion disse tranqüilamente.
"Creio que não. Aqui está a prova". Retirou o objeto que trazia nas costas ocultado pela capa, descobrindo-o do pano verde musgo que o envolvia e revelando o que era: a flecha que matara Isaak.
Shion caminhou até que pode pegar o objeto, sentindo sua aura e percebendo que ele continha muita dor e muito ódio entranhados em seu âmago. Lançou um rápido olhar para Kamus, à sua frente, e voltou-se para o elfo ainda ao lado do trono; os verdes e brilhantes olhos ganharam um brilho de receio encarando os castanhos que não vacilaram. Moveu a cabeça em afirmativa certa. Para a surpresa dos três cavaleiros e de Shaka, um espectro de luz se formou, saindo do corpo do Grande Mestre. A intensidade era branda, mas o suficiente para mover alguns dos fios verdes. A luz tomou todo o local e chegou ao ponto em que Kamus, Ikki e Shiryu não mais conseguiram agüentar e foram obrigados a fechar os olhos, virando o rosto em instinto de proteção; curiosamente, os elfos não se moveram, apenas sentiram a suave energia se dissipar, com uma pitada de adoração. Foi tudo muito rápido, logo ela desapareceu e viu-se Shion caminhar e sentar-se em seu trono.
"Shaka e Dohko, a partir de agora está convocada 'A União Dourada'. Hilda também virá. Preparem tudo. Quanto a vocês...". Dirigiu-se aos três homens. "... O que será discutido é de seu interesse, por isso também estão convidados a participar. Serão guiados agora a seus aposentos". Falou demonstrando que não queria ouvir respostas.
Shaka aproximou-se dos guerreiros em convite silencioso para que se retirassem. Já fora do grande salão, o loiro andava rápido e preocupado.
"O que é 'A União Dourada' afinal de contas?". Perguntou Ikki intrigado.
"Não tenho tempo para explicar agora. Pedirei a alguém que lhes mostre o caminho, esperem na entrada do templo". Quando terminou de falar, já adentrava outro corredor, sumindo rapidamente da vista dos jovens.
"Não estou entendendo nada! O que, afinal de contas, está acontecendo aqui?". Ikki estava furioso.
"Também gostaria de saber". Shiryu olhou para seu general, esperando que esse pudesse explicar.
"Não sei do que se trata, mas obviamente é algo muito importante. Sinal de que eles têm boa vontade perante nossas queixas. Vamos fazer o que Shaka disse".
Na caminhada rumo à saída, Kamus andou mais a frente, os outros dois lado a lado mais ao fundo. Shiryu não conseguiu conter a pergunta que estava em sua mente.
"Ikki, aquele elfo, Shion. Disse-me coisas estranhas, mentalmente. Precia prever o meu futuro. Diga-me: ele lhe disse algo?". Perguntou cochichando.
"Sim, e não gostei do que ouvi"
"Nem eu. Será que ele também falou com Kamus?".
"Certamente". Calaram-se, pois novamente se encontravam na entrada do templo.
Cinco minutos depois, uma jovem saiu do templo. Ela tinha os cabelos ruivos um pouco abaixo dos ombros, repicados e com uma franja que lhe caía sobre os olhos, que possuíam um azul límpido. O belo corpo parecia ter sido esculpido pelas mãos hábeis de talentoso artista, e vinha coberto por uma túnica vermelha longa que deixava as costas nuas e tinha um belo decote na frente, mas não mostrava nada além do necessário para ser apenas sensual.
"Boa noite. Meu nome é Marin e vou levá-los a um dormitório". Disse assim que chegou. Os cavaleiros ficaram atônitos: a figura ruiva, de olhos azuis e de beleza cálida, era uma humana!
"Você não é uma elfa. É humana!". Shiryu não conteve a fala tamanho o espanto. A moça sorriu sem graça.
"Perdoe-nos, ele não queria ser rude, mas nunca pensamos que encontraríamos humanos em Rhovanion". Kamus tentou amenizar o estrago.
"Sem problemas. Vamos".
Começou a caminhar indo em frente, alguns instantes depois virou à direita e após mais algum tempo à esquerda. Chegaram enfim em uma construção simples. O lugar possuía dois andares. Quando entraram, viram que a parte de baixo era, em sua maior parte, uma grande sala com algumas mesas e cadeiras; logo se supôs que a parte de cima eram os quartos, já que o local assemelhava-se a estalagens das cidades humanas.
"Não querendo ser inconveniente, mas humanos são bem vindo a morar aqui?". Shiryu perguntou um pouco receoso. Os outros dois olharam curiosos para a moça, loucos para ouvir a resposta.
Ela sorriu lindamente. "Não é bem assim, eu não sou humana. Na verdade sou uma mestiça, filha de um humano com uma elfa. Minha mãe fazia parte da nobreza desse lugar, por isso eu fui aceita aqui. Mas se ela não fosse nobre, certamente eu não estaria aqui". Agora o sorriso se tornou triste, devido a lembranças desagradáveis da morte de sua família.
"Será que a senhorita pode me explicar o que é 'A União Dourada'?". Perguntou Kamus, que pela primeira vez sentia-se à vontade com alguém naquele local.
"Claro. Fiquei sabendo que ela foi convocada. Se trata de uma reunião com os mais fortes elfos, sempre chamada em momentos críticos, pois ela agrupa a elite guerreira: os elfos dourados".
"Elfos dourados? Quem são eles". Kamus se interessava cada vez mais pelo assunto.
"Como eu disse, os mais fortes entre nós. Elfos nascidos para lutar, ungidos por uma constelação, guiados pelas nobres almas de seus antepassados também guerreiros".
"Constelações? Será que pode me falar mais sobre isso?".
Marin caminhou até a janela, sentando-se nela e apoiando as costas, ficando de lados para os demais. Kamus puxou uma cadeira, ficando de frente para a jovem, os outros dois sentaram-se na mesma mesa, do lado oposto ao do general.
"Segundo nossa crença e nossos costumes, as constelações são representadas na terra através de nobres famílias; cada um que nasce sob a proteção de uma estrela recebe os poderes e a proteção desta e nascem com um dom supremo. As mais poderosas são as que gravitam ao redor do mais grandioso astro: o sol. Essas são as doze famílias que, juntas, são completas e imbatíveis...". Olhou para fora, vendo as brilhantes estrelas.
"... A primeira casa é a de Háryes, abençoado com a missão de começar, mas incapaz de chegar ao fim. Foi concedido a ele o dom do Respeito a si e ao outros; o atual representante é Mú, descendente de Shion. A segunda é Taurumm. Esse veio para transformar, por isso Aldebaran foi agraciado com o dom da Força física e espiritual. Já Ghêminus é a única família representada por dois seres, Saga e Kanon: separados são vulneráveis, mas juntos superam qualquer obstáculo, juntos são um só, nascidos com a virtude do Conhecimento. Carlo é a representação de Cânceryus. Essa casa ensina a emoção com todas as suas lágrimas e alegrias, nascido por isso com o dom da Família...". Encarou os olhos curiosos do trio e continuou. "... A Lyon, representado por Aiolia, é incumbida a missão de mostrar as obras dos deuses sem tomá-las para si; sendo assim, recebeu o dom da Honra. Creio que o próximo vocês conhecem: é Shaka de Virgus, que recebeu a Pureza, e nasceu para julgar as atitudes das criaturas. Dohko, creio que o viram no Grande Salão, surgiu para servir e ensinar a reflexão; seu dom é o Amor; esse é da casa de Librya. O oitavo guardião, esse tem a habilidade do conhecimento, mas é inapto a falar sobre ele; vê o lado mais sóbrio de todos os seres e luta contra isso, recebeu o dom Supremo da Fidelidade. Shagytárié é Aiolos. Concedido-lhe foi o dom da Infinita Abundância para expandir a luz em meio às trevas. Shura é de Caprýcórnion e tem a missão de lutar a mais dura batalha; para esse fim, recebeu o dom da Responsabilidade. A décima primeira família, os elfos do gelo, fadados a sofrer com a solidão para nunca se prenderem, pois seu dom é a Liberdade; essa família, Aquarius, não possuiu representantes. O antigo possuidor deste título morreu e não deixou discípulos ou filhos, sendo assim, não surgiu ainda um ser apto a assumir essa posição. O último é Afrodite de casa de Phéyxeus, esse tem uma árdua missão: unir esse grupo tão diferente, por isso tem o dom do Entendimento".
"Esse seres parecem realmente superiores...". Comentou Shiryu ao fim da narrativa.
"Não é possível que eles não tenham defeito algum!". Disse Ikki ainda incrédulo, impossível existir um grupo tão poderoso!
"Óbvio que eles têm defeitos! Todo ser que vive os tem! Além do que essas são as características ideais de cada um, podendo ser deturpadas de acordo com as experiências que cada um vive. Por exemplo: quando pequeno, Carlo viu sua família ser massacrada. O único sobrevivente foi ele, isso graças ao esforço de seu pai, o antigo guardião da casa. Isso fez com que ele mudasse e se tornasse cruel, ao ponto de chegar a ser conhecido com Máscara da Morte por sempre cortar a cabeça de seu oponente em batalha, assim como foi feito com sua família. Felizmente, ele encontrou o amor e agora é mais maleável. Mas mesmo assim não é do tipo que gosta de brincadeiras".
"Nunca imaginei que alguém daqui fosse nos recepcionar com tanta simpatia". Afirmou Shiryu.
"Não julguem os elfos assim tão rápido. É fato: são seres superiores. Mas como tudo o que respira, amam e odeiam de maneira semelhante a vocês humanos".
"Será que todos esses guerreiros demoram muito a chegar". Finalmente Ikki falou.
"Creio que amanhã à noite estará tudo pronto. A maioria deles já está aqui. Faltam apenas os gêmeos, que virão do reino do norte, Avalon, junto com Hilda. Falta também o representante da oitava família".
"Isso é muito bom". O jovem afirmou com a cabeça.
"Já é tarde, devem estar cansados. Amanhã pela manhã virei até aqui e lhes mostrarei a nossa cidade. Boa noite".
"Só um momento, por favor". Kamus chamou, impedindo que ela se retirasse.
"Diga".
"Qual o nome do oitavo guerreiro? Você não falou". Disse Kamus com um olhar curioso.
Marin sorriu. "O nome dele é Milo da casa de Scorpyrun... Tenho que ir, boa noite".
"Boa noite". Os três responderam e ela saiu do local.
"Milo...". Kamus murmurou.
"Disse alguma coisa?". Shiryu perguntou, já na escada que dava para o segundo andar.
"Nada! Vamos dormir". Aquele nome parecia ter algum significado para Kamus, mas não conseguia entender. "Que besteira!". Repreendeu-se em pensamento. "Isso só pode ter um motivo: eu amo maçãs, e se não me engano esse é o significado do nome dele". Deduziu, já deitado, enquanto olhava o teto. Virou-se, ficando de lado, e enfim entregando-se a Hypnos.
Na manhã seguinte...
Os primeiros raios de sol adentraram o quarto, tocando suavemente o rosto do belo moreno. Shiryu abriu preguiçosamente os olhos e viu que o quarto estava vazio. Levantou em um pulo. Onde estariam Ikki e Kamus? Vestiu-se rapidamente e desceu as escadarias que davam para o térreo. O jovem coração acalmou-se ao ver os companheiros sentados à mesa com alguns estranhos, pães e frutas postos sobre ela.
"Ah! Vocês estão aí!". Disse aliviado.
"Mais um pouco e eu teria que jogar um balde de água fria em você para que acordasse". Ikki falou com sarcasmo.
"Tá, aí você iria correr risco de vida!". Falou em tom de brincadeira, sentando-se para acompanhar os outros na primeira refeição élfica de sua vida.
Kamus apenas riu. "Parecem irmãos". Pensou ao vê-los juntos. No fundo de sua mente só os acontecimentos mais recentes passavam: a morte de Isaak, a viajem, o reino élfico, Shion... Tudo havia acontecido muito rápido, e o quo por anos evitou agora batia à porta de seu coração.
Ouviu-se um suave toque na porta. "Com licença". Mais uma vez a jovem ruiva entrou no local, desta vez vestida com uma longa túnica azul piscina de dois ombros, com alças franzidas no bojo, decotada na frente e atrás deixando parte do busto e das costas nus.
"Bom dia, senhorita". Todos levantaram e cumprimentaram Marin com um leve movimento com a cabeça.
"Bom dia! Já estão prontos para conhecer a cidade?".
"Claro!". Kamus falou com empolgação, nem dando tempo para Shiryu protestar já que este não havia feito o desjejum. Saíram então com o novo guia.
"Como podem ver, nós cultivamos as relações entre o povo. Há muito convívio social e uma grande ligação com a natureza, já que os elfos são integrados a Ela".
"Como assim, integrados a 'Ela'?". Perguntou Ikki curioso.
"Os elfos foram as primeiras criaturas vindas da Mãe Terra, e Gaia nos deu o dom de sentir o que Ela sente. Logo, os elfos são, por natureza, ligados à Terra".
Caminharam por diversos locais até que, ao passar por uma pequena clareira sem vegetação alguma, algo chamou a atenção de todos.
"O que é aquilo?". Kamus perguntou estupefato.
"São jovens elfos em seu treinamento". Marin afirmou com muita naturalidade.
"Eles estão manipulando a luz!". Shiryu ficou atônito.
"Não é bem a luz. É a energia que existe dentro deles mesmos. Infelizmente, esse processo é de lenta aprendizagem e somente a elite consegue fazer desse um poder ofensivo".
"É magia?". Ikki perguntou, estranhando a situação.
"Pode-se dizer que sim".
Caminharam mais um pouco, chegando muito próximo a um estábulo.
"Acho que agora vocês terão a oportunidade de conhecer alguns elfos dourados". Disse a ruiva, olhando fixamente para o local onde um jovem de aparência bem jovem e também ruivo estava.
"Aquele ali é um dourado?". Perguntou Shiryu com um ar incrédulo.
"Ele não. O mestre dele". Caminharam para perto do rapaz.
"Oi, Marin!". Com um enorme sorriso nos lábios, o jovem recepcionou os recém-chegados.
"Bom dia, Kiki. Esses são Kamus, Ikki e Shiryu".
"Olá, é um grande prazer". Estendeu a mão para o primeiro, o segundo, e quando por fim sentiu a mão do moreno de longas madeixas negras apertar-lhe a própria, se perdeu no azul dos olhos do humano. Ficou hipnotizado, deixando Shiryu sem graça; esse apenas puxou a mão do contato que o outro parecia não querer quebrar. Porém não pôde deixar de notar a beleza de Kiki, a jovialidade, os cabelos ruivos mais para laranja do que vermelho, as duas exóticas pintas na testa e aquele ar inocente o faziam muito atraente, além, é claro, do corpo bem trabalhado porém não muito musculoso, só o suficiente para definir as formas da bela figura.
"Bom dia". Uma voz forte saiu de trás do jovem. Era Dohko, que se encontrava dentro do estábulo e saiu quando ouviu vozes do lado de fora.
"Olá". Disse Kamus. "Parece que pretendem sair...". Disse referindo-se aos preparativos que eram feitos pelo rapaz.
"Sim, nós três iremos buscar Hilda na fronteira".
"Três?". Kamus não via o terceiro até o momento.
"Sim, três". Afirmou uma jovem figura que saiu de onde anteriormente Dohko havia saído. Foi a vez de Shiryu se perder na beleza do elfo. Este possuía longos cabelos em cor lavanda de tonalidade clara; os olhos verde-esmeralda eram límpidos e pareciam transmitir a pureza e a beleza daquele ser. O corpo era forte: as coxas eram visivelmente torneadas, pois a calça, de tom verde bem escuro e tecido fino estava visivelmente mais justa no local que Shiryu apreciava com fervor. O peitoral não deixava por menos, sobressaindo sob a blusa de tom cremeque possuía uma pequena abertura em cima, deixando à mostra parte da pele alva do local. A suave brisa balançava alguns dos fios soltos, deixando a cena ainda mais bela. E aquelas duas pintinhas que já havia visto duas vezes, mas naquele que estava diante seus olhos pareciam ainda mais exóticas e sensuais. Por sua vez, o elfo também não conseguiu desviar o olhar do jovem humano que o devorava. A beleza negra dos fios lisos era única, os olhos brilhantes em luxúria, o corpo esquio, as feições delicadas porém masculinas, os lábios atraentes... Desejo era a única coisa que se via no olhar de ambos.
"Como eu disse, vamos buscar Hilda. Querem ir com a gente?". Dohko falou, com a intenção de quebrar o clima que ficou muito chato para os demais.
"Agradeço, mas vou ficar". Kamus falou.
"Também quero ficar". Ikki se pronunciou, sem interesse de acompanhar o grupo.
"Eu vou!". Shiryu disse com firmeza. Kamus não gostou daquilo. Não seria bom ter o grupo dividido.
Mú sorriu. "Então vamos preparar seu cavalo". Disse, convidando o outro a entrar e oferecendo ajuda.
Shiryu caminhou em direção ao de beleza exótica. No momento que Kamus ia impedir, Dohko entrou na frente, impedindo que Shiryu visse a reação de seu general.
"Será que ainda não percebeu? Não somos inimigos! Pode ficar tranqüilo que nada vai acontecer a seu guerreiro! Dou a minha palavra". Por algum estranho motivo, Kamus acreditou no que o outro dizia e recuou em seu movimento, ficando a alguns passos do elfo, olhando ainda um pouco desconfiando. Mas resolveu confiar em seu coração, que dizia estar tudo bem.
"Mú é o elfo dourado da primeira casa. É nobre e nunca fará nada desleal a seu companheiro". Marin murmurou bem próximo ao ouvido do outro.
"Eu quero conhecer o resto da cidade". Ikki achou a atitude de Shiryu muito inesperada, mas não conseguia temer pelo amigo, e sim pelo elfo, caso ele caísse nos jogos de seu amigo Shiryu. "Seiya que o diga!". Pensou, sorrindo consigo mesmo. Shiryu havia conseguido fazer o outro se apaixonar por ele, por puro egocentrismo... Ou talvez fosse solidão e carência... "De qualquer forma, Shiryu nunca amou aquele chato. Espero que ele consiga achar o que tanto busca..." Ainda pensando consigo, sorriu.
"É melhor irmos. Há muita coisa para ser vista". O clima ficou mais tranqüilo, e os três continuaram seu tour pela cidade.
A uma determinada altura, quando estavam caminhando por um bosque florido e coberto pela relva, Marin pára e aponta algo.
"Vêem aquele lá no meio?".
O ser a que a ruiva se reveria era um elfo grande, aproximadamente 2,10m de altura, que brincava de 'esconde-esconde' com uma criança elfa em meio a um jardim de rosas vistosas.
"Ele é... ele é...". Ikki ficou sem reação ao ver um ser tão grande brincando!
"Grande!". Afirmou Marin "Não só no tamanho, mas também na alma. É Aldebaran".
"E aqueles, quem são?". Kamus apontou discretamente com a cabeça para um quarteto que estava próximo à brincadeira.
"O de cabelos azul-piscina é Afrodite; o que está a seu lado, do de cabelos azuis escuros e curtos é Carlo; o moreno de cabelos pretos é Shura; e, por fim, o que tem cabelos castanhos claros é Aiolos". O grupo estava sentado à sombra de uma árvore; Afrodite estava entre as pernas de Carlo, e este estava encostado à árvore, acariciando os fios lisos e macios do amante; enquanto isso Aiolos estava com a cabeça no colo de Shura, os olhos fechados, e o outro mantia os dois braços apoiados atrás do corpo sentindo o suave toque do vento.
"Aquilo é comum por aqui?". Ikki perguntou meio sem jeito, mas não conseguiu ficar calado.
"Aquilo o quê?". Marin disse com uma pitada de cinismo na voz.
"Você sabe...".
Ela fez cara de interrogação
"... Dois homens, digo, dois seres do mesmo sexo... EU SEI QUE VOCÊ SABE O QUE EU QUERO DIZER!". Ficou sem graça e perdeu a paciência, gritando e chamando a atenção do grupo.
"HAHAHAHA". Marin soltou uma gargalhada, Kamus bem que tentou evitar, mas também gargalhou.
"HAHAHAHA. Você é muito cômico quando fica sem jeito". O general falou, enfim controlando a risada enquanto o jovem continuava de cara feia.
"Acho melhor irmos. Carlo não é nada amigável". Enfim, Marin conseguiu conter-se também.
"Tá". Ikki emburrou ainda mais a cara e começou a andar.
"Mas fala: é ou não é normal?". Novamente o rapaz perguntou. Aquela cena o havia deixado muito intrigado.
"Sim, é normal. Afrodite e Carlo estão juntos há pouco tempo, mas Shura e Aiolos são um do outro há alguns séculos. Mas não há quem supere Dohko e Shion: estão juntos desde muito antes de todos nós nascermos. Eles foram alguns dos únicos elfos adultos que sobreviveram à mais recente guerra contra os humanos. Todos os atuais elfos dourados são filhos de uma geração que morreu naquela batalha. Tanto eles quanto vários de nós tornaram-se órfãos. Voltando à sua pergunta, os elfos não têm a mesma necessidade de procriação que a sua espécie, e como são mais evoluídos não vêem problema algum nesse tipo de relacionamento".
"Hunn...". Ikki apenas murmurou.
Após meia hora, avistaram duas árvores idênticas muito próximas, ambas carregadas de flores cor-de-rosa que exalavam uma doce e cálida fragrância. O lugar tinha uma aura de paz que tocou fundo a alma do jovem de cabelos azuis e revoltos.
"Vou ficar aqui um tempo. Podem continuar sem mim".
"Aqui é o lugar de descanso de Shaka, não é bom que fique". Disse a ruiva.
"Ele não está aqui...". Sentou-se, se encostando ao grosso tronco.
"Você é que sabe". Deu de ombros, sem dar importância ao jovem.
"Você vai ficar bem?". Kamus perguntou com o carinho de um pai.
"Claro".
Agora só os dois caminhavam pela cidade, as horas passavam e ambos não notavam. Surpreendentemente existia uma grande sintonia entre eles, só os deuses saberiam explicar isso.
"Marin!". Um jovem robusto, de cabelos castanhos claros e olhos verdes saiu do nada com cara de bravo, chamando pela mestiça.
"Aiolia...". Ela se derreteu com a chegada do elfo.
Ele nem deu tempo para ela falar. "O que você está fazendo com esse humano?". Perguntou nervoso, lançando um olhar assassino para o general.
"Calmo, meu amor, eu só estava mostrando a cidade para ele". Kamus, apesar do jeito do outro, não conseguia deixar de achar a cena muito hilária. O rapaz parecia ser muito impulsivo, e mais do que isso, parecia amar a jovem.
"Vamos. Temos que conversar!". Aiolia praticamente impôs a ela.
"Não. Ele não conhece a cidade e pode se perder". Agora Marin vestiu uma fria máscara de indiferença, deixando o dourado desnorteado.
"Odeio quando ela faz isso!". Pensou, olhando no fundo dos azuis límpidos de Marin.
"Pode ir, tenho bom senso de direção, ficarei bem". Kamus finalmente falou. Aiolia não sabia dizer o porquê, mas ao ver o sorriso do outro, todo o ciúme que sentia desapareceu.
"Tem certeza?". Ela perguntou.
"Sim".
O casal se retirou, e Kamus começou a caminhar sozinho por Rhovanion.
Aiolia caminhava cabisbaixo, não querendo encarar o olhar frio que sabia estar sendo lançado por sua amada.
"Marin...". Finalmente criou coragem para falar.
"'Marin' nada! O quê foi aquilo? Hein? Fala! Me explica o motivo daquela cena ridícula!". Ficou profundamente irritada e nem esperou que o elfo terminasse a frase.
"Tá bom...". Desviou novamente o olhar. "... Passei por meu irmão e os outros agora há pouco e Carlo me disse que você estava com os humanos e que parecia se divertir muito na presença deles...".
"Não acredito que você deu ouvidos às intrigas dele! Os três humanos são muito simpáticos, e eu só estava mostrando nossa cidade". A impulsividade de Aiolia era o que mais irritava Marin.
"Me perdoa, sei que agi sem pensar, mas é que só de pensar que você pode me deixar eu fico louco! Te amo demais para conseguir viver sem você". Fez cara de gatinho manhoso, deixando que os olhos ficassem ligeiramente umedecidos, o que os deixou ainda mais brilhantes.
"Como ele consegue?". Perguntou-se a ruiva em pensamento.
"Aiolia, meu querido, eu te amo e nunca vou te deixar. Ficarei a seu lado mesmo que não queiras porque sou sua e de mais ninguém". Cada palavra era pronunciada com ternura e pureza.
Aiolia via a sinceridade no olhar de sua amada. Sabia que era amado, porém era muito inseguro para com ela, especificamente. Às vezes Marin parecia não precisar de nem mesmo de uma pessoa, e isso dava a sensação de ser inútil e totalmente dispensável. Mas quando via aquele olhar, quando via aquele sentimento, toda a dúvida desaparecia por completo. Aproximou-se mais dela, ficando a poucos centímetros de unir os lábios, e acariciou a face jovem e amorenada guiando os dedos para entre os cabelos ruivos, repicados e curtos. A outra mão estava na cintura esguia. Encostou uma testa na outra fechando os olhos. "Eu te amo". Tomou os lábios de forma apaixonada, sentindo o calor daquele corpo, sendo correspondido com igual fervor e sendo acariciado nas costas pelas finas e delicadas mãos da parceira. A carícia começou a ganhar ritmo mais sensual e ardente, transparecendo os sentimentos que começavam a despertar nos corpos.
"Aqui não". Marin conseguiu sair do torpor inebriante, voltando quase completamente ao normal.
Ambas as respirações possuíam ritmo acelerado, e as faces estavam coradas.
Ele sorriu sedutoramente, aproximando-se novamente e enlaçando a cintura da jovem com os dois braços. "Então vamos para outro lugar".
Como negar esse convite? Com resistir àquele olhar e àquele sorriso? Marin não sabia responder, também era impossível negar que desejava tanto quanto seu parceiro.
"Sim...". Murmurou, sentindo a face corar.
Aiolia guiou a jovem até o templo de Lyon que estava perto de onde estavam. Quando entraram o elfo nada esperou, investiu contra ela segurando em sua cintura erguendo-a e sendo abraçado pelas pernas da jovem, unindo os lábios num toque impudico, sendo abraçado por cima dos ombros e acariciado nos cabelos. A perna direita da ruiva ficou totalmente exposta, devidoà abertura da longa túnica, e foi prontamente acariciada pelas mãos fortes, deixando um pequeno rastro vermelho por onde os dedo passavam. Em meio aos toques sensuais e provocantes Aiolia subiu, carregando a ruiva para o segundo pavimento da mansão. Chegando finalmente ao quarto, fez com que ela sentasse na cama e lentamente foi deitando-se sobre ela sem desviar o olhar por um momento sequer dos olhos da mestiça. Quando enfim já estavam deitados Aiolia levantou suavemente a veste de sua amada, sentindo a entrega e possuindo o corpo jovem com paixão e volúpia.
Depois de algum tempo se amando com tanta intensidade, caíram suados e exaustos por sobre a cama, e aninhada no peito de seu amado Marin foi a primeira a dormir, sendo seguida por seu amado...
Havia algumas horas que saíram da cidade. Shiryu cavalgava, segurando as rédeas de um animal extra, ao lado de Kiki, admirando a beleza do elfo cabelos cor lavanda que ia à frente junto com Dohko. O caminho era estreito e os animais iam em marcha acelerada para chegar a tempo em seu destino, lugar esse que o cavaleiro não fazia idéia onde ser.
"Como eu baixei a guarda tão facilmente?". Amaldiçoava-se em pensamento por ter se deixado levar daquela forma. "Isso não é do meu feitio! Agora é pedir aos deuses que dê tudo certo". Conformou-se, mas a sensação que tinha é de que não devia ter ido. Ainda havia a possibilidade de os elfos serem inimigos.
Entraram em um bosque menos arborizado, podendo, enfim, galopar os quatro lado a lado. Dohko, Shiryu, Mú e Kiki seguiam em silêncio mórbido, até que foram obrigados a parar diante de um lago coberto por um denso nevoeiro.
"E agora, para onde vamos?". Shiryu perguntou.
"Lugar algum. Já chegamos". Dohko falou, descendo de seu animal.
"Como assim 'chegamos'?". Encarou Mú com expressão interrogativa.
Ele sorriu e começou a explicar com o seu habitual tom suave: "Esse lago é o limite entre Rhovanion e Avalon. Esse reino é protegido por Hilda - a estrela polar, representante de Gaia na Terra Média , por isso o reino é protegido e não se pode entrar ou sair sem que seja um sacerdote ou sacerdotisa élfica. As brumas são o que protegem, e se alguém entrar pode perder-se para sempre aí dentro ou, se tiver sorte, volta para as margens do rio". Terminou de falar e também desceu de sua montaria.
Shiryu e Kiki fizeram o mesmo. O jovem ruivo parou do lado do moreno que observava Mú e Dohko conversando às margens do rio.
"Acho que ele está fora do seu alcance". Falou Kiki com um sorriso maroto nos lábios.
"Ninguém é fora de alcance! E não quero falar disso com alguém que mal conheço". Shiryu olhou para o ruivo e depois voltou sua atenção para o lago.
"Sim, ele é, e perceberá isso. Em meus breves 82 anos nunca vi o mestre Mú se apaixonar. Sempre teve um caso aqui outro ali, mas no final sempre abandona, deixando jovens corações despedaçados. Ele não é de alguém e nunca o será!".
"Não o quero para mim, mas o quero comigo, a meu lado". Falou com firmeza, deixando o outro desconsertado.
Os olhos aguçados do humano surpreenderam-se ao ver a água movimentar-se com se um barco estivesse chegando à margem. E era exatamente isso que estava acontecendo: em meio às brumas surgiu uma balsa com um figura esquia de pé na proa ,coberta por uma manta negra impendido que se visse as formas exatas. Em poucos instantes, a embarcação chegou até eles.
"É um prazer e uma honra, senhora". Disse Dohko estendendo a mão para que ela pudesse sair do barco. Quando em terra firme ela já estava, dois elfos idênticos saíram da mesma embarcação.
"Os Gêmeos!". Pensou Shiryu vendo os homens que tinham os cabelos longos azul-cobalto e olhos da mesma cor. Ambos vestiam calças, sendo que a de um era branca e a do outro era roxa, quase preta, mesmos tons presentes nas camisas. O que estava de branco usava a camisa larga caprichosamente presa à cintura pelo cinto da bainha da espada, e o outro tinha a camisa um pouco mais justa, mostrando o corpo trabalhado e da mesma forma trazia uma espada embainhada presa à cintura.
"Saga!". Mú sorriu pegando a mão e tocando no ombro do outro em cumprimento ao elfo trajado de branco.
"Velho amigo, como vai?". Saga falou com ternura.
"Agora melhor, pois todos estaremos juntos novamente!". Os olhos verde-esmeralda chegaram a brilhar com essa fala.
"E você, Kanon, como vai?". Falou, agora repetindo o gesto com o outro gêmeo.
"É bom estar em casa novamente". E seguiram-se alguns cumprimentos. Shiryu ficou encabulado, pois era o único que estava só olhando, sem nada dizer.
"Aquele é um dos humanos?". Hilda perguntou a Dohko.
"Sim. Esse é Shiryu da casa de Draco. Veio de Athlantis com dois companheiros".
Hilda encarou o jovem de forma tão profunda que parecia querer ver a alma do outro, e era exatamente isso que ela estava fazendo. Avaliando o coração do guerreiro, consentiu com a cabeça e enfim retirou o capuz que escondia seu rosto. Só então Shiryu viu a face da elfa. A pele era pálida, tinha uma aparência suave, os belos cabelos eram lisos de cor cinza-azulado, cortados de forma que havia uma parte menor um pouco acima dos ombros enquanto o restante dos fios se escondiam na capa; os olhos eram azuis e possuíam também um tom acinzentado, os lábios eram finos, mas de aparência sedutora, mas o corpo ainda não se podia ver devido à capa.
"É uma honra estar na vossa presença, senhora". O moreno fez breve reverência.
"Não se preocupe, tudo o que é verdadeiro prevalece quando chega a hora decisiva". A elfa falou de maneira enigmática.
Shiryu ficou surpreso com a afirmação, porém nada disse, mesmo sabendo o que aquelas palavras significavam.
Os recém-chegados montaram nos animais que foram trazidos pelo quarteto de Rhovanion. Momentos antes de partirem, Mú aproximou-se de Shiryu.
"Sabe o porquê de Hilda ter lhe dito aquela palavras?". Perguntou o elfo curioso.
Shiryu olhou de forma profunda para o outro, fazendo-o estremecer por dentro e sentir um frio percorrer-lhe a espinha dorsal. "Sei sim, e você também sabe". Finalmente falou, ainda perdido no verde-esmeralda.
As dúvidas pairavam na mente de Mú, nunca havia sentido algo tão profundo quanto ao ver aquelas safiras escuras encararem-no com emoção e paixão "Como um humano pode mexer tanto assim comigo?". Perguntava-se em pensamento, não querendo admitir o sentimento que começava a nascer em seu coração. "Eu mal o conheço". Amaldiçoava-se por estar tão confuso.
"Mestre, vamos!". A voz de Kiki cortou o olhar que ainda estava sendo trocado pelos dois.
"Sim". Respondeu Mú, começando a cavalgar junto com o grupo que ia o mais rápido possível. Vez ou outra Shiryu e Mú tocavam olhares enigmáticos, mas que para eles significavam mais que mil palavras.
Ikki estava sozinho, deitado sobre a grama com os braços cruzados atrás da cabeça, os olhos fechados sentindo a suave brisa e o perfume inebriante nas belas flores das árvores.
"Esse lugar realmente dá muita paz, não é?". Sorrateiro com um felino, Shaka aproximou-se do moreno, sendo que esse só percebeu sua presença quando o elfo já estava de pé a seu lado e falando. O susto foi grande e levantou-se em um pulo.
"Credo, Shaka! Quer me matar, é?". Disse furioso, enquanto o outro apenas sorriu e sentou-se com as pernas cruzadas, a coluna muito ereta, parecendo posição de meditação.
"Essa não foi a minha intenção... Esse lugar é meu refúgio, sempre venho para cá quando quero ficar só ou pensar um pouco".
"É fácil entender o motivo". Sentou-se ao lado do loiro só que com uma das pernas esticadas a outra flexionada e os braços apoiados no chão e jogando a cabeça para trás, apoiando o peso do corpo nos braços, sentindo o vento mais forte que passava agora.
Shaka admirava a bela cena: o rosto jovem e forte, o corpo musculoso, as pernas grossas, os lábios de aparência tenra...
"O que você tá olhando?". Ikki perguntou surpreendendo o elfo que só então saiu de seu torpor.
"Estava imaginando". Disse sem desviar o olhar.
"Imaginando o quê?". Fez uma expressão de intrigado.
"Supondo o motivo dessa cicatriz em seu rosto".
Ikki ergueu o corpo ficando ereto também. Olhando para baixo, tocou a própria testa percorrendo o caminho que a marca fazia, e perdendo-se em dolorosas lembranças.
"Há dois anos meu reino entrou em guerra com o reino de Esperta, regido por Ares. Esse rei é conhecido pela carnificina de suas batalhas, sempre agindo de maneira desleal, e não foi diferente com nosso reino. Vilas campesas, impossibilitadas de se defender, foram atacadas com o intuito de minar a nossa moral e nossas forças... Em um desses ataques eu estava na vila com a minha noiva; a casa onde estávamos foi uma das primeiras a ser atacada. Tentei de todas as formas lutar, mas não consegui. Resolvi tirá-la de lá fugindo, mas quando estávamos saíndo da casa o general que liderava aquele exército apareceu na minha frente. Tentei fugir assim mesmo, mas ele atacou Esmeralda, ferindo mortalmente o coração de minha amada. Ela morreu em meus braços... Fiquei furioso e comecei a lutar como um louco, não faço idéia de quantos matei nessa batalha. Novamente frente a frente com meu oponente, lutei com fúria cega, e ele acabou ferindo o meu rosto e meu ombro esquerdo. Caí no chão vendo a pequena vila arder em chamas. Diante de meus olhos eu a vi sorrindo para mim e dizendo que não era minha hora e que era para eu levantar e lutar. Foi o que fiz: matei o general e inesperadamente alguns dos meus amigos apareceram com um pequeno exército. Com o líder morto e com um grupo inapto a lutar, os covardes fugiram. Caí no chão quase desfalecido e a última coisa que lembro é de Shiryu chegando perto de mim e falando que ia ficar tudo bem. Acordei dois dias depois...". Ikki sentiu os olhos umedecerem ao ver em sua mente as cenas daquele horror, sua amada morta, o fogo e o sangue inocente que tingiam o solo de sua terra.
Shaka descruzou as pernas, inclinando-se para frente do jovem, tocando suavemente o rosto e erguendo-o para fitar os olhos marejados de lágrimas.
"Perdoe-me, não queria fazer-te recordar essas coisas". O olhar do elfo era tão puro que Ikki ali se perdeu admirando a pele clara, os traços finos... A beleza rara. O elfo, por sua vez, viajou nos azuis escuros do moreno, contemplando calado como quem ouve uma bela sinfonia; passou suavemente a ponta do dedão da mão direita sobre a marca no rosto do outro enquanto os outros dedos permaneciam na maçã do rosto corado.
A beleza da situação era suprema, não se atreviam a mover sequer um músculo, desejando afoitamente que o momento fosse eterno.
Ikki não suportou ficar parado, e guiou a mão direita até a face do outro, acariciando suavemente e, em um impulso, aproximou os corpos, deixando as faces a menos de cinco centímetros de se tocarem. Sentiam a quente respiração mútua, apreciando o perfume que cada um emitia.
Calmamente, Shaka uniu os lábios num beijo puro e cálido. O toque era calmo pareciam temer a reação um do outro, mas o medo dissipava-se a cada segundo, fazendo com que o beijo se aprofundasse e fazendo com que os corpos se unissem mais com o abraço forte.
O contado labial por fim acabou, mas o abraço persistia, Ikki segurava na curva do pescoço e na cintura do loiro, enquanto esse tinha a mão direita no pescoço do moreno e a mão esquerda encontrava-se no braço de Ikki repousado em sua cintura.
"Isso é certo?". Finalmente o loiro quebrou o silêncio.
"Eu não sei, mas é bom! E eu desejei fazê-lo desde o momento em que te vi pela primeira vez".
Shaka apenas sorriu, e novamente beijou os lábios carnudos do rapaz, agora subindo a mão esquerda para a nuca e sentindo ambos os braços de Ikki abraçando-o na cintura e unindo mais ainda os corpos. Lentamente, Shaka foi conduzindo a deitar-se no chão, sentindo o peso do outro corpo sobre o seu. Os beijos e toques apaixonados seguiam de maneira despudorada. Em momento algum passou pela cabeça dos dois que alguém poderia ver a cena, e assim continuaram por um longo tempo...
A tarde já começava a cair. O crepúsculo tingia o céu de alaranjado. Kamus admirava a cena sentado no grosso galho de uma antiga árvore frutífera. Na mão direita, o estranho fruto, roxo por fora, branco por dentro, e com pequenos caroços pretos. O general estava com o joelho direito flexionado, onde apoiava a mão que segurava o fruto, a outra perna esticada ao longo de parte do galho. Estava distraído olhando o horizonte quando viu, ao longe, um rastro de poeira subir. Ficou de pé na árvore, tentando ver melhor.
"Shiryu!". Sorriu e em um pulo desceu de uma altura de doze metros. Caminhando um pouco apressado, seguiu para a frente do templo do Grande Mestre, onde, sabia, a caravana iria parar.
Os sete que vinham apressados passaram por onde Shura, Aiolos, Carlo, Afrodite e Aldebaran estavam.
"Hora de irmos". Chamou Aldebaran.
"Sim". Todos concordaram.
"Acabou a folga!". Carlo falou levantando.
"É! Isso aqui estava muito parado mesmo". Comentou Shura.
"Deixe-me ver: paz, o amor de nossas vidas a nosso lado, tempo de prosperidade... Afinal de contas, quem gosta disso?". Afrodite disse brincando e com sarcasmo.
"Isso é bom, mas lutar também é. Nos preparamos tanto e até hoje não tivemos desafio à altura desse treinamento".
"Você tem razão, Aiolos, então vamos logo!". Shura disse sorrindo, escondendo a ansiedade que sentia.
Na verdade, todos o faziam: fingiam estar tudo bem quando na verdade a situação era crítica. O grupo apressou-se para chegar o mais rápido possível ao templo.
Kamus chegou segundos após a comitiva.
"Shiryu, como está?".
"Tudo bem. Perdoe-me se te preocupei".
Saga olhou intrigado para o ruivo e perguntou baixinho a Mú.
"Quem é aquele?".
"O general humano que trouxe a flecha: Kamus de Ocean".
"Kamus? Hun...".
"Algum problema?". Mú perguntou curioso.
"Ele é diferente. Não notou?".
"Não, ele me parece normal".
"Talvez seja só impressão minha...". Disse no momento em que os olhos vermelhos do general cruzaram com os seus.
"Esse é Kamus...". Dohko falou para Hilda, aproximando o grupo.
"É uma honra". Curvou-se ligeiramente. Ela apenas consentiu com a cabeça.
"Esse são Kanon e Saga". O elfo moreno continuou. Cumprimentaram-se apenas trocando um "Olá". Não se podia dizer que era um prazer, já que todos ali tinham consciência da realidade.
Poucos momentos depois chegou o quinteto. Nesse momento, se viu sorrisos discretos e cumprimentos mais calorosos entre os elfos.
"Cadê Aiolia e Shaka?". Perguntou Kanon.
"Já estão a caminho. Mandei chamar o meu irmão, e creio que Shaka já sentiu a presença de vocês". Aiolos falou pensativo. O quê será que Aiolia estaria fazendo para não estar ali... Só encontrava uma resposta plausível...
Enquanto isso, no templo de Lyon.
"Mestre". Um elfo de aproximadamente 1,88m, cabelos loiros lisos e curtos entrou no quarto do jovem.
A cena era bonita: Marin estava sendo abraçada pelas costas pelo dono da casa, os braços de Aiolia escondiam os seios da elfa enquanto um lençol esverdeado e claro cobria ambos os corpos até a cintura.
"Mestre". Chamou novamente.
"Hunnn... O quê você quer?". Falou com voz sonolenta.
"Hilda e os Gêmeos chegaram, e seu irmão me mandou chamar-lhe".
"Chegaram!". Levantou-se lentamente ficando sentado na cama. "Já estou indo. Muito obrigado, pode se retirar".
"Sim, senhor".
Com cuidado para não acordar a ruiva ele saiu da cama, vestiu-se e deixou o templo.
Ao mesmo tempo, nas árvores gêmeas...
"Pelos deuses!". Shaka falou tirando Ikki de cima de si.
"O que eu fiz?". Perguntou o moreno confuso. Ok, admitia que sua mão era um pouco boba, mas, não era para tanto!
"Hilda chegou!". Levantou-se rápido, batendo a mão por toda a túnica com o intuito de retirar os fiapos de grama e as pétalas que estavam grudadas. "Olha só o meu estado! Isso é vergonhoso!". Falava mais para sim.
"HAHAHAHA". Ikki soltou uma sonora gargalhada.
"Do quê está rindo?".
"Você fica ainda mais lindo com essa cara".
Shaka sorriu. "Vamos logo que seu general certamente estará lá". Pegou o rapaz e saiu apressado pela cidade.
De volta ao templo
"Cheguei!". Aiolia chegou já todo entusiasmado.
"Até que enfim! Pensei que Marin nunca fosse te liberar". Aiolos brincou.
"Oi...". Shaka chegou afoito. A respiração um pouco acelerada pela pressa.
"...!". Silêncio.
"O que foi?". O loiro perguntou confuso.
Afrodite caminhou até ele e estendeu o braço em direção a sua cabeça; Shaka nem se moveu e, quando a mão do outro voltou à frente de seus olhos viu pequenos fiapos de grama. Corou violentamente, passando a mão pelos cabelos retirando os vestígios dali e vendo seus companheiros lançando-lhes olhares divertidos.
Kamus e Shiryu olharam surpresos para Ikki, que apenas deu de ombros.
"Só falta o folgado do Milo!". Carlo disse, já um pouco impaciente.
"Eu vou conversar com Shion". Hilda falou.
"Quer que nós a acompanhemos?". Saga perguntou, referindo-se a ele e ao irmão.
"Não é necessário. Fiquem com seus irmãos". Ela disse já subindo a pequena escadaria e logo depois entrando no templo.
"E, Gêmeos, como é dividir a mesma elfa?". Aiolia perguntou com sarcasmo na voz.
"Me recuso a te explicar isso mais uma vez!". Saga falou sem paciência.
Saga e Kanon eram um só, impossível amar um e odiar o outro, e aconteceu que Hilda apaixonou-se por eles e foi correspondida.
O trio humano ficou um pouco chocado com o que ouviram, mas disfarçaram muito bem. Notava-se que o grupo era unido, mas ao mesmo tempo parecia faltar algo.
"O nosso galã está chegando". Mú falou olhando na direção onde sentia a presença do amigo.
Saído de uma curva, vindo montado em um belo cavalo de longas crinas de impecável negrume, vinha um elfo de longos cabelos loiros ondulados esvoaçastes devido ao rápido movimento do animal. De longe via-se que era belo, mas quando aproximou-se Kamus ficou atônito. Agora ele estava mais devagar, chegando enfim ao grupo. Impossível desviar o olhar, ele era perfeito! Os cachos loiros e longos caídos até o meio das costas, a calça preta grudada na região glútea e nas coxas, a camisa larga também preta estava aberta na frente a mostrar boa parte do peitoral, os olhos em azul difícil de definir, mas assemelhavam-se a 'águas-marinhas' puras, os lábios carnudos, o rosto sedutor... Kamus realmente não conseguia parar de olhar.
O elfo o encarou e deu um sorriso maroto, e voltou a atenção para seus irmãos.
"Aldebaran!". Sorriu, já tendo certeza do que se seguiria: o grande elfo pegou o amigo, abraçando-o com força e o levantando do chão.
"Calmo aí, grandão, você vai partí-lo em dois". Afrodite disse, sendo o próximo a abraçar e ser abraçado.
"Peraí! Pode ir largando!". Carlo não gostou do abraço.
"Carlo! Vocês se acertaram? Que maravilha!". Milo sorriu lindamente e abraçou MDM e foi correspondido. Um a um, o loiro foi abraçando cada dourado.
"E aí, Aiolia, já providenciou os filhos?". Brincou.
A presença de Milo parecia ter dado mais vida e alegria à equipe, mas aos olhos de Kamus algo ainda faltava.
"Vamos entrar". Dohko chamou. Já haviam conversado demais e não se podia perder mais tempo.
Os 16 seres, treze elfos e três humanos entraram no Grande Salão vendo Hilda ao lado de Shion ambos em seus tronos.
"Sentem-se". Ele ordenou.
Assim fizeram os doze dourados sentaram-se à mesa, e um lugar ficou vago.
"Kamus, você é o general de um exército. Está convidado a ter voz ativa, por isso, sente-se conosco". Shion falou apontando o lugar vago à mesa.
Todos estranharam. O ruivo ficou relutante, mas não poderia recusar o convite feito e sentou-se no lugar do vigésimo primeiro guardião. Em quanto isso os outros dois ficaram de pé á alguns passos da mesa.
"A partir de agora começa 'A União Dourada'". Shion anunciou de forma imponente.
N/A: Acho que não foi o que a maioria esperava, mas foi o que saiu.
O yuri provavelmente aparecerá no próximo cap. (ainda estou em dúvidas quanto aos casais).
Teella, aceitei sua sugestão, mas ela ficará mais explícita também no próximo cap.
Queria fazer surpresa com a história do Kamus, mas acho que entreguei tudo nesse cap. Vocês já perceberam?
Shiryu egocêntrico? Isso vai ter explicação! Marin parecendo guia turístico: isso não tem explicação, mas o fato dela se dar bem com o Kamus tem.
Mais uma coisinha: queria eu que tivessem dois Aiolia para dar um para a Marin e o outro para o Mú, como me pediram, mas infelizmente não teve jeito. Ele vai ficar com a ruiva mesmo e o Mú como o Shiryu. Sei que esse casal não é exatamente popular, mas eu não podia deixá-los chupando o dedo na estória.
Ninguém me tira da cabeça que o Shiryu foi o primeiro amor do Kiki! (Aquele inatingível tipo: estudante de 12 anos com o professor. Esse é clássico!).
1 "Bata" à qual me refiro é aquela blusa larga hippie.
E, para terminar: alguns tons de cores que usei na fic foram baseados em tintas-óleo para tela, mas não foge do que se vê no anime.(Com exceção dos olhos do Shion).
Para terminar de vez: essa fic tá dando trabalho, então é bom receber os comentários de vocês. Isso incentiva muito, então, por favor, mandem reviews.
