Que seja Eterno enquanto dure

Cap. 01:

Técnico

Uchiha Itachi havia acabado de sair da sala de seu chefe, o Computador Senju Sarutobi¹. Itachi tinha apenas vinte e um anos de idade mas, devido ao seu extraordinário talento, em especial nos relatórios, ele foi promovido a Técnico pessoal, título altamente importante uma vez que o Computador em questão era o mais conhecido de todos na Eternidade.

Essa promoção fora proposta a Itachi há apenas duas semanas e fora aceita quase instantaneamente. Em parte por querer se livrar de seu antigo chefe, o Computador Orochimaru. E em parte por seu próprio moral, por querer que todos saibam que ele era capaz. E ele queria isso porque ele era assim: era o melhor em sua área, e, possivelmente, em outras áreas também, e fazia questão de ser reconhecido pelo seu ínfimo esforço. Ele não era convencido como os de fora achavam, apenas queria uma recompensa, e que essa recompensa viesse em forma de um título mais elevado que o anterior.

Mas ele também sabia que os Técnicos eram extremamente rejeitados pelos outros Eternos, estes os consideravam os culpados pelas Mudanças de Realidade; em outras palavras, os Técnicos se tornaram os bodes expiatórios da Eternidade. Um ambiente outrora leve e calmo tornava-se pesado e áspero com a chegada de um portador daquele botão vermelho. O mesmo botão que, agora, pendia na blusa do Uchiha.

Apesar de todos os comentários maldosos que ele sabia que estavam por vir, nada abalou seu auto-contentamento naquele momento. Há anos ele havia deixado sua família no século 95, seu tempo-natal, e há tanto havia parado de relevar o que os outros pensavam dele. Precisava concentrar-se em seu trabalho e na nova tarefa que lhe fora dada, sua primeira como Técnico.

Deveria viajar no tempo-acima, até o século 2456, para realizar uma Mudança de Realidade que consistia em acabar com as viagens interplanetárias pois estas prejudicavam a Humanidade no futuro.

Ele suspirou pesadamente e caminhou até o Porto² e, então, até uma cápsula que estivesse vazia. Encontrou uma sem muita dificuldade; as pessoas se afastavam ao vê-lo chegar, o que, desconsiderando-se os sentimentos (algo que ele sempre fazia), era muito útil.

Depois de pôr as coordenadas corretas, como sempre, ele apenas esperou, sentado dentro daquela cápsula imóvel; a única coisa que se mexia lá dentro era o mostrador que identificava os séculos, sempre na constante crescente. Já havia viajado por diversas vezes através do tempo, mas aquela sensação de não-movimento era sempre desconfortável. Ele se lembrou de sua primeira viagem pelo tempo e sorrira mentalmente quando recordou que achava que uma viagem seria como estar em um teletransportador (máquina comum de seu tempo-natal, utilizada para locomoção de Tempistas em curtas distâncias). Estava realmente enganado, nada era como a sensação de estar viajando no tempo.

Durante o resto da viagem, Itachi ficou relembrando seus dias como Aprendiz. Ainda podia ouvir a voz de seu instrutor ressonando em sua cabeça, dizendo como eles nunca poderiam retornar ao seu tempo-natal a fim de visitar suas famílias. Algo tão doloroso na época, algo tão banal agora.

Depois de meia hora (em fisiotempo), Uchiha Itachi chegou ao seu destino: o século 2456. Diante da grande distância (no tempo) que separava esse século daqueles aos quais estava acostumado, o Técnico logo notou que não se acostumaria facilmente.

Saiu da cápsula e parou em frente à fina cortina que separava a parte da Eternidade onde estava do Setor no qual deveria entrar. Suspirou novamente, tomando fôlego, e atravessou a suave barreira. Do outro lado, ele esperava que alguém aparecesse para guiá-lo pelo Setor, mas não havia ninguém. Como todos os Setores eram exatamente iguais em qualquer ponto da Eternidade, Itachi resolveu continuar seu caminho sozinho.

Enquanto andava notou que o século 2456 era daqueles que utilizava energia ao invés de matéria, havia muitas luzes e espelhos por toda a parte. Essas condições o deixavam fora de seu estado normal e, portanto, não percebeu a chegada de seu atrasado guia.

-Boa tarde, Técnico Uchiha.- cumprimentou um homem cuja aparência não era clara com tantas luzes cegantes.

-Boa tarde.- respondeu desanimadamente o Técnico.

-Por aqui, por favor- o homem indicava um corredor que levava a um lugar menos iluminado.

Chegando na sala com menos luzes, mas não por isso escura, simplesmente mais normal, sob a visão do Técnico; o homem que o guiou tornava-se 'enxergável': era de estatura normal para um homem, cabelo espetado, comprido e...cinza. Algo peculiar para Itachi, cujo cabelo era preto fosco.

-Imagino que esteja se sentindo mais à vontade aqui. À propósito, sou o Sociólogo Hatake Kakashi.

Itachi agradeceria ao ato do Sociólogo, mas não era de seu feitio, isso porque sabia que estava lá para, além de realizar a Mudança, ser culpado por todos os outros à sua volta pelas conseqüências possivelmente 'ruins' dessa Mudança.

Ambos se sentaram em frente a uma mesa retangular e comprida, feita de um material etéreo, com certeza, pensou Itachi, energia pura. Cada um estava sentado em um lado oposto da mesa, provando a repulsa que os Eternos sentiam pelos Técnicos.

-Podemos começar, Sociólogo Hatake?

-Agradeceria se pudesse esperar pelo Computador Jiraiya para começarmos a reunião.

Itachi percebeu que aquela reunião, que deveria ser algo rápido para apenas cumprir-se o protocolo antes que a Mudança fosse realizada, tornara-se um suplício.

Havia-se passado quinze fisiominutos, ou quinze fisio-horas, Itachi não sabia ao certo; qualquer fisiosegundo perto de Eternos como o Sociólogo pareciam a própria eternidade. Mas, finalmente, o Computador chegou.

-Olá, Kakashi-kun!- cumprimentou entusiasticamente o homem que acabara de entrar.

Itachi ficou espantado com a alegria e até uma certa despreocupação alarmante do indivíduo.

-Computador Jiraiya, gos..

-Desde quando você me chama assim?- espantou-se Jiraiya.

-Bem, Computador...

Kakashi foi salvo de ter de explicar o óbvio por um pigarro de Itachi.

Jiraiya olhou espantado para o outro lado da enorme mesa e encontrou com os olhos cansados e ligeiramente arrogantes do Técnico. Assim que o viu, tomou subitamente uma postura mais séria; mais profissional, ao ver de Itachi.

-Ah, desculpe, não o vi aí. Acredito que seja o Técnico..

-Técnico Uchiha Itachi.- completou.

-Sim, claro.

-Nós o chamamos para uma reunião mais profunda pois houve certos erros no caso.

-Como?- Erros? Na Eternidade? Impossível! Que tipo exatamente de erros?

-Eu não chamaria de erros, Kakashi-san,- interviu Jiraiya -apenas...complicações...

-Em todo o caso, -Kakashi notou que a notícia abalara os nervos do Técnico e sabia que isso era altamente prejudicial -o que aconteceu foi que a análise feita não computou TODAS as possibilidades, só notamos o erro quando a análise foi refeita, como manda o protocolo, e ela não bateu com a primeira. Chamei o Computador aqui para lhe mostrar que não há nada de errado com as máquinas do ponto de vista estrutural, não há nenhuma peça com defeito.

-Ainda assim, apresentam-se falhas.- Itachi recebia uma pasta das mãos de Jiraiya, analisava cuidadosamente cada folha para ter certeza de que, pelo menos ali, não fora cometido nehum erro.

-Esta análise foi feita com os meus melhores homens, pessoalmente supervisionada por mim.

O comentário de Jiraiya não tornou a análise mais confiável, seu comportamento quando entrou na sala provava, a Itachi, que ele não era mais digno de confiança que um mero Tempista cuidando de assuntos da Eternidade.

Itachi estava, agora, de volta a uma cápsula rumando para o século 575, onde ficava o seu Setor, ou seja, onde trabalhava. Ele havia encerrado a reunião e requisitado uma nova máquina para análises de Mudanças de Realidade para o Setor do século 2456. Até que a nova máquina chegasse, ele adiou a concretização da Mudança, os riscos eram muito grandes para que se fizesse uma.

Durante a viagem de volta no tempo-abaixo, ele não conseguia para de pensar no que se passou:

Um erro na Eternidade? Não me parece possível! Mas, se não foi um erro, foi sabotagem, e não consigo pensar em ninguém que possa querer sabotar o próprio Tempo. Nesse caso, a única solução lógica seria que alguém provocou esse erro, mas com um propósito benigno.

À mente treinada de Itachi parecia até...uma estranha Mudança de Realidade na própria Eternidade...

Fim do cap01

(N da A)

¹: Não sei se o nome do Sandaime era exatamente esse mas, segundo o mangá, ACHO que é. Outra coisa, eu sei que o Orichibicha matou o Sandaime, mas vamos fazer de conta que nada disso aconteceu, tá?(vamos voltar no tempo ;D)

²: No livro não há menção nenhuma a um Porto, mas eu achei que cabia na história, então adicionei XD

Resposta à review:

Arigatou Lady Purin Aoi!! primeira review é sempre especial!! Sobre o título da fic: sim, é paradoxo, tinha essa funçao mesmo, mas ao longo da fic vai tendo outros significados que só o leitor/a poderá identificar n.n (vc notou que eterno tem 'e' maiusculo no titulo? se não notou, olhe de novo, te garanto que tem importancia n.n) sobre a frase que vc gostou: eu tava me referindo (tbm, pq a frase é ambigua) a Eternidade no sentido de uma entidade, como deve ter dado pra notar nesse cap

Espero que tenha gostado, mas, se não gostou, calma que ainda tem muito mais pela frente n.nd

reviews-sempre cabe mais uma n.nd