Título: Quinze anos
Classificação: K+
Capítulos: 2/3
Completa: [ ] Sim [x] Não
N/a: Obrigada à Nanaspn e Maria C Wesley, que contribuíram com reviews! Reviews são o combustível de qualquer ficwriter! :)
E aqui vamos nós para Katniss-cabeça-dura, parte II... hahaha
15 anos
Capítulo 2 – Como seria?
Estava escuro e frio do lado de fora, e Peeta ainda não havia voltado para casa. Katniss não estava preocupada, às vezes ele trabalharia até um pouco mais tarde, quando havia uma encomenda ou algo do tipo. Mas ela havia tido um dia ruim, e o queria ali com ela.
-Você chegou. - ela disse, quando ele finalmente atravessou a porta da sala.
Ele sorriu.
-Dia longo.
Ela o abraçou apertado.
-Eu vou chegar tarde mais vezes se você me abraçar dessa forma sempre que isso acontecer.
-Eu senti sua falta.
-Nós almoçamos juntos. - disse ele, só para provocar.
-Eu senti sua falta. - ela repetiu.
-Eu também senti sua falta. - ele disse, sabendo que, para ela agir daquela forma, ela provavelmente tivera um dia ruim.
Ele desceu as mãos pelas costas dela, inalando o perfume de seu cabelo.
-Você está trabalhando em algo especial? Alguma encomenda?
-Não. Eu estava ensinando Thally a fazer os rolinhos de caramelo.
-Os rolinhos de caramelo? Aqueles que cheiram maravilhosamente bem e que sempre acabam rápido na padaria?
-Sim, esses rolinhos de caramelo.
Ela o soltou, segurando apenas sua mão e o olhando nos olhos.
-Você é sempre tão protetor com a receita destes rolinhos... é uma receita de família. Por que você os ensinou ao Thally?
-Por que ele é um bom garoto e esperto o suficiente para aprender. Faz um ano que ele está trabalhando comigo e talvez um dia eu precisarei da ajuda dele.
-O que você quer dizer?
-Katniss, eu não vou ser jovem para sempre. Eu preciso de um aprendiz. Eu aprendi o ofício com meu pai, que aprendeu com meu avô. É uma tradição, assim como os rolinhos de caramelo. E já que eu não vou ter filhos meus, eu preciso escolher alguém para cuidar disso depois que eu não estiver mais aqui.
Duas coisas machucaram Katniss nesse discurso. O 'depois que eu não estiver mais aqui', por que ela não conseguia imaginar coisa alguma fazendo sentido na presença daquela frase. E o 'eu não vou ter filhos meus.' Era apenas um punhado de palavras juntas, mas o significado...
Significava: Ele havia desistido de convencê-la a ter filhos. Que mesmo ele querendo muito, ele não teria filhos com ninguém que não fosse ela. Que, mais uma vez, ele estava tentando fazê-la feliz colocando os desejos dela acima dos próprios desejos.
E que ela estava sendo egoísta, teimosa e infantil.
Novamente.
-Peeta...
Ele colocou um dedo sobre os lábios dela, a silenciando com aquele ato.
-Está tudo bem. Eu tenho tudo que preciso. Eu tenho você. - ele disse, dando um suave beijos nos lábios dela e então se afastando para as escadas.
De certa forma, aquilo era pior do que se ele estivesse zangado e brigado com ela sobre o assunto.
~X~
O que se seguiu foi noite após noite mal dormida para Katniss. Não por causa de pesadelos, não dessa vez. Ela permaneceria acordada muito tempo depois da respiração de Peeta ter ficado constante e tranquila, o único ruído preenchendo o ambiente. Ele dormia pacificamente, nenhuma culpa preenchendo sua mente, diferente dela.
Ela olharia para o lado de fora da janela aberta e pensaria. Pela primeira vez ela se deixou realmente imaginar como seria ter um filho de Peeta. A criança teria seu tom canela de pele e cabelos escuros? Os cachos loiros de Peeta? Seu jeito teimoso e o grande coração de Peeta mesclados? Peeta ficaria mais feliz com um menino ou uma menina? Dentre tantas perguntas, havia uma coisa que ela tinha certeza: Ele seria um ótimo pai.
E é injusto deprivá-lo disso, deprivar uma criança de tê-lo como pai, pensou ela certa manhã. A mão que segurava a infusão de ervas congelou. Ela não beberia aquele dia. Ela iria esperar... e ver o que aconteceria.
Ela saiu de casa, ainda um pouco cansada com a noite mal dormida. Mas era uma quarta-feira, dia de coletar ervas na floresta, algo que ela precisava fazer.
Caminhando pelas ruas, pela primeira vez ela prestou atenção às crianças pelo caminho. Crianças com mochilas indo para a escola, ou crianças menores, correndo pelas ruas em brincadeiras inocentes. Crianças com as feições típicas do Seam, mas, aqui e ali, algumas cabecinhas loiras, uma e outra bonita mescla de características.
Ela estava andando devagar, observando um grupo de garotos rir enquanto corriam. O menor deles tentava acompanhar com suas pernas curtas, mas estava mais para trás. Sua cabeça era cheia de cachinhos loiros. Enquanto ela observava, o garotinho tropeçou nas próprias pernas e foi ao chão, e, com a reação rápida que era de seu feitio, ela correu para o menino.
-Ei, você está bem?
O menino ergueu os olhos para ela - olhos do Seam - e rapidamente disfarçou a careta de choro, concordando com a cabeça. Ela o ajudou a se colocar em pé e sacudir a sujeira de suas calças.
Então ele se virou para se juntar aos outros garotos que estavam parados observando, mas antes, rápido e muito timidamente, deu um sorriso a Katniss.
Ela ficou agachada no mesmo lugar, observando o grupo de crianças se afastar, um sentimento novo e estranho em seu peito.
Em um breve momento, ela imaginou que aquele poderia muito bem ser seu filho, seu e de Peeta. Um garotinho que sorrisse para ela pelo simples fato de que ela era sua mãe.
E de repente a pergunta Como seria?tinha uma resposta.
Ela precisava falar com Peeta.
Mas as coisas não iriam ser fáceis. Por que estava ensinando seu aprendiz ou por qualquer outro motivo, Peeta estava voltando tarde para casa todas as noites. Ele nunca estava com disposição para longas conversas, ou o que quer que fosse.
Mais do que isso, ele estava a evitando, e isso era realmente estranho, para alguém como Peeta. Certo dia ela foi até a padaria para falar com ele. Mas a padaria estava fechada, e ele não estava em casa ainda.
Em um segundo de pânico, Katniss pensou que ela finalmente havia conseguido perdê-lo. Que ele estava cansado dela, e era por isso que a estava evitando. Talvez ele até mesmo estivesse vendo outra pessoa.
Ela havia pedido por aquilo, Katniss pensou amargamente. Ela havia procurado por aquilo.
