Disclaimer: Esses personagens não me pertence e sim a TNT e James Duff.
Obrigada a todos que se dispuseram a ler e deixaram seus comentários. Espero continuar cumprindo com suas expectativas. :)
Capítulo 2
Brenda encarou a ambulância saindo e respirou fundo, ela não sabia o que sentir. Ela estava triste, pois por mais que não gostasse da Capitã, o que havia acontecido aqui era cruel demais.
A delegada olhou ao redor e viu sua equipe recolhendo provas, tirando fotos e documentando tudo. Ela não podia fazer muito ali, o beco era sem saída e tudo estava fechado naquele horário, o que descartava qualquer testemunha. A única pessoa que poderia dar qualquer pista era Sharon.
De repente Buzz parou e congelou no lugar, ele tinha um olhar triste em seus olhos e olhava para o chão, as mãos dele ficaram um pouco trêmula, pois a primeira coisa que pensou foi em sua irmã.
Provenza foi até onde ele estava, curioso em saber o que o fez parar. Os outros da equipe fizeram o mesmo. Brenda fechou os olhos e saiu de perto quando viu os farrapos do que parecia ser uma calcinha.
"Ensaquem isso". Ela começou. "E qualquer outro pedaço de roupa que encontrarem".
Brenda começou a ficar inquieta ao ver que estava sendo um pouco inútil ali, ela precisava de ar, pensar um pouco. Ela se encolheu ao lembrar de um dos casos que tivera quando ela quase foi vítima de estupro, ela passou dias sem dormir ou até comer. Brenda nem podia começar a imaginar o que Sharon estava passando. Provenza a encarou com conhecimento de causa e falou com ela:
"Chefe, você pode ir até o hospital". Ela o encarou confusa por um momento.
"O que?"
"O hospital, você pode encontra-los lá". O Tenente repetiu. "Eu sei que você está querendo ir para tentar descobrir alguma pista. Nós ficaremos bem, não se preocupe".
"Você tem certeza?"
"Claro que sim" Ele afirmou enquanto olhava para os outros que afirmaram também.
Brenda não precisou ser instruída novamente, apenas balançou a cabeça e encarou Fritz, ele iria com ela de qualquer maneira. Quando eles estavam saindo do beco Provenza a chamou e a aconselhou:
"Seja gentil"
Brenda o encarou intrigada e voltou para questiona-lo, mas Fritz a puxou suavemente. A loira não queria admitir que ela tinha tendência a esquecer os sentimentos dos outros quando estava focada em algum caso e sabia que teria que se segurar e prestar atenção ao que falava, o assunto já era sensível o suficiente.
Não demorou muito para eles chegaram ao hospital, assim que entraram ela mostrou o distintivo e informou a situação. A enfermeira indicou o local e ela seguiu apressada para lá, Fritz quente em seus calcanhares.
Jack foi acordado pelo toque do celular e bufou em frustração, quem ligaria uma hora dessas da noite?
"Jack Raydor". Ele falou irritado. "O que? Ok, estou a caminho".
Gemendo em frustração, Jack saiu da cama e começou a se vestir, ele esperava que Sharon estivesse bem. Da última vez que foi chamado para o hospital por ser o marido dela, ele foi despachado assim que ela acordou e percebeu que ele estava lá.
"Baby, onde você vai?" A mulher na cama perguntou ainda sonolenta.
"Emergência familiar, querida. Estarei de volta em algumas horas, não se preocupe".
"Ok, tenha cuidado". Ela retornou ao travesseiro.
Pegando suas coisas, o advogado deu a volta na cama beijou os lábios da mulher e escreveu uma nota de que essas últimas semanas haviam sido fantásticas, mas ele era um espírito livre e já era tempo de ir.
Assim que Brenda e Fritz entraram no segundo andar eles podiam ouvir vozes alteradas e uma delas era de Andy, a delegada suspirou frustrada, isso seria uma longa noite.
"Tenente, o que diabos está acontecendo?"
"Chefe, graças a Deus". Andy parecia a ponto de explodir e ela o viu cerrando os punhos em uma tentativa de não socar o médico. "Ele não me deixa entrar".
Brenda encarou o médico com olhos cerrados. "Você tem uma explicação plausível para isso?"
"Sim". O médico estufou o peito e encarou em desafio. "Ele não é família".
"Pelo amor de Deus... você só pode está de brincadeira comigo". Brenda se exasperou. "Ele contou a você a gravidade da situação?"
O médico a encarou surpreso e por um momento não soube o que dizer, desde o momento que viu a mulher na maca ele a levou para o quarto para o checkup de emergência, mas antes de fazer isso Andy pediu para entrar junto com ela e a discussão se acalorou.
"Olhe.. você tem que entender.."
"Não, você tem que entender". Brenda o cortou. "Eu sou a delegada assistente da LAPD, esse é um dos meus Tenentes e a mulher lá dentro é uma Capitã que foi agredida".
Andy tentou não sorrir quando viu a cor sumir lentamente do rosto do médico, o outro homem pareceu atordoado, mas começou a entender a situação delicada.
"Primeiro precisamos que você faça todos os exames necessários, fotografe tudo e..." Ela parou respirou fundo e encarou o homem. "Precisamos de um kit de estupro, não sei a gravidade física ou emocional dela nesse momento. Ela está completamente aterrorizada e o único que conseguiu acalma-la até agora foi o Tenente Flynn. Ele vai entrar lá e ajudá-los no que for preciso. E acredito que não tenho que pedir discrição".
"Ok... Eu.."
"Fui clara?" Brenda o cortou e estreitou os olhos novamente.
"Sim, como água". O nervosismo dele era palpável e ele encarou o Tenente. "Se o senhor puder me acompanhar..."
Andy não foi perguntado uma segunda vez, apenas seguiu apressado ao lado do outro homem. Assim que chegaram ao quarto Andy sentiu o desejo de socar o homem novamente, sozinho com Sharon estava um enfermeiro. Não era preciso um especialista para ver que ela estava aterrorizada e encarava cada movimento do homem.
"Ei, Sharon". O tom dele era baixo e ele andou com cuidado até ela. Mas ela não pareceu notar que ele estava ali, seus olhos não deixavam o enfermeiro.
Andy chegou mais perto e a tocou delicadamente, ele soube assim que ela pulou para longe dele que tinha sido uma péssima ideia.
"NÃO!" O grito apavorado quase a derrubou da cama.
"Sharon, tudo bem. Sou eu, olhe.. sou eu, Andy".
"Andy?" Ela desviou o olhar do enfermeiro e o encarou aterrorizada. Isso estava preocupando Andy extremamente, ele sabia o quanto traumatizante foi tudo isso, mas era difícil ver Sharon desse jeito.
O médico ao ver a reação dela chamou o enfermeiro e o mandou embora. Ele soltou o ar quando viu ela relaxar, mas agora ela encarava o médico tentando avaliar se ele era uma ameaça e viu que isso não daria certo.
"Doutor". Andy começou e esperou que esse idiota entendesse o que ele pediria. "Olhe, você pode ver que ela está receosa com você aqui. Eu acredito que uma médica seria melhor para ela nesse momento".
O médico estava a ponto de retrucar quando viu que ele tinha razão, ele podia ver que ela precisava de cuidados imediatos e tentar convencê-la de que ele não a machucaria levaria um tempo que eles não tinham.
"Ok. Vou chamar minha colega e pedir que uma enfermeira venha com os materiais necessários".
Assim que o médico passou pela porta Andy viu Sharon respirar fundo e fechar os olhos por um momento. Ela se agarrou ainda mais ao seu casaco e pequenos tremores tomaram seu corpo. Isso o deixou preocupado, ela parecia estar entrando em choque.
"Eu quero ir para casa". O sussurro dela fez seu coração se apertar um pouco.
"Em breve, Sharon".
"Andy, por que você ainda está aqui?". A pergunta o deixou sem palavras por um momento. Ele não sabia a resposta exata, mas sabia que agora não queria deixar seu lado. Então ele falou a verdade mais próxima.
"Eu.. eu só quero ter certeza que tudo vai ser feito direito". Ele deu de ombros. "Você quer que eu vá embora?"
"Você vai me machucar?" Ela o questionou séria.
Andy a encarou surpreso e atordoado, ele ficou sem saber o que dizer por um momento. Encarando-a ele sentiu seu coração se apertar quando viu que ela estava falando sério. Os olhos dela estavam brilhantes e temerosos esperando por sua resposta.
"Ei, eu nunca vou machucar você. Ok?" Ele havia se aproximado e falado firme, mostrando que não estava mentindo.
"Ok". Ela tentou sorrir, mas o machucado em sua bochecha a impediu e ela fez uma careta ao invés.
A porta do quarto de abriu e Sharon saltou encarando a pessoa que entrou, Andy também foi pego desprevenido e deu um passo à frente com a mão já na arma.
"Uau... devagar aí caubói". A médica se assustou e colocou as mãos na frente em rendição.
"Desculpe".
"Tudo bem". Ela sorriu e se aproximou, a enfermeira que estava ao seu lado também entrou cautelosa. "Então... Você deve ser a Capitã Sharon Raydor, certo?".
Sharon apenas acenou e olhou rapidamente para Andy, o quarto ainda girava um pouco e sem seus óculos ela não enxergava bem, naquele momento ela dependia do julgamento do Tenente.
"Ok, Sharon. Eu sou a Dra. Allison Mayer e hoje cuidarei de você". Ela sorriu em simpatia e começou a avaliar cada ferimento à vista, ela havia lido o boletim de ocorrência da emergência e sabia que esse tipo de agressão era sempre difícil de trabalhar. "Essa é a enfermeira Maddie, ela vai precisar tirar algumas fotos. Tudo bem com isso?"
Sharon afirmou novamente e seus olhos encheram-se de lágrimas, ela estava com dor, confusa e terrivelmente envergonhada. E agora ela precisava passar por tudo isso antes de poder ir para casa.
Allison sorriu e falou baixinho com a enfermeira instruindo a tirar fotos dos ferimentos e como deveria ser feito o relatório. Mas antes de iniciar viu que Sharon tremia e os olhos dela pareciam desfocados, ela estava se agarrando cada vez mais no casaco em que estava enrolada. Preocupada a médica se aproximou com uma pequena lanterna.
"Sharon, eu preciso fazer um pequeno exame, ok? Eu posso tocar em você?"
Andy assista à interação das duas mulheres e ficou extremamente aliviado ao ter pedido a troca dos médicos. Ele estava impotente diante do sofrimento de Sharon e não podia dizer que entendia completamente o que ela estava passando, a única coisa que ele podia sentir era raiva pelo homem que ousou machucar a mulher na cama. Mas ver a suavidade que Dra. Mayer falava com ela tomando o cuidado de não a traumatizar era tocante.
"Ok, Sharon. Vamos fazer tudo rápido, certo? Você está entrando em choque e não queremos isso". Ela olhou para a enfermeira e deu um pequeno aceno. "Esse casaco é seu?"
"É do Andy". A voz dela estava mais rouca que antes e ele imaginou que fosse dos gritos que ela havia dado.
"Você vai precisar entregar a ele, certo? Vamos colocar você com o vestido do hospital para poder tratá-la melhor. Você pode fazer isso?"
Andy percebeu que Allison a tratava como uma criança, com palavras simples e clara. Porém, não era isso que o estava deixando preocupado e sim que a Capitã pareceu não se importar, apenas seguindo as ordens.
Quando Sharon retirou o casaco ele se encolheu ao ver sua roupa destruída e sangue por toda parte. Ele sentiu um nó na garganta e sua fúria borbulhou, que Deus o ajudasse quando encontrasse o bastardo que fez isso.
A médica pegou o casaco e oferecido para Andy segurar, foi então que Sharon viu que ele ainda estava lá e olhando para ela. Seu rosto mostrou a vergonha que estava sentindo e ela se cobriu rapidamente.
"Oh.. eu posso esperar lá fora". Andy se prontificou assim que ela mostrou vergonha.
"Não. Fique por favor". Sharon pediu com medo de ser deixada sozinha com estranhos. "Só.. você pode ficar de costas?"
"Claro". Andy fez como foi instruído e ouviu os flashes da câmera ser disparado.
Pareceu uma eternidade para ela, flash atrás de flash era disparado em sua direção. A dor era mais emocional do que física para ela, a sensação de estar suja inundava seus sentidos e ela queria que tudo isso não passasse de um pesadelo.
A médica estava sendo paciente e educada, a guiando suavemente para cada posição e dizendo o que fazer. Quando ela estava nua e virou de costas para retirar mais fotos ela ouviu a enfermeira respirar mais fundo e se espantar, Sharon não pode deixar de se encolher um pouco com isso. Lágrimas voltaram a cair novamente, ela não conseguia ver o que o homem tinha feito em suas costas e não queria saber, por enquanto. Ela estava sobrecarregada demais.
Andy estava esperando pacientemente, porém ao ouvir o espanto da enfermeira ele se virou e deu de cara com as costas de Sharon. Ele congelou por uns segundos enquanto via as marcas de mordidas, mas foi o corte que chamou sua atenção. A marca era pequena, mas dava para distinguir todas as letras e a palavra 'vadia' brilhava com seu sangue carmesim. Andy não lembrava de ter visto nenhuma faca no beco e guardou a informação para conversar com os outros depois.
Mas o que via o deixou abalado, lágrimas queimava em seus olhos, mas ele se manteve firme. Andy também podia ver que um pouco abaixo da costela havia um corte mais profundo que ainda sangrava e podia ver a preocupação no rosto da médica e isso o deixou preocupado também.
Com o nó na garganta ainda mais apertado, Andy virou novamente e tentou conter a raiva que borbulhava no seu interior. Ele estava determinado a encontrar o filho da mãe que a machucou tão severamente. Ele não pensava mais em justiça, sua cabeça estava mais próxima de um assassinato.
"Ok, Sharon, acabamos com as fotos". O aviso de Allison tirou Andy de seu devaneio assassino. "Você pode colocar esse vestido".
Sharon fez como pedido e tentou se acomodar, mas ela ainda estava extremamente desconfortável, pois sabia qual seria o próximo passo. A médica podia ver nos olhos dela isso também e decidiu resolver isso de uma vez.
"Você já sabe o que vem a seguir, não é?"
Sharon apenas afirmou e fechou os olhos, Andy tinha voltado a seu posto ao lado dela e por um momento ele ficou confuso com essa pergunta até que viu a enfermeira abrir um kit de estupro. O Tenente sentiu o coração acelerar e ficou aterrorizado por ela.
"Doc, isso vai machuca-la?". A pergunta sussurrada dele fez a médica sorrir um pouco com a preocupação em seu rosto. Ela não sabia a história desses dois ou se eles tinham uma história. Mas ver o quanto ele estava disposto a protegê-la era cativante.
"Não. Será um exame rápido". Ela sorriu para ele, tentando ser o mais confiante possível. "Porém, se tornará incômodo para ela. Se você puder pegar em sua mão..."
Andy encarou Sharon e viu que ela ainda estava com os olhos fechados, mas lágrimas derramam por seu rosto agora. Então ele fez como a médica instruiu e puxou uma cadeira ao lado da cama.
"Ei". Ele sussurrou chamando a atenção dela e em seguida encarou o par de olhos verdes em sua frente. Por um instante ele se perdeu neles, absorvido pela força que eles emanavam, mesmo que pouca. Foi só nesse momento que Andy percebeu que não conhecia verdadeiramente essa mulher. A armadura que ela usava todos os dias dessa vez estava fora e ele conseguia ver cada emoção passando naquele mar verde. Andy só descobriria bem mais tarde que essa seria sua perdição.
"Ei, você ainda está aqui". Ela sussurrou com a voz embargada.
"Você me pediu para ficar".
"Obrigada, Andy" Ela sorriu um pouco. "Obrigada por atender o telefone".
"Não precisa agradecer, você fez o mesmo por mim, lembra?"
Sharon lembrava bem, todo aquele sangue ao redor e ele gritando com os paramédicos. E deixando claro que ele havia atirado no homem, mas a parte mais assustadora foi quando ele perdeu a consciência, ela nunca se sentiu aterrorizada por outra pessoa numa cena de crime. E pensando nisso agora, ela se arrependeu de não ter ido com ele na ambulância. Ela ainda não sabia o que sentir em relação a esse Tenente, pois quanto mais eles brigavam e pareciam se afastar mais eles se atraiam.
"Acho que já chega de ligações tarde da noite, de algum modo sempre paramos em hospitais". O humor estava voltando lentamente para ela e Andy podia ver a Sharon de sempre aparecer, mesmo com os tremores no corpo e o olhar meio desfocado.
"Por mim tudo bem".
Enquanto ela balançava a cabeça em concordância, um movimento de Allison a fez saltar e se encolher. Andy segurou sua mão com força e começou a sussurrar palavras encorajadoras e que a distraísse. O tenente ficou feliz em ver ela se focando totalmente nele, mostrando a confiança que tinha nele. Andy nunca ficou tão grato.
"Pronto, tudo feito". Allison sorriu abertamente. Ela substituiu as luvas por outras e pegou um algodão embebido de álcool. "Agora começaremos outra fase, vamos tentar limpar essas feridas, ok?".
Andy e Sharon se encaram e afirmaram. Allison começou o trabalho e tentou ser o mais rápida possível, ela queria terminar com isso para que a Capitã descansasse e começasse o processo de recuperação.
Quase dez minutos depois Sharon estava com todos os ferimentos limpos e revestidos cuidadosamente. A facada nas costelas levou alguns pontos, mas não era tão fundo ao ponto de preocupação. A palavra 'vadia' foi encoberta com um curativo. O pé dela também não estava tão ruim como pensavam e a médica colocou uma tala para ela usar por alguns dias. Ela retirou um pouco de sangue também, precisava saber se ela estava contaminada com alguma coisa.
Allison assim que terminou cobriu Sharon com dois lençóis e conseguiu para ela uma xícara de chá para mantê-la quente e retardar o estado de choque que ela estava começando.
Porém, antes de sair Allison entregou algumas pílulas para ela: "Sharon, essas pílulas são um coquetel que evitará que você tenha qualquer DST que seu agressor possa ter".
Sharon afirmou e estendeu a mão trêmula e engoliu os comprimidos com um gole de chá.
"Pela manhã voltarei com a pílula do dia seguinte. Acredito que você ainda tenha o risco de engravidar?".
"Sim". Sharon sussurrou e enrubescer. Mas então tentou não pensar nas consequências dessa atrocidade.
Andy observou tudo com olhos de falcão e se certificou que tudo estava correto. Ele não queria que mais nada a incomodasse ou a deixasse ainda mais assustada. Allison foi gentil o tempo todo e depois que ela viu que tudo estava em ordem, mandou Sharon descansar, pois ela ficaria em observação. Andy agradeceu a médica e pediu que ela conversasse com a Chefe Jonhson sobre todos os detalhes do ataque, era muito importante para o início da investigação.
Sozinhos na sala, Andy ficou um pouco mais tranquilo, aqui ele podia ficar de olho nela e não se preocupar com intrusos.
Não tinha se passado duas horas quando Andy se sentou alerta depois de entrar num estado de sonolência. Ele podia ouvir um pequeno alvoroço no lado de fora, as vozes de Provenza e Brenda se elevaram e ele ouviu passos se aproximando da porta. Olhando rapidamente para cama ele viu que Sharon dormia, ele havia conseguido a autorização da médica para ela dormir mesmo após o diagnóstico da concussão. E ele não deixaria que ela fosse acordada por algum idiota.
Saindo do quarto ele deu de cara com Jack Raydor.
"O que diabos está acontecendo aqui?" O tenente esbravejou com raiva.
"Andy? O que você está fazendo aqui? E no quarto da minha esposa?".
Andy bufou e tentou não socar esse homem. Ele era tão arrogante e prepotente que o Tenente não conseguia entender como passou tantas noites enchendo a cara com ele.
"Jack, quem lhe chamou aqui?"
"O hospital, já que meu amigo esqueceu de fazer isso".
"Não somos amigos". Andy queria deixar isso bem claro e Jack apenas revirou os olhos.
"Olhe... Eu só quero falar com Sharon rapidamente e ver como ela está. Ela é uma garota forte e esse tiro ou sei lá o que, não vai afetar muito ela. Sharon estará nova em folha em breve".
"E quem lhe disse que foi um tiro?"
"E o que poderia ser?" Jack pareceu confuso. "Ela é uma policial, pelo amor de Deus. Vocês trabalham com armas, que outro motivo ela teria para estar num hospital?"
"Jack, você é um idiota". Raiva começou a construir em Andy, novamente e ele sabia que se não mandasse Jack embora com certeza a FID estaria ali, pois ele ia descarregar a arma na cara cínica do homem.
"Vá para o inferno, Andy". Jack quase gritou. "Agora saia da frente, eu vou falar com minha mulher".
"Você não vai, a médica disse sem visitas".
"E mesmo assim você estava lá". Debochou Jack e tentou passar por ele.
Andy ficou na frente da porta e cruzou os braços, ele não deixaria esse homem entrar de jeito nenhum. Nem que para isso ele precisasse dar uma surra nele.
"Qual o seu problema, Andy? Da última vez que eu soube, você e minha amada esposa se odiavam. O que aconteceu?" A provocação de Jack não surtiu efeito, Andy permanecia com a cara fechada e sem expressar nada. Ele não piscou ou se mexeu, apenas esperou que Jack se afastasse. "Espere... vocês dois... É claro. Ela abriu as pernas para você, garanhão? É por isso que você resolveu ser seu segurança particular?"
Andy tentou manter o temperamento baixo, mas Provenza e Brenda que o conhecia muito bem viram a pequena veia em seu pescoço saltar. Julio e Tao que observavam calados se aproximaram lentamente, eles estavam preparados para segurar Andy se fosse preciso. Pois por mais que eles quisessem bater em Jack agora, o infeliz tinha o direito de estar ali.
"Vamos lá, Andy. Você pode me dizer, eu sei o quanto fácil ela pode ser. Ela é resistente no começo, como se não quisesse, mas sabemos que ela gosta". Jack sorria agora debochado, a voz se elevando. "Só vou avisando que não espere muito, aquela ali esfria logo, a senhora rainha do gelo não se afeiçoa por muito tempo. Você vai ter que forçar às vezes, você sabe, para poder se agradar".
A insinuação por trás das palavras de Jack foi demais para Andy, principalmente nessa noite. Ele queria matar Jack Raydor com as próprias mãos e foi só nisso que ele pensou quando desferiu um soco no nariz do advogado jorrando sangue ao redor.
"ANDY, NÃO!" Brenda gritou e encarou sua equipe.
Julio e Tao seguraram, ou tentaram segurar Andy, mas sabiam que ele iria revidar até chegar a Jack. Então eles viram Provenza e Gabriel afastando o advogado pela gola da camisa. Fritz foi até onde Andy estava para ajudar a acalma-lo enquanto Brenda pensava no processo que Andy receberia em breve por causa do idiota.
Contudo, a delegada não podia repreender seu Tenente, eles ficaram chocados com as palavras do outro homem e ela sabia que cada um deles queria bater no idiota. Mas esse era um péssimo momento.
Allison que havia escutado tudo se aproximou do pequeno grupo e encarou o homem.
"Não se preocupe, Tenente. Acho que vou ver se o nariz dele não está quebrado". Eles podiam ver o sorriso malicioso dela e sabiam que Jack ficariam mais dolorido do que esperava.
"Você ouviu, Andy. Ela cuidará do idiota". Brenda falou e encarou seu Tenente. "Você precisa voltar lá para dentro".
"Mas se ele voltar..."
"Ele não vai, eu me cerificarei disso". Fritz falou e encarou a esposa com um sorriso.
"Sharon agora se tornou família, e protegemos a família". A voz de Julio fez Andy de sentir mais confiante em retornar a seu posto de vigilância.
"Quando ela se tornou família?" Ele quis saber agora mais calmo, e um tanto surpreso com essa afirmativa.
"Quando ela livrou nossas bundas de um processo alguns meses atrás". Brenda sorriu. "Mas principalmente por ter ligado para você hoje à noite e nos ter confiado em resolver esse caso. Mesmo que ela se machuque no processo".
"Obrigada, Chefe". Andy agradeceu com um sorriso, mesmo sem saber ao certo o que estava agradecendo. "E eu vou dizer isso a ela quando acordar, ela ficará contente. Eu acho."
Os outros sorriram da sentença dele e o viram abrir a porta do quarto.
"Andy, tente descansar também. Nós iremos embora, mas passaremos aqui pela manhã". Brenda respirou fundo. "Iremos questiona-la amanhã sobre o ataque. E eu preciso de você para acalma-la".
Andy afirmou e baixou a cabeça triste, a manhã seguinte seria torturante. Ele esperava que fosse forte o suficiente pelos os dois.
Continua...
