Título: Onde canta o sabiá
Ficwriter: Kaline Bogard
Classificação: yaoi, comédia, RA
Pares: AyaxYohji
Resumo: A trilogia se encerra com uma viagem ao maior país da América do Sul, numa missão nada rotineira...
Aviso: essa fic faz parte de uma trilogia chamada "Viagens" e é equivalente ao episódio 03 da saga (vindo logo após Dia de los muertos). Em cada 'episódio' os Weiss estarão viajando para um país diferente. Não é preciso ler as três para entender a história, ou seja, as três são independentes. Aqui se encerra mais uma insanidade!
Onde canta o sábia
Kaline Bogard
Capitulo II
As dificuldades se multiplicam...
O clima tenso aumentava segundo a segundo. Todos os expectadores aguardavam que Aya ou Evil explodisse de uma vez...
Foi quando a porta se abriu, e Lady entrou com a maior cara deslavada da face da Terra.
(Lady) Merda... acabou a gasolina do meu carro. Evil, me adianta um 'quarqué'?
(Evil ò.ó) O QUE?!
No mesmo instante a hostilidade se evaporou como num passe de mágica. Finalmente se pôde respirar livremente.
(Lady) Olha, pra você ver que sou uma pessoa sensata, tenho um acordo a lhe propor: eu banco a babá do loiro ali, e você não desconta a minha falta de ontem. O que acha?
(Aya ¬¬) Não.
(Yohji)...
(Evil) Vai sonhando.
(Lady) Sabia que você não ia aceitar. Merda.
(Evil) Vou lhe propor um acordo: você trabalha hoje, cuida dos quatro, e vou pensar se não desconto um terço do seu salário pela gafe de ontem.
(Lady) Justo. Aceito.
(Todos O.O)!!
(AKemi) Simples assim? Não vai nem brigar?
(Lady) E eu sou besta? Se eu brigo agora vou ter de dar o fora, e ficar longe desses quatro... er, três gatinhos! Até parece...
(Aya -.-) Garota bem inconveniente.
(Evil) E eu não sei disso?
(Lady ¬¬) Ei.
(Evil) Sou Evil Kitsune, mas vocês já parecem saber disso. Seus nomes...?
(Omi) Tsukiyono Omi, Hidaka Ken, Fujimiya Aya e Kudou Yohji. Prazer.
(Evil) Hn.
(Akemi) Oh! Estou atrasada! Adeus, pessoal! A gente se vê na hora do almoço.
(Lady) Bye! Quem vai me ajudar na Angels?!
(Omi sorrindo) Eu vou.
(Ken) Também vou. É algo pra se fazer.
(Aya) Quero ver os arquivos da equipe.
(Evil) Venha comigo.
(Yohji) E eu?
(Lady sorrindo) Vem pra Angels!
(Aya ¬¬) Kudou...
(Yohji) Ah, ha, ha, ha... vou ver os arquivos da equipe...
(Lady piscando) Você é quem sabe!
E sem mais demora, o grupo se dissolveu.
Aya e Yohji seguiram a brasileira ruiva, notando que ela não parecia cansada, mesmo tendo acabado de chegar e ter enfrentado um treinamento da Kritiker. Com certeza era uma garota dura na queda. Aquela era uma das qualidades que atraíram a organização.
(Evil) Aqui está tudo o que temos sobre as Freaks. Não é muito...
(Aya) Hn.
(Yohji) Basta pra se distrair um pouco.
Mostrou os arquivos organizados e bem arrumados. Apesar da negação, havia bastante coisa ali. Com certeza estudar o caso exigiria horas.
Entediado, o playboy suspirou. Preferia ficar com os garotos na vídeo locadora, mas não provocaria Aya. Sem outra escolha, sentou-se ao lado do amante no sofá da sala de missões da Silber Kreuz e tratou de imitar Evil e o espadachim, que começaram a folhear as diversas pastas guardadas ali.
oOo
Entrementes, na Angels, mal Lady abriu o local, diversos clientes adentraram e se espalharam entre as prateleiras. Eram todos jovens rapazes.
(Omi sorrindo) A locadora é requisitada.
(Lady suspirando) São apenas uns fãs chatos. Mas alguns são bonitinhos.
(Ken) Ei! Alguns garotos menores de idade entraram na seção de filmes pornôs!
(Lady) Deixa os pivetes sonharem. Qual o problema?
(Omi o.o"")...
(Ken o.o"")...
Aquela garota era realmente uma relaxada.
(Lady sorrindo) Esqueci de colocar o uniforme. Vocês seguram as pontas enquanto eu troco de roupa? Qualquer dúvida é só olhar ali, no catálogo de preços ou no computador e... ah, vocês são Weiss, vão se virar bem. Conto com vocês!
(Omi) certo.
(Ken) Deixa com a gente!
(Lady) Não demoro!
Mas a garota só reapareceu na hora de fechar a Angels, quando os Weiss já haviam se dado conta de que caíram em um engodo.
oOo
À noite, as equipes se reuniram na sala de missões da Silber Kreuz. Evil já pegara no pé de Lady, pela mesma ter matado o trabalho na Angels e garantira que descontaria pelo menos metade do salário da espertinha que, aliás, estava quietinha em uma das poltronas.
(Akemi) Rox não demora a chegar.
(Omi) Rox? (1)
(Evil) Rouxinol. É o secretário da Kritiker.
(Ken) Ah! Algo como a Manx?
(Yohji) Legal! Teria um Pérsia? O cara por trás das sombras, que passa as ordens através do vídeo...
(Akemi) Deve estar falando de Faisão.
(Yohji) Faisão? Todos têm codinomes de pássaros por aqui? Teria alguma 'galinha', he, he, he...
O playboy foi mirado com impaciência pelas três garotas e pelos próprios companheiros, que o repreenderam pela piadinha de péssimo gosto.
(Evil) Temos apelidos de aves. Mas não tem galinha nenhuma aqui.
(Akemi) Sou Beija-flor. Lady é Águia e Evil é Corvo.
(Lady resmungando) Bicho de mau agouro...
(Evil ¬¬)...
(Akemi) E vocês?
(Omi) Siberian, Abyssinian, Balinese e Bombay.
Enquanto falava, o loirinho ia apontando para seus companheiros respectivamente a ordem dos codinomes, e finalizou apontando para si mesmo.
(Lady se animando) Nomes de gatos? Que fooooofo!
(Rouxinol) Boa noite!
Todos os espectadores se voltaram para única porta da sala de missões, por onde Rox entrava. Tratava-se de um rapaz de dezoito ou dezenove anos, baixinho e de aparência refinada.
Imediatamente Lady levantou-se e caminhou até ele com os braços abertos.
(Lady) ROX! Ah, que coisinha mais fofa da Ladyzinha aqui apertar!
O rapaz corou e deu um passo para trás, mas não conseguiu escapar das garras da garota de tranças. Foi apertado e beijado no rosto seguidamente, sem chance de protestar.
(Akemi) Pobre Rox. Um dia ele conseguirá se salvar disso!
Todos podiam ver que o garoto não gostara nem um pouco daquela intimidade toda, mas acabou ficando quieto. Não gostava de criar caso, e desconfiava que Lady fazia de propósito para irritá-lo...
(Rouxinol) Olá, Lady.
(Evil) Alguma missão, ou veio apenas conhecer os japoneses?
(Rouxinol sorrindo) Seria apropriado você nos apresentar, não acha, Evil?
(Evil) ¬¬
(Akemi) Eu faço isso.
Depois de todas as apresentações, Rox tirou uma mídia DVD do bolso e aproximou-se do aparelho.
(Yohji) Nossa, não podemos negar que eles estão mais avançados do que nós.
(Ken) Vamos comentar isso com Manx.
(Aya) Então, tem alguma missão?
O líder da Weiss gostaria muito de ver as Silber agindo, para poder julgar melhor qual seria a linha de ação para torná-las finalmente uma equipe.
(Rouxinol) Certo.
O jovenzinho entregou a mídia para Evil, que colocou no aparelho DVD e se afastou um passo. Quase no mesmo instante uma silhueta sombria surgiu na tela. Com certeza tratava-se de Faisão.
Logo uma voz grossa e melodiosa, totalmente irreconhecível preencheu a sala de missões, quando o representante brasileiro da Kritiker começou a falar.
(Faisão) Boa noite, Silber e Weiss. Essa será a sua primeira missão em conjunto, e fico feliz que possam trabalhar juntos. Recebemos informações de que o PCC estará tentando fazer uma aliança com nossas terríveis inimigas, as Freaks.
(Lady) Porra! Não faltava mais nada!
(Ken) Ouvimos falar muito dessas Freaks, finalmente vamos enfrentá-las.
(Aya) Quietos.
(Ken)...
(Lady)...
(Faisão) Não temos certeza sobre o ponto de encontro, mas três locais foram escolhidos como prováveis. Vocês terão de se dividir em duplas para vigiar os locais. Boa sorte, justiceiros. Impeçam a todo custo que essa aliança do mal se concretize.
A imagem sumiu, e Akemi desligou o aparelho.
(Rouxinol) A missão não será fácil. As duplas se dividirão, e apenas uma terá contato com as Freaks. Quando isso acontecer, deverá requisitar apoio imediatamente, para uma ação que seja eficaz.
(Akemi) Então dessa vez a enfrentaremos?
(Rouxinol) É provável que sim.
(Lady) Hn... até agora sabemos que estão envolvidas em quase tudo de podre que acontece em Sampa, mas nunca trombamos com elas num confronto.
(Evil ¬¬) Você mais que de todos, já que nunca aceita as missões...
(Lady) Lá vem ela com sete pedras na mão. Porque não torra a paciência da Kemizinha pra variar?
(Akemi) Ei... não fiz nada!
(Ken) Acho que desviaram do assunto!
(Aya ¬¬) Hn...
(Yohji) Onde estávamos mesmo?
(Lady) Íamos dividir as duplas! E eu vou com Yohji!
(Yohji)... ah, decorou meu nome?
(Aya ò.ó) Não.
(Ken) Mas... vai sobrar um.
(Rouxinol) Omi deverá ficar aqui na base, monitorando os movimentos de todos, juntamente com o senhor Yohji.
(Yohji) Porque?! E pode me chamar de Yohji.
(Rouxinol) O senhor está ferido. Enquanto não tirar o gesso, não poderá participar das missões. São ordens expressas da Kritiker.
(Yohji) Merda!
(Omi) Entendido.
(Rouxinol) Sobre as duplas...
(Aya) Eu divido as duplas.
(Evil ¬¬) EU divido as duplas.
(Aya ¬¬) Eu sou o líder da equipe.
(Evil ¬¬) EU sou a líder da equipe.
E os ruivos ficaram se fitando, com imensa hostilidade refletida nas íris violetas.
(Todos o.o""")...
(Ken) Que tal decidir no palitinho?
(Yohji) Jo Ken Po?
(Rouxinol) Eu decido as duplas. Com base nas informações e especialidades de cada um, faremos assim: Evil irá sozinha, senhor Aya e Akemi, senhor Ken e Lady. Senhor Omi e senhor Yohji ficarão na base e manterão a todos conectados.
Sem outra opção, os justiceiros concordaram.
(Rouxinol) Ótimo, no DVD estão gravados os mapas de acesso de cada local escolhido. Senhor Omi deve imprimir uma cópia para cada dupla, assim como as outras informações disponíveis. Fico feliz que até Lady vá participar dessa.
(Lady resmungando) Se eu não for, a Evil suspende meu pagamento por dois meses! Fazer o que, né?
(Rouxinol) Boa sorte, justiceiros. Esperaremos um relatório detalhado, amanhã de manhã.
Dizendo isso o rapaz se foi, e o pessoal se dispersou, indo trocar de roupa e se preparar para a missão, com exceção de Omi, que foi levado à sala do computador de Evil, um dos mais modernos do mercado, para que pudesse se adaptar a máquina e descobrir tudo o que ele era capaz.
O primeiro a ficar pronto foi Ken Hidaka. O jogador desceu vestindo sua roupa típica de missão: a calça jeans e blusa escura, com jaqueta (apesar do calor) e blusa amarrada na cintura. Usava a bugnuk.
A seguinte foi Akemi. A garota vestia roupa toda preta, porém a calça meio larga tinha detalhes vermelhos, assim como a blusa de mangas compridas. Usava um cintinho vermelho, gargantilha prateada e coturnos. Os cabelos escuros estavam soltos. Para surpresa de Ken, Akemi usava uma bugnuk assim como ele, porém menor e mais feminina.
(Ken) Quase igual a minha bugnuk.
(Akemi) Também uso uma Kama.
Em seguida surgiu Aya, com seu sobretudo escuro cheio de fivelas e a inseparável katana na mão, assim como as luvas negras.
O ruivo olhou para Ken e Akemi e sentou-se silencioso sobre a poltrona.
(Lady) Prontos, crianças?
A garota mostrou que também estava preparada. Usava uma blusa sem mangas negra, com detalhes brancos e azuis. Uma saia um tanto curta e justa, em couro negro, também com detalhes azuis. Os acessórios se resumiam a botas de cano longo e braceletes. Assim como um bolso preso a saia, onde guardava a munição da pistola automática e a tonfa. O cabelo estava trançado.
Viu que faltava Evil. Jogou-se em um dos sofás mostrando-se impaciente.
(Lady suspirando) Ainda não...
O que chamou a atenção dos Weiss foi uma marca terrível de queimadura que destruíra a pele morena do braço de Lady e parecia seguir por toda sua costa, numa feia cicatriz. Aya e Ken se entreolharam sem dizer nada.
Alguns minutos depois chegaram Evil, Omi e Yohji, quase juntos. A líder brasileira vestia uma blusa estilo oriental em tom lilás e preto, com diversas fivelas, assim como a bota e as luvas, sendo que uma das luvas era mais longa que a outra. Os cabelos ruivos permaneciam presos em dois rabos de cavalo altos. Trazia uma aparentemente afiada katana nas mãos, e um jogo de sai de três pontas preso ao cinto.
Os dois assassinos loiros usavam roupas normais, já que não sairiam de casa naquela noite.
(Evil) Prontos?
(Aya) A muito tempo.
(Omi) Er... pessoal, aqui estão os comunicadores. Tenham cuidado.
O chibi tratou de cortar a discussão que ameaçava se instalar entre os lideres da equipe. E a situação entre ambos já não era das melhores. Ambos eram parecidos demais, e isso criava todo o atrito.
(Lady) E lá vamos nós.
Como Akemi não tinha carro ainda, seguiriam com Lady até um local determinado, e depois se separariam.
(Omi) Boa sorte!
Cada um seguiu seu caminho, enquanto o caçula dos japoneses ia se instalar no computador. Já se familiarizara com os recursos disponíveis, e estava satisfeito, pois a máquina não perdia em nada para a que tinha no Japão.
(Omi) Qual será a dupla que enfrentará os problemas dessa vez?
A resposta para isso Omi não sabia, mas prometeu a si mesmo que faria o melhor para que nada falhasse naquela missão.
(Yohji) Agora é sentar e... torcer.
Torcer para que seu amante ficasse bem, e em segurança.
oOo
A primeira a chegar no ponto de encontro foi Evil. A ruiva tomou posição estratégica de onde podia observar todo o terreno baldio, naquele local no subúrbio da cidade. Era uma área pouco freqüentada, ainda mais àquela hora da noite.
(Evil) Bombay, Balinese... tudo pronto.
Contactou os Weiss pelo aparelho em seu ouvido.
(Yohji) Algum sinal dos bandidos?
(Evil) Não.
(Yohji) Você não é muito dada a conversas, não é?
O loiro tentou jogar um verde, mas não foi feliz. A resposta a sua pergunta não tardou a vir pelo comunicador.
(Evil) É.
(Yohji) Mas desse jeito...
(Evil) Tsc. Não preciso ser uma tagarela para cumprir meus objetivos. E tudo o que eu quero é garantir a justiça. Levarei a justiça ao recanto mais sombrio do inferno.
(Yohji)...
(Evil) Nem que tenha de vender a minha alma.
O playboy calou-se. Percebeu que não era o momento certo de insistir naquele assunto. Evil era ainda mais dura do que tinha imaginado a princípio. Quebrar aquela casca seria difícil... mais difícil do que tudo...
E precisaria ser feito pessoalmente, não através de um aparelho eletrônico.
(Evil) Bombay... Balinese... estou prestes a entrar em ação...
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Os próximos deixados no local escolhido foram Akemi e Aya. Ambos saltaram do Discovery 03, carro de Lady Bogard, que deixara Ken impressionado, e dirigiram-se para as redondezas de uma fabrica de papel abandonada. Tudo era sombrio e possuía ar desolado de semidestruição.
(Akemi) Lugar feio... se eu tivesse de ficar sozinha aqui ia me assustar um pouco.
Aya olhou para a jovem colegial e não disse nada. Se achava que Omi era jovem demais para aquele serviço tão perigoso, o que não dizer de Akemi, que era ainda mais criança?
(Aya) Por que faz isso?
Akemi piscou e sorriu.
(Akemi) Pessoas malvadas não merecem viver. A sentença sempre será a morte.
(Aya) Não foi o que perguntei.
(Akemi) Porque você faz isso?
(Aya) Pelo dinheiro.
(Akemi surpresa) Oh! Claro... não, não faço isso pelo dinheiro. Na verdade, tinha apenas duas opções: era aceitar trabalhar para a Kritiker ou... voltar para a China...
(Aya) China?
O espadachim fez de conta que não sabia sobre o passado de Akemi.
(Akemi) Eu...
Então ouviram o som muito leve de passos ressoando no interior da fábrica. Trataram de abaixar-se ainda mais atrás dos caixotes vazios, enquanto Aya dava o alerta pelo comunicador.
(Aya) Bombay... o inimigo está aqui!
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Ken e Lady Bogard fizeram a viagem de maneira tranqüila. Apesar de temer um pouco no começo, o jogador vira que a garota era uma boa motorista.
(Lady) Olha, vamos deixar o carro aqui. A casa que devemos vigiar fica a duas quadras daqui. É uma casa do PCC, e todo mundo sabe disso. Acho que seremos os sortudos dessa noite.
Ken ajustou a bugnuk na mão e assentiu com a cabeça.
(Ken) De onde vigiaremos?
(Lady) Dali. Aquele prédio está vazio a algum tempo, e fica de frente para a casa do PCC. Podemos vigiar tranqüilamente.
Os dois se posicionaram e se puseram a vigiar, em busca de algum movimento suspeito, mas o local continuava vazio.
Sem ter o que fazer, Ken perguntou a primeira coisa que lhe veio a mente.
(Ken) Como se feriu dessa maneira?
Apontou a cicatriz de queimadura no braço de Lady Bogard.
(Lady) Ah, isso? Bem foi a recompensa por trabalhar em equipe.
(Ken confuso) O que?
(Lady) Sempre trabalhei sozinha. A única vez em que confiei em alguém, aconteceu isso. É uma marca pra me lembrar de que não devo acreditar em trabalho em grupo.
(Ken surpreso) Mas é impossível fazer o que a gente faz sem confiar, sem acreditar no trabalho em equipe!
(Lady sorrindo) Trabalhar em grupo? Claro: eu e eu mesma, a parceira perfeita.
(Ken) E como fica a Silber Kreuz?
(Lady séria) Ora, isso é apenas temporário. Assim que tiver uma brecha, eu caio fora e desapareço dessa merda toda.
(Ken)!!
A surpresa do moreninho foi enorme. Começava a acreditar que seria impossível fazer aquelas três garotas se unirem.
Quando ia comentar mais alguma coisa, Lady ficou subitamente tensa, estreitando os olhos castanhos.
(Lady) Siberian, veja. Eu disse que seriamos sortudos essa noite.
(Ken) Hn! Bombay! O PCC e as Freaks estão aqui! Avise aos outros!
oOo
Omi piscou surpreso ao receber as três mensagens quase simultaneamente. Era impossível que os três locais fossem os corretos! Como o PCC e a equipe inimiga podia estar em lugares diferentes ao mesmo tempo?
(Yohji) Tem algo errado, não acha?
Foi então que algo ainda mais estranho aconteceu. A tela do micro computador de Evil apagou e religou quase em seguida, porém ao invés do programa, exibia seqüências infinitas de código binário, preenchendo cada lacuna com dígitos de 0 e 1 em ordem aparentemente aleatória.
(Omi) O que é isso?!
(Yohji surpreso) Eu nem encostei!
(Omi sério) Sei disso, Balinese. Eu... oh!
O comunicador em sua orelha chiou alto e silenciou, parecendo quebrado. Algo interferira no sinal do satélite e desligara o aparelho agindo direto na fonte de transmissão.
(Yohji) Merda! Essa porra estragou?!
(Omi) Parece que sim... mas...!
Não podia entrar mais em contato com seus amigos!
(Yohji) Eu podia ter ficado surdo!!
(Omi) O que está acontecendo?
Então a tela apagou mais uma vez, e os códigos binários desapareceram. Apenas uma frase ficou no centro da tela, piscando intermitente.
O chibi arregalou os olhos e levantou-se da cadeira com tanta rapidez, que derrubou a mesma.
"Você só é capaz disso, Bombay?"
Era a frase interrogativa que piscava no monitor. Num segundo a mente privilegiada do jovem arqueiro compreendeu tudo. Alguém invadira o computador e varrera sua conexão do sistema, além de bloquear sua comunicação com os Weiss e as Silber.
Alguém que devia ser um hacker extremamente talentoso.
E aquilo só significava uma coisa: haviam caído em uma armadilha.
(Yohji) Como... eles podem saber seu codinome? Hein, Bombay?
(Omi) Céus... e agora?
Completamente transtornado, o chibi não soube o que fazer.
(Yohji) Os caras estão por conta própria... merda! Vou pra lá agora mesmo!
Que se danasse seu braço. Ele não ia deixar Aya sozinho em uma maldita armadilha. Ele podia se ferir gravemente, ou até mesmo perder a vida! Mas assim que cruzou a porta das missões, Yohji estacou. Não conhecia São Paulo. Não tinha nem idéia de como chegar ao local certo. E o pior: não poderia alcançar Aya a pé...
Teria que ficar em casa!
Completamente frustrado, socou a parede com a mão esquerda, tentando descontar a raiva. Não tinha outra alternativa além de esperar. Esperar e torcer para que nada desse errado.
Por sua vez, Omi mal percebeu o playboy sair correndo. Seus olhos azuis estavam presos na tela do computador, fixos na pergunta que piscava no monitor negro.
(Omi) Impossível... impossível existir uma pessoa assim, nesse país de terceiro mundo...!
Porém tudo o que acabara de acontecer dizia exatamente o contrário.
oOO
Evil calculou a distância de onde estava até o meio do terreno baldio. O mato não era alto, logo não oferecia proteção nem a ela, nem aos inimigos.
(Evil) Cerca de vinte metros. Mais propício a uma ação rápida.
Exceto se fossem muitos bandidos. Se as Freaks estivessem reunidas, seria necessário ajuda o quanto antes. Apesar de nunca ter enfrentado as terríveis inimigas, Evil sabia que eram capazes de coisas terríveis, de acordo com os relatórios.
(Evil) Bombay? Bombay?!
A ruiva já notara que o comunicador emudecera. Estava sozinha nessa. E é claro, ela jamais recuaria. Fosse um inimigo, ou trinta.
Determinada, apertou a katana nas mãos e avançou lentamente, meio inclinada para frente, movendo-se como um tigre prestes a saltar sobre sua presa. Tinha que contar com o elemento surpresa.
Foi então que os olhos aguçados identificaram o alvo logo a sua direita. Antes mesmo de invadir o terreno abandonado.
(Evil) Tsc.
Havia apenas uma pessoa parada ali. Uma garota, e a mesma olhava fixamente na direção da Silber.
Graças à memória fotográfica, Evil lembrou-se de tudo referente a rival que surgia no campo de batalha.
Sabendo-se descoberta, e perdendo a vantagem da surpresa, a ruiva ergueu-se, mantendo as costas muito eretas, tensa. E passou a avançar com a espada erguida, pronta para o ataque.
(Evil) Nuryco. (2)
(Nuryco) Silber...
Nuryco era uma garota de estatura média, tinha cabelos castanhos pelo ombro e olhos esverdeados. Trajava uma blusa oriental azul, que chegava até seus joelhos, e era aberta dos lados. A mesma tinha detalhes em cor de rosa. Usava uma calça justa azul e luvas também rosa, que cobriam a maior parte de seus braços.
(Evil)...
A líder das Silber estava surpresa por ela saber o nome de sua equipe.
E também pela morena apresentar um pesado sotaque francês. Obviamente era uma estrangeira.
(Nuryco) Eu esperava por você.
(Evil) Entendo. Você veio só... então não há negociação alguma. Foi uma maldita cilada.
Evil fora treinada para estar sempre um passo adiante de seus inimigos, mas vacilara naquela missão. Teria que usar toda a sua inteligência para conseguir derrotar a Freak que, aliás, não trazia nenhuma espécie de arma.
(Nuryco) Você é esperta.
A voz da morena soava inexpressiva e indiferente, quase apática, numa similaridade a frieza de Evil. Talvez uma forma de mostrar que não temia a garota que portava uma katana.
(Evil) Você acha que pode lutar comigo? Não terei misericórdia pelo fato de estar desarmada.
Então Nuryco sorriu, de maneira assustadora e rebateu a pergunta de Evil, transbordando de escárnio e sarcasmo.
(Nuryco) Você acha que pode lutar comigo? Não terei misericórdia pelo fato de estar apenas com uma katana.
(Evil) Defenda-se! Seu fim chegou!
E Evil partiu para cima da morena, com a espada em riste, pronta para cravá-la no peito da inimiga, e derrotá-la de uma vez. Nuryco não se moveu. Assistiu a investida de modo confiante.
Quando Evil estava a alguns centímetros da Freak, parou de se mover.
(Evil)!!
A surpresa foi imensurável. Sentia seu corpo completamente imobilizado. O que estava acontecendo ali? Que tipo de poder aquela francesa possuía?
Nuryco passou a língua sobre os lábios e sorriu ainda mais, olhando em direção a cintura de Evil.
A espadachim seguiu a direção do olhar e empalideceu. Todo seu tórax e sua cintura estavam escurecidos, envoltos em sombras que continuavam a aumentar e aumentar, ameaçando envolver todo seu corpo.
(Evil) O que é isso?!
Mas antes mesmo de ter alguma reposta por parte de Nuryco, Evil entendeu a situação. Aquela garota francesa realmente tinha um tipo de poder: era óbvio que podia manipular as sombras ao seu bel prazer. A líder das Silber percebeu imediatamente que estava em grande desvantagem.
(Nuryco sorrindo) Defenda-se... seu fim chegou...
(Evil) AAAAAAHHHHHHH!!
Largou a espada e levou as mãos à cabeça. As sombras pareciam esmagar seu corpo, e continuavam aumentando, ameaçando jogá-la num mundo de trevas.
Adorando cada segundo do sofrimento de sua rival, Nuryco observou enquanto Evil se perdia naquela escuridão, caindo de joelhos no chão e quase desaparecendo em sua armadilha.
Pouco a pouco o ar seria roubado da espadachim, e ela pereceria, sufocando até ter uma morte horrível.
Suspirando, a francesa desviou os olhos por um segundo, se pondo a admirar a noite sem lua.
(Nuryco baixinho) Minha alma habita em um ninho de sombras... é um inferno onde a luz se recusa a iluminar. Bem vinda ao meu mundo, Silber.
Era hora de terminar com aquilo.
oOo
(Akemi) Oh, não! Perdemos contato com Bombay e os outros.
(Aya)...
Aquele imprevisto era por demais irritante. Poderia contar com a intervenção dos outros? Provavelmente não.
(Akemi) Veja, Abyssinian! Tem movimento naquele pavilhão... o que faremos?
(Aya) Vamos nos aproximar devagar.
O ruivo não queria colocar a vida de nenhum dos dois em perigo. De repente sentiu-se responsável pela segurança daquela colegial, que não devia estar envolvida em uma investida tão perigosa.
Torcendo os lábios, Aya tentou afastar tais pensamentos. Não podia se considerar responsável por ninguém. Cada um era livre para fazer suas escolhas.
(Akemi) Pelo que me lembro da planta da fábrica, tem uma subdivisão pelo lado transversal. Vai dar em um pátio descoberto.
(Aya) Vamos por lá.
Os dois se aproximaram pelo lado escuro, sem esbarrar em ninguém. Pouco a pouco conseguiram invadir o pátio da fábrica, pelo lado oposto de onde tinham escutado os sons de passos.
(Aya) Cuidado.
(Akemi) Pode deixar.
Ambos analisaram o local. Haviam inúmeras caixas espalhadas, e muitos destroços como telhas quebradas, canos e tijolos jogados pelo chão.
(Akemi) Vamos entrar na fábrica?
O espadachim considerou por um instante. Provavelmente não encontrariam com muitos bandidos, pois o som de passos ecoara de modo a revelar pouquíssimos invasores.
Pensando nisso, Aya franziu as sobrancelhas. Realmente era estranho o que acontecia: seria de se supor que numa reunião de bandidos, os chefes envolvidos requisitassem vários seguranças... nunca iriam ao encontro sozinhos!
(Akemi) Abyssinian... porque ficou tão sério?
O ruivo não respondeu. Os olhos violeta moveram-se para o portão por onde tinham entrado, calculando suas chances de voltar para lá em poucos segundos.
Seu instinto o alertou para o fato de que entrar na fábrica seria mortalmente perigoso. Seria como se jogar de cabeça num precipício, e ele achava isso porque já desconfiara do motivo de estar ali.
Só podia ser uma armadilha!
Isso era a única coisa que explicava a total falta de movimento, e a ausência de muitos seguranças.
Como dois patinhos, Akemi e ele tinham se precipitado até o pátio, e Aya queria acreditar que ainda restava tempo de recuar, mas se enganou.
Naquele momento uma gargalhada ressoou por todo o local, causando arrepios em ambos os assassinos, ao mesmo instante em que todas as lâmpadas apagadas se acendiam, iluminando tudo em demasia.
(Aya) Cuidado!
Akemi recuou um passo, e ficou lado a lado com o líder da Weiss. Ambos cobriram o rosto com as mãos, tentando proteger os olhos da luz muito forte.
(Akemi) O que está acontecendo, Abyssinian?
(Aya) Inferno, caímos em uma armadilha!
(Akemi) Oh!
Novamente ouviram o som de passos, e tentaram enxergar quem se aproximava. Viram que se tratava de uma garota. A mesma não era muito alta, tinha cabelos alaranjados, passando um pouco dos ombros. Vestia uma blusa simples em dois tons de verde, com listas largas na vertical. E uma bermuda preta com detalhes cinza.
A luminosidade diminuiu, e os justiceiros puderam analisá-la melhor.
(Akemi surpresa) Mystik! Você é Mystik, não é? (3)
A ruiva riu, mostrando os dentes muito brancos. Depois cruzou os braços à frente do corpo.
(Mystik) Fico lisonjeada que já tenha ouvido falar de mim, pequena Silber.
A inimiga tinha um leve sotaque italiano. Devia ter chegado a pouco tempo no Brasil.
(Akemi)!!
Preocupada, a morena voltou os olhos cinzentos em direção a Aya, inconscientemente esperando que ele reagisse.
(Aya) Você armou tudo isso.
(Mystik) Hn? Quem será esse seu amiguinho? Ah, pouco importa... mas, garoto, você está errado... em partes. Tudo isso foi idéia da minha chefa. Ela está cansada de ver essas garotas metendo o nariz em nossos negócios.
(Akemi) Sua chefe? Quem é?! (4)
(Mystik) Pra que quer saber? Vocês vão morrer agora. Nunca vão encontrá-la.
(Aya) Você irá nos enfrentar sozinha?
A italiana olhou primeiro para a katana afiada que reluzia nas mãos de Aya, depois para a bugnuk que Akemi mantinha em posição de ataque.
(Mystik) Crianças... vocês querem brincar com tia Mystik? Não tenho tempo para isso...
Sem mais delongas, a ruiva abriu os braços. Todos os fios de alta tensão que rodeavam a fábrica se soltaram, e começaram a se agitar no ar.
(Akemi) Abyssinian, os fios!
O líder da Weiss estreitou os olhos. Aparentemente aquela italiana tinha algum tipo de poder que podia mover os objetos. Teria telecinese, como Nagi?
Os fios continuaram se contorcendo e aproximando-se perigosamente dos justiceiros. Preocupado, Aya avançou um passo, e se colocou à frente de Akemi. Se aqueles fios chegassem mais perto, eles corriam o risco de serem eletrocutados pelas fagulhas que faiscavam das pontas arrebentadas.
(Aya) Você é telecinética.
Mystik gargalhou da afirmação.
(Mystik) Telecinética? Claro que não. Nenhuma das Freaks possui um poder tão vulgar. Do grupo, eu sou aquela que pode controlar fios elétricos. Quanto mais alta a tensão, mais forte é meu poder.
(Akemi nervosa) Fios elétricos?
Os olhos arregalados notaram que ambos estavam cercados pelos cabos de alta tensão. Não tinham por onde fugir. O menor passo podia fazê-los entrar em contato com a energia que corria pelos fios. Levariam um choque de milhares de wolts.
Aya também notou aquele fato. Estavam encurralados, sem a menor chance de fuga. E numa situação daquelas, a katana e a bugnuk eram completamente inúteis.
(Mystik) Fogo? Água? Tsc... são forças que não podem ser domadas... eletricidade é o demônio que nasceu da união entre o homem e a natureza.
(Akemi) Abyssinian, e agora?
Mas a italiana cortou a resposta que o líder da Weiss daria, gargalhando muito, ela sibilou de maneira debochada.
(Mystik) E agora, Silber? Agora vocês morrem!
E os fios avançaram com rapidez impressionante, visando eletrocutar os justiceiros, e eliminá-los de uma vez.
oOo
(Lady ¬¬) Então essa é a maravilhosa tecnologia japonesa? He...
A morena referia-se aos comunicadores, que não davam mais sinal, isolando-os do contato com os outros membros de ambas as equipes.
(Ken) Merda! Eles tinham que falhar justo agora?
(Lady) Bem na hora que os alvos chegaram!
Ken fixou os olhos castanhos no prédio da frente. Antes, ele estava todo às escuras, mas há instantes atrás uma luz fora acesa em uma das salas, o que dera a certeza aos justiceiros que alguém chegara no local.
Alguém que só podia ser da máfia, ou do grupo das Freaks.
(Ken) Vamos agir assim mesmo!
E o jogador se pôs em pé, ao mesmo tempo em que ajustava a luva na mão, preparando-se para tudo!
Porém Lady deu uma outra olhadinha para o prédio. Algo em seu instinto lhe dizia para ter cuidado. E ela não chegara aos 19 anos ignorando avisos daquela natureza. Era fator fundamental, quando se cresceu no Oriente Médio...
(Lady) Espere, Siberian!
(Ken) O que foi? Algo errado?
(Lady) Eu...
(Ken) Águia, não é o momento de vacilar! Temos que pegá-los de jeito antes que façam algum acordo!
(Lady) Calma, algo não se encaixa aí.
(Ken confuso) Porque acha isso?
(Lady) Que porra, garoto! Nós estamos aqui a pelo menos meia hora, e aquele prédio estava todo as escuras... de repente 'chega' alguém e acende uma luz... mas como é que essa pessoa chegou? Você viu algum carro? Alguma moto? Uma maldita bicicleta?!
(Ken) Não...
(Lady) Com certeza não foi pela força do pensamento.
(Ken) Quer dizer que já tinha alguém lá, antes da gente chegar?
(Lady) É o que parece... essa luz acesa pode ser um truque para nos atrair até lá.
(Ken) Não faz sentido.
(Lady) Como não? Reunião do PCC o caralho. Se os caras virão aqui hoje, então quero virar freira e entrar pra um convento! Ou você acha que os figurões do crime organizado viriam a pé pra cá? Essa é a única entrada do prédio, e nós dois não desviamos os olhos nem pra cuspir.
(Ken) Então a reunião era um pretexto falso!
(Lady) Como um queijo na ratoeira. E os dois ratinhos aqui quase caíram direitinho... igual Piu Piu na boca do Frajola.
(Ken) Isso quer dizer que...
(Lady irritada) Qualé, garoto? Seu cérebro funciona a pilha? Alguém armou bonito pra gente! Quase nos jogamos de cabeça na merda de uma cilada.
(Ken surpreso) Então Abyssinian e os outros...?
A morena colocou-se em pé e deu de ombros, enquanto olhava fixamente para o prédio à frente, em busca de algum indício que comprovasse sua teoria.
(Lady) Se ferraram.
(Ken) E o que faremos? Vamos invadir o prédio?
(Lady) Que mané invadir o que?! Não entendeu o que eu acabei de dizer? Se você entrar naquele prédio, talvez não saía vivo. E a verdade, gatinho, é que eu não pretendo morrer aqui. Muito menos hoje.
(Ken)...
(Lady) Vamos atrás de Beija-Flor. Ela está com Abyssinian, mas é muito jovem e inexperiente. Se existe uma presa perfeita, é ela.
(Ken) Mas...
(Lady sorrindo) Depois vamos atrás de Corvo. Céus, ta vendo? Quando participo de uma missão, eu sempre tenho que salvar o dia! Sou super foda mesmo!
O jogador apenas suspirou. Aquela garota era, com certeza, muito excêntrica. Mas dissera a verdade: felizmente Lady percebera a armadilha feita contra eles bem a tempo de evitar uma tragédia.
Calmamente, os justiceiros se afastaram e saíram da sala. Haviam feito a vigília do segundo andar de um prédio, por isso tinham de descer dois lances de escadas.
A porta daquele edifício abandonado dava para uma viela escura e pouco freqüentada. Seria difícil esbarrar em alguém.
(Lady sorrindo) Que sorte! Se eu salvar a cabeça de Corvo, ela vai ficar me devendo uma! Yes! Anda logo, Siberian! Temos um resgate a fazer...
Ken sorriu de leve, divertindo-se com o jeitão descontraído.
Lady alcançou a porta e a abriu. Mas quando ia sair, estacou, empalidecendo muito. O jogador não percebeu a parada brusca e continuou avançando. Acabou chocando-se contra as costas da Silber.
(Ken) Desculpa! O que houve...?
A morena recuou um passo, sentindo uma coisa muito estranha. Apontou a saída para Ken.
O Weiss acompanhou o gesto e acabou arregalando os olhos.
Impedindo a passagem, estavam três grandes cães. Um pastor alemão de pêlo brilhante e muito limpo, e dois dobermann negros. Os três tinham os olhos injetados e pareciam extremamente ferozes.
(Lady) Si... Siberian... você acha que eles têm raiva?
(Ken) Não... não sei! Mas não estão espumando...
(Lady) Quer sair na frente...?
(Ken)...
Os animais permaneciam imóveis, apenas mostrando as presas afiadas e rosnando baixo de maneira ameaçadora.
(Lady o.o) Hn... se isso fosse Resident Evil, eu diria que esses animais estão contaminados com o vírus T...
(Ken) Isso não é hora de pensar em games, Águia.
(Lady) Sei, sei!!
Foi então que os justiceiros ouviram passos vindo do outro lado da rua. Ambos notaram uma garota aproximando-se a passos irregulares, meio vacilantes.
Não era muito alta, tinha cabelos curtos, arrepiados com gel, e tingidos de azul. Vestia blusa branca de uma manga apenas, que fora rasgada. Usava ainda, calça justa azul clara, e uma espécie de saia azul transparente por cima da calça. O visual se completava com grandes brincos de argolas e uma pulseira em seu braço.
(Lady XD) Nossa! Ainda dizem que eu chamo a atenção? Olha aquela guria ali!
(Ken o.o) Quem é?
(Lady ¬¬) E como é que eu vou saber? Pro seu governo deixei minha bola de cristal em casa...
(Ken) Será do PCC?
(Lady) Duvido! Traficantes têm um pouco de noção pelo menos.
(Ken) Uma Freak?
(Lady)...
(Ken ¬¬) Não leu as fichas delas?
(Lady) Ah, mas que porra! Joga a primeira pedra... desculpa se não sou perfeita e não fiz a lição de casa... vai pegar no meu pé, clone da Evil?
(Ken)... clone de Corvo. Use o codinome.
(Lady sorrindo) Você é uma figura...
(Ken ¬¬) Não devíamos nos concentrar naquela garota?
(Lady) É... acho que sim...
Ambos voltaram seus olhos para a recém chegada, que dava os últimos passos, antes de parar atrás dos cães.
(Ken) Você é uma das Freaks?
(Lilik) Sou.
(Lady) E qual das loucas você é?
(Lilik) Meu nome é Lilik. Tenho 22 anos e sou sueca. (5)
(Ken)!!
(Lady) Nossa! Que apresentação Sailor Moon foi essa?
(Lilik) Você é Silber, não é?
(Lady) Pois é, o do cabelo azul. Se achou que a gente ia cair naquele seu truquezinho da luz, se enganou redondamente.
(Lilik) Você crê nisso, garota? Errado. Eu sabia que vocês não iriam ao outro prédio. Nunca tivemos a intenção de levá-los pra lá.
(Ken) O que? E qual o seu real objetivo?
(Lilik) Trazê-los para fora do prédio. E apresentar lhes meus bebês.
Ken e Lady Bogard entenderam o terrível engano de seus raciocínios. Não haviam evitado a real armadilha, e sim se jogado de cabeça nela.
(Lady) Você treinou esses vira latas?!
(Lilik) Doutor Mau não é um vira latas.
Apontou para o pastor alemão, que parecia o mais feroz dos três.
(Lilik) E não preciso treiná-los. Eles me obedecem cegamente.
(Lady) Ah, ta. Alguém aqui tem complexo de mocinha da Disney. Você acha que pode falar com os animais?
(Lilik) Entender uma fera... o coração selvagem de um animal... não encontrei nada mais belo do que isso... Doutor Mau...
Os justiceiros viram que a sueca falava sério, quando os três animais avançaram ao ouvir a ordem. Tinham as mandíbulas muito abertas, dispostos a destruir seus inimigos a dentadas.
(Lady) Cuidado, Siberian!
Os dobermann saltaram sobre Ken, enquanto ele erguia as garras para defender-se, ao mesmo tempo em que Lady começava a sacar sua pistola para atirar contra o pastor alemão.
Lilik acompanhou tudo com os olhos cinzentos brilhando, sabendo que seus animais era ferozes demais para serem derrotados com tanta facilidade.
O que venceria naquela batalha: o instinto de sobrevivência dos justiceiros ou o instinto sanguinário do trio canino?
(Lilik) Não acabe com eles muito rápido, Doutor Mau. Deixe-me ver o sangue, e ouvir os gritos. Faz tempo que não temos permissão de nos divertir assim.
O pastor alemão ganiu e rosnou. E foi a última coisa que fez.
Lady conseguiu sacar sua pistola, e abriu fogo acertando o animal em cheio na boca arreganhada.
(Lady) Toma aí a porra do teu sangue!
Ken também agiu rápido. Golpeou os outros dois cães com as garras, rasgando-lhes a carne e causando uma pequena chuva de sangue que manchou a calçada e uma parte da parede.
(Ken) Águia, está tudo bem?!
(Lady) Vamos dar o fora daqui!
Lilik arregalou os olhos, com as íris fixas no corpo de Doutor Mau, o pastor alemão que fora seu melhor amigo, e um fiel companheiro.
Os justiceiros aproveitaram aquele descuido e saíram correndo.
A sueca de cabelos azuis aproximou-se de seu mascote e caiu de joelhos no chão. Com os olhos marejados de lágrimas tomou o corpo do cão em seus braços e apertou com força. Sujou-se com o sangue ainda quente, mas não se importou. Seu coração doía demais.
(Lilik) Doutor Mau...?
Estava inquestionavelmente morto.
(Lilik chorando) Whuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!
Aquilo não ficaria assim!
oOo
Ken e Lady Bogard ouviram o pavoroso grito, e arrepiaram-se de receio. Só por via das dúvidas começaram a correr ainda mais em direção ao carro da Silber, que estava escondido um pouco afastado.
Eles estavam quase saindo da viela, quando um gato negro surgiu à frente deles.
(Ken) Cuidado!
(Lady)!!
Ao lado do gato negro, surgiu um branco e um cinzento. E um cão vira-latas.
Os assassinos deram um passo para trás, preocupados com a ferocidade que brilhava nos olhos daqueles animais. Com certeza eram controlados pela Freak que se chamava Lilik.
(Ken) Estamos cercados!
(Lady) Vamos voltar, Ken... é melhor meter uma bala logo naquela garota!
(Ken) Merda!!
O jogador engoliu em seco ao ver mais e mais gatos surgir. Assim como cães, vindos das redondezas... pareciam ter sido convocados pelo grito assustador de Lilik.
Foi então que o ataque começou. Mas surpreendentemente não começou pelos mascotes. Ken e Lady Bogard ouviram o sinistro som de asas. Antes que fizessem algo, um morcego passou próximo a eles, rente ao rosto do jogador, num rasante perfeito.
Por pouco o Weiss não foi atingido pelas garrinhas afiadas! (6)
(Lady) De onde saiu isso?!
(Ken) Cuidado!
O aviso foi inútil. Uma nuvem de morcegos surgiu praticamente do nada, e caiu sobre os justiceiros, arranhando-os com suas pequenas garras. Causando cortes leves, porém doloridos. Pra piorar a situação, os cães e gatos começaram a avançar, dispostos a saltar sobre os dois humanos.
Do fundo da ruela, Lilik observava tudo friamente. Carregava o animal morto em seus braços, pois pretendia dar um enterro descente ao único amigo que tivera. Depois que ele assistisse o massacre de seus assassinos, é claro.
Os olhos frios da sueca assistiam indiferentes a cena em que Ken e Lady se debatiam, tentando afastar os morcegos que os atacavam, sem perceber a ameaça maior, que eram os outros animais se aproximando por suas costas.
(Lilik) A César o que é de César. E a Doutor Mau, a sua vingança!
Seus inimigos não teriam comiseração!
Continua...
(1) Grande beijo para Omi kun! Foi o chibi super fofo quem fez as ilustrações tanto das Silber quanto das Freaks! Valeu mesmo!
(2) HÁ, HÁ, HÁ, HÁ! O doce sabor da vingança! Ò.Ó Er, num lembro mais porque to me vingando da Nury, mas enfim... Huahuahuahua!! """"""""
(3) ¬¬ Pois é, Mystik... o Yohji NAUM é a encarnação da luxuria, não foi o que você disse em Sin? Roubou a glória do playboy! E isso é IMPERDOÁVEL!! Há, há, há! Agora arque com as conseqüências! #dançando balé ao som de Velvet ò.ó #
(4) Quem?! Quem?! Huahauhauhaahua! A vingança está apenas começando!! #musica fúnebre de fundo#
(5) Lili-k! Perdi a conta de qts vezes vc me jogou na fogueira e emprestou o isqueiro pra me queimar em praça pública! Huahauaau! Colocou meu nome numa barata e numa lagartixa, e tenta roubar meu lugar na senzala! AQUI ESTÁ A VINGANÇA!! #rolando pela lama do cantinho escuro da ML #
(6) Maldito Castlevania... to viciada nessa parada aí... ¬¬""""""
No próximo capítulo...
O alvo mor... minha arqui inimiga e rival! Aquela que deseja o pior de todos os males para o playboy gostosaum que é patrimônio público! A pessoa mais sádica que já conheci em minha pobre vida!
A líder das Freaks... hauhauahuaauhauahuaauau
E a mais nova integrante da família Takatori! Digo, do lado ruim da família! Huahauauahuahauauahu!!
T R E M A M ! ! ! !
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Sobre as armas:
Kama: espécie de foice. No caso da Kemi com o cabo mais longo e dobrável.
Sai: er... uma adaga com duas ou três pontas. Tipo, sabe aquela arma do Rafael, de "Tartarugas Ninja Mutantes". Pois é.
Tonfa: essa é mais difícil de explicar. Alguns policiais usam a tonfa, aqueles da rota. É uma que fica rente ao braço e tem um cabinho pra segurar e... poha, sou péssima pra descrever isso... ¬¬""""""""""""""""""""
Obrigada a Suryia Tsukiyono, que fez a pesquisa das armas para mim!
