N/A: olá genteeeee! Aqui está o segundo cap da nossa querida Bella viking! Espero que gostem
Capitulo 2
Isabella esperou no lugar reservado à cozinha que sua mãe descesse do andar de cima. Jasper partiria pela manhã no que em outras regiões do mundo podia denominar-se o alvorecer, mas como nessas latitudes o sol se punha durante algumas horas por noite, não podia chamá-la Jasper, havia uma tripulação de trinta e quatro homens. Uns poucos eram primos, mas a maioria estava formada por amigos, todos amantes do mar. A carga seria formada pelas peles que cada homem quisesse vender e por outros artigos valiosos que tinham acumulando durante os escuros meses de inverno. A família de Isabella tinha reunido cinqüenta e cinco peles durante este inverno, entre elas duas valiosas peles de urso polar branco, que atingiam um elevado preço no leste.
Seria uma viagem proveitosa para todos, e Isabella precisava provar pelo menos uma vez, tratando de que a incluíssem. Jasper tinha dito que não se opunha; ainda que, para ele era difícil negar-lhe alguma coisa. Como o pai a tinha recusado três vezes durante a última semana, sua mãe era agora a única possibilidade de que ele mudasse de atitude.
Os servos estavam preparando a comida da tarde. Eram todos estrangeiros, e tinham sido capturados nas incursões vikings às terras meridionais. Os que serviam à família Swan eram todos comprados, pois Carlisle não tinha realizado incursões desde sua juventude, e também não o tinha feito Jasper depois que começaram a navegar por conta de seu pai. Era um tema que às vezes provocava discussões entre os pais de Isabella, pois sua mãe tinha sido escrava, capturada pelo pai de Carlisle e entregue a Carlisle lá pelo ano 851. É claro que Esme, com seu feroz orgulho, nunca reconhecia que Carlisle tinha sido seu dono, e alguns dos relatos que cada um narrava do outro aludiam às amargas lutas temperadas pelo amor que agora compartilhavam.
Isabella não podia imaginar seus pais brigando, como tinha sido o caso antes. Ainda havia discussões ocasionais entre eles, e às vezes Carlisle cavalgava para o norte para acalmar-se um pouco. Mas quando regressava, ambos se encerravam durante horas em seu dormitório, e quando no fim saía, nenhum deles podia recordar porque tinham brigado. Todas as discussões, grandes e pequenas, acabavam no dormitório, o que era motivo de diversão e brincadeiras para o resto da família.
Irritada pela espera, Isabella brigava com Aileen reclamando de algumas das nozes doces que a cozinheira juntava ao pão que estava preparando. Isabella tratava de seduzi-la utilizando a língua gaélica de Aileen, um método que geralmente servia para suavizar a mulher. Graças aos criados que vinham de tantos lugares diferentes, Isabella tinha aprendido diversas línguas, e podia falá-las todas como um nativo. Tinha uma mente ativa sempre ansiosa a aprender.
— Querida, deixa Aileen em paz, antes que o pão de nozes, que é o favorito do seu pai, converta-se num pão comum e simples.
Com expressão culpada, Isabella engoliu a última das nozes que estava mastigando antes de voltar-se para sua mãe.
— Achei que nunca chegaria. Que falou meu pai para conseguir que a levasse assim ao andar de cima?
Esme enrubesceu, e rodeando com um braço a cintura de sua filha a levou à sala, que estava vazia, porque todos os homens se encontravam no fiorde carregando o barco.
— É necessário que fale dessas coisas na frente dos criados?
— O que eu disse? Todos viram como a tomava e ...
— Não importa. — Esme sorriu. — e eu não lhe falei nada.
Isabella se sentiu decepcionada, pois tinha abrigado à esperança de escutar de sua mãe uma confissão realmente perversa; ela sempre se manifestava muito franca em todos os assuntos. Ao perceber a decepção de sua filha, Esme se pôs a rir.
— Querida, não precisei falar-lhe nada. Limitei-me a acariciar-lhe o pescoço. Sabes? Carlisle tem um lugar muito sensível no pescoço.
— E isso o faz tão sensual?
— Muito sensual.
— Então, provocaste-o. Envergonhe-se, mãe! — caçoou Isabella.
— Envergonhar-me? Quando acabo de passar uma hora muito agradável com seu pai no meio do dia, e ele está tão ansioso de ir ao porto? Às vezes uma mulher tem que tomar as ações em suas próprias mãos quando o marido está atarefado.
Isabella emitiu um som muito parecido a uma risadinha.
— E não se opôs que o afastasse da grata tarefa de ver como carregam o barco?
— O que lhe parece?
Isabella sorriu, muito consciente de que ele de modo algum se opunha a essa distração.
Sua mãe não se parecia com as outras mães, e também não atuava como elas. Além dos cabelos muito negros, próprios de sua linhagem celta, e dos cálidos olhos cinza, parecia demasiado jovem para ter filhos adultos. Ainda que tivesse quase quarenta anos, parecia bem mais jovem.
Esme Swan era uma mulher muito formosa, e Isabella se sentia sumamente afortunada porque tinha herdado os traços de sua mãe, enquanto, sua estatura, os cabelos loiros e os olhos provinham só do pai. Em todo caso, podia agradecer a Deus não ser tão alta como seu pai e seus irmãos. Esme com freqüência tinha agradecido isso, ainda que ali no norte, a alta estatura de Isabella não era um problema que poderia ter sido em outro lugar, em vista de que os noruegueses eram tão altos como ela ou ainda mais. No entanto, esse traço na região de origem de Esme teria sido uma evidente desvantagem, pois Isabella teria sido tão alta como alguns homens, mas mais do que a maioria.
— Suponho que não me esperavas só para fazer-me perguntas impertinentes — disse Esme.
Isabella olhou para seus pés.
— Confiava que poderia falar com meu pai, agora que está de tão bom humor, para pedir-lhe...
— Se pode embarcar com seu irmão? — Esme terminou a frase para ela e meneou a cabeça — Isabella, por que é tão importante essa viagem?
— Devo encontrar um marido.
Acabava de explicar o que não podia dizer com tanta franqueza a seu próprio pai.
— E não pode achar um aqui em casa?
Isabella contemplou os afetuosos olhos cinza.
— Mãe aqui não há nenhum a quem eu ame, não do modo que você ama meu pai.
— E considerou todos os homens que conheceu?
— Sim.
— Quer dizer que não pode aceitar Michael?
Isabella não desejava informar sua decisão a seus pais, mas assentiu.
— Amo-o, mas como amo a meus irmãos.
— Então, o que quer é desposar um estrangeiro?
— Você desposou um estrangeiro, mãe.
— Mas seu pai e eu nos conhecemos muito tempo antes que finalmente reconhecemos nosso amor e nos uníssemos.
— Creio que não precisarei de tanto tempo para dar-me conta de que estou apaixonada.
Esme suspirou.
— Sim, saiba que eu mesma não tinha quando conheci seu pai. Muito bem, querida, falarei esta noite com Carlisle, mas não abrigues esperança de que ele mude de idéia. Penso o mesmo que ele, pois não desejo que viaje com seu irmão.
— Mas mãe ...
— Deixe-me terminar. Se Jasper regressar a tempo, creio que poderemos convencer teu pai de que a leve ao sul para procurar um marido.
— E se o verão estiver terminando quando ele voltar?
— Então terá que esperar até a primavera. Se devo perder-la em favor de um homem que vive mais ao sul, prefiro esperar até a primavera ... A não ser que você esteja ansiosa para ter um homem.
Isabella mexeu a cabeça. Isso não era precisamente o que tinha pensado. Desejava viajar, afastar-se da ameaça representada por Jacob, mas também não podia falar sobre isso com sua mãe.
Esme sorriu para sua filha, pois Isabella não percebia quão desejável era.
— Querida, creia-me, sua idade não importará. Lutarão por você quando souberem que está procurando marido, exatamente como fizeram aqui. Outro ano não modificará a situação.
Isabella não insistiu, sentou-se frente à porta aberta que permitia a entrada da brisa morna e a luz do dia. A grande casa de pedra construída pelo bisavô não tinha janelas, para evitar a entrada do frio cruel do inverno. Isabella estava ajudando Esme a confeccionar uma grande tapeçaria, pois a mãe carecia de paciência para fazê-lo sozinha.
Obedecendo a um impulso Isabella perguntou:
— Que farias, mãe, se quisesse navegar nesse barco?
Esme se pôs a rir, acreditando que o assunto já estava acabado.
— Embarcaria as escondidas e me esconderia no lugar onde depositam a carga; ali permaneceria um dia ou dois, até que estivesse longe daqui.
Isabella a olhou, incrédula.
— Faria isso de verdade?
— Não, querida, estou caçoando. Por que desejaria navegar sem seu pai?
