Parte Dois
Pisquei algumas vezes vendo o garoto de olhos verdes se afastar, sai do torpor quando Sango me beliscou.
- Não me belisca.
- Você parecia que teve um derrame, estava apenas confirmando.
- Aquele era o Taisho? – Perguntou Eri olhando na direção que os dois saíram.
- Sim. Junto como Takeru Shinuy. – Informou Ayumi, então o nome do outro é Takeru, pronto, os dois estão identificados.
- Kagome, você faz idéia de com quem estava brigando? – Ayumi me segurou pelo ombro e me deu uma leve balançada.
- Com um completo idiota que tem o ego maior que a Terra?
Ri ao ver Sango colocar a mão no queixo, ponderando a minha resposta, mas Ayumi ficou pálida. E para eu ter notado a palidez dela naquela escuridão significa que ela quase virou um fantasma.
- Você é louca.
- Ayumi. Ele é apenas mais um garoto idiota... e eu vou continuar, pois temos essa andar inteiro para explorar.
- Me falaram que esse é o pior andar. – Comentou Yuka agarrando meu braço, soltei um suspiro enquanto me indagava mais uma vez o por quê delas quererem vir se estavam morrendo de medo.
Começamos a caminhar pelo corredor, não demorou muito para que alguém viesse nos assustar, vou sair desse colégio hoje completamente surda.
- Mas que coisa Eri. - Reclamou Sango quando um Drácula apareceu de dentro de uma das salas do terceiro ano.
- Eu odeio esse lugar. – Reclamou Ayumi.
- Então por que quis vir? – Perguntei.
- É legal.
- Garota complicada. – Falou o Drácula.
- Conheço essa voz. – observei o tal Drácula, os olhos azuis eram inconfundíveis. – Miroku.
- O próprio, meninas.
- você me disse que ia ficar ajudando na sala de som. – Comentou Sango.
- É que eu estava lá me perguntando como eu poderia ser capaz de deixar minha linda e perfeita namorada andando sozinha nesse colégio escuro com um bando de safados que vão ficar assustando elas.
- Então veio aqui para ser agarrado pelas pobres meninas que se assustarem... correto?
- Eu nunca pensei nisso, Sangozinha.
- Quem não lhe conhece que lhe compre, Miroku.
- Essa doeu Sangozinha. Assim você fere meus puros e sinceros sentimentos.
- Não seja cínico!
Deixei os dois discutindo enquanto as minhas amigas tentavam fazê-los paparem de brigar. Sango e Miroku namoram a um ano e seis messes. Quando eles começam com uma discussão assim. Pode levar horas.
Estamos no terceiro andar, no entanto ainda é do primeiro prédio. Ainda temos o pátio do fundo, as salas externas e a quadra do colégio. Realmente eu fico surda hoje.
Será que eu deveria esperar meus amigos?
Virei, procurando eles com o olhar. Droga!
Como eu não notei que havia me afastado tanto?
Soltei um suspiro e me encostei na parede observando o lado de fora por uma de suas grandes janelas. Uma hora eles vão passar por mim.
O que será que o tal Takeru quis dizer com aquilo de o Sesshomaru pode ser muito perigoso quando provocado?
Será que eu devo esperar alguma espécie de vingança?
Por favor, ninguém é idiota o suficiente para se vingar de alguém que apenas abriu sua mente para seu verdadeiro ser, afinal, Sesshomaru Taisho é um idiota.
Algo me puxou para trás, por um segundo senti meu coração na boca querendo pular pela janela e correr por toda Okinawa.
- Vou sugar seu sangue!
- Miroku!
Meus amigos riram, quando me acalmei comecei a rir também. Esse é o resultado de quando tem amigos com parafusos a menos.
Incrível como o Miroku é safado.
A cada susto ele abraçava Sango dizendo que odiavas essas coisas de assombração. Desculpa que não colou, já ele tem sua coleção particular de filmes de terror. Ele levou alguns tapas por passar a mão em lugares impróprios da Sango, enquanto abraçava ela falando que daquela vez realmente havia se assustado (coisa que acontecia a cada aluno que aparecia).
- Ataque zumbi! – Ouvi uma voz feminina.
Foi quando realmente começou a confusão.
Quando notei estava no meio de muitas pessoas correndo, havia perdido meus amigos completamente de vista. Pelo que entendi era uma das apresentações do terceiro ano B.
Havia alunos fingindo ser zumbis que quando conseguiam pegar alguém essa pessoa tinha que fingir ser um zumbi também, caso contrario a brincadeira perderia a graça. Eu nem fazia idéia quem havia tanta gente naquele colégio até ver esse ataque zumbi. Acredito que a maioria deveria estar dentro das salas, haviam vários tipos de atrações, minhas amigas e eu que resolvemos ficar apenas com o turno pelo colégio e não ficar entrando nas salas de aula.
Para fugir do tumulto entrei em uma das salas de aula, soltei um suspiro aliviada, mas quando me virei senti minha testa gelar, um zumbi!
Eu conhecia aquele zumbi. As roupas rasgadas, cabelo mais bagunçado do que quando o vi pela primeira vez, maquiagem pesada simulando ferimentos expostos, mas os olhos verdes o denunciaram completamente... Takeru.
- Cérebroooo!
Ao ouvir ele falar "cérebro" me lembrei daquele filme idiota "A volta dos Mortos Vivos" e comecei a rir, ele parou me observando.
- Você estragou o clima de terror.
- Eu não. – Falei quando consegui parar um pouco de rir. – Você estragou o clima sozinho.
Ele riu.
- Fugindo do tumulto?
- Sim... não vai me morder, né?
- Estou tentado. Sesshy comentou que você tem muita coragem.
- Legal. Agora, me fala, qual a relevância dessa informação na minha vida?
Takeru levantou a sobrancelha esquerda e sorriu apontando para porta no fundo da sala.
- Se quer fugir do tumulto... sugiro que pegue o corredor leste.
- Certeza?
- Confia em mim, menina.
- Obrigada.
Sai pela porta do fundo, tomando cuidado para que outros zumbis não me vissem. Eu sabia que um colégio com alunos com permissão para fazer festa de Halloween a noite ia dar nesse tipo de confusão.
Segui pelo corredor leste como Takeru havia me sugerido, aqui está mais calmo, apenas monstros normais.
Confesso que senti um certo alivio quando cheguei na pátio do colégio, estava ficando cansada de tantas fantasias de monstros e aquela confusão do "ataque zumbi" me cansou, até soltei um suspiro, que descarregou umas duas toneladas de cansaço do meu corpo, quando me sentei em um dos bancos.
Vendo o colégio daqui de fora quase acredito que as coisas estão tranqüilas, mas há alguns alunos fantasiados aqui fora também, até agora nenhum deles veio me assustar. Que continue assim, por favor.
Tirei minhas orelhas de gatinha e as luvas, peguei meu celular no bolso da saia, quase dez horas da noite. Estava ficando tarde, se não me engano o diretor deixou claro que o horário de encerramento da festa seria a meia noite.
Sango não ligou, nem nenhuma das meninas. Elas devem estar fingindo ser zumbis. Se elas não me ligarem ate as dez e meia eu ligo para uma delas.
Meu celular foi tirado de minha mão, levantei-me pronta para gritar com quem quer que fosse, mas era ele. Sesshomaru. O que esse idiota quer?
- Me devolve.
- Sem um por favor, não devolverei.
Idiota arrogante.
- O celular é meu!
Ele não me respondeu, apenas começou a mexer nos comandos do meu aparelho, bufei e tentei tomá-lo de volta, mas o idiota foi mais rápido erguendo o braço. Esse idiota tinha que ser bem mais alto?
Mas eu sou esperta, subi no banco que e estiquei meu corpo para alcançar o celular, o idiota deu alguns passos para trás me fazendo descer do banco para que eu pudesse o ter ao alcance de minhas mãos.
- Me devolve!
- Não foi por falta de aviso.
Então ele fez algo que fez meu sangue ferver.
Jogou meu celular na fonte do pátio.
Gritei e corri até a fonte, já era tarde.
- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?
Quando me virei para brigar mais com aquele RETARDADO MENTAL ele estava andando calmamente em direção a quadra do colégio. Corri ficando de frente para dele apertando meu dedo indicador em seu nariz.
- Vai me pagar um celular novo.
- E por qual motivo eu deveria fazer isso?
- Você jogou meu celular na fonte... VOCÊ O QUEBROU!
- Essa era a intenção. E não aponte o dedo, garota.
- O MUNDO NÃO GIRA AO SEU REDOR, SEU ARROGANTE IDIOTA!
Ele cruzou o braço, levantando a sobrancelha esquerda, aquela ação me irritou mais ainda, para ser sincera não sei exatamente quando pensei em dar um tapa naquela face, apenas tenho consciência que eu tentei dar um tapa nele, mas o infeliz foi rápido e segurou o meu punho.
- Seu celular foi um preço muito barato que você pagou por ficar me insultando, garota. Se considere com sorte.
Sesshomaru puxou o meu braço me fazendo bater contra o corpo dele.
- Aproveite que estou piedoso hoje e suma da minha frente. Antes que eu decida que quebrar seu celular não é o bastante.
- Vai fazer o que? Me bater?
- Não seria tão piedoso.
Soltou meu braço com brutalidade e bateu o ombro no meu quando seguiu até a quadra. Eu queria ir atrás dele e continuar a briga, mas sinceramente eu quero mais que ele vá para o inferno.
Vou embora para casa. Em pensar que essa festa de Halloween começou tão bem.
