Capítulo 2

Aquele seria um agradável sábado de verão.

O clima ameno da primavera começava a despontar e o calor absurdo diminuía gradativamente a cada dia. O céu azul, a brisa gentil que lhe tocava as bochechas e o cheiro de mudança no ar seriam recebidos de braços abertos em qualquer outro dia, menos naquele. É como se o universo não entendesse que este é o pior dia da minha vida. Ele suspirou, encarando o céu e sabendo que a próxima vez que o fitasse sua percepção seria completamente diferente.

Toudou acordou cedo naquela manhã. O restante do time dormia profundamente em seus respectivos cômodos, com exceção de Manami, seu colega de quarto, que havia ido passar o final de semana na casa de Sakimichi Onoda. Talvez seja a hora de eu ter a conversa com Manami. O refeitório estava vazio e seu café da manhã foi degustado sem companhias, ou melhor, testemunhas. Durante a semana ele tentou ao máximo esquecer aquele fatídico sábado, ocupando sua mente com treinos, flertes e conversas tolas. E eu consegui. Eu conversei com as garotas, me diverti com os rapazes do clube e tudo estava bem. Bom, quase tudo...

A mais importante e essencial relação em sua vida estava por um fio. Após o último final de semana e, embora Makishina tivesse feito a furtiva e secreta visita, seria impossível retornar aos velhos hábitos, principalmente tendo conhecimento de que seu namoro perfeito tinha prazo de validade. O rapaz de cabelos verdes nunca mencionou que o visitara no dormitório e nenhum dos colegas de clube fez qualquer comentário. Portanto, o moreno deduziu que não queriam que ele soubesse e aceitou o silêncio.

As ligações intermináveis transformaram-se em... termináveis. Aquele foi sem dúvidas o pior hábito que ele precisou deixar de lado e cada dia pareceu um martírio. Eu costumava ligar a cada intervalo de aula, sem contar que passávamos o almoço conversando enquanto comíamos. Eu sentia como se estivéssemos realmente próximos. Os telefonemas transformaram em duas ou três conversas aleatórias durante o dia e isso porque ele era fraco demais para simplesmente abrir mão daqueles preciosos minutos. Maki-chan reclamou, como sempre, mas aqueles foram os melhores momentos do meu dia.

Dormir sem ouvir a voz do amante era impossível, mesmo que a ligação fosse curta e muitas vezes sem que nenhum deles tivesse assunto. Uma parte nele receava apegar-se demais a alguém que estava tentando afastar-se e aquele sentimento conflitante o remoeu na terça e quarta-feira. Porém, na noite de quinta-feira foi Makishima quem telefonou e por dez minutos Toudou sentiu-se novamente o homem mais feliz do mundo. Ele riu, sorriu e o provocou e, ao final, ao ouvi-lo rir baixo enquanto desejava boa noite, algo em seu peito despertou.

Ele não desistiria.

E foi com esses sentimentos que o moreno deixou o dormitório e seguiu até a estação de trem, viajando por mais de uma hora até chegar ao local descrito na mensagem que Makishima enviara. É perto da universidade. Talvez Maki-chan queira cortar laços com o passado e focar-se no futuro. Mas eu não vou permitir!

Havia uma sorveteria, uma cafeteria e alguma coisa que parecia uma loja de doces ao redor, mas sua atenção estava totalmente fixa na melhor maneira de fazer com que o rapaz de cabelos esverdeados esquecesse aquela ideia. Eu prometo que ligarei menos vezes... eu prometo o que ele quiser!

A batalha interna durou cerca de dez minutos, até o assunto principal chegar.

Makishima vestia uma calça púrpura e uma blusa quase tão verde quanto seus cabelos. O coração de Toudou pulou uma batida, tentado a jogar-se naqueles braços que nos últimos anos foi o local que ele chamou de seu e implorar por uma segunda chance. Como sempre, o amante aproximou-se devagar, coçando a nuca e desculpando-se por um atraso que nunca acontecia, visto que ele era uma pessoa extremamente pontual.

"Eu acabei de chegar, Maki-chan," a resposta saiu ensaiava. Ele estava ali há quase trinta minutos.

"Você está fome? Podemos comer alguma coisa primeiro."

"Eu estou bem." O que é isso? Minha última refeição? Você é cruel, Maki-chan!

"E-Então, vamos..."

Toudou nunca saberia explicar de onde tirou forças para desencostar-se da parede do Café, que servira não apenas como suporte físico; e muito menos como reaprendeu a andar quando Makishima tomou as rédeas da situação e iniciou a caminhada. O entorno desapareceu, incluindo a paisagem e os sons das pessoas. A única coisa que ele escutava eram os próprios passos e as batidas de seu coração.

O rapaz de cabelos esverdeados mantinha-se quieto e os dez minutos seguintes foram sem dúvidas os mais pesarosos já vividos. Com a incerteza do que aquele encontro realmente significava, era impossível relaxar e aproveitar a incrível companhia que tinha ao lado. Eu sei o que dizer. Quando Maki-chan começar com a conversa de que quer terminar eu vou responder que jamais aceitarei isso!

Se sua coragem de abrir-se e dizer aquelas palavras era forte, o mesmo não poderia ser dito para sua resolução pessoal. Toudou sabia gritar e espernear, lutar e dialogar pelo que queria, no entanto, nunca vivera situação similar. Makishima foi e era seu primeiro e único amor, apesar de já ter tido algumas namoradas no passado. Elas nunca me deixaram. Eu sempre terminava os namoros, então não faço ideia quais sinais alguém com uma rejeição em potencial deve procurar.

A pior parte sem dúvidas ficava por conta de o amante ser quem era. Makishima era muito mais do que seu namorado e melhor amigo. Ele era seu herói pessoal, seu rival e a única pessoa com quem o moreno conseguia imaginar-se tendo um futuro. Eu nos vejo juntos na universidade e no trabalho. Nossas brigas e conversas e os anos que passaremos juntos até nos tornarmos dois velhinhos. Seria bom, nee, Maki-chan? Quando esse futuro deixou de ter importância para você? Ou melhor, você algum dia chegou a cogitar pertencer a mim pelo resto da vida?

Eles caminharam através de ruas, passando pelo centro comercial e virando em uma pacata esquina. O rapaz de cabelos esverdeados perguntou sobre o restante dos membros da Hakone e, pela primeira vez desde que se encontraram, Toudou respondeu sem hesitação. Era um prazer, além de uma honra, falar sobre os amigos. Seu interlocutor pareceu gostar do que ouviu, pois vez ou outra um leve meio sorriso fazia seus olhos caídos brilharem.

Toudou só notou que haviam deixado a rua ao sentir-se subindo dois lances de escadas. Havia um prédio de dois andares e a escadaria era externa; o corredor era longo e comportava cerca de meia dúzia de apartamentos por andar, todos numerados com dois dígitos. Eu nunca estive aqui.

Makishima retirou uma chave do bolso da calça, parando em frente ao apartamento de número 15 e abrindo a porta sem receio. O corpo do moreno enrijeceu-se e ele podia sentir todos os seus músculos negarem aquela situação. Isto aqui não é um motel ou a casa de nenhum amigo. Maki-chan pretende terminar comigo em um lugar onde nunca estivemos? Por quê? A ideia de que seu amante não queria ter lembranças daquele dia foi a única razão plausível e naquele instante sua coragem vacilou.

A porta se abriu e ele precisou cobrir os olhos. A claridade o havia cegado momentaneamente e o impossibilitado de ver o interior do apartamento. Quando eles se acostumaram, contudo, foi fácil notar a grande sala e a varanda aberta, de onde vinha a claridade e uma deliciosa brisa. O rapaz de cabelos esverdeados havia arrastado a porta de vidro e o ar que entrava era quente e aconchegante, afastando o cheiro de pintura e novidade que se alastrava pelo local.

"Aqui, Toudou."

Makishima esticou a mão e jogou alguma coisa em sua direção. O moreno, que esteve preocupado demais com seus demônios internos para ouvir-se chamado, vacilou antes de segurar o objeto, que foi agarrado por suas duas mãos. A peça era pequena e prateada, igualzinha a que fora retirada do bolso da calça púrpura antes de abrir a porta. O que é isso?, Ele pensou ao caminhar até o meio do apartamento.

"Você não poderá entrar sem uma chave, hm? E eu talvez não esteja em casa para recebê-lo todos os dias."

"Esta é... sua nova casa, Maki-chan?"

"Esta é nossa nova casa." Makishima afastou-se da varanda, caminhando com passos desinteressados e com as mãos nos bolsos. "Meu pai comprou-a para mim e eu terei de pagar cada centavo, mas é nossa e próxima à universidade." Os dois estavam um de frente para o outro. Os olhos azuis se ergueram para encarar diretamente os belíssimos olhos esmeraldas. "Desculpe por aquele dia. Eu esqueci meu telefone e não notei, pois estava aqui terminando de pintar as paredes. Tudo o que eu conseguia pensar era na sua reação quando eu entregasse essa chave."

Por um momento ele nada fez. Sua mente processava aquelas informações em uma torturante velocidade e foi preciso alguns segundos para que Toudou entendesse o que havia acabado de ouvir. Eu não fui rejeitado. Todo o tempo gasto em planos mirabolantes, discursos entusiastas e declarações melosas soavam como meras lembranças de um passado ainda mais distante do que o dia em que ele ligara e não fora atendido.

As lágrimas se formaram embaixo de seus olhos, como o mar azul sendo refletido pelo sol brilhante. Elas desceram quentes por suas bochechas e, mesmo que ele não tivesse controle, foi fácil sentir o calor dos dedos que acariciaram seu rosto, enxugando-as com gentileza.

"E-Eu... pensei que você fosse terminar comigo..." Suas mãos subiram pela camisa verde, apertando o tecido com força. "Eu jurava que você tinha me chamado aqui para terminar tudo."

"O que é isso? Desde quando Toudou Jinpachi tornou-se tão pessimista? Para onde foi aquela confiança toda?"

"A culpa é sua!" O moreno elevou a voz, o que era inédito. "Você me faz agir desse jeito! Você me faz sentir felicidade e tristeza e ciúme! Eu nunca senti essas coisas antes e sei que sem você na minha vida eu jamais voltarei a senti-las. E-Eu tenho tanto medo de te perder, Yuusuke, que às vezes e—"

"Ninguém vai perder ninguém." A voz soou baixa e acolhedora. As mãos que estiveram em seu rosto pousaram em seus ombros e os dois voltaram a se encarar. "A partir de setembro nós moraremos juntos neste apartamento e nos veremos todos os dias. Sem encontros semanais ou mensais, sem horas de distância para que possamos nos ver... e somente eu e você."

"Mesmo?" A coloração rosada tingiu suas bochechas. Não era todo dia que ele tinha o privilégio de ouvir Makishima ser tão honesto com seus sentimentos.

A resposta foi um meio sorriso, que foi suficiente para afastar quaisquer dúvidas que ainda assombrassem seu coração. Toudou encarou a chave na palma de sua mão e foi impossível não sorrir largamente. Nossa casa. Eu gosto como isso soa! Seus olhos permitiram-se uma boa olhada pelo local, notando as paredes perfeitamente brancas, alguns jornais e latas de tinta em um canto e um futon, travesseiro e cobertor em outro.

"Você dormiu aqui, Maki-chan?"

"De sábado para domingo. Por isso Kanzaki-san me devolveu o celular no domingo. Ela disse que pretendia devolvê-lo na segunda, mas achou que talvez eu fosse precisar dele."

O moreno mordeu os lábios antes que pudesse comentar sobre a soturna visita que recebeu no domingo à noite. Maki-chan estava cansado e mesmo assim se deu ao trabalho de ir me visitar e tudo o que fiz foi fingir-me de inconsciente. Que oportunidade perdida!

"Eu vou ajudar a pagar seu pai, Maki-chan."

"V-Você não prec—"

"Mas eu quero! Dessa forma parecerá realmente que pertence a nós dois. Nossa casa, nee?"

"S-Se você diz..."

O rapaz de cabelos esverdeados coçou a nuca e desviou os olhos. Sem assuntos tristes ou medo de prováveis rejeições, era realmente embaraçoso estar naquela posição, tão próxima e perigosa. Havia um estranho ar entre eles e Toudou não perdeu tempo em entender a possibilidade que tinha diante de seus olhos. A chave prateada foi muito bem guardada na pequena mochila que cruzava seu peitoral, que foi retirada e deslizou até o chão do piso de madeira sem fazer barulho.

Seus dedos subiram pela blusa verde, sentindo o tecido e, principalmente, os músculos que estavam por baixo. As mãos entrelaçaram o pescoço e ele sorriu largamente antes de ficarem frente a frente. Nós somos basicamente da mesma altura e com um pouco de sorte eu me tornarei mais alto~. O momento tão esperado, e guardado em uma parte especial de seu coração, finalmente estava prestes a acontecer.

O primeiro passo daquela relação aconteceu há três anos, em uma tarde chuvosa de outono. Eles pedalaram e brigaram e discutiram, e Toudou deixou escapar a confissão que vinha guardando por meses. Eu costumava vê-lo com as garotas e isso me deixava irritado. Por que elas olhavam para um esquisito feito Maki-chan e não para mim? Foi preciso algum tempo para que eu entendesse que o ciúme não era delas, mas dele. Eu não queria que ninguém mais soubesse que ele existia. Maki-chan deveria ser somente meu!

Foi nessa época que a amizade entre eles tornou-se mais forte. Todos os finais de semana significavam pedaladas e o moreno achou que aquela seria sua fase de ouro; o brilho de sua juventude. Bem, pelo menos até o dia em que ele confessou que estava apaixonado por Makishima. Ele parou de falar e arregalou os olhos e tudo o que pude ouvir foi o som da chuva. Eu tinha certeza de que nunca mais nos veríamos.

Aquela previsão pessimista realmente aconteceu, entretanto, não por tempo indeterminado. Por três semanas eles não se viram ou se encontraram para pedalar. O moreno mantinha a agenda, chegando ao parque todos os domingos de manhã e passando horas esperando por uma companhia que não apareceria. No quarto domingo, todavia, quando o sol já se punha e ele havia passado o dia sentado e encarando o céu, a pessoa tão aguardada o chamou pelo nome, o rosto escondido dentro de um cachecol creme e a ponta do nariz vermelha devido ao tempo frio. Ele perguntou se eu havia esperado por muito tempo e eu menti dizendo que havia acabado de chegar. Maki-chan sabia, porque me vira esperar todos os domingos por ele.

O rapaz de cabelos esverdeados então se aproximou o suficiente para que a conversa não fosse ouvida, mas distante demais para um amigo. Ele perguntou se Toudou falou sério naquele dia e não se surpreendeu ao ouvir a confirmação. Makishima coçou a nuca e pareceu irritado, dizendo que não sabia o que fazer. O moreno, em um instante de coragem, pediu um beijo; um beijo para provar àquela pessoa que seus sentimentos eram reais e que ele era capaz de fazê-lo feliz.

E aquele simples e gentil beijo trocado em uma tarde de domingo transformou-se em uma relação que durava três anos.

Nesse período, eles brigaram e discutiram; pedalaram juntos e participaram de maratonas; riram, sorriram e foram felizes. Palavra alguma poderia definir o que foi aquele tempo ao seu lado e não havia um dia que ele não acordasse e agradecesse por sua sorte. Algumas pessoas passavam a vida sem nunca terem se apaixonado, outras se apaixonavam com tanta facilidade que o sentimento tornava-se vazio. Toudou sabia que o que tinham era diferente, raro. Que jamais encontraria alguém como ele...

O beijo foi longo e profundo, do jeito que ele gostava. Makishima não mostrou resistência, permitindo que a língua entrasse por sua boca, enquanto subia as mãos até passá-las pelo pescoço do moreno. Os corpos se encontraram e aquela última semana pareceu perder cada vez mais sua importância. As noites mal dormidas, a tentação de realizar uma ligação sabendo que não deveria e, especialmente, não poder dizer todos os dias que Maki-chan é meu mundo.

A pausa para respirar foi breve e seguida por um novo beijo. Nenhum deles parecia disposto a colocar fim àquele momento e durante os minutos que permaneceram em pé, no meio da sala, não havia nada mais importante do que estarem juntos.

"Maki-chan..." Toudou murmurou entre o beijo. Ele queria falar, mas também queria continuar a beijá-lo. "Eu quero mais..."

O rapaz de cabelos esverdeados olhou ao redor e voltou a encará-lo com um olhar que dizia claramente que ele sentia muito, porém, não havia absolutamente nada no apartamento para o fim que seu amante pretendia para aquele reencontro. O moreno, que dificilmente saia perdendo, pensava extremamente rápido em situações que poderiam beneficiá-lo. Seu corpo projetou-se para trás e foi com um charmoso gesto que seu dedo indicador apontou para o lado direito onde estava o futon, travesseiro e cobertor.

"Esse futon é desconfortável e a coberta cheira a tinta. Vamos voltar, Toudou. Podemos ir para minha casa..."

"Eu agradeço o tentador convite, Maki-chan, mas não sei se conseguirei esperar tanto."

Ele mordeu o lábio inferior. A ideia de fazer amor na confortável cama de Makishima, vendo-o gemer e mover-se sobre os caríssimos lençóis de seda era tentador, no entanto, seu objeto de desejo estava bem diante de seus olhos, então, por que esperar? É como ir à confeitaria em um dia chuvoso e pedir um pedaço do melhor bolo para viagem, quando você poderia simplesmente puxar uma cadeira, sentar-se e lambuzar-se de cobertura!

Ele caminhou até o canto da sala, segurando uma ponta do futon e arrastando-o para o centro, vendo o instante em que Makishima engoliu seco, percebendo que não haveria para onde fugir. Havia somente um travesseiro, que foi jogado em uma das extremidades. Não havia cortinas, logo, seria fácil enxergar muito bem o que aconteceria naquela vazia sala.

"E permita-me lembrá-lo de que fui o vencedor da última corrida, então hoje é minha vez de ficar por cima!"

"Você ficou por cima da última vez!" A resposta saiu acompanhada de um belo par de bochechas vermelhas.

"E você não pareceu se importar, pelo que eu me lembre~"

O moreno voltou à frente de seu amante, oferecendo sua piscadela mais charmosa, abrindo o zíper da jaqueta de baseball que vestia naquela manhã e deixando-a cair ao chão. O sorriso em seus lábios era tão honesto que ele sentia que talvez não conseguisse desfazê-lo nunca mais.

As mãos tocaram seu rosto, contudo, subiram direto para os cabelos. Os dedos de Makishima entraram por entre os fios negros, derrubando a tiara enquanto seu corpo se projetava à frente. Os lábios fisgaram os de Toudou em um profundo beijo, que o surpreendeu totalmente. O rapaz de cabelos esverdeados sempre foi o mais sério e, digamos, casto com relação a sexo. Ele, por sua vez, era o mais entusiasmado e não perdia chance nenhuma de ter algum contato mais íntimo com aquela pessoa, fosse em vestiários, banheiros, dormitórios ou seu lugar favorito, a cama de Makishima, local que já fora palco de horas ardentes e eróticas.

Suas mãos subiram pelas costas magras, puxando o tecido da camiseta e deixando claro que ela estava no caminho O recado pareceu ser entendido, pois a peça foi retirada e fez companhia à jaqueta de baseball. Os dois se entreolharam, respirações altas e olhos brilhantes com desejo. As calças foram retiradas quase ao mesmo tempo e Toudou quase deixou um gemido ao ver a colada roupa de baixo lilás que Makishima vestia. O tecido marcava toda aquela região, fazendo-o ansiar pelo que ali se escondia.

Foi difícil não deixar que seus dedos se esticassem e tocassem o membro por cima da roupa de baixo. Seus joelhos cederam, afundados no futon à medida que seu corpo se projetava à frente. Geralmente ele jamais iria com tanta a sede ao pote. O moreno gostava de saboreá-lo aos poucos, observando suas reações e dando o seu melhor para oferecer prazer. Ele adorava sexo, todavia, o ato perdia completamente o sentido se a outra parte não aproveitasse, pois grande parte de sua satisfação estava em vê-lo pedir por mais.

O rapaz de cabelos esverdeados não o parou. Toudou então abaixou um pouco a roupa de baixo, o suficiente para que pudesse ver a parte que lhe interessava. A língua tocou a ereção, umedecendo-a da base à ponta para finalmente deixar que entrasse em sua boca. A sensação o fez gemer, como sempre acontecia quando recebia Makishima. Nada consegue ser mais delicioso que Maki-chan. É quase um crime. Os olhos azuis se mantiveram bem abertos, fixos naquele que estava em pé e que o olhava com olhos semicerrados de desejos e lábios entreabertos. Não me olhe dessa maneira, Maki-chan, ou vou acabar me exibindo.

Os movimentos tornaram-se menos contidos e por várias vezes ele fez questão de tirar e colocar o membro em sua boca apenas para provocá-lo. Toudou sabia que Makishima gostava de observá-lo e que o excitava vê-lo agir de maneira um pouco depravada. Eu vou oferecer um pouco de fanservice para você, Maki-chan... A mão esquerda desceu até sua roupa de baixo, retirando a própria ereção e começando a masturbá-la sem pudor. A reação foi imediata e o amante tornou-se ainda mais rígido dentro de sua boca.

O moreno precisou somente de alguns minutos para satisfazer o rapaz de cabelos esverdeados, que era fraco ao prazer e fácil de agradar. Eu venho fazendo isso há tanto tempo que seria impossível não ter me tornado bom. Ele sabia exatamente onde Makishima sentia mais prazer e não poupava esforços em agradá-lo.

Os baixos gemidos ecoaram com um pouco mais de afinco e Makishima avisou sobre seu orgasmo, chamando-o pelo primeiro nome em uma voz deliciosamente rouca. Toudou fechou os olhos e recebeu o clímax sem intenção alguma de desperdiçá-lo, sentindo-o descer morno por sua garganta. O membro foi retirado de sua boca e ele fez questão de correr a língua duas vezes por sua extensão apenas para ter certeza de que não perdera nada.

O rapaz de cabelos esverdeados respirava com dificuldade, mas seus olhos estavam fixos naquele ajoelhado à sua frente. A roupa de baixo lilás desceu pelas longas e pálidas pernas e seus joelhos cederam em seguida. Toudou entendeu o que aquela atitude significava e deitou-se no futon, exibindo um largo sorriso. Os dedos de Makishima seguraram a peça azul clara, retirando-a e atirando-a para trás de seus ombros. O moreno afastou um pouco as pernas, oferecendo todas as visões que seu amante tanto apreciava. Você pode olhar o quanto quiser, Maki-chan. Cada pedacinho é somente seu!

Makishima colocou os cabelos atrás da orelha antes de se ajoelhar entre as pernas, abocanhando a ereção que sumiu dentro de sua boca. Toudou gemeu, arrepiando-se com aquela nova sensação e a visão daquela pessoa fazendo algo tão inimaginável. Os movimentos eram menos contidos e o amante conseguia recebê-lo por completo, provocando-o enquanto tocava a entrada com dois de seus dedos. Ele sabe onde eu gosto de ser tocado... Os gemidos tornaram-se mais constantes depois dos segundos iniciais e principalmente quando Makishima passou a encará-lo.

Uma pena não termos trazido lubrificante. Eu queria que ele me tocasse mais fundo. Toudou apertou o futon e juntou as sobrancelhas, perdido entre a vontade de chegar ao orgasmo e a necessidade de guardar aquele momento tão especial para depois. Eu preciso prepará-lo. E-Eu disse que ficaria por cima, mas estou quase mudando de ideia. Sua mão esquerda tocou os macios e longos fios e Makishima parou o que fazia, perguntando com os olhos o motivo para aquela pausa.

Havia algo extremamente peculiar no modo como o rapaz de cabelos esverdeados mudava durante o sexo. O sempre esbelto e levemente tímido ciclista do colégio Sohoku, que raramente falava com desconhecidos e tinha uma língua afiada para ironias, transformava-se quando o assunto não eram bicicletas. Os olhos ganhavam um brilho diferente, os sorrisos sarcásticos continham um toque de certo sadismo e a pitada de ousadia fazia dele o amante perfeito.

O moreno sentiu seu membro ser envolvido mais uma vez por algo quente e úmido. As palavras voltaram a ficar presas em sua garganta e ele desistiu de falar ao vê-lo umedecendo os dedos e levando-os até sua própria entrada. Meu Deus... eu morri?! Este é o Céu? M-Maki-chan se preparando? Aqui? Na minha frente?! Eram raríssimas as ocasiões que seu amante se permitia certas ousadias e nunca, em três anos, ele o havia visto se preparar sozinho.

Toudou observou por mais tempo do que acharia possível, mentalmente falando. Seus olhos estiveram o tempo todo encarando aquela cena tão inusitada: o modo como Makishima engolia sua ereção, a destreza demonstrada em preparar-se e a maneira natural com que ele deixava os dedos entrarem e saírem de sua entrada. Ele sabe o que está fazendo. Será possível que Maki-chan está acostumado a fazer isso?

A imagem mental do ciclista de Sohoku deitado na grande cama de seu quarto, sobre lençóis se seda roxos, completamente nu, e tocando-se ao chamar seu nome foi o último incentivo que ele precisava para fazer o que seu corpo e coração desejavam. O nome foi chamado baixo e o rapaz de cabelos esverdeados parou novamente, porém, dessa vez o obedeceu. Toudou engoliu seco, ajoelhando-se no futon com dificuldade e pedindo que ele se deitasse.

Makishima não pareceu se importar, no entanto, fechou as pernas e escondeu a nova ereção assim que as costas tocaram o futon. O moreno, que adorava um desafio, sorriu largamente antes de afastar os joelhos e encarar aquela visão que nunca deixava de encher-lhe os olhos. Ele parece ainda mais apetitoso... as bochechas coradas, as marcas vermelhas por seu corpo pálido... esse olhar.

Toudou martirizou-se outra vez por não ter trazido lubrificante. Eu estava tão preocupado em ser rejeitado que jamais imaginei que faríamos amor, então não me atentei em preparar nada. Havia um preservativo em sua carteira e somente porque ele sempre saia prevenido. A bolsa transversal foi puxada pela alça e o preservativo colocado sobre o futon. Makishima permanecia imóvel, olhando-o com certa curiosidade e um pouco de impaciência.

Dois de seus dedos foram umedecidos com saliva antes de tocarem a entrada. O amante tremeu, cobrindo o rosto com um dos braços, contudo, sem fugir do toque. Eles foram fundo, não encontrando muita resistência e procurando o ponto especial que fazia com que Makishima emitisse doces e roucos gemidos. A busca não durou muito, visto que Toudou conhecia aquele corpo como ao seu.

O rapaz de cabelos esverdeados moveu-se no futon, respirando alto e tentando ao máximo omitir suas reações, que eram assistidas por um paciente e dedicado moreno. Eu jamais o machucaria. Desde a primeira deixei claro que se não for para ambos sentirmos prazer, então o melhor é não fazer nada. Toudou apreciava preliminares longas e preparações intensas. Dor não lhe atraía, e ele sempre cessava seus movimentos no primeiro sinal de desconforto.

Os dedos foram retirados após algum tempo e o preservativo colocá-lo com pressa. O travesseiro foi pousado embaixo do quadril de Makishima, evitando que o atrito com o futon machucasse a pele e elevando aquela área para que os movimentos fossem menos difíceis. A ereção posicionou-se na entrada e o lubrificante do preservativo tornou o ato mais fácil e provavelmente menos doloroso, pois o rapaz de cabelos esverdeados não exibiu expressão de dor.

O membro entrou devagar e só parou quando estava completamente dentro. Toudou fechou os olhos e respirou fundo, focando-se para não chegar ao clímax naquele exato instante. No começo seus orgasmos aconteciam assim que ele o penetrava. Maki-chan é muito mais centrado. Makishima era muito apertado e mesmo com longos minutos de dedicadas preliminares ainda era difícil invadi-lo. Tempo e muitos finais de semana o ensinaram a podar seus desejos, embora continuasse difícil se controlar em algumas situações.

Os primeiros movimentos foram lentos e serviram unicamente para que o corpo se acostumasse à invasão. Por alguns minutos o moreno moveu-se devagar, os olhos atentos às reações e esperando algum indício de dor ou desconforto. Em determinado momento Makishima retirou o braço do rosto, encarando-o diretamente e movendo a cabeça em positivo. O sinal que Toudou tanto esperava foi recebido por um largo sorriso e suas mãos agarraram o pálido quadril, apertando-o antes da próxima estocada. Ela foi rápida e forte, atingindo o ponto especial e fazendo-o virar o rosto para a esquerda enquanto gemia.

A regularidade das estocadas foi imposta após alguns minutos. O corpo do rapaz de cabelos esverdeados acostumou-se às investidas e o recebia sem restrições. Toudou não perdia tempo, inclinando-se à frente, apoiando as mãos no futon e rentes ao rosto daquele que estava por baixo, permitindo que seus movimentos fossem mais profundos. Ele está corando! Seu sorriso aumentou ao vê-lo lutando contra as sensações, apertando os olhos e mordendo os lábios.

Naquela posição eles estavam um frente para o outro e a visão muito lhe agradava, não perdendo tempo em esticar uma das mãos, tocando a face e fazendo com que se encarassem. Seu rosto abaixou-se e Makishima não fugiu ao beijo. As línguas se envolveram em uma carícia que começou desajeitada devido às respirações desniveladas, entretanto, que não demorou a transformar-se em uma agradável carícia.

Com o passar do tempo, os beijos tornaram-se difíceis de serem realizados devido à intensidade do ato. O moreno passou a penetrá-lo com mais rapidez e força, em um ritmo que oferecida pouco tempo entre uma estocada e outra. Makishima, por sua vez, não conseguia fazer nada além de gemer e chamar por seu amante, apesar de ser evidente que ele tentasse omitir as reações mais exageradas.

A voz não era baixa, todavia, soava bem mais contida do que a do moreno. Os gemidos eram roucos e era possível ouvir um "bom" ou "hm" ou "J-Jin" entre uma estocada e outra. Os dois se encaravam durante o ato e aquela proximidade começava a causar efeitos colaterais. Toudou sentia sua ereção ser apertada pelos músculos e aquele estímulo fazia os pelos de seu braço se arrepiarem, o primeiro sinal para seu clímax.

"M-Maki-chan..." Ele umedeceu os lábios e conseguiu a atenção daquele que estava por baixo. "Eu vou me mover um pouco mais rápido..."

Makishima abaixou os olhos e respirou fundo antes de virar o rosto para o outro lado. As estocadas o atingiram mais profundamente, e daquela posição Toudou conseguia ver claramente o pré-orgasmo pintar o abdômen, o que demonstrava que seu amante estava muito próximo de perder o controle. O calor daquele corpo, a voz rouca e erótica, o cheiro da pele de Makishima... tudo naquela pessoa era capaz de excitá-lo ao limite.

Os gemidos soavam pela sala com eco. Não havia um móvel sequer para abafar aquele momento de luxúria e foi escutando a própria voz que Toudou chegou ao clímax. Seu mundo tornou-se momentaneamente negro, porém, ele não se permitiria o súbito silêncio que acompanhava a perda de consciência.

O moreno mexeu a cabeça e abriu os olhos no exato instante em que Makishima anunciava seu orgasmo, movendo as mãos devagar, enquanto seu peitoral era pintado de sêmen. Seu corpo arrepiou-se ao sentir os músculos apertarem seu membro e seus lábios sorriram com o prospecto de que muito em breve eles poderiam fazer amor quase diariamente.

O silêncio que pairou no cômodo foi quebrado por alguns gruídos baixos quando Toudou retirou-se, e o preservativo foi lacrado e fechado dentro de sua embalagem. Ele certamente teria caído se não houvesse apoiado o corpo com as mãos, sorrindo ao deitar-se, esticando os braços e chamando Makishima para um abraço, que foi aceito de imediato. O amante acomodou-se em seus braços, respirando com dificuldades e escondendo-se em seu ombro.

"Eu sinto muito..." A voz era quase um fio e, ainda que tentasse soar sussurrado, o rouco era evidente. "N-Naquela noite, desculpe por te fazer chorar, Jinpachi."

Ouvir-se chamado pelo primeiro nome, por aqueles lábios e naquela situação o fez sorrir, apertando o abraço e fechando os olhos com satisfação.

"Eu realmente te amo, Yuusuke. Como eu pensei, não existe ninguém nesse mundo para mim além de você."

Makishima não respondeu, mas Toudou sentiu que as mãos em suas costas o apertaram com mais força. Os dois permaneceram naquela posição por algum tempo, até o rapaz de cabelos esverdeados se arrastar para o lado e deitar-se, encarando o teto e respirando profundamente.

"Quando poderemos nos mudar?" O moreno havia se virado e o braço direito servia de apoio para sua cabeça.

"Julho, talvez. Depois que as aulas terminarem, começaremos a mobiliar o apartamento."

"Hm... quantos móveis precisaremos? Eu tenho algumas economias e ta—"

"Os móveis estão incluídos no apartamento..." Makishima colocou os cabelos para cima e daquela posição Toudou poderia ver as charmosas pintas naquela perfeita face. A claridade vinda da varanda iluminava o peitoral pálido, que brilhava devido ao suor. "Quando eu disse que pretendia alugar um apartamento próximo à universidade meu pai perguntou se eu moraria sozinho. Eu disse que dividiria o apartamento com um amigo e na semana seguinte ele se ofereceu para comprar o imóvel. Eu acho que ele sabe sobre nós."

"Oh..." Ele engoliu seco e tentou não deixar que aquela informação estragasse seu momento. O pai de Makishima era um homem sério e imaginá-lo tendo conhecimento daquele relacionamento soava mais apavorante do que animador. "Então você disse que o amigo era eu."

"Claro que eu disse. Ele teria descoberto de um jeito ou de outro."

"Então, vamos nos mudar o quanto antes." Toudou deixou que sua mão esquerda corresse pelo pálido e suado peitoral de seu amante. Ali havia uma infinidade de pequeninas pintas. "Eu quero começar minha vida ao seu lado o quanto antes."

"Hm..."

"É um pouco difícil de acreditar que em menos de seis meses estaremos morando debaixo do mesmo teto. Eu dormirei e acordarei ao seu lado, faremos revezamento para as refeições e limpeza e iremos juntos à universidade. Pedalaremos quando tivermos tempo livre e viajaremos juntos nas férias..."

As palavras saíam uma atrás da outra, sem que ele tivesse muito controle sobre elas. A realização de que seu sonho estava prestes a tornar-se realidade o fazia sentir um pouco de medo do desconhecido, mas a sensação dominante era sem dúvida a mais genuína felicidade.

"E faremos amor todas as noites... nós nos amaremos tanto, Maki-chan, que eu tenho certeza de que se tentarmos certamente poderemos ter um filho!"

"Hã?" Makishima virou-se imediatamente. "Eu sou um homem, assim como você, Toudou. Eu não posso ter filhos!"

"Você pode! Se tentarmos todos os dias eu sei que conseguiremos! Imagine, um garotinho com o meu rosto e os seus cabelos? P-e-r-f-e-i-t-o~!"

"O que há de errado com o meu rosto?" O olhar que recebeu transbordava reprovação.

"Nada, seu rosto é maravilhoso, Maki-chan! Mas ele precisa ter alguma característica minha, não?"

"Contanto que não seja essa personalidade narcisista..."

"Do que você me chamou?" Toudou entreabriu a boca, estupefato.

"Você me ouviu..."

"Maki-chan!"

Ele virou-se, ficando por cima e exigindo um pedido formal de desculpas. Seu interlocutor o olhava com ironia e seus finos lábios formaram um largo e gentil sorriso enquanto uma das mãos tocou sua nuca, puxando-a para baixo. O beijo o calou, não tanto pela surpresa, mas pelo carinho com que foi dado. Seus olhos se fecharam e as bochechas tornaram-se rubras conforme eles se permitiam aquele doce momento.

"Quer tentar novamente?" Makishima roçou os lábios em sua orelha esquerda, mordiscando-a.

"Sim..." Toudou riu e afundou o rosto nos longos e macios cabelos verdes. "Nós poderemos tentar fazer bebês todos os dias, pelo resto de nossas vidas."

Continua...