Renée POV

Mary não desceu para o café-da-manhã hoje. Não que isso seja novidade. Ela provavelmente abusou da bebida e está tentando controlar sozinha sua ressaca. Menina estúpida! Se ela vier contar outras histórias ridículas, eu juro que...

Respire Renée, relaxe. Preocupações vão evidenciar a sua ruga-da-brava, e você não quer isso.

Quando Phil chegou para o almoço, perguntando por ela, eu apenas disse que não interrompi sua recuperação do porre.

Phil se preocupou. Ele se importava com Mary muito mais do que ela merecia.

-Ela está no quarto?

-Sim.

-Porque a moto não está em casa? – Como assim?

- Não está? Algum amigo dela deve tê-la trazido. Alguém sensato, não a deixou dirigir, provavelmente.

- Você a viu? – Agora ele estava realmente preocupado.

-Não; quer dizer, Mary nem ao menos saiu do quarto.

Phil levantou tão depressa que me assustei. Ele saltava de três em três degraus, escada acima. O segui, enquanto ouvia batidas ensurdecedoras na porta, e seu grito:

- MARY, VOCÊ ESTÁ BEM? – Nada. Nem um suspiro, resmungo ou xingamento.

- MARY, EU VOU ENTRAR NO QUARTO! – ele disse no momento que o alcancei, e girou a maçaneta.

Parecia tão perplexo quanto eu ao perceber que a porta não estava trancada. A cama estava vazia. Phil se dirigiu ao banheiro enquanto eu abria as cortinas.

Notei os lençóis ainda arrumados, marcados por um corpo que se deitou. Quando meu noivo voltou ao quarto, havia algo novo em seu olhar. Algo que não soube identificar, mas achei melhor manter distância.

- Ligue para sua mãe, para as amigas dela, qualquer pessoa. Ela sumiu.


Mary/Bella POV

Eu ainda não tinha me acostumado ao clima. Eu ainda não tinha saído de casa – nenhuma vez. Eu ainda não sabia como lidar com esse sentimento de esperança, a despeito do medo.

Neste momento nada disso importava. Só era importante eu estar preparada para descer do carro e encarar meu primeiro dia de aula.

Até parece que era fácil assim. Eu estava morrendo de medo de pisar na bola e deixar escapar alguma coisa, de me encontrarem, de ferrarem com a vida do Seth e do Jake...

A merda já estava feita, não dava pra voltar atrás. E bem, na verdade essa merda estava me protegendo de outra bem maior.

Vamos nessa Mary. Você é tudo menos covarde.

Mary não; BELLA!

Mais uma coisa com o que me preocupar. E se eu nem atender quando chamarem meu nome?

Seth deu uma volta de carro comigo o final da tarde de domingo, pra mostrar a cidade, a escola, o mercado... Basicamente só isso. Forks era o tipo de cidadezinha que tudo gira em torno da avenida principal. E qualquer lazer mais próximo da civilização estava a 100km de distância.

Mas eu nem tinha do que reclamar. Até um carro eles me arranjaram; "Pra você não precisar pegar chuva" disseram. Mas eu sei que tinha dedo do Jacob nisso – não pude conter um sorriso quando pensei – Jake sabe que eu odeio pegar carona, de qualquer pessoa.

Enfim, ontem de manhã Jared, amigo do Seth, apareceu com um Monza 94 azul Royal e me jogou as chaves, se desculpando a demora porque parou pra comprar um chaveiro de coração para o carango.

É o jeito dele de dizer "seja bem-vinda".

E eu me senti.

Mas como tudo que é bom dura pouco, hoje era meu primeiro dia na nova escola. E, inferno, eu mato o desgraçado que me inscreveu em Educação Física!

No final das contas deu tudo certo: eu estava adiantada em todas as matérias, então pude ficar entediada, todos ficaram curiosos por mim, eu gastei alguma saliva com alguns poucos contando a minha história.

Oi meu nome é Bella Black, meus pais sofreram um acidente fatal, então vim morar com meu padrinho Seth.

O que não deixava de ser, em parte, verdade.

Pais mortos para evitarem perguntas desconfortáveis, seria mais fácil eu me recusar a falar sobre.

Entretanto, para mim, meus pais estavam mesmo mortos.

Meu pai por estar realmente morto. Charlie Swan, o herói nacional. O homem que combateu terroristas e salvou o presidente. Blábláblá. Todo mundo me dizia pra ter orgulho de meu pai, mas a verdade é que eu preferia ter um pai normal, vivo, a um pai herói morto.

Que seja.

Minha mãe estava morta pra mim. Seu estilo de vida e ações a mataram há muito tempo. Por anos ela viveu a sombra da reputação de meu pai. E quando sua parte do dinheiro acabou ela se juntou ao Phil por comodismo (e dinheiro).

Phil é um empresário. Times, ginásios, fábricas de materiais esportivos... O que for relacionado a esporte ele tem. E ainda por cima ele tem o dom de transformar tudo em dinheiro. No mundo dos negócios o apelidaram de Midas.

Renée se apaixonou pelo Midas, não pelo Phil.

Até hoje eu não sei o que Phil viu em minha mãe. Se bem que, parando pra pensar, até faço uma idéia.

Eu queria ser uma mosquinha pra saber qual a reação deles quando descobriram meu sumiço. Aposto que foi meu quase-padrasto quem notou primeiro.

É Forks, faça o favor de ser o fim de mundo que é, e me proteger.


Oi pessoal!

Eu demorei um pouquinho, eu sei. A volta às aulas me enrolou, mas agora eu acho que vai ser mais fácil criar um ritmo de postagem.

Um abração!