De volta ao inicio de tudo.
Christian estava atendendo a um general e sua esposa, explicando as complexidades e refinamentos do novo prato que inventara, enquanto recebia os elogios. Odiava isso, mas, como chef e dono, tinha de fazer o social com os clientes ilustres. Tinha de manter o bom nome do restaurante, que era freqüentado pelo alto escalão da administração de Ametris, bem como outras pessoas ilustres, há três gerações. Conversava com a esposa do general, mas parou subitamente ao ver uma cliente entrar e sentar-se, sozinha, em uma das mesas mais escondidas do restaurante. Sorrindo, voltou a falar, dando uma desculpa e assim, se despedir.
Caminhou em direção da mesa onde estava sentada a bela mulher, na casa dos 30 anos. Seus cabelos eram negros e lisos, cortados de maneira a dar um ar sofisticado e moderno, caídos por sobre os ombros; seus olhos tinham um tom onyx brilhante e seus lábios eram de um vermelho vivo. Estava vestindo um terninho negro, que realçava o tom alvo de sua pele, conferindo-lhe um ar, ao mesmo tempo frágil, sensual e misterioso. Christian pensava, em quanto se aproximava dela, como poderia existir uma mulher de semelhante beleza, e que ainda era inteligente, determinada e uma das pessoas mais adoráveis que ele já havia conhecido.
"Olá Lillian, meu anjo! Vai querer seu jantar agora ou está esperando algum "amigo"?"
Christian exibia um sorriso maroto, que era correspondido com um olhar charmoso, pela jovem.
"Hoje estou sozinha. Não estava com paciência para sair com algum "amigo". Creio que a sua companhia me será bem mais agradável."
"Fico lisonjeado e farei o possível para corresponder as suas expectativas. O que deseja?"
"Eu confio plenamente no bom gosto do chef para escolher para mim."
"Que responsabilidade! Está bem, vou preparar algo especial e já volto. Enquanto isso, Frederic trará o vinho."
"Obrigada."
Lillian ficou observando, enquanto Christian se dirigia a cozinha. Ela não deixava de notar o quanto ele era atraente, com o seu porte atlético, sua beleza masculina clássica, olhos e cabelos castanhos, sempre com um sorriso maroto nos lábios.
Eram amigos desde que chegara a cidade Central, vinda do leste, para terminar seus estudos de medicina. Quando o conheceu, ele era o charmoso herdeiro do restaurante mais famoso e freqüentado da Cidade Central. Agora, ele era o dono e ela uma importante médica do hospital militar, Primeira-tenente, Dra. Lillian Carnahan.
Ela começou a degustar o vinho rose que Frederic acabara de lhe trazer, relembrando sua trajetória até aquele momento, desde quando partira para estudar alquimia médica em Xing, passando pelos estudos na universidade da Central, até a sua admissão no exército. Refletia sobre isso, quando Christian voltou, trazendo o jantar dela. Ele gostava quando ela aparecia sozinha, pois podiam conversar. Ela aparecia com muita freqüência, às vezes acompanhada, mas sempre tirava um dia para vir sozinha, quase na hora do restaurante fechar, e eles conversavam sobre qualquer assunto, por horas. Naquela noite, não foi diferente.
Na manha seguinte, Lillian começou sua rotina no hospital. Começou sua observação dos pacientes internados, vendo os progressos destes, e depois ficou lendo na salinha a ela destinada. Estava estudando para o exame de alquimista que se aproxima. Esta era uma oportunidade de ascensão na carreira que não podia deixar escapar.
Levantou a cabeça quando ouviu um barulho na porta, e esta se abrir. Entraram dois homens, fardados. Lílian prontamente se levantou e bateu continência.
"Senhor General, Senhor Coronel!"
"Última forma, primeira-tenente."
"Obrigado senhor."
Lillian voltou a se sentar, enquanto o general sentou-se na cadeira a frente de dela, enquanto o coronel permaneceu em pé, próximo à porta.
"Primeiro tenente, me informe o estado do General Forrest."
A voz do general era serena, apesar de estar dando uma ordem.
"Sim, senhor. Felizmente senhor, o quadro do general-de-exército Forrest está progredindo a cada dia, e posso dizer que ele deverá ter alta em poucas semanas."
Apesar de não deixar transparecer, Lillian estava orgulhosa de si mesma. Graças aos conhecimentos de alquimia médica que possuía, o general estava se recuperando mais rapidamente do que o previsto, e sairia sem seqüelas.
"Isso é uma pena."
"Como senhor?" Lillian não conseguia compreender.
"Temos uma missão para você, primeira-tenente. O serviço de inteligência descobriu que o General-de-Exército Forrest, antes de sofrer esse acidente, se encontrou com os membros de um grupo rebelde do norte. Temos razão para crer que o general está envolvido em uma tentativa de golpe. Ele pretende assassinar o Fürher e assumir em seu lugar. No entanto, para evitar pânico, essa informação é confidencial e o general não será levado a corte marcial. Sua missão será eliminá-lo. Com suas habilidades alquímicas, você será capaz de fazê-lo sem despertar suspeitas. Não é do interesse do exército que isso se torne um escândalo. Compreendido, primeira-tenente?"
"Sim senhor!"
"Ótimo. Com o sucesso nessa missão e mais a sua aprovação no exame para alquimista, tenho certeza de logo chegará aos altos postos."
"Obrigado senhor pela confiança depositada em mim para executar tão importante missão, senhor."
As respostas de Lillian eram automáticas, ela não conseguia raciocinar sobre o que estava ouvindo. O general se limitou a dar um leve sorriso satisfeito e se levantou.
Lillian também levantou-se, batendo continência para o general e o coronel, enquanto estes se retiravam. Quando por fim a porta se fechou, Lillian se jogou na cadeira, começando a refletir sobre a missão.
Um conflito se iniciava em sua mente, por um lado, a família do general Forrest confiava nela para ajudar na recuperação deste, e por outro, ela havia sido encolhida para realizar uma missão importante para a segurança de Ametris. Decidiu-se por fim, que a segurança de Ametris era mais importante.
Saiu da sala e começou a caminhar na direção do quarto onde estava o general. Procurou não chamar a atenção para si, para evitar suspeitas. Entrou no quarto, respirou fundo, tomando coragem, enquanto mentalmente agradecia pelo fato dele estar adormecido. Colocou suas luvas cirúrgicas, que continham o desenho de um círculo alquímico especifico para a prática de alquimia médica, e se aproximou do general, tocando em dois de seus pontos vitais. Com sua alquimia, começou a inverter o fluxo de energia no corpo do general, levando a falência dos órgãos. Pretendia fazê-lo morrer de uma forma rápida e indolor. No entanto, o general abriu os olhos, olhando-a com terror. Lillian se afastou dele, chocando-se contra uma das paredes, horrorizada pela visão da morte estampada no rosto do general. Este se contorcia e sufocava. Lillian correu até a porta, queria sair dali, não poderia esperar até que ele finalmente morresse. Abriu a porta e saiu, caminhando apressadamente na direção de sua sala. Para a sua sorte, ninguém a viu. Entrou na sala, desabando, pondo-se a chorar, completamente desesperada. Tinha tirado, pela primeira vez, a vida de uma pessoa. Sabia que teria de fazer isso quando entrou para o exército, mas nunca esperou que fosse a sangue frio, com a vitima incapaz de defender-se. Não sabia o que fazer, queria gritar, fugir. Levantou-se, enxugando as lagrimas. Não podia ficar naquele estado, havia cumprido a ordem que recebera. Buscou se convencer de que o que fizera fora o melhor, o correto para a segurança do povo de Ametris.
Dez minutos se passaram e ela já havia se recomposto, quando entrou uma enfermeira.
"Dra. Carnahan, aconteceu algo terrível! Nós encontramos o General Forrest morto."
Lillian apertou os olhos e respirou fundo, buscando coragem para mentir.
"Como? Oh não, ele estava indo tão bem. Por favor, ligue para a família dele. Infelizmente não há mais nada a fazer."
"É verdade, doutora."
"Alice, eu acho que vou embora. Não estou me sentindo muito bem hoje, e com isso, estou me sentindo pior. Se precisarem de mim, estarei em casa."
"Claro doutora, vá descansar."
"Obrigada"
Lillian entrou em seu apartamento, jogando as chaves sobre a estante, a maleta e o jaleco sobre o sofá. Se dirigiu ao banheiro, precisava de um banho relaxante. Ligou o chuveiro, se despiu e entrou, deixando a água quente bater sobre seu corpo. Recomeçou a chorar. Questionava-se, não sabia o que pensar. Havia traído o principio primeiro da alquimia e da medicina: não usar seus conhecimentos em proveito próprio, mas sim em beneficio dos outros. Tinha se tornado um cão do exército, definitivamente.
Uma semana se passou. A morte do General Forrest foi diagnosticada pelos legistas como tendo sido por "falência múltipla dos órgãos, em decorrência do trauma ocasionado devido a acidente automotivo", e ele foi enterrado com grandes honras militares. Lillian procurou voltar a sua rotina, apesar dos constantes pesadelos não a deixarem esquecer do que aconteceu. No entanto, procurou se conformar, o que havia feito, fez pelo bem de Ametris, e isso a justificava. Mesmo assim, continuava angustiada, estava realmente deprimida. Como todos os dias, chegou em casa, largando suas coisas de qualquer maneira. Foi até a sua estante, pegando uma garrafa, para preparar um martini. Não costumava beber sozinha, mas, depois do incidente, passou a beber todos os dias quando chegava, após o trabalho. Não se sentia melhor, mas a ajudava a esquecer, por algumas horas. Antes de ir à cozinha, ligou a secretaria eletrônica, para ouvir a única mensagem que tinha.
"Lillian? É o Chris. Como você está? Você não aparece para conversarmos a uma semana, eu estou preocupado. Eu soube que o general Forrest morreu... eu sinto muito, sei que você estava animada com os pregressos dele... Se você quiser conversar, você sabe que pode contar comigo, confiar m mim. Bem, eu sou liguei para saber como estava, estou sentindo sua falta...até."
Lillian largou a garrafa sob a pia da cozinha, pegou sua bolsa e saiu novamente.
"Só um momento, por favor." Christian pegava as chaves de seu apartamento sobre a mesinha, indo abrir a porta. Achava estranho alguém vir procurá-lo àquela hora, deveria ser algum dos vizinhos, pensou.
Espantou-se ao abrir e ver Lillian. Ela praticamente se jogou sobre ele, abraçando-o forte e chorando desesperadamente.
"Lillian? O que houve?"
Ele tentava trazê-la para dentro do apartamento. Estava preocupado, ela nunca estivera daquela forma, nunca foi de chorar desesperadamente, ela dificilmente mostrava seus sentimentos. Quando perdia um paciente, se limitava a manter uma expressão séria e pensativa, nada mais. No entanto, fazia uma semana que não à via, o que era bastante incomum.
"Eu...Eu fiz uma coisa horrível. Eu... Chris..." Ela não terminava as frases, continuando a chorar.
"Calma, está tudo bem. Eu estou aqui, confie em mim. Vem, sente-se aqui, eu vou buscar um copo d'água com açúcar e você vai tentar se acalmar."
Christian a fez sentar, buscou a água e esperou que ela tomasse, antes de perguntar o que aconteceu.
"Mais calma?"
"Ah Chris, você não faz idéia...Você...Eu matei. Ele confiava em mim, a família dele confiava em mim... e eu..."
Christiam se sentou ao lado dela, emitindo um suspiro.
"General Forrest?"
Ela o olhou surpresa, enxugando as lágrimas.
"Simples dedução. Ele era seu paciente e estava se recuperando. Ele morre de repente, você começa a agir estranho e aí me diz que fez algo horrível, que matou."
"Eu precisava contar isso para alguém. Eu não agüento mais, estou sufocada. Eu não sei por quanto tempo eu vou conseguir continuar. Eu sabia que havia a possibilidade de um dia ter de matar alguém, mas como médica, acho que eu pensei que era remota demais. Grande tola que eu sou. Eu entrei para o exercito, dizendo que queria salvar vidas, ajudar nossos militares. Mas eu queria era uma carreira emocionante. Bem, emoção eu consegui. Cada dia tenho um pesadelo mais terrível."
Christian sorriu satisfeito ao perceber que ela estava mais calma. Até seu humor irônico estava de volta.
"E o que você está pensando em fazer?"
"Eu não sei, só sei que não posso continuar no exército. Eu não vou conseguir guardar esse segredo, e é capaz de me acusarem, para poder manter o sigilo."
Ficou em silêncio, raciocinando. Não sabia direito o que fazer.
"Acho que vou pedir baixa, e voltar para o leste, abrir um consultório e fazer o que eu realmente queria fazer quando me tornei medica e alquimista, vou ajudar quem precisa."
"Ótima idéia. Aproveita e casa comigo."
Lillian o olhou, completamente espantada..
"Como é que é? Christian, não brinca, eu estou falando sério."
"E eu também. Lillian, eu sei que você é independente e etc., mas o que eu sinto por você é muito forte, eu não acredito que alguém sinta o que eu estou sentido por você agora. Eu... eu queria tentar, pelo menos."
Lillian se levantou, caminhando sem rumo pela sala. Não sabia o que dizer, não esperava por aquilo. Eles eram amigos há anos, era com ele que ela compartilhava quase que a totalidade de sua vida. Casar lhe parecia um pouco drástico, eles nunca haviam namorado, só, no máximo, trocado alguns beijos e até uns carinhos um pouco mais íntimos do que seria comum entre amigos, mas nada sério, apenas por diversão. No entanto -o que ela achava mais estranho- a idéia não lhe parecia tão ruim. Começou a refletir, que nos últimos meses, havia recusado muitos encontros. Os homens lhe pareciam tão pouco interessantes, pouco atraentes, nem um pouco divertidos. Realmente, fazia tempo que não saia com alguém. No entanto, sempre ia conversar com Christian, não conseguia ficar sem conversar com ele pelo menos uma vez na semana. Sentia falta dele, e nessa semana, tudo que queria era abraçá-lo, mas não tinha tido coragem até aquele momento.
"CÉUS" Lillian gritou e então voltou a se sentar, colocando as mãos sobre o rosto.
"O que houve? Desculpe-me, eu não deveria..."
Ela o olhou, atordoada
"Desculpe-me Christian, mas por favor, fiquei quieto, eu preciso pensar!"
Christian se assustou um pouco com a atitude dela, mas depois se limitou a sair da sala e deixá-la sozinha. Ela precisava pensar, e, enquanto ela fazia isso, ele iria preparar algo para ela.
Chegando à cozinha, abriu uma das portas do armário, em busca os utensílios, mas acabou fechando. Não podia simplesmente deixar isso assim, ela teria que ouvi-lo.
Estava voltando para a sala, quando se deparou com Lillian no meio do caminho.
"Lillian, eu.."
"Quieto, Christian! Eu preciso disso agora"
Lillian enlaçou seus braços ao redor do pescoço de Christian e ficando na ponta dos pés, o beijou, um beijo apaixonado, desesperado.
Após algum tempo, eles se separaram, buscando respirar.
"uuhh, uau. Isso foi...inesperado." Christian andava para trás, ligeiramente atordoado e ofegante. Lillian sorria e respirava fundo, buscando recuperar o fôlego.
"Me sinto bem melhor agora."
"Que bom que eu pude ajudar"
Ambos voltaram a se sentar no sofá e ficaram um tempo em silencio.
"Você está maluco com essa idéia de casar. Nós nunca namoramos, como poderíamos casar? Como você pode querer casar com uma mulher que matou um homem a sangue frio? Eu sou um monstro Chris. Esquece essa maluquice."
Christian estava, para dizer o mínimo, espantado com as atitudes de Lillian. Ela o beija daquela forma e depois diz para ele esquecer a idéia de casamento? Decido a dar um fim nesse comportamento esquisito dela, ele se aproximou, olhando-a nos olhos, com uma expressão totalmente seria.
"Você não é um monstro, você é uma mulher fabulosa, que se preocupa com os outros. A prova disso é o remorso que está sentindo. E eu não estou maluco, estou falando muito serio Talvez você não esteja acostumada com isso, já que você só brinca com os seus "amigos", mas você sempre deixou bem claro que eu não era um deles. Você vinha ao meu restaurante para conversar comigo, gostava de sair comigo pela minha companhia e não por apenas um divertimento, do qual você nem se lembraria no dia seguinte. Portanto, eu posso acreditar que você sinta algo diferente por mim, não é mesmo?"
"Sim, isso é verdade, eu jamais faria com você o que eu faço com os outros. Eles são apenas diversão para mim, nada mais. Você é diferente. O que eu sinto em relação a você é diferente. Mas... Christian, eu não sei o que é isso. Eu não sei o que eu sinto. Seria errado nos casarmos assim..."
"E daí, quem se importa. Nós somos adultos e desimpedidos. Se não der certo, que se dane, vai cada um para um lado. Mas e se der certo? Hun? Nós nunca vamos saber se não tentarmos. Não é você que diz que é preciso viver o hoje? Pois então. Você acabou de me beijar de uma forma indescritível, e admitiu que sente algo por mim. Eu também sinto. Pode ser amor, pode ser apenas amizade, atração, sei lá. Mas é alguma coisa e eu quero sentir mais disso."
"Sim Christian, eu entendo isso... eu também quero, mas você não acha que casar é meio drástico?
"Por quê? Você está com medo de gostar da vida de casada mais do que da vida de solteira?"
Christian tinha um brilho no olhar, e um sorriso malicioso ao dizer isso. Ele a estava provocando. Lillian percebeu isso e estava gostando. Realmente, ela pensava, ele é um homem fascinante, ela adorava a companhia dele e ele não era como os outros, que rastejavam aos pés dela por causa da beleza e força que ela possuía. Ele a admirava, mas não apenas por isso, mas por todas as outras qualidades dela.
"Eu não tenho medo de nada. Eu sou poderosa, bonita e inteligente. Por que eu deveria temer alguma coisa?" Ela sorria e falava fazendo pose, enquanto Christian fazia um ar de desdém.
"Esta bem, senhor Christian Mustang. Eu aceito o seu desafio. Vamos ver por quanto tempo você irá me agüentar como esposa. Saiba que eu não vou passar, cozinhar, limpar e etc."
"Ah, minha querida. Depois da primeira semana, você vai pensar em por que eu demorei tanto em lhe pedir, isso sim. E o resto não é problema. Cozinhar é minha especialidade, e se eu quisesse alguém para lavar, passar e limpar, eu contratava uma empregada, não casava. É menos trabalhoso!"
Lillian apenas riu das palavras dele. Ela havia aceitado o repentino pedido de casamento por que era com ele. Sabia que com ele, ela sempre poderia ser ela mesma, que não teria de abrir mão de nada importante. E mais do que isso, sabia que podia confiar nele. O mundo dela desabou ao seu redor no dia em que matou o general Forrest, mas ele estava ali, tentando ajudá-la, dando-lhe o apoio, a força e um pouco da paz que precisava. Sim, provavelmente, ela o amava, e isso a dava uma sensação de segurança e felicidade.
-"Mesmo assim, eu não odiava o exército. Quando eu entrei, eu sabia que receberia missões que não me agradariam. Eu só dei baixa por que não consegui ficar, por que não conseguia continuar mentindo, fingindo que nada havia acontecido.
Mas não culpava o exército por isso, era uma missão. Mas um dia, você deveria ter uns nove anos, eu abri o jornal e vi a posse do novo Fürher, Bradley. Ai tudo fez sentido para mim. Eu nunca havia ouvido nada sobre o tal grupo rebelde do norte, nunca se manifestaram. E Forrest era o candidato mais provável a assumir, quando da morte do outro Fürher. Eles o tentaram eliminar no acidente de carro, como não conseguiram, me usaram. Quando vi o nome de Bradley, comecei a entender tudo, os outros candidatos também foram sendo eliminados, pediram baixa, ou se transferiram de repente. Eu fui usada por um grupo que queria garantir que Bradley assumisse. Como eu pude ser tão tola!"
Roy ouviu o relato da mãe, sem nada dizer. Apenas, de quando em quando, apertava os lábios, levava a mão aos cabelos. Tanto Lillian, quando Riza, traduziam esse comportamento dele como sendo nervoso, angustia.
-"Entende agora por que nós tentamos, a todo custo, até mesmo arriscando que você nos odiasse, evitar que você entrasse para o exército?"
Roy demorou para responder, ainda estava processando toda aquela informação.
-"Sim, pai, claro."
-"Eu não deveria ter demorado tanto para lhe contar isso. Eu fui egoísta, tive medo... Acreditei que, mesmo entrando para o exército, você estaria seguro sendo alquimista. Como pude cometer o mesmo erro duas vezes? Eu achei que nada aconteceria por que era médica, mas acabei tendo de matar um homem inocente. Eu pensei que você estaria seguro sendo alquimista, mas você foi para a guerra. Eu sinto muito."
Roy se levantou, indo até a sua mãe, que estava sentada na outra ponta da mesa. Chegou bem próximo e se abaixou para abraçá-la. Ela ficou sem reação por uns instantes, mas acabou abraçando-o também.
-"Você não tinha como saber. Foi a primeira vez que os alquimistas foram para a guerra. E não teria feito diferença. Eu teria entrado para o exército da mesma forma. Não me arrependo de ser um militar, só me arrependo, assim como você, por ter tirado a vida de inocentes por causa dos interesses mesquinhos de outros. Mas eu farei tudo para que isso nunca mais aconteça. Essa foi à promessa que eu fiz a um grande amigo, que morreu me ajudando a cumpri-la. E pela memória dele, eu vou continuar cumprindo"
Riza, que permaneceu sentada próximo ao lugar em que Roy estava sentado, ficou observando a cena. Sentia-se feliz por ele, por ele e seus pais terem conseguido se entender. Agora, ele teria um pouco mais de paz.
-"Está bem Lil, agora solte-o. Deixe-o comer."
-"Chris, deixe de ser ciumento. Você o quer só para você? Eu acabei de chegar, deixe-me abraçar meu filho. Você já o teve por meia hora antes."
-"Eu não estou com ciúmes, mas ele precisa se alimentar. Acabou de chegar."
Roy olhou para Riza, enquanto soltava-se dos braços de sua mãe, indo retomar seu lugar. Ambos se divertiam com a bizarra discussão. Nada como estar em casa.
Assim que Lillian e Christian chegaram a um acordo, os quatro voltaram a comer, se deliciando com o que Christian havia preparado.
-"Hum, senhor Mustang, quero dizer, Christian, realmente, o General não estava mentindo quando disse que ninguém cozinha tão bem na Central. Nunca comi algo tão maravilhoso."
-"Que bom que gostou. Mas por que o chama de General?"
-"Por que eu sou general, General de Brigada. Fomos promovidos há pouco tempo." Roy exibia um sorriso orgulhoso.
-"Apesar de eu não ter sido militar, eu sei ver as insígnias filho. Estou perguntando por que a sua namorada o chama assim. Você não tem vergonha não? Aqui ela não deveria ter de chamá-lo desse modo."
Roy derramou um pouco do chá que bebia, sob a farda.
-"Droga!"
-"Arhhhghhhh"
-"O que houve? Estão ruim os biscoitos?" Christian perguntou, olhando para Riza, que fazia caretas e arregalava os olhos. Roy se levantou rapidamente, puxando Riza da cadeira, e começou a bater nas costas dela.
-"Isso não vai adiantar Roy, vai ter de fazer Heimlich." Lillian falava calmamente, comendo outra fatia de pão.
Roy a olhou atordoado. Não era ela a médica ali? No entanto, Riza estava cada vez mais sem ar.
-"Sinto muito, é pelo seu próprio bem." Roy envolveu a cintura de Riza com os braços, fechou o punho, colocando-o abaixo das costelas dela, e, com a ajuda da outra mão, empurrou o abdômen de Riza. Fez isso por duas vezes, até que percebeu que ela conseguia respirar novamente.
Ele estava mais ofegante que ela, ficou realmente apavorado ao vê-la sufocando.
-"Obri...gada."
-"Por nada. Está melhor?"
-"Sim. Eu acredito que o senhor já pode me soltar."
As palavras de Riza fizeram com que Roy percebesse que ainda estava "abraçado" a ela, em uma posição um tanto quanto esquisita, e até certo ponto, constrangedora para quem não tivesse visto o contexto. A soltou rapidamente.
-"Que bom que está melhor"
Respondeu embaraçado. Então, virou para seus pais, com um ar ligeiramente aborrecido.
-"Mãe, como você fica aí sentada, comendo, vendo ela se engasgar?"
-"Oras, você estava mais perto, e, como imaginei, ainda sabe os primeiros socorros, então..."
Roy apenas rolou os olhos e balançou a cabeça. Riza voltou ao seu lugar, bebendo um pouco de chá, para se recuperar.
-"E pai, tome cuidado com o que vai dizer."
-"Como assim? O que foi que eu disse demais?" Christian estava bastante confuso.
-"A parte sobre ela ser minha namorada. Nós não somos namorados. Nós trabalhamos juntos e nos conhecemos desde Ishbal."
Roy puxou sua cadeira, que havia caído no chão, quando foi socorrer Riza. Sentou-se e começou a beber o resto do chá, que não havia derramado. Então, como se lembrasse de algo, virou-se para ela.
-"Alguma coisa errada?"
-"Sim. Meu pai tem razão."
Riza arregalou os olhos. Por sorte não estava comendo ou bebendo nada no momento, pois teria engasgado de novo.
-"Como senhor?"
-"Exatamente isso. Pare de me chamar assim. Aqui você não precisa me tratar com formalidades. Me chame de Roy."
Riza respirou aliviada. Era só isso.
-" Eu não acho que seja..."
-"Como seu oficial superior, e pelo tempo que trabalhamos juntos, eu ordeno que me chame de "Roy" quando não estivermos em serviço!"
-"Como quiser, senh. Digo, Roy."
-"Perfeito. Agora eu..." Roy começou a bocejar, como no trem.
-"Desculpem-me. Bem, se me dão licença, eu vou tomar um banho e me livrar dessa farda. A propósito mãe, poderia emprestar algo para Riza?"
Riza ficou meio constrangida ao ouvi-lo pronunciar seu primeiro nome. Não estava acostumada com isso.
-"Claro! Devo ter algo que sirva nela sim."
-"Ah, por favor, não se preocupem comigo. Eu estou acostumada com esses imprevistos, e eu posso dormir com a minha camisa e a calça da farda. Afinal, só um dia não.."
-"Ahn, Riza, eu pretendia ir embora apenas no domingo..."
-"Domingo? Mas hoje é quinta! Eu..."
Riza ficou sem saber o que dizer. Não havia trazido suas coisas, e Hayate estava com Fuery. Não podia ficar até domingo. Não queria e não gostava de dar tanto trabalho. E havia coisas mais práticas, ela não podia ficar dois dias inteiros sem seus objetos pessoais.
-" Eu partirei amanhã e o senhor fica com os seus pais até domingo. Acho que o senhor pode ficar sem mim até lá, sem ter problemas."
Roy quase caiu. Odiava quando ela praticamente o chamava de inútil por ele não poder usar as habilidades alquímicas com o tempo chuvoso, e ela ter de ajudá-lo.
Lillian começou a rir, descontroladamente, enquanto Christian se limitava a sorrir, enquanto arrumava a mesa. Riza mantinha a expressão compenetrada, pensando.
-"Desculpe filho, mas eu não agüentei. A sua expressão estava tão engraçada quando ela falou que achava que você não teria problemas por tão pouco tempo. Eu havia esquecido que você não funciona sob a chuva."
-"Riza, por que está me chamando de "senhor" de novo? E é claro que eu posso me virar sozinho, mas...Vamos embora amanhã então." Respondeu, irritado.
-"Ó, por favor. Não faça isso por minha causa. Eu vou e você fica."
-"Ei, vocês dois. Ninguém vai embora amanhã. Sexta haverá a festa do aniversário da cidade. Riza, não se preocupe, eu lhe emprestarei o que precisar e amanhã, vocês vão até a cidade e compram o que ainda precisar. Melhor assim?"
-"Acho que não será possível. Riza tem de ver o Hayate e..." Roy suspirou antes de continuar.
-"Há um monte de papéis me esperando. Já imagino, amanhã terei de trabalhar até mais tarde. Droga, eu sou um alquimista, não um burocrata."
Riza viu a expressão descontente de Roy. Não era justo que ele fosse embora, sem aproveitar mais, depois de tanto tempo longe. Pensou um pouco, considerando os prós e contras, até que chegou a uma conclusão.
-"Sua mãe está certa. Você não os vê há tantos anos...Se haverá mesmo uma pilha de papéis para serem analisados e assinados, não fará diferença um ou dois dias. E eu vou ficar, você pode precisar de mim."
Roy nem se lembrou de ficar chateado com a parte do "precisar de mim" de Riza. Queria ficar mais em sua cidade natal, lembrando os bons momentos de sua vida. E desejava que ela ficasse, havia tantas coisas que ele queria mostrar.
-"Ótimo. Vou poder preparar todas as receitas novas que desenvolvi nesses anos para vocês."
-"Mãe? Como você se casou com um homem que só pensa em cozinhar?"
-"Isso não é exatamente verdade Roy. Seu pai tem muitas outras qualidades e habilidades, e você sabe disso. Além do mais, eu amo tudo o que ele faz, e... eu não sei cozinhar."
-"Eu disse que eu primeiro conquistei o estomago dela. Uma mulher como a sua mãe, não se conquista apenas com galanteios, têm de se oferecer algo que ela não tenha! Eu lhe ensinei isso, lembra?"
-"Sim pai, e suas lições me foram muito úteis. E as suas também, mãe. Só mesmo uma mulher, para compreender o que se passa na mente das outras."
Riza não sabia se ficava abismada ou se ria dessa conversa.
-"Riza, me acompanhe. Vamos ver o que podemos encontrar no meu armário que seja do seu agrado."
-"Não se preocupe com isso, senhora Mustang."
-"Ai, não me chame assim. Isso não me trás boas lembranças. Além de me fazer sentir uma velha, eu chamei a minha sogra assim na primeira vez que falei com ela, por que ela parecia fria e distante. E continuei chamando depois, por que ela era fria e distante. Nunca gostou da idéia do filinho dela ter saído da Cidade central e ter vindo para cá" Lillian falou, olhando para o marido e fazendo caretas.
-"Hun. Desculpe-me. A chamarei de Lillian, então."
-"Assim é bem melhor. Eu adorei você, e não quero esse tipo de formalidade, especialmente por que somos quase colegas de vida militar, não é mesmo?"
-"Sim, é verdade!"
As duas saíram em direção ao quarto dos pais de Roy. Conversavam como se fossem amigas há anos, para grande espanto de dele, que as seguia, indo para o seu próprio quarto. Estava exausto por não ter dormido direito, precisava de um banho bem relaxante.
O quarto dos pais de Roy ficava no sentido oposto, à esquerda, quase no final do corredor. Lillian abriu a porta, acendendo a luz e fazendo menção a Riza para que ela entrasse. Assim como o quarto de Roy, este era bem amplo, com uma grande cama de casal próxima à parede central, uma poltrona, um armário amplo, uma estante, repleta de livros, mas em sua maioria de literatura, nada especifico, como no quarto de Roy, além de outros objetos comuns ao mobiliário dos quartos de casal.
-"Bem, minha cara, vamos ver o que eu tenho aqui."
Lillian abriu à segunda, das oito portas de seu armário.
-"Prefere camisola ou pijama? Eu tenho algumas aqui."
-"Se puder, eu prefiro pijama, mas qualquer um serve, não se preocupe."
-"Ah, que isso. O que eu mais tenho é pijama, não sou muito fã de camisola."
-"Nem eu."
Lillian ia olhando as gavetas, parecia procurar algo especificamente.
-"Então, Roy disse que vocês se conhecem desde Ishbal?"
-"Sim, exato. Depois da guerra nós fomos enviados para o Quartel General Oriental, aqui na região Leste, e eu fiquei diretamente sob as ordens dele, juntamente com alguns outros oficiais subordinados."
-"Hun. E agora estão na Central?"
-"Sim, no quartel General Central. Ele está servindo diretamente ao novo Fürher."
-"Eu sabia que Roy estava importante, mas não tanto assim. Fiquei surpresa ao ver que ele é General já. Estou muito orgulhosa dele. Ele ficou para remover os problemas dentro do próprio exército."
-"Sim."
Riza ficou em silêncio, pensativa.
-"Quando ele se tornar Fürher, tudo será bem melhor. Eu acredito piamente nisso."
Lillian parou de procurar, virando para Riza, que aguardava próximo a cama.
-"Ele pretende ser Fürher?"
-"Sim. Só assim ele poderá realizar o seu objetivo de evitar que massacres como o de Ishbal se repitam. Mesmo que o atual Fürher pense da mesma forma, já está bem idoso...De fato, ele tem deixado o controle do quartel nas mãos do general e sempre pede a opinião dele –Riza começou a sorrir – por que vovô confia muito nele, pois este o lembra de quando ele era jovem. Acho que ele se vê em Roy."
Lillian ficou bem surpresa.
-"O General –de –Exército que comandava o Quartel General Oriental, o novo Fürher, é o seu avô?"
Riza se deu conta do que falara e ficou constrangida.
-"Ahn..., sim."
-"E você acha que o meu filho deve sucedê-lo?"
-"Sim. É por isso que fiquei a serviço dele por todos esses anos, para ajudá-lo a alcançar esse objetivo. Não só eu, meus outros companheiros também."
-"Por quê?"
Lillian queria saber quais eram os objetivos de Riza. Ela estaria fazendo isso por que era comprometida com os ideais dele, ou por que queria alguma coisa? Essa última opção parecia remota a Lillian, já que o Fürher era o avô de Riza, mas precisava ter certeza.
-"Bem, seu filho tem um objetivo nobre e no qual eu acredito. Eu arrisco a minha própria vida para proteger os sonhos dele, por que os sonhos dele são os meus sonhos também. E eu acredito que ele é o único capaz de realiza-los."
Riza respondeu de maneira direta, e depois ficou com uma expressão pensativa.
-"Fico contente que Roy tenha alguém como você ao lado dele. Obrigada por proteger e apoiar meu filho, Riza."
Riza sorriu, constrangida. Lillian voltou a mexer nas gavetas. Súbito, ela puxou um pijama de seda lilás.
-"Ah, finalmente encontrei. Esse vai ficar perfeito em você."
Estendeu o pijama para a apreciação de Riza. Ela já sabia onde este se encontrava, mas usou a desculpa da dificuldade de encontrar para poder conversar mais com Riza.
-"Ah, isso é demais, pode ser um pijama mais simples. Eu.."
-"Nada disso, esse é perfeito. Vamos, vou te mostrar o seu quarto, você vai esperar Roy terminar o banho dele e então vai fazer o mesmo, e colocar esse lindo pijama. Eu insisto."
Lillian puxou Riza para fora do quarto, não dando tempo desta argumentar. Enquanto caminhavam pelo corredor, Lillian ia apontando para as portas e explicando que se tratavam de sua biblioteca, a de seu marido, o laboratório. Quando passaram por uma das portas, Riza começou a ouvir o barulho de água e uma voz masculina, cantando.
"Raindrops keep falling on my head….
-"Brurrr"
Lillian se virou para Riza.
-"Espere aqui que eu já volto, vou aumentar o gás no aquecedor. A água deve estar meio fria. A propósito, esse é o banheiro, como você já deve ter imaginado."
-"Sim. Tudo bem."
Riza ficou parada, encostada na parede, próxima a porta, ouvindo Roy cantar.
Raindrops keep falling on my head
And just like the guy whose feet are too big fooor
his beed
Nothin' seems to fit
Thooose
raindrops are falling on my head, they keep falling
-"..."
So I just did me some talkin' to the sun
And I said I didn't like the way he' got
things done
Sleepin' on the job
Thoose
raindrops are falling on my head, they keep falling
But there's one thing
I knoooow
The blues they send to meet me
won't defeat meee
It won't be looong till happiness steps up to greet me
-"tun, tun. tun, tun"
Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' redd
Crying's not for me
Cause
I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm freeeee
Nothing's worrying me.
-"tan-ran,tan-ran, nan, nan.."
It won't be loong till happiness steps up to greet me"
-"tan,tan,tan,tan, tan, tan"
Raindrops keep falling on my head
But that doesn't mean my eyes will soon be turnin' red
Crying's not for me
Cause I'm never gonna stop the rain by complainin'
Because I'm freeeee
Nothing's worrying meeeee"
-"uurrr."
Roy desligou a água. Riza, do lado de fora, aguardando Lillian, sorria satisfeita. Talvez, Roy houvesse mesmo encontrado um pouco de paz agora.
Lillian chegou, trazendo uma toalha para Riza.
-"Desculpe-me pela demora, o Chris me fez experimentar uns temperos. Eu sou a única cobaia dele, desde que Roy se foi."
Ela começou a caminhar, parando na porta ao lado do quarto de Roy. Não era um quarto tão amplo quanto o anterior, mas era bem confortável e aconchegante.
-"Se precisar de alguma coisa, é só pedir!"
-"Obrigada Lillian, tudo está ótimo."
-"Sinta-se em casa, querida."
-"Já estou me sentindo, obrigada."
-"ótimo. Bem, agora eu vou descer e ajudar o Chris, até depois."
E saiu, deixando Riza observando o quarto. Ela se sentou na cama, retirando a jaqueta e o coldre, depositando este sobre um criado mudo. Os pais de Roy eram inacreditáveis, ela não estava sendo apenas educada quando disse que se sentia em casa. Apesar dos problemas iniciais e dos temores de Roy sobre como seria essa re-aproximação, ela estava se sentindo muito bem ali. Estava estranhando isso, não gostava de ficar na casa das pessoas, estava acostumada com sua própria vida, apenas ela e Hayate. Há muito que não se divertia em viagens, preferindo, ficar em casa nas férias. Mas, dessa vez estava sendo diferente, realmente estava gostando de estar ali, com eles.
Seus pensamentos foram interrompidos por alguém batendo na porta.
-"Riza? Eu já terminei, pode ir tomar o seu banho."
-"Obrigada, já estou indo."
Levantou-se, pegando a tolha e o pijama, indo para o banheiro. O banho foi relaxante, sentia-se mais leve. Quando saiu, encontrou Roy, sentado na escada, vestindo igualmente um pijama de seda, mas negro. Havia uma música tocando e ela podia ouvir algumas risadas.
-"Pensei que já estivesse dormindo"
-"E perder o show?" Ele apontou para os pais, que dançavam, valsando pela sala.
-"Seus pais são pessoas maravilhosas."
-"Sempre pensei isso, mas, mesmo assim, tive receio de voltar. Agora vejo que foi bobagem."
-"Infelizmente, nós seres humanos, fazemos muito disso."
-"É verdade.."
-"Eles parecem tão felizes"
-"Deixa-me pensar, estou com quase trinta, então eles têm trinta e dois anos de casados. Incrível. Quando olho para eles, tenho que acreditar que o amor existe."
-"É"
Eles ficaram observando Christian e Lillian dançando, em silêncio por algum tempo, apenas observando a bela cena.
-"Você fica ainda mais bonita com essa cor."
-"O que disse? Eu estava destraída."
-"Nada de mais. Acho que vou dormir. Boa noite Riza, durma bem."
-"Obrigada, você também."
E assim, cada um foi para seu quarto, adormecendo rapidamente, devido ao cansaço.
Ai está à segunda parte, meio grandinha.
Espero que tenham gostado dos pais que criei para Roy, tentei basear a personalidade deles ao máximo na dele.
O sobrenome da mãe dele eu retirei do sobrenome da arqueologia do filme "A Múmia", Evelyn Carnahan.
O país de Xing que citei só aparece no mangá, e os personagens de lá são bem importantes. Recomendo a leitura do mangá.
Quando Riza está engasgando, a mãe de Roy diz que é necessário fazer "Heimlich". Esse é o nome de uma manobra, usada, como descrevi na fic, para ajudar quem está engasgando de forma séria.
A música que Roy canta no chuveiro é: "Raindrops keep falling on my head", de Burt Bacharach. É uma musiquinha muito legal, eu particularmente gosto das composições dele, e acho que se encaixa perfeitamente no espírito do personagem de Roy Mustang. É meio antiguinha, talvez a maioria não conheça, a referência mais recente dela é que ela toca no filme Austin Powers I.
Espero que tenham gostado, e muito obrigada pelas reviews.
Até a próxima parte.
Abraços,
Fabi Washu
