Olá! Imagino que não terei leitores para acompanharem essa fanfiction por aqui, mas prosseguirei com as postagens. Quem sabe um dia alguém decida conferir o que há de novo nessa categoria? Mais importante que isso, quem sabe um dia mais leitores conheçam a série Novas Espécies?
Citação do capítulo:
"Algumas vezes, por mais que desejemos, não se tem escolhas."
O Reencontro
Capítulo 2
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Meira não acreditava que algumas poucas palavras pudessem colocá-la em tal constrangimento. O Nova Espécie ruivo estava, agora, a alguns centímetros dela e encarava seus olhos como se deles pudesse extrair qualquer informação. Por um tolo momento perguntou a si mesma se fora realmente uma boa ideia procurar Trisha, mas só de lembrar o quanto eram próximas decidiu valer o risco de ter seu pescoço quebrado por aquelas grandes mãos.
Ele parecia querer matá-la, pensou ao vê-lo inspirar profundamente o ar antes de grunhir e revelar seus caninos afiados. Os olhos verdes dela se fixaram nos lábios dele, atordoados pela ferocidade daqueles dentes.
– Você está assustando a fêmea, Flame – o outro Nova Espécie disse.
– O cheiro dela... – ouviu-o grunhir ao responder antes de se afastar o suficiente para que Meira se sentisse aliviada. Ela achou melhor não saber o que seu cheiro lhe provocava.
– Por que a Dra. Trisha pensa que você está morta? – o Nova Espécie que atendia por Smiley perguntou.
Meira considerou o que devia dizer. Havia informações que desejava compartilhar somente com a amiga, mas também precisava que eles acreditassem nela quando a mesma surtasse depois de ter ido ao seu suposto enterro alguns anos antes.
– Trisha é minha amiga de infância, mas por razões de segurança precisei fingir minha própria morte para todos que conhecia – explicou, orgulhosa porque sua voz não tremera em nenhum momento. – Eu não me aproximei antes porque temia o que pudesse acontecer a ela se descobrissem que ainda estou viva.
Os olhos amendoados de Smiley pareceram se suavizar ao ouvir sobre o perigo que a espreitava e Meira sentiu simpatia pela sensibilidade que ele demonstrava. Flame, no entanto, encarou-a com frieza ao perguntar:
– E não há mais perigo agora?
Ela entendia completamente a necessidade de verificar a segurança da Trisha diante da sua presença e até mesmo se sentiu agradecida por saber que a amiga estava tão fortemente protegida.
– Estou fugindo há muito tempo, sem nunca ter sido pega. Mas, devido a algumas circunstância,s decidi rever minha amiga uma última vez.
Flame a estudou, silencioso. Seus olhos felinos pareciam desnudá-la e Meira cerrou os dentes em uma tentativa de se manter firme sob o seu olhar.
– Vejo sinceridade em você – ele confessou. – Ligaremos para a Dra. Trisha e a deixaremos falar com ela pelo viva-voz. Você poderá vê-la se ela quiser.
Meira sorriu, de um jeito que não escondia sua gratidão, e Smiley se apressou até o aparelho telefônico para efetuar a chamada. Ele pediu pela Dra. Trisha e, antes de pressionar o botão do viva-voz, explicou brevemente que uma suposta amiga desejava falar com ela. Quando seu indicador pressionou o botão e a voz da Trisha ecoou na sala, os olhos de Meira banharam-se de lágrimas.
– Quem quer conversar comigo?
Tardou alguns segundos até que Meira reagisse:
– Há quanto tempo, minha amiga. – "Estúpida", xingou-se mentalmente quando a voz de Trisha soou confusa:
– Quem está falando?
– Meira Taylor – pausou por um segundo, deixando a informação assentar-se na mente da amiga. – Eu não morri como você pensava.
– Isso é algum tipo de brincadeira?! – Trisha estava irritada. – Não ouse mencionar esse nome tão despreocupadamente!
– Eu me sinto lisonjeada pela sua defesa. – Meira riu, deixando os dois Novas Espécies confusos pela sua naturalidade diante do claro mau-humor da Dra. Trisha. – Você sabe, nunca fui realmente boa em cuidar de mim mesma.
– M-Meira? – a voz vacilou e o silêncio que seguiu aumentou a tensão na sala. – Não pode ser. Ela está morta há mais de cinco anos!
– Você me insulta em pensar que morri daquele jeito idiota – Meira bufou, mas ainda sorria. – É tão malditamente bom ouvir sua voz, Trisha!
– Se é mesmo você, por que não apareceu antes?! – a voz feminina gritava pelo viva-voz. – Por que me fez acreditar que você morreu?
– Para você ver como estive na merda nestes últimos anos – Meira prontamente respondeu, muito ciente dos olhares de Smiley e Flame sobre ela. – Eu te darei todas as respostas que merece pessoalmente, então, mexa-se e vamos logo tomar aquele seu café horrível.
Pela primeira vez, Trisha riu.
– Só mesmo você se atreveria a criticar meu café.
Depois, Trisha pediu que a impedissem de ir embora até que chegasse e Meira se sentiu finalmente em paz por saber que poderia rever alguém tão importante. Não demorou para que Smiley se aproximasse.
– Você deve ter se envolvido com o que não devia para correr tamanho risco de morte.
O fato dele ter apenas afirmado, sem sequer questionar, fez com que Meira se encolhesse um pouco incomodada.
– Algumas vezes, por mais que desejemos, não se tem escolhas – obrigou-se a responder, encontrando nas grandes botas pretas à sua frente um refúgio para a sua atenção. Não queria encarar os olhos amendoados do Nova Espécie, porque temia que ele flagrasse a miséria que ainda sentia.
– Ninguém saberia mais disso do que o nosso povo, fêmea – suas palavras a impressionaram o suficiente para que elevasse o rosto e finalmente o fitasse. – Não há vergonha em fazer o possível para sobreviver.
Meira sorriu comovida pelo conforto dele e, antes que pudesse agradecer, Flame os interrompeu parecendo irritado:
– O helicóptero deixou a Reserva e a Dra. Trisha já está a caminho.
A informação deixou-a confusa.
– Eu pensei que ela estivesse aqui.
O Nova Espécie avançou até ela, suas narinas inflando pela forte inspiração, como se quisesse sorver todo o cheiro dela. Meira hesitou entre se afastar ou permanecer onde estava, temerosa que ele a visse como uma ameaça quando seus olhos estavam tão intensamente fixos nela.
– Ela está morando na Reserva por motivos de segurança e não precisava vir para buscá- la, mas fez questão de acompanhar o helicóptero para levar você até lá.
Meira não conseguiu esconder o medo que sentira de repente. Por que o Nova Espécie parecia tão hostil?
– Eu provavelmente não poderei ir. – Flame elevou o lábio superior, revelando seus caninos afiados em intimidação. – Preciso partir antes do anoitecer.
Ela notou quando os ombros largos dos dois Novas Espécies ficaram tensos com sua intenção. Seus olhos entrecerrados em suspeita.
– Você irá para onde a Dra. Trisha quiser e partirá quando ela decidir – Flame anunciou. – Estando acasalada com um dos nossos, ela tem total autonomia para determinar isso em nosso território.
Meira queria retrucar, mas o som das hélices se aproximando fê-la apenas cerrar a mandíbula e manter-se ereta em desafio. Se dependia do que a amiga dissesse, estava malditamente certa de que faria Trisha deixá-la ir no devido momento.
Seguiu Smiley e Flame até um campo aberto próximo da entrada, onde o helicóptero manobrava sua descida.
Quando o helicóptero finalmente pousou, Meira conteve o fôlego em nervosismo. Uma mulher incrivelmente bonita, com longos cabelos de um inconfundível tom mel, desceu do veículo e a encarou tão surpresa quanto ela provavelmente estava. A mulher sorriu e Meira sentiu-se retribuindo o gesto, então, as duas começaram a se aproximar até que não restasse dúvidas de quem eram. Trisha foi a primeira a ceder às lágrimas e abrir os braços para acolhê-la. Por longos segundos permaneceram chorosas em um abraço apertado até que Meira rompesse o contato apenas para envolver o rosto da amiga em suas mãos.
– Você está tão bonita! – elogiou sentindo-se imensamente feliz pelo reencontro.
– E você está tão viva! – As duas riram entre as lágrimas com a observação divertida. – Você tem muito a explicar.
Elas se deram as mãos e Trisha finalmente disse:
– Vamos logo para a minha casa!
Meira se afastou um passo, ciente de que precisava esclarecer não ter muito tempo.
– Trisha, não podemos apenas conversar aqui mesmo? Eu preciso partir ainda hoje.
Ela assistiu os lábios da amiga se comprimirem em uma linha reta e soube que a irritou profundamente. Não seria fácil lidar com seu humor tempestuoso, lembrou.
– Você merece uma boa surra, Meira! – ameaçou. – Você surge dos mortos de repente, depois de anos, e não tem a decência de ficar por alguns dias?!
– Você quer que a amarremos, Dra. Trisha? – Smiley perguntou sério, mas até mesmo Meira ao encará-lo boquiaberta notou certo traço de humor na proposta.
– Considerando o tempo que você voou até aqui, suponho que a Reserva seja próxima? – perguntou, voltando sua atenção à amiga aborrecida. Ela continuou depois da confirmação: – Eu adoraria conhecer sua casa e sua família, Trisha, mas preciso voltar ainda hoje.
Elas travaram uma batalha silenciosa, encarando-se como fizeram muitas vezes quando crianças. Trisha era mais autoritária, mas ambas eram teimosas. A amizade delas sempre foi repleta de discussões que terminavam em divertidas risadas.
– Eu temo entender seus motivos, Meira – ela finalmente cedeu. – Você estará aqui ao entardecer, ok?
Meira sorriu em concordância e virou-se para os dois Novas Espécies que lhe permitiram estar ali naquele momento.
– Obrigada pela ajuda – a sinceridade dela os deixou desnorteados por um breve momento.
– Quando você voltar, terei terminado meu turno – Smiley informou. – Se quiser, podemos jantar juntos.
Meira encarou-o embasbacada, mas lentamente um sentimento confortável a fez sorrir para ele. Observando-o mais atentamente, notou que não importava quantos músculos ele tivesse, sua expressão era suave e calorosa como qualquer rapaz que convidasse uma mulher para um encontro. Sem esforço, ela poderia entender por que Trisha se apaixonou por um deles.
Antes que pudesse aceitar, no entanto, a amiga interrompeu:
– Deixe-a pensar sobre isso enquanto estiver lá em casa, Smiley. – Agarrando seu braço, puxou-a em direção ao helicóptero. – Eu sei qual é o seu número para que ela o contate se quiser.
Confusa, Meira apenas a seguiu e se distraiu conhecendo o piloto e o outro Nova Espécie a bordo. Enquanto isso, Trisha suspirava aliviada pela amiga não ter visto Flame e Smiley encarando-se de modo hostil com seus grandes braços prontos a atacarem um ao outro assim que começaram a alçar voo.
Continua...
Gostaram deste segundo capítulo!? É na Reserva que as coisas começarão a esquentar, haha! Afinal, Chaos não é exatamente o tipo de Nova Espécie sociável, entendem? Estou muito ansiosa para fazê-lo entrar em cena.
O que acharam deste capítulo? Eu gosto de pensar na amizade entre a Trisha e Meira como muito especial. O tipo de vínculo que se tem com os "irmãos que escolhemos".
Aguardo suas FLORES ou PEDRAS, hm! (rs)
Beijo carinhoso!
