Título: Eldar e Edain
Autora: reginabernardo2002
Casando: Legolas/Deirdre
Censura: R
Gênero: Drama/Romance
Beta:
AVISOS: sexo e violência
Disclaimer: Nenhum dos personagens me pertence. Todos vieram da mente brilhante de J.R.R TOLKIEN e, bem, essa história é uma forma de homenagear esse autor de histórias tão fascinantes e intrigantes. Apesar disso, os personagens originais – Deirdre, Bard, Elina, Onodher e outros - são meus e não podem ser utilizados sem minha autorização.
Linha temporal: Começa no ano 2992 da Terceira Era, antes da guerra pelo Anel de Poderse alastrar por toda a Terra Média e termina no ano de 1541 da Quarta Era. Seguindo, principalmente, o universo dos livros (O Senhor dos Anéis - trilogia completa - O Hobbit e Contos Inacabados).
Sumário: Elfos, Homens, amor, amizades, batalhas vencidas e perdidas. Uma história de amor, pura e simplesmente.
NOTA DA AUTORA
Palavras em itálico. Élfico, Sidarin ou Qenya
PARTIDAS
Ano 3020 da terceira era.
Finalmente a guerra pelo Anel de Poder havia terminado e o rei Aragorn-Elessar, meu primeiro amigo Edain, governava agora toda a Terra Média. O Condado onde moravam os Hobbits também fora restaurado, mas não sem algumas dificuldades bravamente enfrentadas pelos pequenos.
E numa calma manhã de outono, antes que o rei fosse completamente absorvido pelas demandas de seu trabalho, Gimli, filho de Glóin, adentrou o salão onde em geral nos reuníamos para fazer as refeições. Era verdade que o anão estava atrasado, o que nos preocupara bastante. Então, vê-lo alegrou-nos o coração.
Como a refeição já havia sido iniciada, Gimli sentou-se conosco a mesa, para logo em seguida empurrar o prato intocado. Aquele ato provocou em todos nós olhares curiosos. Aliás, lembro-me perfeitamente do olhar indignado e das palavras dirigidas a Pippin e Merry ao nos encontrarmos com ambos em Isengard, tomada pelos Ents, fumando e banqueteando-se. Aquele silêncio, aquela atitude, definitivamente não combinavam com Gimli.
Então, ele levantou-se um tanto quanto bruscamente e sem jeito. Eu só podia pensar numa coisa: o que, pelos Valar, aquele Anão estava aprontando? Nunca tinha-o visto daquela maneira!
Nossos amigos me olharam, buscando com os olhos uma resposta que eu não podia dar. Em silêncio, vimos Gimli caminhar até Aragorn com uma gravidade que lhe era incomum. Ele tossiu, o que o fez ganhar, efetivamente, todas as atenções. Depois, falou com sua voz poderosa.
"Gostaria de fazer um comunicado, majestade."
O rei e a rainha se entreolharam e Aragorn me arqueou uma sobrancelha questionadora, mas eu dei de ombros. O que podia fazer? Aquele era Gimli, e sabe-se lá o que se passava na cabeça daquele Anão!
Quando viu que eu não tinha respostas, Aragorn voltou-se para o nosso amigo que estava parado irrequieto à sua frente.
"Pode fazê-lo, Mestre Anão".
Gimli respirou fundo. "Agora que seu reino está em paz e a cidade de Minas Tirith foi reconstruída, eu pretendo voltar para o meu povo".
Pronto. Eu sabia! Aquele Anão só podia estar aprontando alguma! É claro que ao ouvir tais palavras assustei-me deveras. Gimli não me havia revelado nenhuma de suas intenções.
Aragorn e Arwen entreolhavam-se em silêncio. O ar subitamente ficou mais pesado. O pedido... Aquele pedido em especial significava tão somente que a Sociedade desfazia-se definitivamente. Compreendi, então, que era o fim. Não haveria mais retorno. Era inevitável.
Primeiro fora a perda de Boromir, ainda no início. Merry e Pippin prisioneiros. Frodo e Sam indo até Mordor sozinhos. Mas contra todas as expectativas a Sociedade dera certo afinal. E nesse ínterim, Gimli acabara por conquistar uma amizade bastante incomum para a raça dos Anões.
Gimli era amigo de um Elfo. Ele era meu amigo.
E eu sou um príncipe dos Eldar, chamo-me Legolas Greenleaf, o filho do rei Thranduil de Eryn Lasgalen.
Ergui os olhos e observei Gimli. Ainda em pé, o Anão esperava uma resposta.
"É uma pena que vá nos deixar," respondeu o rei Elessar. "Contudo não há problema nenhum nisso".
A rainha Arwen suspirou, resignada. "Se esse é seu desejo, mellon nín, não vejo como poderíamos retê-lo conosco."
"Suas palavras alegram meu coração. Minha rainha," disse Gimli sorrindo, francamente aliviado por ter sido entendido em seu desejo.
Meu amigo se retirou e logo depois eu o segui, começando a entender o motivo de seu pedido.
"Então, você decidiu ir embora?" indaguei assim que me vi frente a frente com ele sobre as muralhas da cidade branca.
Durante o decorrer da guerra e conforme nossa amizade se fortalecia, Gimli e eu havíamos feito uma promessa: nós iríamos rever todos os lugares que nos haviam fascinado durante o período que percorremos a Terra Média com a Sociedade do Anel. Dois lugares eram especiais para nós, a Floresta de Fangorn e o Abismo de Helm. E eu sabia que o Anão ainda não havia abandonado aquela idéia. Na verdade, estava a ponto de colocá-la em prática.
"Sim. Faz algum tempo que minha missão aqui terminou e além do mais, sinto saudades dos meus. O mesmo não acontece com você, Greenleaf?"
"Aye! Quando você parte?" perguntei.
"Amanhã. Já estamos no meio do outono e não gostaria de chegar às Montanhas Azuis no auge do inverno".
"Sim, tem razão. Mas para tanto talvez devêssemos ficar em Imladris".
Gimli me olhou espantado. "Devêssemos?" questionou ele.
Na realidade, como meu amigo contara-me depois, ele tinha receio de que eu houvesse me encantado demais pela Cidade Branca e não mais desejasse percorrer a Terra Média. Como ele estava enganado.
"Aye, devêssemos. Vou com você, a menos que não queira companhia". Eu medi o Anão de alto a baixo - não havia muito o que medir, é bem verdade – com um sorriso maroto. "Além do que um certo Anão me prometeu uma visita a Fangorn".
Eu observei divertido Gimli cofiar a barba por instantes e responder no mesmo tom de desafio e galhofa.
"Sim. E quero muito ver um certo Mestre Elfo nas cavernas do Abismo de Helm".
Eu senti um arrepio subir coluna acima diante da menção daquele nome. Mas depois de atravessar as Sendas dos Mortos, as cavernas de Helmnão deveriam ser tão assustadoras assim.
"Certo. Vamos até a Estrela Vespertina, e depois comunicamos a Elessar que você vai ter companhia em suas viagens," disse eu.
"Eu, particularmente, não creio que eles ficarão contentes agora que você resolveu ir também", admitiu Gimli.
Então, depois de uma triste despedida, deixamos Minas Tirith e saímos a cavalo pelos campos de Pellenor.
UMA BOA HISTÓRIA
Os primeiros dias da viagem transcorreram calmamente por um motivo bem óbvio: Gimli e eu éramos claramente amantes do silêncio. Na maior parte do tempo, a quietude imperava. Outras vezes, a voz de Gimli enchia o ar e fazia-me sorrir ao ouvir as canções de seu povo ou ainda canções que lembravam-nos do ano no qual havíamos vivido e presenciado tantas aventuras, alegrias e tristezas.
Numa certa manhã em que eu olhava intensamente para o horizonte que se descortinava à nossa frente, ouvi a voz de Gimli quebrando o silêncio.
"Você não me engana. Há alguma coisa preocupando você, Mestre Elfo. Diga-me, o que é?"
Meus olhos, que antes estavam voltados para o horizonte, se fixaram no Anão sentado à minha frente naquele pequeno acampamento que montamos para que Arod, o mesmo cavalo que o rei Éomer de Rohan nos havia presenteado tanto tempo atrás, descansasse.
"Bem, não é exatamente um motivo para preocupação. É apenas uma lembrança que me veio. Aliás, é uma história bastante comprida, meu caro amigo. Você teria disposição para ouvi-la?"
"Uma história é sempre boa de se ouvir. Ainda mais quando temos uma longa viagem pela frente como essa," disse Gimli com boa disposição. O Anão, eu sabia, apreciava histórias deveras. "Então você pode começar a contá-la, Mestre Elfo. Quem sabe você não consiga terminá-la antes de chegarmos ao Abismo de Helm?"
"É hora de irmos," desconversei enquanto aproximava-me de Arod colocando e ajustando sela e estribos para depois guardar alguns pertences num alforje colocado logo atrás da sela. Será que teria coragem de contar aquela história a Gimli? Se eu bem o conhecia, o Anão riria de mim sem piedade.
Não tardou para que meu amigo, não sem minha ajuda, é claro, subir e a viagem se reiniciar. Algum tempo depois senti vontade de conversar e o fiz.
"Você viu o casamento do rei Aragorn com Arwen, a Estrela Vespertina do meu povo, pois não?" perguntei. Gimli apenas assentiu. "Isso não é muito comum, quero dizer, a união dos Eldar com os Edain. Na realidade, apenas poucos casais como Lúthien e Beren, Idril e Tüor a conquistaram em toda a nossa história. Agora, Arwen e Aragorn também se unem."
Meu amigo olhou para mim com um quê de pura curiosidade estampado na face, mas calado estava e calado ficou. Em instantes, Gimli havia percebido que aquela, na realidade, não parecia ser uma história muito contente. Sendo assim, ele não me incentivou a contá-la, apenas esperou que eu estivesse disposto a iniciar a história, o que, diga-se de passagem, não tardou a acontecer.
"Bem, Gimli, o meu lar é a Floresta das Trevas, antigamente conhecida como Floresta Verde, e Thranduil, o rei, é meu pai. Nosso reino é isolado e distante, bem mais que os outros reinos élficos. Entretanto, há uma certa amizade entre os Elfos da nossa floresta e os povos da cidade de Esgaroth do Lago Comprido e da cidade de Valle, desde a época da derrota de Smaug, o Dragão..."
Gimli riu, me interrompendo. Eu o olhei com um ar de repreensão, mas o Anão continuou a sorrir.
"Conheço esta história," disse ele em sua voz potente. "Bilbo Bolseiro, Thorin Escudo de Carvalho, meu pai Glóin, a busca pelo reino sob Erebor... São nomes e feitos perfeitamente reconhecíveis, principalmente o nome daquele safado chamado Smaug, disse Gimli gargalhando.
Eu arqueei minha sobrancelha, desconfiando prontamente do motivo daquela risada. Com certeza ela tinha a ver com certos guardas que tomaram um pouco a mais do doce vinho do sul e deixaram uns certos Anões escaparem... Aquele Gimli não tinha jeito! Não quis dar o braço a torcer e continuei minha história como se nada estivesse acontecendo.
"Sim, com certeza. Mas nem Bilbo Bolseiro, nem Thorin Escudo de Carvalho, e nem seu paientram na história que pretendo contar-lhe. Dela participam apenas os descendentes de Bard, o Matador do Dragão".
"Certo," disse Gimli, "continue, continue!"
"Da cidade de Esgaroth chegavam algumas provisões ao nosso reino, numa espécie de tributo que os humanos pagavam em troca de nossa proteção. Isto porque a floresta possuía muitos perigos como aranhas gigantescas, ursos e outros animais. Além, é claro, de Orcs."
Então a vida transcorria assim, relativamente tranqüila, até que, numa noite, a coisa mais curiosa do mundo aconteceu. Nós, Elfos da floresta, perambulávamos por entre as densas árvores como sempre fazíamos. As outras raças da Terra Média, no entanto, resguardavam-se de fazê-lo, pois temiam o que as sombras da floresta escondiam. Naquela ocasião estávamos alegres e cantávamos e tocávamos instrumentos musicais em homenagem a todas as estrelas de Varda que brilhavam no céu.
"Isil síla (A lua está brilhando). Esta será uma boa noite," disse eu para os amigos que me acompanhavam.
Eu mal havia terminado de pronunciar tais palavras quando ouvimos alguns sons. Era nosso dever e obrigação vigiar a floresta, então fomos averiguar o que acontecia. Nós acabamos por descobrir uma comitiva dos Edain que ia provavelmente para a cidade do lago e que fora forçada a parar ali.
"E o que aconteceu?" indagou Gimli, sem conseguir se conter.
"Calma e paciência, mestre Anão. Estas são virtudes fundamentais num bom ouvinte."
Evidentemente estávamos em paz, contudo, devido à obrigação de proteger o local onde habitávamos, uma patrulha élfica ficou de vigia enquanto o restante embrenhou-se mais ainda na floresta em direção ao reino.
Eu estava de patrulha naquela ocasião e, portanto, fiquei na floresta. Como são bastante barulhentos os Edain, nem ao menos perceberam nossa aproximação. Logo, para acabar com a minha curiosidade, descobrimos o motivo para terem interrompido a viagem.
Naquela época, eu não sabia as felicidades e tristezas que aquele encontro reservaria para mim. Não sabia o quanto minha vida mudaria quando coloquei meus olhos nela pela primeira vez.
NASCIMENTOS
Ano 2992 da Terceira Era
A comitiva dos Edain havia interrompido a viagem por um motivo extremamente simples: havia uma mulher em trabalho de parto. A criança havia se adiantado em muitas semanas. Era provável que não resistisse e o rebuliço era ainda maior, pois se tratava de Elina, a esposa do governante de Valle.
Eu olhava a tudo espantado, pois era a primeira vez que via uma criança mortal nascer. Os gritos da mulher me chegavam aos ouvidos e eu me encolhia instintivamente. Aquilo parecia uma tortura! Se o parto de um humano era uma coisa tão terrível, como eles conseguiam se multiplicar como abelhas?
As poucas mulheres que estavam entre os viajantes tentaram tornar o nascimento um pouco mais confortável, já que não havia a cama do parto e nenhum dos instrumentos que estavam habituadas a usar. A criança não nasceria em um bom lugar é verdade. Os Homens viam o corre-corre das mulheres e ouviam em silêncio os gritos da parturiente.
Não havia nada que eles pudessem fazer naquele momento a não ser esperar. Como eu.
Elina jamais havia se encontrado numa batalha tão grande em toda a sua vida. Ela estava indo para a cidade de Valle juntar-se ao marido depois de ter passado meses em companhia da mãe em Rohan. A velha senhora a tinha ajudado, mas infelizmente não pudera acompanhar a filha naquela viajem. E agora Elina se via sozinha, numa floresta tida como perigosa e prestes a dar a luz ao seu primeiro filho.
E eu a tudo assistia.
"Eru, ajude-me!" clamou a mulher e se pudesse eu teria lhe trazido o Valar que ela tanto chamava apenas para fazer parar a sua dor.
Eu já estava inquieto. Aquilo não terminava nunca! Mas no momento em que a lua descia rumo ao ocaso e o sol começava a se fazer presente, a criança nascera. Uma menina que, à semelhança da própria mãe, tinha os cabelos vermelhos e olhos negros.
Maeva, uma das criadas cujo nome pude ouvir naquela hora, pegou a criança para limpá-la e envolveu-a em panos limpos e quentes, enquanto soprava-lhe no narizinho rosado. Em pouco tempo, a criança respondeu ao estímulo, chorando.
Naquele instante em que a criaturinha que gritava a plenos pulmões virou seu rostinho para mim, eu senti um frio no estômago, meu coração ficou acelerado e por um momento foi como se aqueles olhos negros tivessem me aprisionado. O dom de prever o futuro não era forte em minha raça, mas naquele dia eu o senti, como um punho pressionando o meu peito enquanto percebia que meu destino estava enredado ao daquele ser tão pequeno.
Fechei os olhos e respirei fundo, tentando me livrar da mulher ruiva que tomou conta dos meus pensamentos, daquele olhar sério e questionador que me encarava tão profundamente. Quando finalmente os reabri, não havia mais nenhuma mulher ruiva, apenas um bebê. A jovem mãe arfava devido ao esforço depreendido e uma das parteiras lhe indagava o nome da criança. O nome que se tornou caro para mim tantos anos depois.
"Ela se chamará Deirdre," disse Elina.
Deirdre... Doce e forte Deirdre...
Me reclinei mais próximo das árvores e continuei a observar, meu coração ainda batendo nervoso. Maeva ofereceu à sua senhora uma bebida quente, com gosto de canela, que trouxera de junto dos homens. Era forte e Elina reclamou do gosto.
"Você precisa ter forças," repreendeu Maeva com gentileza. "No próximo anoitecer partiremos novamente. O capitão queria partir logo, mas consegui convencê-lo de que melhor do que chegar com a esposa do governante no dia marcado, era chegar à cidade com a esposa e a filha do governante, ambas vivas e a salvo."
Elina sorriu ante a sabedoria e prudência demonstrada por quem, eu soube mais tarde, era sua leal amiga. Com um gesto, a mulher pediu seu bebê, que lhe foi dado e prontamente aconchegado junto ao seio, e observei, curioso e encantado, a criança sugá-lo com avidez.
"Ela tem muita fome, e fome de viver," disse Elina sorrindo.
Maeva balançou a cabeça afirmativamente. "Tem toda razão, senhora."
E eu não pude deixar de concordar, Gimli, nunca houve alguém com tanta fome de viver quanto Deirdre.
"Com que então vocês presenciaram o nascimento de um edain," afirmou Gimli um tanto desconfiado. Talvez não estivesse acreditando em minha história.
"Sim. Mas como nada de mais extraordinário adveio além disso, nossa patrulha escoltou os Edain, sem que eles nos vissem, até a saída da floresta. Como esperávamos, a comitiva seguiu rumo ao leste e quando chegaram ao rio corrente não achamos que era imprescindível acompanhá-los".
"Então, vocês, Elfos, tornaram a encontrar a criança que nasceu na floresta?" indagou o Anão.
Um sorriso triste crispou os meus lábios ao lembrar de nosso reencontro. E de minha estúpida cegueira naquele dia. "Sim, a encontrei. Mas não a reconheci."
Respirei fundo, a lembrança de um rosto feminino trazendo para meu coração uma melancolia que jamais seria esquecida, não importasse o quanto eu vivesse. Olhei para Gimli, que me observava preocupado, e continuei.
Como me fora contado mais tarde, três anos haviam se passado quando Deirdre viu a mãe entrar em trabalho de parto. Ambas passeavam no jardim quando Elina sentou-se em um banco alto de madeira escura e a menina arregalou os olhos ao ver a mãe sujar-se do que lhe pareceu ser água.
"Vá buscar Maeva, rápido," Elina falou para a filha. A pequena Deirdre saiu chorando e correndo e em pouco tempo as ajudantes de Elina haviam chegado.
Em meio à algazarra das aias, Elina foi levada aos seus aposentos onde, após treze horas de trabalho de parto, nasceu um menino de cabelos negros como o pai. A criança foi lavada e enrolada em um tecido alvo que foi fechado com uma runa protetora - um antigo encantamento para a saúde e sorte do recém-nascido.
"Com certeza assustei Deirdre," falou Elina enquanto aninhava o menino junto ao seio.
"Ela nem vai lembrar-se disso direito, Senhora. Agora me dê a criança e descanse," falou Maeva.
"Não, traga-me Deirdre primeiro. O pai dela já viu o pequeno, mas ela ainda não."
E assim nasceu Bard, neto do grande Bard Matador do Dragão Smaug, e um dos guerreiros mais corajosos que eu tive o prazer de conhecer.
UMA VIDA PALACIANA
A família já havia planejado o futuro de cada um deles. Deirdre era a menina dos olhos do pai, Onodher, que adorava o espírito alegre, brincalhão e irrequieto da garota, enquanto sua mãe via nela a possibilidade de uma grande aliança com outro grande reino quando chegasse a idade de casar-se. O irmão Bard, por sua vez, ocuparia o lugar de Onodher como governante da cidade.
As duas crianças eram inseparáveis. Fisicamente, não podia haver maior contraste entre os dois irmãos. Deirdre, de cabelos vermelhos e olhos negros como a mãe, e Bard, com olhos azul-acinzentados e cabelos negros do pai. A menina era três anos mais velha que o irmão e como o garoto a adorava!
Juntos estudavam, brincavam e fugiam do mestre-escola para cavalgar pela cidade, arriscando-se de vez em quando a passeios mais longos junto ao rio corrente, o que terminava em sermões homéricos, mas que se mostravam absolutamente infrutíferos.
Quanto a Bard, mal ele pudera andar e falar, deram-lhe uma espada. O pequeno logo cedo foi iniciado na arte da luta e, totalmente a contragosto da mãe, Deirdre participava das aulas. A princípio a menina o fizera às escondidas, contudo, um dia, ela feriu-se seriamente, e os pais souberam. Isto, no entanto, não a impediu de amar a arte da luta e Deirdre aperfeiçoou-se juntamente com o irmão.
E, lhe digo, nunca amei tanto uma luta quanto as que travei com Bard! Já com Deirdre, não era assim que as coisas funcionavam. Sempre fora diferente, principalmente para a mãe dela, Elina.
Por insistência de Elina, Deirdre foi instruída em toda a etiqueta e boas maneiras que sua posição por nascimento exigia.
Deirdre era treinada diariamente para ser uma dama.
E ela o seria.
