GHOST

Autora: Jessy Potter

Ship: Draco/Harry - não se segue o definição de seus papeis na relação.

Sinopse: Pós-guerra - Quando os fantasmas se tornam maior que você... O que você faria? Enfrentaria-os? Fugiria? Enlouqueceria? Abraçaria-os? ou simplesmente se esqueceria? Obliviate é a solução ou se prostituir seria a melhor saída? Draco tenta encontrar essas respostas enquanto corre de um passado com olhos verdes.

Obs¹: Não leve em consideração os dezenove anos depois, tudo além disso é verídico aqui nessa fic.

Obs²: Todos os nomes aqui sitado que lhe arremate ao mundo de Harry Potter pertencem unica e exclusivamente a JK. Rowling. Essa fic não arremata qualquer lucro ela fora criada unicamente para diversão própria e para a de futuros leitores.

FIC SEM BETAGEM - por isso paciência diante de alguns erros, tentei corrigi-los o máximo que pude.


Capitulo 2.

_ DRACO.

Em meio a sua letargia, por conta das dores que sentia ouviu a voz de Luna gritar-lhe seu nome em desespero. Mas Draco se encontrava tão acabado e dolorido que seu único movimento como resposta foi um pequeno gemido de lamuria.

Sentiu mãos tremulas lhe segurar o rosto e dedos desesperados percorrer os pontos de seu corpo que mais doía. Mas Draco sabia que aqueles dedos jamais chegariam ao ponto exato de sua dor, pois a maior de todas elas já não poderia mais ser curada ou acariciada. Estava morrendo. Draco sabia disso. Estava morrendo da forma mais lenta que alguém poderia morrer e no final o único culpado seria unicamente ele.

_ Por que Draco, por que fez isso, anjinho? – em meio a suplica de Luna uma lagrima rompeu de suas pestanas serradas.

Não queria fazê-la sofrer, essa nunca foi sua intenção. Só queria mostrar a Rose que o único dono de seu corpo era ele mesmo. Mas Draco não soube quando naquela noite ultrapassara seus próprios limites?! Não soube em que momento a dor anestesiara até seu bom senso?! Talvez nunca tivesse esse tal de 'bom senso', talvez esse bom senso, se perdeu em uma parte de seu passado. Draco não sabia bem dizer.

Só sabia que já não mais suportava viver.

Uma musica, a sua musica começou a soar em seus ouvidos em um cântico lamurioso. Luna cantava, Luna cantava somente para ele.

-X-

A insensatez que você fez,

Coração mais sem cuidado,

Fez chorar de dor o seu amor,

Um amor tão delicado.

-X-

Lagrimas rolaram pelo seu rosto como larva que rola pelo um vulcão ativo. Doía, doía mais do que poderia suportar. Por que sua vida era assim uma imensa insanidade, seu coração estava destruído. Às vezes acreditava que jamais teve realmente um inteiro. Que durante toda a trilha que percorreu ele foi se perdendo pelo caminho. Seja pelas suas palavras ferinas na época de escola ou por cada homem que deitou em sua cama, que teve seu corpo em meio a mãos lubricas e pungentes.

-X-

Ah! Porque você

Foi fraco assim,

Assim tão desalmado.

Ah! Meu coração

Quem nunca amou,

Não merece ser amado.

-X-

Draco nunca teve coragem, assim como agora não tinha coragem de seguir uma vida diferente daquela que possuía. Não tinha coragem de voltar para seu mundo, para sua casa e não tinha nem coragem de procurar por sua mãe. Narcisa não merecia olhar para alguém impuro como ele. Sua mãe não merecia ter um filho como ele.

Em meio a ultima frase daquela estrofe, Draco gargalhou em meio ao choro. Gargalhou, pois realmente em um passado longínquo ele se apaixonou. Apaixonou-se e esperou que essa pessoa o salvasse, mas ela nunca veio. Nunca lhe estendeu a mão. Nunca olhou em seus olhos, com amor e carinho.

Estava sozinho. Era um homem solitário. Era um meretriz solitário.

_ Draco pare, está me assustando. – disse Luna balançando seu corpo que se contorcia entre o choro e o riso afoito.

Seus olhos se abriram e encarou os pretos de sua amiga. Mas ela nunca foi à pessoa que ele queria ver e quando a compreensão o bateu, Draco correu. Correu para o ato que fazia todas as manhãs. O corpo destruído debruçou-se sobre o sanitário e vomitou. Vomitou, mesmo quando já não aguentava mais. Vomitou até sua garganta arder.

Sentiu Luna segurar-lhe os cabelos e ouviu-a chamar por Rose. Antes de sua apatia o levar para o mundo da inconsciência, conseguiu ainda ouvir o grito de Rose e um sorriso fraco adornou seus lábios brancos.

Talvez a morte venha finalmente me buscar – pensou ele antes de cair inconsciente no chão frio do banheiro sentindo algo lhe descer pelo meio das pernas.

oOo

Luna mesmo de pouco conhecimento geral ali naquela casa, também era uma bruxa – uma nascida trouxa, para ser mais precisa. E foi com o coração ao solavanco e em meio à dor que com a ajuda de Madame Rose que depositou Draco em sua cama.

Luna não sabia descrever o estado que se encontrava Draco. Os hematomas, as mordidas, os arranhões e o sangue muito sangue. Ela e Rose sabiam que tudo aquilo ia além dos que seus olhos poderiam ver. E esse conhecimento doía. Doía pela certeza de saber que nenhuma delas podiam fazer nada por ele. Luna queria, mas Rose lhe sorria e dizia que as dores de Draco vinham além do dia que chegou aquela casa.

_ O que vamos fazer Madame? – perguntou Luna em meio ao seu choro silencioso.

Rose simplesmente balançou a cabeça negando.

_ Eu não sei mais o que fazer. O Dr. Adam não está na cidade. – Rose se sentou aos pés da cama e segurou as mãos de Draco. – Eu o desafiei ontem à noite. Draco como você pode ser tão impertinente? –se lamuriou a ruiva.

_ Eu conheço uma medica. – sugeriu a loira pensativa.

_ Quem? É bruxa? – perguntou Rose meio apreensiva.

Luna assentiu.

_ Mas ela não é daqui. – informou Luna.

_ E de onde ela é?

_ Londres, Inglaterra.

Rose se pôs de pé a encarando.

_ E de quem estamos falando?

_ Hermione Granger. É a única em quem confio. Fleur, minha amiga é cunhada do namorado dela. Conheci-a em uma das visitas que fiz a Fleur. Talvez ela nem me reconheça, mas Fleur... Eu posso pedir que ela interceda por nós.

_ Mas Luna, ela não pode colocar a identidade de Draco em risco. Não deixe que ela saiba de quem se trata até estar aqui. Vá entre em contato com ela, enquanto isso eu conjurarei uns feitiços de cura do qual tenho conhecimento.

E com um aceno de cabeça Luna deixou o quarto.

oOo

Hermione, agora com seus vinte cinco anos, era possuidora de uma carreira de sucesso. Uma mulher firme e uma medibruxa forte e habilidosa. Em suas mãos naquele quase quatro anos de serviço nunca deixara alguém morrer.

Aquela manhã estava mesmo abarrotada de serviço. Aquela semana parecia que a maioria das pessoas tirou para ficar doente ou se acidentar em algo perigoso demais. E para Hermione isso só significava uma coisa, não conseguiria ver Harry aquela tarde.

Hermione estava preocupada com o amigo, fazia tempo que Harry não entrava em contato com ela e nem com Rony, mas o ruivo soube que pelo menos no trabalho ele comparecia. Um suspiro soltou de seus lábios e com seu estetoscópio pendurado no pescoço saiu para mais uma visita nos quartos de seus pacientes. Mas Hermione foi barrada com a chegada de uma chamada pela rede de Flu.

Seus olhos castanhos caíram perante o rosto flutuante de Fleur.

_ Fleur, aconteceu alguma coisa? – perguntou indo se ajoelhar em frente à lareira.

_ Sim, mas não é nada aqui em casa. Hermione, eu preciso de um favor um grande favor seu e isso inclui uma viagem para a França e só você pode me ajudar. – disse Fleur com seu sotaque carregado.

_ Mas Fleur... – tentou Hermione se explicar.

_ Por favor, eu te imploro. Uma amiga precisa de sua ajuda.

_ Certo me dê alguns minutos e já estarei em sua casa, só vou ver alguém para cobrir meu lugar por aqui. – avisou.

Fleur assentiu e sumiu em meio às brasas. Hermione bufou por puro cansaço e andou até o consultório ao lado do seu. Dr. Spencer há cobriria aquele dia. Pois também lhe devia um favor.

E foi após meia hora que Hermione aparatou na sala de Fleur. A loira lhe abraçou com carinho e a fez sentar servindo-lhe um pouco de chá.

_ Tenho uma chave de portal para você, para daqui vinte minutos.

_ E quem é sua amiga? – perguntou bebericando seu chá. Pois não conseguira tomar café da manha.

_ Bernard, Luna Bernard. Deve se lembrar dela. Luna esteve em meu casamento.

Hermione assentiu.

Claro que Hermione se lembrava. A conhecera no casamento da própria Fleur. Uma menina adorável, de atitudes leves. Se Hermione não se enganava lembrava-se dela lhe dizer que era um quarto veela. Ficara sabendo também que a família dela cairá na falência durante a guerra. Os pais se mataram e a filha deu como desaparecida.

_ Mas ela não estava desaparecida, Fleur? – a loira assentiu.

_ Sim, mas você entendera o porquê de seu desaparecimento. Tenho pouco tempo para te explicar muita coisa. Então o pouco que posso dizer é que a chave de portal te levara diretamente para a casa na qual ela se encontra hospedada. Ouça Hermione, Luna talvez não seja mais tão refinada como antes. O lugar onde ela se encontra talvez te faça se sentir ofendida. Mas peço que a ajude. Ela me pareceu realmente desesperada.

_ Em que situação ela se encontra? – perguntou Hermione depositando sua xicara na mesinha de centro.

_ Luna com a queda da família, me revelou essa manha que se tornara uma meretriz, Hermione.

_ Uma meretriz, mas como? – perguntou um tanto chocada com a imagem de Luna em seus trajes de gala e rosto de princesa.

Fleur negou.

_ Eu não sei, mas não temos tempo para isso. Ouça você estará indo para uma casa de mulheres e...

_ Ouça Fleur, eu não possuo nenhum preconceito em relação a isso, o que ela faz é como qualquer trabalho. Não me prendo a moralismos preconceituosos.

Fleur assentiu para ela sorrindo.

_ Certo, agora tome. Falta pouco. – disse a loira entregando a Hermione um garfo de cozinha. - Mande lembranças minhas para ela. Diga se ela quiser vir para Londres tentar uma vida diferente não estará sozinha.

Hermione assentiu.

_ Passarei sua mensagem. – assegurou-lhe Hermione com carinho.

_ Escreveria uma carta, mas não temos tempo para isso.

_ Ela lhe disse em que estado se encontra o paciente?

Fleur negou.

_ Somente me informou que precisava de sua ajuda, que o paciente se encontrava em um estado que parecia grave. Por conta de ter abusado em seu trabalho na noite passada.

Hermione assentiu.

_ Pediu também sigilo de sua parte. Disse que tudo que ver ou ouvir lá terá que ficar por lá. Parece importante e urgente.

Hermione voltou assentir, séria.

_ E por que não contataram um médico franceses?

Fleur deu de ombros.

_ Não sei bem, parece que o médico que as atende saiu em uma viagem. Disse que não poderia confiar esse caso a mais ninguém.

_ Ouça Fleur, eu não vou compactuar com algum abuso sexual não concedido.

_ Eu sei e disse isso a ela. Mas Luna me garantiu que não é nada relacionado a abuso.

_ Parece que deu minha hora. – avisou a castanha ao ver o garfo em sua mão brilhar. – Avise a Rony aonde me encontro e informe a ele que tentarei voltar para o jantar. Até mais Fleur.

_ Pode deixar que eu digo sim. Mande minhas lembranças a Luna e até mais ver.

E com um fisgo em seu estomago Hermione foi teletransportada para a França com a sensação de que algo grande descobriria nessa viagem.

E Hermione descobriu.

Descobriu com um gosto doce amargo batendo em seu intimo pela sua descoberta. Mas engoliu aquela sensação entre a confusão e piedade, e foi como uma médica que cuidou daquele corpo totalmente danificado. Entre tônicos e poções de autopoder curativo trabalhou em todo o corpo de Malfoy. Sim Malfoy. Quem diria que um dia Malfoy precisaria da ajuda de uma nascida trouxa como ela ou pior que Hermione fosse a primeira a tomar conhecimento do paradeiro do até então considerado morto Draco Malfoy? Impossível.

Luna estava todo tempo ao seu lado a ajudando em trabalhos simples, como pegar bandagens, preparar curativos, cortar esparadrapos. E com forme os hematomas se apresentavam aos seus olhos, Hermione se compadecia como nunca pensou em se compadecer por Malfoy um dia.

Entre exames e curativos a castanha tomava conhecimento do que a vida de Malfoy se tornara e quão longe ele chegou naquela noite depois que Luna, em uma hora atrás, reportara para ela. O que levara aquele garoto arrogante chegar a um ponto tão baixo? Tão desumano?

Afinal Malfoy diferente de muitos ali e diferente de Luna, ele ainda possuía sua herança, suas propriedades. Possuía uma mãe. Claro que Hermione tomou conhecimento do rapto de Malfoy, assim como também tomou conhecimento da ação dos aurores ao encontrar o cativeiro, que Malfoy nunca fora encontrado e por conta do seu desaparecimento do cativeiro e por conta dos depoimentos dos comensais capturados foi quase impossível não chegar à conclusão de sua morte.

Será que ele tinha conhecimento desses fatos? Será que ele sabia que sua mãe ainda coloca a foto dele entre as fotos de desaparecidos no Profeta Diário?

Com uma desculpa qualquer Hermione dispensou Luna do quarto e começou a cuidar dos ferimentos nas regiões intimas de Malfoy. Deus!Como Malfoy suportava aquela vida e por quê? – pensou Hermione ao se deparar com a região mais danificada do corpo do loiro se isso ainda era possível.

_ O que te aconteceu Malfoy? – perguntou para o silencio do quarto após ter configurado roupas de cama limpas para ele e o vestido com um pijama confortável. Conjurou um feitiço para limpar a boca e tirar os gostos das poções.

E com um ar de pesar Hermione se retirou do quarto e encontrou a tal de Madame Rose lhe esperando na sala, sozinha. A face tão branca quanto de Luna e Malfoy, estavam com os lábios da mesma cor. As mãos se remexiam em impaciência e algo mais. Hermione se aproximou fazendo um pouco de barulho para assim ser notada. A mulher alguns anos mais velha que ela, sorriu lhe tristemente e agradecida. E a pergunta tão habitual para castanha foi dita quase em um sussurro:

_ Como ele está?

Hermione sorriu com carinho, para acalma-la, pois a mulher parecia que entraria em choque a qualquer momento.

_ Agora se encontra estabilizado. Bem, acredito que nunca se encontrara bem se continuar a abusar do próprio corpo assim. – seu tom era mesclado de calma e repreensão, fazendo assim a mulher cair novamente no sofá e levar as mãos no rosto e chorar.

Pega desprevenida por tamanha atitude de autoflagelação, Hermione arregalou os olhos sem saber bem o que fazer. Sua primeira ação foi buscar em suas coisas uma poção calmante que ofereceu a moça que aceitou de bom grado e assim que o choro sessou e só restou à expressão sofrida esculpida em uma face de culpa, Hermione se sentou ao lado da mulher.

_ Ele se encontra bem, mas minha preocupação como medica vem ao fato de seu estado psicológico. Ele pelo que me contaram submeteu o próprio corpo a algo irracional, algo que levou seu corpo a degradação e esgotamento total de energia. Não vou mentir sobre o que consta nos altos médicos que obtive.

_ Por favor, me conte o que ele tinha ou que ainda possui?- sua pergunta era recheada de culpa e preocupação. Uma preocupação tão forte que comoveu a castanha.

Hermione a olhou com uma mescla de carinho e pena.

_ Teve três hemorragias internas, tive que reconstruir seu canal anal e tive que concertar seus pulmões também danificados por causa do tabaco usado em altas doses. Mas o que me surpreendeu foram os hematomas que seu corpo já possuía e que cicatrizaram por conta própria e com a ajuda de péssimos feitiços de cura.

Os olhos azuis a fitaram confusos.

_ Draco nunca foi dado a isso, eu tenho certeza. Essa foi a primeira vez que ele exagerou e que eu não consegui controla-lo. – Hermione balançou a cabeça negativamente. - O que quer dizer com isso?

_ Quero dizer que Draco Malfoy trás nos pulsos marcas de tentativa clara de suicídio. – disse com raiva deixando seu lado medico falar mais alto na situação que se encontrava.

Àquela hora já deverá ter perdido o jantar com Rony – pensou Hermione enquanto via a mulher ruiva se levantar e começar a andar de um lado para o outro e subitamente parar e encarar os olhos castanhos de forma firme.

_ Eu te garanto doutora que não sabia desse descontrole de Draco, mas falarei com ele.

_ Ele está sedado no momento deve acordar somente amanhã por volta do meio dia. – A ruiva assentiu.

_ Agradeço sua disposição em se deslocar de tão longe somente para atendê-lo sobre um pedido de Luna. – Agradeceu a ruiva solicita.

_ Antes que eu me vá poderia chamar Luna para que eu possa me despedir? – a ruiva voltou a assentir. Mas antes de se retirar da sala a tal Rose se voltou para Hermione com um olhar triste.

_ Sei o que todos pensam de pessoas como eu, Doutora. Mas eu não prendo ninguém nessa casa e não submeto nenhum deles a nada que não queira. Mata-me, só de pensar por um minuto que Draco se encontra assim por minha culpa. Por um descuido meu.

_ Eu não a julgo, Madame. Eu apenas tento proteger meus pacientes de uma nova recaída como essa. O abuso de atividades nocivas está claro no caso do Malfoy.

A ruiva assentiu.

_ E esse conhecimento me faz sentir uma culpa que não sei explica-la, mas chamarei Luna. Mas antes quero que não reporte para ninguém sobre o nome dele e nem sobre esse lugar. Draco jamais me perdoaria se eu não tomasse esse cuidado.

E Hermione assentiu um tanto contrariada. Mas mesmo assim deu sua palavra.

_ Eu dou minha palavra. – disse ela, séria.

Rose saiu e minutos depois Luna desceu com o semblante mais tranquilo. Hermione passou para o conhecimento da loira as palavras de Fleur, fazendo Luna sorrir de forma triste.

_ Luna sabe que pode tentar uma vida diferente dessa na Inglaterra. Podemos te ajudar. – disse Hermione sorrindo para a francesinha, oferecendo sua ajuda.

_ Por enquanto eu não posso. Mas assim que eu resolver uma coisa, eu prometo que aceitarei a proposta sua e de Fleur. Mas tem algo mais forte que me prende aqui na França.

Hermione assentiu já desconfiada do que se tratava.

_ Certo, pode me contatar nos dois endereços que te dei, virei a qualquer momento. – se ofereceu Hermione solenemente. Luna assentiu compadecida de sua ajuda.

_ Obrigada, mas vá ou perdera sua chave de portal.

Hermione assentiu pegando o garfo que já brilhava e com um pequeno e ultimo aceno para Luna foi puxada de forma grotesca pela chave de portal que a lançou no meio de sua sala de estar em seu apartamento.

E naquela noite Hermione não dormiu, ponderando cada descoberta que obteve aquele dia e o que faria diante dela.

oOo

Quando Draco foi puxado de seu mundo de inconsciência a primeira coisa que teve ciência foi dor, muita e muita dor. Embaixo de suas pestanas sentiu seus olhos lagrimejarem. Seu corpo estava paralisado diante de tamanha força negativa. Anestesiando certos pontos que pensava já nem mais possuir.

Com medo de abrir os olhos e encontrar o olhar, o mesmo olhar de pena e desespero nos olhos de Luna, decidiu por apurar os ouvidos. Silencio. Tudo estava silencioso para ele. Tudo estava calmo. Uma calma torturante de dor e sofrimento. Nada do que não merecia como recompensa, pela burrice que fez.

Perante a esse pensamento sua mente foi assaltada com imagens tão mais brutais que a dor que dominava seu corpo e tão mais lascivas que fez seu estomago se revirar no intimo de sua barriga. Tão nojentas e imundas que fez seu corpo desejar agua, tanta agua que nela seria capaz de se afogar.

E novamente a sensação de que a morte estava próxima o assaltou. E Draco desejou dormir, dormir para sempre. Mas essa ideia foi roubada de sua mente, por conta da reviravolta de seu estomago, os espasmos se sobrepôs a dor e sem pensar Draco abriu os olhos e olhando tudo e nada ao mesmo tempo se arrastou até os pés de seu poço e de sua mais autoflagelação.

Estava perdido.

Vomitou, vomitou como todas às vezes, até a dor da garganta ser maior que os espasmos de seu estomago. E ali quase deitado sobre o sanitário e abraçado a ele, chorou. Chorou um choro desesperado. Um choro que pedia por um socorro que ninguém mais poderia concedê-lo, pois sua doença não tinha mais cura.

E mesmo ouvindo passos e gritos apressados Draco não interrompeu sua demonstração clara do que muitos chamavam 'fundo do poço'. Sim era lá que ele estava e ninguém podia salva-lo, pois Draco já não estendia mais as mãos para isso acontecer. A morte já era mais que bem vinda. Era sua pura necessidade. Sua ultima esperança de paz e repouso.

Desmaiou.

oOo

_ DRACO ACORDA. ACORDA JÁ. VAMOS... – sentiu seu corpo sendo sacudido, mas aquele escuro de sua mente e sentidos eram tão bem mais acolhedores. Draco não queria acordar, será que ninguém entendia isso? – PORRA DRACO... Acorda, por favor, acorda... NÃO ME FAZ ISSO, VAMOS DRACO...

Draco sabia quem o chamava podia até ver os cabelos loiros dela se avoaçarem perante seus olhos, mas estava tão cansado. Tão cansado de seguir em frente. Tão exausto de procurar uma solução para tudo aquilo.

Mas mesmo assim os olhos cinza se abriram. Abriu-se para voltarem a se fechar perante a dor do seu corpo. Resmungou algo e as mãos foram levadas por vontade própria até o ponto da dor, mas elas nunca chegaram ao ponto exato...

_ Os remédios Luna pega os remédios. – pediu a voz estraçalhada de preocupação de Rose.

E seus ouvidos captaram os passos apresados correr por todo seu quarto, depois sentiu um liquido amargo descer lhe pela garganta como farpas. Seu estomago se revirou e em meio ao desespero de vomitar ali mesmo tentou correr, mas dois pares de braços lhe segurou no lugar.

Abriu os olhos arregalados e suplicantes, revoltado até, mas as quatro íris que o encarava naquele momento eram mais intimidadoras que as suas.

_ Tem que lutar contra isso. – mandou Rose, irritada. – O que esta tentando fazer hem? O que quer?Se matar?

Draco virou o rosto para a janela fugindo do poder daqueles olhos azuis e dos orbes pretas que lhe fitava com dor e pena e naquele momento percebeu que estava em sua cama novamente.

_ Não importa. A vida é minha, eu faço dela o que quero. – disse de forma amarga. Ouviu um copo sendo jogado na parede e se estilhaçar e deduziu que fora efeito da raiva de Rose perante suas palavras, mas Draco a ignorou.

_ Suicídio. Suicídio Draco. Chegou tão longe assim? Tão fundo?

_ Saí do meu quarto. – ordenou feroz.

_ Para que? Para você se matar?

As íris cinza caíram perante as azuis tempestuosas e os olhos de Draco, encararam-na tão frios e sem vida, que Rose deu um passo para trás. Um sorriso torto se desenhou nos lábios pálidos e uma lagrima rolou pelo rosto já lavado de Luna.

_ A gente não pode atentar sobre algo que já não se pode mais ser chamado de vivo. – Com indiferença Draco observou uma lagrima descer pelo rosto de Rose e quando ela voltou a encara-lo seus olhos eram igualmente frios.

_ Você pode morar aqui, mas nessa cidade, nesse país você não trabalha mais vendendo seu corpo. Eu não vou compactuar com isso. Pois se existe um meio de te salvar eu vou busca-lo até nos confins do mundo se for necessário e se você tentar ir embora para continuar fazendo isso, eu te caço, Draco. Eu juro que te caço e depois mando o endereço de seu paradeiro para sua mãe.

Draco arregalou os olhos diante da ameaça e abaixou a cabeça.

_ Você não se atreveria.

_ Então tenta, apenas tenta. – e sem mais Rose se retirou batendo a porta atrás de si.

De forma silenciosa Luna se deitou ao seu lado entrando embaixo de suas cobertas e da forma mais carinhosa ela o abraçou como uma criança abraça um ursinho de pelúcia. E bem lentamente a voz serena e melodiosa de Luna invadiu seu corpo doente o anestesiando da maneira que somente ela sabia fazer. Cantando.

Draco fechou os olhos e se deixou levar pela melodia que lhe era concedida. Era um cântico de compasso e letra triste, mas ele não se importou, era até reconfortante em meio a sua derrota e desgraça. Adormeceu se deixando embalar por aquela canção.

-X-

Quando você estava em pé no meio da devastação

Quando você estava esperando na beira do desconhecido

Com o cataclisma desabando, por dentro gritando "Salve-me agora"

Você estava lá e possivelmente sozinho

Você sente frio e perdido em desespero

Você constrói a esperança, mas o fracasso é tudo que você conhece

Lembre-se de toda a tristeza e frustração

E deixe-a ir, deixe-a ir

-X-

O céu estava claro aquela manhã, limpo e sereno. Mas parecia tão cinza. Um suspiro soltou dos lábios finos e os olhos mercúrio em meio a sua contemplação não notaram passos ecoarem pelo seu quarto.

Fazia um mês desde aquela fatalidade, mas sua vida era firmada em tantas fatalidades que a única coisa que pensou em relação aquilo que lhe aconteceu foi: que estava de pé não por ele, mas por um pedido que lhe foi feito em suspiro de dor e desespero: Você é tudo que tenho, salve-se por mim.

Logo ele, que pensava que Luna era apenas uma amiga qualquer. Um sorriso triste contornou os lábios roseados enquanto Draco pensava quando ela se tornou tão ligada a ele. Não era amor de casal, era algo além, algo mais leal, mais seguro, mas mesmo assim grandioso e assustador...

Sentiu mãos rodearem sua cintura e uma respiração bater em seu pescoço como uma caricia silenciosa.

_ O dia está tão lindo, Madame Rose me intimou a tira-lo desse quarto. – olhos pretos que lhe enviavam um déjà vu, de um passado e de pessoas já esquecidas; o encararam com carinho. – Me acompanha nas compras, vai ser divertido... Prometo.

Luna riu com graciosidade e Draco revirou os olhos.

E ainda encarando aqueles olhos pretos como uma noite escura, mas mesmo assim aconchegante, deixou a mente vagar aos cuidados que aquela mulher lhe dispensou todo aquele mês, todo carinho e dedicação. Como poderia negar algo a ela?

-X-

E em uma explosão de luz que cegou todos os anjos

Como se o céu tivesse explodido o paraíso em estrelas

Você sentiu a gravidade da graça suave caindo em um espaço vazio

Ninguém lá para pegá-lo em seus braços

-X-

_ Aposto que será muito divertido. – seu tom era sarcástico, mas seus lábios sorriam para ela com carinho. Luna revirou os olhos e o puxou quarto a fora, apressada.

_ Farei você admitir no final do dia o quão divertido ele foi. – avisou Luna e Draco se deixou levar.

Ambos acenaram para Rose que estava sentada no sofá com uma das meninas que Draco não sabia o nome e saíram da casa para a rua pouco movimentada de Pigalle. Pegaram um ônibus e só desceram dele quando se encontravam no centro de Paris.

Entre risos e sorvetes eles correram por entre as pessoas apresadas entrando em uma loja aqui e outra ali. As sacolas nos braços de Draco só cresciam e entre seus resmungos de resignação Luna ria e comprava ainda mais.

_ Chega. – disse Draco de forma autoritária e olhar firme, assim que se viu sendo arrastado para mais uma loja de sapato. – Não pode gastar tanto assim. Luna, você deveria pensar em um futuro mais brilhante para você. – aconselhou ele dessa vez a puxando para um restaurante que disponham as mesas nas calçadas do outro lado da rua.

_ Igual você pensa para você? – revidou ela, não para magoa-lo, mas somente para constatar o obvio.

Draco fez cara feia para loira que riu se sentando em uma das mesas e jogando suas sacolas na cadeira vaga ao lado. Draco levantou uma sobrancelha, divertido e acabou fazendo o mesmo que ela ao se sentar.

O garçom não demorou em atendê-los. Viciada em vinhos, Luna pediu o almoço daquele dia ao seu gosto e paladar. E Draco ficou encarregado da sobremesa.

Draco levantou o olhar do cardápio que tinha em mãos para olhar uma Luna inquieta a sua frente. As mãos pequenas se mexiam agoniadas, os olhos pretos corriam de um lado para outro da rua e dos lábios saiam pequenos suspiros. Irritado com aquela demonstração de inquietude, Draco parou os dedos frenéticos com sua própria mão atraindo a atenção dos olhos pretos.

_ Fala. O que foi? – perguntou ele sem enrolação.

Luna deu de ombros.

_ Nada. – disse ela fazendo Draco a mirar com os olhos semicerrados.

_ Anda Luna, eu sei quando quer me dizer algo, vamos desembucha. – falou ele sem paciência na voz.

Luna soltou um suspiro e desviou o olhar do de Draco, fazendo o loiro questionar, que talvez a coisa seja mais séria do que pensou que seria a principio.

_ Eu recebi um convite para morar na Inglaterra. – as palavras se soltaram dos lábios de sua amiga nada mais que um sussurro, que mesmo com o cuidado denotado na voz ainda assim fez o corpo de Draco retesar, suas mãos suarem a frio e sua mente ser tomada por pesadelos de um passado a muito esquecido.

Luna o encarou com carinho e não deixou as mãos dele se afastarem das dela.

_ Foi uma amiga de infância que me fez a proposta, mas eu recusei. – finalizou ela com descaso e Draco se indignou com aquelas palavras.

_ Como assim recusou? – Luna deu de ombros, novamente mostrando descaso no assunto que ambos sabiam que era mais do que primordial e esperado.

_ Ainda não é meu momento de voltar. – concluiu Luna com a voz transbordando uma calma que Draco jamais possuiria; uma calma que era regada com uma doçura infantil.

Draco pensou em retrucar aquelas palavras absurda, mas o maldito do garçom escolheu aquele momento para vir com o vinho e a entrada do almoço. Como que para fugir do assunto Luna focou toda sua atenção na própria comida. Draco bufou de forma audível e se pôs a comer também.

Os olhos cinza iam do prato para as pessoas que passavam pela rua. E tentava a todo custo também fugir dos olhares que Luna distribuía vez ou outra para sua pessoa e foi perante um desses olhares que seu corpo se retesou, seus olhos se arregalaram e suas mãos deixaram a taça de vinho escorregar por entre os seus dedos trêmulos. E foi com o baque do vidro se estilhaçando no chão que o trouxe de seu estupor e fez Draco correr para dentro do restaurante como um gato escaldado.

Ele não poderia tê-lo visto, não poderia... – pesava Draco de forma quase desesperada diante de uma Luna que lhe fazia perguntas que naquele momento não tinha condições nem de ouvir e muito menos respondê-las. Sua concentração estava toda na vidraça que dava vista para a rua e ao lugar da onde acabara de fugir e Draco só esperava não ter sido notado.

Sentiu o desespero voltando com força e uma vontade louca de vomitar e seus sentidos sendo preenchido por um estupor que lhe era muito conhecido. Estava entrando em pânico. Draco sabia que precisava sair dali antes que desmaiasse ou vomitasse ali mesmo no salão do restaurante.

_ Luna, nós precisamos sair daqui. – avisou olhando para os lados em busca de outra saída além daquela que lhe trouxe para aquele salão.

Luna assentiu ao seu lado, tomada de uma preocupação atordoante.

_ Sim, só me deixe pagar a conta e vamos para casa. – Draco assentiu diante daquelas palavras e quando Luna pensou em se afastar, Draco segurou o braço frágil e com olhos apavorados pediu:

_ Rápido, Luna, rápido... Por favor...

Luna lhe presenteou com seu sorriso gentil e saiu em direção ao caixa. Minutos depois estava ao seu lado.

_ Vamos, só tenho que pegar minhas sacolas lá fora e de lá podemos ir para casa. – avisou Luna caminhando para a única porta a vista no restaurante. Mas Draco não a seguiu e quando a loira tomou esse conhecimento o olhou ainda parado no mesmo lugar negando enfaticamente com a cabeça. – Draco a saída é por aqui... – Mas Draco continuou negando e os olhos negros o olharam em uma preocupação desesperada. - Você está me assustando.

Diante dessas ultimas palavras Draco reagiu como se tivesse levado um tapa. E como se tivesse saindo de um transe, olhou a sua volta como se não reconhecesse onde estava e após um longo suspiro se pôs a caminhar até onde Luna estava parada o esperando e de lá ambos caminharam juntos para a saída, sobre os olhares curiosos dos funcionários e dos poucos clientes que ocupava as mesas mais próximas a eles.

Quando o loiro se viu longe da proteção das paredes do restaurante, Draco correu os olhos, apreensivo, para o ponto onde vira aqueles malditos olhos verdes e soltou o ar com força ao constatar que já não tinha mais ninguém por lá e com um sorriso torto nos lábios ajudou Luna a recolher suas sacolas.

Paris já não era mais segura.

E foi com esse pensamento em mente que se trancou em seu quarto na mansão da Rue Pigalle. Ali por enquanto estava seguro.

Mas uma pergunta não queria fugir da mente atordoada de Draco: O que aquele homem estava fazendo ali, logo em Paris?

E como sempre ele correu para o banheiro e Draco fez o que queria ter feito desde que seus olhos capturaram a imagem daquela maldita figura parada do outro lado daquela rua. Vomitou, chorou e vomitou de novo.

Estava sentindo muito medo, um desespero anormal. As imagens assaltavam sua mente fazendo com que sentisse seu corpo sujo, fazendo Draco acreditar que ainda estava no poder daquele maldito homem. Em meio ao choro e desespero arrancou a roupa do corpo sem se importar se as estavam rasgando ou não, apenas queria se livrar delas.

Draco se jogou embaixo da agua corrente do chuveiro e com uma bucha esfregou o corpo de forma frenética e raivosa. Com os olhos fechados sentia como se suas próprias mãos fossem as mãos daquele homem correndo pelo seu corpo.

Seu nariz podia até sentir o cheiro podre e insuportável daquele calabouço, sua boca era invadida pelo gosto asqueroso que sentia quando era obrigado a masturba-lo e engolir aquele líquido... Não aguentando a própria linha de raciocínio Draco acabou vomitando nos próprios pés.

E mesmo tentando, não conseguia abrir os olhos e se livrar daquelas imagens e sons. Por que ouvia... Ouvia os gemidos, as risadas, as arfadas, os xingamentos, os sons dos tapas que lhe deferiam contra seu próprio rosto e corpo.

Por que ele estava ali? Por quê?

E para Draco aquela pergunta só tinha uma resposta: ELE finalmente o encontrou. Pois Draco acompanhou as noticias de quando os aurores acharam seu cativeiro, acompanhou e os xingou pela incompetência daqueles malditos de não terem pego a única pessoa no meio daquela orgia de demônios que lhe fez mal.

E Draco se lavou e com aquela bucha esfregava seu corpo até sentir a pele queimar diante da dor, mas não parou. Ele não podia parar, ainda sentia as mãos, ainda sentia o cheiro podre em sua pele... Continuou...

De olhos fechados Draco não viu a agua começar a descer meio rosada para o ralo, e também não que em sua pele começa a abrir ferimentos de arranhura. Em sua mente a única coisa que importava era se livrar daquelas mãos e cheiros...

oOo


Nota: Espero que todos tenham gostado do capitulo passado, pois como disse amei escrever Ghost é uma das fic mais triste que me impus a escrever, concluidissima Ghost tem dois finais um triste triste e outro alegre alegre...kkkkkkkkkk

Fiquei muito triste por receber apenas um comentário nessa fic, mas creio que se deve as festas de fim de ano afinal todos merecemos viajar...kkkkk Mas ao mesmo tempo fiquei muito feliz por ter recebido aquele comentário hiper fofo, sim você pode com toda certeza cuidar do draquinho e olha que o bichinho tem muito que sofrer muito que ser amado e cuidado aiai aiai

Mas antes de me despedir que desejar a todos mesmo atrasadinho um Começo de ano maravilhoso e que muito yaoi entre em nossa vida assim como Drarry

obrigado mais uma vez pela atenção

bjos e abraços de urso

Jessy

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