Capítulo II
Estava um bonito dia. O sol brilhava com uma intensidade, que quase feria os olhos. A paisagem parecia mais bonita do que era. Assim o pensava Sai, enquanto se dirigia para a casa da Ino a buscá-la para irem para a escola.
No dia anterior, antes de ir para a cama, havia pedido ao seu grande amigo Sasuke que fosse lá ter, pois não se sentia lá muito seguro, principalmente perto de uma certa rapariga chamada Inai. Aquela rapariga causava-lhe arrepios. Podia ser fisicamente igual à Ino, mas em termos de personalidade…eram completamente diferentes. Retomando ao Sasuke, ele começou logo a resmungar, a dizer que não queria aborrecimentos nem chatices para o seu lado, mas lá acabou por aceitar. Que remédio!
Perdido em seus pensamentos, Sai de repente apercebeu-se que chegou ao seu destino. Aproximou-se da porta e parou antes de tocar à campainha. Será que aquilo estava certo? Nunca antes fora buscar uma namorada para ir à escola, por isso era normal ter dúvidas. «Só espero que não me esteja a meter na boca do lobo!», pensou Sai, enquanto tocava à campainha.
- Despachem-se! São sempre a mesma coisa! Depois não venham dizer que o pai é exigente e... – Tsunade abriu a porta e viu Sai, estático e perplexo – Ah, és tu Sai! – olhava para ele de alto a baixo – Entra. Só tens que esperar um pouco. Já sabes como é a Ino! – deu uma gargalhada, enquanto Sai entrava naquela casa – Esteja à vontade.
Dizendo isto, Tsunade dirigiu-se para a cozinha, enquanto Sai olhava em todas as direcções. Aquela casa o fascinava. Era bastante espaçosa. Aquele piso, pelo que via tinha 4 divisões, duas em cada lado, sendo que uma delas era a cozinha. Esta era única que era aberta, pra qual ele tinha acesso, pois as outras estavam fechadas e, por isso, não conseguia perceber o que estava por detrás daquelas portas. Numa coisa deveria estar certo. O andar de cima deveria estar reservado para os quartos de dormir e de banho.
Estava tão concentrado no que via, que nem deu pela presença de uma rapariga loira de olhos azuis a descer as escadas.
- Bom dia, Sai! – Inai atirou-se para os braços dele – Sentiste saudades minhas? – sorriu maliciosamente.
- Não, nem por isso. – Sai tentava desembaçar-se do seu abraço – Não tens que te aprontar? Que eu saiba… - olhou para o relógio que estava no pulso - … estamos atrasados. E se não te despachares, chegaremos tarde à primeira aula.
- Sai… Sai… - Inai dizia isto abanando a cabeça – És assim todas as manhãs? Sempre com essa disposição?
- Que eu saiba, tu não tens nada a ver com isso.
- Tens razão! E que eu saiba, não é comigo que tens que te preocupar, mas sim com a tua namorada. Ela é que sempre atrasa todo o mundo nesta casa. – Inai aproximou-se dele de forma sedutora – Eu pelo contrário, estou sempre pronta a horas. Neste momento só me falta tomar o pequeno-almoço. Depois… - encostou o seu peito contra o dele – já poderemos ir para a escola. – aproximou a boca do ouvido dele e sussurrou-lhe – Só nós dois!
Sai sentia-se encurralado. Aquela rapariga era maluca! Como é que ela era capaz de seduzir o namorado da própria irmã na própria casa, podendo quase ser pega em flagrante? Uma coisa é certa, nunca entenderia a cabeça desta miúda. E pela maneira como ela agia e falava…de certeza que tinha algum atrito com a sua amada.
[…]
Ino, como sempre, tentava se vestir o mais rápido possível. Só gostava de ser como a Inai nesse aspecto. Como é que ela conseguia se preparar a tempo e horas, se acordava ao mesmo tempo que ela? Era um mistério.
Preparada, olhou-se ao espelho, que tinha pendurado na parede junto à porta, pela última vez.
- Vamos lá, Ino! O Sai já deve estar aí! Com certeza que foi ele quem tocou à campainha ainda há pouco! – exclamou para si com um sorriso e saiu apressada do quarto.
Estava a descer as escadas, e quando viu a irmã agarrada ao namorado, nem queria acreditar no que via. «É comigo que ele está, não é? É a mim que ele ama! Por isso, pára de te apoquentar com tolices! Se calhar deve ter acontecido qualquer coisa para eles estarem assim. Logo sorri e age como se não tivesses visto nada.», pensou Ino, enquanto sorria e ia na direcção deles.
- Bom dia, Sai! - aproximou-se dele e deu-lhe um beijo na boca à frente da irmã, que ao ver aquela cena paralisou. – Sempre vieste…fico feliz! – disse, retomando o fôlego.
Sai estava perplexo. Já não compreendia nada. Primeiro fora a Inai que se atirou a ele, agora a Ino decidira dar-lhe um beijo matinal daqueles! O que será que se passa com estas duas? «Mas confesso que até gostei deste lado ousado da minha Ino…», pensou Sai com um sorriso matreiro estampado no rosto.
- Pelos vistos estou a mais. Vou mas é para a cozinha tomar o pequeno-almoço, pois não quero chegar tarde à primeira aula da manhã! – Inai dera bastante ênfase a esta última parte antes de entrar na cozinha.
- A Inai tem razão! Vens também? – os dedos de Ino entrelaçaram-se com os dele.
Sai olhou apreensivo para o local onde a Inai havia entrado.
- Ehm…acho melhor não entrar. Pequeno-almoço é uma refeição feita em família…e eu não faço parte dela. – e antes que Ino pudesse dizer alguma coisa – Por enquanto. – deu-lhe um sorriso cúmplice, que foi retribuído.
- Ok! Fica à vontade! Prometo ser rápida! – dizendo isto, Ino aproximou-se dele e deu-lhe um selinho.
Ino já estava a chegar à cozinha, quando Sai se pronunciou.
- Vou esperar-vos lá fora. O Sasuke deve estar ai a chegar não tarda nada. Ele também vem connosco. Vai fazer-me um favor. Para irmos aos pares…entendes?
- Sim. Óptima ideia! A gente já vai ter contigo! - «A Inai é que não vai gostar nada disto.» - disse Ino para si divertida, entrando na cozinha.
[…]
A caminho da escola, Ino e Sai iam à frente e Inai e Sasuke, um rapaz de cabelo arrepiado negro e de olhos igualmente negros, vinham atrás. O primeiro casal não podia estar mais divertido, apreciando a companhia um do outro. Pareciam um casal feliz e era isso que deixava Inai possessa. Qual foi a ideia do Sai ter convidado o Sasuke para ir também com eles para a escola? Como gostava de estar no lugar da irmã. Aí é que ele ia ver o que era…
- Estás bem? – Sasuke já tinha vindo contrariado, mas quando olhou de esgueira para a sua acompanhante notara que algo não estava bem. Ela parecia ter ódio nos olhos.
- Sim, estou bem! Porquê que o perguntas? - «Agora o que é que este gajo quer? Já não me bastava as cenas que o par à minha frente faz, ainda tinha que vir este juntar-se à festa? Será que ninguém me deixa em paz com os meus próprios pensamentos?».
- Só estava perguntando…não é preciso vires com sete pedras na mão! – exclamou Sasuke, levantando as duas mão como forma de rendição.
Instalou-se novamente o silêncio entre eles. Até que Sasuke voltou a quebrá-lo.
- Tu gostas dele?
- O quê? – Inai parecia não ter ouvido direito.
- Perguntei-te se gostas dele, do Sai. É que não páras de olhar para aqueles dois. – disse, apontando para o par de pombinhos que estava à sua frente.
- Isso não é da tua conta!
- Não tem mal nenhum gostares do namorado da tua irmã. É perfeitamente normal, para além de que podes confiar em mim. – olhou para ela, enquanto andava – Prometo não contá-lo a ninguém!
Inai ao ouvir isto parou de repente e olhou para ele. Não demorou nem um segundo e ela já estava a correr para ir ter com ele.
- Como é que o sabes? – perguntou Inai baixinho.
Sasuke de forma descontraída pôs as mãos nos bolsos e um semi-sorriso começou a surgir nos seus lábios.
- O teu olhar dizia tudo!
- O meu olhar? Só podes estar a gozar comigo?
- Nem por isso. É que quando te vi a olhar para eles, pude perceber um certo ódio nos teus olhos. Enfim… - respirou fundo - …basta ser inteligente para somar dois mais dois e descobrir a razão que te levava a agir assim.
- Bom…agora que já o sabes, tenho uma coisa a confessar-te. – olhou para ele de forma penetrante e decisiva – Amo o Sai! E um dia vais ver…ele vai ser meu! Pra que saibas, eu sou uma mulher muito decidida! Quando gosto de alguém, faço qualquer coisa para que ela retribua o mesmo sentimento. Neste caso, com o tempo e através das minhas investidas, Sai acabará por me amar. Nem que para isso tenha que passar por cima da minha irmã! – sorriu triunfante, passando a olhar para a frente.
Sasuke tinha que concordar com o amigo, quando este dizia que ela lhe causava calafrios. Estava atónito. Nunca pensaria que uma irmã, ainda por cima gémea, era capaz de fazer isso com outra só por causa de um rapaz! Ele nunca dava muita confiança às mulheres, nem sequer lhes dava um segundo olhar. Mas a esta tinha que dá-lo. O Sai nem sabe o que o espera…como tinha pena dele. E por ele ser seu amigo, é que ele não podia deixar ao menos de alertá-lo. Era o mínimo que ele poderia fazer. Mas agora não era o momento para lho contar, ele parecia tão divertido com a Ino. «Mais tarde…é melhor falar-lhe deste assunto mais tarde.», disse Sasuke para si, enquanto voltava a caminhar de forma descontraída na direcção que estavam a tomar.
[…]
- Ino! Ino! Aqui! Estou aqui! – chamou Hinata toda alegre.
Ino estava a chegar ao pé da sua sala de aula, quando ouve a sua amiga Hinata a chamar por ela, desde o final do corredor.
- Vou entrando na sala. Txau! – disse Inai com um tom de aborrecimento.
- Oi, Hinata! Então…trouxeste o que te pedi? – perguntou Ino, bastante ansiosa.
- Sim, trouxe! – Hinata tirou alguns panfletos da mochila e entregou-os a Ino – Aqui estão! Espero que gostes! Isso foi o melhor que eu consegui fazer. Tive uma semana difícil!
- Hinata…estão perfeitos! Não vejo a hora de começar a distribuí-los pela escola inteira! Espero que haja muita gente que queira aderir a esta grande causa! Ajudar as baleias em vias de extinção!
- Só mesmo tu para teres ideias assim tão mirabolantes! Mas é por isso que eu te adoro e apoio, amiga!
- Eu sei, Hinata! Mas tu sabes que eu não podia deixar por terra uma oportunidade como esta. Sabes o quanto eu gosto de ajudar, principalmente os animais.
Hinata acenou afirmativamente com a cabeça, de forma a que a amiga pudesse perceber o quanto ela a compreendia.
Nesse momento surgiu à beira delas uma menina, que Ino nunca antes tinha visto. Ela tinha cabelos castanhos-escuros, apanhados em dois coques na cabeça, e uns olhos amendoados da mesma cor.
- Olá! – cumprimentou a menina – Desculpa o atraso, Hinata. Mas hoje vim de autocarro e o trânsito estava impossível!
- Não faz mal! – virou-se para Ino – Ino, esta é a Ten Ten! – virou-se desta vez para a outra – Ten Ten, esta é a Ino!
As duas cumprimentam-se de forma jovial.
- A Ten Ten está no nosso ano (10º), só que é da turma C. Falei com ela sobre este projecto durante a aula de Judo, desporto que ambas praticamos e, desde logo, ela prontamente se ofereceu para ajudar. Desculpa se não te avisei de nada. Mas estávamos a precisar de ajuda, isto se queríamos distribuir todos os panfletos, a tempo e horas, a todos os alunos da escola.
- Não te preocupes, que não estou chateada. Acho que até fizeste bem. – dirigiu-se para a morena – Ten Ten, obrigada! A tua ajuda será preciosa.
Ten Ten, que não estava acostumada a elogios, começou a ficar um bocadinho corada e sem jeito.
- Oh…não foi nada!
- Quando é que começamos a fazer a distribuição? – perguntou Hinata a Ino.
- Durante o intervalo grande. O que se segue a esta aula.
- Ok! – exclamaram Hinata e Ten Ten em uníssono.
Como a Ten Ten era de outra turma, Ino e Hinata combinaram com ela encontrarem-se no polivalente da escola. Despediram-se assim que avistaram a professora Shizune. Ino e Hinata entraram na sala de aula, onde a professora acabara de entrar; enquanto que Ten Ten foi para a sua.
Ino mal via a hora de começar com aquela campanha. Adorava mesmo conseguir muito feedback por parte dos colegas. Assim o esperava…
[…]
Entretanto, Sai e Sasuke já estavam na sua sala de aula, que ficava um andar abaixo da da sua namorada, a conversar.
- Sasuke… - este lança-lhe um olhar penetrante – O que é que achaste da Inai?
- É maluca! – Sasuke disse-o com tamanha prontidão, que até surpreendeu Sai – Agora entendo o porquê de não quereres ela por perto. Mas queres um conselho? – perguntou, enquanto se sentava na sua cadeira.
- Não! – Sai também se sentou. Apesar de tê-lo negado, a verdade era que queria mesmo um conselho. Precisava desesperadamente de um em relação àquela gémea tresloucada! Mas, ao mesmo tempo, sentia-se um pouco preocupado. Sasuke nunca estivera tão sério como naquele momento. Pressentiu que ele se calhar não estava para brincadeiras.
- Mas vou dar-to na mesma. – Sasuke respirou fundo e depois expirou o ar todo cá para fora num longo suspiro – Tem cuidado com ela, amigo! É a única coisa que te aviso. Põe-te fino com ela…dela nunca se sabe o que esperar!
Sai, após ouvir Sasuke, ficou apreensivo. Se não queria perder Ino, era melhor seguir o conselho do amigo. «Porquê que estas coisas só me acontecem a mim?», questionou-se para si, enquanto o professor dava inicio à aula.
[…]
- Contribua! Ajude quem mais precisa! Ajude-nos a salvar as baleias em vias de extinção!
Este era o slogan, que Ino, Hinata e Ten Ten, diziam enquanto entregavam os panfletos às pessoas que por elas passavam. Ino ficara encarregue do pátio grande, a Hinata dos pavilhões e respectivos halls de entrada, e a Ten Ten dos restantes espaços abertos.
Ino olhou a seu redor, parecia que já tinha entregue os panfletos a todos os que ali estavam. Quando, de repente, avistou um rapaz ruivo vestido de negro sentado num dos bancos daquele pátio.
Ao ir ao seu encontro, é que ela pôde perceber que ele era o rapaz gótico da sua turma, aquele a quem todos temiam. Ela podia não se ter apercebido de dele antes, mas, naquela altura, alguma coisa lhe dizia que ele seria de grande ajuda para a sua causa.
O rapaz estava a ler um livro bastante volumoso sobre rituais e, por isso, nem sequer reparou que numa rapariga loira indo na sua direcção. As poucas pessoas, que viam esta cena, pensavam que Ino deveria estar maluca para fazer uma coisa daquelas. Ninguém se metia com aquela gente, com os góticos! Todos na escola sabiam do que eles eram capazes, quando eram incomodados! Ino parecia ser bastante corajosa! Se calhar não deveria ter conhecimento da fama dele naquela escola…
- Contribua! Ajude quem mais precise! Ajuda-nos a salvar as baleias em vias de extinção! – disse Ino jovialmente, com um sorriso na boca, enquanto entregou-lhe o panfleto.
O ruivo, contrariado, fechou o livro que estava a ler com força e suspirou, para de seguida pegar no panfleto e lê-lo. Depois de o ter feito, ele olhou para ela de forma fria e respondeu-lhe:
- Que patético!
Ino, ao vê-lo a ler o seu panfleto, nem queria acreditar! Será que a sua intuição em relação a ele estava correcta? Mas quando ele lhe dirigiu aquele olhar, a partir daí não conseguiu mais raciocinar. Aqueles olhos eram lindos…de um verde transparente, que davam a entender que conseguiam ver a alma de uma pessoa, ainda mais, quando eram realçados por aquele lápis preto os contornava.
De repente, ele disse algo. Automaticamente ela regressou à regressou à realidade.
- O quê? Não percebi…o que é que disse?
- Disse que é patético. – disse o ruivo com um ar de desdém.
- O que é que é patético? O cartaz? Se for esse o caso…
- Não é o cartaz! – exclamou o ruivo, interrompendo-a – Mas sim tu e a forma como levas isto a sério!
- Eu não acredito! E posso saber porquê que dizes isso? – Ino continuava a não conseguir compreendê-lo.
- Achas que eu acredito que fazes isto pelas baleias em vias de extinção? – Ino nem queria acreditar no que estava a ouvir – Eu não nasci ontem! Olha para ti! Achas que uma patricinha como tu se preocupa mais com os animais do que consigo própria? – soltou um riso de pura ironia – Só fazes isto para teu próprio benificio! Vocês riquinhos convencem-se que estão a fazer caridade, quando na verdade o que querem é exibirem-se e dar a entender aos outros que são caridosos! – acusou-a o ruivo com uma voz grave e arrastada.
Ino ao ouvir isto, entrou em estado de choque. Aquilo não era verdade! Ela não era desse tipo! Como é que ele podia pensar isso dela?
O ruivo levantou-se então de onde estava, amarrotou o panfleto com as duas mãos e atirou-o para o cesto do lixo. Antes de se ir embora, deu a Ino um último olhar de desdém e lhe disse:
- Foi um prazer conhecer-te, patricinha!
Ino sentia-se completamente arrasada, enquanto continuava a olhar para ele e para a direcção que tomara. Baixando a cabeça, pensou porquê que a vida era tão difícil?
[…]
- Gaara! – uma rapariga de cabelos róseos e olhos verdes aproximou-se do ruivo. – Ouvi dizer que uma das patricinhas loiras da tua turma falou contigo. O que é que ela queria?
- Que a ajudasse a ajudar as baleias em extinção! Como se isso fosse possível! Não é verdade, Sakura?
- Sim, Gaara. Nem sei qual foi a ideia de ela ter ido logo ter contigo! – exclamou, coçando a cabeça com uma mão – Se bem…que também me falaram disso. Uma Zé-ninguém de cabelos compridos azulados e olhos perolados. Acho que ela também é da tua turma.
- É a Hinata. Outra patricinha sem mais nada para fazer! – cansado de ter aquela conversa, Gaara levantou-se e perguntou a Sakura baixinho – Está tudo preparado para logo à noite?
- Sim, Gaara. E o novato também. – disse Sakura com um ar triunfante e divertido.
- Ainda bem. Até logo!
Dizendo isto, Gaara seguiu na direcção que o levava até à sua sala de aula, deixando uma Sakura satisfeita com o seu trabalho. Mal via a hora de ser recompensada por isso.
[…]
- E então? Como é que correu essa tua campanha? – perguntou Inai à irmã, quando ambas haviam saído da sala de aula. Aquele dia de aulas já chegara ao fim.
- Bem…na medida do possível… - disse Ino com um sorriso trémulo e amarelo.
- Pela tua cara, alguma coisa correu mal. – Inai pôs um ar pensador – Só não compreendo para quê te dás a tanto trabalho!
- Porque acredito numa grande causa! E esta não era excepção! – Ino já começava a irritar-se por não acreditarem no seu valor enquanto protectora dos animais! – Por isso não comeces, Inai! Já me bastou o outro!
- Que outro? – a conversa começava a ser interessante – Estás a te referir ao nosso colega gótico?
- Como o sabes?
- Querida irmã…toda a gente sabe. Até parece que não sabes da rapidez com que os rumores passam de boca em boca nesta escola!
- Sim. Tens razão. – Ino avistou Hinata, que havia saído da sala de aula antes delas, e a Ten Ten a conversarem perto do portão e, por isso, decide ir ter com elas – Estão ali a Hinata e a Ten Ten. Vou ter com elas para ver se a campanha delas correu melhor que a minha. Espera por mim!
- Ok!
Quando Ino saiu da sua beira, Inai avistou logo Sai. Ele estava a um canto, que estava do seu lado direito, parecia estar acompanhado. Um, como era de esperar, tratava-se do Sasuke; e o outro era uma mulher loira, magra, meio desportiva, de cabelos compridos e olhos verdes.
Inai encontrou aí uma oportunidade para meter conversa com ele. «Quanto a mim, irmãzinha, tenho coisas mais interessantes em vista…», disse para si, enquanto caminhava na sua direcção.
[…]
- Hinata! Ten Ten! Como é que correu? – perguntou Ino, expectante.
- Mais ou menos… - Hinata parecia um pouco triste – Mas, ao menos, recebi algum feedback! Apesar de uma certa pessoa gótica, de cabelo rosado, me ter chateado… - suspirou.
- A Sakura? Que azar, Hinata! – exclamou Ten Ten, preocupada com a amiga – Ela é da minha turma e acredita que já aprontou muita coisa… Ela do pior! Eu é que não me metia com ela!
- E quanto a ti, Ten Ten? – Ino precisava perguntar isto, a ver se mudava de assunto. Tudo o que queria naquele momento era não pensar num certo ruivo gótico.
- Bem! Recebi um fantástico feedback! Se calhar foi graças à minha fantástica figura! – brincou Ten Ten, passando as mãos pelo seu corpo.
Ino e Hinata começaram a rir-se. Podiam não ter conseguido o resultado esperado, mas não iam desistir! Aquele ruivo podia dizer o que quisesse, mas se pensava que ela ia desistir de ajudar os animais, estava muito enganado! «Esperem para ver, caros colegas. Eu não desisto facilmente dos meus ideais. Um dia…hei-de dar a volta por cima!», disse Ino para si triunfante.
[…]
Sai estava a ter uma conversa animada com os seus colegas de turma, o Sasuke e a Temari, quando avistou a Inai a vir na direcção deles.
- Só faltava mais esta… - disse baixinho, enquanto suspirava.
- O quê que foi, Sai? – Sasuke olhou para o seu lado esquerdo e, quando a viu, percebeu o porquê do amigo estar inquieto. «Agora é que vão ser elas!»
Inai, ao chegar ao pé deles, não resiste e agarrou-se a Sai e disse de forma sedutora:
- Olá, Sai! Há tanto tempo que não nos vemos!
- Na verdade, não faz assim tanto tempo. – disse Sasuke em socorro do amigo.
- Ah! Olá para ti também, Sasuke! Nem te tinha visto…
- Duvido. – disse Sasuke de forma arrogante.
- Será que alguém me pode explicar o que se passa? Quem é ela? – interveio Temari, que já não gostava de ser ignorada.
- É a Inai, a irmã gémea da namorada do Sai. – disse-lhe Sasuke.
- A Ino? – Temari dirige-se para ela – E tu não tens vergonha de te atirares ao namorado da tua própria irmã, quando ela está mesmo ali? – apontou na direcção onde Ino estava com as suas amigas.
- Se te estás a referir a remorsos, podes tirar o cavalinho da chuva. Eu não me importo com as consequências, desde que consiga aquilo que quero! – exclamou Inai, por fim, triunfante.
- Agora que já nos disseste isso, que tal bazares? – Sasuke foi bastante directo e frio para com ela.
Inai, nesse instante, desgrudou de Sai. Olhou para Sasuke com ódio e, indignada, vendo que não recebia o apoio do seu amado, nem da loira, decidiu ir-se embora. O Sasuke ia-se arrepender! E muito! Ninguém a humilhava daquela maneira e ficava a rir-se.
[…]
Neji estava dentro do seu carro, a caminho da escola da prima Hinata. Ele era três anos mais velho que ela. Tinha 18 anos e, por isso, andava no primeiro ano da faculdade. Estava numa privada e orgulhava-se disso. Tinha notas excelentes e toda a sua família sentia orgulho dele, ao ponto de o quererem ver casado com a Hinata. «Só se passarem por cima do meu cadáver! Eu já tenho noiva. E, por sinal, é toda jeitosa!», pensou para si, enquanto parava o carro em frente do portão da escola da prima e descia dele, pronto a ir buscá-la. Ele também ia para lá com outro objectivo, que era poder rever a noiva, a sua querida Ten Ten. Como andavam um pouco desencontrados, por causa de andarem em escolas diferentes e ocupados com os seus respectivos trabalhos, não conseguiam estar muito tempo juntos. Por isso, ele aproveitava sempre aquelas saídas para buscar a Hinata. Sempre teria algum tempo para revê-la.
Depois de alguma procura com a cabeça, Neji conseguiu avistá-las. Elas estavam na conversa com uma menina loira, que reconheceu-a como sendo a Ino, a melhor amiga da Hinata. Ela falava dela a todo o momento e já a tinha visto algumas vezes, mas já tinha passado muito tempo desde a última vez.
Estava pronto a chamá-las para virem ter com ele, quando sentiu alguém a ir de encontro a ele. Reparou que tinha sido um dos elementos de um grupo gótico. Este era loiro, tinha olhos azuis e parecia ser, pelos seus traços físicos, na opinião do Neji, o mais brincalhão, o palhaço do grupo.
- Hei, oh….loirinho! – este havia se virado – Sim, tu! Por acaso não vês por onde andas? Ou és assim, só para as pessoas que achas que são mais inteligentes do que tu? – perguntou Neji no gozo.
O loiro, ao ouvir aquilo, estava perdendo as estribeiras. Não permitia que ninguém o gozasse, principalmente na frente do seu grupo. Estava pronto para ir para cima dele, quando Gaara, o chefe do grupo, interveio.
- Naruto! Relaxa! Ele só quer te provocar…não lhe ligues. – largando-o, Gaara lançou um olhar frio a Neji e depois ordenou ao grupo para se irem embora.
Naruto ainda ficou a olhar para aquele patricinho. Se não fosse a Sakura a empurrá-lo à força até onde o grupo estava, ele bem que era menino para piorar a sua situação perante o chefe, mais do que já estava.
Neji, depois daquele percalço, retomou ao que ia fazer, antes de ser incomodado por um gótico que fervia em pouca água.
[…]
- Olhem! – Hinata interrompera a conversa que estava a ter com as amigas – É o Neji!
- Ui! Ele está cada vez mais gato! – Ten Ten suspira que nem uma apaixonada. Não via a hora de poder estar nos seus braços.
- Vocês já se conhecem? – perguntou Ino curiosa a Ten Ten.
- Eu sou a noiva dele. É suposto nós nos conhecermos.
- O quê? Noiva? – Ino não estava a acreditar no que ouvia – Porquê que não me disseste nada, Hinata, sobre este assunto?
- Eu não tenho culpa que a minha família queira manter este noivado em segredo! – confessou Hinata um pouco envergonhada por ter ocultado este facto à sua melhor amiga.
- Hinata, vamos ter com ele! Ele parece que nos está a chamar! – Ten Ten não esperou pela resposta de Hinata, já estava pegando na sua mão, puxando-a para que as duas fossem ao encontro dele.
Ino estava a divertir-se ao ver aquela cena. «Coitada da Hinata!», pensou.
[…]
- Neji! – Ten Ten nem deu tempo para ele raciocinar. Largou a mão da Hinata e atirou-se para os braços do seu amado, dando-lhe um beijo apaixonado.
Se todas as recepções fossem assim…tão deliciosas, Neji não se importava de vir todos os dias a ir buscá-las.
Hinata perguntou porquê que o primo é quem a veio buscar, quando eles acabaram de se beijar.
- O tio, o teu pai, pediu-me. – Neji tentava retomar o fôlego – Como esta tarde eu não tive aulas e o tio não podia vir, porque tinha uma reunião importante, resolvi ser eu a fazer esse pequeno favor a ele. Vê lá como não sou um sobrinho ou priminho dedicado. – sorriu com ironia.
- É…é…a mim é que não me enganas, Neji! Vieste mas foi com segundas intenções!
Neji ia a responder, quando avistou a Ino a sair da escola toda furiosa e a toda a velocidade. Neji nunca pensou que ela fosse uma rapariga que ficasse daquele jeito.
- O que é que se passou com a Ino para ela estar naquele estado?
- Neji, querido…aquela não era a Ino. Mas sim a Inai, a irmã gémea dela.
Neji não estava a conseguir encaixar aquela nova informação na sua cabeça.
- Aquela é que é a minha amiga Ino, Neji! – disse Hinata, apontando na direcção onde a amiga estava.
- Devo confessar…a semelhança é estrondosa! – exclamou Neji, ainda um surpreso com a novidade – Mas…quem é aquele com quem ela está a falar?
- É o Sai, o namorado dela! – respondeu-lhe Hinata.
- Namorado? Fico contente por ela. – começou a olhar para eles com outros olhos – Até que formam um bonito par.
Sai e Ino vinham se embora, na direcção deles.
- Hinata, Ten Ten, Neji! Algum de vocês viu a Inai por aí? – perguntou-lhes Ino, preocupada – Ela ficou de esperar por mim, para irmos juntas até casa, mas eu e o Sai não a vemos em lado nenhum! Parece que ela sumiu!
- Se te estás a referir à tua gémea, vi-a a passar por aqui ainda há pouco. Parecia bastante furiosa! – constatou Neji os factos.
- Não posso crer! O que terá acontecido? – só alguma coisa terrível é que tirava a sua irmã do sério – Sai! Acho que é melhor nós irmos. Tenho que ir para casa, ver o que se passa com a Inai!
Sai não gostava de ver a namorada naquele estado, por isso, não fez mais do que concordar e levá-la a casa. Mas antes de irem, Ino fez questão de apresentar Sai a Neji e a Ten Ten e de se despedir deles os três.
Ten Ten, mal passado um bocado, olhou para o relógio de pulso dela e viu que já era tarde.
- Neji! É melhor nós irmos embora…está a ficar tarde. – disse, abraçando-o de lado e encostando a cabeça no seu ombro.
- Sim, Ten Ten, tens razão. Vamos, Hinata! – chamou-a enquanto levava a namorada até ao carro.
- Sim, Neji! – exclamou Hinata, indo ter ao encontro deles.
- Quanto a ti… - Neji olhava para Ten Ten com uma certa malícia – Nem queiras saber o que tenho em mente para logo à noite…
Ten Ten riu-se, mal ouviu ele a dizer esta afirmação. Era por estas e por outras, que começava a entender o quanto o amava e o quanto já estava com saudades dele. Ele era sem dúvida a sua cara-metade.
[…]
Ino mal chegara a casa com Sai, foi logo ter ao quarto, assim que soube pela sua mãe que a Inai se encontrava lá.
Mal chegou lá acima, viu o quarto numa bagunça e a Inai deitada na cama um pouco agitada.
- Inai…o que é que se passou aqui? Porquê que o quarto está nesta bagunça? – perguntou Ino, aflita e preocupada com o estado dela.
Inai, ao ver e ouvir a irmã, correu para abraçá-la. Queria sentir naquele momento algum apoio. Nunca havia sido tão humilhada como naquele dia. Quando viu Sai atrás da irmã, ficou em estado de choque, nem queria acreditar no que via.
- Ino… o que é que ele está aqui a fazer? – perguntou, apontando para ele com o indicador.
- Inai…ele é o meu namorado…e como tal, estava também preocupado contigo! Quando um amigo nosso nos disse que tinhas saído da escola furiosa, viemos logo ter aqui contigo. – Ino chegou-se perto da irmã e a abraçou com carinho – Estávamos preocupados contigo, Inai! Muito preocupados!
Inai duvidava de que Sai estivesse preocupado. A Ino podia estar, mas ele não. Por isso, decidiu retribuir o abraço à irmã.
- Não te preocupes. Eu agora estou bem. – sussurrou ao seu ouvido, para depois virar a cabeça na direcção de Sai.
Sai não gostava daquele olhar que ela lançava, como se tudo aquilo fosse culpa dele.
Inai olhava-o intensamente com um sorriso maroto estampado no rosto. Olhava-o com um olhar de cumplicidade, como se lhe dissesse que tudo isto era culpa dele e dos seus amigos e que eles se iriam arrepender. «Prepara-te, Sai! Desta vez não tens como escapar de mim! Agora é que vais ser meu!», disse Inai, triunfante, para si.
