Room 201

Capítulo 2 "Primeiro caso: A floresta do suicídio"

Parte II – Play Dead

As duas mulheres andavam lado a lado em meio à vegetação. Não era difícil de caminhar ali, apesar de ser uma floresta escura e densa. Isso porque se tratava de uma região plana com poucos acidentes, apenas alguns troncos de árvores caídos fazendo-as ter que saltar por cima deles.

Quando já estavam fora da vista dos dois rapazes deixados para trás, a morena soltou a respiração em um suspiro, o que a surpreendeu. Desde quando estava a segurando?

- Relaxa, Hinata. – a voz de Sakura fez com que a morena se lembrasse de que estava acompanhada. – Você não deveria ficar tão nervosa assim. O Naruto é tapado demais para perceber quando alguém gosta dele. O que você devia fazer era tomar coragem e contar logo o que sente por ele.

O comentário teve um efeito inesperado em Hinata no ponto de vista da rosada. Logo ao terminar de pronunciar aquelas palavras, a morena prendeu novamente a respiração e se tornou em um vermelho tão escuro, quase roxo, que fez Sakura pensar que a garota ao seu lado cairia dura no chão por asfixia. Ou talvez por excesso de oxigenação.

- Calma, Hinata. – ela tentou remediar, preocupada. – Esquece o que eu disse e volte a respirar, por favor.

Percebendo o olhar preocupado da amiga, Hinata abaixou os olhos para encarar os próprios pés, envergonhada pela sua reação exagerada. Voltou a inspirar em um suspiro, e com os dois dedos indicadores batendo um contra o outro, disse:

- Desculpe, Sakura-san. – apenas sussurrava. – Mas eu não posso evitar.

- Tudo bem. – a rosada suspirou aliviada. – Só não faça isso de novo. Achei que teria um treco.

Depois disso, Sakura decidiu não mais fazer aquele tipo de comentário. Pelo menos não por enquanto. Neji, primo de Hinata, também estava no grupo de voluntários. Se ele a visse sendo 'insolente', nas palavras dele, com a herdeira Hyuuga, era provável que tivesse que ouvir um belo de um sermão. Além do mais, teria outras oportunidades. Era divertido ver a morena sem jeito diante os assuntos do coração.

- Sakura-san, eles estão ali. – Hinata apontou para um grupo de cinco rapazes mais a frente, em uma pequena clareira, dissipando o acontecido de momentos atrás.

As duas se aproximaram, porém só de olhar para eles, Sakura já se sentiu desanimada. Aqueles caras pareciam tão entediados e aborrecidos, que era altamente contagioso. À direita dali se encontrava um deles com um rabo-de-cavalo espetado, que estava deitado no chão de forma relaxada e com um cigarro pendendo da boca; os olhos semi-cerrados prontos para tirar uma soneca. Do lado oposto, o cara de tatuagens vermelhas no rosto acariciava um cachorro do tamanho de um pastor alemão, porém reclamando do mau cheiro do lugar em alto e bom som. E por fim os outros dois, um usando óculos escuro e uma jaqueta e outro com os mesmos olhos tão peculiares como os de Hinata, estavam apenas recostados a uma árvore com expressões totalmente impassíveis. O único que parecia animado com aquilo tudo era um rapaz esquisito de cabelo cortado em tigela e roupa verde colante, que com uma câmera tirava fotos em vários ângulos para algo que se localizava acima das cabeças deles.

- Ah, Sakura-san! – ele parou com o que estava fazendo ao perceber a chegada das duas.

- Oi, Lee. – retribuiu com um sorriso. – O que foi que vocês acharam?

Ele não disse nada, apenas apontou para cima. Sakura elevou a cabeça para poder ver, porém a claridade a impedia de olhar diretamente. Com uma das mãos, tentou fazer um pouco de sombra. Quando sua visão finalmente entrou em foco, ela pôde ver alguém pendurado por uma corda ao redor do pescoço em uma altura considerável.

- Como ele conseguiu subir tão alto?

- Talvez ele achou que caso a corda se rompesse, ele morresse devido à queda.

A dona dos olhos verdes se virou para encarar os perolados do rapaz que acabara de falar. Ele não mais se encontrava encostado contra o tronco da árvore, mas ao lado de sua prima.

- Mas mesmo assim, Neji, é exagero. – Sakura concluiu. – Como vamos trazer ele aqui pra baixo?

Ninguém respondeu. Certamente não queriam ter que fazer o trabalho pesado.

- Isso é muito problemático. – disse o que estava deitado.

"Tudo para você é problemático, Shikamaru," pensou Sakura irritada com a atitude preguiçosa dele. Como aquele cara conseguia ser considerado o melhor aluno que a universidade já deve nos últimos cem anos? Não que isso não fosse verdade, mas... bem, ele só vivia dormindo ou observando as nuvens como agora. Ela ainda achava que ele só tinha entrado no ensino superior, só para poder jogar Shoujo e Go com os anciões.

- Não se preocupe, Sakura-san. – disse um animado Lee. – Deixa que eu cuido disso.

E antes que alguém pudesse piscar, Lee já se encontrava subindo pela árvore como se fosse um macaco. Sem dúvidas, ele era mesmo a salvação do time de atletismo da instituição. Em poucos segundos, o rapaz estava em um galho um pouco abaixo da onde a corda estava amarrada.

- Agora, Lee-

A garota não pode terminar de falar, pois o corpo chegara ao chão com um baque. Lee cortara a corda com um canivete.

- O que você pensa que está fazendo?! – Sakura gritou a plenos pulmões. – Assim você vai estragar o corpo!

Com lágrimas nos olhos, Lee desceu da árvore, se colocando de joelhos diante a garota de cabelos róseos, agarrando as pernas de Sakura em desespero.

- Me desculpe, Sakura-san. – Sakura tentava a todo custo se livrar do garoto. – Como posso me redimir por esse erro?

- Lee, me solta!

Era inútil. Ele era mais forte do que ela e a prendia de modo a deixá-la imobilizada. E o pior de tudo era que ele a chacoalhava de um lado para o outro. Estava ficando enjoada.

- Já sei. – ele se levantou de súbito, fazendo que Sakura perdesse o equilíbrio e quase caísse. – Eu irei dar duzentas voltas no campus como punição!

E para finalizar aquela cena, a tão famosa pose nice-guy. Sakura, assim como todos ali presentes, sentiam suas cabeças pesarem devido a uma gota imaginária que se formava. Lee realmente não tinha jeito.

- Tudo bem, faça como quiser.

Daquela forma, a rosada encerrou o assunto e deu uma olhada no cadáver a sua frente. Por sorte, ele havia caído na horizontal e de costas, assim não prejudicaria na identificação. Porém ao se aproximar, se surpreendeu.

- Mas como? – ajoelhou-se. – Mesmo caindo dessa altura, o corpo parece não ter sofrido nenhum dano...

Ao ouvirem aquilo, o restante do grupo dirigiu sua atenção à aluna de medicina.

- C-como assim, Sakura-san? – Hinata perguntou.

A jovem não se dera o trabalho de responder. Pegou sua mochila e retirou de dentro dela um pequeno kit contendo equipamentos utilizados em investigação forense. Assim que terminou de vestir as luvas, abriu as pálpebras do suicida e observou com o auxílio de uma pequena lanterna.

- Homem aparentemente em meados dos trintas anos. – ela começou a falar como se tivesse tomando notas em um gravador. – Os olhos apresentam coágulos e no canto da boca há resíduos de espuma devido à asfixia. Ao se enforcar a uma altura dessas, ele quebrou o pescoço, porém esta quebra parece não ter sido imediata. O sulco cervical está oblíquo, típico de um enforcamento em suspensão completa. Estão vendo aqui? – ela apontou para o pescoço onde havia algumas marcas de unhas. – São escoriações. Ele provavelmente se desesperou (1).

- Mas isso também não indica que talvez tenha sido homicídio? – perguntou Neji.

- Sim. – Sakura deu uma pausa. – Mas isso é relativo. O enforcamento precisa mais ou menos de cinco minutos para levar ao óbito. É considerado pouco tempo, mas mesmo assim a pressão da corda é desagradável e pode levar o suicida ao desespero e tentar se soltar. Além disso, a altura em que ele estava era alta de mais. Se fosse homicídio, teriam o pendurado em uma região mais baixa. Acredito que seria muito difícil alguém subir esta árvore carregando uma outra pessoa. Mas independente do caso, todo enforcamento deve ser considerado suicídio até que se prove o contrário. Só tiraremos a prova durante a necropsia (1).

Todos se mantiveram em silêncio enquanto apenas ouviam os comentários da jovem especialista. Esta parou de falar e continuou sua busca por qualquer outro vestígio sobre a morte daquele homem.

- Isso é estranho. – ela sussurrou para si mesma. – Shino, pode dar uma olhada aqui?

O rapaz que ainda se mantivera até aquele momento na mesma posição desde que as duas mulheres chegaram ao local, se aproximou, agachando-se ao lado de Sakura. Ele se pôs a trabalhar a procura de algo, mas não havia nada.

- Não há nenhum sinal de insetos. – Shino falou pela primeira vez. – Ele parece nem ter entrado em decomposição ainda. É como se ele tivesse acabado de morrer.

- Como isso é possível? – disse o rapaz sentado ao lado do cachorro. – Ele fede a carniça!

- Eu sei, Kiba. Eu também não estou entendendo. – Sakura deu uma pausa, franzindo o cenho.

Seus olhos esmeraldas esquadrinhavam o corpo daquele homem até que pararam em um certo ponto. O braço esquerdo do suicida se encontrava por debaixo do corpo. A manga comprida estava rasgada e manchada de sangue. Na parte desnuda do braço se podia ver feridas. Feridas que a lembravam de algo. Com a água mineral que carregava, Sakura começou a lavar o sangue coagulado.

- O que é isso?

Logo todos se amontoavam em círculo ao redor do cadáver para ter uma visão melhor do que Sakura estava fazendo. Até mesmo Shikamaru deixara seu sono de lado para se juntar a eles.

- Parecem palavras. – Neji concluiu.

Logo que Sakura terminou de retirar todo o sangue, era possível ver uma nítida mensagem gravada na pele, provavelmente feita pelas unhas daquele homem morto durante seu último suspiro. Aquilo os intrigou.

"Eu não quero morrer."


O clima ficara pesado. A fumaça do cigarro ainda pairava sobre suas cabeças.

Naruto encarava o amigo com olhos arregalados, se perguntando como o moreno poderia estar dizendo algo como aquilo. Não era possível.

- Do que você tá falando, teme? – o loiro coçava a cabeça nervoso. – Você tem lido muito mangá para vir com uma coisa idiota como essa.

- Você não sabe mentir, Naruto. – Sasuke deu mais uma tragada. – Eu já vi você fazendo isso uma vez... várias vezes.

- O-o quê?

- Você não pode ver espíritos, mas pode ouvi-los. – Sasuke continuou. – É por isso que você sempre teve esse medo de fantasmas. E não só isso, você também pode fazer contado com a alma que ainda está presa ao corpo mesmo que ele esteja morto há algum tempo. Eu sei como você fica nervoso quando está perto de uma pessoa morta, sempre com receio de se aproximar ou de tocá-la por acidente. Você tem medo daquilo que eles podem lhe contar, não é? Mesmo que não possa lembrar disso depois.

Naruto não tinha palavras para rebater aquilo. Para o loiro, subitamente aquele lugar parecia que tinha se tornado menor e o ar se tornara mais abafado do que o normal. Isso porque tudo o que o moreno falara era verdade.

Ele não se lembrava desde quando podia fazer aquilo, sempre estivera ali. Sempre fora parte dele. Por muito tempo não teve consciência de sua habilidade, pois quando pequeno sempre achara se tratar de uma brincadeira, nem sempre agradável. Por ser uma criança sozinha e curiosa em um enorme templo muito requisitado para a realização dos preparativos funerais, Naruto sempre acabava se esgueirando para uma pequena sala onde os corpos ficavam antes da cerimônia. Ali, ele tocava aquelas pessoas sem vida e ficava conversando com elas, que apesar de estarem mortas, tinham histórias de vida interessantes e assim ele não se sentia tão sozinho naquele lugar. Porém o que ele realmente nunca gostara em seu dom era também a capacidade de ouvir as vozes dos espíritos errantes. O loiro não podia vê-los, mas sentia suas presenças, e muitas dessas vozes não eram amigáveis e por vezes assustadoras. Então, nesse caso, era só correr para o quarto dos pais, e mais tarde para o do padrinho, e tudo voltava ao normal. Mas quando atingira uma certa idade antes da pré-adolescência, passara a ter lapsos de memória durante os contatos. Era como se ele se desligasse por completo, e depois ao acordar, suas lembranças daqueles momentos não se passavam de um borrão. Jiraya lhe dissera uma vez que a sensibilidade do loiro para se comunicar com as almas se tornava mais intensa, e aqueles apagões serviam para proteger a integridade de sua alma e corpo. Devido a isso, ele passou por um extensivo treinamento e agora se tornara capaz de entrar em contato com os mortos quando quisesse, deixando de ser um reflexo ao contato físico e precisando de concentração por parte de Naruto para que isso acontecesse. No entanto, ele ainda tinha receio de se aproximar de forma direita a algum cadáver, já que às vezes fugia do seu controle. Concentração nunca fora seu forte. Além disso, as vozes continuavam ali também, porém aprendera a ignorar. Viva o MP3!

O loiro suspirou. Não adiantaria continuar mentindo, Sasuke provavelmente o socaria caso o fizesse. De repente ele se sentiu um fraco por ter deixado aquele segredo ser descoberto pela última pessoa que gostaria de compartilhar alguma coisa. Desviou o olhar.

– Desde... quando?

- No velório da minha mãe...

Naquele momento, o loiro entendeu. Então era por isso que Sasuke agira de forma tão estranha com ele naquele dia a sete anos atrás. Ele ainda se lembrava. Fora a primeira vez que vira Sasuke chorar, e também fora a primeira vez que levara uma surra do moreno. Ele acusava Naruto de ser um hipócrita, brincando com os sentimentos alheios e fazendo um Uchiha de idiota. Para o loiro aquilo foi uma surpresa, pois tudo que se lembra era ter se aproximado do corpo de Uchiha Mikoto para as últimas homenagens e no próximo segundo, a dor de um soco certeiro de Sasuke. Não havia dúvidas de que ele havia feito contato com a alma de Mikoto inconscientemente, porém naquela época Naruto não ligara os pontos. Nem mesmo depois quando um cansado Sasuke o largou murmurando algo como em resposta: "Eu também, okaa-san."

A lembrança daquele dia fez com que a língua de Naruto se forçasse contra os dentes, o obrigando a abrir a boca. E antes que desse conta, o loiro sentiu um forte desejo de saber as palavras que ele mesmo proferira em nome da mão do jovem Uchiha e começou a expressar aquilo em uma voz fraca:

- O que-

- Não é da sua conta. – o moreno o cortou, percebendo a curiosidade do amigo. Aquilo fora apenas um momento dele e de sua mãe. Ninguém mais precisava saber.

O silêncio se instaurou mais uma vez. Sasuke terminou seu cigarro, jogando-o no chão e pisando sobre ele logo em seguida. Enquanto isso, Naruto apenas se espreguiçou e forçou um sorriso.

- O que você quer que eu faça? Que eu vire seu escravo para que você fique de bico fechado? – sua voz escondia uma ponta de desgosto.

- Sabe, Naruto. – Sasuke parecia ignorar as perguntas do loiro. – Eu nunca gostei desse lugar. O Itachi sempre me trazia aqui quando eu era pequeno. Me largava sozinho e depois ia se encontrar com os amigos dele. Ele vivia me dizendo que se eu quisesse superá-lo, eu tinha que tomar coragem e enfrentar o que mais temia.

- E daí? – Naruto dava pouca atenção ao que o moreno falava.

- Dizem que os espíritos dos suicidas ficam presos aqui vagando por toda a eternidade.

- É, eu sei. Por que você acha que meu MP3 está no último volume? – o loiro apontou para a orelha direita, onde ainda havia um fone. – E além disso, o que eu tenho haver com você e o Itachi, hein? Ah, já sei! Você também tem medo de fantasmas!

Sasuke deu um sorriso de lado antes de dar um forte soco na cabeça do loiro, fazendo-o lacrimejar e gritar palavrões contra o seu agressor. Tentou revidar, mas Sasuke desviou.

- Eu já disse muitas vezes que não sou você, dobe. – Sasuke se levantou. – Eu só tava tentando dizer que você não é o único especial por aqui.

Naruto olhava para seu amigo com um olhar questionador, suas expressões evidenciando um enorme ponto de interrogação em seu rosto. Ele não havia entendido nada do que Sasuke queria dizer. Aquele cara às vezes lhe dava uma bela de uma enxaqueca com suas conversas pela metade, o obrigando a ter que adivinhar as mensagens subliminares contidas nelas. Naruto nunca fora bom em adivinhações.

- Pelo visto você não entendeu e não vou perder meu tempo explicando. – o moreno suspirou. – Além disso, temos negócios a tratar.

- Negócios? - uma veia começou a saltar na testa do loiro. – Você pensa em aumentar ainda mais minha dívida?!

- Isso é tentador, mas não. – Sasuke deu uma pausa antes de continuar. – Kakashi.

- Kakashi-sensei? O que tem ele? Pensei que ele estivesse trabalhando na polícia.

- E está. Ele é responsável pelo setor de homicídios.

- Ok, teme. Dá pra você voltar um pouco? Acho que estou um pouco perdido nessa conversa. O que o Kakashi tem haver com tudo isso?

Sasuke suspirou. Pensou na melhor e na mais fácil forma possível de explicar a situação para loiro para não ter que ficar dando explicações mais tarde para um Naruto mais confuso do que já era.

- Você não acha estranho o aumento de suicídios em tão pouco tempo? – o loiro balançou a cabeça afirmativamente. – O governo também acha. Então é aí que o Kakashi entra.

- Assassinatos? – Naruto disse sério, algo totalmente atípico para a sua personalidade.

- Quase isso. – Sasuke voltou a se sentar, seguido pelo loiro. – Foi feita uma investigação detalhada da área, mas nada foi encontrado para evidenciar um assassinato. Todos os casos são legítimos suicídios.

- E? – Naruto estava confuso com aquela conversa toda.

- Kakashi está responsável por esse caso. Mesmo sendo comprovado os suicídios, ainda há algo muito esquisito nisso tudo. Depois das investigações, Kakashi conclui que essa situação talvez fosse causada por algo sobrenatural. E eu concordo com ele. Este lugar está com uma aura diferente do que costuma ter... é densa e agressiva demais.

- Verdade. Desde que entrei aqui tem algo me incomodando. – disse o loiro, desligando o MP3. – Além disso, a presença 'deles' também está estranha. Não sei dizer por que.

- Foi por isso que o Kakashi entrou em contato comigo e pediu minha opinião. Ele está tendo muito prejuízo por causa dessas mortes e estão ameaçando de cortar verbas. Assim, surgiu a idéia da campanha desse trabalho voluntário.

- Sua opinião? – Naruto parecia surpreso. – Eu pensei que o ramo da sua família fosse o funerário. Quanto mais gente morta, mais dinheiro pra você.

Sasuke fez um som estranho com a garganta, lembrando um rosnado.

- Um pouco de prejuízo para o Itachi não faz diferença. Na verdade, é uma satisfação. – o moreno se virou para encarar o amigo depois de uma ligeira pausa. – Você disse que a presença 'deles' está estranha, não é? Eu posso confirmar isso. 'Eles' estão agindo estranho, é como se não tivessem consciência de que estão mortos.

Naruto franziu o cenho. Não fazia sentido o que o moreno estava falando. Ele falava com uma certa firmeza na voz que dava a impressão de que ele realmente pudesse ver o que se passava com as almas daquele lugar.

- Como você pode ter certeza disso? Você fala como pudesse vê-los.

Sasuke sorriu desdenhoso. Talvez o loiro finalmente estivesse começando a entender.

- Você não é o único especial por aqui, não se lembra?

Alguns segundos para processar a mensagem... provavelmente minutos. Como se Naruto tivesse ouvido um estalo, ele se levantou em um salto e apontou um dedo acusador para o moreno.

- Você pode ver fantasmas!

- Espíritos, dobe. – Sasuke o corrigiu. – Mas não posso conversar com eles. Eles passam por mim e me ignoram, mas mesmo se quisessem dizer alguma coisa eu não conseguiria ouvi-los.

Naruto permanecera parado na mesma posição ainda surpreso. Somente abaixou o braço depois de alguns segundos e voltou a se sentar. De certa forma se sentia aliviado por saber daquele segredo do Uchiha, pois agora estavam quites. Um sorrisinho maldoso se formou nos lábios do loiro, mas foi cortado antes mesmo de proferir qualquer palavra.

- Nem tente bancar o esperto pra cima de mim, Naruto.

Naruto fez uma careta. Aquele cara realmente era um estraga prazeres, mas tudo bem. No futuro ele poderia tirar vantagem daquela nova informação. Talvez... em um futuro muito distante. Não é pecado sonhar, não é mesmo?

- Certo. – o loiro começou a falar, voltando ao assunto principal. – Então o que você quer dizer é que tem algo aqui levando estas pessoas a se matarem, não é? E onde eu entro nisso?

- Você vai me ajudar. Com a sua habilidade, você poderia fazer contato com os corpos dos suicidas e talvez descobrir alguma coisa.

- Eu te ajudar? – a voz de Naruto mantinha um tom de desafiador. – Por que eu faria isso?

- Eu preciso mesmo numerar?

Não, ele não precisava. Naruto sabia que devia muitas coisas para o moreno. Mesmo que odiasse admitir, aquele teme já salvara sua pele muitas vezes, não só em questões financeiras, mas também o salvara de brigas, confusões, da polícia, da Sakura, do Jiraya... A lista era grande. E a dívida também.

- Além disso, - Sasuke continuou. – Kakashi disse dar uma compensação caso conseguíssemos qualquer coisa por aqui.

Naruto pareceu considerar aquilo por um momento. Uma compensação, né? Talvez valesse a pena colaborar. Encarou o amigo. Sasuke então estendeu a mão para frente como se para selar um acordo entre eles. Naruto hesitou por um momento, mas por fim acabou correspondendo o gesto.

- Tudo bem, eu te ajudo. – então começou a murmurar. – Espero que essa compensação seja muito boa... bem que podia ser rámen.

- Como você se contenta com pouco, dobe. – Sasuke rolou os olhos. – Mas se tratando do Kakashi, quem sabe?

Naquele momento, um assobio chamou a atenção dos dois rapazes. Eles se viraram para a direita, na mesma direção em que Sakura e Hinata haviam desaparecido em meio à vegetação a algum tempo atrás. Ali se encontrava Kiba acompanhado do seu inseparável cachorro.

- Ei, vocês dois! – Kiba gritou. – Venham dar uma olhada aqui! Vocês não sabem o que estão perdendo!

Os dois amigos se encararam por um breve segundo antes de balançarem a cabeça em consentimento e então começaram a seguir pelo caminho que o recém-chegado lhes indicava.

Aquilo seria interessante.


Música: The Birthday Massacre - Play dead

1 – Tudo que foi descrito aqui foi retirado do livro 'Manual de Medicina Legal: Um vade mecum da especialidade', 1º Volume. É um livro muito bom e não é nada muito tão aprofundado sobre os vários tipos de mortes, com explicações sobre identificação de cadáveres e causa da morte de todo tipo. Durante essa fic esse manual vai ser meu livro de cabeceira. Já posso até prever meus futuros pesadelos T.T.


Nota da autora: Aê, novo capítulo! Nem acredito que estou postando hoje, mas graças a um sinal de net sem fio que meu note achou (é rápida, nunca tive uma conexão assim TT9), então aqui está. Nossa, como foi difícil escrever esse diálogo do Sasuke e do Naruto... acho que o reescrevi umas cinco vezes, pois nunca saia com sentido. Tudo ficava confuso, sem explicação. Mas agora está melhor. Espero que tenham entendido como funciona a habilidade do Naruto, senão é só perguntar que tento explicar melhor. E quem diria, né? Sasuke também tem um poder sobrenatural... achei interessante colocar algo assim. Mais pra frente, provavelmente no próximo capítulo, terá a revelação de mais um personagem com uma habilidade especial.

Bem, aqui vai algumas observações sobre a fic. Quando eu comecei a escrever o primeiro capítulo, eu não tinha idéia nenhuma de como seria o enredo e o caminho que ela iria tomar, mas agora quando eu estava finalizando este aqui, cheguei a elaborar um enredo principal para a estória. O problema é que é muito complexo, e uma fic que eu achava que teria no máximo uns quinze capítulos, talvez pule para mais, muito mais. No começo eu pretendia só escrever sobre jovens universitários que para conseguir os créditos de graduação formam um projeto de extensão oferecendo vários serviços, voluntários ou não, e que acabam entrando em situações bizarras e sem explicação. Mas a coisa foi tomando forma e agora não sei mais como associar tudo isso. Ainda vai ter estas aventuras, mas serão poucas, já que vou ter que preparar o terreno para a estória principal. Nisso entram Itachi e a Akatsuki, além de Ino e Gaara que terá uma história a parte, porém com conexões com a trama principal. Também terá uma certa ligação entre as histórias de Sasuke, Sakura e Sai, mas isso não quer dizer que vai ser uma triângulo amoroso, ainda não sei. E sem esquecer, é claro, do Naruto que vai estar bem no meio disso tudo. E quanto aos outros personagens, terá mais destaque a Hinata e talvez o Neji, e o resto serão apenas secundários e não vou me aprofundar muito neles, eu acho. Só preciso agora ver como encaixar alguns outros personagens, mas resolvo isso com o encaminhar da fic. Provavelmente, vou ter que trocar a categoria da fic para M, pois a estória vai tomar um caminho um tanto dark, com cenas de violência física, psicologia e até sexual, e talvez hentai. Bem, isso só foi uma visão bem geral de como pretendo organizar a fic e deixá-los tendo uma idéia do que pode vir por aí. Assim se você não gosta desse tipo de temas, então aqui já foi dado um aviso.

E agora é hora das reviews! Nunca imaginei receber tantas reviews em apenas um capítulo. Fico muito feliz! E pelo que vi a maioria lê 'The Kurosagi Corpse Delivery Service'. Assim dá pra vocês darem um toque se eu plagiar demais n.n. Obrigada pelas palavras de apoio e sugestões, obrigada mesmo.

Tsunay Nami – Que bom que gostou! Estava preocupada da fic não ter sido de agrado de alguém. Espero que este capítulo tenha acabado com um pouco da sua curiosidade. Continue lendo, pois ainda vai ter muito mais...

Srta.Kinomoto – É, o Naruto só se finge de retardado, mas no fundo ele é esperto até demais. Acho que é preguiça de pensar... muito tempo com o Shikamaru, eu acho. E não se preocupe com o Naruto estar gostando da Sakura, só estou seguindo a própria temática do anime, mas a Sakura é do Sai. Não sou muito chegada nesse casal SakuNaru, só leio quando é um casal secundário, sem muito destaque. Ou quando a história é boa mesmo. E espero que tenha gostado desse capítulo.

NathDragonessa – Sim, Delivery Service também é um dos mangás que mais gosto, me viciei por completo, na verdade me viciei nas obras de Eiji Otsuka. São histórias muito complexas e cheias de mistérios e situações bizarras. Do jeitinho que eu gosto (é, eu sei, sou estranha u.u).E sobre SasuNaru... eu não sei, sou péssima pra escrever relacionamentos amorosos e muito menos Yaoi. Mas isso não quer dizer que eu não goste, é falta de capacidade mesmo. Tentei escrever um oneshot Yuri e saiu bem bobinho... e também não tenho um casal definido com eles. Talvez uma insinuação um pouco mais íntima, mas aí vai ser da cabeça de cada um, podendo ser interpretado como algo mais ou como uma amizade mais forte e fraternal (talvez ao estilo Kaoru e Hikaru? –desmaia-)... é, não sei, vou pensar no assunto e vamos ver se o que o andamento da fic permite... não garanto nada. Mas sua sugestão está anotada.

Liih-chan – Obrigada pelo elogio. Fico muito feliz em deixar alguém feliz (é, esse negócio de felicidade é contagiosa). E aqui está mais um novo capítulo. Espero que tenha gostado.

Mystica – Obrigada pela review. Perfeita? Assim você me deixa metida u.u. E eu gosto de SasuNaru, principalmente quando é comédia. Tem fics muito boas com os dois. Mas como eu respondi para a NathDragonessa, eu não sei se vou colocar este casal. Não tenho capacidade de escrever um romance entre eles e não saberia como encaixar aqui na estória. Mas esta é a situação agora, mas nunca se sabe o dia de amanhã. Talvez me dê uma vontade de escrever algo mais significativo entre eles. Mas por enquanto não. Espero não ter te deixado triste. Mas continue lendo, talvez você tenha uma surpresa, não é mesmo?

Mit-San – Eu também sou viciada em mistérios... apesar de que depois eu fico morrendo de medo, mas não posso evitar. Você achou o summary 'tenebroso'? É, tô ficando boa nisso então... meus summaries geralmente são horríveis, mas que bom que ele te fez querer ler. E sobre sua dúvida... eu não sei com quem o Sasuke vai ficar, talvez no fim ele acabe sozinho (que final triste T.T), mas ainda estou pensando. A Ino vai entrar na estória, juntamente com o Gaara. Eu sinceramente não gosto desse casal (somente as fics da Pink Ringo para me fazer achar este casal aceitável), mas aqui eles terão sim um envolvimento. Não posso garantir de que será de forma romântica, será mais para o lado carnal da coisa, se você me entende. Só posso adiantar de que eles irão sofrer, tanto física e psicologicamente, principalmente a Ino. O futuro deles ainda está incerto. Terá muitas complicações e o envolvimento deles será um tanto indireto. Durante a fic, você vai entender o porquê. Ah, pode me chamar de nee-chan, sim. E faço faculdade de Biologia (eu ainda me pergunto por que eu escolhi este curso... eu devia estar fazendo Letras x.x). Ainda estou no primeiro ano, mas é muita coisa. Muitos trabalhos e provas para tão pouco tempo. Já estou me descabelando antes mesmo do semestre ter começado direito. E pra piorar, só tenho matéria de exatas! Vida de universitário não é mole, não. E nem ligue pro tamanho da review, quando maior, melhor. Fique à vontade para escrever o quanto quiser. E me sinto lisonjeada por ter sido adicionada em seus favoritos. Espero não te decepcionar.

Haruno-Sakura19 – Aqui está mais um capítulo. Espero que continue a gostar da fic. Obrigada pela review!

Anjo Setsuna – Você compra o mangá? Te invejo! Aqui na minha cidade eu não acho o mangá de jeito nenhum. E olha que rodei tudo que é lugar. Então o jeito foi baixar da net em inglês mesmo (não sei se tem em português). E se prepare para os orgasmos então, pois vai ter muito SaiSaku na estória. Como eles estarão a parte, então será algo só focado no relacionamento deles, sem nenhuma interrompição. Vai ser do tipo daqueles envolvimentos que quanto mais você se aprofunda, mesmo que involuntariamente, mais fica difícil de se afastar. Além disso, eles têm uma interligação que eles mesmos não sabem. Eles serão uma pequena parte de um grande novelo de lã emaranhado. Continue lendo e descubra.

Fafi Raposinha – Nossa, obrigada pelo elogio. Eu sinceramente nunca gostei do meu jeito de escrever, sou meio obcecada por gramática e detalhista demais e às vezes acho que o texto acaba ficando meio formal demais para se ler. Sou meio paranóica com isso. Por isso eu digo que devia estar cursando Letras, mas fazer o quê? E a vida é corrida mesmo... tenho várias idéias de fics, mas se me concentrar nelas eu vou acabar não escrevendo essa, e como meu tempo já é escasso, então eu nunca iria terminar nenhum projeto. Então estou pensando em só me dedicar a esta fic por enquanto, assim eu a desenvolvo melhor sem ficar algo pela metade. E espero que continue a ler. Obrigada pela review!

paula-sama – Essa foi bem direta, hein? Bem, mas como você foi sincera comigo, então também vou ser com você. Eu também detestava Yaoi um tempo atrás, e não vou dizer que adoro de paixão hoje. Eu apenas acho bem aceitável e de certa forma gosto. Além disso, quando é Yaoi eu prefiro que seja leve sem muitas insinuações, e principalmente que seja de humor. Assim para mim está tudo bem. Mas nessa fic eu te digo logo que não vai ter Yaoi. Mas não posso garantir. Eu posso um dia ter uma idéia e acabar colocando algo do tipo no meio da estória. Talvez só alguma possível insinuação, mas aí vai depender da interpretação de quem for ler, podendo ser Yaoi ou um relacionamento amigável entre dois amigos que cresceram juntos. Mas lhe garanto que por agora eu não tenho intenção de colocar este tema na fic, então pode ficar tranqüila ao ler. Mas caso num futuro distante isso venha acontecer, eu escrevo em letras garrafais no topo do capítulo avisando, ok? Espero que isso não te desanime de ler a fic por enquanto...

di-lua – Eu também amo Supernatural! Pena que eu nunca tive a oportunidade de assistir todos os episódios T.T. Sou pobre e não tenho TV a cabo e ficar acordada até as duas da matina pra assistir é pedir para me matar no dia seguinte. E que coisa é essa de tabuleiro, menina? Eu não sei se realmente tem espíritos que ficam vagando por aí, mas também não quero arriscar. Tem cada história por aí sobre esses jogos para entrar em contato com esses espíritos, que é de arrepiar. Agora se é demon ou não é, eu também não quero descobrir. É, eu sei, sou medrosa. Já basta meu medo de E.T. E obrigada pela review!

Ufa! Terminei de responder! Achei que nunca ia terminar... bem, mas tá tudo respondido aí. Espero ter esclarecido qualquer dúvida e desculpa por alguma decepção. Já comecei o terceiro capítulo, mas vai demorar um pouco pra sair, pois nas próximas semanas eu já tenho provas. Espero não demorar muito, mas peço um pouco de compreensão.

Até mais!

Nyuu-neechan