Saiyajin no Ouji Tarble

(Tarble, o Príncipe Saiyajin)

Capítulo 2: Tarble, o rejeitado

Chegaram ao berçário. Através de um vidro transparente, eles viam vários bebês, que haviam nascido no mesmo dia, e que esperavam pela análise do poder de luta. A partir daí, seria decidido o destino deles: se iriam ficar, para servir ao rei e à aliança com Freeza, ou se seriam enviados para planetas com habitantes fracos, para depois conquistá-los.

O príncipe recém-nascido estava no meio de todas aquelas crianças. Era o único que estava embrulhado em uma manta azul, para diferenciá-lo dos demais. Não chorava, diferente dos outros bebês.

Um dos responsáveis pelo berçário apareceu e, ao ver o rei, logo o reverenciou:

- Majestade, em que posso ser útil?

O rei, olhando ainda para o garotinho, disse:

- Quero vê-lo. E quero que analisem mais uma vez o poder de luta dele.

- Na sua presença?

- Sim, e com o equipamento mais preciso que tiver.

- Sim, Majestade. Faremos isso imediatamente.

Girou sobre os calcanhares e entrou. Chamou por outra pessoa:

- Meyrona!

Apareceu uma mulher, que reverenciou o rei e perguntou ao outro saiyajin:

- Pegar o pequeno príncipe, não é?

- Sim, Meyrona. Sua Majestade quer que o analisem novamente.

- Sim, senhor.

Meyrona se retirou para buscar o bebê para a análise. O rei já a conhecia há muito tempo, pois ela era a criada particular da esposa. A rainha confiava muito nela, até mesmo nos cuidados do primeiro filho.

Ela voltou com o bebê nos braços.

- Majestade – ela disse. – Creio que não aceitaria conselhos de uma simples criada, mas a rainha, antes de morrer, me disse que tinha uma última vontade. Ela me disse que gostaria de vê-la cumprida.

O rei Vegeta pareceu demonstrar algum interesse:

- Que vontade seria essa?

- A rainha gostaria que Vossa Majestade desse ao bebê o nome de Tarble. Essa era a última vontade dela.

- Pode ser. – o rei disse com indiferença. – Pode ser esse o nome do bebê.

Meyrona levou o pequeno Tarble ao laboratório, seguida por Raneban, pelo responsável do berçário e pelo rei. Ali, a equipe preparou o equipamento que tinha a menor margem de erro possível. Meyrona desembrulhou o garotinho e o colocou sobre uma mesa lisa, onde ele permaneceu quieto e calado. Um aparelho começou a deslizar em um trilho preso no teto, emitindo um raio laser, como se fosse um scanner. A máquina fez movimentos de vaivém por três vezes, percorrendo todo o corpo do pequeno Tarble. Todas as informações escaneadas pela máquina ultramoderna surgiam em um monitor.

- Qual a margem de erro dessa máquina? – o rei perguntou secamente.

- A margem de erro desta máquina – disse um dos operadores. – é muito pequena. É mais ou menos de 0, 000001(um milionésimo) por cento.

- O que significa, então, que a chance de erro é praticamente zero...

- Sim, Majestade. Dificilmente essa máquina tem algum erro. Aliás, ela nunca errou até agora.

- E espero que não erre com meu filho!

- Isso não acontecerá, Majestade.

As informações continuavam a ser processadas no monitor. Raneban estava curioso, enquanto o rei Vegeta começava a ficar impaciente.

- E então, vai demorar? – perguntou.

- Não, Majestade. Já está saindo o resultado...

O operador parecia analisar as informações que o monitor exibia. Ficou assim por alguns segundos, até que, por fim, disse:

- Bem... O bebê está saudável. Mas o poder de luta dele é 1...

Os quatro saiyajins ficaram surpresos. Mas o rei Vegeta ficou ainda mais chocado.

- Você tem certeza de que é esse mesmo o poder do príncipe Tarble? – Raneban perguntou.

O operador ficou tão embasbacado quanto os demais:

- Isso só pode ser uma piada... – ele disse. – Um príncipe saiyajin não pode ter só isso de poder...!

Olhou para o rei. Este já começava a ficar ainda mais alterado. Começou a sentir que seu pescoço estava em sério risco. Sabia que o monarca jamais perdoaria uma coisa dessas.

Tratou então de pôr a máquina para refazer a análise. Como era possível que fosse errar logo com o príncipe? E na frente do severo rei? Configurou a máquina para que esta fizesse uma análise ainda mais minuciosa do poder de luta do menino. Dessa vez, a máquina fez o vaivém cinco vezes, a fim de escanear o bebê com mais precisão ainda. As novas informações surgiram no monitor.

- Desta vez, a chance de erro é praticamente nula... – ele disse.

Leu os dados apresentados na tela com mais atenção ainda. Decifrou-os detidamente. Não era possível que o filho do rei tivesse só aquilo de poder... Dois anos atrás, havia feito a mesma coisa com o outro filho de Sua Majestade, e não houve erro... Eram 3559 de poder...

Não pôde acreditar no que via na tela. O resultado da análise agora era incontestável.

- Majestade... – disse, prevendo o pior. – Infelizmente a máquina não errou... O poder do garoto é mesmo 1...

- Mas... Como é possível...? – Meyrona perguntou.

O rei se enfureceu. Por que tinha que nascer um fraco em meio à poderosa família real?! Por que Tarble não era como o garoto Vegeta? Tinham o mesmo sangue, eram filhos do mesmo pai e da mesma mãe e, por ironia, eram diferentes! Tarble era diferente... Tarble era fraco... Os fracos, para o rei Vegeta, eram seres desprezíveis, que não mereciam nem viver. Tarble se tornava desprezível aos seus olhos. Tarble não merecia viver. Não merecia viver com o título de "príncipe". Nenhum filho seu deveria ter o nível da ralé. Os fracos eram lixo. Os fracos eram a escória. Tarble agora era da escória.

- TIREM ESSE MOLEQUE INÚTIL DA MINHA FRENTE!!! – ele berrou.

Socou uma parede que estava à sua direita, a fim de descarregar a vergonha e a frustração.

- NÃO QUERO VÊ-LO PERTO DE MIM! NÃO ADMITO SER O PAI DE UM VERME INÚTIL COMO ESSE MOLEQUE! NÃO VOU PERMITIR QUE ESSE INSETO CHAMADO TARBLE ENVERGONHE O MEU SANGUE COM ESSE PODER RIDÍCULO!

A parede ruiu. Raneban e Meyrona, com Tarble nos braços, saíram do local depressa, assim como os outros que estavam por ali. Queriam evitar que o acesso de fúria do rei atingisse a criança que mal havia acabado de nascer.

Meyrona tinha nos braços um príncipe. Por mais que o rei não admitisse, aquele bebê tinha o sangue real. Aquele bebê era o príncipe Tarble, veementemente rejeitado pelo pai. Rejeitado até o fim...