Pela Estrada

Sinopse: – Entendo que possa não se interessar – Edward disse de repente – mas estou indo para Forks. Perto de Seattle. Vou pela estrada – o escutava, mas não entendia suas palavras. Ele só sorriu torto e acrescentou: - Pode vir comigo se quiser. ByE em uma Road Fic.

Disclaimer: A história pertence a sombrerodecopas, Twilight e os personagens em sua maioria Stephenie Meyer, e a mim somente a tradução.


2 - Adivinhe quem vem para o café da manhã*

Faltavam quinze minutos para as dez da manhã e nenhuma alma, alem de nós três – Ângela, Ben e eu – se movia pelo lugar.

Claro, todos pareciam entender que as férias tinham desembarcado com seu acostumado estoque de geadas e vento – e chuva às vezes – e o mais sensato nessa fria manhã de sábado frio era ficar em casa – ou dormitório universitário no meu caso–,coberto com um cobertor, tomando chocolate quente e ouvindo Good Morning América. (1)

Mas não, ali estava eu no meio do estacionamento do campus, rodeada de malas, e um tanto congelada, esperando por... Deus! Nunca pensei que tinha que dizer isso, sim, ali estava eu esperando por... Vamos Bella, não é tão difícil.

Edward. Edward Cullen. Já disse.

Sentia o frio da manhã em minhas mãos e rosto, mas ainda assim não podia me controlar no momento de respirar fundo e sentir o gelo entrar no meu organismo. Adotava essa sensação. Me devolvia o vigor ao corpo nos momentos que mais precisa. Como o estava precisando agora.

Cullen tinha me dito às dez. Olhei novamente para meu relógio, coisa que me resultava uma inutilidade se estivesse fazendo a cada segundo; realmente não servida de muito, de fato seguiam faltando os mesmos quinze minutos. Se pensar bem, até acreditaria que o frio dessa manhã tinha congelado os segundos porque só tinha se passado cinco minutos desde que chegamos ali e já me pareciam uma eternidade. Talvez era porque nunca em meus mais estranhos sonhos – e se eu tivesse tido estranhos – estivesse dormindo ou acordada me imaginei nessa posição. O tempo buscava me torturar avançando a passo de formiga.

Às vezes, rogava que ele já tivesse ido assim eu poderia voltar para o meu quarto quente para tomar o vôo que desembarcava em Seattle na madrugada de Natal. Dessa forma, ele nunca saberia que eu aceitei o seu convite e as coisas continuariam como estão entre nós: Edward cuidando da sua vida, eu da minha. De fato, não soava como um plano ruim. De fato, soava como um grande plano.

- Está com seu passaporte? Identidade? Passagem? – perguntou Ângela ao meu lado. Sempre fazia o mesmo: Ang tinha a mania de fazer um repasso das coisas imprescindíveis para se levar na hora de viajar.

Não lhe respondi. Também evitei olhá-la. Afirmar seria mentir-lhe e negar... bom, poderia causar tantas perguntas que ela não estava preparada para responder.

- Posso acompanhá-la até o aeroporto com o Ben.

Angela conhecia meu medo de voar e devia ter assumido que os nervos, além do sono, frio e o distraída que sou por natureza, me tinham assim, já que não disse nada contra o meu estado de alteração constante. Sorte para mim.

Angela e Ben estavam conversando distraídos atrás de mim, mas não podia ouvir o que eles diziam. Minha cabeça estava voando já em outra galáxia. Que galáxia? Que me levou a acabar nesse lugar, naquela hora da manhã.

O que como isso aconteceu? Vamos aos fatos (2):

- Nenhum direto para Seattle? Ou uma escala mais breve? – perguntei, um pouco resignada. Tinha passado toda a manhã ligando para agências para obter uma passagem para Seattle, o mais tardar no dia 24 de dezembro.

A atendente me dava todas as opções possíveis que poderiam chegar na véspera de Natal, mas não estava nos meus planos fazer escalas em todos os estados do país antes de aterrissar em Washington, que significava cinco horas parada em quem sabe qual aeroporto. A última opção: chegar em casa na manhã de Natal e perder o jantar com meus sogros – sogros? – na véspera. Parecia o melhor. Quero dizer, tinha a favor perder as incomodas reuniões sociais.

- Está bem, para o vôo que chega no natal – respondi frustrada diante a, ainda amável, voz da atendente. – Não, só reserve. Verei se encontro outra opção – bah, como se isso fosse possível!

Desliguei resignada. Meu namorado estava me esperando para o jantar na noite de 24 e eu, graças a minha grande responsabilidade, poderia tocar a terra só no dia seguinte só. Não que isso me deixasse triste. Jantar com os pais de Mike não me motivava muito, mas eu tinha prometido a ele. E as promessas são promessas, certo?

Como não poderia haver nenhuma pessoa neste mundo que queria deixar-me a sua passagem? Alguém que tinha mudado seus planos no último momento? Não, em todos, e quando digo todos são todos, tinham decidido tomar um vôo naquela semana. Vamos! Nenhum bom samaritano que queria me ajudar?

- Desculpe... Swan? – Essa voz tão... qual era o adjetivo? Ah, sim: arrogante.

Edward Cullen estava parado ao lado da mesa onde estava sentada. Estava com o mesmo casaco da noite anterior, mas agora não tinha gorro ou cachecol, e não é que pensava nele, mas o homem parecia muito... o que diabos estou pensando?

- Olá – eu disse Olá? O que diabos havia de errado comigo? Eu tentei melhorar fingindo indiferença:– sim?

- Sabe... ouvi a sua conversa.

O imbecil não tinha um pingo de vergonha em assumir. De repente eu me lembrei de seu comentário ontem à noite: suponho que já reservou a sua passagem. É claro que por causa desse comentário estava muito estúpida ligando para quantas agências encontrava para ver se alguém tinha pena de mim e me dava uma passagem mágica. Primeiro me ousava dizer o que fazer e agora acreditava-se o direito de ouvir as minhas conversas? Claro que estava desfrutando. Quem ele acha que era? Edward Cullen iria me ouvir, se ele iria me ouvir...

– Entendo que possa não se interessar, mas estou indo para Forks. – fiquei perplexa. O que? – Perto de Seattle. – explicou arrogante. Isso o havia só para me provocar: eu sabia onde era Forks, ele sabia que eu sabia, se ambos viemos de lá! Deus! Essa cara ama se sentir superior com sua atitude sou-um-garoto-tão-cool... mas, porque me dizia tudo isso? – Vou pela estrada – acrescentou:

- E isso? O que...? – queria dizer tantas coisas, mas meu cérebro estava dormindo. Me atrapalhava toda e o muito infeliz o desfrutava.

- Tente com a agencia, se não, eu vou partir amanhã cedo. Estarei as dez no estacionamento – ficou me observando por alguns segundos e sim, me senti exposta a seus olhos – Pode vir comigo se quiser. – obviamente corei no mesmo instante. Ele sorriu torto sabendo o controlador que era e saiu do lugar.

Eu estava perplexa, digo, que tanto podia reagir logo depois de Cullen me convidar para viajar com ele?

Voltei a vagar outro olhar pelo lugar e, por muito que roguei estar imaginando, Edward Cullen caminhava até onde nos encontrávamos. Angela e Ben não sabiam nada sobre isso, mas estava claro que eles tinham notado a presença de Edward no lugar de imediato, porque Angela veio à minha orelha direita e perguntou:

- Cullen está vindo para cá? – era uma pergunta totalmente esperada. Até eu teria formulado as coisas que tivessem estado avançando segundo a ordem que entendíamos como natural.

Não cheguei a responder porque Edward, com sua figura tão despreocupada e olhar misterioso – como odiava que fosse assim – havia chegado ao meu lado e havia respondido com sua entorpecida voz, sem saber, a pergunta de Ang.

- Que bom que aceitou – sua voz soava... arrogante como Edward acostumava soar quando se relacionava comigo, mas digamos que tão pouco transbordava alegria. Bom, nem o esperava.

- Não tinha mais opção – soei bastante incomoda, mas era a verdade: viajava com Edward porque estava de mãos atadas.

Mas não, ai estava Ben reprovando a minha atitude com um movimento de cabeça disfarçado.

- Legal – respondeu Edward.

Por acaso Cullen tinha soado decepcionado? Não, que coisas. Por acaso irritante... mas decepcionado? Talvez eu não devesse ser tão sincera. Edward, finalmente, estava me fazendo um favor. Deus! Por que Ben tinha que ter toda a maldita razão?

- Não quis... – eu era muito covarde para tentar consertar as coisas agora.

- Você precisa de ajuda com alguma coisa? – Perguntou Edward. Mostrei as minhas malas custodiadas por Ben. Não sou frequentes em aceitar favores –já havia tido essa discussão com Ben no quarto quando não me deixou ajudá-lo com minha própria bagagem – mas precisava de um minuto fora do alcance de Edward para acalmar o olhar urgente de Ang.

Quando Edward foi com a minha mala de rodas em uma mão, com uma mochila na outra e afastou-se a poucos metros de nós, a voz de Ang em sussurro pouco disfarçados chegaram aos meus ouvidos.

- Edward Cullen? Sério? E não o odiava?

- Eu não o odeio – eu respondi em ato de reflexo. Não o odiava. Essas eram palavras fortes. Nunca tinha me dado bem com Edward, mas ai odiá-lo, a diferença é enorme.

Ang não perguntou mais e achei que tinha conseguido acalma-la, mas foi Ben que deu o prego com a pergunta que formulou:

- Ele te leva ao aeroporto não? – pelo tom em que perguntou estava certa que Ben era consciente da negativa da minha resposta.

- Não... exatamente – respondi adiando o momento. Angela quebrou sua euforia contida.

- Wow Bella! Vocês... vocês dois...? – deduziu enquanto passava seu dedo indicado pela minha figura, logo a Edward para voltar a me apontar com um gesto de emoção em seu rosto.

- Não – reagi baixando sua mão de imediato e verificando se Edward havia visto aquilo: ele estava terminando com as maletas. Voltei a ver Ângela-: simplesmente me faz um favor. Não consegui vôo – esclareci.

Angela não parecia muito confiante - Está vindo – sussurrou adicionando um gesto totalmente livre para me irritar.

Era necessário? Ben ao seu lado, é claro, ocultou com as risadas. Evite concentrar-me nas suas provocações e me virei até Edward esperando que o rubor em meu rosto não tivesse me acompanhado.

E que conste, não corava por causa do Cullen. Tinha o maldito costume de corar sempre que a atenção estava posta sobre mim assim que Edward estava longe de levar crédito por minha vergonha. Os únicos aqui culpados são esses dois tão inoportunos que me faziam chamar de meus amigos.

- Está pronta? – assenti. Dei um rápido olhar. Por que não tiram esse olhar cúmplice de uma vez? Estou aqui mesmo se não estão me vendo!

- Bem – Edward sorriu para os dois como um sinal de despedida – Edward se mostrando amigável com os meus amigos? – E eles responderam com um gesto de mão. Ele virou para mim e retomando a mesma voz abafada, disse–: te espero no carro – apontou um carro cinza há alguns metros e logo se foi.

- Então... – começou a Ang quando voltei a encara-los – vai nos explicar em algum momento ou teremos que indagar por conta própria? Porque isso tem uma explicação, certo? – acrescentou.

- Tem – é só que não a entendo.

- Cuide-se Bella – disse Ben me dando um abraço.

- Antes de qualquer coisa, não duvide em nos chamar, sim? – apesar de todas as piadas, Ang sempre se dava o tempo para se preocupar comigo. Me deu um forte abraço de despedida e sorriu.

Eu comecei a caminhar em direção ao carro e ainda quando minhas malas já se encontravam no porta-malas, eu senti um peso extra sobre meu corpo. Virei alguns metros à frente; eles ainda me olhando.

- Se comporte bem, Bella – gritou Ben. Pude ouvir a risada de Ang celebrando a brincadeira de seu namorado enquanto me afastava e, passo a passo, fazendo-me corar mais.

Respirei fundo. O já reconhecido gelo inundou meus pulmões e me devolveu o vigor que precisava: aquilo não era tão terrível. Não podia ser que em 15 minutos tinha desenvolvido medo por Cullen. Só – era – Cullen.

Edward estava de pé na porta do motorista. Ele olhou para cima quando me aproximei, mas não expressou nada, nem mesmo um sinal de desgosto! Aquilo me assustou ainda mais. Ele andou ao redor do carro e, quando percebi o que pretendia, já era tarde demais para pará-lo – Deus, segunda vez que me passava o mesmo com ele! – Não sabia se estava fazendo o cavalheiro comigo ou se na verdade o era, não o conhecia, mas se podia perceber que o cavalheirismo foi um problema para ele.

- Obrigada – disse entrando no carro depois que ele abriu a porta para mim. O garoto cada vez mais distante me confundia ainda mais: um segundo podia ser totalmente indiferente e no seguinte estava carregando minhas malas, dizendo adeus aos meus amigos ou abrindo a porta do carro para mim.

Observei onde estava sentada. O carro de Edward era tão incrível por dentro como prometia por fora. Com o pouco e nada que conhecia do Cullen devia supor que teria um Volvo como aquele: esse carro era uma espécie feita de metal e rodas.

Edward entrou no carro. Ficamos em silêncio por alguns segundos. Foram os necessários para reparar o meu primeiro erro:

- Desculpe – soltei de uma vez. Pensei sobre isso apenas para prolongar o inevitável. – A verdade, é que não tinha mais opção além de viajar com você – senti o olhar de Edward, mas não olhei para ele. Uma coisa era me desculpar e outra muito diferente, e mais difícil era me desculpar olhando-o nos olhos – mas eu não quis soar assim. Foi grosseiro.

Edward olhou para a frente e ligou o motor.

- Não tem problema – não disse mais. E eu... o que mais poderia acrescentar a isso?

Respirei fundo. Agora não me restaria mais do que viajar 36 horas atravessando o país junto a Edward Cullen.

Quem iria acreditar?


*Adaptado do filme "Adivinha quem vem para jantar*" (Guess who's coming to dinner, 1967) de Stanley Kramer.

(1) Bom dia, América é um programa de rádio que existe nos EUA.

(2) Uma homenagem a hoje, já finalizada, série Pushing Daisies (Um toque de Magia), onde cada nova aventura nos encantava com um: Vamos aos fatos.


Nota da Autora: E ai está o 2º Capítulo. E bem o termo da Road Fic termina por ser assim porque temos uma Bella + um Edward + dentro de um carro + milhares de quilômetros na frente. Igual? O que poderia acontecer aqui? Ou melhor dizendo que coisas poderiam NÃO acontecer aqui? Ha! Que maneira de dar emoção. Nos vemos.


Nota da Tradutora: Começou a viagem, eles são bons juntos, vocês gostar. E pergunto o mesmo que a autora Que coisas poderiam NÃO acontecer nessa viagem hein? HEHE eles juntos é bem perigoso.

Beijos e até o próximo