Dois – Fim de Férias

Hermione, Ginny e Rafaela encontraram-se depois com Molly, Harry e Ronald. Rafaela ainda não havia conhecido a sra. Weasley, mas já ouvira falar tanto nela que era como se fosse uma tia querida. Molly a tratou muito bem, disse que sentia muito pelo que havia acontecido com ela no ano passado, sem entrar em muitos detalhes por estarem em local público, e completou dizendo que estava feliz que ela estivesse de volta nesse ano. Ao fim, convidou Rafaela para passar a última noite na Toca, para que todos fossem para a estação juntos no dia seguinte. Aceitando o convite, Rafaela foi rapidamente ao Leaky Cauldron, fechou sua hospedagem, fez as malas e pagou a conta, enquanto os outros a aguardavam no bar. Desceu carregando o malão e as bolsas, com Panther empoleirado em seu ombro, parecendo muito orgulhoso.

Ginny foi a primeira entrar na lareira para ir para casa. Rafaela foi em seguida, para evitar que se perdesse, e em seguida os outros chegaram um a um. Rafaela limpou a poeira da roupa e ajudou Ronald a tirar seu malão da lareira da sala da Toca.

- Olha quem está aqui!

- Se não é a Srta. Salles!

Fred e George, que estavam sentados na sala com o pai, Arthur, se levantaram para cumprimentá-la. Fred a beijou no rosto e George a abraçou.

- Nenhuma palavra sobre seu encontro misterioso em Diagon Alley foi pronunciada. – ele disse baixo

Rafaela corou e o olhou – Obrigada.

- Arthur! – disse Molly chegando pela lareira – Olha quem encontramos no Diagon Alley! Rafaela! Você sabe a Rafaela, aquela...?

- Rafaela Salles, é claro que sim. Prazer em conhecê-la, senhorita.

Rafaela apertou a mão de Arthur – O prazer é meu!

- Gente, não deixa a menina envergonhada! – disse Ginny

Os Weasley se espalharam, Arthur conversou um pouco com Rafaela e logo Ginny e Hermione a levaram para o quarto delas. Molly foi começar a fazer o jantar e Harry se sentou com Arthur e Ronald à mesa da cozinha.

- Alguma novidade, Sr. Weasley? – começou Harry

- Sempre as mesmas, Harry… Algumas pessoas desaparecidas, ninguém que vocês conheçam. Um trouxa foi encontrado morte em um beco, autoridades dizem que foi de causa natural, mas nós sabemos que não. Uma casa pegou fogo misteriosamente em Alnwick, mas as três bruxas que estavam dentro escaparam ilesas, apesar de ninguém se lembrarem quem as atacou. – ele disse e respirou pesadamente

- Meninos, por favor. – disse Molly – Más notícias chegam todos os dias. Essa é a nossa última noite com as crianças em casa, vamos nos esforçar para fazer com que seja uma noite agravável, por favor?

- Certo, certo. – concordou Arthur – Você está certa, querida. Todos nós merecemos uma noite de paz para começar bem o semestre.

- Obrigada, querido. – Molly sorriu de leve para ele, mas ainda transparecendo um olhar preocupado – Ronald, por favor, vá buscar as meninas, vou precisar de ajuda, alguns convidados da Ordem vêm pro jantar.

Molly, secando as mãos em um pano, foi até a porta da cozinha, que estava aberta. Lá fora o sol começava a baixar, a tarde era quente e se ouvia insetos cantando alegremente pelo campo. Gritou para Fred e George, que estavam dentro do barracão a alguns metros da casa, para ajudarem Ronald e Harry a montar mesas do lado de fora. Logo Arthur se juntou a eles para erguerem uma cobertura sobre as mesas e as meninas estavam ajudando com o jantar. Horas depois, as meninas se juntaram novamente no quarto de Ginny para se refrescar e arrumar. Ronald e Harry subiram para tomar banho e desceram em menos de meia hora, prontos. A família começara a se juntar à mesa no jardim. Havia lamparinas penduradas na lona e pequenos vaga-lumes circulando. Fred e George estavam sentados ao lado do pai, na cabeceira da mesa, tomando vinho de abóbora. Molly chegou com a última tina de comida.

- Acho que está tudo pronto. Mas onde é que eles estão?

Ao dizer isso, ouviu alguém chagando do lado de fora da grade baixa do jardim. Correu até lá e retornou em minutos acompanhada de Kingsley Shaklebot e Remus Lupin. Os Weasley se levantaram para cumprimentá-los. Todos tinham ares preocupados, mas pareciam contentes por estarem ali. Remus abraçou Harry, querendo saber como ele estava. Os dois se sentaram juntos à mesa. Molly serviu vinho aos convidados e colocou jarras de cerveja amanteigada á mesa. Logo Bill Weasley a Fleur, sua esposa, também se juntaram e eles.

- E as meninas, onde estão? – perguntou Fleur

- Devem estar vindo, as três foram pra cima a horas, você sabe como são essas jovens.

- Três? Quem está com a Ginny? Hermione e…?

- E Rafaela. – informou Molly – Outra amida deles. Bill deve ter te contado sobre essa menina no ano passado …

Ali ao lado, Remus parou no meio de uma frase enquanto conversava com Harry.

- Remus? – perguntou Harry

- Oi? Ah, sim, desculpe. Onde eu estava? – ele disse, um pouco perdido

- O que aconteceu?

- nada. Me desculpe, fui distraído pelas outras conversas. Bem – voltou a se focar -, eu estava falando sobre Grimmauld Place, certo?

- Sim. A Ordem ainda está lá?

- O tempo todo. Eu passei alguns dias das férias de verão lá. Snape sempre aparece quando não está trabalhando, você sabe, Dumbledore marca reuniões quase todos os dias. A Molly tem aparecido para ajudar com a casa. O mais difícil ainda é Kreatcher, mas só precisamos relembrá-lo de vez em quando que o mestre dele agora é você e ele fica melhor por algumas horas.

- Eu gostaria de ter ido lá, mas Arthur disse que ele não achava uma boa ideia eu sair da Toca. Estamos protegidos aqui, colocaram alguns feitiços.

- Colocaram.

- E depois… Depois de Hogwarts e do que quer que seja que vai acontecer… Não sei ainda o que vou fazer com a casa. Provavelmente a Ordem vai continuar existindo e sempre vai precisar de um lugar.

- Harry, ainda é muito cedo pra pensar nisso. Especialmente agora com aquele olhar da Molly. – ele disse e a apontou. Harry a viu olhar brava por cima da mesa – Não devíamos falar sobre isso agora.

- Sim, ela quer um jantar de despedida tranquilo.

- E ela está certa. Vamos mudar de assunto.

Ginny saiu pela porta da cozinha, seguida por Hermione e Rafaela. As três riam de algo que haviam acabado de dizer. Ginny chegou cumprimentando a todos alegremente e se sentou ao lado de Harry. Hermione apertou a mão de Kingsley e se sentou ao lado de Ronald, que a deu um beijo rápido. Rafaela diminuíra o passo e seu riso se tornara nervoso, ao invés de alegre, ao se aproximar da mesa. Ela e Remus trocaram um olhar constrangido. Arthur a apresentou a Kingsley que, como todos, já a conhecia de nome. Rafaela o cumprimentou e em seguida se sentou no único lugar livre, ao lado de George e bem em frente a Remus.

- Professor Lupin, como vai? – ela disse sorrindo levemente

- Muito bem, como vai você? Espero que tenha descasado nessas ferias. Está recuperada?

- Estou, obrigada. Pronta para a próxima... Literalmente

Rafaela trocou um olhar nervoso com Hermione, e depois olhou para Ginny, que quase ria, mas disfarçava ao conversar com o namorado.

O jantar foi servido e o clima ficou muito leve. Havia pequenos grupos de conversa. Rafaela se refugiara conversando com Fred e George, para evitar olhares e situações constrangedoras com Remus, mas os dois não podiam evitar de se olhar ás vezes e sorrir.

- Rafaela – começou Fred, sussurrando com ela pela frente de George – Tenta ser mais discreta e corar menos.

- Se alguém além de nós perceber, não vai ser nada bom. – somou George

Rafaela olhou de um para o outro de boa meio aberta, sem conseguir dizer nada.

- Ok? – disse Fred novamente

Ela concordou com a cabeça lentamente.

- Muito legal, alias! – disse George – Tem todo o nosso apoio.

Rafaela preferiu não falar mais nada. Deu um último olhar nervoso na direção de Remus, que estava conversando com Harry, e voltou a se distrair nas conversas com a mesa. O jantar foi longo. Depois que todas as tinas de comida estavam vazias, todos continuaram ali, bebendo e conversando, até os vaga-lumes começarem a se apagar, cansados. Todos foram para dentro e se acomodaram na sala de estar, onde Molly serviu o licor de jabuticaba que Rafaela tinha na mala e lhe dera de presente. Algum tempo depois, Molly alertou ás crianças que deveriam acordar cedo no dia seguinte e Kingsley e Remus se despediram. Houve um sorriso um segundo mais demorado no aperto de mãos de Rafaela e do professor Lupin.

Quando as meninas entraram no quarto, Rafaela fechou a porta atrás de si e se apoiou nela, a mão no coração e a expressão de um sofrimento divertido.

- Ai, meu Deus, eu quase morri!

As amigas riram, cada uma indo se acomodar.

- Ninguém percebeu, relaxa. – disse Ginny

- Não mesmo. Se eu não soubesse, diria que eram apenas professor e aluna que se dão bem.

- Fred e George perceberam. – disse Rafaela, também indo para a sua cama

- Sério? – disse Hermione

- Ah, mas lembre-se que eles são os maiores especialistas em coisas secretas do mundo. – disse Ginny – Não se preocupe.

- Além disso, você e Lupin precisam se acostumar com essas situações. Vocês passarão por isso praticamente todos os dias em sala de aula.

- Eu sei, mas isso me pegou de surpresa. Nem imaginava que ele estaria aqui hoje

- Bem, meninas. – disse Hermione, enfiando-se debaixo das cobertas – O papo está bom, mas está tarde. Boa noite.

Harry dormia agitado e suado, virando-se de lá pra cá... Ele estava num campo de mato alto, que batia quase em seu peito, correndo. Olhava para trás, desesperado, fugia de dezenas de dementadores que deslizavam atrás dele. Suas pernas ficam cada vez mais pesadas e se torna mais difícil correr. Ele grita... Uma luz verde surge e uma pessoa está caída à sua frente. Ele se desespera ao ver Ronald morto. Pega o corpo do amigo nos ombros e tenta continuar correndo, mas agora isso se torna impossível, e os dementadores estão cada vez mais próximos. Harry sente que está prestes a morrer, como o amigo. Então alguém à sua frente grita "Abaixe-se!". Sem nem mesmo saber quem disse, ele o faz e fica protegendo o corpo de Ronald. Harry olha para cima e vê três pessoas atacando os dementadores. Reconhece Rafaela, Hermione e Snape. Os dementadores desaparecem, Hermione começa a chorar por Ronald. Snape se abaixa e coloca a mão no ombro de Harry. Rafaela desaparece.

- Ron!

Harry acordou com seu próprio grito, já sentado na cama, fazendo Ronald dar um pulo na cama ao lado.

- Ron, você está bem?

- Acordando desse jeito nem sei mais! – disse Ronald, com a mão sobre o peito – O que aconteceu?

Harry pegou os óculos na mesinha ao lado da cama e secou o suor da testa antes de colocá-los. A cicatriz ardia discretamente.

- Foi um sonho, não foi? – perguntou Ronald, nervosamente

Harry contou para Ronald como fora seu sonho, ainda trêmulo, ocultando a parte que, sabia, atormentaria o amigo

- E a cicatriz?

- Já esteve pior. – ele disse colocando os pés para fora da cama

- Não deve ser nada, não é? Quero dizer, você já viu dementadores antes e está preocupado com tudo... Não é? Pode ser apenas um sonho, nada demais.

Harry levantou os ombros e não respondeu. Não podia ser memória. Nada parecido com aquilo já havia acontecido.

- Ah, ótimo! – ouviram a voz da sra. Weasley à porta. Ronald puxou rapidamente o cobertor até o pescoço – Já acordaram. Levantem e vistam-se, o café da manhã está na mesa.

Na sala de estar, cinco conjuntos de malões e bolsas aguardaram enquanto o café da manhã era tomado às pressas. Minutos depois, todos embarcavam no carro que o sr. Weasley conseguira com o ministério, despediam-se dos Weasley mais velhos e partiam para a estação King's Cross.

Molly e Arthur ficaram do lado de fora do trem até que este se distanciasse, os dois filhos e os amigos debruçados na janela para dar tchau. Molly acenava com um lenço, e a última visão que Ginny teve da mãe foi ela usando o mesmo lenço para secar as lágrimas.

- Estranho... – ela disse quando todos voltaram para dentro do trem – a mamãe estava chorando. Você viu, Ron?

- Vi. Estranho mesmo, nunca a vi chorar em todos esses anos.

- É compreensível. – disse Hermione quando todos entravam na cabine onde suas bagagens já estavam acomodadas – Ela é da Ordem, sabe de tudo o que está acontecendo e que provavelmente vai acabar logo

- Ou talvez ela saiba de algo que não sabemos. – disse Harry se sentando – Como sempre. Eu ainda não entendo por que eles guardam segredos de nós, como se, mesmo não oficialmente, não fôssemos também parte da Ordem

- Não desde o ano passado, Harry. – lembrou Rafaela – Eles demoraram pra alertar vocês, mas o fizeram em certo momento, incluíram vocês nos planos. Talvez isso aconteça esse ano também. Acho que a confiança tende a aumentar, agora que a maioria vai ficar de idade esse ano e isso não será mais um impecilho.

- É… Espero que sim. – concordou Harry – Não acho que temos menos experiência que eles por sermos mais novos. Já passei por muita coisa nesses anos.

Todos ficaram pensativos por alguns segundos. O trem já pegava velocidade rumo ao norte. Pouco depois, Ginny decidiu ir procurar pelas amigas do sexto ano e Harry a acompanhou para procurar pelo toalete. Despediram-se no corredor quando Ginny encontrou as amigas em uma cabine, e Harry seguiu em frente. Passava por alegres crianças correndo, pequenas explosões de varinha e garotas cochichando às portas das cabines. Quando abria a porta para entrar no minúsculo toalete, ouviu as vozes de Malfoy e dos amigos se aproximando. Entrou e deixou a porta quase fechada, escondido por ela, de ouvidos atentos.

- Eles estavam falando sério? – começou Crabbe – Não sei, eu não entendo.

- E o que é que você entende, Crabbe? – disse Malfoy com a voz irritada – Não é pra entender, deixa essa parte comigo. Você só tem que obedecer.

- Mas se eles acham que vamos ficar amiguinhos daqueles… – começou Goyle

- Não seja idiota, ninguém nos mandou ser amigos. Eles não nos torturariam dessa forma – Malfoy falou e parou de andar com os dois, a poucos passos da porta onde Harry estava escondido – Só o que vocês precisam fazer é fingir que eles não existem. Sem provocações, sem brigas por algum tempo. Está claro?

Em silêncio, Crabbe e Goyle concordaram.

- Deixem a parte de entender comigo. Eu também ainda não entendo por que eles querem que façamos isso, mas vou descobrir. Algo de grande vai acontecer e eu não sei porque ainda não nos contaram, eu sou muito próximo dele. Algo grande está por vir, acreditem em mim

Eles passaram pela porta e Harry se escondeu melhor. Apressou-se para usar o toalete e correu de volta para a cabine.

- Vocês precisam ouvir isso! – ele disse entrando – Ouvi uma conversa do Malfoy com os amigos.

Ele se sentou e contou o que ouvira para Ronald, Hermione e Rafaela, que o ouviram com atenção.

- Provavelmente é algo relacionado a isso. – disse Rafaela, estendendo um pedaço de pergaminho para Harry

- Chegou ainda agora por uma coruja. – disse Hermione, enquanto Harry o desdobrava

"Prezados Sr. Potter e Weasley e Srtas. Weasley, Granger e Salles,

Hoje, depois do jantar, solicitamos sua presença na sala de Transformações.

Não sejam vistos.

Albus Dumbledore"

Harry olhou para os amigos, um pouco chocado.

- Acho que é obvio que tem alguma coisa a ver com isso.

Cerca de uma hora depois, Ginny voltou á cabine e também leu o bilhete. Durante horas os cinco ficaram ali, tentando adivinhar do que aquilo tudo se tratava. Depois de algumas teorias, concluíram que era impossível saber o que ia acontecer, e deviam apenas esperar. Na segunda metade da viagem o céu ficou quase negro e começou a chover muito. O vento fazia as gotas de água baterem com força no vidro da cabine. Todo o trem ficou mais silencioso. Rafaela puxou um cobertor e se enroscou a um canto, adormecendo. Os dois casais, Harry e Ginny, Ronald e Hermione também se aconchegaram. Quando o trem começou a perder velocidade, apenas Harry estava acordado, tão tenso que não conseguira descansar. Mal conversaram enquanto, ainda sonolentos, vestiram os uniformes da escola por cima das roupas. Em segundos fora do trem, quando este parou na plataforma de Hogsmeade, já estavam encharcados de chuva. Todos corriam com as capas erguidas sobre as cabeças até fileira de carruagens. Apertaram-se os cinco em uma também com Luna e Neville, que os alcançaram, e seguiram pela estrada enlameada. A carruagem balançava com força para os lados, e foram longos minutos até pararem diante da escadaria que levava á porta principal do castelo. Correram escada acima, Neville escorregou e Ronald o ajudou a levantar-se e, finalmente, protegeram-se da chuva no hall de entrada do castelo. Todos estavam encharcados dos pés a cabeça, com lama na barra das capas e tremiam de frio. Ao entrarem no grande Salão, porém, sentiram um calor aconchegante e perceberam e começavam a ficar mais secos a cada segundo. Quando se acomodaram à mesa, estavam secos e aquecidos. Minutos depois entraram dezenas de pequenas crianças, menores do que eles se lembraram de serem ao fazer aquela mesma entrada, anos antes. Todos pareciam muito nervosos e molhados. Rafaela lembrou-se se entrar no salão logo depois deles, um ano antes. McGonnagal colocou o banquinho e o chapéu à frente de todos e começou a chamar nome por nome os pequenos. Aos poucos a aglomeração deles foi diminuindo, cada selecionado indo para a mesa de sua nova casa e, quando o último foi mandado para a Huflepuff, McGonnagal retirou o banquinho e o chapéu e Albus Dumbledore se ergueu, braços abertos como se oferecesse um abraço ao salão todo.

- Bem vindos, bem vindos a mais um ano em Hogwarts! Estou feliz em vê-los todos mais uma vez. Para este anos, temos apenas uma novidade no corpo docente. Substituindo a professora Burbage, enho a honra de informar que a professora Maria Rivez ficará com o cargo de Estudo dos Trouxas

Houve aplausos breves e um tanto tensos. Todos sabiam que o motivo de o cargo ter ficado livre fora o assassinato da professora Charity Burbage alguns meses antes. Maria se levantou brevemente para agradecer aos aplausos e voltou a se sentar.

- Aproveitem o jantar! – finalizou simplesmente Dumbledore, e as mesas se encheram de comida. Todos devoraram o jantar. Não haviam comprado nada do carrinho de guloseimas no trem, e agora estavam famintos. Harry olhava, mesmo sem planejar, para a mesa da Slytherin de vez em quando, reparando sempre na expressão mal-humorada de Malfoy. Ele parecia alheio ás conversas de sua mesa, encarando o prato, comendo sem falar com ninguém. Harry, de alguma forma, entendia o que ele estava sentindo. Já ficara sem informações do que estava acontecendo á sua volta e sabia como isso era frustrante. Com uma satisfação um pouco sádica, lembrou-se que em alguns minutos ele receberia informações que Malfoy nem sonhava saber.

Ao lado de Harry, Rafaela fazia força para não olhar para a mesa dos professores. Já havia reparado, de relance, que Remus estava sentado ao lado do professor Snape, e ela não sentia a menor vontade de olhar na direção dele.

Pareceram passar-se horas até o final do jantar, as sobremesas, os últimos avisos de praxe de Dumbledore e, finalmente, a movimentação dos alunos para irem até as salas comunais. Como haviam combinado antes, todos se separaram e foram escondidos até a sala de Transfiguração sozinhos, para não chamarem atenção em grupo. Quando finalmente todos chegaram, ficaram confusos pensando se haviam lido direito, estavam lá no dia certo ou na sala certa. Estava tudo escuro e não havia ninguém lá além deles, ou pelo menos foi o que pensaram até ver um gato se mover em uma estante a um canto da sala. McGonnagal pulou para o chão, tornando-se novamente ela mesma. Acenou com a varinha e fez a lamparinas se acenderem.

- Muito bem. Alguém os viu vindo pra cá?

- Não, professora. – respondeu Harry – Ninguém nos viu.

- Ótimo. O Professor Dumbledore está chegando

Um segundo depois, a porta da sala se abriu e Dumbledore entrou. Não estava mais com a expressão amigável e convidativa do jantar. Estava sério, demonstrando a todos que aquela conversa seria muito importante. Pediu que todos se sentassem ás carteiras e apoiou-se à mesa da professora, que continuou ao seu lado.

- Acredito que todos saibam o motive dessa reunião. Vou informá-los de udo o que nós já sabemos que está acontecendo. Peço para não ser interrompido. Depois vocês podem falar e perguntar tudo o que quiserem, está claro? – todos continuaram em silêncio e ele continuou – Nesse ano, Hogwarts vai passar pela maior provação se sua história. Como Hogwarts sempre esteve ao lado de quem quer que precisa dela, dessa fez Hogwarts precisa de nós ao seu lado. Fomos informados que, além de um grupo específico de pessoas, o próprio castelo é alvo de Voldemort. O professor Snape nos informou – ele disse e suspirou pesadamente antes de continuar – que Voldemort está montando um novo exército. Maior, mais forte e mais terrível do que nunca. Isso significa uma invasão, assassinato e destruição de tudo o que ficar em seu caminho. É como se, pra ela, dessa vez a brincadeira acabou. Ele está farto de planos e truques para alcançar seus objetivos. Ele vai atacar sem misericórdia. Desde que recebemos essa informação, temos agido da mesma forma que ele: montando nosso próprio exército, trazendo pessoas para o nosso lado, e temos um bom número, sabemos disso, apesar de ainda precisarmos de mais. Precisamos nos preparar para o momento exato do ataque. Sem deixar que eles saibam, deveremos estar preparados, planejados e posicionados quando eles chegarem. – Dumbledore fez uma pausa passando os olhos pelos cinco alunos – e é aí que vocês entram.

Olhou em silêncio para os cinco alunos, que pareciam petrificados diante do que havia acabado de ouvir. Conforme Dumbledore pedira, não abriram a boca para dizer nada.

- Vocês, os cinco, são um grupo de grande risco. Cada um de vocês têm uma razão para serem caçados durante uma invasão, e é por isso que queremos que estejam preparados. Sabemos que vocês têm grandes talentos em Defesa, mas queremos mais. Alguns membros da Ordem foram contrários a essa decisão, mas a maioria venceu. Sabemos que os cinco podem lutar ao nosso lado. Queremos que sejam parte disso, que estejam preparados para lutar por suas vidas e pelas vidas daqueles que não estarão prontos para tamanha provação. E, para fazer isso acontecer, organizamos algumas coisas. – ele se ergueu e continuou falando ao dar a volta na mesa da professora, dirigindo-se para a parede do fundo da sala – Venham aqui, por favor.

Os cinco se levantaram lentamente e foram até ele. Dumbledore continuava ali, olhando para a parede de pedra. Os cinco pararam à sua volta, também a encarando. Então, ele ergueu a mão esquerda e colocou sua palma na parede. Por segundos nada aconteceu. Um leve barulho de pedras se arrastando foi ouvido e, bloco a bloco, a parede começou a desaparecer. Em instantes, surgira uma abertura em arco, pouco maior que uma porta. Do outro lado, uma área jamais conhecida por nenhum aluno.

- Bem-vindos à Sala Especial.

Ele entrou e os alunos o seguiram, mais silenciosos do que nunca, observando à sua volta. Ao lado esquerdo havia uma sala de aula em tamanho reduzido, sem paredes, com apenas cinco carteiras postas em forma de arco, e uma mesa de professor. Ao lado direito uma grande cortina aveludada preta escondia uma espécie de sala comunal, com sofás e lareira. A cada lado da grande sala havia uma porta, cada uma levando a um dormitório. Depois da porta do lado direito da sala havia uma mesa grande de madeira brilhante; depois da porta do lado esquerdo havia armários. Ao fundo da sala uma abertura larga levava a um belo e florido jardim, com bancos, mesas e árvores. Depois do jardim, através de uma passagem nas folhagens, chegava-se a uma outra porta, que levava a um grande salão muito parecido com a sala que haviam utilizado para as aulas com Harry e a AD, porém muito maior.

Depois que já haviam observado tudo, ainda estupefatos, Dumbledore os conduziu até a sala comunal atrás das cortinas e pediu que eles se sentassem.

- Como acredito que puderam notar, essa sala foi criada para que tenha aulas especiais com os professores e também um tempo de descanso. Não achamos que será uma tarefa fácil para nenhum de vocês, mas infelizmente isso não pode mesmo ser fácil. Se precisamos estar prontos para quando o momento chegar, salvar nossas vidas e salvar Hogwarts, precisaremos encarar o que precisa ser encarado. Sua agenda de aulas será intensa e às vezes extenuante, mas eu reforço que é de extrema importância que o façam – ele parou e os olhou – Vocês já podem falar.

Levou alguns segundos para que além conseguisse ter voz.

- Professor... O que exatamente vamos aprender? – perguntou Harry

- Será similar ao que vocês fizeram no seu quinto ano, quando praticaram Defesa Contra as Artes das trevas por conta própria, mas dessa vez com odas as matérias mais importantes, e aprendendo com professores. Os ensinamentos serão mais profundos, haverá treinamentos práticos de todas as especialidades, além de planejamentos para o momento fatídico.

Ele olhou brevemente para McGonnagal e fez um aceno com a cabeça. Ela imediatamente entregou um pedaço de pergaminho para cada um deles, pigarreou, e comecou a explicar.

- Vocês estão recebendo instruções para que as aulas corram de maneira tranquila e eficiente. Afinal, um treinamento como esse que planejamos, jamais foi dado em Hogwarts. Está escrito aí, também, seu novo horário de aulas, que sofrerá alterações de acordo com a maneira como as aulas decorrerão, mas a quantidade de trabalho será sempre as mesmas. Parte das suas aulas regulares será suspensa. Não se preocupem, vocês revisarão e aprenderão praticamente todos os aspectos da magia nessas aulas especiais, com os mesmos professores

Ginny falou quando a McGonnagal fez uma pausa – Professora, como vamos revisar e aprender mais de tantas coisas ao mesmo tempo, em tão pouco tempo? Não sabemos quando você-sabe-quem vai chegar, talvez...

- Nossa agenda foi muito bem pensada exatamente por essas razões. Já vamos começar enfatizando a prática, as coisas simples, e vamos evoluindo aos pouco. Já nas primeiras aulas vamos ficar nas habilidades principais de cada um.

– Professora... – disse Rafaela, olhando para seu pergaminho – Essa agenda... É impossível!

Logo ao ler o horário do dia seguinte, Harry percebeu que havia alguma coisa errada:

De 0h a 4h00m – Defesas Especiais Gerais

De 4h00m a 4h20m – Lanche

De 4h20m a 8h – Revisões Gerais

De 8h a 8h30m – café da manhã no salão principal

De 8h45m a 10h15m – aula de transfiguração para todos, exceto Ginny (DCAT)

De 10h20m a 11h50m – aula de feitiços para todos, exceto Ginny (transfiguração)

De 12h a 13h – almoço no salão principal

13h30m a 15h – aula de DCAT para todos, exceto Ginny (feitiços)

de 16h a 21h – Descanso, Jantar e "Dormir"

16h a 18h – aulas especiais de Poções

18h a 18h20m – pausa/lanche

18h20m a 20h20m – Revisões Gerais

20h20m a 20h40 – pausa

20h40m a 23h40m – Treinamentos Especiais de feitiços e defesas

0h até 10h – Dormir e Tomar Café no salão especial

– Eu lhes disse que é uma agenda muito bem pensada. – McGonnagal disse ao perceber o espanto de todos

– Certo, muito bem pensada, mas… – começou Hermione, pensativa – Como vamos dormir e comer até as dez da manhã sem que ninguém nos veja?

– Para aqueles que não conhecem – e olhou mais firmemente para Harry e Hermione –, ou não se lembram de um pequeno objeto chamado Vira-Tempo...

– Aaah! – disse Hermione sorrindo – Acho que entendi. – e voltou a ler, mais aliviada.

– Como assim "acha que entendeu", Mione? – perguntou Harry – Nós não vamos sobreviver a cinco dias com essa agenda! – e olhou para a professora – Vamos?

A professora explicou que o vira-tempo seria utilizado para voltar as horas de acordo com o número de giros que dessem nele. Mostrou a pequena ampulheta para que familiarizassem com a mini-máquina do tempo. As que eles utilizariam eram programadas para fazê-los aparecer na sala de Transformações quando voltassem no tempo, portanto poderiam utilizá-las apenas em horários que não tivessem nenhum aluno em aula por lá. Por esse motivo, a sala de Transfigurações estaria sempre trancada fora do horário de aulas.

- Então eu vou estar dormindo durante a aula com Snape? – disse Ronald – Da hora!

- E eu vou tomar café da manhã e tomar café da manhã do meu lado em dois tempos diferentes? – riu Ginny

- Não, não, ninguém pode encontrar a si mesmo em tempos diferentes. – alertou a professora – É por esse motivo que essa sala existe. Sala de aula, sala comunal, mesa de jantar e até dormitórios. Vocês não podem ser vistos nem por vocês mesmos, está claro?

Todos concordaram em silêncio.

- É aqui que vocês estarão pela maior parte do tempo. – Dumbledore voltou a falar – Por quanto tempo for necessário. Considerem-se em casa, e não fiquem surpresos se ao final de um ano vocês... - e deu um sorrisinho – parecerem mais velhos. Afinal, seus dias terão trinta e nove horas. Quero que separem na sua bagagem, que já está na torre, as coisas mais importantes que deverão ficar em seus novos quartos. Vocês deverão ir até a sala comunal da torre e seus quartos todos os dias, nos momentos de folga, e fingir dormir lá. Depois de fecharem suas cortinas, vocês fugirão todas as noites, se encontrarão para usar o vira-tempo, retornarão às quatro horas da tarde, virão para essa sala e terão suas aulas. Como eu já disse, a agenda é temporária, dependerá dos resultados que tiverem individualmente e em grupo. Alguma dúvida?

- Um monte. – disse Ronald

- Vocês se acostumarão com o tempo. O vira-tempo ficará nas mãos de Hermione, que já tem mais experiência no seu uso. Suas aulas começam na terça. Deverão usar o vira-tempo e estar aqui para começar suas aulas à meia-noite.

Todos se espantaram um pouco com o horário, porém não tiveram coragem de reclamar sobre nada.

– E os finais de semana? – perguntou Ginny – Vamos ficar aqui dentro?

– Você estarão livres para ir a Hogsmeade à tarde, mas não poderão perder as aulas da meia-noite às oito da manhã. – respondeu McGonnagal

- Acredito que essas sejam as informações mais importantes nesse momento. – disse Dumbledore – Quero que saibam que todos têm escolha. Não estamos obrigando ninguém a participar.

- Oras, é lógico que eu vou participar! – disse Harry, e todos os outros concordaram

- Foi o que pensei. – disse Dumbledore com um sorrisinho – Como agora somos todos parte de algo tão grande, suas opiniões serão sempre válidas. Vocês são parte disso. E declaro que são, agora, oficialmente parte da Ordem da Fênix.

Todos se entreolharam sorrindo, o animo aumentando um pouco.

- Foi um dia longo para todos nós. Quero que vão para a sua casa e descansem bem. Hermione, você é responsável pelo vira-tempo. Na Terça, quero que juntem tudo o que quiserem trazer pra cá antes da aula da meia-noite, para que estejam pronto para a aula na hora. Agora vão.