Uma Fanfiction de X-Men Evolution de Seriana Ritani. Link do profile: ht*tp:*/*/*w*ww*.*fan*fiction*.*net/*u*/*1383030/*Seriana_Ritani
Sumário: Levemente pós-série. Mística libera a força total dos poderes da Vampira contra uma mulher desconhecida, deixando-a desamparada e longe de casa, em poder de um antigo inimigo e alterada para sempre. O incidente de Carol Danvers no estilo Evolution.
Capítulo 2
Vampira começou a acordar, mas não conseguiu terminar completamente a ação. Havia um rugido maçante em seus ouvidos, como um motor, embora isso pudesse ser o efeito colateral das drogas que a tinham derrubado. O barulho aumentava e sumia em intervalos irregulares, provavelmente conforme ela recuperava e perdia sua consciência.
Em um momento, quando o barulho estava particularmente alto, ela ouviu a voz de uma mulher dizer – uma voz baixa e mal humorada que ela reconhecia até mesmo na sua atual condição. "Vista-a nas suas próprias roupas."
"Nós precisamos fazer isso?" perguntou um rapaz que soava muito como o Lance, com certo tremor de terror na voz.
O barulho desapareceu novamente. Quando ele ressurgiu, ela se sentiu sendo movida e manipulada, embora vagamente, como se tivesse recebido uma injeção de anestesia na espinha. Seus olhos foram forçadamente abertos no processo, e ela viu Lance, ruborizando furiosamente, deliberadamente evitando seu olhar drogado.
Espere só até eu contar para Kitty o que você está fazendo, Vampira pensou, mas ela não pôde dizer em voz alta, assim como não pôde afastá-lo enquanto ele, Pietro e Pyro a vestiam com suas próprias roupas.
"Onde estão os sapatos dela, então?"
"Não sei."
"Era para você ter trazido!"
"Que seja! Você era quem estava todo mal humorado com a história do 'se apressar'!"
"Esquece. Ela pode vestir esses."
"Eles realmente não combinam."
"Porque você se importa?"
Mais silêncio. Mais zumbido no cérebro dela.
Então as coisas ficaram mais silenciosas. Vampira podia identificar uma dor na cabeça e outra no estômago, ambas provavelmente pertenciam a ela, e a partir desses pontos ela pôde supor onde o resto do seu corpo estava. O barulho foi embora. Alguém com luvas estava tocando sua face.
"Abra os olhos, Vampira", ordenou Mística.
Os olhos da Vampira se abriram, embora ela não estivesse cem por cento certa de que tinha sido ela a fazer a ação. O rosto da Mística estava muito embaçado.
"Levanta."
As dores de cabeça e de estômago mudaram as posições relativas.
"Venha comigo."
Tudo estava tão desfocado que Vampira não tinha como saber se ela estava indo a algum lugar, ou até mesmo se ela ainda estava de pé. Mas uma ocasional sensação de puxão no que era provavelmente seu ombro garantiu que a Mística estava segurando forte seu braço.
"Bom dia. Eu necessito de uma licença de visitantes para minha filha, por favor. Sim, mesmo sobrenome. Muito obrigada. Aqui vai você, Marie."
Mais puxões. Um retinir que deveria ser de um elevador. Um comando sibilado. "Tire suas luvas."
Eu preciso das minhas luvas, pensou Vampira, mas ela deve ter tirado-as de qualquer forma porque Mística não falou mais nada para ela.
Puxão. Barulho. Rostos se aproximando e se desvanecendo na neblina.
"Senhorita Danvers? Com licença, Senhorita Danvers!"
"Sim? Desculpe-me, mas não acho que nos conhecemos."
"Meu nome é Ellie Dale, da R&D. Perdoe-me por te incomodar – eu sei que você deve estar com pressa – mas minha filha, Marie, é uma grande fã sua e ela queria tanto te conhecer..."
"Ah, claro. Não, está tudo certo; eu tenho uns minutinhos. Olá, Marie."
"Não seja tão tímida, querida. Pegue a mão dela. Está tudo bem."
Não, não está! Se afaste de mim, seja lá quem você for! Não me toque! Não.
Tarde demais.
A consciência de Vampira retornou rapidamente ao seu corpo numa labareda ardente de dor. Na frente dela estava a mulher que Mística tinha chamado de "Senhorita Danvers". Ela só viu a face claramente por um segundo – um rosto bonito, cabelo loiro emoldurando-o e grudando nas bochechas devido ao suor que as cobria, olhos azuis brilhantes arregalados com terror, boca aberta num grito silencioso de dor. Vampira tinha um aperto mortal na sua mão. Ela podia sentir a corrente elétrica subindo rapidamente através do seu braço como canivetes pegando fogo, através do seu peito e dentro do seu cérebro–
Vampira gritou. Era um som que nunca tinha se ouvido fazer antes: duro, quase um ganido de agonia. Os músculos da sua mão e braço convulsionaram, afrouxando o aperto.
"Espere, Vampira!" Mística ordenou, e Vampira sentiu sua mão enrijecer mais uma vez. Gritando e gritando, ela tentou se forçar a soltar. Seus dedos tremeram e se torceram com dor e o conflito. Os dedos da Senhorita Danvers começaram a escapar, agora escorregadios devido ao suor que escorria de ambas.
"Não solte!" gritou Mística. Ela agarrou o pulso da Vampira com uma mão enluvada e o da Danvers com a outra, pressionando as palmas uma contra a outra.
A dor começou a diminuir. Vampira não podia parar de gritar. Até sob o efeito de drogas, da dor, do medo, ela sabia instintivamente o que significava o alívio que se aproximava: Miss Danvers, quem quer que ela fosse, estava morrendo.
A corrente elétrica que queimava agora recuava das suas pernas e do braço esquerdo, drenada pela sua cabeça, condensada numa fina linha ardente que ia da palma da sua mão até seu coração, e então desapareceu inteiramente. O rosto de olhos azuis afundou-se num nevoeiro e então estava perdido. Vampira gritou. Mesmo depois de ter sentido uma picada de agulha em seu braço e de ser engolida pela escuridão da inconsciência, ela podia ouvir os ecos de duas vozes angustiadas reverberando através da sua mente.
O ruído do motor estava de volta quando a sua consciência começou a reafirmar-se. Suas dores haviam sumido. Sua mente estava clara, só um pouco confusa por estar adormecida por muito tempo.
Eu estou provavelmente num avião.
Ela espiou com um olho aberto para confirmar sua hipótese. Ela estava deitada num piso de metal sob um teto de metal curvado, próxima a uma enorme torre de computador.
Sim. Avião. Seus olhos se desviaram até um logotipo próximo ao topo do computador. 56-320 avião espião. Eu me pergunto como ela conseguiu um desses. Porque ninguém percebeu que um avião espião estava faltando?
Ela se sentiu particularmente despreocupada. Um avião em pleno voo não era um problema de forma alguma. Seria uma queda fácil até o chão. Não deveria ser mais do que três quilômetros até lá; havia bastante atmosfera ainda. Ela podia quase ver as paredes de metal em volta dela se contorcerem e se curvarem com a força dos ventos lá fora. Era frágil como papel. Ela podia rasgá-la e abri-la com uma mão só...
E ela o fez.
O vento a pegou quase que instantaneamente e a sugou do avião, atirando-a para longe da explosão dos motores. Ela deu uma boa olhada no avião antes de cair abaixo dele, sendo arremessada, na seqüência, como se estivesse numa piscina com ondas. Era divertido. Ela sentiu uma súbita necessidade de gritar "Whee!" no momento em que seu corpo completamente relaxado fez uns movimentos de vai e vem e então se estabilizou nesse negócio de cair. Iria levar um longo tempo até ela atingir o chão.
Ela decidiu voltar a dormir.
