1 — O sonho da pequena sereia.

O lago era lindo. Apesar de Teddy só poder visitar as proximidades do Portão, ele se sentia feliz em ver as criaturas que ali viviam. Ele não gostava dos sereianos, que sempre estavam bravos e colocavam a ele e aos amigos para correr.

Naquele dia, em particular, ele estava procurando por coisas de humanos, os pequenos tesouros que ele e Lorcan sempre caçavam. Lorcan era seu melhor amigo, companheiro para todas as aventuras, ele tinha medo, mas nunca revelava, pois queria mostrar a Lysander que era um caçador.

Teddy carregava sua pequena sacola vermelha, feita de um material brilhoso e delicado, ele a tinha achado em um dos navios próximo à grande floresta humana, que ali em baixo era proibida.

Enquanto nadava pelas correntes, ouviu alguém se aproximar rapidamente. Ele se escondeu numa formação rochosa, esperando para reconhecer o intruso. Viu que era apenas Lorcan, com os cabelos presos em uma trança que antes parecia ser um monstro com nadadeira na cabeça.

— Você não me esperou Teddy. — Lorcan esbugalhou os olhos e puxou os lábios para baixo, numa careta triste, aquele olhar perdido de enguia quando fica para trás no cortejo.

— Meu pai ia me descobrir e você não chegou nem mesmo depois que os raios de sol começaram a se infiltrar no lago. —Teddy sorriu para o amigo, ele sempre dormia demais.

— Está certo, vamos, mas se você não me esperar amanhã eu vo... Eu vo... —Lorcan não terminou, porque Teddy já estava nadando para longe, e seu riso ecoava nos destroços, ele, sem outra coisa a fazer, começou a nadar cada vez mais rápido.

Lorcan era gêmeo de Lysander, eles eram filhos de uma das filhas adotivas do rei Tritão, que sempre tomava por suas as crianças que perdiam os pais. Ninguém sabia como Luna tinha chegado ao Portão, mas todos sabiam que ela era muito avoada. Os meninos eram frutos do amor dela por um humano, Rolf Scamander. Os meninos acabaram por ser sereias que às vezes podiam possuir pernas.

Os dois estavam em um pequeno navio. Este não tinha o tamanho dos outros, era pequenino, provavelmente só um humano usava. Não tinha aquela coisa engraçada que dava para se enrolar, não tinha aquela coisa de madeira no meio, só tinha a parte de baixo, e duas coisas estranhas em formato de braços e mão sem dedos.

Eles acharam apenas um daqueles zarizinósios, que o tio Sirius falava tanto, que tinha pequenos simbolozinhos que contavam histórias. Mas esse era diferente, só tinha figuras, pareciam algas, mas o tio Sirius dizia serem plantas.

Depois de muito nadar de um lado para o outro, eles acharam um pequeno crutalêncio, de enfiar no dedo, que o tio dizia poder ser colocado no dedo de uma menina para pedir a ela em casamento.

— E casamento era o que o papai tinha feito com a mamãe, antes de ela morrer sugada num redemoinho de peixes cavernosos.

— Isso. Você acha que vai pedir alguma menina em casamento?

— Eu não, não gosto de meninas, elas são chatas e frescurentas. Titio não casou com uma menina, eu também não quero. Eu quero casar com um lindo príncipe, que nem aquele do zarizinósios.

— Mas ele casou com o... Você sabe. E aquele príncipe tem pernas, você não tem pernas.

— Eu sei que não tenho pernas, não precisa me lembrar disso. E é Tio Sev, eu não sei por que você tem medo dele. Ele não ri, mas faz o tio Sirius feliz. —Teddy coçou o nariz e isso só podia significar uma coisa. — LULAAAAAAAA!

Os dois saíram correndo dos destroços, não era fácil fugir da lula, ela era gigantesca e aqueles vários tentáculos bloqueavam o caminho. Eles nadavam em espiral, cruzando para dificultar o trabalho da lula.

Quando estavam quase no portão, Sirius apareceu e com um aceno de sua varinha, fez com que a criatura se virasse e fosse embora. Ele esperou pelos dois, pois estavam encarando Lysander, que se escondia atrás de Sirius.

— Vamos entrar. Os três são aguardados na câmara central.

Teddy suspirou, ele ia ouvir e muito agora.