N/A: Eu não poderia deixar de dedicar o capítulo à mamys Lety, que me ajudou muito, principalmente nos diálogos entre as meninas, na chegada e duração da festa, e a quem comentou. Muito obrigada mesmo! Vocês nem têm idéia do quanto me deixaram feliz :D
Capítulo 2 - No shopping
Lílian caminhava pelo shopping cheio, com pessoas estranhas, bonitas, feias, excêntricas ou simplesmente recatadas. Um garoto encantador ali, uma gótica com um estilo legal lá, uma velhinha caquética de um lado, um quarentão charmoso passando por perto, um cara estranho que olhava para todos os lados como se esperasse ser atacado por um vampiro a qualquer instante... Via tudo e todos - ou pelo menos quase. Certo, nessas horas pensava em quanto os shoppings lucrariam com a população crescendo tanto... uma legião de consumistas, para variar. Parecia só não ver quem lhe interessava: suas amigas, que certamente faziam parte do grupo dos excêntricos.
Repentinamente, avistou duas garotas morenas na fila de ingressos para o cinema. Olhando mais atentamente, ela viu que só podiam ser Marlene e Lisa.
Aproximou-se, animada.
- Lene! Lis... - As duas garotas viraram-se, erguendo a sobrancelha. Definitivamente, aquelas não eram Marlene e Lisa.
Lílian, desconcertada, acenou para o nada, abrindo caminho entre as pessoas para chegar a um lugar qualquer.
"Ahh, meu Deus, eu não acredito que eu fiz isso! Eu não posso acreditar... Como pude ser tão... boba?". Começou a rir sozinha, rindo ainda mais quando alguém a olhava estranhamente, como se estivesse drogada ou algo do tipo.
Olhou para a frente, no exato momento em que via três garotas de pé, conversando. Tinha certeza que eram Lisa, Lene e Ana, ainda mais quando as viu com um sorvete de cada saber na mão – Lisa com um sorvete de creme, Lene com um de chocolate, e Ana com um sorvete de morango. Só faltava seu sorvete de ameixa para completar o grupo.
Aproximou-se silenciosamente (com a agitação e o barulho do shopping invariavelmente lotado, isso não era lá muito difícil) atrás das amigas. Apoiou suas mãos no ombro de uma delas, pulando e colocando todo o peso de seu corpo naquele rápido movimento.
- AAAAAAAAAAAAAH! LILY, SUA MALUCA! QUASE ME MATOU DE SUSTO!
- Faria um bem pra humanidade! – Marlene comentou, entre risadas.
- Finalmente você chegou! Achamos que havia sido abduzida pelo taxista-E.T...
- Hey, ninguém se importa com a minha dor? Com o meu susto? Com o meu quase enfarto? – Lisa falava, gesticulando exageradamente enquanto Lily e Marlene estavam tendo crises de riso. - Só a Ana me entende... – Ela chegou para a abraçar a amiga, quando esta afastou-se rapidamente.
- Como se eu fosse psiquiatra... – Ana revirou os olhos, com um sorriso no canto dos lábios.
Depois de alguns resmungos e muxoxos de indignação, o quarteto fantástico passou a andar pelo shopping, conversando, rindo e brincando, olhando as lojas e fazendo comentários a cada pessoa inocente que passava sem saber que era motivo das escandalosas risadas.
- Meninas, temos que nos apressar, esqueceram-se do encontro? - Marlene corou diante dos olhares assassinos que Lisa e Ana lhe lançaram. - Oops...
- Encontro? Que encontro? - Lily perguntou, curiosa.
- Bem é que a gente... - Marlene desistiu de falar no meio da frase, quando recebeu uma cotovelada de Lisa. - É que eu vou me encontrar com o Diggory!
- Com o Diggory? – Lily franziu a testa. – Que coisa estranha.
- O quê?
- Ah, nada. Eu que achei que tinha visto ele com a Sophie... - Lily abanou a mão, em sinal de descaso. - E quando marcaram?
- Ahh... ahh, outro dia, na escola, ele falou comigo... por um bilhete, sabe, mas com certeza a senhorita certinha não quis olhar para não perder a explicação de algum professora, ou eu esqueci de mostrar mesmo... Na verdade, eu nem lembro, mas deve ter sido qualquer coisa assim.
- Nãão, quando vocês marcaram de se encontrar, sabe, a que horas e tal.
Lisa lançava-lhe olhares apreensivos a todo instante, e Ana disfarçava, embora parecessem escapar algumas faíscas fuzilantes para a garota...
- Ohh, sim, a hora... umas oito e meia mais ou menos...
- Oito e meia? Ainda faltam umas duas horas; não sei porque você estava com pressa...
- É, é mesmo, eu estava com pressa à toa... mas você sabe, as pessoas precisam ir muito bem arrumadas para um encontro, e ainda quero andar aqui...
- Lene, você está com algum problema?
- Eu? Eu não! Claro que não. Por quê?
- Sei lá. É que de repente você ficou tããão ansiosa para esse encontro. - Ela ergueu a sobrancelha. – Ou tem alguma coisa que eu não sei?
Marlene ruboresceu instantaneamente.
- É claro que estou ansiosa! Lily, é o Diggory, você tem noção disso? Euzinha vou sair com o Diggory! Não é qualquer encontro, é O encontro...
Lily riu.
- Humm, é bom mesmo... Mas então vamos, o que estamos esperando?
- Realmente, a gente só perdeu tempo aqui. - Lisa passou à frente e começou a conversar com Lílian, caminhando a seu lado, enquanto Ana ficava para trás, ao lado de Marlene.
- Marlene... você por acaso já pensou no que vamos dizer a ela, e qual será a reação dela, ao saber que você, ou melhor, nós, mentimos? Quero dizer, você sabe muito bem o quanto ela é calma.
- Er... eu não tive outra saída!
- Só espero que você arrume uma saída para isso também.
- Heey! – Lily cruzou os braços, olhando para as duas. – Posso saber o que vocês estão fazendo aí atrás? Achei que era justamente você quem estava com pressa, Lene!
- Nós... só...
- É, ela está. Até demais. Eu estava tentando tranqüilizá-la, antes que faça besteira. Não é, Lene?
Marlene acenou afirmativamente com a cabeça.
As garotas caminharam em silêncio por alguns minutos, o que Lily estranhou bastante, vindo do grupo de amigas excessivamente animadas...
- Agora, falem sério, o que vocês estão aprontando?
As três se entreolharam, apreensivas, e Marlene deu de ombros.
Lily encarou-as com a sobrancelha erguida, agora visivelmente desconfiada. Quer dizer que elas estavam mesmo aprontando algo?
- Se contarmos, você promete que não vai matar a gente? - Lisa deixou escapar, inquieta.
Ana e Marlene a encararam, de olhos arregalados e expressões fuzilantes.
- Só vai saber se arriscar. Mas fique tranqüila, se for pra matar eu mato de uma vez, não espero todo o seu sangue secar, ou você morrer devagar, olhando no fundo de seus olhos até o último segundo que eles brilharem ou coisa assim... Prometo que será uma morte rápida, e sem muitos espectadores...
- Lily!
- Nem vem, agora você já começou e tem que terminar!
- Bem... sabe... é que você demorou demais.
- E daí?
- É que a gente teve que arrumar alguma coisa pra fazer, sabe...
- E...?
- Humm, a gente não teve culpa de passar em frente à loja de eletrodomésticos.
- Quer parar de enrolar?
- Eles disseram que a agência era no shopping, e que era a mega festa do ano, como é que podíamos resistir?
- Marlene, se você não quiser ter uma morte lenta e dolorosa...
- O encontro é seu!
- O QUÊ? EU vou sair com Amos Diggory?
- Que Amos Diggory o quê! Tipo, ele se parece muito mais com você do que o Diggory. Mesmo que ele seja bonito e tudo mais.
- Será que vocês poderiam me dizer exatamente o que fizeram?
- Nós vimos a propaganda da agência e fomos lá conferir. Achamos que você está muito estressada e tristonha desde o término do seu namoro com o Gideão, eelas resolveram te inscrever naquela agência de namoros; Juntando os Pardaizinhos, eu acho.
Lisa sussurrou rapidamente:
- Os Pombinhos, Ana, os Pombinhos!
- Que seja. Bem, eu avisei, mas quando é que elas me ouvem?
Lily estacou, com os olhos arregalados e a face ruborizada.
- Vocês não estão falando sério.
- Não?
- Nãão, não.
- Ééé, claro que não!
- Não mesmo?
- Bom, não sobre a parte... Uhm... É, acho que estamos sim.
- COMO ASSIM VOCÊS ME INSCREVEM AGÊNCIA DE NAMOROS? Vocês ficaram malucas? Ainda por cima sem a minha permissão?
- Bem... foi mais ou menos isso... - Lisa começou.
- Mais ou menos? - Lily mirou-as ameaçadoramente.
- Lily, lembre-se de que você tem um encontro hoje, tem que estar super relaxada...
- Eu tenho um encontro hoje? Ah, vão se ferrar!
- Lílian!
- Você sabe que eu odeio quando vocês me chamam de Lílian!
- E você sabe o quanto nós odiamos quando você estressa?
- Vocês se meteram no que não deviam!
- Nós somos suas amigas! - Lisa gritou, enfurecida, e houve silêncio por alguns instantes.
- Olha o que vocês fizeram comigo! Alguma de vocês ia gostar e ir ao tal encontro se eu tivesse feito isso?
- Estávamos tentando ajudar – Ana falou, magoada.
- Certo, vocês tentaram me ajudar... Mas custava pedir pelo menos minha opinião sobre a minha vida, os meus encontros e saber se eu ao menos quero um relacionamento agora?
- Lily, você nunca ia concordar!
- Exatamente!
- Mas é óbvio que você quer! Acha que não estamos vendo o quanto você está mal? Não vai esquecer seus problemas se ficar sentada em frente ao computador, esperando seu príncipe encantado aparecer! A melhor coisa que você faria agora é conhecer alguém especial...
- E alguma de vocês sabe se esse tal alguém é especial, ou pelo menos sabem alguma coisa sobre ele? Imagina se me aparece algum safado disfarçado de bom moço, ou feio, banguela e carequinha? Meu Deus, eu enfarto!
Marlene revirou os olhos.
- É claro que sabemos, ou acha que nós procuramos só um nome bonitinho naquela lista enorme?
- É, o nome dele nem é muito legal.
- Demoramos um tempão procurando alguém que combinasse com a senhorita naquela coisa sem fim, e é esse o agradecimento que recebemos? Hunft!
- Como assim alguém que combina comigo? Vocês por um acaso procuraram algum ruivo de olhos verdes, ou qualquer coisa do tipo?
- Lily, por que é que você acha que a lista era imensa? Tinha perfis, criatura! - Marlene riu, enquanto a amiga corava, constrangida, disfarçando com um acesso de raiva.
- E como é que eu ia saber? Eu não saio por aí tentando arranjar namorados imaginários e desconhecidos para as minhas amigas, tá? E se for algum cara perigoso, ou pior, possessivo?? Alguma de vocês pensou nisso?
- É claro que eu pensei, mas, como eu já disse, elas não me escutam! – Ana se defendeu.
- Ahh, Lily, sério, que coisa careta! Você só pensa "nos perigos e na insegurança das coisas que a tecnologia da atualidade oferece"... Céus, você parece uma velha! - Marlene revirou os olhos.
- E vocês são umas irresponsáveis!
- Dá pra me tirar desse meio, por favor?
- Oh, claro, Ana. Você é a única responsável aqui... Tirando o fato de não fazer absolutamente nada para impedir essas duas malucas de fazer besteira!
- Com se eu pudesse agarrar o pescocinho delas e convencê-las a fazer o que é certo... Ah, Lily, você está mesmo precisando de alguém, que coisa!
- Até você, Ana? Até você contra mim?
- Heeey, contra não! - falou Lisa. - Nós estamos é a seu favor, porque se dependesse de você, casava-se com qualquer bibliotecário que tivesse uma mansão entupida de livros...
- Ahh, como vocês são exageradas!
- Dê graças a Deus por você ter amigas como nós, isso sim...
- Menos, garotas, bem menos; de preferência, nada.
- Ok, mamãe...
- Lene, sabia que eu odeio suas ironias?
- E por que é que você acha que eu sou irônica, mamys?
- Oh, céus, estou perdida.
- Ahh, é bom mesmo que admita! Mas nós vamos resgatá-la, salvá-la dessa depressão horrível, desse deserto sem fim em que você se meteu... E o primeiro passo é comprar algumas coisinhas para esse encontro, é claro.
Elas subiram nos degraus da escada rolante que as levava para o segundo andar do imenso shopping onde se encontravam, ainda conversando – ou, melhor dizendo, discutindo.
- E como é que vocês pretendem pagar tudo isso? Não, porque eu não vou pagar um centavo do que vocês vão gastar com isso. Primeiro que eu não queria encontro nenhum, e segundo que eu tenho roupas em casa, tá?
- Lily, você vai a um encontro, e, diga-se de passagem, ele é lindo! Não é?
Lisa concordou imediatamente, enquanto Ana permaneceu inexpressiva.
- Você não achou, Ana?
- Lene, eu já não falei que eu não gosto de medir as pessoas pela aparência?
- Mas, no caso, estamos falando especificamente da aparência dele! Além do mais, o perfil é tão parecido com o da Lily...
- Vocês fizeram um perfil pra mim???
- Lily, você tem uma personalidade, ou já esqueceu disso?
- Ahh, bom... Não, porque do jeito que as coisas vão indo, eu achava bem provável que vocês me inscrevessem nesse negócio também... - A ruiva meneou a cabeça, irritada. - Aí sim eu mataria vocês três.
Lisa sussurrou - não tão baixo assim - no ouvido de Marlene:
- Contamos pra ela?
- Vocês por acaso fizeram isso? - Lílian perguntou, vermelha, enquanto saíam da escada rolante.
- Bem... é que não pudemos resistir, sabe... Porque, se não desse certo com esse, pelo menos teríamos uma garantia, sabe como é, não?
Lílian ficou ainda mais vermelha, pronta para começar a brigar ali mesmo, quando as outras três começaram a rir.
- É claro que não, sua boba!
- Tsc, tsc, é tão fácil te irritar, Lily...
- Melhor do que isso: é tão legal te irritar, às vezes..
A ruiva estava quase da cor de seus cabelos, ainda mais irritada pelo comentário.
- Gente, ela precisa de sapatos. Vamos? - Ana perguntou, tentando apaziguar a situação.
Seguiram no mais completo silêncio até chegar a uma loja imensa de sapatos, onde entraram. Lílian foi para o outro lado, separando-se das outras.
- Você acha que essa irritação logo passa?
- Eu avisei para vocês; ela está se irritando muito fácil.
- É, mas você só fala também.
- E se eu tentasse impedi-las, vocês por um acaso deixariam?
- Bem...
- Não - as duas falaram juntas.
- Mas isso não quer dizer que estejamos erradas. Apenas... nos enganamos um pouquinho.
- Não vamos atrás dela?
- Acho melhor a gente deixá-la sozinha por enquanto. Logo veremos se ela recuperará o bom humor, ou se voltará ainda pior - por incrível que pareça, isso é bem possível...
N/A: Uhm, bem melhor que o outro, certo? Espero que tenham gostado:D
O próximo capítulo tem confusões entre James e Lily. Um esbarrão, um salto quebrado, dois vendedores bobocas e muita discussão – e eles nem imaginam que vão ter que se agüentar por mais alguns capítulos... xD
Capítulo 3: Desastre na loja de sapatos
"E depois sou eu o culpado de tudo! Se ele não percebeu, quem estava me culpando era ele, e não o contrário. E o Remus não aceita ajuda, mesmo sabendo que, se a gente deixar, ele leva um computador pra uma montanha num vilarejo deserto e fica por lá mesmo. Quero dizer, trabalho e livros ele arranja na Internet. E o Pedro só sabe correr atrás do Sirius. Será que não existe ninguém normal como..."
Cataploft!
"...eu?"
