Disclaimer: The GazettE não me pertence. Essa fic não tem fins lucrativos e bla bla bla
Sinopse: Quando um beijo roubado ameaça a reputação de um dos integrantes do The GazettE, todos se voltam contra Uruha. Mas quando a vida daquele a quem maltrataram está em risco percebem que cometeram um grande erro para o qual talvez não haja volta, principalmente para Aoi que descobre amá-lo. - The GazettE, AxU - YAOI.
Notas: Essa fic foi publicada no Nyah Fanfics originalmente em 03/01/2011 e terminada em 11/01/2011 mas como o site proibiu as fics de banda...
POR UM FIO
Capítulo 2.
Os dias foram se passando. Uma semana completa, com todas as horas devidamente percebidas por todos. Um hospital fazia com que todo o tempo passado ali fosse perceptível, sem qualquer distração.
De qualquer modo, distração não era o que estavam procurando. Não queriam nenhuma espécie de alívio diferente da que torciam para que acontecesse. E de certa forma, as coisas estavam caminhando. Devagar, mas estavam chegando a algum lugar.
Kouyou ainda não recobrara a consciência, mas aos poucos estava melhorando. Seu corpo respondia aos cuidados médicos lentamente, assim como os ferimentos visíveis estavam cicatrizando, fazendo com que alguns riscos diminuíssem, e a situação não ser tão devastadora à primeira vista, como quando puderam vê-lo pela primeira vez.
Ainda não conseguiam esquecer-se da reação da família dele... escutar o choro de sua mãe e duas ou três maldições impronunciáveis na voz do senhor Takashima eram esperados, mas tinham um impacto emocional maior do que poderiam esperar.
Não havia como prepara-los para aquilo, havia?
Fosse como fosse, aquilo havia passado. E como naquele dia, cuidar deles era o mínimo a ser feito, além de ser também uma forma mínima de expiar a culpa. Uma forma de ser útil, especialmente para Reita que dentre os quatro era o mais indicado para tal. Como Kouyou e ele eram amigos de infância, não faltava intimidade para se aproximar.
De qualquer modo, não faltava o que fazer para ninguém. Cuidar de Uruha e dos que cuidavam dele era uma tarefa digna, e cabível até mesmo para quem se sentisse deslocado, como Aoi. Estavam atentos e próximos o bastante para qualquer coisa que pudessem pedir ou precisar.
Quanto ao tempo... era melhor nem pensar nisso. Melhor evitar os desalentos, não nutrir expectativas exageradas. Kouyou não melhoraria do dia para a noite. Tinham de ter paciência. Até o momento já tinham mais do que pensavam ser possível.
No final daquela semana, por mais que o estado de Uruha ainda pedisse cuidados, as visitas foram liberadas. Fora uma boa surpresa, afinal poderiam estar mais presentes.
Houve um consenso silencioso a respeito de nunca deixa-lo sozinho. Sem que fosse preciso dizer qualquer coisa, apenas revezavam-se. Havia sempre uma pessoa no quarto acompanhando o loiro, fosse da família ou da banda, enquanto praticamente todas as outras ficavam no corredor ou na sala de espera, mesmo que pudessem perfeitamente ir para um hotel e descansar e até mesmo fossem encorajadas a tal. Porém, geralmente a oferta era recusada até o momento onde a exaustão era mais forte e precisavam se permitir o conforto de um banho ou algumas poucas horas de sono.
Todos tinham sua vez para ficar ao lado do loiro. A poltrona ao lado da cama dificilmente estava vazia, somente quando os médicos determinavam. Havia diversas formas de se demonstrar afeto e cuidado, compatíveis para todo tipo de personalidade então não havia menos que carinho de cada um. Todo o cuidado que lhe faltara por tanto tempo.
Aoi não estava isento dessas visitas, sequer tentava. Também tinha o seu tempo com o loiro, embora não se sentisse digno de tal. Quando entrava no quarto e o via naquele estado inevitavelmente sofria um baque. Como se com isso, sempre estivesse reafirmando suas culpas, revendo e contabilizando atos e consequências. E como Yuu nunca as negara, sempre acumulava forças para ocupar seu lugar na poltrona ao lado dele.
Sentava-se, dizia-lhe que estava ali e por alguns minutos caía em um silêncio profundo, absorto em um ritual só seu. Observava cada ferimento, notando como cicatrizavam e ficando pouco aliviado ao notar aquelas marcas desaparecendo. A beleza de Uruha se assemelhando novamente a de um anjo intocado. Uma comparação que sempre fizera em sua mente, mas que em meio a tantas coisas acabou se perdendo, assim como seu raciocínio. Se estivesse mesmo raciocinando, não teria feito tantas bobagens.
Havia estragado tudo e mal ousava pensar que havia conserto. Não da forma que queria. Esperava apenas que ele acordasse e diante disso já estaria muito feliz. No mais, nem se sentia no direito de querer ou esperar algo de Kouyou. Nem poderia depois de tudo.
Naquela noite seria particularmente difícil. Seus pensamentos estavam mais velozes, de uma forma da qual não conseguiria se livrar e na verdade nem queria. E diante disso, sorriu tristemente ao olhar para o jovem inerte. Um anjo intocado e adormecido.
Tentava não pensar no loiro como sendo inalcançável, porém não era muito plausível diante das circunstâncias. Não sabia se ele era capaz de ouvir o que acontecia ao seu redor ou se simplesmente estava imerso em seu próprio mundo. Yuu sabia como ninguém como o loiro era fechado, introvertido. Ninguém sabia ao certo como sua cabeça funcionava ou no que ele estava pensando. Volta e meia o via de relance, com o ar distraído que lhe era tão peculiar e com o qual lhe conquistara aos poucos.
Conquistara, pois não tinha mais dúvidas de que as coisas tinham mudado. Sentia algo mais. Queria algo mais mesmo que esse algo viesse de outro homem.
Francamente, não achava que estivesse em idade de sentir aquilo que Ruki chamara de "confusões", como expusera de alguma forma ao compor Miseinen, mas há muito já tinha aceitado que a vida era capaz de pregar peças e destroçar tudo aquilo que lhe parecia concreto.
Um simples beijo, de poucos segundos. Suficiente para confundir toda sua mente sem que houvesse chances de fuga. Quanto mais tentava fugir, mais preso ficava naquela teia.
Aoi descobrira que não queria mais fugir e era uma pena que tivesse sido tão idiota em desperdiçar algo que talvez pudesse ser tão bonito... por covardia. Uruha não era daquelas pessoas que demonstravam afeto tão abertamente, então aquele beijo significava algo mais, não?
E jogara tudo fora... em nome de uma reputação da qual ninguém realmente acreditava.
Suspirou triste olhando para o rapaz deitado no leito e alheio a tudo. De fato, inalcançável. A pele branquinha parecia lhe chamar, implorando por um toque. E mesmo hesitando, Yuu não foi capaz de resistir.
Seus dedos alcançaram os cabelos loiros espalhados pelo travesseiro, em uma carícia tão leve que mais parecia ser fruto de uma imaginação fértil. Depois, lentamente se dirigiu ao rosto de Uruha, tendo extremo cuidado para não resvalar em qualquer ferimento, temendo que pudesse infeccionar ao menor toque.
Era absurdo que aquela pele macia e delicada pudesse ser maculada daquela forma. Era absurdo que alguém como Uruha sofresse um acidente como aquele e estivesse preso naquele sono. Inconcebível que pudesse pensar em "nunca".
– Me perdoa, Kou-chan... gomenasai. – a voz soou em um sussurro embargado. Não aguentava mais guardar aquilo para si e sentia-se na obrigação de ser o mais verdadeiro possível estando ao lado dele. – Me desculpa.
Acarinhando-o mais uma vez, tendo mais tempo para suas próprias percepções e permitindo-se sentir algo além de culpa, acabou notando algo errado. Uruha estava... quente. Quente demais.
Febre.
Gritar por ajuda foi tudo que pôde fazer.
ooOOoo
Algumas horas se passaram desde que o levaram do quarto, e não houve nenhum conforto em saber que a febre de Kouyou era indício de uma infecção que poderia matá-lo. Devido a isso ele deveria voltar para a UIT e permanecer em isolamento, portanto as visitas deveriam ser suspensas.
Todos precisavam se consolar de alguma forma, porém o esforço era para preservá-lo. E o bem de Uruha estava acima de tudo, mesmo que estivessem novamente restritos à sala de espera. Um se apoiando no outro, como tinham aprendido a fazer naqueles últimos tempos, quando individualidade parecia ser algo impraticável.
Se precisavam esperar, era melhor tentar guardar as energias e tentar fazer daquilo o tempo mais sereno possível. Cada um ao seu modo, um cuidando do outro e tendo até mesmo pequenos momentos de descontração por saberem que a tristeza absoluta não tinha serventia. Alguns pequenos sorrisos poderiam ser vistos furtivamente, à medida que compartilhavam histórias e lembranças do rapaz a quem todos esperavam, como se a cada momento ainda conseguissem descobrir mais coisas sobre aquele loiro fechado. Como espectadores de um filme que se desenrolava aos bocadinhos, em um enredo que se tornava triste com o passar das horas.
O enredo era dramático, mas quem sabe não pudesse ter um final feliz?
E alguns dias ainda se passaram antes que acontecesse. Sem aviso ou qualquer coisa que lhes parecesse mais que resquícios de fé e pensamentos positivos por vezes tão incabíveis.
Uruha acordara. Simples assim. Inesperado como só ele conseguia ser.
Acordara sozinho, quando não havia ninguém por perto lhe monitorando. Imaginações mais férteis tentavam supor quais foram as suas reações, porém sabiam que o loiro costumava escapar ao senso comum. A alegria por saberem que estava finalmente acordado não fora suplantada pela necessidade de manterem-no isolado devido à infecção. Mesmo ainda havendo riscos, era como se o pior já houvesse passado. Kouyou fora forte para superar a pior parte, de forma que era mais fácil sustentar a confiança outrora tão incerta. Tão mais fácil que já se permitiam um pouco de humor.
Kouyou reagia bem aos cuidados, conversava com os médicos e respondia as perguntas com clareza, embora por vezes algum remédio parecesse afetá-lo. Sorria para a família nos momentos em que lhes permitiam vê-lo, protegido pelos vidros do isolamento e até conversavam um pouco. O mesmo com os companheiros de banda, porém o clima definitivamente não era o mesmo, especialmente para Aoi.
A expressão do loiro era séria quando o viram acordado pela primeira vez, como se não soubesse o que esperar, ou simplesmente não esperasse mais nada. Sorrira apenas depois de algum tempo de conversa, e de forma tão miúda que não parecia mais do que o ato de repuxar os lábios, desesperançoso. Algo que só mudou um pouco após aparentemente notar a preocupação que seu acidente provocara entre eles. Aquele primeiro sorriso, que em nada parecia os sorrisos típicos de Takashima Kouyou teve de ser conquistado à duras penas e esse apenas era o primeiro passo entre muitos que deveriam dar para que o loiro voltasse para eles, especialmente para Yuu.
O moreno tentava não se importar: tinham muito para conversar e com certeza uma UTI não era o lugar mais indicado para tal, sem contar que tais visitas eram breves. Precisava apenas esperar mais um pouco.
Mais alguns dias se passaram até os médicos constatarem que a infecção regredira e levarem o loiro para um quarto comum. A alegria de cada um deles vendo a maca trazendo o guitarrista era imensurável e o próprio Uruha pareceu realmente feliz em sair daquele isolamento e com a recepção brincalhona de sua família, que fazia piadas sobre "a forma triunfal com que resolvera chegar para comemorar seu aniversário", ou sobre ser "tão lento que se atrasara semanas", e também por supostamente ter escolhido um local no mínimo excêntrico para comemorar. De acordo com Reita, eram as piadas comuns, nada que já não estivesse acostumado a ouvir e encarar de forma bem humorada.
Os companheiros o observavam como se de alguma forma estivessem fora de tudo aquilo ainda que tivessem vivido a mesma angústia da espera. Esperavam por alguma coisa do loiro, algum gesto em permissão, qualquer coisa. E a permissão veio de forma despretensiosa, quando o loiro pediu que se aproximassem também pois, com a distância que eles estavam da cama, se realmente pretendessem conversar seria difícil falar sem ter de gritar e isso não seria muito prudente dentro de um hospital. Um pedido feito de maneira sarcástica, porém imediatamente obedecido.
Um bolo branco, típico dos aniversários comemorados na PSC foi levado até o quarto. Era pouco maior que o de costume por intervenção de Kai, e assim todos pudessem se servir. Ninguém quis que o aniversário do loiro passasse despercebido, mesmo que a data certa tivesse passado no que mais pareceu ser um nevoeiro confuso. O guitarrista retribuiu a gentileza do amigo com um sorriso singelo, sem dizer nada contrário ao presente. Uma reação já esperada pelo baterista, pensando que o loiro não se sentiria tão desconfortável pois também teria a família por perto.
Kai lembrava bem daquela última conversa antes do acidente e sabia que não haveria hipocrisia nenhuma na presença dos outros companheiros. Esperava realmente que Kouyou percebesse... talvez a mão enfaixada de Reita fosse uma boa demonstração do que haviam sentido. O aparato não passara despercebido ao loiro, que perguntou discretamente sobre o ferimento, fazendo uma careta ao ter a resposta, como se por alguns segundos tivesse tentado se colocar no lugar do amigo, pouco antes de chama-lo de "idiota". Uma troca de ofensas comuns em amizades antigas. Um bom indício de aparente normalidade.
Os companheiros mantiveram-se próximos o tempo todo, especialmente Reita, ansioso para se retratar de alguma forma com o amigo. Puxavam conversa, riam um pouco. O clima não parecia cerimonioso entre eles, mas não era de todo natural. Não houve perguntas, o que facilitou um pouco para ambos. Ninguém fez perguntas ou cobrou respostas. Sabiam que o loiro não havia esquecido e nem esqueceria, porém o fato dele permitir que estivessem tão próximos era um bom sinal e diante disso não queriam forçar nenhuma situação e deixaram isso bem claro por gestos. Talvez fosse melhor que as coisas acontecessem naturalmente.
De fato, tudo parecia estar se encaixando, ainda que parecesse fora do tom. Especialmente para Yuu. Era incômodo, mas por hora era o melhor a ser feito e de qualquer forma nem poderiam permanecer ali indefinidamente.
Compromissos os esperavam, e mesmo que Kouyou não pudesse comparecer deveriam ser cumpridos. Os médicos garantiram não haver mais riscos e prometeram que o loiro teria alta em breve, sob recomendação de algum tempo em repouso. Kai e o empresário garantiram que poderiam cumprir grande parte da agenda sem sua presença, garantindo o descanso recomendado. Também foi consenso que Uruha passasse esse tempo com a família com quem certamente seria mais bem cuidado.
Não queriam ter de se afastar, porém tinham um trabalho a fazer. Uruha lhes dissera isso com todas as letras, afirmando e reafirmando sobre compromissos, garantindo logo estaria de volta. Acabaram não tendo muitas opções a não ser fazer as malas para partir. E, com tudo pronto foram ao quarto dele se despedir. Algo que se deu naturalmente, com conversas amenas e conselhos chavões, indícios da preocupação que sentiam mesmo a tensão sendo menor. Depois de tudo isso, o baterista olhou para o relógio, avisando que a condução que os levaria de volta já devia estar esperando por eles. Já estavam prontos para sair e a voz grave do loiro se fez ouvir, em um pedido.
– Aoi-san, pode ficar mais um pouco? Preciso falar com você.
– Hai, tudo bem.
O pedido causou alguma estranheza entre os membros da banda, assim como o jeito formal como Uruha se referira ao moreno, mas a pronta intervenção de Kai lhes tirou daquela situação constrangedora, dizendo-lhe que o esperariam no estacionamento do hospital onde estaria a minivan e mais uma vez lembrando ao loiro que poderia entrar em contato com eles sempre que desejasse, além das recomendações de cuidado e repouso, afirmada e reafirmada por todos os outros. E logo após o fim das despedidas, estavam sozinhos no quarto, com liberdade o bastante para conversarem.
Com o ambiente mais tranquilo, o moreno pode observá-lo melhor, ficando aliviado ao constatar que Kouyou melhorava aos poucos e logo estaria de volta ao trabalho.
– Desculpa ter te chamado agora. Talvez eu acabe atrasando a saída de vocês, mas acho que não poderia mais adiar essa conversa. – o tom do loiro soou formal a Yuu, e o moreno nem soube o que esperar diante daquilo. Porém tudo que podia fazer era ouvir.
– Eles não vão se zangar. Não se preocupe com isso, Kou.
– Bom, eu... não sei se foi impressão minha, pode até parecer minha imaginação, mas, por favor, não me leve a mal... – o loiro parecia inseguro, mas as palavras acabaram audíveis em sua voz – É que... pelo que ouvi parece que você se sente culpado pelo meu acidente. Aliás, não apenas você, mas também todos os outros.
– Hai. – concordou, hesitante, abaixando a cabeça.
– Mas até onde sei, não era você o caminhoneiro bêbado que estava na contramão, nem nenhum deles.
– Você estava naquele carro por que...
– Eu estava naquele carro por livre e espontânea vontade porque quis passar meu aniversário com minha família e não na gravadora trabalhando como um louco. – disse, sem deixa-lo completar.
– Mas você sempre gostou de passar seu aniversario trabalhando como um louco, sempre gostou daquele bolo branco. Você só resolveu viajar por estar chateado comigo pela forma como andei me comportando desde aquele live, e...
– Sobre o acidente, acho desnecessário procurar culpados. Até onde sei o sujeito está na cadeia agora e se não fosse por ele, eu já teria voltado de viagem e estaríamos trabalhando sem que Kai-kun precisasse enlouquecer por causa da agenda. – respirou fundo, baixando o olhar por um momento muito breve, como se pensasse, mas em seguida dirigiu-o novamente a ele. - E... quanto o que aconteceu no live foi tolice minha, ok? Foi um erro que cometi e você tinha razão em ficar bravo. Eu te expus de forma inconsequente e desnecessária e espero que possa me perdoar por isso, Aoi-san.
– Mas...
– Espero que me perdoe e assim possamos conviver sem atritos daqui por diante. Nunca mais acontecerá nada do gênero e prometo não fazer mais nada que possa estragar a convivência e a rotina da banda. Acho que já tivemos problemas suficientes.
Aoi olhou atentamente para o loiro, tentando ler algo em suas feições, porém não conseguiu encontrar nada. Não conseguia acreditar no que ouvira e tinha vontade de lhe dizer isso. Ele não tinha de lhe pedir desculpas, ou se sentir culpado por qualquer coisa e queria dizer isso assim como queria lhe dizer tantas outras coisas. Porém Kouyou não lhe dera brechas e nem nada com o qual pudesse argumentar.
O assunto estava encerrado, sem a menor chance de que pudesse voltar a ser discutido. Pelo menos não naquele momento. Tudo que lhe restara fora a concordância. Um ato do qual se arrependera instantaneamente, porem estava consciente de que seria a única coisa a fazer.
– Tudo bem, Kou-chan.
– Arigatou. – A voz do rapaz soou baixa, porém não mais insegura e sim fria e que não se abrandou quando ele voltou a falar, embora houvesse um sorriso triste em seus lábios. - Acho que você precisa ir antes que Kai-kun venha te buscar. A viagem vai ser longa.
– É, preciso ir mesmo. Você... vai voltar, não vai?
– Hai. Nem posso pensar em não voltar, tenho um contrato a cumprir. Até mais, Aoi-san.
O moreno não gostou de ouvir aquilo e sentiu um aperto no peito ao se dar conta do que aquilo significava. Mas o loiro não lhe deu espaço pra dizer nada. Todas as palavras ficaram ali, sem serem ditas, sufocadas no momento em que Yuu retribuía a despedida.
– Até mais, Kou-chan. Nós... estaremos te esperando. – disse, enquanto se afastava e saia do quarto embora não quisesse perde-lo de vista.
Seus passos no corredor foram lentos, hesitantes à medida que se afastava dele, e o deixava para trás enquanto aquele assunto permanecia inacabado e as palavras continuavam não ditas. Um desfecho que não imaginara entre todos os passados em sua mente, mesmo sua imaginação tendo sido bastante fértil durante as últimas semanas.
Queria ter dito que se arrependia por tudo. Que gostara do beijo e queria provar novamente seus lábios. Que teve medo de perdê-lo e essa sensação fora a pior coisa que já sentira em toda sua vida. Que gostava de vê-lo sorrindo, adorava o seu perfume e costumava sonhar com ele durante as noites...
E que talvez aquilo fosse... amor.
Suspirou, coçando a nuca, forçando-se continuar andando mesmo que sua vontade fosse voltar para o quarto e dizer todas aquelas coisas e mais tantas outras. A possibilidade era tentadora, mas não podia, nem era hora. Era tudo muito recente e o mais alto não iria ouvi-lo, não poderia pressioná-lo. Não era hora pra isso, mas apesar de tudo sequer ousava reclamar. Vê-lo acordado, e conversando fora muito mais do que poderia esperar.
E quanto ao que acontecera, esperava ainda ter tempo para consertar tudo. Em breve Uruha voltaria para eles, e tendo de trabalhar lado a lado acabaria tendo uma chance.
E quando isso acontecesse, lutaria.
Yuu lutaria com todas as forças, mais do que ousara lutar por qualquer coisa no mundo porque o queria. Não poderia perdê-lo de novo.
O sentimento recém-descoberto por Kouyou era uma das poucas certezas que tinha, e diante disso, valia a pena lutar.
Se fosse por Uruha, valia a pena esperar.
Fim?
