Emma ficara curiosa com aquela proposta repentina. Não era sempre que uma mulher da vida recebia uma proposta tão atrativa financeiramente como a que ela tinha recebido. Medos e receios a parte ela decidira se aventurar rumo ao desconhecido. Fazia menos de uma semana que ela havia recebido a proposta tentadora. E ela estava mesmo precisando de um dinheiro extra no fim do mês. Quando deu por si já havia aceitado o acordo.
O táxi parou em frente ao motel indicado e ela ficou espantada pela suntuosidade do local. "Porra..." Pensou Emma Swan ao passar os olhos rapidamente pelo local. "Isso nem parece ser um motel. Uma diária aqui deve custar o que eu ganho durante o mês inteiro."
E de repente uma onda de insegurança passou pela cabeça da jovem prostituta. A roupa parecia não ser a mais adequada, e até a cor do batom parecia ser vulgar demais. Aquela imitação de MAC não foi a escolha mais adequada para o momento. Com certeza enganaria aos mais leigos, mas ali naquele motel de luxo todos que a olhassem saberiam que ela usava uma falsificação do famoso cosmético.
Emma segurava em suas mãos o endereço que recebera de sua cliente misteriosa, como se quisesse confirmar se de fato estava no local certo. "Isso não parece ser um motel." Ela reforçava esse seu pensamento enquanto ajeitava o micro vestido vermelho que realçava as curvas perfeitas que ela sabia que possuía. Ela passou mais uma camada da imitação de Ruby Woo. Já que não tinha outro ela ia dele mesmo.
Tudo naquele encontro era cercado por uma atmosfera enigmática. Emma não sabia quase nada sobre ela, mas por dentro sentiu uma curiosidade quase que mordaz de se entregar de corpo e alma a tudo que acontecesse. Tinha uma atmosfera de sedução ali que a deixava cada vez mais presa naquela trama toda. A começar pela forma que recebeu o endereço daquele motel.
Era uma folha escrita a mão... Uma letra feminina que conseguia expressar uma dualidade que Emma achou interessante. Conseguia exalar poder e até certa sensualidade, por cauda dos traçados tão seguros de si, mas ao mesmo tempo carregados de uma feminilidade. Isso era por conta de uma marca de lábios cor vinho e um cheiro de perfume que tinha sido borrifado sobre o papel. Era cheiro de perfume chique. Ela tinha definitivamente deixado sua marca em algo tão corriqueiro. Tudo na medida certa.
Assinado apenas por um nome. Regina!
Aquele motel por dentro era tão suntuoso quanto por fora.
"Será que gente rica não sabe ser discreta?" Ela se questionou enquanto caminhava até o saguão. "Desde quando motel tem saguão? No máximo uma recepção com um serviço que sempre deixa a desejar."
Era óbvio que ali era uma exceção a regra. Ela entregou a folha até o atendente que estava devidamente uniformizado. Ele a olhara com uma cara de poucos amigos e a analisando da cabeça aos pés. Era quase uma diversão gente de lugar chique agir de forma preconceituosa com quem possuía menos condições, mesmo que a verdade fosse que aquele atendente era tão fodido na vida quanto ela. Mas, ali naquela recepção ele fazia carão e se achava alguém por trabalhar num local onde gente de elite frequentava.
Ele pegou o papel de suas mãos e o analisou silenciosamente. Mas, ali ela já pode notar uma mudança de postura do funcionário nariz em pé. Ele ligou para a cliente que havia deixado mais cedo instruções que ele teria de seguir e assim que ele desligou o telefone seu comportamento havia mudado drasticamente.
– Senhorita Swan... – disse o atendente. Emma teve vontade de rir, afinal nunca havia sido chamada dessa forma. Senhorita. Nem parecia que estavam falando com ela. Na verdade seus clientes acabavam a chamando apenas por Em. E isso funcionava para a loira. Seria estranho ouvir uma senhorita no meio de uma fodida. – Acompanhe-me, por favor. – o rapaz franzino completou.
Ela entrou no quarto e ela estava de costas. Cabelos negros que iam até o pescoço. Envolta por um lençol debaixo de seu corpo nu. Ela já tinha sentido um clima de sensualidade pelo endereço que Regina lhe mandara, mas nada se comparava ao vê-la ao vivo. A mulher exalava uma sexualidade que transbordava pelos seus poros. Mas, antes que tivesse a chance de se apresentar a cliente ela a interrompera com sua voz rouca que deixara a loira excitada.
– Antes de começarmos qualquer coisa senhorita Swan, quero deixar algumas coisas claras. Meu quarto... Minhas regras. Eu sou a cliente e você a contratada. Eu mando e você me obedece. Também não gosto que falem comigo. Se eu quisesse desabafar procuraria um terapeuta. E sem contatos pessoais. – ela enumerava suas regras com uma sensualidade que só faltava Emma babar por cada coisa que escutava. Ela não sabia o que estava acontecendo. Geralmente ela não se sentia tão atraída por seus clientes. Mas, com Regina fora totalmente diferente. Ela precisava disfarçar que seus instintos estavam superando o seu lado profissional. Agora ela algo além de precisar do dinheiro extra. Ela precisava provar dessa morena estonteante a sua frente. – Eu ressalto todas essas regras, porque algumas pessoas tendem a confundir profissionalismo com o lado pessoal. E eu estou longe de procurar qualquer espécie de relacionamento. Estou aqui apenas para me satisfazer. – terminou a morena voltando ao lugar onde estava sentada e olhando no enorme espelho passou uma camada de batom. Um MAC. Aquele de fato era o verdadeiro.
– Eu entendo todas as regras... – começou a dizer. – E pode contar com todo meu profissionalismo. – Emma disse e deixou sua bolsa em cima de uma mesa que tinha no quarto.
As mãos da morena passeavam sobre o corpo da loira e suas unhas cravavam em suas costas ao mesmo tempo em que os dedos de Emma estocavam Regina de uma forma precisa. A loira fora surpreendida quando sentiu os dedos da morena em seu sexo já umedecido. Fora impossível conter os gemidos que saíram da boca de ambas as mulheres. Emma nunca ficara tão entregue num sexo pelo qual fora paga. Geralmente para ela o ato sexual era algo sem prazer nenhum. Era apenas o seu trabalho. Algo que fazia porque precisava fazer. O seu ganha pão.
Mas, ali com aquela morena que tinha inúmeras regras era diferente. Tudo era diferente. Era como se ela tivesse numa nova vibração. O orgasmo que atravessou o corpo das mulheres foi intenso. Orgasmo? Apesar de ser uma profissional do sexo essa não era uma palavra muito utilizada em seu vocabulário. Ela era responsável por dar prazer aos seus clientes e nunca acontecia o contrário. Emma sentiu suas pernas trêmulas desabarem sobre a cama. Fato. Nunca ninguém a fizera sentir dessa maneira. Pra ela Regina poderia contratá-la mais vezes. Que ela não iria fazer oposição em nenhuma das vezes.
Ofegantes, elas ficaram uma sobre a outra na cama enquanto recuperavam a respiração. Ter a pele roçando com a de Regina se mostrou ser algo que Emma tinha gostado. Era uma boa sensação. Emma levou seus lábios mais próximos ao de Regina, mas a morena se afastara com um semblante indiferente.
– Sem beijos... E não tente novamente. – disse a morena categoricamente. – Você é boa, só não misture as coisas. Se fosse qualquer uma nunca mais procuraria seus serviços novamente. Vou abrir uma exceção para você, e é bom não abusar. Não sou de dar segundas chances.
