Título: Conselhos
Autor: Kaline Bogard
Seção:
Harry e Draco
Item usado:
Buquê de Flores


Harry desviou para o lado e deu passagem para Ron que vinha carregando uma pesada caixa de papelão.

– Não é mais fácil usar magia? – o moreno perguntou de forma curiosa – Parece pesado.

– Acredite, cara – Ron resmungou – Eu não sei o que pode acontecer se acertar isso com magia. Fred anda caprichando nas invenções...

– Ow... – Harry tentou não rir – E as coisas com Hermione?

– Na mesma. Ela está cada vez mais mal humorada... você sabe, mulheres grávidas ficam com os hormônios em guerra.

– Espero que sobreviva, amigo!

– Sobrevivo sim. Na semana que vem é dia dos namorados e eu vou comprar um buquê de flores para ela. Algo tipo bem romântico. Mulheres adoram isso.

– Flores? Sim, imagino que sim.

Ron colocou a caixa em cima de outras aumentando a pilha que balançou perigosamente e voltou para o balcão. A loja estava fechada para balanço, por isso só tinha os dois ali.

– Flores acalmam a fúria de qualquer uma.

– Parece uma boa idéia... garotas são bem fáceis de se agradar.

– Ei, ei, ei... – o ruivo debruçou-se no balcão – Problemas com a Doninha?

– Ron! – Harry recriminou – Não importava quanto tempo passasse, parecia não haver meio daqueles dois sequer se tolerarem – Não tenho problemas com o Draco.

– Que pena. Ia recomendar-lhe um arranjo floral. Quem sabe um buquê...

– Ainda não sei o que dar para o Draco no dia dos namorados, mas sei que flores não vai ser. Se eu aparecer com uma coisa dessas de presente é bem capaz dele me fazer engolir.

O ruivo fez uma careta. Então passou a mão pelo balcão limpando uma poeira inexistente.

– Minha irmã adora flores... – revelou como quem não quer nada.

– Sei disso – Harry já estava acostumado com as táticas esperançosas de Ronald. No fundo o amigo ainda tinha esperança de que Potter superaria aquilo que tinha com o "loiro desbotado" e iria perceber que seu verdadeiro amor era a garota Weasley, ou melhor, atualmente Ginny já não era mais uma garota, e sim uma bela mulher.

Mas por mais bonita e carismática que Ginny fosse, não era por ela que o coração de Harry acelerava ou por quem perdia o fôlego em momentos mais intensos.

Não...

A única pessoa que conseguia isso era Draco Malfoy.

E o loiro não era uma garota para gostar de ganhar flores. Não que tivesse algo errado em dar flores para outro homem, mas, especificamente Draco parecia não gostar delas a tal ponto. Ou seja, presenteá-lo com isso numa data tão especial. Era pedir por briga...

–... deve ser algum sinal, não? – a voz do ruivo trouxe Harry de volta à realidade.

– O que disse?

Ron debruçou-se sobre o balcão antes de repetir o que estava falando e que passara despercebido ao outro.

–Eu disse que vocês estão juntos há muito tempo, tem quanto? Uns cinco anos? E eu nunca ouvi falar em casamento, isso deve ser um sinal, não? De que não são feitos um para o outro.

– Nada a ver – Harry moveu-se desconfortável – Nós moramos juntos e estamos muito bem. Por que temos que nos casar para provar que somos feitos um para o outro?

– Você não se casa para provar alguma coisa! – o ruivo surpreendeu-se – Você se casa por que quer passar o resto da vida ao lado de uma pessoa e deseja um laço de fidelidade e entrega. Por isso firma um compromisso.

O moreno não respondeu a afirmação, porém foi visível que ficou incomodado com a forma que Ron colocou as coisas.

– Preciso ir – Harry desconversou – A gente se fala.

– Está bem, amigão. Mas vá por mim... dê um buquê de flores ao Malfoy. Se ele te amar o bastante não vai fazê-lo engolir pétala por pétala. E eu admito que estava errado esse tempo todo.

Ao ouvir o desafio velado Harry sorriu. Claro que não daria um presente daqueles para o namorado. Seria o mesmo que pedir uma briga entre os dois e Ron sabia disso.

Mas ainda havia tempo para pensar um algo apropriado e, quem sabe, refletir sobre a nova visão que Ron lhe dera a respeito de casamentos.