Preparadas para conhecerem os personagens? Desculpem-me se houver algum erro.

Capítulo 1

Isso estava ficando velho.

Mais uma vez, Rosalie e Alice estavam fazendo completamente o ridículo, movendo o traseiro como dançarinas de um vídeo de rap. Mas suponho que os garotos engolem essa merda, não é? Eu podia sinceramente sentir meu QI caindo enquanto me perguntava, pela centésima vez essa noite, por que tinha deixado que me arrastassem para cá de novo.

Cada vez que viemos ao Nest, a mesma coisa aconteceu. Rosalie e Alice dançaram, flertaram, atraíram a atenção de todos os homens à vista, e eventualmente foram levadas para fora da festa por sua melhor amiga protetora – eu –, antes que qualquer um dos cachorros excitados pudesse se aproveitar delas. Enquanto isso, eu sentei no bar a noite inteira falando com o Joe, o garçom de trinta anos, sobre ―os problemas com as crianças nesses dias.

Eu imaginei que Joe se ofenderia se eu dissesse que um dos maiores problemas era esse maldito lugar. O Nest, que costumava ser um bar de verdade, tinha sido convertido em um lounge adolescente há três anos. O bar de carvalho desencaixado seguia de pé, mas Joe só servia produtos da Coca enquanto as crianças dançavam ou escutavam música ao vivo. Eu odiava o lugar pela simples razão de que fazia minhas amigas, que podiam ser um pouco mais sensíveis na maioria do tempo, agirem como idiotas. Mas em sua defesa, elas não eram as únicas. A metade do instituto Hamilton aparecia nos finais de semana, e ninguém deixava o clube com sua dignidade intacta.

Quero dizer, sério, onde estava a diversão em tudo isso? Quer dançar a mesma música tecno pesada semana após semana? Claro! Então talvez eu vá me pegar com esse jogador de futebol americano suado e ninfomaníaco. Talvez tenhamos discussões significativas sobre política e filosofia, enquanto dançamos nos esfregando. Ugh. Sim, claro.

Rosalie se deixou cair na banqueta junto à minha.

— Você deveria vir dançar com a gente, B, — disse ela, sem fôlego pela sua agitação. — É tão divertido.

— Claro que é, — murmurei.

— Oh meu Deus! — Alice se sentou no meu outro lado, seu rabo de cavalo loiro mel balançando contra seus ombros. — Vocês viram isso? Viram? Jasper Hale flertou comigo totalmente! Vocês viram isso? Ohmeudeus!

Rosalie revirou os olhos. — Ele te perguntou onde tinha comprado as suas sandálias, Alie. Ele é totalmente gay.

— Ele é muito lindo para ser gay.

Rosalie a ignorou, passando os dedos por trás da orelha, como se trançasse umas tranças invisíveis. Era um hábito antes que cortasse o cabelo em seu atual corte loiro curtíssimo.

— B, você deveria dançar com a gente. Nós te trouxemos aqui para que nós pudéssemos passar um tempo com você... não que o Joe não seja divertido. — Ela piscou para o garçom, provavelmente com a esperança de conseguir alguns refrigerantes grátis. — Mas nós somos suas amigas. Você deveria vir dançar. Não deveria, Alie?

— Totalmente, — concordou Alice, olhando Jasper Hale, que estava sentado no outro lado da habitação. Ela fez uma pausa e se voltou para nós. — Espera. O quê? Eu não estava escutando.

— Você só parece tão chateada aqui, B. Quero que se divirta também.

— Estou bem, — menti — Estou me divertindo. Sabem que não posso dançar. Estaria no caminho de vocês. Vão... viver a vida ou o que seja. Vou estar bem aqui.

Rosalie entrecerrou seus olhos de cor avelã para mim. — Tem certeza? — ela perguntou.

— Positivo.

Ela franziu o cenho, mas depois de um segundo deu de ombros e pegou Alice pelo pulso, puxando ela até a pista de dança.

— Puta merda! — exclamou Alice. — Reduza a velocidade, Rose! Você vai arrancar meu braço fora! — Então abriram o passo alegremente até o meio da pista, já sincronizando o balanço dos quadris com a pulsante musica tecno.

— Por que você não disse a elas que está infeliz? – perguntou Joe, empurrando um copo de Coca-Cola de cereja para mim.

— Eu não estou infeliz.

— Você também não é uma boa mentirosa, — ele respondeu antes que um grupo de estudantes do primeiro ano começou a gritar por bebidas no outro extremo do bar.

Dei um gole na minha Coca-Cola de cereja, olhando o relógio encima do bar. O ponteiro de segundos parecia estar congelado, e eu rezava para que a maldita coisa estivesse quebrada ou algo assim. Eu não ia pedir para a Rosalie e para a Alice para irmos embora até as onze. Qualquer segundo antes e seria a estraga festas. Mas de acordo com o relógio não eram sequer nove horas ainda, e eu já podia sentir que estava me dando uma enxaqueca pela música tecno, que só piorava com a luz pulsante estroboscópica. Mexa-se, ponteiro dos segundos! Mexa-se!

— Olá.

Revirei os olhos e me virei para olhar o intruso indesejado. Isso acontecia de vez em quando. Algum garoto, na maioria bêbados ou com um grau de odor corporal, tomaria assento ao meu lado e fazia uma meia tentativa de uma pequena conversa. É evidente que eles não tinham herdado o gene da observação, porque a expressão em meu rosto era bastante óbvia que eu não estava com humor para me flertar.

Surpreendentemente, o garoto que tinha tomado o assento ao meu lado não cheirava a maconha ou sovaco. Na verdade, deve ter sido água de colônia o que eu cheirei no ar. Mas meu desgosto só aumentou quando me dei conta a quem pertencia a água de colônia. Eu teria preferido o bêbado com a cabeça confusa.

Edward. Cullen.

— O que você quer? — exigi, nem sequer me preocupando em ser educada.

— Você não é do tipo amigável? — Edward perguntou sarcasticamente. — Na verdade, eu vim falar com você.

— Bom, uma merda para você. Eu não estou falando com pessoas essa noite. — Tomei minha bebida ruidosamente, esperando que ele pegasse a sugestão não muito sutil para ir embora. Não tive sorte. Eu podia sentir seus olhos cinza-escuros se arrastando sobre mim. Ele nem sequer podia fingir estar me olhando nos olhos, podia? Ugh!

— Fala sério, — Edward brincou. — Não tem necessidade nenhuma de ser tão fria.

Me deixe em paz, — sussurrei com os dentes apertados. — Vai tentar o seu ato de charme com alguma vagabunda com baixa autoestima, por que não estou engolindo.

— Oh, não estou interessado em vagabundas, — ele disse. — Esse não é o meu negócio.

Eu bufei. — Qualquer garota que te dê a hora do dia, Edward, definitivamente é uma vagabunda. Ninguém com bom gosto, classe ou dignidade realmente te acha atraente.

Muito bem. Isso foi uma pequena mentira.

Edward Cullen era o playboy mulherengo mais repugnante a escurecer a soleira do instituto Hamilton... mas ele era meio que gato. Talvez se você pudesse colocá-lo no mudo... e cortar as mãos dele... talvez, só talvez, ele seria tolerável então. Do contrário, era um verdadeiro pedaço de merda. Merda de cachorro que só queria sexo.

— E você tem gosto, classe e dignidade, suponho? — ele perguntou, sorrindo.

— Sim, tenho.

— Isso é uma vergonha.

— É esta a sua tentativa de flertar? — Eu perguntei. — Se é, você falhou. Épicamente.

Ele riu. — Eu nunca falho em flertar. — Ele passou os dedos pelo seu cabelo escuro, encaracolado e ajustou seu sorrisinho torcido e arrogante. — Só estou sendo amigável. Tentando manter uma conversa agradável.

— Desculpe. Não estou interessada. — Me virei e tomei outro gole da minha Coca-Cola de cereja. Mas ele não se moveu. Nem sequer uma polegada. — Você pode ir agora, — disse com força.

Edward suspirou. — Muito bem. Você está sendo realmente muito pouco cooperativa, sabe. Então eu acho que vou ser honesto com você. Tenho que assumir: você é mais inteligente e mais obstinada que a maioria das garotas com quem falo. Mas estou aqui por um pouco mais que uma conversa engenhosa. — Ele mudou sua atenção para a pista de dança. — Eu na verdade preciso da sua ajuda. Veja, suas amigas são gatas. E você, querida, é a Duff.

— Isso sequer é uma palavra?

— Designada. Feia. Gorda. Amiga* — ele esclareceu. — Sem ofensas, mas essa seria você.

*Só tem sentido em inglês (DUFF: Designated : designada; Ugly: feia; Fat: gorda; Friend: Amiga)

— Eu não sou a... !

— Ei, não te ponha na defensiva. Não que você seja uma ogra nem nada, mas em comparação... — Ele encolheu seus largos ombros. — Pense nisso. Por que elas te trazem aqui se você não dança? — Ele teve a ousadia de chegar mais perto e dar uma palmada no meu joelho, como se estivesse tratando de me consolar. Me afastei dele, e seus dedos se moveram suavemente para afastar alguns cachos de seu rosto em vez disso. — Olha, — disse ele, — você tem amigas gatas... amigas realmente gatas. —Ele fez uma pausa, observando a ação na pista de dança por um momento, antes de me encarar mais uma vez. — O ponto é que, os cientistas provaram que cada grupo de amigas tem um ponto fraco, a Duff. E garotas respondem bem aos garotos que se associam com as suas Duffs.

— Os drogados podem chamar a si mesmos de cientistas agora? Isso é novo para mim.

— Não seja amarga, — ele disse. — O que estou dizendo é que as garotas, como suas amigas, acham sexy quando os garotos mostram alguma sensibilidade e socializam com a Duff. Então por conversar com você nesse momento estou duplicando as minhas chances de transar essa noite. Por favor, me ajude aqui, e só finja desfrutar da conversa.

O olhei fixamente, pasmada, durante um longo momento. A beleza realmente era superficial. Edward Cullen podia ter o corpo de um deus grego, mas sua alma era tão negra e vazia como o interior do meu armário. Que filho da puta!

Com um movimento rápido me coloquei de pé e joguei o conteúdo do meu copo na direção do Edward. A Coca-Cola de cereja voou por ele todo, salpicando a sua pólo branca de aparência cara. Gotas do líquido vermelho escuro brilhavam em suas bochechas e coloriam seu cabelo castanho. Seu rosto brilhava com ira, e sua mandíbula esculpida rangia ferozmente.

— Para quê foi isso? — ele cuspiu, limpando o rosto com o dorso de sua mão.

— Para quê você acha que foi? — eu gritei, com os punhos fechados ao meu lado.

— Honestamente, Duff, não tenho a mínima ideia.

Raiva flamejou nas minhas bochechas. — Se você acha que eu vou deixar uma das minhas amigas sair desse lugar com você, Edward, você está muito, muito enganado, — eu cuspo. — Você é um mulherengo imbecil repugnante, superficial, e eu espero que o refrigerante manche sua camiseta de mauricinho. — Logo antes de eu marchar para longe, eu olhei por cima do ombro e acrescentei, — E meu nome não é Duffy. É Bella. Nós estamos na mesma sala desde o ensino fundamental, seu filho da puta egoísta.

Eu nunca achei que eu diria isso, mas graças a Deus a droga da música tecno tocava tão alto. Ninguém exceto o Joe ouviu por acaso o pequeno episódio, e ele provavelmente achou a coisa toda histérica. Eu tive que empurrar para passar pela pista de dança lotada para achar minhas amigas. Quando eu as encontrei, eu agarrei Rosalie e Alice pelos seus cotovelos e as puxei em direção à saída.

— Ei! — Alice protestou.

— O que tem de errado? — Rosalie perguntou.

— Nós estamos indo embora daqui, — eu disse, empurrando seus corpos relutantes adiante por trás de mim. — Eu vou explicar no carro. Eu só não suporto estar neste inferno por mais nenhum segundo.

— Eu não posso dizer tchau para o Jasper primeiro? — Alice choramingou, tentando afrouxar meu aperto no seu braço.

— Alice! — Eu provoquei câimbra dolorosamente no meu pescoço quando me virei para encará-la. — Ele é gay! Você não tem chance, então só desista disso logo. Eu preciso sair daqui. Por favor.

Eu as puxei para fora para o estacionamento, onde o ar gelado de Janeiro rasgou a pele descoberta de nossos rostos. Compadecendo-se, Rosalie e Alice se juntaram cada uma de um lado meu. Elas devem ter achado seus modelitos, que pretendiam ser sexy, mal equipados para lidar com a sensação térmica. Nós nos movemos para o meu carro em um amontoado, nos separando apenas quando alcançamos o para-choque dianteiro. Eu apertei o botão de destravar no meu chaveiro para que pudéssemos subir na cabine fracamente aquecida do Saturn sem demora.

Rosalie se enrolou no assento dianteiro e disse, através de seu bater de dentes. — Por que estamos indo embora tão cedo? B, são só, tipo, nove e quinze.

Alice ficou emburrada no assento traseiro com uma manta antiga envolta ao seu redor como um casulo. (Meu aquecimento de merda raramente decidia funcionar, então eu deixei um amontoado de mantas no chão.)

— Eu entrei em uma discussão com alguém, — eu expliquei, golpeando a chave na ignição com uma força desnecessária. — Atirei a minha Coca-Cola nele, e não queria ficar por perto para a resposta dele.

— De quem? — perguntou Rosalie.

Eu estava temendo essa pergunta por que sabia a reação que conseguiria. — Edward Cullen.

Dois suspiros femininos desvanecidos seguiram a minha resposta.

— Oh, fala sério, — eu reclamei. — O cara é um galinha. Eu não o suporto. Ele dorme com tudo o que se mexe, e seu cérebro se encontra nas calças, o que significa que é microscópico.

— Duvido disso, — disse Rosalie com outro suspiro. — Deus, B, só você pode encontrar um defeito em Edward Cullen.

Fulminei-a com o olhar quando girei a cabeça até a parte de trás do estacionamento. — Ele é um idiota.

— Isso não é verdade, – interveio Alice. — Ângela disse que ele falou com ela em uma festa recentemente. Ela estava com Victória e Tânia, e ela disse que ele só se aproximou e se sentou ao seu lado. Ele foi muito gentil.

Isso fez sentido. Ângela era sem dúvida a Duff se estava com Tânia e Victória. Me perguntei qual delas foi embora com o Edward nessa noite.

— Ele é charmoso, — disse Rosalie. — Você está apenas sendo a Pequena Miss Cínica, como de costume. — Ela me deu um cálido sorriso do outro lado da cabine. — Mas que diabos ele fez para fazer você jogar a coca nele? — Agora ela soava preocupada. Tinha tido tempo o suficiente. — Ele te disse algo, B?

— Não, — menti. — Não é nada. Ele só me irritou.

Duff.

A palavra saltava em minha mente enquanto acelerei pela quinta rua. Não me atrevi a dizer às minhas amigas sobre o novo e maravilhoso insulto que acabava de ser acrescentado à minha lista de vocabulários, mas quando me olhei no espelho retrovisor, a afirmação de Edward de que eu era a seguidora pouco atraente, indesejável (mais como arrastada) das garotas populares parecia estar confirmado. A forma perfeita de ampulheta e olhos castanhos cálidos e acolhedores da Alice. A compleição perfeita e as pernas de um quilômetro de comprimento da Rosalie. Eu não podia me comparar com nenhuma delas.

— Bom, digo que vamos à outra festa, já que é tão cedo. — Rosalie sugeriu. — Ouvi sobre uma em Oak Hill. Alguns garotos da universidade estão em casa para as férias de Natal e decidiram fazer uma grande farra. Ângela me contou sobre isso esta manhã. Querem ir?

— Sim! — Alice se endireitou debaixo das mantas. — Deveríamos ir totalmente! Nas festas universitárias tem garotos universitários. Isso não seria divertido, Bella?

Eu suspirei. — Não. Na verdade não.

— Oh, fala sério. — Rosalie me alcançou e apertou meu braço. — Desta vez não dançaremos, certo? E Alie e eu prometemos manter todos os garotos gatos afastados de você, já que é evidente que você os odeia. — Ela sorriu, tentando me empurrar de novo a um bom humor.

— Não odeio os garotos gatos, — eu disse a ela. — Só um. — Depois de um momento, suspirei e dei a volta na estrada, em direção à linha do condado. — Muito bem, nós vamos. Mas vocês duas me comprarão um sorvete depois. De duas bolas.

— Trato feito.

Então o que acharam? Eu adoro esse lado sínico da Bella. Alguém aí já começou a odiar o Edward? Infelizmente, não poderei responder os reviews já que estou sem tempo, mas agradeço de coração a cada um que mandou: cheiva, Lili D, A, ginamweasley, Guest, Nina, ann, , e MandaTaishoCullen. Meninas, vocês são demais.

Beijos e até domingo!