-
Cap. 1 – Addio!
A chuva se apresentava constantemente tirando os encantos da noite da bela Itália, mas não era de se esperar muito, era inverno.
Em um simples casebre, uma menina com seus sete anos observava as gotas ricochetearem a janela do vidro de sua casa, era a mais sonhadora e a mais quieta da casa. Seus pais discutiam novamente, com certeza o assunto era a falta de dinheiro que nessa época era constante em sua família. Ela tinha mais cinco irmãos e sua mãe estava doente. Seus pais param de discutir e olham para ela, o pai vira o rosto triste e uma lágrima rola pelo rosto de sua mãe. A menina não entendeu nada, mas prefere ficar quieta, como sempre...quieta.
Nem havia amanhecido e Shina é acordada as pressas, parecia haver visita na casa, mas seus irmãos menores continuavam dormindo. O que estaria acontecendo? Viu sua mãe sentada, debruçada no sofá aos prantos e seu pai segurando seu braço, a levando em direção a porta onde um homem vestido elegantemente parecia aguardar algo e possuía uma grande quantia em dinheiro em uma de suas mãos. Shina olha para seu pai que se mantém firme, sem dirigir a ela nenhum olhar que explicasse toda aquela situação.
- Aqui está, a pequena Shina – diz seu pai. Um homem alto e grisalho, com olhos verdes.
- Hum, realmente é uma bela mocinha. Não se preocupe senhor Diácomo, não faltarão condições para sua filha sobreviver e ela é do agrado de minha senhora – Sorri o homem misterioso que entrega ao pai de Shina, Antônio Diácomo, uma grande e boa quantia em dinheiro, que ajudaria bastante no tratamento de sua mãe.
- Shina.. bambina mia.. não se esqueça que te amamos, si? – diz seu pai, agachado em sua frente, e lhe dá um forte abraço.
- Papa.. – Shina
- Caham – pigarreia o homem – não temos muito tempo..
- Vai – diz ele, entregando sua filha ao homem, que caminha para um carro todo preto e com vidros de mesma tonalidade.
Shina antes de entrar, olha chorando para sua família com esperança de que desistissem, mas não aconteceu. Ela se senta no carro com uma pequena sacola que seu pai entregara antes de sair e que detinha algumas mudas de roupas.
- Onde nós vamos? – pergunta ela timidamente, cansada de olhar a natureza cansada daquela madrugada chuvosa.
- Grécia – responde o rapaz friamente
- Grécia?!
Ele não responde.
Chegaram a uma espécie de mini-aeroporto onde Shina, mais aflita do que nunca, entra em um pequeno avião comercial e partem para o novo destino da menina.
Horas incontáveis se passaram e ela novamente é acordada as pressas, têm que passar por um grupo de policiais que controlavam o desembarque do exterior, quando eles chegam lá...:
- Passaporte! – Pede um policial para os dois
O homem que a acompanhava parecia ter tudo sinuosamente arquitetado e entrega dois passaportes e ela vê uma foto sua quando ainda era pequena (que com certeza o pai dera), mas seu nome estava diferente.
- Sr. Gonzaga e Srt. Gonzaga?
- Sim, minha filha.
Shina olha para o homem assustada.
- Hum.. – o policial parece desconfiar por alguns instantes – Certo. E qual é o objetivo? Trabalho, lazer..?
- Trabalho – responde o homem
- Ok, liberados. Próximos..
Eles pegam suas bagagens e entram em um carro preto novamente.
- Não sou sua filha! – Shina
- Eles controlam tudo, principalmente a entrada de estrangeiros...com crianças. Por que acha que a patroa troca de buscantes toda hora? Cada um é um "pai"
- Buscantes? – Shina
- É o que sou, e já falei demais! Fica quieta que logo chegamos menina..
- Para onde está me levando?
- Para o seu futuro..
Após a breve conversa, Shina olha janela afora. O final da manhã grega estava com muita névoa e pareciam se afastar aos poucos do centro já movimentado da cidade.
Passado vários minutos eles param diante do que parecia um pequeno sobrado bastante desgastado.
- Chegamos. Vamos, saia..
Shina sai rapidamente do carro, sendo empurrada de leve pelo rapaz até a porta do pequeno sobrado. Ele toca a campainha e após um breve instante a porta se entreabre, dando vista agora a uma senhora baixa, gorda e grisalha que levava um cigarro à boca.
- Aqui está a menina, senhora..
- Hum – a mulher analisa Shina – fez um bom trabalho, Hector.
- É meu dever senhora.
- Depois passe aqui novamente..
- Claro! Bom dia!
Ela abre espaço para que Shina passasse, timidamente, para dentro do cômodo e fecha a porta. O estômago da menina roncava, também pudera.. a última vez que comera foi na noite anterior.
- Venha! – A senhora, já mais adiante, a guiava para um cômodo muito barulhento – Coma logo!
Shina abre a porta assim que a mulher se retira. O barulho pára e vários olhares são dirigidos para a menina,deixando-a constrangida. Era um pequeno refeitório com duas grandes mesas que tomavam grande parte do lugar. Várias meninas (algumas na sua faixa etária e outras um pouco maiores) comiam sentadas em seus bancos desgastados e maus distribuídos. Shina caminha com dificuldade e a conversa volta a tomar conta do lugar , ela se senta em um banco vazia entre uma menina loira e outra ruiva.
- Oi! – A loira puxa assunto, enquanto sustentava sua colher de sopa na altura do seu queixo.
- O..oi – começa Shina
- Você chegou agora, não é? Qual o seu nome?
- Sim e sou Shina – o estômago dela ronca novamente , fazendo a loira rir
- Ela como sempre fazendo perguntas e mais perguntas – comenta a ruiva, também rindo - Prazer, sou Marin.. Shina, me parece com fome, se você conseguir ver mais a frente há uma grande panela com pratos e talheres ao lado, é só se servir
- Obrigada – agradece Shina, já se levantando
- A propósito, prazer Shina. Sou June – sorri a loira
- Prazer – sorri Shina pela primeira vez, indo se servir.
Shina teve a impressão de que comera duas colheradas da sopa e ouviram um sino , um toque de recolher, e têm que se levantar:
- Vem Shina! Tem uma cama vaga do meu lado – June
- Ah... ta – sorri Shina, já bastante contente por ver que aparentemente não estaria sozinha.
- Se você conseguir dormir – comenta Marin sorrindo – já viu como ela é..
- Ei! – June
Elas param de subir as escadas. O segundo andar tinha um banheiro e dois enormes quartos, mas isso não contava o fato de ser tão desgastado quanto o primeiro andar. O trio entra no primeiro dos dois quartos, mas cada um deles continham várias camas , uma do lado da outra.
- Vem! Depois do almoço temos direito a uma hora de descanso, sabe? Antes de ir para as "aulas"... dizem que é um regalia.. – Marin
- Aulas? – pergunta Shina se sentando em sua cama
- Sim, temos que saber as regras – June
- Shina, me diga, de onde vens? – Marin
- Sou da Itália – fala a menina em um tom mais baixo e, como as duas e as demais, deitada... uma moça com um ar severo e um batom vermelho começa a supervisar as meninas
- Eu sou.. – começa June
- Shii! – exclama Marin- ela está vindo..
June e Marin fingem estar dormindo e Shina faz o mesmo, com os olhos semi-cerrados vê a mulher magérrima e com algumas rugas disfarçadas passar por elas e logo após supervisionar o quarto , se retira.
As três abrem os olhos..
- Eu sou da Ilha de Andrômeda .. é um pouco longe daqui de Atenas – June
- Eu, do Japão.. Tókio mesmo. Vivia em um orfanato e já sem esperanças de ser adotada, fui acordadas as pressas um dia e acabei vindo pra cá – Marin
- Também sou órfã e também vivia em um orfanato até, não sei como, ser chamada e chegar aqui – June – mas ouvi comentários que é pro nosso futuro trabalho, para ter várias meninas de vários lugares.. não entendi muito.
- Vocês duas são órfãs. Apesar d'eu não ser, me sinto uma – Shina – fui vendida pelos meus pais quando cheguei que nunca chegariam a esse ponto..
- Eu sinto muito – Marin
- Sou uma órfã de coração, uma órfã como vocês.. – Shina disse, tentando descontrair as meninas que ficaram chocadas com seu relato
- Estou aqui há dois dias. As mais velhas , que ficam no outro quarto, sabem de mais coisas mas não falam conosco. Parece que nossas tais aulas começam oficialmente hoje, acho que você tem sorte – June – antes nos falavam apenas essas regrinhas que já lhe disse.
- Eu estou aqui há três dias.. – comenta Marin
" – Será mesmo que tive sorte?" , se pergunta Shina. – Vocês tem quantos anos?
- Eu tenho sete! – sorri June
- Eu, oito – Marin – e você?
- Sete – Shina – Aquelas meninas, as mais velhas... têm quantos anos?
- Disseram que quando se completa quatorze anos passamos para o outro quarto e ouviremos depoimentos delas.. – Marin
- Delas? – Shina
-As mulheres que já trabalham onde trabalharemos, não é qualquer uma que entra aqui..- June – e dizem que quando completamos dezoito anos vamos para os cômodos da "enorme casa", já para começar a trabalhar
- Mas que emprego é esse? – Shina
- Esperava que soubesse..- Marin
- Trabalharemos em uma boate, seremos amazona da casa (N/A: boate ) Amazonas – June – mulheres de máscaras..
C.O.N.T.I.N.U.A
