Capítulo II
Rony... Ela se encostara na parede do elevador para não cair, mas a sensação de fraqueza e angústia provocada pelo choque não diminuía. Quando as portas se abriram, precisou esforçar-se para sair e, sem saber como, chegou até o banheiro feminino do andar térreo. Sem forças, fechou-se em um dos cubículos, trancou a porta e sentou-se sobre a banca. Precisava de um esconderijo até recuperar o controle!
Então, vieram as lágrimas e Hermione escondeu o rosto nas mãos. Por que o destino fora tão cruel a ponto de colocá-la diante de Rony, justamente naquele lugar e naquele momento? Não era justo! Passara oito meses lutando para esquecê-lo, forçando-se a aceitar que não existia a menor possibilidade de um futuro feliz ao lado dele e... quase o conseguira.
E agora o encontrava, cara a cara. Por um instante, achou que Rony sabia de tudo. Mas era impossível. Além disso, a surpresa em seu rosto indicava que não esperava encontrá-la em uma maternidade.
A urgência na voz dele despertara as lembranças mais difíceis de esquecer. O tom grave e rouco de desejo trazia de volta os momentos de paixão, quando Rony a amava com tanta intensidade que seus corpos pareciam se transformar em uma única chama, uma fusão que a levara a acreditar na impossibilidade de jamais se separarem. Tinham sido um casal perfeito, nascido um para o outro, de tantas maneiras... mas só se fossem eles dois e mais ninguém. Até aquele dia fatídico, não percebera a falha fatal no relacionamento dos dois, uma bomba esperando para explodir em seu rosto, justamente quando se convencera de que alcançara a mais completa felicidade.
Ela perdera Rony... para sempre. Seus caminhos divergiam tão profundamente que nunca existiria um ponto comum onde pudessem tentar uma reconciliação. Um encontro como o dessa noite não passava de um capricho desumano do destino, mostrando-lhe como seria sua vida se a atitude dele sobre bebês e filhos fosse diferente.
Hermione lembrava-se bem demais da atitude de seu pai para permitir que qualquer outra criança sofresse a mesma angustia de saber que não era querida.
Todas as vezes que seus pais brigavam, ele acusava a esposa, com uma amargura feroz, por ter caído na armadilha em função de uma gravidez indesejada. Hermione era culpada pela carreira que o pai não pudera seguir, por ter forçado a mãe a assumir responsabilidades pesadas, em vez de usufruir a vida por muitos anos mais, livre de encargos penosos.
A lista de ressentimentos nunca terminava.
E aconteceria assim com Rony. Talvez os motivos da raiva contra a situação fossem diferentes, mas os sentimentos seriam os mesmos. Hermione não tinha dúvida alguma sobre a atitude que ele teria.
Se ao menos pudesse apagar aquela imagem irresistível de sua mente!
Rony tinha sido, e ainda era, um homem atraente demais, emanando uma virilidade potente e uma sensualidade que a haviam seduzido desde o primeiro instante em que o vira.
O rápido encontro despertara lembranças doces de quanto adorara deslizar os dedos pelos cabelos ruivos e do brilho penetrante de seus olhos azuis.
Ele não tinha o direito de transtorná-la dessa forma! Não agora que uma reconciliação se tornara totalmente impossível.
E por que o encontrara em uma maternidade? Sem dúvida, algum amigo o pressionara muito a vir, em sua ansiedade de mostrar o filho recém-nascido, sem saber que bebês não significavam absolutamente nada para Rony Weasley. Ele viera porque tinha noção das obrigações sociais profissionais.
Pelo menos, era a única resposta que Hermione encontrava para explicar a presença dele naquele local inusitado. Só esperava que o fato de tê-la visto não despertasse nenhuma curiosidade perigosa. Se Rony descobrisse...
Ela não suportaria um confronto que a destruiria. Imaginava os argumentos, as recriminações, a insistência em assumir parte da responsabilidade, nem que fosse apenas a financeira. Um homem preso por uma criança que nunca desejara, mas sentia-se obrigado a sustentar... como acontecera com tantos outros. Um laço de sangue, que não se pode cortar, e torna-se amargo como o fel.
Hermione jamais se submeteria a uma situação tão humilhante e corrosiva. Tomara todas as providências possíveis para evitar justamente isso. Saíra do emprego, mudara de casa, tirara seu nome da lista telefônica... enfim, tudo para romper completa e definitivamente o relacionamento com Rony.
Entretanto, se todas as decisões que concretizara fossem sabotadas agora... com que forças iria resistir? Sentia-se em um estado emocional muito frágil, mesmo sem a intromissão de Rony na vida que criara e pretendia manter. Podia sobreviver com a ajuda de Luna e não precisava do dinheiro dele. Assim como sua filha não precisava de um pai que nunca a quisera.
Talvez estivesse se preocupando sem motivo. Rony já devia ter uma outra mulher em sua vida. Ele as atraía como moscas, era bonito demais, rico e nunca precisara sequer se esforçar para conquistar ninguém.
Mas eles haviam partilhado algo muito especial e Rony era exigente em relação a companheiras. Hermione vira o quanto ele ficara chocado e só esperava que considerasse um encontro fortuito e a esquecesse.
Poderia pensar que ela viera visitar uma amiga mas, se tivesse notado suas roupas, logo descartaria essa possibilidade. Na verdade, toda a sua aparência era incriminadora. Estava de rosto lavado, despenteada e sem bolsa! Esperava que não tivesse lhe dado tempo para notar esses detalhes.
Tempo! Esse problema a preocupava. Ainda eram sete e quarenta e não podia arriscar-se a encontrá-lo novamente, portanto teria de ficar no banheiro até as oito horas, no mínimo, quando terminava o horário de visitas. Luna cuidaria do bebê, até ela retornar para a enfermaria.
Não havia motivo para entrar em pânico. Luna imaginava que ela ficaria cerca de meia hora folheando as revistas na banca do saguão. Deixara a amiga entre mães felizes e pais orgulhosos e a conversa animada a distrairia por um bom tempo.
Hermione sentiu que seus olhos voltavam a se encher de lágrimas. O fato de ser mãe solteira se tornava mais angustiante quando tinha, à sua volta, famílias que celebravam a vinda de um filho. Luna se mostrara uma amiga maravilhosa e sempre a apoiaria, mas não era o bastante.
Se Rony...
Maldito Rony! Por que ele não podia ser diferente? Por que detestava tanto a idéia de ser pai?
Bom postei esses dois capítulos rápidos porque contam mais a história de cada um melhor. E já sabemos como será a história daqui pra frente.
Essa história postarei diariamente ou mais ou menos isso porque ela é bem rápido e é como um passatempo e uma leitura mais leve pra mim. E estou muito ansiosa pra postar a história toda kkk
Espero que gostem e comentem !
