Capítulo 2
Sentiu os primeiros raios de sol em seu rosto. Tentou abri-los, mas como era difícil. Um pensamento veio a sua cabeça: estava ferida, estava em seu quarto, alguém entrara e... quando conseguiu abrir os olhos viu que estava em seu quarto. Olhou ao redor e viu que não tinha ninguém. Lembrou-se do ferimento e passou a mão em seu ombro, ainda ardia.
Muito devagar, levantou e se sentou. Começou a rever flashs do que acontecera; Saitou a confrontara, se detraíra um pouco e ele a golpeou com a espada. Conseguiu vencer a rixa, voltou ao feudo, estava sangrando muito, quase não chegou ao quarto e... Aoshi!! Sim! Aoshi veio ao quarto e a viu. Viu que era mulher. O disfarce de Battousai estava por um triz de ser descoberto por todos se ele desse com a língua nos dentes.
"Vejo que acordou".
Com um pulo, virou a cabeça para o lado e viu que era Aoshi. Teria que matá-lo, sabia demais. Cadê a espada? Teria que acabar com isso de uma vez.
"Não se preocupe. Não contei a ninguém".
Sentiu um pouco de tontura e se deitou novamente.
"Isso não impede nada. Sabe demais".
"Se quiser, me mate, não importo. Mas antes quero saber o porque".
Himura olhou para e ele e falou:
"Aconteceu. Não posso mudar nada. Uma mulher não pode lutar pelos seus ideais, nem mesmo sabendo usar uma espada".
"E, não esperava que, por um deslize, soubessem que você é uma mulher?".
Ela desviou o olhar e depois de uma pausa falou:
"Isso não muda sua situação".
Aoshi lembrou-se de quando ela veio. Um menino franzino (assim pensava até pouco tempo atrás), porém bom com a espada. Destacara-se entre os outros apesar de ter somente 14 anos. Começou a pegar trabalhos de hitokiri (assassino), mais tarde começou a ser chamado de Battousai por ser o melhor dos assassinos. Ganhou o respeito da Ishin Shishi e começou a trabalhar para o feudo Choushuu. Desentendera-se com Hajime Saitou, um integrante da Shinsengumi, e os dois são inimigos desde então.E, para completar, agora sabia que o maior assassino da era Bakumatsu era uma mulher. Se sobrevivesse, não conseguiria olhar para ela com os mesmo olhos que tinha para Kenshin Himura homem.
"Por quanto tempo dormi?" disse depois de um longo silencio.
"Dois dias. Estou impressionado. Você perdeu muito sangue e já está acordado".
Kenshin começou a sentir o sono vir, mas lutava para ficar acordada.
"Durma. Ninguém entrou aqui até agora e ninguém entrará. Não se preocupe, não fugirei do 'compromisso'".
Kenshin cerrou os olhos e dormiu. Aoshi olhou para ela por um tempo.
Passaram-se dois dias, mas ainda era difícil acreditar que o lendário Battousai era uma mulher tão boa com uma espada quanto qualquer outro hitokiri do Choushuu.
Pegou o recipiente com água, o pano que usara para passar em sua testa, as coisas para fazer o curativo e saiu do quarto. Ninguém seria burro de entrar no quarto de Himura sem esperar ser retalhado vivo e Aoshi contava com isso.
