Rússia acordou ao ouvir batidas ritmadas em sua porta. Ainda sonolento, moveu-se até a mesa de cabeceira e pegou seu cachecol, enrolando-se nele. Um sorriso falso se instalou em seus lábios ao dar de cara com Toris, que tremia da cabeça aos pés, como sempre:

-B-Bom Dia, Ivan. – Sussurrou Lituânia, um meio sorriso se formando nos lábios.

-Bom Dia.- Seus olhos se fixaram em um envelope que o país trazia no braço. – O que tem aí?

-Ah! Isso aqui é para você, pediram para entregar o mais rápido possível...- Respondeu Toris, estendendo o envelope para a nação maior.

-Ah sim...Obrigado. – Ivan fechou a Porta na cara da nação mais nova assim que pôs as mãos no envelope, o que deixou Toris levemente desconcertado. O que poderia ser tão importante para Tirar Ivan da cama de manhã, e o mais importante, sem deixa-lo irritado?

Depois de alguns instantes parado no meio do corredor, decidiu deixar o assunto de lado e voltar para as suas obrigações, já que não era mais de sua conta, desde que ele havia entregado o envelope.

Ivan mal se sentou na cadeira e começou a ler os papeis que se encontravam em suas mãos. Sorriu um pouco com o conteúdo, não era como se ele precisasse de informações extras como essa para saber que as ilhas ainda estavam de pé após a explosão.

O que ele queria mesmo saber era como os gêmeos estavam. Mas isso o documento não dizia, é claro.

-O que só torna as coisas ainda mais difíceis para mim...- pensou ele, deitando novamente na cama e fechando os olhos.

Deixando que sua mente voltasse para a época em que os havia visto pela primeira vez...

-Um Frio tão grande quanto o da Sibéria.- Disse um dos navegantes, os olhos vidrados encarando alguma coisa no além mar em que se encontravam.

-O que quer dizer com isso? –perguntou um menino , de maneira debochada, achando que o marinheiro talvez estivesse enlouquecido.

-Tão frio...Só se via a neve, nada mais. Nem o sol se atreveu a aparecer por aquelas partes...

-Deve estar alucinando.- Comentou o garoto para um dos homens que se encontrava ao lado do marinheiro, mas a maioria permanecia sentada, ouvindo as palavras do mesmo como se elas fossem profecias.

-No início demos Graças a Deus por termos chego a algum lugar com terra, mas depois que vimos o quão gelado ali era, pensamos seriamente em desistir de tudo e morrer ali mesmo. -Continuou o homem, o rosto se contorcendo em angústia e dor.

-Do que estão falando? –Perguntou Ivan, que passava pelo cais sem ter bem o que fazer, o vento frio acariciando sua pele e a dos demais presentes, fazendo o homem que narrava a história gemer com terror.

-Ah, . Esse homem diz que passou por uma terra que é tão fria quanto a Sibéria...vê se pode...- respondeu o menino, os olhos azuis sorrindo com desdém.

-E que lugar seria este? – Ivan se sentou ao lado do homem, enrolando-se ainda mais em seu cachecol, um sorriso amigável no rosto.

-Nova Zembla, Senhor. Nós a chamamos de Nova Zembla.-O homem respondeu, não mais que um sussurro, enquanto permanecia com seus olhos fixos no mar a sua frente...


-Tem certeza de que quer fazer isso, ? – Perguntou-lhe um dos caçadores, testa franzida.

-Da. Algum Problema? –O sorriso em seu rosto mostrava claramente o quão aborrecido estava, e o homem não mais insistiu. Com um pesado suspiro, mandou que seus companheiros virassem o barco rumo as Ilhas.

-Deve estar muito frio lá agora, senhor...-Comentou ele, enquanto se enrolava ainda mais em suas peles.

-Você é um caçador. Deveria aguentar melhor o frio, não? – Provocou Ivan, encarando o homem, que envergonhado se afastou para ir atrás de uma bebida quente.

Ao chegarem nas ilhas, O grupo de caçadores pediu para que Ivan não se afastasse muito, o que acabou por se tornar um pedido vão.

Em poucos minutos ele já estava perdido entre a neve. Não conseguia enxergar árvores, ou até mesmo o sol, tão grande era a tempestade que se alastrava.

-Como eu Odeio o Gelo, nessas Horas...- Resmungou a nação com os dentes cerrados, enquanto continuava andando meio curvado em direção a lugar nenhum.

-Sério? Pois eu a adoro! –Comentou uma voz levemente carregada com um sotaque russo. Ivan parou de andar, surpreso. Não havia sido ele a falar aquilo. Os caçadores estavam longe demais, então quem?

-Ah. Desculpe. Você parece assustado. Também parece perdido. Há! Não é o primeiro que se perde em minhas terras... – Disse novamente a voz, dessa vez um pouco mais perto. Antes que Ivan pudesse responder, uma mão se fechou na ponta de seu cachecol, puxando-o levemente.

-Me siga. Vou te levar para um lugar um pouco mais quente, e lá nos conversamos, está bem? Faz tempo que eu e meu irmão recebemos visitas... – Comentou a voz, enquanto os dois andavam sem Ivan conseguir enxergar quem é que estava puxando seu cachecol. Não sabia se devia confiar na pessoa que o guiava, mas era melhor segui-la do que ficar parado na neve.

Seu cachecol parou de ser puxado quando ele avistou um chalé, com luzes acessas.

-Chegamos!- Disse-lhe uma voz atrás de Sí, e Ivan teve de se virar para ver quem é que o havia salvado da tempestade.

Não passava de um Garoto, com 10 ou 12 anos de idade. Tinha os cabelos ruivos vivos e rebeldes, escondidos por um capuz branco , e olhos lilases tão vivos quanto o de Ivan. Carregava uma bolsa branca nas costas, com um arpão de pesca levemente desgastado e um facão na cintura.

- Qual é o seu nome? - Perguntou Ivan, curioso, principalmente por saber que aquele menino não era apenas um ser humano comum, mas sim uma personificação, como ele.

-Hum, Os marinheiros que chegaram aqui antes de vocês me chamaram de Ilha Severny , enquanto eles gostam de chamar o meu irmão de Ilha Yuzhny. Mas nós não temos nomes humanos, preferimos assim...- Acrescentou a Ilha com uma expressão um pouco triste no rosto.

-Mas Ah! Você tem de conhecer meu irmão, ele está com um humor negro hoje porque nós íamos sair para caçar juntos mas ele acabou tendo de ficar em casa, mas...Eu aposto que ele vai adorar receber visitas! -Exclamou Severny , puxando novamente Ivan pelo Cachecol. - A propósito, qual o seu nome?

-Ivan Braginski.- Respondeu a nação , sorrindo amigavelmente.

-Ah! É um nome estranho! -Comentou a Ilha, rindo descaradamente.

Ao entrarem no Chalé, Ivan Tomou um susto. Era bem maior e mais larga do que parecia por fora, com móveis de madeira provavelmente feitos a mão. Severny Sorriu , convidando-o a se sentar na sala enquanto ele ia atrás de alguma coisa quente para beber. Depois de alguns minutos de Silêncio, a nação quase deu um pulo ao ouvir uma voz extremamente calma atrás de sí:

-Não vai se sentar...estranho?