Olá, meninas lindas do meu coração!

Queria agradecer muito pela fichas, eu sinceramente tinha duvidas se essa fic ia sair ou não. Vou dar um spoiller de como vão ficar os pares XP

Mu – Shadow

Aldebaran – Akuma

Saga – Ishtar

Kanon – Luna

Máscara da Morte – Shamira

Aiolia – Zöe

Shaka – Black Ageha

Dohko – Away

Milo – Ange

Aioros – Robin

Shura – Mad Max

Camus – Lady Anubis

Afrodite – Scarlet

Bem, é isso, agradeço muito a todas vocês e para as fichas que não foram aceitas, me perdoem, mas eu tive que escolher x.x

Desculpem a demora pra começar, final de período, sabe como é, né? Aí vai o primeiro capítulo, não vão aparecer todas ainda porque eu tenho horror a capítulos enormes x.x. Mas o segundo já tá quase pronto, não demoro a postar.

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O ritual

Meteora, Grécia - Lar das mercenárias

Suas sobrancelhas estavam curvadas em desaprovação, resmungava alguma coisa a cada cinco minutos e algumas vezes xingava alto em finlandês, falando de como havia sido injusto tê-la deixado para trás. Por vezes via a outra garota suspirar assustada com suas reclamações. Balançava a cabeça de um lado para o outro, não podia acreditar que aquela garota de aparência tão delicada era mesmo uma deusa. Pensava sobre isso, tinha vontade de concentrar a sua raiva nela, mas isso não seria sensato, pois a senhorita Kido havia trazidos seus fiéis cães de guarda a tira colo.

Os olhos tinham pupilas pequenas, ínfimas na verdade, sobrepostas em amarelo que se abria em um verde vivo como uma savana que se transformava em uma selva virgem. Limpou o suor do rosto manchando-o de vermelho. Estava agachada no grande salão onde costumavam fazer festas, pintando no solo quatorze círculos de magia, preparando o ritual Wicca de encarnação. Uma arte antiga que aprendera com sua avó, que havia lhe advertido para nunca realizá-lo. Tirou o cabelo do rosto pela terceira vez, os fios curtos e negros teimavam em incomodar-lhe, deixando-a mais irritada ainda. As sardas se contraiam em função da sua raiva. Queria estar com as outras, conhecer o inferno, ajudar a resgatar as almas, ter alguma ação. Mas não. Ela tinha que fazer o que só ela podia fazer. Ishtar levantou e olhou para o circulo no chão, similar aos outros oito que tinha feito, as curvas e pontas pareciam ser distribuídas caoticamente, mas na verdade seguiam fielmente um padrão, os círculos tinham o mesmo tamanho e formato, se fossem sobrepostos se fundiriam em um só.

Agachou-se novamente arrumando um detalhe, franziu a testa enquanto arrastava a tinta arrumando um espiral que havia ficado fino demais. Depois se levantou analisando sua obra, faltavam ainda cinco.

Olhou para os quatorze sarcófagos agrupados juntos as enormes janelas que davam para o jardim e suspirou pesadamente. Tinha que ser detalhista e paciente para fazer cada volta. Mas paciência nunca foi um das virtudes de Ishtar.

- Você ainda vai demorar muito? – Seiya perguntou sem ter noção nenhuma do perigo que corria.

O rosto dela se contraiu novamente e um sorriso de incredulidade quase se formou, mas os olhos cintilaram nervosos e se voltaram para o rosto despreocupado do cavaleiro de Pégasus.

- Vai pro inferno, fedelho! – disse já alterada fazendo Seiya tomar um susto – Estou fazendo o grande favor de ajudar já que a droga da sua deusa não consegue cuidar de seus próprios cachorros!

Seiya ia falar algo indignado, mas Ishtar andou nervosamente na direção dele já prestes a gritar blasfêmias. A visão da moça de calca folgada e regata de algodão suja de tinta que lembrava muito a cor e textura de sangue por algum motivo o fez tremer. Um vento quente soprou forte na sala fechada.

- Ishtar! – uma ruiva gritou abrindo a porta bruscamente.

- Que é?

A wicca virou-se dirigindo sua raiva à outra. Zoë teve o impulso de recuar, mas não o fez, tinha que ser firme. Miluen tinha sido bem clara, mas mesmo assim a ruiva não quis que mais ninguém ficasse, teriam muito trabalho para trazer os espíritos do inferno, precisaram de todas as guerreiras disponíveis. Ela tinha ficado para evitar que a fúria constante de Ishtar causasse algum problema e porque era a pessoa mais próxima de Black Ageha, que não era deixada sozinha nunca.

A ruiva ascendeu um pouco seu cosmo e envolveu a morena fazendo a expressão dela se atenuar.

- Você está fazendo aquela droga que você faz de novo, não é? – falou um pouco menos agressiva.

- Sim. Precisamos de você calma.

- Então tire esses pirralhos daqui!

A ruiva suspirou, virou-se gentilmente para Athena e seus cavaleiros e pediu que a seguissem até a outra sala. Saori que permaneceu próxima aos sarcófagos desde que chegara hesitou por um momento, mas depois assentiu com a cabeça, sendo seguida por seus cavaleiros enquanto saia.

Ishtar estralou o pescoço e se acalmou enfim, pegou a tigela com tinta e desenhou um pentagrama no chão, assim como o que tinha tatuado em sua nuca, e a partir puxou um grande arco mantendo os dedos separados para dar início a mais um círculo. Seguiu com a face pesada. Olhou para os sarcófagos e lhe bateu alguma curiosidade, levantou de onde estava e contemplou o círculo incompleto, andou até perto da janela e tocou um sarcófago, era o quarto na contagem e por algum motivo tinha ido direto para ele. Imaginou em que estado de putrefação estaria, fazia seis meses desde a guerra contra Hades. Nem hesitou em empurrar a tampa, prendeu a respiração pretendendo evitar o cheiro ruim.

Que decepção teve ao ver, depois que a poeira havia assentado, os raios de sol tocando uma face masculina perfeita, fios loiros e cumpridos, claríssimos e uma pele lisa e perfeitamente pálida. Era Saga a quem olhava e o achava, de fato, muito bem afeiçoado. Teve vontade de puxar a pálpebra para ver a cor dos olhos, mas aprendera a deixar os mortos em paz, mesmo que não fossem permanecer mortos por muito tempo. Arrastou a tampa de volta e se deteve um tempo olhando o símbolo de gêmeos cravado na rocha. Sorriu de leve e voltou a sua entediante tarefa.

O roubo

Mundo Inferior – Próximo ao portão de entrada do Inferno

O jardim das Hesperides ficava no ponto mais distante da terra, próximo a casa da noite, depois de onde Atlas cumpria sua penitência e em frente a uma das entradas que levavam ao mundo inferior. Era impossível encontrar o jardim procurando-o do mundo dos vivos e por este motivo elas haviam simplesmente se jogado no poço sem fundo do Mekai.

Estariam mortas se não fosse o ritual que Ishtar havia feito antes de partirem. Em frente aos portões do inferno separaram-se. Away seguiu na direção oposta ao Aqueronte, a parede de pedra se ergueu gloriosa a sua frente. Haviam três grandes entradas e perto delas milhares de almas que rastejavam no chão ensandecidas, agarrando-lhe a barra do vestido. Ela olhou para um daqueles rostos, o de uma criança e deteve-se absorta naquela imagem e no gemido melódico daquele espírito. Permaneceu estática o que deu tempo para um outro espírito agarrar-lhe a saia e alcançar os sedosos cabelos cor de trigo e prende-los entre os dedos. A garota nem sequer mexeu-se. Os olhos de um castanho intenso de escarlate arregalaram-se quando a melodia da criança tornou-se aguda em um choro fino. Estava de certa forma comovida e maravilhada com aquele pequeno e inocente espírito. Prosseguia onde estava e nem sequer se dava conta dos montes de almas que se aglomeravam aos seus pés, tentando subir por seu corpo. Continuaria ali, apreciando a melodia melancólica de uma inocência interrompida se não tivesse sido puxada bruscamente pela guerreira que a acompanhava, fazendo as almas envolta dela caírem lentamente soltando-a.

- Concentre-se!

Away piscou uma vez ou outra antes de o rosto pálido e os olhos foscos de Akuma aparecerem em sua mente. Olhou ainda uma vez para trás onde a criança lhe lançava uma expressão suplicante e então se voltou mais determinada para sua colega e seguiu com ela. Away não podia entender porque aquela imagem lhe incomodara tanto, já havia visto crianças chorando antes, milhares delas. Mas aquele rosto em especial a perturbava. Concentrou-se no que tinha que fazer e seguiu a japonesa que já estava muito a frente dela, prestes a entrar em uma das grutas.

O resgate

Mundo Inferior - 8ª prisão, Cócito

Frio. Tudo o que sentia era frio, seu corpo congelado afundado na neve, e como estava furioso. Iria passar a eternidade em um inferno de gelo, mas não era por isso que estava chateado. Ele estava irado por causa dele, por causa do maldito francês, ele estava bem ali ao seu lado, mas Milo não se atrevia a mexer o pescoço para olhá-lo, aliás, mexia-se o mínimo possível, pois a cada movimento era como se seu corpo congelado se partisse.

Ele amaldiçoava Camus por já estar acostumado com o frio, e por mais que o ruivo dissesse que não era a mesma coisa Milo sabia que ele não estava sofrendo tanto quanto deveria. E o pior é que o cavaleiro de Aquário, frio e calculista como era, ainda conseguiu ver o maldito lado positivo da situação.

- Pelo menos vou passar a eternidade ao seu lado.

Ah! Mas que francês maldito, o escorpiano tinha vontade de rir, pois era engraçado que não existisse verdade mais certa que aquela. Passariam a eternidade juntos, quando se está com um amigo não pode ser tão ruim, queria que pelo menos o tivessem enterrado de frente a ele, suportaria a dor tranquilamente só para tirar o ruivo do sério com suas caretas.

Ouvia os passos na neve. Sabia o que estava por vir, preparou-se para ouvir os gritos de seus companheiros. Mu, Aldebaran, Aiolia e Shura estavam lá também. E a rotina de Valentine começava com o ariano, preso a alguns metros atrás de si, torturava-os um a um, ele ouvia os gritos, ou os suspiros dos mais fortes e esperava pacientemente por sua vez, não ligava para a dor, não diria a Valentine, mas seu corpo já estava tão anestesiado pelo frio que mal sentia seus golpes. O problema era que depois de ir até ele, o espectro ia até Camus e se demorava muito mais no aquariano. Talvez por ter ciência de que o frio não o importunava como aos outros ou talvez por Camus ser o último e ele não querer acabar de brincar tão rápido. De um jeito ou de outro, Milo queria esganá-lo toda vez que o espectro colocava as mãos em Camus, pois tinha inveja, queria ele mesmo poder maltratar aquele maldito francês.

Mas naquele dia, os passos eram diferentes, eram dois pares de pés, um andava sem esforço, enquanto o outro par arrastava o gelo de forma desajeitada. Milo não tinha vontade de se virar para olhar, estava cansado, cansado demais, semicerrou os olhos e perdeu o olhar nas colinas de neve a frente, enevoadas pela tempestade eterna do Cócito.

Estava pronto para fechar os olhos, quando um par de botas de couro marrom apareceu diante deles, um corpo feminino agachou-se a sua frente e por um momento sorriu com os olhos presos ao belo par de seios, como sentia falta daquilo, subiu os olhos pelo pescoço, fitou uma boca de lábios azulados, envoltos de uma pele branca que podia ser confundida com a neve e cabelos negros que caiam sobre o rosto, balançando com o vento da tempestade. Ela usava uma couraça de pele felpuda e branca. Ele sorria abobalhado, até que a realidade lhe segurou pelo pescoço e o puxou da cova de neve onde estava tão bem acomodado. Então finalmente tomou ciência de todos os dias da tortura de Valentine, tudo em si doía, não conseguiu ficar de pé, ajoelhou-se na neve e espalhou gelo desesperadamente pelo corpo, querendo recuperar a confortável dormência da qual fora arrancado. Seu queixo batia de frio, esfregava neve nos braços e nas feridas, sentia seus ossos estralarem. De repente ele parou, tomando consciência de que estava fora dali e de que olhar para o lado não seria mais tão doloroso.

Viu Camus deitado de barriga para cima, imóvel, com os olhos fechados, cabelos vermelhos espalhados pelo gelo e só então reparou no corpo ferido e magro, muito magro, as harmoniosas maçãs de seu rosto estavam secas, os olhos fundos e foscos. Ele estava horrível, era possível contar as costelas, até mesmo as que não estavam expostas.

O francês levantou a cabeça para ver o escorpiano rindo e gemendo de dor.

- Qual a graça? – perguntou sem agressividade na voz.

- Nunca o vi tão feio! – Milo respondeu, tentando levantar lentamente.

- E você acha que está muito bonito. – o aquariano arquejou a sobrancelha e sentou-se na neve, com os ossos estralando.

Milo caiu de dor, e depois parou para olhar para si mesmo. Também podia contar suas costelas. Contraiu os lábios, desgostoso, e depois olhou para trás, para os outros, nenhum deles conseguiria levantar, estavam todos em situação similar, senão pior. Mu havia perdido um olho e o braço de Aiolia só estava preso ao corpo por um punhado de pele semi necrosada. Sorriu triste, porém esperançoso.

Procurou o par de botas com o olhar e encontrou a couraça branca caminhando de encontro a uma outra pessoa, não sabia dizer se um homem ou uma mulher devido a quantidade de tecido preto que a cobria.

- Anubis – a primeira chamou a atenção da outra, que parecia perdida em pensamentos.

Enquanto Mad Max desenterrava os cavaleiros, ela apenas observava os cabelos ruivos de Camus e quando pode ver seu rosto, o encarou por algum tempo e os olhos deles pousaram sobre o verde dos seus, mas logo se desviaram. Será que ele não a tinha reconhecido? Mudara tanto assim desde a última vez? Certo, fazia anos, mas mesmo assim ele poderia pelo menos tê-la analisado melhor. Ficou cabisbaixa parecia procurar algo não muito importante na neve e só se moveu novamente quando Mad Max mostrou que era necessário.

- Faça sua mágica. – a morena ordenou e a outra andou arrastando neve com os pés na direção dos cavaleiros.

Quando se aproximou, Mu pode ver um rosto delicado envolto em cabelos despenteados cor de caramelo, concluiu que era uma mulher. Ela entregou um cantil ao ariano e o instruiu a beber até que dissesse que bastava. Sua voz era pouco mais alta que o uivar dos ventos do Cócito e não muito mais firme que a de um moribundo. Depois ela recolheu o cantil em sua enorme bolsa e ajoelhou-se para ficar na altura de Mu, que não tinha forças para se levantar. Ela tirou a luva e pôs a mão pálida na testa dele, sussurrou algo para ele lentamente enquanto elevava minimamente seu cosmo, quando parou de falar houve uma pequena implosão. No segundo seguinte Mu estava no chão se contorcendo de dor, uma das mãos apertava e coçava desesperadamente a orbita do olho perdido. As duas mulheres apenas olharam, Milo quis gritar com elas, mas a voz saiu rouca e incoerente.

Mu gritou por aproximadamente cinco minutos e depois parou, ofegante. A mulher do cantil falou arrastadamente:

- A cura é quase pior que a doença.

Logo o ariano tirou a mão do rosto e seu olho perdido estava lá, ele piscou algumas vezes e procurou seus ferimentos, haviam sarado. Pôs-se de pé com alguma dificuldade, estava magro e fraco, como todos os outros.

- Bom, pelo jeito funcionou. – Anúbis falou.

- Você não tinha certeza que ia funcionar? – a outra perguntou nervosa.

A moça esboçou um sorriso e deu de ombros, indo em direção a Aldebaran. Ela arrancou uma costela de Touro que estava encravada em seu pulmão, e fez o mesmo com ele.

- Quem são vocês? – Aiolia perguntou, ainda que falando baixo.

- Me chame Mad Max. – a de cabelos compridos falou com arrogância e um sorriso de deboche brotou em seu rosto – Aquela é Anubis. E no momento nos somos sua melhor chance de sair daqui.

Milo não precisava ouvir mais nada, nenhum deles precisava, as palavras mágicas "sair daqui" já conquistaram a confiança dos cavaleiros. Logo Aldebaran urrava de dor, e sem esperar que ele parasse, ela foi a Aiolia e começou seus sussurros novamente.

- O que está dizendo para ele, Anubis? – a mulher perguntou com certa impaciência.

- Nada. Estou apenas rezando. – respondeu.

No momento seguinte houve o riso irônico de Mad Max e os gritos de Aiolia. Mas não havia mais problema, eles sairiam e isso era tudo que lhes importava.

Camus foi o último a quem acudiu, talvez porque ainda estivesse ressentida por ele não tê-la reconhecido, abaixou-se diante dele e o olhar gélido se encontrou com seu olhar perturbador, o viu reagir de alguma forma e durante alguns segundos esperou que ele falasse algo, mas nada ocorreu. Sentiu uma pontada de tristeza, mas sua expressão vazia não transpassou a desilusão. Deu-lhe de beber e rezou, enquanto, de forma muito mais cautelosa do que com os demais, o curava.

O resgate II

Mundo Inferior – 6ª prisão, Vale da Floresta

Ela podia sentir a vibração do solo, estava em frente à floresta a algum tempo pensando se era prudente entrar sozinha. O farfalhar das folhas pareciam gemidos de dor, havia o som de galhos estralando. A floresta estava viva, ela sabia, esperando por mais e mais suicidas. A menina soltou o riso irônico, enfiando-se sozinha na mata infernal, esta atitude poderia ser julgada tranquilamente como suicídio.

A garota de menos de um metro e meio de altura e traços tão delicados que lembravam uma criança estava mais receosa pelo que Miluen diria depois do que por entrar no Vale da Floresta. Mas mesmo assim prosseguiu. Shadow não parecia realmente uma guerreira, perto das outras ficava menor e mais delicada ainda. Sempre com seu corte Chanel em perfeito estado, a franja atrás da orelha e nenhum único fio fora do lugar, as roupas engomadas e alinhadas a sua silhueta. Parecia uma criança arrumada pela mãe.

A morena respirou fundo, olhou para trás, levaria algum tempo até que voltassem do Cócito, e a cada segundo de demora ele estaria sofrendo, era algo que não podia permitir, mesmo que o cavaleiro achasse que merecia. Que coisa mais idiota de se fazer. Matar-se para conseguir um perdão que já tinha. Nunca entenderia a filosofia de vida de um santo de Athena. Quando Miluen deu destino a cada uma das que tinham vindo, ela percebeu que faltava um, mas nada disse. Shadow se manteve fiel até ali, mas não podia acreditar que a lemuriana realmente pretendia deixar um cavaleiro para trás. Sabia o quanto ela odiava Saga por ter matado Shion e sabia o quanto era vingativa.

O troll se afastava mais uma vez, irritado batendo a clava e jogando torniquetes por todos os lados. Deixava o homem para trás novamente, já não sabia mais o que fazer. O cavaleiro de Gêmeos cumprimentava seu algoz como a um conhecido sempre que ele chegava e se despedia educadamente quando ele ia embora, o que deixava a criatura irada e frustrada.

De todos os cavaleiros ali, ele um dos poucos que julgava justa sua pena, sofreria todos os dias pelo mal que causou a Athena. Passaria a eternidade preso aquela árvore viva, com os galhos lhe apertando os pulsos e costelas e apanhando todos os dias dos três trolls que vinham lhe ver. Os galhos vivos seguravam tão forte que suas mãos já não respondiam sua vontade há tempos, e algumas horas antes, sua mão esquerda havia caído, como um fruto maduro que se desprendeu da árvore, era apenas um pedaço de carne gangrenada, não era mais possível diferir dedos.

Como em todos os dias desde que chegara ali, assim que a horrível criatura se afastava do geminiano, um cortejo de ninfas se aproximava. A hamadríade responsável pela árvore onde estava preso tocava os galhos com delicadeza e logo os pulsos estavam soltos, ele escorregava pelo tronco e as ninfas se agrupavam em volta, apenas olhando, curiosas, sem nunca tocá-lo. Havia mais de dez, entre hamadríades, ninfas relacionadas a árvores, e trías, ninfas relacionadas com abelhas que estavam sempre untadas em mel. O cheiro doce fazia Saga sorrir de forma discreta, já não podia mostrar o sorriso, pois havia perdido boa parte dos dentes. Elas conversavam em uma língua estranha e sempre lhe fitavam com seus olhos místicos e curiosos.

A garota adentrava mais a floresta e ouvia os passos parrudos do gigante que se aproximava, se escondeu atrás de um tronco e não respirou até que ele se fosse, passou por mais sete trolls, quase se meteu no meio de uma sessão de tortura e em pouco tempo percebeu-se perdida.

- Foi uma péssima idéia. – sussurrou consigo mesma o rosto ficando grave.

Recostou em um tronco e sentou suspirando pesado. Parou olhando os cantos da floresta escura, olhou para cima e viu mata fechada, riu de si mesma pensando que esperava ver o Sol. Ouvia o som de insetos e as folhas que agora pareciam rir dela. Alguns galhos tentaram prendê-la, mas recuaram ao perceber que estava viva. A morena olhou novamente para cima e concluiu que estava com problemas sérios dessa vez. Passou um tempo descansando, preparando-se para voltar a sua busca, quando um enxame de abelhas pareceu atacá-la gratuitamente. Ela moveu-se para escapar, sentindo o pânico crescer em seu intimo, mas as abelhas continuavam perseguindo-a. Era terrivelmente alérgica às picadas, só de pensar já estava suando frio e ofegando. Ela correu, e depois de algum tempo, percebeu que os insetos estavam guiando-a. Fechavam alguns caminhos e abriam outros. Tentou acalmar seu coração e seguiu a trilha que aqueles bichos traçavam. Em pouco tempo ouviu o coral de vozes femininas descompassadas e agitadas.

Chegou a elas ainda ofegante da corrida. A morena olhou para as ninfas e as mesmas se afastaram lentamente, abrindo passagem. As abelhas que a perseguiam rodearam-na mais uma vez fazendo seu coração saltar para a garganta e foram então de encontro a uma das trías, afundando-se no mel em sua pele. Quando todas finalmente se afastaram ela pode ver o homem caído no chão. Correu até ele e levantou-lhe o rosto delicadamente. Saga estranhou o toque e fez uma expressão interrogativa ao fitar as duas safiras a sua frente.

- Vim tirá-lo daqui. – falou sussurrando – Consegue andar?

- Não quero. – ele tinha dificuldade para falar, sua mandíbula estava fraturada, e os dentes que faltavam também não ajudavam – Eu mereço ficar, me deixe. – a morena suspirou com impaciência.

- Não iria nem se fosse a vontade de Athena?

Ele levantou o rosto e os olhos marejaram, a menina o fitou, preocupada, e ele fez menção de ficar de pé. Logo ao tentar percebeu a perna quebrada e sorriu para ela um pouco sem jeito. Shadow o apoiou em seu ombro, embora fosse muito menor conseguiram seguir bem assim. O cortejo de ninfas os acompanhou até a saída, evitando que se perdessem ou fossem encontrados. Na saída estas acenaram sorrindo para ele, Saga levantou o braço esquerdo para retribuir o cumprimento, mas percebeu que não tinha mais aquela mão, deu de ombros, sorrindo sem graça, as ninfas riram de volta e voltaram correndo e saltitando para dentro da floresta.

- É. – a menina falou com ironia – Acho que você estava bem acompanhado lá, por isso não queria ir embora. – ele riu esquecendo-se de cobrir a boca banguela.

A menina sorriu debochando, e ele ficou sem jeito, com a mão direita cobriu a boca e perguntou quem ela era.

- Minhas amigas de chamam de Shadow. Nós viemos tirar vocês daqui. – ela tentava apressar o passo enquanto falava – Não se preocupe com os ferimentos, ou com a mão, tenho uma amiga que pode dar um jeito nisso. Vou levá-lo até ela e depois vou buscar seu irmão. – disse de forma seca, mas ainda assim gentil.

Saga assentiu com a cabeça, estava mesmo preocupado com Kanon, mas sentiu-se seguro. E se Athena achava mesmo que sua dívida já havia sido paga, já passava da hora de sair daquele lugar.

Ah, sim, quase esqueci. Se vocês me permitem, farei algumas alterações nas fichas, pelo bem da fic (Muahahahahaahah x})

Precisa-se: Beta-reader, se alguém quiser se candidatar eu agradeço ^^

Obrigada, mais uma vez,

Beijos!

V. Lolita