Capítulo II

Primeiro dia em Hogwarts

Como havia prometido á professora McGonagall, Leohnora se apresentou pontualmente ás 11:30 hs no escritório da diretora. Dumbledore a saudou juntamente com a diretora, e ambas saíram em direção aos seus aposentos. Como na época em que estudou lá, Leoh percorreu o mesmo corredor que a levava até a sala comunal da Corvinal. Os alunos ainda não tinham voltado, afinal o banquete de abertura só teria lugar a seis horas, mais ou menos. Minerva indicou-lhe uma porta a direita do corredor onde estavam. Haviam várias tapeçarias nas paredes e uma armadura ao lado da porta.

Leohnora entrou no vestíbulo seguida pela diretora. Este era composto de uma pequena estante e uma mesa com duas cadeias dispostas a sua volta. Passaram então para o aposento em si, que era uma peça maior e tinha uma grande cama grande centro ladeada por dois criados mudo. Um baú estava aos pés da cama, e um pesado armário, perto das janelas. Completando a mobília, havia uma escrivaninha na mesma parede da porta. A diretora a fitou, enquanto Leoh andava pelo quarto e colocava sua valise sob a mesa. Ela se virou para Minerva e sorriu.

- Obrigada, diretora.- ainda olhando cada parte do aposento e sorrindo, acrescentou: - Me sinto em casa e muito feliz por estar de volta.

- Que bom ouvir isso, minha filha. – disse uma Minerva sorridente e completou: - Porém temo que seu tempo no momento para reminiscências seja deveras curto. Dentro de alguns minutos será servido o almoço. Tenho que pedir que se apronte o mais breve possível e desça para o Salão Principal.

- Fique tranqüila, descerei em poucos minutos. - sorriu-lhe bondosamente - Filch só deverá trazer o restante de minha bagagem mais tarde. Então arrumarei tudo a contento. Obrigada, mais uma vez.

A diretora se retirou, e Leoh atirou-se na cama. Pelo menos dormiria bem - pensou, afinal o colchão era ótimo. Sorriu para si mesma, levantou e foi até sua valise. Pegou alguns itens e tirou uma peça de roupa de um tom rosa pálido, colocando-a sobre a cama. Foi até a outra peça contígua, que era um toillet como supora, e espalhou ali vários potinhos e frascos que trouxera consigo. Olhou-se no espelho e resolveu tomar um banho antes de se apresentar no Salão. Odiava viajar na rede Flu porque geralmente ficava coberta de pó. Pouco tempo depois saiu do toillet envolta numa toalha e colocou a peça rosa. Voltou ao espelho, escovou os cabelos até ficarem brilhantes e teve que admitir que aquela veste rosa lhe caía muito bem. Era quase como um vestido longo de tecido fino, só que possuía mangas compridas, um decote pequeno e uma faixa do mesmo tecido abaixo do busto amarrada nas costas. Apesar de não estar tão frio, ela achou por bem levar a capa da mesma cor.

Leohnora saiu de seus aposentos, e dobrando alguns corredores chegou até o Salão principal. Entrou devagar evitando atrair atenção sobre si, mas aparentemente não conseguiu fugir aos olhares curiosos de todos os presentes. A professora Minerva estava ao centro da mesa dos professores e ao seu lado esquerdo, Leoh pode ver: um homem baixo com óculos e um cabelo que parecia uma peruca, nele Leoh reconheceu o prof. Filtwick; em seguida vinha uma mulher com cabelos grisalhos revoltos, baixa e corpulenta, identificada com a professora de Herbologia, Mme. Sprout; depois desta uma outra mulher com cabelos negros e olhos miúdos, não identificada; e bem no extremo da mesa uma figura que á ela pareceu ser um centauro.

Retornando o olhar para Minerva, desceu a fileira de cadeiras a direita. Havia um homem gigantesco com a barba desgrenhada e selvagem ,os olhos pequenos e pretos, e que arrancou-lhe um sorriso de imediato. Este também ela conhecia, mas não como professor, era Rúbeo Hagrid. Ao seu lado havia uma cadeira vazia, e ao lado desta um homem trajando preto. Seus cabelos eram negros e oleosos, o nariz anguloso, nele Leoh reconheceu imediatamente seu antigo professor de Poções, Severus Snape. Ao lado dele ainda havia mais duas pessoas que conversavam e pararam para olha-la como os demais, mas aquela altura ela não lhes deu importância.

Leohnora caminhou até a mesa apressadamente, enquanto a professora Minerva se levantava para recebê-la. Seguiu pelo lado a esquerda da mesa, cumprimentou a todos daquele lado e abraçou a diretora . A professora McGonagall indicou-lhe a cadeira vazia, ela agradeceu e se sentando no lugar indicado. Passou por Hagrid que a cumprimentou efusiasticamente. Severus, no entanto, parecia não ter lhe percebido a presença. Leoh por sua vez não evitou encará-lo e cumprimentou as outras duas pessoas ao canto.

Se ajeitou calmamente na cadeira e verificou que parecia destoar de todos. Aparentemente o preto e o verde escuro estavam em alta. Suspirou, infelizmente teriam que se acostumar, ela praticamente não possuía vestes escuras. A diretora explicou á todos quais seriam as atividades desempenhadas por Leohnora, ou seja, que ela faria parte do corpo docente da escola naquele ano. Todos sorriram e a cumprimentaram mais uma vez desejando-lhe boa sorte. Severus, ao contrário dos outros, continuava calado. O banquete foi servido e os professores começaram a refeição.

Leohnora não estava com fome, aquela excitação toda a fizera perder o apetite. Serviu-se apenas de suco de abóbora. Hagrid deu-lhe um sorriso e disse:

- Sabe, Leoh, gostei muito de saber que lecionará aqui. – dizendo isso, arrancou um pedaço da coxa de galinha que estava segurando em uma das gigantescas mãos - Precisamos de alguém para dar aulas de Defesa Contra á Arte das Trevas, já que o prof. Snape preferiu continuar a lecionar Poções.

- Obrigada, Hagrid. - disse-lhe ela bebericando o suco - Estou feliz por estar de volta.

- Espero que se saia melhor como professora, ensinando á um bando de cabeças ocas, do que como aluna... - rosnou alguém ao seu lado.

Ela se virou vagorasamente e encarou os olhos escuros do professor ao seu lado. Snape parecia mais taciturno do que nunca. Seus olhos frios traziam uma ponta de tristeza e ele parecia terrivelmente abatido.

- Desculpe-me, mas falou comigo? - Os olhos castanhos brilharam – Não me lembro de ter-mos sido apresentados. Deixe então que eu o faça, – e esticando a mão delicada em sua direção, disse: - Leohnora SaintClair.

- Poderia não usar de sarcasmos, Srta. SaintClair - disse em tom frio.- Já está bastante crescidinha para se comportar como um adolescente rebelde.

- Achei que esse fosse seu passatempo preferido, Severus - A voz dela era melodiosa - Ah...você reparou que cresci? Espantoso.

Ele a fitou demoradamente, seus olhos pretos cintilavam. Leohnora por sua vez não se fez de desentendida e o encarou sorrindo maliciosamente.

- Não podia deixar de notar - ele crispou os lábios num sorriso irônico - Os anos, minha cara, deixam marcas.

- Vindo de você eu devo considerar isso como um elogio - e falou mais baixo - Afinal sempre me considerou uma adolescente sabe-tudo infernal, não é, Sevie?

Severus parecia ter comido algo indigesto, pois estava lívido. Respirou fundo e recuperou seu auto controle. Enquanto isso as sobremesas foram servidas: pudins, bombas, tortas de amoras. Ele observou Leohnora, ela novamente não se servira de nada. Ao final do banquete todos se levantaram e Leoh se dirigiu para seus aposentos. Chegou rapidamente ao corredor onde ficava seu quarto e entrou. Segundos depois ouviu-se uma batida na porta. Ela abriu e Filch colocou as malas que carregava no vestíbulo. Leoh agradeceu e fechou a porta atrás dele.

Passou o resto da tarde toda arrumando suas coisas no armário, e pouco depois das quatro uma nova pancada soou na porta. Leohnora foi até a porta e abrindo-a viu os olhos da professora Minerva surgirem atrás de óculos quadrados.

- Oh, minha querida, boa noite. Será que posso entrar, Leohnora ? - disse-lhe ela.

- Claro, diretora. Fique a vontade. - respondeu afastando-se da porta e dando passagem á outra

- Vim pedi-lhe ajuda para fazer um baile aqui em Hogwarts - McGonagall falou rapidamente como se tivesse medo das palavras.

- Baile? - Leoh estava aturdida - Aqui em Hogwarts?

- Sim, achei que Scrimgeour tivesse lhe dito que iremos sediar novamente um Torneio - Ela tossiu - Dessa vez será uma disputa de Quadribol entre os times das três escolas. Não preciso dizer que isso servirá para desfazer a imagem que ficou do Torneio Tribruxo. O baile deverá acontecer na noite de natal, e servirá também como uma confraternização entre os alunos.

- Ele não me falou nada, mas não vejo problemas em ajudá-la. Será um prazer. - ela encarou a diretora - O julgamento de Severus só será em fevereiro, até lá será bom ter com o que distrair minha mente.

- A propósito, querida - A professora falou com cuidado - Desculpe-me se me intrometo, mas a julgar pelo comportamento de vocês dois hoje a mesa... Tem certeza que conseguirá se manter imparcial, Leoh? Não me parece estar disposta a entender o mundo dele. Peço mil desculpas, mas não pude fingir que não vi o jeito como trocaram farpas.

- Não tem do que se desculpar, Minerva - Ela sentou a beira da cama e fixou seu olhar num ponto distante - Você não está errada, não sei como vou fazer isso. Simplesmente não o suporto! – bufou e indicando o lugar au seu lado, disse: - Sente-se aqui, por favor. Há algo que preciso lhe contar.

A diretora se aproximou da cama e sentou no local indicado. Leoh se ajeitou em seu lugar e encarando a outra, começou a falar.

- Eu preciso fazer isso dar certo, Minerva - Estalou os dedos das mãos - Fiz uma promessa á Dumbledore de que provaria a inocência de Severus e que não deixaria o Ministério o trancafiar em Azkaban. Consegui impedir que o primeiro acontecesse, ele responderá todo o processo em liberdade, mas preciso encontrar Sibylla de qualquer maneira.

- O que mais está envolvido nisso além da promessa á Dumbledore? - Minerva a fitou – Eu reconheceria o brilho em seu olhar em qualquer lugar.

- Meu ... - Ela hesitou um pouco em responder - cargo de chefia no departamento de aurores .

Leoh levantou-se e começou a andar pelo quarto nervosamente. Num movimento rápido parou em frente a diretora.

- E o que a levaria a usá-lo como objeto de barganha? - A professora olhou-a com curiosidade - Não é um preço alto a se pagar quando não se interessa pelo caso?

- Eu me interesso pelo caso. – respondeu Leoh como uma veemência seca - Sei que ele é inocente! Ou pelo menos, foi forçado a fazer o que fez. Eu entrei nos pensamentos de Dumbledore certa vez quando estive aqui em seu escritório. Na época do Torneio Tribruxo... Sei que o que Dumbledore e Severus dizem é a verdade. Eu vi! Estive presente na cena por segundos, só que na época não sabia o que poderia acontecer.

- Entendo. Espero mais do que nunca, que não deixe se envolver pelos seus sentimentos, não ousaria acreditar que o que a levou a assumir esse compromisso seja um sentimento de ódio. - A diretora se levantou e deu-lhe uma palmadinha nas costas. Dirigiu-se para a porta e antes de sair falou: - Se precisar de mim sabe onde me encontrar. E obrigada por me ajudar no baile.

Leohnora assentiu com a cabeça e Minerva saiu para o corredor. Ela retornou ao quarto e continuou sua arrumação. Tinha que terminar tudo antes do Banquete de Abertura do Ano Letivo. Isso significava uma hora.