Capítulo 02 - Viajando

Como Isabella morava sozinha e ainda era menor de idade, arrumar as papeladas necessárias para ela ir, não foi fácil, mas ela e o professor Alberto conseguiram.
Isabella, apesar de morar sozinha, tinha que respeita o Estatuto da Criança, sua tia distante possuía sua guardam e como a mãe de Isabella, antes de morrer, havia pedido para ela deixar a filha sozinha, ela resolveu deixar Isabella morando sozinha, apesar de se preocupar muito.

Isabella conseguiu que ela assinasse a autorização a tempo de ir ao passeio. Sua tia estava muito feliz por fazer alguma coisa diferente de estar trancada em seu quarto, triste.

Finalmente o dia chegara, Isabella já havia arrumado suas coisas no dia anterior. Ela só pegou suas sacolas e foi caminhando com elas até a escola. Sorte que morava perto. Quando chegou lá, quase todos os alunos já estavam ali. O professor Alberto sorriu quando a viu. Ele estava com medo de que ela não viesse.

Isabella foi até o professor e pediu para entrar no ônibus. Como o professor havia prometido que ela poderia ir sozinha e na frente, já que ninguém gosta da frente mesmo, ele deixou-a subir primeiro, mesmo havendo muitos protestos.

Isabella sentou no primeiro banco do ônibus, mas antes disso ajeitou suas coisas no bagageiro. Os seus colegas não haviam entrado e Isabella já estava dormindo. Pela primeira na vida, estava conseguindo dormir tranquilamente. Algo dentro dela estava mudando, ela estava sentindo uma paz interior, que nunca havia sentido. Estava sentindo-se feliz. Aquele sonho estava fazendo bem. Ela sonhava que tinha uma missão especial para ela, que o destino do mundo estava em suas mãos, que teria que enfrentar a si mesmo; para poder realizar sua sina e no sonho ela estava disposta a tudo. No sonho, ela conseguia tudo.

Quando Isabella acordou, ela abriu seus lindos olhos sorrindo, espantando a todos que estavam acordados no ônibus. Eles pensaram que algum milagre deveria ter acontecido, pois Isabella nunca sorria. Até mesmo Isabella estranhou-se por acordar sorrindo, na verdade quando se deu conta do fato abriu uma carranca enorme e foi correndo para o banheiro.

"Meu Deus, será que eu finalmente estou mudando? Será que serei alguém melhor? Af, claro que não! Eu só acordei sorrindo porque tive aquele sonho ilusório! Bosta! Porque fui sonhar com algo que nunca vai acontecer, tive alguns minutos de felicidade, para a dor aumentar o triplo. Isso não vale a pena! Naco vale mesmo! Isabella, Isabella, conforme-se é o melhor que você tem a fazer! Você nunca vai ser que nem ele! Você nunca vai ter a mesma chance que eles, você já nasceu com a podridão dentro de você, você não presta, conforme-se! Eu sei, eu sei! Vou me conformar novamente, maldito sonho por me fazer sonhar!"

Escorreu uma lágrima dos lindos olhos de Isabella e ela as enxugou rapidamente. Não era hora de chorar, era hora de forte e principalmente realista.

Isabella conseguiu controlar a vontade de chorar e saiu do banheiro. Seus colegas quando à viram séria novamente, já desanimaram, pois sabiam que nada poderiam fazer.

Isabella sentou-se na sua poltrona e ficou o resto da viagem quieta, só tentando se recuperar de sua dor.

Quando chegaram na capital, todos os alunos a bordo desceram correndo, alegremente; exceto Isabella, que ficou sentada na sua poltrona até o professor Alberto a chamar.

Ela desceu as escadas do ônibus toda tímida. Nunca havia saído de sua cidade. A capital era bonita, mas ao mesmo tempo a amedrontava. Era um lugar estranho, e o estranho sempre havia sentir-se pior ainda, pois o medo que não a respeitassem predominava.

Isabella seguiu seus colegas silenciosamente, observando tudo ao redor, pensando que se não fosse quem fosse, poderia ter a felicidade de desfrutar daquele lugar, mas como não era, não merecia tal honra.