"Bad Romance", por Lady Gaga


Minha manhã de sexta-feira começou como outra qualquer. Levantei às 5h30, tomei um banho quente e relaxante, acordei o Ben, preparei nosso desjejum com leite quente, café preto, torradas e geléia de morango. Escovamos os dentes e nos trocamos em seguida.

Passei meu crachá na Máquina de Ponto exatamente às 6h47, ou seja, treze minutos antes do início do meu expediente no único Hospital de Forks, uma cidade de pouco mais de três habitantes no Estado de Washington. Antes de me formar em Columbia e eu já tinha emprego garantido em Forks. Além disso, outra vantagem de ser amiga da filha do Diretor do Hospital é que você pode cumprir seus turnos de trabalho em horários fixos.

É claro que quando eu escolhi seguir a carreira de Médica Intensivista eu sabia que trabalharia intensivamente, com o perdão pelo trocadilho, mas tive de usar esse privilégio por motivos de força maior e Carlisle Cullen, meu chefe, não se importou, considerando que nosso pronto Socorro não poderia ser chamado de movimentado. Nosso acordo incluía um Aparelho Celular Funcional que ficava ligado 24 horas, em caso de emergência.

No vestiário dedicado aos médicos, encontrei Alice, a amiga a quem me referi antes, vestindo seu tradicional jaleco branco. Mas porque ela era a Alice, a roupa branca não era tão sem graça. Como sua especialidade era Ginecologia e Obstetrícia, Alice se aproveitou dos detalhes em vários tons de rosa, nada abusado, tampouco discreto.

- Bom dia, Bella. Como você passou a noite? Como está o Ben? – Alice era a única pessoa que eu conhecia que acordava ligada no 220.

- Bom dia, Alice. Tive uma ótima noite, cheia de sonhos. E você? – sorri em retribuição a sua simpatia, enquanto vestia meu jaleco totalmente branco, com meu nome bordado na altura do meu coração.

Saímos de braços dados como duas menininhas rumo ao PS. Alice estava de plantão comigo na Emergência, mas até onde eu tinha conhecimento, era apenas porque seu próximo parto seria na semana seguinte. Carlisle achou por bem que Alice e eu fôssemos uma equipe. Segundo ele, quando se aposentasse, teria plena confiança em deixar seu lugar a uma de nós duas, afinal, nos formamos com honras e cumprimos toda a nossa residência perto dele, de forma que já sabíamos todo o funcionamento do Hospital.

Eu sabia que Alice tinha mais chances do que eu em assumir o cargo. Até mesmo Edward, irmão mais novo de Alice, que estava se formando em Medicina tinha mais chances do que eu. Por isso nunca levei à sério os devaneios de Carlisle.

E por falar no irmão caçula de Alice, em poucos dias ele e mais dois amigos que conheceu em Yale chegariam à Forks para a residência médica. Aparentemente, nenhum dos três tinha definido sua área de atuação e seriam nossa responsabilidade. Não tinha a mínima ideia como seriam as divisões de tarefas e atendimentos, mas esperava que Carlisle, além de responsabilidades, nos desse as instruções.

- Você vai? – Alice me perguntou e, perdida em pensamentos como estava, não tinha ouvido uma palavra do que ela me disse antes.

- Desculpe, Alice, eu estava longe. O que você disse? – perguntei com a maior cara de pau do mundo.

Alice fez um muxoxo, mas mesmo assim repetiu. – Eu perguntei se você tem roupa para ir à Seattle esta noite ou se teremos que sair mais cedo para comprar um vestido para você.

Foi então que me lembrei que, há dias, havíamos combinado com Rosalie, a enfermeira-chefe do Hospital de Forks, de ir a inauguração de uma boate em Seattle. Alice conhecia o dono e tinha nossos nomes na lista de convidados antes mesmo que ela fosse feita.

- Pode ficar tranquila, fadinha. Eu sei que você está louca para fazer compras, mas não será desta vez. Vou com aquele vestido vermelho-sangue frente única que nunca usei e as sandálias vermelhas de salto alto que você me deu no Natal passado. - Foi a desculpa que Alice encontrou para me levar às compras. Me presenteou com um sapato que não combinava com nenhuma peça de roupa que eu já tinha, me obrigando a encontrar algo para usar junto.

Seu semblante foi do feliz ao triste em meio segundo. Chegou a ser engraçado. Mordi a bochecha por dentro para segurar a risada e evitar uma discussão desnecessária. Alice simplesmente ignorou o que eu disse. – Rosalie e eu vamos nos arrumar em casa. E você vai junto!

O dia praticamente se arrastou, já que ninguém se feriu gravemente nas redondezas. Pouco antes do final do nosso "movimentadíssimo" plantão, Carlisle nos chamou para uma rápida reunião.

- Eu já mencionei à vocês sobre a chegada de Edward e seus amigos para seus anos de residência Médica, certo? – confirmou olhando de Alice para mim. Estávamos sentadas em duas cadeiras em frente à mesa de trabalho do consultório de Carlisle.

- Sim, papai, e estamos muito ansiosas por este dia – acrescentou Alice.

Carlisle respirou fundo. – Pois bem... Houve uma pequena mudança de planos-

- Não me diga que eles não vêm! – Alice, mais uma vez, abriu a boca desnecessariamente.

- Acalme-se, Alice – Carlisle ponderou. – Acontece que eles anteciparam a chegada e começam conosco já na segunda-feira. Sei que não tivemos tempo de traçar um plano de ação, mas acredito que vocês conheçam o funcionamento geral dos trabalhos, de modo que posso confiar a vocês nossos três novos residentes.

Senti-me na obrigação de fazer uma pergunta importante. – Doutor Cullen – sim, eu tratava Carlisle por 'Doutor Cullen' no Hospital, enquanto chefe; fora dali, era Carlisle -, quem vai acompanhar quem? Eles são três, nós somos duas. Ou o senhor pretende participar do Programa?

Carlisle sorriu com minha preocupação. – Na verdade, já pensei nisso. Em princípio, quero que, enquanto vocês cumprirem plantão ao mesmo tempo, todos fiquem juntos. Caso precisem se separar, revezem quando um ou dois estarão à disposição de vocês. Isso também deve facilitar as escolhas por áreas para os garotos. Edward comentou que Emmett tem bastante interesse em Ginecologia e Obstetrícia e neste caso espero que você se dedique à ele, doutora Cullen – olhou para Alice que apenas assentiu. Tenho certeza que ela estava queimando os miolos pensando nas possibilidades e tentando imaginar Emmett. – Quanto à Edward e Jasper, pelo que soube, eles estão bem indecisos e acho que a Clínica Geral que você pratica, doutora Swan, lhes daria uma boa base para que possam optar por uma especialidade.

Alice estava elétrica quando saímos do consultório de seu pai. Não quis me dizer nada e achei melhor não perguntar. Se ela quisesse falar, tomaria a iniciativa, já que minha amiga baixinha não aguentava segurar uma novidade por muito tempo.

Rosalie já nos esperava no estacionamento e cada uma foi com seu carro para a mansão dos Cullen: Rosalie e sua Ferrari vermelha (ela, apesar de ser Enfermeira, pertencia a uma das famílias mais ricas do Estado de Washington), Alice e seu Porsche amarelo canário, e eu commeu XC90, da Volvo (mais que um luxo, era uma necessidade ter essa SUV).