002 _ Como assim o Ecklie já sabe?
Acordei com o barulho da porta do banheiro sendo aberta. Um cobertor estava sobre mim e então percebi que eu dormi no sofá e que Gil já havia chegado.
Dei um suspiro aliviado e levantei, indo em sua direção.
Assim que ele me viu, ele sorriu de uma forma genuína e eu retribui o sorriso, dando-lhe um beijo de leve nos lábios.
_ E o caso como foi? _ eu perguntei de imediato, sem tirar os olhos dos dele.
_ Catherine encerrou o caso. _ ele respondeu e foi em direção ao quarto.
Olhei no relógio e vi que era de madrugada, eu conseguiria mais algumas horas de sono até meu turno começar pela manhã.
Me deitei ao seu lado na cama e sussurrei um 'boa noite'. Cai no sono logo em seguida.
Já no laborátorio, o time estava todo reunido na copa esperando Grissom entregar os casos.
Todos receberam seus casos, menos Greg que era novato em campo.
_ Hei, Grissom! E eu? _ Greg perguntou indignado.
_ Você fica aqui e... Tente ser um bom garoto. _ Grissom deu um sorriso maroto e saiu da sala com o Brass.
O rapaz de um sorriso decepcionado e eu fui até seu encontro, apertando seus ombros de leve.
_ Greg, não fique assim. Eu prometo que quando você ir a campo na próxima vez seu caso terá bombas, rock e látex, okay? _ eu falei arrancando uma leve risada dele.
_ Bem, vou fazer o que o chefe mandou, vou tentar ser um bom garoto. _ ele colocou de lado, dando play em um rádio ao seu lado. Um solo estridente de guitarra começou a tocar e eu sorri de lado, saindo dali e indo em direção ao estacionamento.
Eu, Gil e Brass íamos investigar um caso de um assassinato em uma clínica de reabilitação. Umas das digitais encontradas levaram os peritos até o local onde estavam.
A casa do suspeito era adorável. Tinha uma grande árvore com um balanço no quintal e várias árvores pequenas e médias ao redor. O jardim grande abrigava um piscina e a casa branca, com várias janelas, parecia grande o suficiente para abrigar confortavelmente uma grande família. Batemos na porta do suspeito, na terceira batida uma mulher abriu a porta.
Seus cabelos loiros, lisos e compridos combinavam com seus olhos verdes e sua pele branca. Ela vestia um vestido bege e um avental, sua barriga de aparentemente sete ou oito meses não parecia um perigo. Confusa, eu olhei novamente a folha para ver se realmente estávamos no endereço certo.
_ Policia de Las Vegas, bom dia senhorita. Gostaríamos de falar com o senhor Sam McKlen, ele está? _ Brass perguntou.
A reação da mulher era confusa e então ela respondeu:
_ Está sim. Por favor entrem, eu vou chamá-lo. _ ela nos deu espaço para que entrássemos na casa, que era ainda mais linda no lado de dentro.
Alguns minutos depois a mulher volta acompanhada de um homem que tinha uma ótima aparência. Esclarecemos nossa visita ao casal. Sam McKlen explicou que suas digitais estavam lá porque foi fazer uma visita ao centro e fazer uma doação.
_ Eu já fui usuário de drogas. Eu sei dessa por causa de uma clínica e só queria retribuir o favor. _ ele nos disse envergonhado _ Eu só quero dar um bom exemplo ao meu filho. _ ele pousou uma de suas mãos na barriga da loira.
Agradecemos a hospitalidade e voltamos ao laboratório de volta a estaca zero.
Mais algumas pesquisas e análises e chegamos ao outro suspeito. Mas antes que pudéssemos sair em busca de novas informações, Grissom anunciou a equipe:
_ Eclkie está pensando em separar a equipe!
_ Ah não, de novo não! _ Greg gritou.
_ E qual a razão disso? _ Brass perguntou sentando-se no sofá.
_ Ele descobriu sobre meu relacionamento com a Sara. _ Gil respondeu olhando diretamente a mim. _ Ele quer falar com você depois do turno.
Eu arqueei uma sobrancelha, pensando qual seria a penitência a cumprir dessa vez. Em seguida soltei um suspiro e ao mesmo tempo passando a alça da minha bolsa pelos ombros.
_ Eu vou falar com ele agora!
Respirei fundo, contei até três e bati na porta. Um 'entre' foi ouvido e eu abri a porta, tentando dar o meu melhor sorriso.
_ Eu soube que você queria falar comigo _ eu comecei, entrando em sua sala. _ Pode falar.
_ Quero mesmo. Sente-se _ ele apontou a uma cadeira confortável que parecia extremamente cara ao meu ver. _ Então Sara, eu soube que você e seu supervisor estão tendo um caso amoroso, certo?
_ Certo _ eu afirmei, sentando na cadeira que ele tinha apontado _ Estamos.
_ Bem, depois de pensar muito sobre isso eu resolvi não separar a equipe. Ou demitir você e seu supervisor. Mas eu já aviso senhorita Sidle, dentro desse laboratório vocês são chefe e subordinado, parceiros de trabalho e nada mais que isso. Não quero ver beijos pelo corredor ou qualquer coisa do gênero.
_ Grissom e eu somos um casal de adultos, não de adolescente excitados, Ecklie. Tenha certeza de que isso não vai acontecer. _ eu expliquei com uma risada presa na garganta e me levantei e fiz menção de sair.
_ É bom mesmo, Sidle. _ eu dei as costas e fiz uma careta logo depois que fechei a porta atrás de mim.
Assim que cheguei perto do pessoal eu falei as boas novas e depois de alguns segundos de euforia todos seguiram para a casa. O turno acabou ainda na estaca zero, iríamos investigar o resto no dia seguinte. Gil e eu fomos para a casa. A exaustão era mútua.
Cansada, a primeira coisa que fiz quando cheguei em casa foi sentar no sofá, meu estômago se revirou quando senti o cheiro inconfundível de:
_ Xixi? Venha já aqui, Hank! _ eu gritei, me levantando do sofá imediatamente.
Grissom saiu do corredor com apenas um braço dentro do casaco, com uma cara de dúvida.
_ O que foi dessa vez? _ ele perguntou.
_ Seu filho fez xixi no sofá! _ eu apontei para o cachorro que abaixou as orelhas.
Com um grunhido estressado eu fui em direção ao quarto. Abri o chuveiro e deixei a banheira encher. Enquanto ela enchia, tirei minhas roupas e procurei por outras limpas e um absorvente.
Meu banho foi longo. Deixei a água morna relaxar meu músculos. Quando me senti bem o suficiente, eu sai do banho. Coloquei meu pijama e fui a cozinha, me deparando com Grissom dormindo no sofá que Hank não tinha usado como banheiro.
Eu dei uma leve risada e o acordei, sonolento ele fez seu caminho até o quarto e caiu no sono logo em seguida.
Sem vontade para fazer uma janta descente eu comi o resto de almoço que estava na geladeira. Assim que terminei de comer, a ânsia foi enorme. Fiz meu caminho até o banheiro, vomitando tudo o que tinha comido. Grissom acordou e segurou meu cabelo.
_ Você não precisa ver isso! _ eu retruquei dando a descarga.
_ Estaremos juntos na saúde e na doença, Sara. _ ele disse simplesmente, enquanto massageava as minhas costas.
Lavei minha boca, tomei um pouco d'água e escovei os dentes.
_ Ainda está enjoada? _ ele perguntou parecendo um pouco preocupado.
_ Não, estou bem. Mesmo. _ eu respondi sincera.
Eu estava bem. Até mesmo com um pouco de fome.
_ Tudo bem se eu voltar a... dormir? _ seu tom envergonhado chegou a ser infantil.
Com uma suave risada, respondi:
_ Claro, Gil. Volte a dormir, eu logo estou indo dormir também.
Ele deu seu sorriso de lado e fez seu caminho para o quarto. E eu, decidi limpar o sofá antes que fosse tarde demais. Algumas poucas horas depois, eu finalmente dormi.
No dia seguinte, Brass e eu fomos até a casa da suspeita. Seu nome era Joane Mason. Morava em uma casa pequena, parecia mal cuidada.
Brass e eu trocamos um olhar de 'algo está errado' e batemos na porta.
_ Joane Mason? _ eu perguntei vendo uma senhora de mais ou menos cinquenta anos na porta.
_ Sim, sou eu.
_ Polícia de Las Vegas _ Brass falou _ estamos aqui pra falar sobre o assassinato na clínica de reabilitação.
A senhora pareceu assustada e se apressou em dizer:
_ Eu não tenho nada a ver com isso!
_ Sabemos que sua filha estava internada lá. Mas seu estado está dado como morta. _ eu falei tomando uma posição mais forte.
_ Anne se suicidou. _ ela suspirou _ Meu marido morreu quando ela tinha dez anos de idade.
_ E porque ela fez isso? _ Brass perguntou.
_ Ela não conseguiu viver sem as drogas. E aquela porcaria da clínica simplesmente não fez nada para ajudar a minha Anne! Nada! _ ela começou a gritar, Brass a segurou. _ E então eu entrei lá e atirei no primeiro responsável pela aquela clínica. _ seu rosto estava molhado pelas lágrimas. _ Eu fiz isso por Anne, fiz isso pela minha menina!
_ Senhora Mason, a senhora está presa pelo assassinato de Samuel Campbell e tem o direito de permanecer calada. _ Brass a algemou e saímos dali direto para a delegacia.
Mais um caso encerrado. E nem era meio-dia.
