Título: Do As Infinity

Autora: Mila B.

Capa: Vide profile.

Sinopse: Existem muitos motivos para não se amar uma pessoa, mas apenas um para amá-la. (C. Drummond de Andrade). Veela!fic Vampire!fic.

Gênero: Romance/Comfort/Hurt/Drama.

Classificação: Slash/Nc-17.

Casal: Harry Potter e Draco Malfoy.

Trila Sonora: Set Fire to the Rain, Adele.

AVISO: Essa fanfic contém SLASH, relação homem x homem! Acha ruim, horrível, feio, nojento? NÃO LEIA. E alguém notou a ordem dos nomes no casal? Pois é, Draco UKE! Prefere ele seme? Acha um absurdo ele por baixo? Então é só clicar no X simpático no canto direito superior da página e ser feliz. :)


Capítulo 1

Descontrole

Draco Malfoy serviu um cappuccino para a moça de cabelos castanho-claros em frente ao balcão, sorrindo ao estender a xícara. A moça corou, murmurando um obrigado encabulado antes de pegar com cuidado a xícara e voltar para uma das muitas mesinhas de mármore em estilo napoleônico dos vários pequenos salões que havia no Café Grego, o Café mais antigo de Roma, fundado em 1760. Desde que começara a trabalhar no simpático estabelecimento, há alguns anos, a clientela aumentou significativamente, apesar de já ser este um lugar bastante famoso e frequentado. A dona do lugar garantia que era devido à aura de atração e aos sorrisos simpáticos, ainda que melancólicos, que ele oferecia a alguns fregueses. Draco não duvidava de que fosse verdade. Os muggles eram tão ou mais afetados pelos encantos dos seres com descendência veela.

Apoiou-se no balcão, olhando distraidamente pela janela enquanto outros funcionários atendiam as mesas. A Via Condotti começava a ficar mais movimentada conforme o mês de maio chegava ao seu fim. Os dias ficavam mais ensolarados e os turistas mais entusiasmados. Ele gostava daquele movimento. Gostava de Roma. Não fora sua primeira opção quando fugira da Inglaterra durante a guerra, mas, quando chegara à cidade, não sentira vontade de deixá-la. Era irônico que vivesse hoje entre os muggles; justamente ele, que já fora tão preconceituoso e arrogante, não se importava realmente de ter sido incorporado por Roma e suas antigas construções, ou pela vida sem magia que aprendera a, de certa forma, apreciar.

Era uma vida simples e solitária, e ele riria no passado se alguém lhe dissesse que acabaria dessa forma. Draco não tinha ilusões, ou pensava no futuro. Também não era exatamente feliz. Às vezes, questionava-se quanto à felicidade. Tantas pessoas a buscam ferrenhamente, traçando milhares de planos e metas. Porém, quando alcançam seus objetivos, estranhamente não se contentam como acreditavam que se contentariam, e retomam os projetos e a busca incansável por algo que, na verdade, talvez seja inatingível.

Nem por isso Draco chorava, excluía-se ou cortava os pulsos. Não era alguém desagradável ou depressivo. Conversava com os as pessoas que frequentavam o Café e com os outros funcionários. Eventualmente aceitava sair com alguém, fosse homem ou fosse mulher. Preferia ouvir a falar. Admirava-se com os planos futuros dos outros, uma vez que não possuía nenhum. Aprendera a sorrir com mais frequência, apesar de que seus sorrisos nunca chegavam a iluminar seus olhos cinzentos e apagados. Os poucos com quem tinha uma convivência mais constante, como Monique, sua chefe, ou um ou outro empregado do Café, perguntavam algumas vezes sobre seu passado, mas Draco jamais se abriria para eles. Não diria que não se sentia completamente parte desse mundo, mas tampouco parte do mundo de sua adolescência.

"Draco." Monique chamou, tirando a atenção do jovem da Via Condotti. "Tenho um compromisso daqui a meia hora. Você pode fechar o Café para mim hoje?"

"Claro." Draco assentiu, aceitando a chave que Monique oferecia. Era uma mulher simpática e amável, na casa dos cinquenta anos, que aceitara Draco como empregado, apesar da inexperiência do rapaz que, na época, tinha apenas dezessete anos. Draco achara que aquele seria um emprego temporário, porém se acostumara à rotina fácil e ao ar aconchegante do Café. Não sentira necessidade de buscar algo diferente – apesar de ter-se envolvido em outros projetos – e agora, depois de sete anos trabalhando ali, tornara-se quase como um filho para a senhora, que era viúva e nunca tivera filhos, pois era infértil.

"Pode fechar mais cedo, querido. Você tem visto os pores-do-sol dos últimos dias? Um mais bonito que o outro. Deveria sair hoje e apreciar um deles. Você sempre sai do Café apenas depois que escurece." Comentou Monique carinhosamente, pegando seu casaco, dando um beijo na bochecha do rapaz e então rumando para fora do estabelecimento. Draco concordou de maneira distraída enquanto servia outro cliente que, olhando-o de maneira um tanto interessada demais, confirmou a beleza impressionante dos últimos raios de sol sobre a cidade e até mesmo perguntou se ele não desejaria acompanhá-lo para ver tal espetáculo. Draco sorriu de lado e negou.

Pouco tempo depois, Draco fechava o Café junto com os outros dois funcionários do local. Recusou um convite para sair para beber com os dois e caminhou alguns passos em direção à escadaria que levava à Piazza di Spagna, perto de onde morava, em um pequeno, mas confortável apartamento; porém, no meio do caminho mudou de ideia, lembrando-se da sugestão de Monique. Decidiu então aproveitar para dar uma caminhada pela cidade, enquanto o dia não cedia lugar ao véu noturno, e acabou inconscientemente chegando à Praça do Capitólio, da onde, por sorte, teria uma boa visão do pôr-do-sol. Perdido em pensamentos, parou perto da estátua de Marco Aurélio no centro da praça, cruzando os braços sobre o peito e esperando. Um vento fresco batia-lhe ao corpo e trazia os perfumes fortes e adocicados das mulheres que transitavam pela praça.

Aos poucos, o sol começou a ganhar tons diversos em um festival de cores que se assemelhava a uma pintura de aquarela. Sua expressão suavizou enquanto observava. No entanto, a beleza do cenário, por algum motivo, causou-lhe um aperto no peito, e memórias doloridas voltaram à tona junto com a chegada da noite. Era como se não fosse mais digno desses pequenos prazeres mundanos depois dos erros que cometera e das consequências desses erros às pessoas que amava.

Foi quando um movimento brusco arrancou-o subitamente do estado quase letárgico e ausente em que se afundara: suas costas bateram com um baque surdo contra a pedra da estátua e duas mãos seguraram seus braços com uma força desmedida.

O homem sussurrou seu nome e Draco arregalou os olhos, chocado com quem acabara de encontrá-lo. Harry Potter. Uma das muitas figuras de seu passado. E uma das que não fazia questão nenhuma de reencontrar.

"Potter..." Murmurou, olhando-o com descrença. Ele estava diferente do garoto magricela e desengonçado de suas memórias. Na verdade, suspeitava que o reconhecera somente graças aos olhos verdes, aos cabelos irremediavelmente rebeldes – apesar de mais compridos – e à cicatriz que despontava na testa parcialmente tapada pelos fios negros.

Mas não era apenas a aparência que mudara. Havia algo mais profundo, sombrio e violento na aura que o cercava, no modo como o verde faiscava, como se pertencesse a um predador, alguém sem escrúpulos, guiado por instintos primitivos. Draco estremeceu antes que Harry o soltasse, dando um passo em falso para trás. Ele também parecia extremamente perturbado com o reencontro.

"Porcaria." Potter falou e, no instante seguinte, já não estava em nenhum lugar à vista. Draco se surpreendeu. Ele não aparatara, tinha certeza, pois não ouvira o som característico de uma aparatação. Na verdade, tinha a perturbadora sensação de que ele se afastara correndo, numa velocidade tão veloz, que não fora capaz de discernir completamente o movimento, dando a impressão de desaparecimento súbito, como o de uma sombra que esvanece com a chegada da luz. Mas estava escuro, o sol já sumira na curva do horizonte e o céu era um manto negro por trás das estrelas.

Atordoado, cogitando a hipótese de que aquilo não passara de uma alucinação, uma brincadeira de muito mau-gosto de sua mente culpada, Draco dirigiu-se a passos rápidos para longe da estátua, olhando uma última vez para o centro da praça antes de começar a descer as escadas. Precisava urgentemente de um longo e relaxante banho antes que outras imagens decidissem assombrá-lo naquela noite fresca de primavera. Mas... Se não fora imaginação, o que Potter estaria fazendo em Roma, e por que o abordara daquela forma para sumir sem nenhuma palavra?

"Hunf, esqueça isso, Draco." Murmurou para si mesmo, enquanto abria a porta de seu prédio. Morava no último andar, o terceiro. Quando entrou no apartamento, encontrou o lugar exatamente como o deixara. Havia uma camisa jogada sobre o sofá da sala, e louça por lavar na pia da cozinha. Esquecera a porta da pequena sacada aberta, o que deixara o apartamento gelado. Um assobiou um tanto sinistro atravessou a rua e as cortinas balançaram livremente, enquanto o vento entrava com mais força pela porta.

Draco sentiu o corpo se arrepiar e atravessou a sala, fechando a porta da sacada e a chaveando com uma sensação ruim espalhando-se por seu corpo. Na verdade, sentira-se observado desde o momento em que deixara o Capitólio, como se alguém escondido nas sombras o houvesse seguido. Bufou, irritado. O episódio na praça causara-lhe uma má impressão, não havia de ser nada. Ainda estava surpreso com o que vira mais cedo.

Pegou a varinha sobre a mesinha no centro do cômodo e apontou para a pia, lançando um feitiço de limpeza. Sua magia se restringia a pequenas tarefas domésticas como aquela. Tinha certeza de que já não se lembrava de muito do que aprendera na escola, mas não sentia falta. Algumas vezes, como naquele dia, até mesmo se esquecia de sair com a varinha, deixando-a largada em alguma parte do apartamento.

Depois de desfazer a longa trança e de tomar uns dos banhos mais longos de sua vida, jogou-se na cama e pôs-se a ler até que o sono o alcançasse, já tarde da noite. Dormiu uma noite sem sonhos, mas teve a certeza de que um par de olhos verdes o perseguiu em meio ao breu da inconsciência.

XxX

Mais de uma semana depois, Draco já não pensava mais no episódio da Praça do Capitólio, apesar de as últimas noites não terem sido as melhores. Sempre tivera um sono bastante profundo, mas agora era como se não conseguisse apagar completamente e parte de sua mente permanecesse em alerta, esperando por algo. E a sensação de ser observado, quando saía do trabalho, continuava, por mais que ele tentasse afastá-la. Por precaução, voltara a sair de casa sempre com a varinha.

"Eu deveria mandá-lo de volta para casa e obrigá-lo a ter uma boa noite de sono!" Exclamou Monique assim que colocou os pés dentro do Café Grego. Mesmo usando glamour para disfarçar as olheiras escuras embaixo dos olhos, ressaltadas pela pele muito pálida, era impossível esconder o cansaço de alguém com quem já convivia há tantos anos. "Venha cá, vou ajeitar esse seu cabelo."

"Eu gosto dele solto." Falou, com uma voz arrastada e uma careta.

Monique obrigou-o a sentar-se numa das mesas e começou a trançar o cabelo platinado e comprido com mãos habilidosas. Ainda assim, Draco reclamava e protestava por qualquer leve puxão dos frios. Quem o visse, pensaria que ele estava sofrendo a pior das torturas. Draco, na verdade, preferia o cabelo trançado, mas não achava que Monique precisava saber disso, ou ela poderia achar-se no direito de inventar novos penteados.

"Pronto. Não precisava de tanto escândalo, precisava?" Ela repreendeu, dirigindo-se para a cozinha do Café, onde passava a maior parte do tempo enquanto Draco certificava-se de atender os clientes.

Como sempre acontecia, o lugar encheu nas primeiras horas da manhã, a maioria solicitando apenas o famoso café preto do lugar, para, com alegavam, começar bem o dia. Draco adorava aquele cheiro forte de café e tomava, mesmo com as repreensões de Monique, no mínimo três xícaras bem cheias pela manhã. E foi enquanto apreciava tranquilamente a bebida, ciente dos olhares hipnotizados de alguns clientes sobre seus lábios em meio ao ato, que um homem entrou no estabelecimento e se sentou em frente ao balcão, encarando-o com um sorriso sedutor.

"Posso servir-lhe mais alguma coisa, senhor?" Perguntou polidamente, erguendo uma sobrancelha. O homem, que deveria ter em torno de trinta e cinco anos e era deveras charmoso, inclinou-se sobre o balcão e fez sinal para que Draco se aproximasse, como se desejasse contar-lhe um segredo.

Draco obedeceu, curioso com qual seria a cantada que ouviria daquela vez. Precisava admitir: esse tipo de atenção que recebia sempre o divertia. Quando achava o flerte criativo, acabava aceitando o convite para um encontro que eventualmente surgia ao final da conversa. Nunca aceitava sair com a mesma pessoa por mais de uma vez, pois não queria dar falsas esperanças. Não queria envolvimentos mais sérios. Era uma casca vazia, seca, que não merecia, e não queria amar. Estava bem sozinho. Ou tentava se convencer disso.

"Estou com um pequeno probleminha. Você vê aquela garota loira sentada naquela mesa, com uma senhora mais velha? Não, não olhe tão diretamente, ou elas vão suspeitar!" O homem cochichou.

"O que têm elas? Suspeitar de quê?" Perguntou Draco em um tom igualmente baixo, olhando de canto para as duas mulheres que encaravam em expectativa ele e o homem.

"Eu fiz uma aposta com ela. De que eu conseguiria o número do seu telefone em menos de..." O homem consultou o relógio. "Eu ainda tenho alguns segundos. Mas claro que eu não conseguiria isso de alguém tão bonito quanto você assim tão facilmente... Nunca fui muito bom na paquera, só na cara de pau."

Draco riu, endireitando a coluna e cruzando os braços, olhando para o homem com uma sobrancelha erguida.

"Então por que apostou?" Perguntou em um tom levemente debochado. "A não ser que a aposta não tenha sido suficientemente alta para que você se importe em perdê-la."

"Apostei porque não resisto a um desafio." Afirmou o homem com um sorriso pretensioso. Draco voltou a se inclinar sobre a mesa. O homem tinha olhos verdes.

"E se eu lhe dissesse que não tenho nem telefone, nem celular?"

"Bem, então eu diria que acabo de perder trezentos euros." Lamentou o homem sem parecer realmente chateado, pois estava perdido demais na aura de encanto do loiro à sua frente para se importar. Draco sorriu de lado. Fazia quase um três que não saía com alguém. Talvez essa distração acabasse com suas noites mal-dormidas.

"Talvez você consiga renegociar dizendo que, em vez de um número de telefone, conseguiu um encontro."

O homem pareceu surpreso por um momento, mas rapidamente se recompôs, abrindo um sorriso bonito.

XxX

Draco abriu a porta de seu apartamento e entrou, seguido de Alexander, o homem com quem acabara de ter um encontro. Ele era agradável – e extremamente rico. Levara-o ao restaurante Alberto Ciarla, um dos mais conceituados e caros de Roma. A conversa fluiu naturalmente. Às vezes, Draco suspeitava de que sua atração veela também era responsável por deixar as pessoas mais desinibidas, e ardentemente desejosas de impressioná-lo, de causar uma boa impressão.

Assim que se virou para Alexander novamente, ele o puxou pela cintura.

"Eu quis fazer isso desde o momento em que pus os olhos em você." Alexander falou contra seus lábios, antes de acabar com a distância entre os dois. Draco sentiu o corpo arrepiar em meio ao beijo voraz, sendo arrastado pelo apartamento até cair de costas no sofá. Alexander segurou-o pela nuca e aprofundou o beijo, encaixando-se entre suas pernas. Draco suspirou, suas mãos buscando livrar Alexander da camiseta, quando, por instinto, entreabriu os olhos, desviando-os para o canto da sala.

Draco tomou um dos maiores sustos de sua vida e empurrou Alexander, quase derrubando o homem no chão. Harry Potter estava encostado à parede, olhando sombriamente para os dois, os braços cruzados sobre o peito e os cabelos negros e um pouco compridos presos frouxamente às costas. Draco se levantou, olhando assombrado para o rapaz.

"Merda, Potter! O que você... Como...?" Tentou articular algo coerente, mas as palavras saíram gaguejadas. Alexander virou-se para Harry, obviamente confuso com a situação.

"Draco, quem é...?" Ele começou a falar, porém no instante seguinte Harry já o segurava pelos ombros, olhando fixamente nos olhos do homem. Draco permaneceu paralisado, uma parte sua acreditando que Harry mataria Alexander, dado a postura ameaçadora e o modo como os olhos verdes brilhavam.

"Você vai sair por aquela porta e se esquecer que algum dia conheceu Draco Malfoy." Harry falou num tom calmo, ainda que áspero e frio. Alexander relaxou nos braços do rapaz e assentiu, acatando a ordem sem nenhuma outra palavra, como se houvesse recebido um Imperius. Draco não conseguia encontrar nenhuma coerência no que estava acontecendo.

Quando a porta do apartamento voltou a fechar, Harry virou-se para fitar Draco, o olhar queimando sobre o loiro, como se pudesse subjugá-lo apenas com a força das orbes verdes. A mão de Draco que segurava a varinha – que ele pegara enquanto Alexander dirigia-se para a porta – tremeu momentaneamente enquanto os dois se encaravam.

"O que você quer, Potter? O que está fazendo em Roma? No meu apartamento?" Exigiu saber, apertando o cabo da varinha com mais força. Estava com medo. Aquele não era o Harry Potter que conhecera. Havia algo de muito errado e perigoso em toda a linguagem corporal do homem.

"A culpa é sua, Malfoy." Harry disse e, com um quase imperceptível movimento da mão direita, a varinha de Draco voou para longe. O loiro arregalou os olhos, dando um passo em falso para trás, porém foi o máximo de movimento que conseguiu executar antes que se visse sentado e preso contra o sofá, o peso e as mãos de Harry mantendo-o docilmente estático, e indefeso. Ofegou em surpresa quando Harry afundou o rosto em seu pescoço, aspirando profundamente, como se desejasse aquilo por tempo demais.

"Potter..." Chamou, sentindo o corpo responder ao estímulo, um frio nascendo na boca do estômago e se espalhando pelo resto do corpo, fazendo-o estremecer. Harry apertava com força seus pulsos, e a ponta de seus dedos começavam a ficar dormentes. A situação toda era incômoda e... entorpecente. "Potter, o que você está fazendo?" Sussurrou.

Harry forçou mais o corpo contra o de Draco, completamente tomado pelo aroma do sangue e da pele dele. E além daquele aroma, tudo em Draco parecia gritar para que o tocasse, o beijasse, sentisse a textura dele sob seus dedos, sob seus lábios. Era uma atração enlouquecedora, quase impossível de resistir. Tentara manter-se longe nos últimos dias, tentara até mesmo deixar Roma e nunca mais voltar, mas a lembrança do que presenciara naquele anoitecer na Praça do Capitólio não permitiu que partisse.

Manteve-se observando de longe, tentando compreender por que justamente Draco Malfoy causava-lhe esse efeito tão devastador. Mas então chegara ao ponto em que já não bastava apenas olhar. Precisava sentir, porque sentir era algo que não experimentava há tempo demais, e carecia disso. Não importava quem lhe proporcionasse essa sensação, pois, naqueles dias, muito pouco importava.

Tocou com a língua a pele acetinada de Draco, ouvindo-o ofegar baixinho outra vez, enquanto sua garganta ardia mais do que nunca, gritando pelo sangue que estava tão perto, palpitante, correndo velozmente agora que o coração de Draco batia acelerado. Ele era tão tentador. Tão belo. Poderia drená-lo numa velocidade assustadora caso liberasse seus instintos – que clamavam desesperados por liberdade.

Fechou os olhos, tentando se controlar. Draco não sabia, mas ele tinha uma dívida com Narcisa Malfoy, e não poderia simplesmente tirar a vida do filho dela como se essa vida não valesse nada. Essa promessa pertencia à sua outra vida, mas Harry, mesmo que já não fosse completamente humano, ainda era um homem de palavra.

Mas não poderia evitar tocá-lo.

Draco tentou libertar os pulsos quando Harry voltou a beijá-lo. Sensações fortes invadiram-lhe o corpo enquanto os lábios frios subiam pela linha do maxilar, em uma carícia envolvente. O verde queimou no cinza-perolado no momento em o rosto de Harry ficou na altura do de Draco, ambos se encarando como se presos no que viam.

Harry ficou impressionado em o quanto os olhos de Draco eram melancólicos, ainda que houvesse neles um brilho que apenas sua visão mais aguçada era capaz de captar. E isso só conseguia deixá-lo ainda mais encantador.

Largou um dos pulsos pequenos e afastou delicadamente alguns fios loiros que caíam sobre um dos olhos. Draco olhava-o como se hipnotizado; os lábios finos e rosados entreabertos, deixando escapar a respiração descompassada, quente, com cheiro de medo, angústia e expectativa.

Afundou os lábios nos dele, a mão deslizando para a nuca e puxando-o com força, o contato ardendo e espalhando um prazer sem precedentes por seu corpo. Draco tentou retribuir na mesma intensidade, também tragado pela bolha de luxúria e excitação que parecia tê-los envolvido. Harry era um predador, e um dos mais sedutores predadores existentes. Era sempre fácil dominar suas vítimas, todas invariavelmente entregando-se à morte com um suspiro nos lábios. Mas agora Harry também se sentia dominado, pois Draco causava-lhe efeitos tão ou mais fortes.

O resto do mundo não existia.

Com um rosnado, a língua violando com ardor a boca do loiro, Harry segurou a gola da camisa dele e rasgou-a até que todo o peito magro ficasse ao alcance de suas mãos. Draco gemeu, jogando a cabeça para trás quando Harry desceu os lábios para o pescoço e então para o peito, lambendo e sugando a ponta de um dos mamilos, deixando-o rígido e sensível. Draco segurou os cabelos do vampiro, não conseguindo pensar em nada além do corpo do rapaz colado ao seu, beijando-o e tocando-o como se não existisse no planeta nada tão delicioso e irresistível. Ele estava acostumado a sentir-se desejado, mas aquilo ia muito além de tudo que já experimentara.

Era quase doentio.

Num movimento tão rápido que mal conseguiu acompanhar, Harry livrou-se da própria camiseta, revelando o torso forte e bem delineado. A pele era mais pálida que a de Draco, o que o deixou surpreso, pois nunca vira antes alguém com uma tonalidade mais branca do que a sua. Mas não teve tempo para olhar muito antes que sua calça fosse arrancada e seus lábios novamente devorados.

Conseguiu sentir o quão excitado Harry estava, segurando-o e beijando-o com força, como se apenas toques não fossem o suficiente. Nada parecia suficiente. Mas aquilo não era racional. Harry Potter, seu desafeto da adolescência, aparecia subitamente em sua vida e, sem qualquer explicação, prensava-o contra o sofá e agia como se os dois fossem amantes de longa data. Como se aquilo fosse certo.

Mas aquilo era errado.

"Potter... Potter, pare!" Falou com a voz entrecortada, virando o rosto e segurando a barra da última peça de roupa em seu corpo, da qual Harry tentava livrá-lo. Mas no lugar de parar, Harry segurou-o com mais força pela cintura e voltou a beijá-lo no pescoço, a língua gelada passeando da base do ombro até a parte de trás da orelha.

Draco ofegou e se contorceu quando ele o acariciou entre as pernas, por cima do tecido. Tentava afastá-lo, mas Harry era muito mais forte. Era como tentar mover blocos de pedra no lugar de braços. Draco começou a se desesperar, porque era óbvio que Harry iria até o fim se não encontrasse algum modo de pará-lo. Porém o mais desesperador era sentir todo seu corpo corresponder ardorosamente às investidas do rapaz, e apenas uma pequena parte de sua consciência lutar contra o absurdo da situação.

"Potter, me larga! Me larga! Você não pode fazer isso contra a minha vontade! Pare, seu desgraçado!" Gritou, empurrando-o com toda a força que possuía. Harry afastou-se um pouco, voluntariamente, os olhos desfocados e vermelhos, os dentes aparecendo, dois deles afiados e pontudos, destacando-se. O coração de Draco acelerou ainda mais. Ele sentira aqueles dentes mais afiados em meio ao beijo, mas não prestara atenção a esse detalhe. Só agora, ao vê-los, compreendia por que Harry mudara tanto.

"Draco-" Ele chamou, levantando-se no mesmo momento em que Draco conseguira fugir do sofá, colocando-se de pé e olhando-o completamente atônito e descrente.

"Você é um vampiro." Draco constatou, os lábios entreabertos pelo choque. Ele contornou o sofá, prestes a fugir, mas essa atitude irritou Harry. Irritou muito. E ele nem sabia exatamente por que razão, pois Draco tinha todo o direito de estar impressionado e confuso. Mas Harry estava cansado dos olhares de horror, surpresa e medo. E, por mais que isto não fosse racional, ele não queria um olhar assim nos olhos melancólicos de Draco. Ele esperava algo diferente. Ele queria algo diferente. E ele teria algo diferente, não importasse o preço.

No instante seguinte, prensava o loiro contra a parede. Ele tentara correr em direção à varinha, que rolara pelo chão até a cozinha. Draco gemeu com o aperto. Harry sabia que estava usando mais força do que o necessário, mas não conseguia controlar-se. Eram estímulos e sentimentos demais, e a tendência era apenas perder o controle.

"Potter, você não entende, vampiros não..." Draco não conseguiu terminar a frase, pois os lábios se chocaram novamente. Dessa vez com tanta fúria que o loiro sentiu sua boca inchar de imediato, latejando de dor. Chegou a perder o fôlego, quase desfalecendo nos braços do outro. Harry rosnou e gemeu ao envolver o corpo de Draco, desapoiando-o da parede e levando-o para o quarto. Num piscar de olhos, os dois já estavam deitados no colchão macio.

Draco conseguiu afastar o rosto, buscando desesperadamente por ar.

"Potter..."

"Malfoy," Harry o interrompeu, segurando os pulsos do rapaz contra a cama. "não me peça para parar. Parar agora é impossível." Harry fechou os olhos e seu rosto adquiriu uma expressão de dor. "Esse seu maldito cheiro... e... e tudo em você: sua aparência, sua voz, seus gestos. Eu sinto como... como se eu estivesse sob o efeito de algum feitiço. E eu não consigo entender por quê."

Harry fechou os olhos, o tórax subindo e descendo desacertado ao ritmo da respiração ruidosa. Draco viu os lábios do vampiro tremerem e os dentes brilharem à meia luz do quarto. Ele parecia estar lutando para não mordê-lo.

E perdendo a luta.

"Potter, me ouça," Draco retomou em um tom nervoso. "Vampiros são terrivelmente afetados por pessoas com descendência veela. Eles tendem a matá-las por causa disso. É muito difícil manter o controle. Potter, merda, ouça o que eu estou falando! Você tem que ir embora antes que resolva drenar todo o meu sangue!"

Harry abriu os olhos, o verde queimando mais do que nunca – uma chama esverdeada que parecia iluminar todo o seu rosto. Draco tinha descendência veela, a mente de Harry repetia de novo e de novo. Isso explicava muita coisa. Ele, por ser vampiro e ter todos os seus instintos, percepções, sentimentos e sensações extremamente mais acentuados e aguçados, era profundamente afetado por essa parte sedutora de Draco.

Era maravilhoso e ao mesmo tempo assustador sentir tanto.

Mas Draco estava errado. Ele não iria drená-lo. Não era isso que ele queria. Ele poderia desejar o sangue de Draco, mas não sua morte. Harry nunca desejara a morte das vítimas que fizera nos últimos anos. E ele tomaria todo o cuidado do mundo para não transformar Draco em uma vítima. O loiro ofegou quando sua roupa de baixo foi arrancada como se o tecido fosse papel manteiga.

Harry olhou-o longamente. Ele estava completamente despido agora, e ele era lindo.

"Eu não vou te drenar." Harry garantiu deslizando a mão pelo peito de Draco, descendo lentamente e admirando a maneira como ele tremia e tentava conter a respiração ruidosa.

"Potter, não..." Draco murmurou, ofegando quando Harry o tocou, começando a estimulá-lo. O vampiro mantinha os olhos fixos no rapaz, não deixando escapar nada, nenhum suspiro que escapasse dos lábios inchados e rosados, nenhuma pequena gota de suor que brotasse da pele pálida e sedosa; e manteve o olhar quente e sombrio sobre o outro até que ele chegasse ao ápice em sua mão. Draco segurou-o pelos braços, tentando normalizar os batimentos cardíacos.

O corpo de Harry latejava por sentir o calor do outro, sentir como seria estar dentro dele, e nada parecia tão importante quanto essa vontade. Esperou que Draco se recuperasse, e então rapidamente se livrou da parte de baixo da roupa, voltando para a cama antes mesmo que o loiro tivesse a chance de se mover. Primeiro deitou-se sobre ele, espalhando um prazer desmedido através de seu corpo com o contato pleno e o encaixe perfeito. Depois voltou a beijá-lo com ânsia. A saliva com gosto de café e chocolate de Draco derretendo-se em sua boca.

Draco pensou em protestar, mas seu corpo também ardia contra a pele gelada do vampiro. Ele se sentia entrando em combustão, e o choque térmico com o corpo frio de Harry não parava de dar-lhe calafrios. Harry encaixara-se entre suas pernas e se movia, atritando suas ereções, e era impossível não gemer na boca do outro e puxá-lo mais contra seu corpo, sentindo os músculos fortes das costas dele contra seus dedos.

Mas então, em um movimento que deixou Draco quase desnorteado, Harry o virou, fazendo-o se ajoelhar no colchão e se segurar ao encosto da cama. Logo o tórax frio colou-se às suas costas, enquanto ele o abraçava e afastava a trança para beijá-lo na nuca. A ereção insinuou-se entre seus glúteos, e Draco fechou os olhos, apoiando a testa no braço e deixando escapar um gemido baixo e demorado quando Harry o penetrou após murmurar um feitiço de lubrificação, rosnando próximo ao seu ouvido.

A ponta dos caninos raspou na pele fina de seu pescoço, e Draco tremeu, jurando que Harry iria mordê-lo e drená-lo em meio ao ato sexual. Segurou forte o encosto da cama, jogando a cabeça para trás quando o vampiro se impulsionou com mais força contra seu corpo.

"Potter, não. Não me morda." Sussurrou quase inaudível, sua voz tão distante que jurou ela nunca saíra de sua garganta. Harry, se possível, colou ainda mais seus corpos, envolvendo com a mão a ereção do loiro, que arfou e gemeu, mordendo os lábios para conter o descontrole.

"Eu não consigo mais..." Harry murmurou, quase alcançando o ápice. E então segurou o queixo do loiro, empurrando a cabeça dele para trás e expondo por completo o pescoço pálido. Draco fechou os olhos e gritou, sem saber se devido ao orgasmo que o atingira, ou ao dentes afiados do vampiro afundando-se em seu pescoço.


Nota da Autora: O Harry é um descontrolado, né? HAHA. Mas também, coitado, ele é muito afetado pelo lado veela do Draco, muito mesmo. Bem, esse capítulo eu acho o mais "violento" da fanfic, depois é só romance, romance. Me digam o que estão achando, sim? Tanta gente favoritou/colocou a fic no alerta e não deixou um olá... Gosto de saber o que vocês estão pensando, é importante para mim e, acredito, para qualquer pessoa que escreve, é a nossa 'recompensa' pelo tempo que ficamos planejando um enredo, pensando em cada detalhe, e depois escrevendo tudo.

Isso não é um 'sermão', é apenas um apelo que volta e meia aproveito para colocar em alguma NA minha. Eu vejo tantos ficwriters talentosos e com potencial pelo fandom que acabam desistindo de escrever, melhorar, continuar por falta de estímulo e retribuição dos leitores, e isso me deixa triste, porque assim o fandom vai morrendo. E acredito que todo mundo que acompanha as fics não quer que isso aconteça, pois quem perde é justamente quem lê. Então, meu apelo é que sempre comentem tudo que leem e gostam, mesmo que não saibam o que dizer em um review, apenas algumas palavras já incentivam as pessoas a continuar escrevendo fics. ;)

Então, obrigada de coração a todo mundo que sempre comenta - não apenas nas minhas fics, mas também em outras que acompanha - e mantém assim o FF e, principalmente, o fandom de HD vivos. \o

Um beijo para todo mundo :*

Nigga: Ai, menina, a Carol sumiu do mapa, e parece que ela parou de escrever sim. Não sei se vai voltar a escrever, mas eu espero que sim, rs. Adoro as fics dela tb! Huuum... Tomara que continue gostando mesmo com vampiros no meio! Acho vampiros tão charme, talvez você consiga começar a gostar um pouquinho deles, não? Obrigada por revisar [] Beijão! :*