Capítulo 2
- Vamos, me dê isso pra assinar logo. – Tony estendeu a mão para o amigo, enquanto assinava o nome do pai na advertência que recebera, numa cópia perfeita.
- Não foi legal, Tony. - Bruce apoiou-se na bancada do laboratório de química e fechou os olhos.
– Primeiro dia do Steve e ele já ganhou uma detenção por tentar nos ajudar. – Ajeitou os óculos.
- Esqueça o Capitão América, ele é chato. – O moreno revirou os olhos novamente e arrancou o papel da mão do amigo, não querendo perder tempo. – Agora, qual é o verdadeiro problema? – Virou-se para encará-lo e subiu em cima da bancada branca, cruzando as pernas como se estivesse em casa.
- Eu só... - Bruce olhou-o por cima dos óculos. – Realmente faz um ano que eu não tinha nenhum outro acidente e eu nem pensei antes de me jogar em cima do cara e eu, eu não sei o que poderia ter acontecido...
- Você está realmente se desculpando por ter sido badass? – Tony arregalou os olhos, fingindo uma surpresa exagerada. Chegava a ser engraçado, mas para seu mérito, Bruce não riu, nem sequer sorriu.
- Você não entende! Eu tenho uma doença, Tony, eu tenho esses ataques de raiva e eu não posso, eu não posso controlar e você sabe o que aconteceu na última vez, você sabe o porquê de eu ter mudado de escola? Quantas vezes você viu o vídeo que roubou dos arquivos confidencias daqui? Dez? Quinze? – Ergueu as mãos, levantando-as ao rosto.
- Dezessete. – O Stark engoliu em seco.
- Dezessete vezes! – Bruce socou a mesa com força antes que pudesse se controlar e ficou com ainda mais raiva por ter feito isso. – E como você ainda... Como você ainda fala comigo depois disso?
- Eles roubaram seus óculos e te amarraram na trave do campo de futebol sem camisa para te humilhar, eles mereceram isso. – Tony pulou da bancada, agarrando-lhe o braço. – Bruce, olha para mim. Você não é o monstro, eles são.
- Você viu, Tony, você viu dezessete vezes o que eu fiz em retaliação e... Você não tem medo de mim? – Bruce desviou o olhar e tirou os óculos, secando as lágrimas malditas que estavam prestes a se acumular nos olhos, com as costas das mãos. Já tinha se arrependido da pergunta e agora estava morrendo de medo da resposta.
Mas Tony riu, ele gargalhou e Bruce não conseguiu entender porque também começou a rir.
- Você está maluco? Eu não tenho medo de nada. – Tony bateu-lhe nas costas. – Agora pare com a emice, ok? – Segurou-lhe por um momento, numa espécie de abraço desajeitado e Bruce só não riu mais ainda porque conseguiu senti-lo tremer um pouco.
- Ok. – Respondeu, re-colocando os óculos, e demorou a soltar o amigo – Então, acho que deveríamos voltar pra aula.
- Ou... – Os lábios do moreno formaram um sorriso predatório. – Ou a gente pode misturar coca diet com mentos lá fora, que acha?
- Parece ótimo. – Bruce nem precisou pensar, retribuindo o sorriso.
- Ou melhor, a gente podia tacar uma mentos dentro da garrafa de coca que a senhora Hill leva dentro da bolsa para explodir nas coisas dela! Sim? – Tony bateu uma palma e apontou para o amigo, esperando uma resposta. – SIM! – Cansou-se de esperar. – Vamos lá.
Bruce algumas vezes se perguntava porque andava com Tony, mas não hoje. Seguiu-o quase que imediatamente.
XXX
- Você vai ficar aí sem dizer nada? – Natasha apoiou-se no corrimão da escada e levantou a cabeça para encontrar dois olhos azuis que a observavam do lance de cima. Mordeu o lábio inferior para conter o sorriso.
- Eu apenas não quis atrapalhar seu encontro com o novo herói da SHS. – Clint saltou, aterrissando do lado dela, carregando uma mochila preta nos ombros.
- O Stark o chamou de "Capitão América," você sabe? Por causa da camisa. – A ruiva respondeu, dando de ombros.
- Eu odeio concordar com o Stark, mas essa foi boa. O garoto novo precisa de uma lição. – O loiro balançou a cabeça negativamente, sentando-se em um dos degraus, e abriu a bolsa para tirar uma toalha.
- Tem certeza que conseguiria? Garoto novo sabe como se defender. Ele usou a tampa da lixeira como escudo e tudo mais. – Natasha provocou, observando-o secar o suor do rosto.
Clint forçou uma risada indignada.
- Ele nem saberia o que o atingiu, eu nunca erro. – Abriu ainda mais a mochila, casualmenterevelando sua aljava cheia de flechas - Você saberia isso se você fosse assistir meus treinos matinais.
- Algumas vezes eu vou, você que nunca me vê. – Ela realmente não deveria estar se divertindo tanto com isso. – Mas quer saber? Você não deveria ficar com ciúmes.
- O quê? Eu não... É ridículo. Você é... ridícula, por sugerir algo tão... ridículo. – Clint olhou-a de relance com o canto dos olhos e odiou o sorriso que viu brincando em seus lábios. Sentia-se seu sangue ferver e disse a si mesmo que era por causa da raiva, ou talvez devido a adrenalina do treino. Levantou-se, passando direto por ela. – Tenho que guardar minhas coisas. – Sentia-se...ridículo
- Que bom que você seja tão maduro a ponto de não ter ciúmes. – A monitora seguiu-o pelo corredor vazio. – Nós não estamos namorando nem nada... – Mordeu o sorriso ao vê-lo cerrar o punho. – E esse Steve Rogers é meio fofo.
Cint sabia que não deveria ter parado, mas parou. – Você está falando sério? Aquele garoto parece... – Ele não conseguia pensar em um xingamento que expressasse corretamente seu recém-adquirido ódio por Steve. Ele simplesmente não conseguia pensar. – Eu poderia matá-lo em dois segundos se eu quisesse e eu quero, ou talvez eu o mataria devagar, uma flecha em cada membro do corpo só por diversão porque eu poderia matá-lo e eu vou matá-lo e...
E ela riu, claro que ela riu. Maldita seja.
- Você é tão manipulável. – Natasha levou as mãos ao rosto do loiro, acariciando-lhe, e Clint devia realmente ficar com raiva dela. – É o que eu amo em você.
Ele sabia que estava sendo manipulado, ele sabia, só não se importava. – Você disse a palavra com "l". – Sorriu de volta para ela, envolvendo a cintura da ruiva com seu braço.
- Qual? "Lésbicas?" – Eles estavam tão pertos que ele conseguiu senti-la sorrir contra seus lábios.
- Não, mas eu... Eu adoro essa palavra também. – Eles sempre foram parceiros; melhores amigos desde o fundamental, mais que amigos e menos do que namorados e ele não sabe para onde isso está indo. E Clint achava que gostava de onde eles estavam agora, só diversão sem sentimentos irritantes para estragar tudo, só que... - E eu acho que eu amo... – Só que ele achava que a ama. Natasha não o deixou terminar a frase, puxando-o para um beijo, porque ela o conhecia melhor do que ninguém, porque ela sabia. E o monitor pensou que ele não deveria amá-la ainda mais por isso.
A ruiva deu um passo para trás, levando-o junto pela gola da camisa até que suas costas encontrem a parede em um baque surdo. Eles riram um de encontro a boca do outro.
- Somos monitores, não devíamos estar fazendo isso na escola. – Clint disse, mas não soltou-lhe a cintura. – Pelo menos, não de novo. – Divertia-se com o absurdo das próprias palavras.
- Acho que a sala de música está vazia. – Ela plantou um selinho nos lábios dele, antes de descer da ponta dos pés, empurrando-lhe o peito com apenas dois dedos de modo a separar-se dele. – O que você acha?
- Droga, Tasha, você ainda tem que perguntar? – Clint se virou, procurando apoio na parede e suspira fundo.
- Te encontro em cinco, então.
- Segundos? – Não custava nada tentar.
- Minutos. – Natasha nem dignou a virar para responder, mas ele sabia que ela estava sorrindo. Ele sabia porque também não conseguiu controlar os próprios lábios.
Foram os trezentos segundos mais longos de sua vida, já que passou-os observando seu relógio sem pausa, sua mente viajando pelos pensamentos mais quentes enquanto ele esperava que esse maldito ponteiro se movesse mais rápido. Cinco, quatro, trêsdoisum.
Bateu três vezes rápido e duas devagar na porta da sala quando a alcançou, mas não esperou, não conseguiu esperar para ouvir as duas batidas rápidas que deveriam ser a resposta. Eles tinham seu próprio código, como uma linguagem secreta e deles que nenhuma pessoa de fora conseguiria entender.
Natasha não se surpreendeu ao vê-lo escancarar a porta, pelo contrário, apenas sorriu de forma presunçosa como se já esperasse, como se Clint fosse tão óbvio e previsível e tedioso. O monitor apressou os passos longos até acabar com a distância entre eles com um beijo, seus dedos enterrando-se nos cachos acobreados de maneira voraz, furiosa e nem um pouco tediosa.
As mãos dela desciam deslizando pelo peito dele e só o contato, ainda que por cima das roupas, mandou arrepios indecentes por toda a espinha e ele procurou desesperadamente entrar por debaixo da blusa preta colada que ela tanto adorava para tomar-lhe os seios.
- Clint. Clint. – O nome dele lhe escapou os lábios entre arfadas ofegantes e ele não queria parar para escutar o que ela tinha a dizer. Não, ele queria ficar ouvindo-a chamar por ele desse jeito para sempre, ele queria sentir a respiração pesada e quente dela contra o seu pescoço até que seu sangue pegue fogo e... – Clint, o piano. – Ela sussurrou contra o ouvido dele, aproveitando para brincar de mordê-lo e que bom que ele a ouviu.
A ruiva subiu com a coxa pela perna dele e Clint a segurou com força, puxando-a para seu colo. Ele não conseguia ver para onde estava indo pois estava ocupado demais beijando-a, mas não tinha problema porque eles logo esbarraram em algo e Natasha o usou como apoio para subir no piano, para sentar e para deitar. Clint tentou seguí-la, usando seu joelho para pegar impulso, e eles foram obrigados a cortar o beijo porque o ângulo era estranho, mas mesmo assim ela não soltou o rosto dele e...
A porta abriu.
- O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO?
XXX
Eles acabaram ambos com uma detenção. Para o mesmo dia que o Stark, Fury fez de propósito, Clint sabia, mas valeu a pena. O olhar de terror na cara da professora Hill foi tão bonito que ele quase a perdoou por ter entrado na sala naquela hora e interrompido. Na verdade, foi tão lindo que ele estava começando a elaborar seu plano de roubar a fita de segurança e fazer um gif da cena para eternizar o momento ( e talvez ele convença o Stark a editá-lo fazendo um donut entrando na boca aberta dela. Ou coisas piores. Tantas idéias. )
- Do que você está rindo? – Natasha ergueu uma sobrancelha para ele, apoiando ambos os cotovelos na mesa do pátio. Era hora do almoço.
- Só... Só estou pensando. – Ele deu de ombros.
- Sabe no que eu estou pensando? – Ela parou, obrigando-o a fazer o mesmo, e subiu na ponta dos pés para segredar-lhe ao pé do ouvido. – Estou pensando que você vai adorar conhecer o Steve esse sábado. Ele é um amor de pessoa.
Ela riu. Ele engoliu em seco.
- Eu odeio você.
O sorriso dela ficou ainda maior.
Continua
N/A: me deixa com as minhas piadas de scott pilgrin para quem não sacou, a palavra com "l" nem é lesbicas rs mas love u.u
Eu sei que disse que thor/loki ia aparecer nesse capítulos E DESCULPA, GENTE Mas é que clintasha se comendo na sala de música meio que... me distraiu e quando eu vi já tinha quase 2000 palavras ENTÃO É
do próximo cap não passa!
