Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas Aaliah, Eurin e Aimê são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Boa leitura!


Capitulo 2: Rosas Eternas.

I – A Viagem.

Sentiu um fino dedo lhe cutucando o braço, mas não pareceu se importar. Resmungou algo impossível de ser compreendido e continuou a dormir. Tinha a leve impressão de que estava se esquecendo de algo, ou melhor, saindo de sua rotina de alguma maneira, mas depois que pegara no sono, simplesmente deixara de pensar.

-Shaka; Aaliah chamou num sussurro, tentando acordá-lo, faltavam apenas alguns minutos para desembarcarem em Estolcomo e a comissária de bordo já havia passado varias vezes para chamá-lo, pedindo que colocasse o cinto, mas quem disse que ele acordava.

-Uhn; ele murmurou.

-Shaka; Aaliah chamou novamente e nada. Com um sorriso maroto nos lábios, ela olhou para os lados certificando-se que ninguém mais ouviria o que ela iria falar. Afastou um pouco os cintos para que pudesse aproximar-se do cavaleiro melhor, praticamente deitando-se sobre ele, sabia que ele ia tentar se levantar. –Shaka, o avião ta caindo; ela sussurrou em seu ouvido.

Na mesma hora, viu-o abrir os olhos e tentar levantar-se correndo, mas com o peso do próprio corpo o deteve.

-O que? Como? Quando?

-Clama; Aaliah pediu, vendo-o tão agitado.

Depois de chamar a atenção de algumas pessoas para a agitação que envolvia o casal, o cavaleiro acalmou-se, serrando os orbes de maneira perigosa, como se fosse mandar alguém para o inferno, voltou-se para a jovem.

-Que idéia foi essa?

-Bem...; Ela começou, com um sorriso inocente e olhar angelical. –Foi a única forma que eu encontrei de te acordar;

Serrou os orbes mais ainda, nem um pouco convencido disso, porém não conseguia ficar bravo com ela, ainda mais com aquele olhar; ele pensou, passando a mão nervosamente pela franja arrepiada.

-Sr que bom que acordou, por gentileza, poderia colocar o cinto, já vamos pousar; a comissária falou, parando ao lado dele.

-Ah sim, só um minuto; Shaka respondeu, colocando o cinto, engolindo em seco diante do olhar entrecortado da comissária que já cansara de tentar acordá-lo. –Acho que acabei dormindo de mais; ele murmurou.

-Não tem problema; Aaliah falou displicente.

-Uhn? –ele murmurou, virando-se para ela, enquanto tentava fechar o cinto.

-Você já viu como você fica fofo dormindo? –ela perguntou, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.

Foi uma questão de milésimos de segundos a face do cavaleiro ficou escarlate, ainda mais devido ao fato de que algumas garotas que estavam ali perto assoviarem acenando para eles, como se concordassem com o que Aaliah dissera.

-Deixa que eu te ajude; Aaliah falou, divertindo-se internamente com o que acontecera, enquanto o ajudava a colocar o cinto. –"Bem, pelo menos preto ele já ta usando, agora faltam ainda algumas coisas pra ficar no ponto"; ela pensou, com um sorriso quase imperceptível nos lábios.

-"Não gosto quando ela sorri desse jeito, deve estar aprontando alguma coisa"; o cavaleiro pensou, suando frio.

-Pronto; a jovem falou, acomodando-se em seu assento.

-Com licença Sr; uma outra comissária falou, parando ao lado dele.

-Sim; Shaka falou, virando-se para ela.

-A Srta da poltrona 84 pediu que lhe entregasse isso; ela falou, entregando a ele um fino guardanapo de papel.

Sob o olhar curioso de Aaliah o mesmo abriu com cuidado o papel, impecavelmente dobrado, para ler o conteúdo.

-'Adorei você loirinho, me liga quando desembarcar'; ele leu, vendo que ao final da mensagem ainda havia endereço e telefone.

-Mas que disparate; Aaliah resmungou, chamando-lhe a atenção, para o fato de estar praticamente pendurada em seu ombro para ler o que estava escrito.

-Ahn! Obrigado, mas não; ele falou, devolvendo o papel a comissária.

-Mas Sr...; Ela foi falar, quando Aaliah a cortou, com um olhar fulminante que quase fez a comissária preferir saltar do avião sem pára-quedas do que encará-la.

-Ele está acompanhado; ela vociferou.

-...; A comissária assentiu, pedindo uma rápida licença e saindo um tanto quanto constrangida dali.

Shaka voltou-se para Aaliah com um olhar curioso, vendo a jovem acomodar-se na poltrona emburrada, assoprando insistentemente a franja azulada que caia sobre os olhos. Arqueou levemente a sobrancelha. Ela parecia realmente irritada.

-Aaliah; ele chamou, colocando a mão sobre a dela, porém a jovem recuou, puxando a mão e virando-se praticamente de costas para ele.

Ouviu-a resmungar algo que foi incapaz de entender, lhe ignorando.

-Aaliah; Shaka chamou novamente. Ela o estava ignorando mesmo; ele concluiu, sem entender ao certo o porque essa reação da jovem.

Virou-se de lado na poltrona, de forma que pudesse aproximar-se dela. Tocou-lhe a face de maneira carinhosa, fazendo-a virar-se para si, encarando-lhe. Ela estava com a face levemente rosada. Rubor que pareceu aumentar ao deparar-se com aquele par de orbes azuis que lhe fitavam com a atenção.

-O que foi? –ele perguntou, suavemente.

-Não é nada, besteira; ela respondeu, balançando a cabeça levemente para os lados, sem saber ao certo o porque do pequeno surto.

-Aaliah; Shaka falou, em tom descrente.

-Já dis-...; Ela não completou, sentiu-o tocar-lhe os lábios delicadamente com a ponta dos dedos.

-Não deveria ficar se preocupando com coisas à toa; ele falou, com um sorriso calmo nos lábios.

Viu-a assentir timidamente, ouviram a voz da comissária de bordo dando as ultimas recomendações. Silenciosamente acomodaram-se melhor nos acentos sentindo aos poucos o avião começam a pousar.

II – De volta pra casa.

Mal desembarcaram, foram até um guichê onde poderiam alugar um carro. Aaliah dissera que seria mais fácil irem assim do que fretarem um jatinho ou qualquer outra coisa para irem até Visby.

Franziu o cenho ao senti-la segurar-se fortemente em seu braço, olhando com os orbes serrados para o lado. Era melhor nem perguntar; ele pensou, balançando a cabeça, ao lembrar-se que após descerem, ela quase literalmente avançou em cima da garota do acento 84 que queria apenas perguntar se ele não gostaria de fazer algumas fotos de roupa intima masculina para uma agencia de modelos em Estolcomo.

O que foi imediatamente recusado, porém Aaliah ainda não estava convencida que era apenas aquilo, mesmo que não quisesse admitir o pequeno surto, resolvendo nem comentar mais sobre o assunto.

Alugaram um carro de passeio e partiram. Estavam há algumas horas na estrada, quando avistaram a entrada da cidade.

-Pode ir reto, vire a direita, depois a esquenta na segunda travessa; Aaliah falou, começando a indicar-lhe o caminho.

-...; O cavaleiro assentiu.

Foi com surpresa que depois de alguns quilômetros rodados, depararam-se com uma grande casa. Grande seria pouco pra descrever o que tinha a sua frente; ele pensou, vendo a construção em estilo elisabetano muito bem cuidada da antiga mansão Lancaster.

Desceram do carro, optando por levarem as malas para dentro depois. Olhou admirado para toda a construção. Seus olhos corriam pelo local, como se quisesse absorver tudo aquilo de uma vez.

Quem diria que ali fora palco de um grande romance, que ainda refletia-se nos dias de hoje; tal pensamento não foi capaz de ser reprimido pelo cavaleiro. Voltou-se para a jovem, vendo-a nervosamente procurar as chaves dentro da bolsa.

-Aaliah; Shaka aproximou-se, vendo-a revirar a bolsa para todos os lados, acabando por fim, derrubá-la no chão, espalhando todo o conteúdo. –Eu te ajudo, calma; ele pediu, abaixando-se com ela.

-Me desculpe; ela sussurrou, enfiando tudo dentro da bolsa, sem conter o tremor nas mãos.

Tomou-lhe as mãos entre as suas tentando lhe passar segurança, vendo-a voltar-se para si com um olhar aflito. Já conseguia imaginar o porque dela estar daquele jeito, mas preferiu não falar nada no momento, conversariam sobre isso na hora certa. Puxou-a para seus braços, aninhando-a entre o calor que eles poderiam oferecer.

-Você não esta sozinha; ele sussurrou, sentindo-a aos poucos relaxar, dando um baixo suspiro.

-...; Ela assentiu. Fechando os olhos momentaneamente, tentado recuperar o controle emocional, talvez não teria conseguido voltar ali se ele não estivesse junto consigo; a jovem pensou. –Parece que vai chover, é melhor entrarmos; Aaliah comentou, tentando apaziguar o clima tenso que se instaurara entre eles.

-É, parece; o cavaleiro balbuciou.

Levantaram-se calmamente, terminando de recolher as coisas, achando por fim a chave. Subiram a pequena escada de madeira, deparando-se com a porta pesada na frente, colocou a chave sobre a fechadura, virando-a em seguida. Ouviram um baixo clique dela sendo destravada.

Aaliah entrou, indo diretamente até a caixa de energia, ligando os disjuntores. As luzes da casa toda acenderam-se, deixando o cavaleiro ainda mais surpreso, ao deparar-se com a incrível decoração do interior.

-Vem, vou te mostrar a casa; ela falou, puxando-o pela mão, indicando todos os caminhos e cômodos.

Dezoito anos atrás...

Poderia dizer que cumprira sua missão, seu pupilo tornara-se o novo cavaleiro de Peixes, mas a que preço? –ela se questionou, tentando controlar-se emocionalmente. Entrou em casa, chamando pela irmã, mas não ouviu resposta.

Franziu o cenho por baixo da mascara, onde ela estava?

-AIMÊ; Eurin gritou, ainda mais alto, porém continuou sem obter resposta alguma.

Subiu as escadas correndo, abrindo a porta do quarto dela com brusquidão, ela também não estava ali. O único lugar que ela poderia estar deveria ser o lago; Eurin concluiu, correndo até lá, para a irmã não responder de primeira deveria estar acontecendo alguma coisa.

Aproximou-se do lago, vendo-a sentada no chão. Abraçando as próprias pernas, viu uma caixinha branca perto dos pés dela o que fez sua curiosidade e inquietação aumentarem ainda mais.

-Aimê; ela chamou, com a voz mais branda. A jovem murmurou algo, virando-se para a irmã.

-Pensei que fosse ficar mais tempo no santuário; Aimê comentou, tentando não deixar que a voz parecesse embargada pelo choro.

-Aconteceram alguns imprevistos; Eurin falou, aproximando-se. Viu-a rapidamente pegar a caixinha, colocando num lado onde ela não pudesse enxergar o que estava escrito.

-Viu o Alister? –ela perguntou tentando desviar o assunto, mas estranhou ao ver Eurin ficar em silencio, sentando-se ao lado dela.

-Ele morreu; Eurin falou, num fraco sussurro.

-Eurin, não acredito que é tão orgulhosa, que alem de não admitir o que sente, fica dizendo isso; Aimê a repreendeu, mas engoliu em seco, ao ouvir para a sua surpresa um alto soluço escapar dos lábios a irmã. –Esta falando sério? –perguntou num sussurro.

-...; Eurin assentiu.

-Mas...; Ela simplesmente não sabia o que falar.

Respirou fundo, tentando manter-se calma. Puxou-a para um abraço, ouvindo o choro aumentar. Nunca pensou que fosse ver a irmã naquele estado, mas admitia que deveria ser uma dor muito grande perder alguém que se amava, embora ela nunca houvesse admitido abertamente seus sentimentos por Alister.

–Chora, vai te fazer bem; Aimê sussurrou, pacientemente esperando-a se acalmar. Viu-a repousar a cabeça em seu colo, enquanto deixava-se ficar ali, desabafando as dores por todas as coisas ditas de forma errada e aquelas que deixou de dizer, pensando que teria tempo para isso depois. –"É melhor contar outra hora"; ela pensou, lançando um olhar de soslaio para a caixinha branca.

III – Rosas Eternas.

Sentou-se no sofá, vendo a jovem abrir as pesadas cortinas de veludo.

-Papai vivia falando que a vovó detestava que mexessem nessas cortinas; Aaliah comentou, enquanto deixava que a luz entrasse no ambiente.

-Imagino, ele diz que sou metódico, mas ele é perfeccionista o que é um pouco pior, levando em consideração que isso é hereditário; Shaka brincou.

-Hei, o que quer dizer com isso? –ela perguntou, apoiando a mão sobre a cintura, batendo o pé no chão, com os orbes serrados.

-Nada não; ele respondeu, engolindo em seco, sentindo uma gotinha escorrer em sua testa, mas parou olhando na direção da lareira algo que lhe chamou a atenção.

Um vaso de rosas incrivelmente vermelhas jazia ali, pareciam surreais de mais para que pudessem ser tocadas; ele pensou, levantando-se e caminhando até lá.

Aaliah notou o silencio repentino do cavaleiro, terminou de abrir as cortinas e voltou-se para ele. Vendo-o parando em frente à lareira.

-São rosas eternas; ela falou, caminhando até ele.

-Como? –Shaka perguntou confuso.

-...; Ela assentiu. –Minha mãe as criou, pouco antes de bem... Você sabe;

-Entendo; ele murmurou, sabendo o quanto era difícil para ela falar sobre aquilo. –São lindas;

-Eu uma vez até tentei fazer alguma coisa parecida, mas não dá. Nem a tia Eurin sabe a técnica pra criar essas rosas; Aaliah comentou, de certa forma frustrada por não ter conseguido.

-Já experimentou perguntar ao Afrodite? –Shaka perguntou.

-Perguntei, mas o papai disse que também não sabe; ela respondeu. Lembrando-se das varias vezes que passara a noite em claro treinando para tentar criá-las sem chamar a atenção de ninguém para a elevação de seu cosmo, mas o máximo que chegou foi criar príncipes negros, mas as rosas eternas, nem passar perto.

-Talvez a resposta esteja nisso; Shaka comentou de forma enigmática.

-Que resposta? –Aaliah perguntou confusa.

-A que você procurar para poder criar essas rosas; ele completou.

-A verdade é que esse é um completo mistério, mesmo estudando botânica, não consegui achar um padrão lógico da cadeia genética delas, cheguei até a estudar algumas pétalas, mas elas não se comparam com nada que já existe; Aaliah falou, afastando-se e indo sentar-se no sofá.

-Talvez seja algo que a ciência não seja capaz de explicar; Shaka falou, sentando-se ao lado dela.

-Quem sabe; ela sussurrou, apoiando a cabeça sobre o ombro dele.

-Cansada?

-...; Aaliah assentiu, fechando os olhos momentaneamente.

-Então é melhor subir e descansar um pouco; ele sugeriu.

-Não, está bom aqui, se importa? –ela perguntou, apontando para o colo dele.

Sem saber ao certo sobre o que ela se referia, apenas assentiu, vendo-a retirar os sapatos, acomodando-se melhor no sofá, deitando a cabeça sobre seu colo.

Balançou a cabeça levemente para os lados, vendo-a suspirar. Tocou-lhe a face carinhosamente, afastando alguns fios que caiam sobre os olhos. Minutos depois, ela ressonava baixinho.

Deixou os dedos correrem com suavidade entre os fios azulados, enquanto com um olhar perdido fitava novamente o vaso de flores.

-"Rosas Eternas, talvez só exista uma forma de saber como criá-las, mas talvez você não devesse insistir nisso Aaliah"; ele pensou, voltando a fitar a jovem.

Dezoito anos e um mês atrás...

Retirou a mascara, sentando-se na mesa para tomar café. Eurin parecia entretida arrumando as coisas que nem a questionara sobre o motivo de ter demorado mais do que o normal para descer.

Fora um mês realmente difícil, ver Eurin sofrer daquele jeito com tudo o que acontecera não era nada fácil. Nunca pensou que Alister pudesse morrer, mas também quem poderia esperar por uma tempestade próximo ao Cabo, faria o navio que ele estava naufragar.

-"Filipe"; ela pensou, dando um baixo suspiro, ao lembrar-se do cavaleiro. Imaginava o quanto deveria ter sido frustrante para ele deparar-se com um bando de fracos e não o oponente que passara todo o treinamento se preparando para enfrentar.

Sabia que Eurin por fezes pegara pesado demais com ele, fora dura e fria, mas era algo que não poderia ser mudado. Apenas desejava que ele estivesse bem aonde quer que fosse e continuasse sendo a mesma pessoa gentil e carinhosa que conhecera. Embora soubesse que infinitos fatores poderiam mudar isso em frações de segundos.

-Aimê; Eurin chamou, impaciente.

-Uhn? –ela murmurou, vendo o olhar curioso de Eurin sobre si.

-Faz meia hora que estou lhe chamando; a irmã falou, colocando na frente dela um prato com ovos fritos e pães.

-Me desculpe, estava distraída; ela falou, desviando o olhar para o prato.

-Percebi; Eurin resmungou, dando-lhe as costas, para pegar sobre a pia o próprio prato.

Olhou para o prato a sua frente e um nó formou-se em seu estomago. Respirou fundo, para ver se acalmava esse mal estar, porém só piorou. Antes que Eurin pudesse perguntar o que estava acontecendo para ela estar tão pálida, levantou-se correndo para o banheiro mais próximo, deixando a cadeira cair no chão.

Agora não podia mais adiar o momento em que contaria a verdade a Eurin, depois disso sabia que a irmã já havia tirado muitas conclusões; ela pensou.

Continua...


Domo pessoal

Desculpem a demora pra postar, estive um pouco enrolada e acabei demorando pra digitar o capitulo. Sinceramente espero que tenham gostado. O próximo vai ser inteiro referente ao período em que Aimê esteve grávida e que Afrodite esteve no santuário. Muitas coisas serão explicadas, antes de voltarmos na parte em que a Aaliah estava dormindo no colo do Shaka.

No mais, obrigada de coração por todos os reviews super carinhoso e o grande apoio com essa mais nova fic. Valeu mesmo.

Kisus

Já ne...