Nunca escrevi nada sobre Shikamaru e Temari!
Então lá vai minha primeira deles.
Ps: Shikamaru centered.
...
Apercebeu-se de que queria um cigarro. Era a primeira vez, desde muito tempo. Na verdade desde a noite do enterro de Asuma. Mas nessa ocasião, a dor não era motivo para aquele estranho capricho.
Procurou nos bolsos da calça o isqueiro, seu amuleto inseparável, e vasculhou o interior da camisa em busca da pequena caixa que comprara num ímpeto de extravagância, que nem ele mesmo soube explicar.
Abriu o maço de cigarros e retirou um. Acendeu.
De primeira impressão, o gosto meio amargo e meio ardente, que desceu-lhe pela garganta, não era dos mais agradáveis. Mas não se importou com isso. Queria apenas usá-lo como adorno para ilustrar aquele momento de nostalgia.
Questão de estética, apenas isso.
Observava sem interesse o céu azul marinho, salpicado de estrelas veladas pelas nuvens esfumaçadas, que cobriam o céu como um lençol velho e puído.
"Talvez, o luar em Suna fosse mais bonito" – Shikamaru cogitou.
Enfiou mais uma vez a mão num dos bolsos da calça, e retirou o pedaço ínfimo de papel, que guardara secretamente desde aquele dia, sem que ela soubesse.
Pendeu o pescoço para trás, e esticou uma das mãos no ar, brincando com o guardanapo em meio a nuvem de fumaça que desprendia do canto de seus lábios. Apertou o pedaço frágil de papel entre os dedos, e levou a parte manchada de carmim até o nariz. Tragou o perfume dela, misturado ao odor acre de cigarros.
Nunca desejou tanto pelo calor violento do deserto. O deserto perigoso, de areias douradas, da mesma cor dos cabelos dela. O deserto de sol incandescente, que emanava calor semelhante ao que queimava em seu peito. Eram tão diferentes, mas algo inexplicável parecia criar um elo insistente, que unia a imponência daquela mulher, ao seus modos despretensiosos de enxergar a vida.
Mas Temari aquela altura já estava distante. Tão distante, que nem mesmo sua sombra poderia alcançá-la. Mesmo naquela terra onde o sol brilhava ao seu favor. Era inútil.
Levantou-se num suspiro de lamento, atirando o que restara do cigarro no chão de ladrilhos da praça, e esmagando-o em seguida com o calcanhar. Recolheu os braços contra o corpo, sendo elucidado pela brisa do inverno rígido, daquele fim de ano em Konoha. Seus pensamentos foram imediatamente varridos, com um balde de água fria.
Aspirou pela última vez o guardanapo, e dobrou delicadamente o pedaço de papel dentro do bolso. Era a única lembrança física que tinha dela. Não se aventuraria numa tarefa absurdamente complicada, em tentar conseguir outra. Além do mais, aquela era suficiente para uma simples lembrança.
Mas afinal, o que eram complicações perto da mulher pela qual foi se apaixonar?
"Tão irônico." – Ele pensava.
Seguiu seu caminho de volta pra casa, andando devagar. Fazia frio, e seus músculos pareciam mais preguiçosos que o de costume. Castigou-se pensando nela até o final do trajeto, sem saber que a horas e quilômetros dali, Temari se castigava pelo mesmo curioso motivo.
...
Espero que tenham gostado. ~
